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Tag: rock brasileiro (page 1 of 21)

Pitty lança clipe de Submersa com cenas gravadas por ela

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Por Fabian Chacur

Em plena quarentena originada pelo combate ao novo coronavírus, Pitty se mantém ativa. Ela acaba de lançar um clipe para divulgar Submersa, faixa de seu mais recente álbum, Matriz, lançado em 2019 pela gravadora Deck. As cenas foram registradas por ela própria e a flagram em uma banheira (ou jacuzzi, sei lá…) mergulhando e na superfície, seguindo um roteiro também auto-criado. A direção e edição ficaram a cargo do experiente Otavio Sousa.

Curiosamente, a letra de Submersa dialoga de forma interessante com o que vivemos nesse momento tão bizarro e incomum, com uma mensagem positiva e de busca pela liberdade. No final, a cantora sussurra um “vai passar” que se tornou uma espécie de bordão atualmente. A música é um pop rock melódico de primeira, um momento impactante de Matriz, que está disponível democraticamente em CD, LP de vinil, fita-cassete e nas plataformas digitais

Submersa (clipe)- Pitty:

Zé Geraldo faz nova profissão de fé no seu estilo com o CD Hey, Zé!

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Por Fabian Chacur

Zé Geraldo é um artista autêntico. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 1979, tem como marca a fidelidade a um estilo musical que funde rock, country e música rural brasileira, sempre com uma assinatura própria. Lógico que essa autenticidade pouco valeria se esse cantor, compositor e músico mineiro de 75 anos não tivesse talento, e isso ele tem de sobra. Hey, Zé!, seu novo CD, lançado pelo selo Sol do Meio Dia com distribuição da gravadora Kuarup, é mais uma prova concreta da força de sua criação.

Mesmo sem contar com a simpatia da grande mídia, o intérprete de hits como Cidadão e Milho aos Pombos conquistou um legião enorme de fãs pelo Brasil afora no melhor estilo boca-a-boca, em uma época (décadas de 1970, 1980 e 1990) que facilidades como internet e redes sociais ainda não eram sequer cogitadas por aqui. Ele consolidou sua fama na estrada, shows após show, canção após canção, superando as dificuldades com muita garra e fé.

Em seu novo trabalho, Zé não abre espaço para novas sonoridades, nem experimenta rumos diferentes dos habituais em sua longa e bem-sucedida trajetória. E isso não se mostra um problema, pois o universo ao qual se presta a desenvolver é uma estrada praticamente infinita, se o cara tiver talento, sensibilidade, inspiração e disposição, como é o caso do cidadão em questão.

Com sua voz rouca de timbre gostoso e cativante, esse trovador urbano-rural nos proporciona belas reflexões a respeito da vida, louvando o amor, a amizade e mostrando um eterno pé atrás em relação aos políticos, aos falsos pregadores e a quem só pensa em nos explorar e nos enganar. Não tem jabá que o compre, como ele próprio diz. E também demonstra uma fé inabalável nas novas gerações e em seu poder de transformar o mundo.

O bacana é que ele canta isso tudo de forma apaixonada, sim, mas também muito bem humorada, como, por exemplo, nas deliciosas Bicho Grilo Artesão, Roqueiro da Roça e Hippie Véio Sonhador, nas quais dá de ombros em relação a quem ironiza esse perfil de ser humano e mostrando que boas ideias e bons conceitos continuam tão atuais como sempre foram e sempre serão. Sonhar é preciso!

A faixa que dá nome ao álbum é uma inspirada versão em português de Hey Joe, que se tornou famosa mundialmente na gravação de Jimi Hendrix nos anos 1960. A Canção Que Vem do Céu é uma tocante homenagem a seu neto Gael, enquanto O Chão do Nosso Chão segue uma linha ecológica.

Enquanto Há Tempo propõe entregar o comando do Brasil a diversos tipos de pessoas de bem, cujas atitudes inspiram esperança em tempos melhores do que os atuais, mas com a advertência: “enquanto há tempo”. Afinal de contas, o relógio não para e as coisas se deterioram. Esperança, mas com foco!

E quem tem cães sabe o quanto esses seres encantadores ajudam a fazer nossas vidas mais saudáveis, encantadoras e até mesmo suportáveis. Zé Geraldo faz uma bela homenagem à sua encantadora cachorra na música Tina, um country rock delicioso com direito a latidos adoráveis em seu final.

Se as canções e as ideias são de primeira linha, os músicos que estão com Zé Geraldo nessa viagem musical são da melhor qualidade, todos mergulhando de cabeça no projeto. Feras do porte do Duofel, Folk na Kombi, Jean Trad, Hamilton Mica, Zeca Loureiro, Carneiro Sândalo e Aroldo Santarosa, por exemplo.

A faixa que encerra o álbum é Zé Geraldo (O Poeta do Bem), escrita por João Carreiro e Chico Teixeira, que por sinal participam nos vocais e violões. Uma homenagem tão bonita e merecida que não poderia ter ficado de fora do disco.

Hey, Zé! (o álbum) flagra um artista ainda inquieto, ativo e inspirado aos 75 anos de idade, capaz de nos oferecer canções belas, vigorosas e inspiradoras, que se mostram essenciais para suportar e tentar superar tempos tão difíceis como os que vivemos atualmente. A força de sua mensagem continua superando todos os desafios. Como diria outro artista do mesmo gabarito dele, o incrível Ednardo, “não tema sinhá donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos, mas não podem voar”. Zé Geraldo pode! Voemos com ele!

Veja o clipe de Bicho Grilo Artesão, de Zé Geraldo:

Isso É Amor, do Ira!, é relançado em vinil 180 gramas e fita cassete

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Por Fabian Chacur

Uma quantidade significativa dos recentes relançamentos em vinil se concentra em trabalhos já anteriormente lançados nesse formato. Isto É Amor, do Ira!, que a Polysom estará disponibilizando em LP de 180 gramas e também em fita cassete, foge desse perfil, pois saiu em 1999, quando os discos chegavam ao mercado brasileiro exclusivamente em CD, que atualmente vive uma espécie de ostracismo temporário em alguns desses projetos de resgate de grandes álbuns. Uma pena.

Como foi concebido para a duração bem maior de tempo proporcionada pelos compact discs, Isso É Amor contém quase 50 minutos de conteúdo musical. Como forma de viabilizar uma edição em vinil sem prejudicar a qualidade técnica, a Polysom optou por oferecer o LP com 12 faixas, sendo que as duas faixas restantes do formato original aparecem em um compacto simples de vinil que será vendido junto com o “bolachão”.

Isso É Amor flagra o grupo então integrado por Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra e vocal), Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) relendo canções alheias. As faixas que tiveram maior repercussão do CD, na época lançado pela hoje extinta Abril Music, foram Telefone (hit da Gang 90), com participação de Fernanda Takai, e Bebendo Vinho (de Wander Wildner).

Outros momentos bacanas deste trabalho do grupo paulistano são Jorge Maravilha, rock bissexto de Chico Buarque, Teorema (da Legião Urbana de Renato Russo) e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (Lô e Márcio Borges), esta última com participação especial de Samuel Rosa, do Skank. O título do álbum foi extraído do refrão da música Telefone, o maior hit da Gang 90 do saudoso Julio Barroso.

Ouça Isto É Amor em streaming:

Som Imaginário terá seu clássico LP Matança do Porco relançado

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Por Fabian Chacur

Mais um item bacana será adicionado à coleção Clássicos Em Vinil. Trata-se do álbum Matança do Porco (1973), da banda Som Imaginário, considerado um dos clássicos da música brasileira dos anos 1970, com sua criativa fusão de rock progressivo, psicodelia e música popular brasileira. O lançamento chegará ao mercado discográfico exclusivamente no formato vinil de 180 gramas em novembro, em uma parceria da Polysom com a gravadora Universal Music.

Criada em 1970 inicialmente para ser grupo de apoio de Milton Nascimento e com participação decisiva no álbum Milton (1970), esta banda estava com a seguinte formação na época em que lançou Matança do Porco, seu terceiro trabalho discográfico: Wagner Tiso (piano e órgão), Luiz Alves (baixo), Fredera (guitarra) e Robertinho Silva (bateria).

O álbum contém nove faixas, entre as quais Matança do Porco, épica e com as participação especiais do Bituca de Três Pontas e dos Golden Boys, e Armina- Vinheta 2. Após décadas fora de cena, a Som Imaginário retornou em 2012, e desde então realiza alguns shows, sempre sob o comando de Wagner Tiso.

Ouça Matança do Porco na íntegra em streaming:

Bruno Gouveia relata com classe a trajetória do Biquini Cavadão

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Por Fabian Chacur

Em 1985, quando tinha apenas 19 anos, Bruno Gouveia se tornou conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, graças ao estouro das músicas Tédio e No Mundo da Lua. Desde então, conseguiu consolidar uma carreira com vários altos e baixos em termos profissionais, mas sempre mantida com muita dignidade e qualidade artística. Essa belíssima trajetória profissional e pessoal é o mote de É Impossível Esquecer o Que Vivi (Chiado Publishers), belíssimo autobiografia na qual o artista nascido em Ituiutaba (MG) e radicado há muito no Rio de Janeiro dá uma geral no que realizou nesses anos todos, de forma franca e sem rodeios.

A trajetória de Bruno se mostra das mais interessantes pelo fato de ter se desenvolvido em um período de muitas mudanças na história da indústria fonográfica no Brasil. Seu grande mérito é relatar com riqueza de detalhes e muitas informações preciosas de bastidores como se deram essas alterações todas, desde o auge do rock brasileiro dos anos 1980 e dos discos de vinil até a atual fase do streaming, passando por CD, mp3, redes sociais, plataformas digitais, internet e muito, mas muito mais mesmo.

O artista se mostra um observador astuto de tudo o que vivenciou, e proporciona um grande volume de material que surpreenderá até mesmo seus contemporâneos de geração ou mesmo mais velhos do que ele, além de servir como um testemunho dos mais importantes para o pessoal que tenha de 30 anos para menos. Garanto que alguns ficarão não só estupefatos com algumas passagens como também possivelmente duvidarão de sua realidade. Como vivi esses anos todos, posso lhes afiançar: é tudo verdade…

Nome atrapalhou um pouco a trajetória do grupo

Devido a seu nome desencanado, batismo feito pelo amigo e incentivador Herbert Vianna, o grupo nem sempre mereceu o devido respeito por parte da crítica e de segmentos do público. Mas basta analisar de forma isenta sua obra para se verificar que o Biquini Cavadão faz parte daquele seleto grupo de bandas que se firmaram e permanecem ativas e relevantes graças ao talento e à perseverança de seus quatro integrantes: Bruno e os fiéis parceiros Carlos Coelho, Miguel Flores e Álvaro Birita.

E olha que Bruno e sua turma passaram por muitas e não tão boas nesses quase 35 anos de trajetória discográfica. As idas e vindas com as gravadoras trazem momentos dignos de tortura chinesa, daqueles de desanimar o mais otimista dos seres humanos. No entanto, os rapazes sempre souberam dar a volta por cima, mesmo em momentos absurdamente difíceis como o da demissão do único integrante da formação clássica que não permaneceu, o baixista Sheik.

Pra rir, chorar, se indignar…

Com um texto fluente e muito bom de se ler, Bruno ainda teve uma ideia das melhores: acrescentou em momentos importantes do livro depoimentos entre aspas de alguns dos envolvidos nas questões, proporcionando ao leitor uma visão mais abrangente de cada situação e permitindo-nos tirar conclusões mais precisas de cada situação. Apenas Sheik não aceitou dar depoimentos, mas ainda assim sua importância para a banda não é rejeitada ou posta de lado.

O gostoso de É Impossível Esquecer o Que Vivi é o fato de que lê-lo nos proporciona as mais diversas emoções. Rir das trapalhadas de Carlos Coelho, por exemplo, ou das histórias de estrada da banda. Indignação com algumas rasteiras que as gravadoras (suas diretorias em cada época, para ser mais preciso) deram neles, muitas vezes geradas por jogos de ego absolutamente odiosos. Alegria ao ver a banda superar grandes obstáculos.

E tem também a delicadeza com que Bruno nos revela o momento mais difícil de sua vida até o momento, que foi perder seu primeiro filho, Gabriel, que ainda nem havia completado três anos e se foi em um trágico acidente de helicóptero de repercussão nacional. Difícil não verter lágrimas ao tomar conhecimento dessa situação, e de ver como Coelho se portou para dar o devido apoio ao amigo nessa hora tão inesperada e tão terrível.

Franqueza e capacidade de adaptação

A honestidade com que Bruno analisa cada um dos trabalhos lançados pelo Biquini Cavadão também é de se tirar o chapéu, além da franqueza de admitir que, embora todos os integrantes do grupo assinem todas as suas composições, em alguns momentos ele não participou de praticamente nada. No entanto, o fato de, desde o início, eles terem tomado essa atitude, ajudou a banda a se manter unida e coesa mesmo em seus momentos mais difíceis.

Uma das razões pela qual o Biquini Cavadão se mantém até hoje foi ter tido sensibilidade suficiente para interpretar as mudanças de rumo da indústria fonográfica e se adaptar da melhor forma possível a elas, além de ter mergulhado de cabeça nas opções de divulgação e aproximação com os fãs proporcionadas pela internet, isso mesmo antes do surgimento das redes sociais, além de investirem na qualidade de seus shows, quentes e artisticamente atraentes.

Dicas para iniciantes e novidades tecnológicas

Recomendo com entusiasmo aos músicos iniciantes e que sonham em desenvolver uma carreira no mundo da música lerem atentamente os conselhos que Bruno dá, na parte final de seu livro. Todos pertinentes, ponderados e que equivalem a um bom norte a todos.

Como mostra dessa eterna busca por novidades, Bruno incluiu no livro vários QR Codes que proporcionam a quem tem smartfones a possibilidade de acessar uma infinidade de conteúdos extras, do tipo depoimentos em vídeo, clipes, versões alternativas de músicas etc, que também podem ser acessados aqui.

No geral, o mais legal é chegar à conclusão que, aos 52 anos de idade, Bruno Gouveia está mais ativo do que nunca, em trabalhos paralelos e também com sua banda, vide seus excelentes lançamentos mais recentes, os álbuns As Voltas Que o Mundo Dá (leia a resenha de Mondo Pop aqui) e Ilustre Guerreiro (saiba mais sobre ele aqui), ambos produzidos pelo lendário Liminha.

Ouça As Voltas Que o Mundo Dá, do Biquini Cavadão, em streaming:

Banda Power Blues lança single com show no Madame Satã (SP)

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Por Fabian Chacur

Em 2014, o guitarrista e compositor paulistano Daniel Gerber voltou ao Brasil após 20 anos morando nos EUA e deu início a uma nova banda. Ex-integrante do Made In Brazil e da Santa Gang, ele buscava uma imersão no universo do blues rock, com fortes influências do rock paulistano dos anos 1970. Nascia a Power Blues, quarteto que acaba de lançar o poderoso single Mentes Criminosas e promete um álbum de estreia com músicas autorais para breve.

Eles se apresentam neste sábado (17) a partir das 19h no lendário Madame Satã (rua Conselheiro Ramalho, nº 873- Boa Vista- fone 0xx11-2592-4474), com ingressos a R$ 20,00. A abertura ficará por conta da Santa Gang, que volta à ativa após 31 anos. Teremos as participações de Kim Kehl, Oswaldo Rock Vecchione e Celso Kim Vecchione. Gerber também fará tocará no show da Santa Gang, em evento com cara de celebração do rock paulistano.

Além de Daniel Gerber na guitarra e composições, a Power Blues conta em sua escalação com Paula Mota (vocal, ex-Lado C e Made In Brazil), Daniel Kid Ribeiro (baixo, tocou com Walter Franco, Ronaldo e os Impedidos e Tony Tornado) e Roby Pontes (bateria, tocou com o Golpe de Estado). Um time experiente e entrosado. Veja vídeos da banda aqui.

Em entrevista ao Mondo Pop, Daniel fala sobre a carreira, o longo período em que viveu nos EUA, a Power Blues e muito mais.

MONDO POP- Antes de entrarmos no tema Power Blues, fale um pouco sobre as suas experiências com a Santa Gang e o Made In Brazil, e também sobre o início da sua carreira como músico.
DANIEL GERBER
– Comecei a tocar com apenas 11 anos, e aos 12, ganhei do meu avô a minha primeira guitarra. Toquei em várias bandas, entre elas a Santa Gang, até que fui convidado a tocar no Made, onde fiquei de 1983 a 1986 e depois de 1989 a 1991. Fiz inúmeros shows, participei de discos como Deus Salva…O Rock Alivia (1985) e compus diversas músicas em parceria com o Oswaldo Rock Vecchione. Perdia de dois a três quilos por show, eram apresentações muito intensas.

MONDO POP- Como foi o seu período nos EUA, e o que você fez por lá?
DANIEL GERBER
– Vivi nos EUA entre 1993 a 2013. Tive a oportunidade de ver muitos shows de artistas como Jeff Beck, e também participei de bandas como a The Mangrols e a Charlie Doc Band, esta última uma banda completa, com teclados, metais, foi uma experiência incrível. Também trabalhei com equipamentos de luz e som, área de que gosto muito. Fiz mais de 200 projetos de luz e som pelos EUA. Foi uma experiência maravilhosa em um país organizado e estabilizado. Voltei para o Brasil por causa da minha família e dos amigos, sentia muita falta da minha terra.

MONDO POP- Como surgir a Power Blues, e como você define o seu direcionamento musical?
DANIEL GERBER
– Quando voltei ao Brasil, em 2013, participei de shows do Made In Brazil e conheci a Pàulinha Mota. Resolvemos criar uma banda, que no início era de blues raiz, mas que fui eletrificando aos poucos. Hoje, fazemos um blues rock, som que começou com o Buddy Guy, seguido pelo Jimi Hendrix e que atualmente tem como grandes seguidores o Kenny Wayne Shepherd e o Joe Bonamassa, com distorções mais refinadas, pois atualmente você pode controlar melhor as frequências.

MONDO POP- Você teve importante participação no cenário do rock paulistano. Isso também influenciou o som da Power Blues?
DANIEL GERBER
– Com certeza. Quando começamos a investir em material autoral, as influências do Made In Brazil, Rita Lee & Tutti Frutti, Mutantes e Joelho de Porco, do rock paulistano dos anos 1970, veio a tona. É um som que costuma ter certas características marcantes e peculiares, como determinados riffs de guitarra, a métrica das letras etc.

MONDO POP- Mentes Criminosas, o single que vocês estão lançados, serve como um bom cartão de apresentações da banda. Como foi a escolha dessa faixa, e como você define o álbum que está sendo finalizado pela banda?
DANIEL GERBER
– Essa faixa é bem representativa do som da Power Blues, porque mistura um riff de surf rock, bateria tribal, hard rock, solo de baixo e uma letra de crítica sócio-política, mostra várias das nossas influências. O álbum, que sairá em breve, é muito eclético, pois penso que não precisamos ser lineares, é uma coisa misturada, livre.

MONDO POP- Como será o show no Madame Satã?
DANIEL GERBER
– Tocaremos as músicas que entrarão em nosso primeiro álbum e também algumas músicas de Mutantes, Rita Lee & Tutti Frutti (Corista de Rock será uma delas) e Made In Brazil (Deus Salva…o Rock Alivia, que é uma das minhas parcerias com o Oswaldo Rock Vecchione). Vou fazer uma participação especial no show da Santa Gang, também, e vão participar do nosso show o Oswaldo, o Celso e o Kim Kehl. Iremos filmar e gravar o show, para um possível lançamento em DVD, e teremos ótimas condições de som e de luz, algo que acho essencial para a nossa proposta musical.

MONDO POP- O seu álbum sairá em quais formatos? E como você vê as mudanças na forma de se lançar música geradas pela internet?
DANIEL GERBER
– O álbum sairá em CD e vinil, e também estará nas plataformas digitais. A internet abriu caminhos para todos os estágios, mudou tudo para a música em geral. Hoje, você anda com a música no bolso, em um celular. As pessoas se perdem em meio a tanto conteúdo. Você gasta bem menos para gravar, mas ninguém quer comprar, mostra o som para o mundo, mas precisa de suporte para poder sobreviver.

MONDO POP- Como superar essas dificuldades? Ainda há público para o rock no Brasil?
DANIEL GERBER
– Tem muito roqueiro no Brasil, é só conferir o número de downloads de músicas desse gênero musical em plataformas digitais como o Spotify feitos por aqui. A concorrência aumentou muito, é preciso uma dose maior de perseverança. Você precisa oferecer músicas boas e um show bom para o público. Sem um bom trabalho, você não cativa um público. As mudanças tecnológicas impulsionam as mudanças na música, sempre foi assim. O importante é emocionar as pessoas, tem de tocar o coração delas.

Mentes Criminosas– Power Blues:

Isabella Taviani lança single com releitura de hit da Legião Urbana

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Por Fabian Chacur

Isabella Taviani encontra-se no momento em meio às sessões de gravação de um novo álbum, que será o sucessor de Carpenters Avenue (2016), bela homenagem ao grupo de Karen e Richard Carpenter. Enquanto esse trabalho, que está previsto para sair no final deste ano, não chega, ela nos oferece um single cuja faixa não será incluída no futuro trabalho. Trata-se de Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar, releitura de canção da Legião Urbana Incluída em seu clássico CD As Quatro Estações (1989).

A cantora carioca explica o que a motivou a fazer esse resgate. “Numa tarde dessas, enquanto organizava meus discos, As Quatro Estações veio parar na minha mão; quando ouvi Se fiquei esperando meu amor passar, percebi que deveria regravá-la, num tom mais intimista e bem suave: voz, violão, violoncelo e nada mais”, conta.“É preciso cantar, ouvir e pensar novamente Legião Urbana!”.

Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar– Isabella Taviani:

Ira! chega ao Rio para show único em sua bela versão folk e acústica

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Por Fabian Chacur

No finalzinho de 2013, Edgard Scandurra e Nasi encerraram um longo período de inimizade e distância com o retorno da parceria que iniciaram nos tempos de escola e que gerou o Ira!, um dos grupos mais bem-sucedidos da história do rock brasileiro. Como se essa boa notícia não bastasse, eles ainda criaram, no início de 2016, um projeto paralelo, o Ira! Folk, investindo em versões acústicas de seus grandes hits.

É com essa formação que esses bons e velhos amigos se apresentam no Rio de Janeiro neste sábado (27) às 22h no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos custando de R$ 40,00 a R$ 150,00.

A encarnação folk do Ira! traz apenas a essência da banda, com Nasi nos vocais e Edgard Scandurra nos vocais e violão. Os shows da dupla nesse formato se mostraram tão bacanas que geraram em 2017 o DVD e CD Ira! Folk Ao Vivo Em Sâo Paulo, lançado em parceria com o Canal Brasil. Esse registro conta com as participações especiais de Yamandu Costa e Fernanda Takai.

Neste show único no Rio de Janeiro, Scandurra e seu fiel parceiro de Vila Mariana (SP) mergulham em uma deliciosa geral em momentos muito significativos de sua trajetória, com direito a maravilhas perenes do cancioneiro rocker brasileiro do porte de Flores em Você, Dias de Luta, Envelheço na Cidade, Eu Quero Sempre Mais, Tolices, Tarde Vazia e Núcleo Base.

Ouça o álbum Ira! Folk ao vivo em streaming:

Leela lança novo clipe vampiresco com festa e pocket show em SP

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Por Fabian Chacur

O grupo Leela (leia mais sobre aqui) continua a mil por hora em sua nova fase, iniciada em novembro de 2018 e cujo ápice será o lançamento de um álbum em breve. As novas canções estão sendo divulgadas aos poucos, sempre com clipes caprichados. A mais recente é Fome de Viver (Fuga Pelo Twitter), cuja première será realizada em São Paulo nesta sexta (5) com uma festa das 19h às 22h que terá também um pocket show. O local é o CAB (rua Mateus Grou, 355- Pinheiros), e a entrada é gratuita.

Fome de Viver (Fuga Pelo Twitter) conta com a participação especial do genial artista multimídia Fausto Fawcett, fiel parceiro do Leela. O clipe dirigido por Cavi Borges mergulha fundo em uma das obsessões de FF, o vampirismo, e inclui cenas dos filmes A Hora do Pesadelo 3 ( Chuck Russel-1987), Nosferatu (F. W. Murnau- 1922), Drácula (Tod Browning-1931), Nosferatu, o Vampiro da Noite (Werner Herzog- 1979) e Fome de Viver (Tony Scott- 1983).

O clipe ilustra um rock eletrônico, energético e sombrio, com direito a sintetizadores, guitarras ardidas e os vocais ora cantados, ora falados de Bianca e Fausto. Rodrigo O’Reilly Brandão se incumbe de guitarras, baixo, vocais, synths, programação e direção musical, enquanto a bateria ficou a cargo de Leonardo Morel. O clipe estará disponível para o público em geral a partir das 21h desta sexta (5) no endereço do grupo no youtube (acesse aqui).

Eis a letra de Fome de Viver (Fuga Pelo Twitter):

Notícia! Notícia! Noticia na Tv!

Notícia! Notícia! Noticia na Tv!

Apresentadora de telejornal entra em contato com

vários repórteres da emissora espalhados pelo mundo

em função de uma única notícia

Últimas notícias sobre o escândalo existencial

Mil garotos e garotas

Sub-12, sub-16 e até de 7 anos

Combinaram nos seus smart-phones

Uma fuga pelo twitter

E chamaram de fuga número 1.000

Deixando as famílias apavoradas

E quando alguns deles foram encontrados

Sabe o que eles disseram?

Você não vai entender

A minha fome de viver

Você não vai entender

Mas não foram só os sub-12, nem os sub-16 e os de 7 aninhos

Que falaram isso

Porque está rolando um surto de abandono geral

Entre pessoas com mais de 35, 40, 45, 50 até 60 anos

Totalmente situadas na vida com amor de família, com amigos

Tudo bem, tudo na boa profissionalmente

Mas não são apenas essas crianças muito smarts, são adultos,

Todas as gerações

Vivendo esse surto de abandono da inércia social familiar

E quando eles são encontrados pelos repórteres

Sabe o que eles dizem?

A mesma coisa!!!

Você não vai entender,

A minha fome de viver

Você não vai entender

Na Escandinávia

Na Suazilândia

Na Oceania

Na África

Na América do Sul

Muita gente tá mandando essa, tá dizendo

Surtos de abandono

Escândalo existencial

você não vai entender

A minha fome de viver

você não vai entender

Existem fomes de viver que não conseguem, não podem ser saciadas

pelas ofertas de felicidade das gincanas sociais atuais

Mesmo com todo o barato do consumo, com todas as demarcações dos sentimentos, dos desejos já feitos por obras de arte e por departamentos publicitários gerando produtos pra cada rapaziada, pra cada sentimento

E mesmo assim, ainda rola um vácuo

e nesse vácuo, surgem seitas de sadismo forense

clubes da luta, clubes de fuga

e também uma fascinação por eremitas

Por solitários do abandono

que saem da sociedade pra observá-la de longe

Alguns não voltam mais,

outros voltam meio assim…

Eremitas do abandono,

Tipo Jesus, Moisés, Maomé mas eles, em fuga,

também falam muito de Cat Stevens e Lídia Brondi

Titãs fazem show no Rio com músicas do CD Acústico MTV

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Por Fabian Chacur

E então, agora somos três. Parafraseando de certa forma o título do álbum And Them There Were Three (1978), do Genesis, os Titãs, que já tiveram oito integrantes, atualmente são um trio. E é essa trinca remanescente que está celebrando os 22 anos do lançamento de seu álbum comercialmente mais bem-sucedido, Acústico MTV (1997), com uma série de shows que passa pelo Rio de Janeiro nesta sexta (14) no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100, com ingressos de R$ 50,00 a R$ 200,00.

Sérgio Britto, Toni Bellotto e Branco Mello, a atuação encarnação da banda paulistana que está há quase quatro décadas na estrada, darão uma geral no repertório de seu CD mais famoso, sem o acompanhamento orquestral e sem a montoeira de músicos de apoio daquela época. Desta vez, a coisa será bem mais intimista, em um espaço que comporta no máximo 1.000 pessoas. No repertório, musicas daquele trabalho, como Pra Dizer Adeus, e outras posteriores que se encaixam nesse espírito, como Epitáfio e Isso.

Esse show ocorre enquanto duas outras turnês do trio estão sendo preparadas. Uma comportará a execução, na íntegra, das músicas contidas no mais recente lançamento dos Titãs, o CD-DVD Doze Flores Amarelas, uma ambiciosa ópera-rock, cujo roteiro terá como palco teatros. A outra tour, intitulada Enquanto Houver Sol, mesclará músicas do novo disco com os clássicos desses anos todos. Em ambas, teremos a participação de músicos de apoio.

Pra Dizer Adeus (ao vivo)- Titãs:

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