Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: rock inglês (page 1 of 3)

Robert Plant e Chrissie Hynde lançam um dueto em outubro

robert plant carry fire cd-400x

Por Fabian Chacur

Um dueto reunindo duas gerações do rock está previsto para ser lançado no dia 3 de outubro. A gravação reúne Robert Plant, vocalista do lendário Led Zeppelin na década de 1970 e desde os anos 1980 um artista solo de muito sucesso, e Chrissie Hynde, líder dos Pretenders, uma das bandas mais bem-sucedidas do rock oitentista. A faixa integrará o novo trabalho do cantor e compositor britânico, intitulado Carry Fire.

A música escolhida por eles para sua gravação em dupla foi pinçada a dedo. Trata-se de Bluebirds Over The Mountain, que fez sucesso em 1958 com o seu autor, o cantor americano de rockabilly Ersel Hickey, e também em regravações de Ritchie Valens (aquele de La Bamba e Donna) e dos Beach Boys. Plant usou um trecho dessa música como introdução para Rock And Roll em shows que fez em 2016.

Carry Fire é o primeiro álbum do icônico roqueiro desde Lullaby And…The Ceaseless Roar (2014). O trabalho traz 11 faixas, e também participam dele a violoncelista albanesa Redi Hasa e o badalado músico folk irlandês Seth Lakeman. Uma faixa do disco acaba de ser lançada em single, o ótimo rockabilly com toques orientais The May Queen.

Além do novo álbum, Robert Plant também anunciou que fará uma nova turnê mundial ao lado de sua mais recente banda de apoio, a competente e criativa The Sensational Space Shifters, que está prevista para ter início em novembro, abrangendo inicialmente o Reino Unido. As datas desses shows será divulgada em breve em seu site oficial.

The May Queen– Robert Plant:

Paradise Lost lançará o novo CD, Medusa, em setembro

paradise lost medusa-400x

Por Fabian Chacur

Uma das vertentes mais interessantes do heavy metal é aquela na qual esse estilo musical é misturado com o rock gótico, numa fusão que equivale à soma do som de bandas como Black Sabbath, The Sisters Of Mercy e The Mission. Uma de suas principais seguidoras, a britânica Paradise Lost, lançará seu novo álbum no exterior no dia 1º de setembro. No Brasil, o CD, Medusa, será lançado pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast.

As duas primeiras amostras do repertório de Medusa são excelentes. The Longest Winter tem um clima mais lento e denso (veja o lyric vídeo aqui), enquanto Blood And Chaos tem como marca riffs mais agressivos, sem fugir no entanto do clima opressivo que marca a sonoridade da banda. A produção é de Jaime Gomez Arellano, que também trabalhou com o grupo em seu álbum anterior, The Plague Within (2015).

Criada em 1988, a banda Paradise Lost mantém desde o seu início Nick Holmes (vocal), Greg Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra) e Steve Edmonson (baixo). Desde 2015 no time, Valtteri Vayrynen estreia em disco ao lado dos veteranos colegas com Medusa, ele que é o sétimo piloto de baquetas a fazer parte do quinteto britânico.

Seu álbum mais conhecido é o incrível Draconian Times (1995), que em sua edição americana trazia como faixa bônus uma releitura de How Soon Is Now?, dos Smiths, e nas edições brasileira e japonesa um cover incrível de Walk Away, do Sisters Of Mercy. Vale lembrar que o grupo britânico Trapeze, do qual fazia parte o lendário Glenn Hughes, lançou em 1970 um elogiadíssimo álbum com esse mesmo título, Medusa.

Blood and Chaos (clipe)- Paradise Lost:

Night And Day- Joe Jackson: 35 anos e ainda impecável

joe jackson night and day capa-400x

Por Fabian Chacur

Em junho de 1982, Joe Jackson lançou o seu álbum mais ambicioso. Aos 27 anos de idade (completaria 28 em agosto daquele mesmo ano), o cantor, compositor e músico britânico havia surgido com força no cenário musical com uma sonoridade rotulada como new wave pela crítica, e conseguiu ótimos resultados comerciais. Mas Night And Day era um passo adiante dos mais arriscados, pois trazia uma sonoridade bem peculiar.

Ao invés do ótimo rock básico com elementos de reggae e pop presentes em hits como Is She Really Going Out With Him, I’m a Man e Fools In Love, Jackson parecia querer trazer para o seu universo próprio algo do surpreendente disco que lançou em 1981, Jumpin’ Jive, composto por releituras de clássicos da era do swing jazz dos anos 1930 e 1940.

Vale lembrar que ele era quase uma exceção em sua geração, pois tem o piano como o seu instrumento base, ao invés da guitarra. E, embora roqueiro de coração, Jackson traz uma formação composta também por música erudita e jazz, elementos que se incorporaram à sua formação quando estudou música formalmente. Portanto, era questão mesmo de tempo que isso aflorasse no seu trabalho.

Night And Day marcou a saída do artista da Inglaterra rumo aos EUA, mais precisamente a Nova York. Nos estúdios da Big Apple, ele teve a inspiração de usar como tema do novo álbum uma espécie de viagem de um dia por aquela cidade, iniciada à noite e encerrada de dia, como o título entrega. De cara, uma ousadia para aqueles dias: nada de guitarra. A formação básica do disco inclui teclados diversos, baixo, bateria e muita percussão.

Ele usou o seu piano como base para um som no qual a latinidade aflorou com força total, trazendo fortes elementos de salsa, mambo e até um bocadinho de bossa nova. O jazz dá o tom, com espaços para solos mas sem cair em uma proposta intrincada demais, sendo, portanto, bem acessível aos ouvidos médios. O tempero pop e elementos eletrônicos, além de pitadas de rock, arredondaram a coisa toda.

Completando tudo, Jackson nos oferece nove faixas, sendo cinco compondo o lado A do disco de vinil, a faceta “night”, e quatro no lado B, a parte “day”. As canções vão se entrelaçando, e funcionam como se fossem a trilha sonora que acompanha um novato na grande cidade, tentando descobrir suas nuances e superar suas dificuldades de contatos e assimilação com as pessoas.

A abertura com Another World é impactante, seguida pela percussiva e misteriosa Chinatown. T.V. Age, ironizando a forte influência da TV na vida das pessoas, é seguida pela salerosíssima Target, que abre alas para a incrível Steppin’ Out. Maior hit da carreira do artista (chegou ao 6º lugar nos EUA), tem uma batida rítmica mágica, que serve como uma transição da noite para o dia, representado pelas canções do lado B.

A parte day do álbum se inicia com a bela balada Breaking Us In Two, que traz em sua melodia, involuntariamente ou não, trechinhos de Steppin’ Out e da clássica Day After Day, hit do grupo britânico Badfinger. Cancer, com sua letra que lida de forma quase sarcástica com a gravidade dessa doença terrível, é outro orgasmo latino, no qual Jackson faz solos endiabrados de piano nos quais mostra um senso rítmico e melódico digno de um gênio dos teclados.

A introspectiva Real Man toca no sempre delicado tema da masculinidade, com um refrão onomatopaico cativante. O álbum é encerrado com uma balada arrebatadora, Slow Song, que desde então costuma encerrar seus shows, e na qual ele defende a necessidade das canções lentas em momentos decisivos da vida. Um encerramento classudo para um grande álbum.

Joe Jackson admite que temia pelo resultado comercial de Night And Day, pelo fato de ser muito diferente dos LPs que havia lançado anteriormente. O público, no entanto, não o decepcionou, pois o álbum atingiu o 3º lugar no Reino Unido e 4º nos EUA, sendo até hoje seu campeão de vendas. Um disco que soa moderno, delicioso e cativante, mesmo 35 anos após seu lançamento. Música boa é para sempre.

obs.: fiz o possível para escrever um bom texto sobre esse, que é um de meus discos favoritos, mas tenho consciência de que não cheguei nem aos pés da crítica que a minha ídala Ana Maria Bahiana escreveu na época, e que não só me levou a procurar esse álbum como, por tabela, acabou me tornando um fã entusiasmado de Joe Jackson. Valeu, Ana!

Night And Day– Joe Jackson:

Filme Eight Days a Week nos promete mais do que cumpre

eight days a week capa dvd-400x

Por Fabian Chacur

Depois do lançamento do maxi-documentário Anthology (1995), com mais de onze horas de duração e apresentando de forma profunda e repleta de material essencial a história dos Beatles, ficou difícil para alguém pensar em um projeto audiovisual que possa superá-lo ou ao menos chegar perto de tal excelência. O filme-documentário Eight Days a Week- The Touring Years, lançado em setembro de 2016 nos cinemas e agora saindo no formato DVD, chegou com essa pretensão, vide seu lema: “The Band You Know, The Story You Don’t” (a banda que você conhece, a história que não conhece).

Para completar a expectativa, o mentor de tal projeto era ninguém menos do que Ron Howard, conhecido por filmes como Apollo 13 (1995), Cocoon (1985) e Uma Mente Brilhante (2001), tendo ganho o Oscar de melhor diretor com este último. Diante de tanta expectativa, a pergunta é óbvia: o produto final atinge seu objetivo? A resposta é não, mas merece uma explicação minuciosa, para não soar como uma daquelas análises gratuitas só para atrair cliques ou irritar os fãs.

O documentário tem como objetivo mostrar a fase em que os Beatles se tornaram um fenômeno mundial em termos de popularidade, entre 1963 e 1966, e no qual as turnês pelo mundo afora foram uma ferramenta fundamental. Os anos da Beatlemania, para ser mais preciso. Como forma de nos apresentar esse incrível fenômeno comportamental e cultural, Howard se valeu de vasto material de arquivo já utilizado anteriormente, com apenas uma ou outra cena menos conhecida.

As entrevistas recentes feitas com Paul McCartney e Ringo Starr também são bastante redundantes, inferiores às feitas para o Anthology. Dessa forma, essa coisa de “a história que você não conhece” soa arrogante demais. Novidades ou possíveis revelações passam bem longe dos 106 minutos de duração do filme. Nem precisa ser um especialista daqueles realmente viciados em Beatles para ter tido conhecimento de tudo o que é contado aqui.

Lógico que um profissional do calibre de Ron Howard não faria um produto ruim em termos de apresentação, e nesse aspecto, Eight Days a Week é muito bem realizado, fluindo bem e encaixando os registros de forma bem ordenada. Os depoimentos do jornalista americano Larry Kane, o único que acompanhou todos os shows das turnês dos Fab Four pelos EUA em 1964 e 1965 também são pontos importantes.

Merecem um belo destaque os deliciosos testemunhos da atriz Whoopi Goldberg sobre sua idolatria em relação ao grupo britânico e da emoção de ter visto o mitológico show no Shea Stadium em 1965, e também o relato do show realizado em Jacksonville, Florida, em 1964, no qual eles se recusam a tocar para uma plateia segregada, resultando em um raro momento em que brancos e negros conviveram em um show dessas proporções naqueles lados dos EUA.

A qualidade das imagens é impecável, assim como o áudio. A narrativa vai até o último show oficial da banda, em agosto de 1966 no Candlestick Park, San Francisco (EUA), e o documentário acaba com cenas da última apresentação de fato do quarteto de Liverpool, realizado em janeiro de 1969 no teto do prédio onde estava os escritórios da gravadora deles, a Apple.

Muitas cenas de histeria do público ao redor do mundo foram usadas, e de forma bem eficiente para ressaltar o quanto o som do grupo inglês atiçava a libido do público, especialmente o adolescente, e também de como os adultos e boa parte da imprensa ficavam abismados com aquilo tudo, sem entender absolutamente nada.

Como os Beatles são um daqueles fenômenos de popularidade que desafiam o tempo, existem fãs que os conheceram há pouco, e para os quais até mesmo as carreiras solo de John Lennon e George Harrison podem parecer algo totalmente fora de seus radares. Para eles, Eight Days a Week funciona como uma boa introdução em termos audiovisuais. Mas para quem os curte há mais tempo, é um filme com cheiro de “já conheço bem essa história, e melhor contada”.

obs.: e o DVD não traz nenhum extra. Nada, nadinha. Eita muquiranice!!!

Eight Days a Week-trailer do filme:

Duran Duran foi brilhante em seu show no Lollapalooza-BR

duran duran-400x

Por Fabian Chacur

O problema de grandes festivais é que, por razões de tempo, nem sempre as melhores atrações recebem o tempo que mereceriam ter para desfilar sua categoria. Eis o que ocorreu no Lollapalooza 2017 na tarde deste domingo (26) em relação à incrível apresentação do Duran Duran, no Autódromo de Interlagos. Foram apenas 63 minutos. O bom é que ficou aquele enorme gosto de quero mais, presente em todos os grandes espetáculos.

Devidamente acomodado em minha cama, vi, exatamente às 16h38 deste domingo, o grupo britânico que caminha para 40 anos de estrada em plena forma entrar em cena. Pela TV, no canal Multishow. A abertura veio com Wild Boys, e serviu como uma boa prévia do que teríamos durante toda a apresentação. Hungry Like The Wolf e A View To a Kill pintaram logo a seguir, conquistando o público que estava lá tomando um sol daqueles, mas feliz da vida.

A atual encarnação do grupo britânico traz quatro de seus integrantes originais. Roger Taylor continua aquele baterista discreto, enquanto o tecladista Nick Rhodes, com suas roupas sempre coloridas e extravagantes, se incumbe dos teclados e das programações eletrônicas usadas pela banda com categoria. O baixista John Taylor permanece com sua ótima performance de palco, da qual nosso Paulo RPM Ricardo tirou várias lições.

E temos Simon Le Bon, que aos 58 anos continua em ótima forma e com um desempenho vocal extremamente competente, na qual uma ou outra nota na trave tem como compensação muito pique, carisma e energia. Além do quarteto original, quatro outros músicos estavam em cena, entre eles as ótimas backing vocalistas Ana Ross e Erin Stevenson e o vibrante guitarrista Dominic Brown.

Com esse time extremamente entrosado, o Duran Duran mostrou o porque, em pleno 2017, ainda continua sendo uma banda relevante e capaz de atrair não só os fãs dos anos 1980, mas também a molecada da era dos smartphones. Eles souberam se renovar com o decorrer dos anos, e mesmo as músicas mais antigas são tocadas com novos elementos e sem soarem como um mero ode ao passado.

O repertório de 13 músicas é uma prova disso, pois trouxe desde músicas de seu primeiro álbum, como Girls On Film (Duran Duran, de 1981), até duas de seu excelente álbum mais recente, Last Night In The City e Pressure Off (ambas de Paper Gods, lançado em 2015). No meio, faixas dos anos 1980, 1990 e 2000, como Notorious, Come Undone e (Reach Up For The) Sunrise.

Tivemos duas surpresas bacanas. Uma, o pot-pourry que reuniu as canções (Reach Up For The) Sunrise e New Moon On Monday (interpolada nesta primeira). A segunda ficou por conta da ótima participação especial da brasileira Céu, que, belíssima em um modelito preto, esbanjou talento e categoria em dueto com Le Bon na balada Ordinary World. O show acabou com Rio, que teve a coroá-la uma chuva de papel picado digna de fim de ano nos escritórios.

O momento “vergonha alheia” teve como protagonista a “repórter” Didi Wagner, do Multishow. Logo após do show, ela abordou o baixista John Taylor, chamando-o de Roger (o baterista). Como estava ainda na adrenalina pós-show, o músico a atendeu de forma simpática, embora ele confundisse a primeira vez que tocou em São Paulo (foi em 1988, e não em 1986). Após se despedir do músico, Wagner insistiu em dizer que havia falado com Roger…

Sei que errar é humano, mas fica difícil admitir uma falha deste tamanho de uma profissional que trabalhou durante “500 anos” na MTV, onde o Duran Duran aparecia toda a hora. Isso, além de seus comentários sempre superficiais e sem o menor conteúdo. Sei que serei grosseiro, mas irrita saber que esse tipo de “profissional” parece sempre ter emprego garantido nos melhores locais de trabalho, enquanto outros, muito mais talentosos…. De chorar!

Set list do show do Duran Duran:

Wild Boys
Hungry Like The Wolf
A View To a Kill
Last Night In The City
Come Undone
Notorious
Pressure Off
Ordinary World
(Reach Up For The)Sunrise + New Moon On Monday
White Lines
Girls On Film
Rio

A View To a Kill (live 2017)- Duran Duran:

Elton John comemora 70 anos com um evento beneficente

elton-john-400x

Por Fabian Chacur

Elton John comemora 70 anos de idade neste sábado (25). Como forma de unir o útil ao agradável, ele realizará nessa data um evento de gala que celebrará não só essa efeméride, mas também os 50 anos da incrível parceria com o poeta e letrista Bernie Taupin, iniciada em 1967. A cerimônia terá apresentação do ator Rob Lowe e performances musicais de convidados como Lady Gaga.O local é o Red Studio, em Los Angeles.

O bacana é que toda a arrecadação será destinada à Elton John Foundation (EJAF), que assiste vítimas e entidades que ajudam a combater e a apoiar as vítimas da Aids desde 1993, e o The Hammer Museum, da UCLA (Universidade da Califórnia), que abriga exposições e apoia a arte. Nada mais lógico para um artista que durante toda a sua carreira sempre teve como marca o auxílio a causas nobres das mais diferentes origens, sempre de forma generosa e sincera.

Os números que envolvem a carreira deste cantor, compositor e músico britânico são impressionantes. Ele vendeu mais de 250 milhões de álbum em todo o planeta. Teve 58 singles entre os 40 mais vendidos nos EUA, fez mais de 3.500 shows em mais de 80 países, faturou 12 troféus Ivor Novello, 6 Grammys, um Oscar e um Tony, além de ser membro do Rock And Roll e do Songwriters Hall Of Fame, e ter o título de sir e também o de Cavaleiro de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II.

Elton John nos visitou para shows pela primeira vez em 1995, e já tem datas marcadas para retornar ao nosso país. Ele fará shows, junto com James Taylor, em Curitiba (31/3- Pedreira Paulo Leminski- Curitiba), 1º/4 (Praça da Apoteose- Rio), 4/4 (Anfiteatro do Beira Rio- Porto Alegre) e 6/4 (Allianz Parque- São Paulo).

Leia o belo depoimento de Elton enviado à imprensa em comunicado pela sua gravadora, falando sobre seus planos para o futuro:
“Estou interessado em avançar o tempo todo, com o que eu crio, com as minhas colaborações, e também descobrindo o trabalho de outras pessoas. Acho que a idade é irrelevante, desde que possamos manter nossa mente viva e aberta para o novo. Eu posso ficar empolgado por um artista novo que toca para mim o seu demo como posso ficar com um novo álbum de um dos meus heróis musicais. Eu posso ficar empolgado ao me apresentar em uma nova cidade onde nunca toquei antes, ou revisitando um lugar que conheço bem e ver como ele está mudado. A vida está em um constante estado de fluxo para todos nós, e eu gosto de abraçar isso. Também me sinto muito feliz em usar o meu nome para chamar atenção para a injustiça no mundo e para tentar ajudar sempre que possível. Atualmente, estou mais feliz do que jamais estive.”

Quer ler diversas outras matérias de Mondo Pop sobre esse verdadeiro gênio da música pop? Entre aqui .

Veja o emocionante vídeo em homenagem aos 70 anos de Elton John:

Steve Winwood: a resenha do seu show no Brasil em 1998

steve winwood 1998-400x

Por Fabian Chacur

Se há algo desagradável para um jornalista da área musical que trabalha como frila é o fato de que, no Brasil, as publicações dessa área nem sempre duram o que seria recomendável. Quando duram alguma coisa… Por isso, boa parte do meu acervo como crítico e repórter é de difícil ou quase impossível acesso, atualmente. Sorte que eu sempre tive a mania de colecionar as minhas matérias publicadas, guardando um exemplar comigo. Sorte mesmo…

Tudo bem que eu sou um bagunceiro de primeiríssima linha, e precisaria dar uma bela e rigorosa organizada nesse meu acervo. Mas, aos poucos, tentarei fazer isso. A criação dessa série, iniciada em dezembro de 2016 (leia a primeira matéria aqui), é uma ação nesse rumo, para tentar resgatar alguns momentos importantes.

Esta resenha, por exemplo, é muito sigificativa por registrar com detalhes o show que o genial Steve Winwood fez em São Paulo, mais precisamente no dia 26 de maio de 1998 no Palace. Tente buscar alguma informação sobre essa apresentação na internet, e você provavelmente não encontrará nada. Então, resolvi resgatar a que fiz para a edição de número 17 da extinta revista Shopping Music, publicada em julho de 1998. Divirtam-se, com direito a setlist!

“Steve Winwood- Palace (SP)- 26/5/1998

Steve Winwood surgiu no universo da música pop ainda adolescente, aos 16 anos, como principal força criativa dentro do Spencer Davis Group. Desde então, o cantor, compositor e multi-instrumentista desenvolve uma carreira repleta de êxitos, quer como integrante de grupos como Blind Faith e Traffic, quer como artista-solo. Ao completar 50 anos de idade, ele finalmente se apresentou no Brasil, e mostrou que se encontra em excelente forma.

Acompanhado por uma banda extremamente coesa e talentosa, composta por nove músicos, Winwood preparou um roteiro que deu uma geral em todas as fases da carreira, abrindo e fechando respectivamente com I’m a Man e Gimme Some Lovin’, hits de sua primeira banda, o Spencer Davis Group. Durante as duas horas de apresentação, ficou clara a versatilidade do astro inglês, que tocou guitarra, teclados diversos e mandolin com a desenvoltura que só os gênios possuem. Isso, sem contar a voz forte, melódica, potente e com uma inspiração que vem de intérpretes negros como Ray Charles, um de seus ídolos.

Graças ao repertório, o clima da performance de Steve Winwood teve como marca a diversificação. O set list incluiu pop dançante em Higher Love, While You See a Chance e Familly Affair, rhythm and blues à antiga em Roll With It, rock progressivo jazzificado em Low Spark Of High-Heeled Boys (com grandes solos de todos os músicos), balada rock em Can’t Find My Way Home, latinidade em Gotta Get Back To My Baby e folk-ballad em Back In The High Life Again, só para citar alguns exemplos. O excelente Junction Seven, seu mais recente CD, foi representado por quatro músicas. Com um desempenho tão bom, o público só podia mesmo ter ficado em puro êxtase.”

Set list do show:

I’m a Man

Roll With It

Freedom Overspill

While You See a Chance

Let Your Love Come Down

Forty-Thounsand Headmen

Gotta Get Back To My Baby

Can’t Find My Way Home

Low Spark Of High-Heeled Boys

Presence Of The Lord

The Finer Things

Family Affair

Just Wanna Have Some Fun

Higher Love

BIS:

Back In The High Life Again

Gimme Some Lovin’

Veja Angel Of Mercy (live-1998)- Steve Winwood:

Coletânea mergulha na faceta obscura de Freddie Mercury

freddie-mercury-capa-cd-400x

Por Fabian Chacur

O título dessa resenha pode parecer meio bizarro para a maior parte dos leitores. E não irei contestar. Afinal de contas, como considerar obscuras músicas lançadas basicamente nos anos 1980 que venderam milhões de cópias mundo afora? Mas de certa forma são, sim. Estamos falando do repertório de Messenger Of The Gods- The Singles, luxuosa coletânea dupla lançada no Brasil pela Universal Music trazendo canções gravadas pelo saudoso e genial Freddie Mercury fora do Queen.

Meu ponto de vista é simples. Após sua prematura morte, aos 45 anos, em 1991, o cantor, compositor e músico passou a ser muito mais lembrado pelo que fez ao lado de Brian May, John Deacon e Roger Taylor. E não é de se estranhar. Afinal de contas, foram 20 anos com o Queen, com direito à gravação de clássicos do rock que invadiram as paradas de sucesso de todo o planeta e se transformaram em trilhas sonoras eternas dos fãs de boa música.

A carreira-solo de Mercury teve curta duração, na verdade. Foi de 1985 a 1988, período durante o qual o Queen atuou de forma menos intensa (apesar de ter feito uma grande turnê e lançado o álbum A Kind Of Magic). Tinha começado um pouco antes, com a gravação de Love Kills para a trilha do filme Metropolis, mas pegou mesmo no breu com o lançamento do primeiro álbum individual,Mr. Bad Guy (1985).

Embora fortemente alicerçado no rock, Freddie Mercury sempre se mostrou um artista totalmente aberto a experimentar outros estilos musicais. Sua alma era pop por excelência, e sua trajetória fora da banda que o tornou famoso internacionalmente foi basicamente a oportunidade de mergulhar em um pop mais escancarado, beirando o brega operístico e sem medo de ser feliz. Pop, dance music, música eletrônica, ópera pop, romantismo…Tudo cabia!

Messenger Of The Gods traz o material contido em todos os singles que lançou sem o Queen. O álbum duplo inclui em um CD as faixas principais dos compactos, e no outro os lados B desses mesmos singles. Algumas músicas se repetem, como Living On My Own, que surge em três versões distintas. No total, são 25 faixas. O álbum inclui capa digipack com reproduções das embalagens originais dos singles em vinil, além de um encarte repleto de informações sobre cada canção, cada gravação e tudo o mais. Coisa finíssima.

Algumas dessas músicas apareceriam depois no álbum póstumo do Queen Made in Heaven (1985), em gravações da banda que eu particularmente considero superiores às solo, que, no entanto, também são bem legais. Mais “despachadas”, digamos assim. São elas Made In Heaven e I Was Born To Love You. Outras trazem participações especiais discretas dos amigos do Queen, e temos em Love Kills a parceria com o genial produtor Giorgio Moroder (Donna Summer e tantos outros).

Uma grande raridade contida aqui é o single I Can Hear Music/Goin’ Back, lançado originalmente em 1973 mais ou menos na mesma época do primeiro álbum do Queen, e creditado a um certo Larry Lurex, que na verdade era o próprio Mercury. São gravações curiosas e bem distantes do que o artista faria futuramente. Goin’ Back tem versões bem melhores gravadas por Carole King (sua autora), The Byrds e Phil Collins, mas ficou simpática com Mr. Lurex.

E é lógico que a inesperada parceria de Mercury com a cantora lírica Montserrat Caballé não poderia ficar de fora, com seus impressionantes duetos em Barcelona e How Can I Go On, simplesmente arrepiantes. As duas versões de Exercises In Free Love são também marcantes, pois uma é só com Freddie Mercury, e a outra com a voz de Montserrat, que se apaixonou pela versão original e resolveu imprimir sua marca nos vocalizes do cantor do Queen.

Também lançada no exterior em caixa com os singles no formato vinil colorido (13 compactos, para ser mais preciso), esta compilação é uma boa forma de se mergulhar em uma fase não tão badalada da carreira de Freddie Mercury, mas essencial para entendermos melhor a essência musical deste grande artista, que nunca escondeu a importância que ser popular tinha para si, e que conseguiu atingir esse objetivo com um brilhantismo reservado para poucos.

Love Kills– Freddie Mercury:

Pure McCartney: bela viagem pela obra de um gênio musical

pure mccartney capa-400x

Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser encaradas de forma não muito positiva por críticos e fãs mais radicais de música. O argumento é sempre o mesmo: seria uma forma de apresentar uma obra de forma fatiada, com escolhas nem sempre justificáveis e frequentemente mostrando um retrato nada fiel do artista enfocado. Questão de opinião. Para mim, coletâneas são, quando bem feitas e bem planejadas, belas obras de entrada para obras musicais. Eis a função que Pure McCartney, álbum duplo que acaba de sair no Brasil, pode cumprir em relação ao trabalho de Paul McCartney.

Pure McCartney pode ser encontrado no exterior em três formatos: o mesmo CD duplo com 39 faixas, uma caixa com 4 CDs (contendo 67 faixas) e vinil quádruplo com 41 faixas. Todas essas alternativas seguem o mesmo conceito, conforme explica texto escrito pelo próprio Macca no encarte que acompanha os lançamentos: “uma coleção de minhas gravações tendo em mente nada além de ser algo divertido para se ouvir, ou talvez para ser ouvida em uma longa viagem de carro, ou em um evento em casa ou ainda uma festa com amigos”. Simples assim.

Dessa forma, fica fácil entender o porque vários sucessos marcantes ficaram de fora, preteridos em alguns casos por músicas não tão conhecidas. O repertório cobre toda a carreira solo do ex-beatle, indo desde 1970 até 2014. Para aquele fã que tem tudo do artista, só cinco itens mais interessantes: os remixes de Ebony And Ivory, Say Say Say, Here Today e Wanderlust, e a belíssima Hope For The Future, lançada em 2014 para a trilha do vídeo game Destiny e disponível anteriormente apenas no exterior em um single de 12 polegadas de vinil.

O repertório não foi ordenado de forma cronológica, o que nos proporciona saborosas idas e vidas por fases bem distintas do trabalho do artista. A curiosidade fica por conta de a primeira e a última faixa em todos os formatos serem as mesmas e oriundas do primeiro álbum solo do astro britânico, McCartney (1970), respectivamente Maybe I’m Amazed e Junk. Isso não deve ser obra do acaso…

As músicas contidas nesta compilação reforçam um sonho que muitos fãs do autor de Yesterday gostariam de realizar: ter a chance de ver um de seus shows só com material da carreira-solo, sem canções dos Beatles. Nada contra o repertório maravilhoso dos Fab Four, mas é que McCartney tem tantas músicas boas de 1970 para cá que seria bem bacana poder ouvir ao vivo uma Heart Of The Country, por exemplo, ao invés da milésima interpretação de Hey Jude.

Ouvir Pure McCartney é uma bela oportunidade de se curtir a incrível versatilidade de um grande talento. Power ballad em Maybe I’m Amazed, disco music em Coming Up, soul-jazz em Arrow Through Me, folk puro em Junk, pop delicioso em Listen To What The Man Said, rock na veia em Jet, rock eletrônico em Save Us, lirismo puro em Here Today

A variedade de estilos é incrível, sempre com grande qualidade técnica e artística. E acredite: com o material que sobrou, mesmo se levarmos em conta a caixa com quatro CDs, ainda restou material bom o suficiente para justificar pelo menos umas quatro compilações do mesmo gênero, sem repetir faixas e com a mesma força.

O único problema para o neófito que se meter a ouvir Pure McCartney é acabar se viciando no som do cara, e por tabela sair atrás de toda a sua obra. É disco pra burro!!! Mas pode ter certeza de que vale a pena colecionar. Tipo do vício sem contraindicações. E reforço o ponto: ótimo para desancar quem acha que o trabalho solo de Paul McCartney não está a altura do que ele fez nos Beatles. Não? Pense outra vez!

Arrow Through Me– Wings:

Dear Boy– Paul McCartney:

Hope For The Future– Paul McCartney:

Um jornal paulistano ignorou os shows dos Stones em 1995

rolling stones 1995-400x

Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (24) e no próximo sábado (27), os Rolling Stones voltam a São Paulo. Infelizmente, não estarei lá para conferir, mas não posso reclamar, pois vi os três shows que a banda de Mick Jagger e Keith Richards realizou por aqui em 1995. E tenho boas lembranças deles. Mas uma delas é no mínimo bizarra: vocês acreditam que um grande jornal paulistano não publicou uma única linha sobre essas performances? E por razões bizarras…

Ficou curioso? Pois vamos lá revelar esse momento triste do jornalismo paulistano. Em 1995, eu era repórter e crítico musical do Diário Popular, na época o jornal que mais vendia em bancas em São Paulo. Quando a vinda dos Rolling Stones para tocar por aqui pela primeira vez foi anunciada, fiquei muito ansioso, pois teria a chance de enfim vê-los ao vivo e escrever sobre isso em uma publicação grandona.

Só que as coisas não correram como eu imaginava. O departamento comercial da publicação, incomodada pelo fato de a produtora do evento não anunciar em suas páginas, resolveu pura e simplesmente vetar a cobertura dos shows. Ao invés de propor uma bela cobertura, para depois conseguir anúncios de outros eventos daquela empresa, os caras simplesmente resolveram tapar o sol com papel celofane. E a direção de redação concordou com tal idiotice.

Enquanto a imprensa como um todo oferecia uma cobertura generosa para seus leitores, o Diário Popular fingiu que não havia pedras britânicas do mais alto quilate rolando em nossas terras. Fui credenciado para ir aos shows, mas a minha orientação era só escrever matérias se ocorresse algo muito errado, tipo morrer alguém, os shows não acontecerem ou algo assim. Como tudo correu relativamente bem, nada saiu. Um total desrespeito aos leitores.

Se infelizmente não pude registrar o que vi nas páginas do Diário, ao menos tive a chance de ver um dos melhores grupos de rock de todos os tempos em excelente forma. Divulgando na época o ótimo álbum Voodoo Lounge (1994), eles tocaram algumas músicas daquele CD, como a espetacular You Got Me Rocking, e um caminhão de hits, como (I Can’t Get No) Satisfaction, Gimme Shelter, Sympathy For The Devil etc.

Dois momentos particularmente me marcaram. Ouvir Happy no segundo show foi um deles. O rockão interpretado por Keith Richards foi o primeiro compacto dos Rolling Stones a entrar na minha coleção, um belo presente que pedi e ganhei do meu padrinho Eduardo. O outro foi ver Mick Jagger comandando a coreografia da multidão de fãs durante Brown Sugar, na parte final, do yeah yeah yeah uh que marca essa canção.

A chuva durante os dois primeiros shows, realizados nos dias 27 e 28 de janeiro de 1995, foi responsável por eu ter preferido conferir as performances no espaço dedicado à imprensa, no local do Pacaembu destinado às emissoras de rádio e TV para transmissão de jogos de futebol. Como uso óculos, não conseguiria ver nada se estivesse no meio do povão, com aquela chuva toda. O último show, no dia 30, foi a seco.

A abertura dos shows ficou a cargo de Barão Vermelho, Rita Lee e da injustamente subestimada banda americana Spin Doctors. Com seu rock swingado e energético, os caras lançaram em 1991 Pocket Full Of Kryptonite, na minha opinião um dos dez melhores discos de rock dos anos 1990. Fizeram boas apresentações, e tive a oportunidade de conversar com eles. O único ponto a se lamentar foi o fato de o guitarrista original da banda, Erik Schenkman, ter saído fora, substituído naqueles shows pelo competente Anthony Crizam. Ele voltaria ao grupo nos anos 2000, mas isso é outra história.

You Got Me Rocking– The Rolling Stones:

Happy– The Rolling Stones:

Brown Sugar– The Rolling Stones:

Older posts

© 2017 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑