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Céu e Boogarins lançam vídeo e farão show no Rock in Rio

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Por Fabian Chacur

Uma das parcerias mais interessantes programadas para o Rock in Rio 2017 é a que reunirá o grupo goiano Boogarins e a cantora e compositora paulistana Céu. Em maio, eles se reuniram no Red Bull Studio em São Paulo para iniciar os ensaios de sua colaboração. De quebra, aproveitaram para gravar um clipe com a música Foi Mal, que acaba de ser divulgado. Você pode conferir o resultado no link que está aqui.

Foi Mal saiu em versão de estúdio no mais recente álbum do quarteto, Lá Vem a Morte, e equivale a uma boa amostra de como poderá ser intensa a performance desses talentos da cena musical brasileira atual. O show está programado para ocorrer no dia 15 (sexta-feira) no Palco Sunset, espaço do festival reservado para esse tipo de atração exclusiva.

Céu está na estrada há 15 anos, e se consolidou no cenário da música pop brasileira com sua mistura de reggae, rock, pop, folk e MPB na qual se destaca sua voz suave e melódica. Integrado por Fernandinho Dinho Almeida (vocal e guitarra), Benke Ferreira (guitarra), Raphael Vaz (baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria), o Boogarins está na estrada desde 2012, e já fez inúmeros shows por Brasil, América Latina, EUA e Europa, cativando fãs com sua versão abrasileirada da psicodelia.

Lá Vem a Morte- Boogarins (ouça em streaming):

Lulu Santos celebrará Rita Lee em álbum via Universal Music

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Por Fabian Chacur

Após ler Rita Lee- Uma Autobiografia, Lulu Santos sentiu-se disposto a gravar um álbum só com releituras de clássicos do repertório da cantora e compositora paulistana. Arregaçou as mangas, começou a preparar o material e, agora, anuncia a parceria com a Universal Music, que lançará ainda este ano esta obra, provavelmente em CD e digital.

O repertório ainda não foi divulgado, mas uma música certamente estará no trabalho. Trata-se de Desculpe o Auê, pois segundo o informativo da gravadora foi exatamente a releitura desta música apresentado por Lulu que entusiasmou a Universal a querer participar do projeto. Como a influência de Rita aparece desde sempre no trabalho do cantor, compositor e guitarrista carioca, a expectativa é de que esse seja um álbum bem interessante e popular.

Vale lembrar que Lulu teve uma passagem anterior pela Universal, nos tempos em que esse selo ainda atendia pelo nome Polygram. Nesse curto período (entre 1992 e 1993), ele lançou o ótimo álbum Mondo Cane (1992), que trazia a belíssima Apenas Mais Uma de Amor, e o single Autoestima (1993), com a faixa-título então inédita e três faixas do álbum anterior. Os discos passaram batidos, e Lulu em 1994 iria para a BMG, na qual veria o ressurgimento de sua carreira em formato dance.

Curiosamente, Apenas Mais Uma de Amor e Autoestima se tornariam grandes sucessos ao serem regravadas em versões acústicas em 2000 no álbum Acústico MTV, que vendeu mais de 600 mil cópias na época. Em 2013, Lulu lançou outro trabalho de releituras de obras alheias, Lulu Canta & Toca Roberto e Erasmo, dedicado ao repertório de Roberto e Erasmo Carlos e um grande êxito de vendas.

Autoestima– Lulu Santos (clipe 1993):

Lô Borges canta em SP para a festa de 45 anos de estrada

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Por Fabian Chacur

Este ano marca a celebração de belas datas redondas na trajetória de Lô Borges. O cantor, compositor e músico mineiro comemora 65 anos de vida e 45 anos de carreira. Para partilhar esse momento de festa com seu público paulistano, ele toca na cidade neste sábado (1º/7) às 21h e domingo (2/7) às 18h no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

Tudo começou oficialmente em 1972 com aqueles dois discos históricos, respectivamente Clube da Esquina, gravado em parceria com o amigo de fé, irmão, camarada Milton Nascimento, e Lô Borges, o mundialmente conhecido como o “Disco do Tênis”. Aquele moleque de 20 anos mostrava logo de cara que não estava entrando naquela profissão para marcar bobeira ou enganar os tontos. As belas canções, as melodias deliciosas e as misturas bacanas já estavam lá.

Desde então, o sujeito amadureceu ainda mais, proporcionando aos fãs de boa música maravilhas do alto gabarito de Clube da Esquina nº 2, Paisagem da Janela, O Trem Azul, Tudo Que Você Podia Ser e Para Lennon e McCartney, só para citar algumas. Suas canções foram gravadas por unanimidades como Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis e muito, mas muito mais gente mesmo.

De quebra, ele sempre se mostrou aberto a novas parcerias, e fez projetos e escreveu canções com Samuel Rosa, Nando Reis, Arnaldo Antunes e Tom Zé, por exemplo. Neste show, intitulado Paisagem da Janela- Uma Retrospectiva da Carreira-45 Anos, parte do projeto Estação Brasileiro, ele será acompanhado por Henrique Matheus (guitarra), Telo Borges (teclados), Robinson Mattos (bateria) e Renato Valente (baixo), além dele próprio nos vocais e guitarra. Festa da boa!

Clube da Esquina nº2- Lô Borges:

Alucinação (Belchior) ganha a reedição em vinil via Polysom

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Por Fabian Chacur

A Polysom, em parceria com a Universal Music, acaba de lançar uma reedição no formato vinil de 180 gramas de um dos grandes clássicos da nossa MPB. Trata-se de Alucinação, do saudoso Belchior, álbum que chegou originalmente às lojas em 1976 e foi responsável pelo estouro do cantor, compositor e músico cearense. O disco integra a série Clássicos em Vinil, que prioriza títulos essenciais da discografia brasileira.

Recentemente, a Universal Music relançou este mesmo título no formato CD, na caixa Três Tons de Belchior, que também inclui os álbuns Melodrama (1987) e Elogio da Loucura (1987). Trata-se de um desses trabalhos bons de ponta a ponta, e que é absolutamente necessário nas discotecas de quem gosta de boa música, seja em que formato for (leia a resenha do relançamento em CD aqui).

Fotografia 3×4– Belchior:

Pitty volta aos palcos com um show em Ribeirão Preto-SP

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Por Fabian Chacur

Após cerca de um ano e meio longe de cena, a data de retorno de Pitty aos palcos está chegando. Será neste sábado (10) em Ribeirão Preto (SP), no festival João Rock, do qual também participam nomes importantes como Capital Inicial, CPM 22, Nando Reis, Humberto Gessinger, Lenine, Alceu Valença, Nação Zumbi, Zé Ramalho e Armandinho. Os ingressos estão esgotados.

A volta da roqueira baiana será feita aos poucos, sem precipitação. Outras duas datas de sua programação para os próximos meses já foram divulgadas por sua assessoria. Serão no dia 7 de julho no WebFestValda, ao lado da banda Maneva, e no dia 30 de setembro, em Natal (RN), no Mada. Ela falou sobre o retorno:

“Vou fazer alguns shows especiais, baseados na saudade dos palcos, saudade dos fãs e vontade de ter esse encontro de novo. São apresentações montadas especialmente para esse momento, entre o disco Setevidas (Deck/ 2014) e um próximo álbum”.

Sete Vidas(clipe)- Pitty:

CPM 22 volta ao street punk no seu álbum Suor e Sacrifício

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Por Fabian Chacur

Foram seis longos anos sem lançar um álbum de estúdio de inéditas, mais precisamente desde 2011, quando saiu Depois de Um Longo Inverno. Nesse meio tempo, o CPM 22 nos proporcionou CPM 22 Acústico (2013) e Rock in Rio Ao Vivo (2016). O retorno aos CDs de estúdio ocorre com Suor e Sacrifício (Universal Music), também disponível no formato digital.

O guitarrista Luciano Garcia, no time desde 1999, define o novo álbum do grupo radicado em São Paulo (SP) como um trabalho 100% street punk. Esse CD marca a volta do baixista Fernando Takara, que havia saído em 2011 após seis anos de serviços prestados. Completam o grupo Badaui (vocal, fundador do time em 1995), Japinha (bateria, desde 1999 no grupo) e Phil Fargnoli (guitarra, entrou em 2014).

O retorno de Takara é explicado por Luciano. “Ele é o melhor baixista que já tivemos, e só saiu por problemas particulares dele, pois sempre se deu muito bem conosco. Quando o nosso baixista anterior saiu, pensamos em convidar o Fernandinho para voltar pro CPM 22, e por sorte ele já havia resolvido os problemas e estava doido para voltar; em um único ensaio, já estávamos entrosados de novo”.

O álbum já está pronto há algum tempo, mas demorou a ser comercializado e divulgado por causa do lançamento de Rock in Rio Ao Vivo, registro de sua marcante participação no megafestival de música. “Acho legal ter esse espaço entre os CDs de inéditas porque isso nos permite fazer trabalhos diferentes entre si; seguramos ele um pouco porque seria besteira lança-lo muito perto do CD/DVD do Rock in Rio”.

Por sinal, Luciano guarda ótimas recordações do show no festival carioca. “Olha, nunca mais vou ficar nervoso por causa de um show depois desse, pois tocamos só com bandas fortes, no palco principal, e com as mesmas condições técnicas das bandas internacionais, acho que colhemos os frutos que plantamos durante toda a nossa carreira”.

O repertório de Suor e Sacrifício traz 16 faixas autorais. Em Never Going To Be The Same, eles contam com a participação do americano Trever Keith, da banda Face To Face, uma das maiores influências no som do CPM 22. “Um puta orgulho para nós ter tido a participação do Trever no nosso CD. Tudo começou quando tocamos uma música do Face To Face no festival Planeta Atlântida, em 2008, e um fã nosso mandou para eles, que adoraram. Aí, resolvemos convidá-lo para participar do disco; demorou, mas aconteceu na hora certa e ficou perfeito”.

Outro momento importante do novo CD é Honrar Teu Nome, que Badauí fez em homenagem ao pai, que faleceu em 2016. “Foi a última música gravada para o disco, e a gente se emocionou muito com ela, pois gostávamos muito do pai dele”. O título do álbum, extraído de um dos versos da canção Conta Comigo, tem a ver com a dureza da vida de um rocker no Brasil. “É preciso engolir muita coisa para manter uma banda de rock no Brasil; passamos por muitas dificuldades, mas estamos aqui, e sem ter feito concessões, acreditando no nosso som”.

Já em plena turnê para divulgar o novo trabalho, Luciano não demonstra entusiasmo com os rumos do rock atual. “Não estou animado com nada do rock atual no Brasil ou no exterior, continuamos ouvindo os nossos ídolos. Hoje, todo mundo soa igual, é uma mesmice completa; quando surgimos, cada banda tinha a sua própria cara”.

Honrar Teu Nome– CPM 22:

Putos Brothers Band estreiam com um álbum visceral e cru

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Por Fabian Chacur

Aqui não há lugar para frescuras. Nada de elaboração excessiva, ou harmonizações bonitinhas, ou mesmo poesia lírica e impoluta. A opção da Putos Brothers Band foi cair de cabeça em um blues rock ardido, cru e repleto de papo reto, sem curvas nem nada do gênero, com direito a alguns palavrões aqui e ali. O resultado de sua estreia em CD, Tá Todo Mundo Puto Brother!, não poderia ser melhor, e transborda energia, personalidade e talento. Esse quarteto sabe das coisas!

Na estrada desde 2010, a Putos Brothers Band possui pedigree dos melhores, na figura de seu gaitista, Sylvio Passos. Sim, ele mesmo, fundador do Raul Rock Club e amigo pessoal do saudoso Maluco Beleza. O cara demorou a entrar no mundo das músicas autorais, pois há alguns anos integra a Raul Rock Club Band, especializada no repertório de Raulzito. Valeu a espera. E, não por acaso, os outros integrantes do time são dessa mesma banda.

Além de Sylvio, que de forma escrachada se classifica como o “Sid Vicious da gaita” (referindo-se ao péssimo baixista da fase final dos Sex Pistols), temos em campo (ou nos palcos) Agnaldo Araújo (vocal e guitarra), seu irmão Adriano Araújo (baixo) e André Lopes (bateria). Os quatro formam um grupo afiado, com os elementos fundamentais para uma banda de blues-rock dar certo: muita garra, talento e nenhum medo de errar, se o acerto geral for a meta.

O primeiro disco dos Putos Brothers Band ganha o ouvinte mesmo antes de começar a ser tocado. A apresentação visual do CD é simplesmente demais, com direito a capa desde já clássica, encarte com letras, informações e fotos bacanas e tudo o mais. Coisa de gente inteligente, consciente de que precisa oferecer algo mais ao público para justificar a aquisição do trabalho físico. Vá por mim: é melhor ter a versão em CD ou a em vinil, que sairá em breve.

Mas não adianta roupa bonita se o cara é feio, e aqui o som é na veia. Lógico que tem influências do autor de Ouro de Tolo, mas traz muito mais, como toques de Nasi & Os Irmãos do Blues, Barão Vermelho, Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix e vários outros, muitas e boas influências. As letras são sempre simples, mas muito bem sacadas, apostando na inteligência do público e mergulhando em ironia, poesia direta e protesto sem panfletarismo.

As dez faixas incluídas neste CD são bem legais, mas algumas merecem destaque adicional, como a contagiante Tá Todo Mundo Puto Brother, a deliciosa A Busca (com brilhante participação especial do guitarrista Israel Che Hendrix, da banda Gangster), a incisiva Ela Vem de Trem e a homenagem Um Blues Para Raul. Tá Todo Mundo Puto Brother é para se ouvir a toda altura, aumentando o alto astral geral. Mister Seixas teria orgulho do seu pupilo!

Tá Todo Mundo Puto Brother!(streaming, CD completo):

Vespas Mandarinas lançarão Daqui Pro Futuro em março

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Por Fabian Chacur

Está previsto para sair em breve o segundo álbum do grupo paulistano Vespas Mandarinas. Daqui Pro Futuro, do agora duo, chegará ao mercado a partir do dia 10 de março, e com uma diversidade de formatos das mais elogiáveis. O trabalho estará disponível nas principais plataformas de streaming e também em CD, vinil e, acredite, fita K7!

Daqui Pro Futuro é o sucessor de Animal Nacional (2013), um dos melhores álbuns de estreia de uma banda de rock brasileira, bastante elogiado pela crítica e incluindo faixas ótimas como Cobra de Vidro, Santa Sampa, A Prova e O Vício e o Verso, entre outras. Eles também lançaram, em 2015, o excelente e vibrante DVD Animal Nacional Ao Vivo, uma aula de rock básico e melódico (leia a resenha aqui).

O repertório do novo trabalho do grupo atualmente integrado por Chuck Hipolitho (vocal e guitarra) e Thadeu Meneghini (vocal e baixo) traz 14 composições inéditas que seguem a fórmula do rock básico com influências de Legião Urbana, Ira! e outras bandas dos anos 1980.

As faixas Só Se Vive Uma Vez e E Não Sobrou Ninguém contam com a participação especialíssima de Edgard Scandurra. A produção ficou a cargo de Michel Kuaker, Rafael Ramos e Thadeu Meneghini (voz), e o lançamento é da Deck, mesmo selo do anterior.

Animal Nacional– Vespas Mandarinas (ouça em streaming):

Marina Lima elogia a releitura hard rock de Uma Noite e 1/2

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Por Fabian Chacur

Uma das marcas de Uma Noite e 1/2, grande sucesso de Marina Lima lá pelos idos de 1987, eram as guitarras um pouco mais ardidas do que o habitual em suas gravações. Pois bem. Trinta anos depois, a banda paulista de hard rock Dirty Glory resolveu enfatizar essa vocação hard rock de tal música e a regravou com muita categoria, em single que acaba de ser lançado.

A gravação é uma surpresa para os fãs desta banda que está na estrada há mais de cinco anos e lançou em 2015 o seu álbum de estreia, Mind The Gap, lançado pelo selo americano Perris Records. Afinal de contas, trata-se da primeira vez que eles gravam algo que não fosse em inglês. O grupo de hard rock é formado por Jimmi DG (vocal), Reichhardt (guitarra), Dee Machado (guitarra), Vikki Sparkz (baixo) e Sas (bateria).

A ideia de resgatar a composição de Renato Rocketh (que participou da gravação de Marina Lima, lançada no álbum Virgem, de 1987) surgiu de forma despretensiosa, e acabou desembocando em execução nos ensaios do quinteto, inclusão no set list dos shows, com ótima repercussão por parte do público, e, agora, no lançamento do single.

O bacana é que Marina Lima ouviu o registro do Dirty Glory, curtiu e, com a gentileza que lhe é peculiar, deu uma declaração bacana acerca do tema. “Lembra bastante a primeira versão, com outro cantor bem bom e uma pegada mais atual. Gostei bastante. Muito bom de ouvir”. Seria a abertura para mais gravações em português, ou outros covers descolados por parte da banda? Só o tempo dirá.

Uma Noite e 1/2– Dirty Glory:

Box traz versões remaster de três trabalhos de Belchior

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Por Fabian Chacur

Lamentável que, de 2006 para cá, o nome de Belchior só entre em cena na imprensa devido a situações estranhas e difíceis de serem analisadas. Portanto, nada melhor do que ter a oportunidade de analisar um novo lançamento da gravadora Universal Music envolvendo este incrível cantor, compositor e músico cearense. Trata-se do box Três Tons de Belchior, que faz o necessário resgate de três álbuns do artista em versões remaster. Vamos só falar de música, por aqui. Beleza!

Os títulos selecionados são os três gravados em estúdio por Belchior e pertencentes ao catálogo da antiga Polygram. Os discos surgem com encartes caprichados que reproduzem o conteúdo gráfico original e também acrescentam versões com corpo maior de letras e fichas técnicas, permitindo melhor leitura. De quebra, ainda um encarte adicional trazendo textos informativos sobre cada lançamento a cargo de Renato Vieira, também curador do projeto. Trabalho muito decente.

Alucinação (1976) abre o pacote de forma brilhante. Trata-se do melhor álbum da carreira do artista, e aquele que o tornou conhecido nacionalmente, após quase dez anos de trajetória durante a qual lançou um LP de vendas esparsas em 1974, participou de festivais universitários (venceu um deles em 1971 com Na Hora do Almoço), atuou ao lado de amigos como Fagner e Ednardo e viu sua composição Mucuripe ser gravada por Elis Regina.

É o chamado “disco certo na hora certa”. As três primeiras faixas são provavelmente as mais conhecidas de seu rico repertório: Apenas Um Rapaz Latino-Americano, Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais, as duas últimas também gravadas pela Pimentinha. Difícil um início melhor, e as outras sete canções contidas no CD não deixam a peteca ir ao chão. Com produção de Mazola e a participação de músicos brilhantes como José Roberto Bertrami, é uma verdadeira delícia auditiva.

Em uma mais do que feliz mistura de rock, folk e música nordestina, Belchior nos oferece belas canções e uma poesia afiada, desafiadora, que toca em temas importantes como juventude, liberdade, amor, sonhos e frustrações, sempre com lirismo, inteligência e uma fina ironia típica de sua escrita. Alucinação, A Palo Seco, Como o Diabo Gosta e Não Leve Flores são outras maravilhas deste trabalho que soa mais atual do que nunca, 40 anos após seu lançamento.

Salto para 1987, quando Bel voltou para a Polygram. Durante esses onze anos, ele lançou discos de sucesso pela Warner e a partir de 1981 entrou em fase de sensível redução de exposição na mídia e nas paradas de sucesso. Melodrama chegou às lojas com a missão de reverter esse panorama, e nessa sua primeira versão no formato digital, é fácil entender o porque não conseguiu atingir esse sonhado objetivo.

Como forma de tentar ampliar seu universo de fãs, Belchior nos apresenta aqui tentativas de flertar com as sonoridades eletrônicas e tropicais que estavam na moda, naqueles tempos. A fraca Bucaneira, por exemplo, conta com arranjos e guitarra de Luiz Caldas, naquele momento estourado com músicas como Fricote e Haja Amor. De Primeira Grandeza ganhou um arranjo bolero meio brega que também constrange. Os Derradeiros Moicanos, parceria com Moraes Moreira e com participação do artista baiano, é outra bola fora.

Sorte que, em meio a essas tentativas malsucedidas de dar contornos mais vendáveis ao som do artista, Belchior nos oferece alguns momentos dignos do seu imenso talento, como a releitura de Todo Sujo de Batom, dos anos 1970, e as deliciosas Em Resposta a Carta de Fã, Jornal Blues e Tocando Por Música, esta última com letra sarcástica até a medula, quem sabe avacalhando com as intenções deste trabalho.

Irregular em termos artísticos, Melodrama não vendeu lá essas coisas, e possivelmente isso levou a Polygram a não botar muita fé no próximo lançamento do artista pela companhia. Foi um erro daqueles. Elogio da Loucura (1988) de certa forma prossegue no espírito do disco anterior, só que desta vez nos apresentando um conteúdo muito mais consistente e inspirado. Amor de Perdição, por exemplo, é aquele tipo de balada grudenta que poderia ter impulsionado as vendas deste trabalho.

O reggae pop de Os Profissionais, com teclados à frente, é outra com características mais comerciais que passou longe das paradas de sucesso, mesmo com todo o seu potencial. Mas o melhor do álbum fica mesmo por conta das músicas que nos mostram a melhor faceta de Belchior, ou seja, quando ele molda seus versos precisos com rock, folk, country e pop. Aí, é o chamado jogo ganho, como diriam os antigos.

Balada de Madame Frigidaire, por exemplo, é um banho de simplicidade, envolvendo com sua letra deliciosa. Pelo menos duas faixas podem ser comparadas a seus clássicos dos anos 1970: o incrível rock and roll Lira dos Vinte Anos e a certeira folk-rock Arte-Final. No geral, Elogio da Loucura é um dos melhores trabalhos da carreira de Belchior, e passou criminosamente batido, só agora chegando ao formato CD.

Outro ponto a ser destacado em Elogio… é o fato de, nas melhores faixas, Bel ser acompanhado pela banda com a qual fazia seus ótimos shows naquela época, que trazia entre outros os excelentes músicos Sérgio Zurawsky (guitarra), Meciê Parron (bateria) e João Mourão (baixo e arranjos). Um time afiado que vestia com garra e talento a camisa do artista com o qual atuavam.

Vale lembrar que, após Elogio da Loucura, Belchior só lançaria mais um disco concentrado em repertório inédito, Baihuno (1993), dedicando-se depois a releituras de suas canções e também de canções alheias em discos ao vivo, ao vivo em estúdio ou em estúdio mesmo.

Há mais de 15 anos não temos um novo trabalho dele, seja de que tipo for. Portanto, nada mais essencial do que esta caixa para seus fãs. E vale a lembrança: por irregular que seja, Melodrama é melhor do que 90% da produção atual da música brasileira, o que não é pouco. E os outros dois são clássicos com cê maiúsculo!

Elogio da Loucura– Belchior (ouça em streaming):

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