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Sting mergulha em rock e folk no ótimo álbum 57th & 9th

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Por Fabian Chacur

Desde o lançamento de Sacred Love (2003), Sting deixou de lado o pop rock mais explícito em sua carreira solo. Nesse período, lançou trabalhos com faceta erudita ou de folk mais tradicional, como os ótimos If On a Winter’s Night (2009) e The Last Ship (2013), ou mesmo de inspiradas e interessantes releituras sinfônicas de canções de sua autoria em Symphonicities (2010). Mas, agora, é hora de rock, bebê! E chega às lojas o ótimo 57th & 9th. Bem roqueiro, mas com folk na mistura, também.

O título do CD alude a uma esquina localizada em Nova York e próxima dos estúdios em que as gravações ocorreram. No encarte, Sting explica o quanto gosta de andar a pé, especialmente no caminho rumo ao trabalho, pois é nesses momentos que reflete e pensa de forma mais apurada. Como o álbum foi concretizado em um período de três meses, algo rápido para os padrões atuais de estrelas, dá para se imaginar que várias canções possam ter surgido durante esses passeios.

Acompanhado pelo excelente guitarrista Dominic Miller, que é seu braço direito há décadas, além de feras do porte de Vinnie Colaiuta (bateria) e integrantes do grupo The Last Bandoleros, Sting nos oferece dez novas canções que trazem como marca aquela simplicidade sofisticada que sempre marcou a sua obra, indo desde o rock mais básico a canções folk, e um momento com elementos árabes no meio.

A coisa começa a mil por hora, com a contagiante I Can’t Stop Thinking About You, que possui ecos de clássicos do The Police como Truth Hits Everybody e Can’t Stop Losing You. Com um riff poderoso de guitarra, a vibrante 50.000 é uma assumida homenagem a David Bowie, Glenn Frey e Prince, músicos que sabiam como poucos fazer músicas para entreter grandes plateias. One Fine Day, um rock balada, traz letra de inspiração ecológica com abordagem extremamente inteligente.

Não faltam outros momentos excelentes neste álbum. As baladas acústicas na melhor tradição folk Heading South On The Great North Road e The Empty Chair, o rockão estradeiro Petrol Head e a envolvente Inshallah, por exemplo. São canções sempre enfocando temas atuais, como ecologia, relações amorosas e mesmo a crise dos refugiados na Europa, mas sem nunca resvalar na apelação.

A edição lançada no Brasil de 57th & 9th é a Deluxe, o que significa uma capa digipack dupla, encarte luxuoso com ficha técnica completa, letras e textos de Sting sobre as canções e também três faixas adicionais. São elas uma versão mais folk rock de I Can’t Stop Thinking About You (apelidade de LA Version por ter sido gravada em Los Angeles), outra de Inshallah gravada em Berlim e uma ao vivo de Next To You, clássico do The Police, com participação dos The Last Bandoleros.

O álbum atingiu a posição de número 9 ao ser lançada nos EUA em novembro, prova de que Sting continua atraindo a atenção do grande público. Nada mais justo, pois aos 65 anos, idade completada por ele no último dia 2 de outubro, este grande artista prova mais uma vez continuar sendo não só um mero cantor e compositor, mas alguém preocupado em sempre oferecer o melhor aos fãs. Ele já está fazendo shows para divulgar o disco. Tomara que passe por aqui.

50.000– Sting:

Plutão Já Foi Planeta e Lisbela fazem show no Rio Novo Rock

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Por Fabian Chacur

O projeto Rio Novo Rock (RNR) existe há mais de dois anos, com direito a 30 edições, 59 bandas da nova geração do rock, 29 DJs e mais de 12 mil pessoas de público até o momento. Nesta quinta (1º/12), a partir das 20h, será realizada a última edição do ano, com a presença das bandas Plutão Já Foi Planeta (foto) e Lisbela. O local é o Imperator- Centro Cultural João Nogueira (rua Dias da Cruz, nº 170- Meier- RJ- fone 0xx21- 2597-3897, com ingressos a R$ 10,00 (meia) e R$ 20,00 (inteira).

Na estrada desde setembro de 2013, a Plutão Já Foi Planeta é de Natal (RN), e tem como integrantes Natália Noronha, Gustavo Arruda, Sapulha Campos, Khalil Oliveira e Vitoria de Santi. Eles já lançaram o CD autoral Daqui Pra Lá (2014) e tiveram em 2016 uma participação destacada no programa global Superstar. Seu som delicado mistura rock, folk, country e MPB de forma ao mesmo tempo melódica e agitada.

Diretamente do estado do Rio de Janeiro (da cidade de São João de Meriti) e com quatro anos de atividade, a banda Lisbela tem em sua escalação Allan Vieira, Thales Zagalia, Ramon Elias, Jader Luiz e Gabriel Luz. Seu mais recente trabalho é o álbum Saudade Que Não Vai Embora, boa amostra de uma sonoridade melódica, ágil e com letras poéticas.

Viagem Perdida– Plutão Já Foi Planeta:

Leonard Cohen e Leon Russell gravaram com Sir Elton John

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Por Fabian Chacur

2016 tem sido um ano absurdamente triste para os fãs de boa música. As perdas são absurdas, e mais duas se somam a tantas outras ocorridas até o momento. São as do cantor, compositor e poeta canadense Leonard Cohen e do cantor, compositor e músico americano Leon Russell, dois artistas que nos deixaram legados de valor incalculável. Ambos tem algo em comum: são ídolos e trabalharam com ninguém menos do que Sir Elton John.

A parceria do autor de Goodbye Yellow Brick Road com Leon Russell ocorreu em 2010, com o lançamento do álbum The Union. Um trabalho histórico por várias razões, entre outras o fato de ter sido o primeiro CD que Elton dividiu inteiro com outro artista, e por ter resgatado de um recente anonimato um grande artista. The Union (leia a crítica de Mondo Pop aqui) equivale a uma verdadeira aula de música, e concretizou o sonho de Elton, que sempre citou Russell como um de seus ídolos e grande influência musical. Chegou ao nº 3 nos EUA. Uau!

O álbum com o fã ilustre ajudou a resgatar Leon Russell. Nascido nos EUA em 2 de abril de 1942, ele se tornou conhecido inicialmente como um excepcional músico de estúdio, tocando piano e teclados em trabalhos de artistas diversos, entre os quais The Beach Boys, Jan & Dean, Bob Dylan e inúmeros outros. O estouro de sua composição Delta Lady, gravada por Joe Cocker, ajudou a abrir caminhos para uma atuação mais destacada como artista solo e sideman.

Como diretor musical e pianista, ele esteve ao lado de Joe Cocker no álbum duplo Mad Dogs And Englishmen (1970), registro de uma turnê que é considerada por gente do alto gabarito de Kid Vinil como uma das mais marcantes da história, e na qual Russell aparece com grande destaque. Ele gravou vários discos solo de sucesso nos anos 1970, e viu canções de sua autoria como Superstar, Delta Lady e a Song For You serem regravadas por inúmeros outros artistas.

Leonard Cohen também entrou na discografia de Elton John na base do dueto. Neste caso específico, em uma única faixa, Turn To Lose, incluída no álbum Duets, no qual o astro britânico gravou canções alheias de sua preferência ao lado de diversos amigos famosos do porte de Little Richard, Don Henley, Gladys Knight e George Michael. Vale lembrar que o astro britânico dos mil óculos participou do álbum tributo Tower Of Song- The Songs Of Leonard Cohen, interpretando I’m Your Man.

Nascido no Canadá em 21 de setembro de 1942, Leonard Cohen iniciou sua carreira no mundo das artes como poeta, tendo lançando seu primeiro livro em 1956 (Let Us Compare Mythologies). Ele entrou no cenário musical em 1967 como álbum Songs Of Leonard Cohen, no qual se sobressaíam suas canções introspectivas, com letras profundas conduzidas por uma voz grave e fora dos padrões do pop-rock da época.

Com o tempo, não se tornou um vendedor de milhões de discos ou teve suas músicas tocando o dia todo nas rádios, mas ganhou um fã-clube fiel, composto por inúmeros nomes famosos. A diversidade desses artistas influenciados por ele pode ser bem exemplificada por dois álbuns celebrando sua obra. Um é I’m Your Fan- The Songs Of Leonard Cohen (1991), que traz astros do rock alternativo como R.E.M., Lloyd Cole, Pixies, John Cale e Ian McCulloch.

Por sua vez, Tower Of Song- The Songs Of Leonard Cohen (1995) inclui um elenco de nomes mais afeitos ao mainstream, do porte de Elton John, Sting, Willie Nelson, Peter Gabriel e Suzanne Vega. Canções como Suzanne, So Long Marianne, Tower Of Song, Bird On The Wire, I’m Your Man e Sister Of Mercy são campeãs de regravações. Hallelujah entrou até em trilha de novela e em reality show musical! Universalidade perde. Seu mais recente álbum, You Want It Darker, saiu há poucos dias, e tem a morte como tema principal.

Born To Lose– Elton John & Leonard Cohen:

“Black Beatles” vira a trilha de memes e traz Paul McCartney

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Por Fabian Chacur

Em 2006, uma dupla americana de hip hop de nome estranho estourou no mundo todo com o single Crazy. Era a Gnarls Barkley. Exatos dez anos depois, outro duo ianque repete a dose, só que desta vez investindo no insólito tanto no nome do grupo como no de seu hit. Trata-se do Rae Sremmurd, que comemora o estouro inesperado do single Black Beatles, o terceiro a ser extraído de seu 2º álbum, Sremmlife2, lançado em agosto deste ano.

A história é relativamente simples e muito rápida. No fim de outubro, surgiu nas redes sociais um novo meme viral, com a hashtag #mannequinchallenge. Trata-se de um grupo de pessoas posando paralisadas, como se fossem manequins. Por alguma razão, a música Black Beatles tornou-se rapidamente a trilha favorita dos videos daqueles que entraram nessa onda de memes, e isso impulsionou o sucesso do single, que já chegou ao 9º lugar nos EUA e pode ir além.

O mais legal é que várias celebridades entraram na brincadeira, incluindo Jon Bon Jovi e até a candidata derrotada à presidência dos EUA Hillary Clinton. O que pouca gente esperava, no entanto, ocorreu nesta quinta-feira (10): ninguém menos do que Paul McCartney, um dos “White Beatles”, entrou na brincadeira e postou um vídeo paradinho defronte seu piano. Veja aqui.

Black Beatles é uma espécie de reggae/raggamuffin, com clima etéreo, refrão grudento e uma letra bem-humorada. O clipe traz uma ou outra referência aos Fab Four, como o show no teto da Apple em 1969 ou a travessia da Abbey Road no mesmo 1969, ou ainda uma reprodução do Bed Peace, ato pela paz realizado por John Lennon e Yoko Ono em uma cama localizada em um hotel no Canadá, e ocorrida em… Sim, você adivinhou, 1969 também.

Integrado pelos irmãos Khalif “Swae Lee” Brown e Aaquil “Slim Jxmmi” Brown e tendo como base a cidade de Atlanta, a dupla criou o seu nome usando a denominação da gravadora que os contratou, a Ear Drummers, ao contrário. Eles tem no currículo dois álbuns, Sremmlife (2015, chegou ao nº 5 nos EUA) e Sremmlife2 (2016, no nº7 nos EUA esta semana). Eles gravaram em 2015 dois singles em parceria com a badalada Nicki Minaj, Throw Sum Mo e No Flex Zone.

Black Beatles– ft. Gucci Mane- Rae Sremmurd:

Magic Numbers retorna a SP para show único em outubro

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Por Fabian Chacur

O quarteto britânico The Magic Numbers já tem data marcada para voltar ao país. Eles se apresentarão em São Paulo no dia 16 de outubro (domingo) às 19h no Cine Joia (praça Carlos Gomes, nº 82- Liberdade- fone 0xx11-3101-1305), com ingressos custando de R$ 110,00 a R$ 220,00. É a única apresentação deles prevista para o Brasil este ano, sendo que o grupo também marcará presença no Personal Fest, na Argentina, ao lado das bandas Cypress Hill, The Vaccines e The Kooks.

A primeira passagem do quarteto integrado pelos irmãos Romeo Stodart (guitarra e vocal) e Michelle Stodard (baixo, teclados e vocal) e Sean Gannon (bateria) e Angela Gannon (vocal e percussão) ocorreu em 2007 no Festival Indie Rock. Em 2013, fizeram uma apresentação simplesmente adorável no Cultura Inglesa Festival, encantando a plateia. Será a primeira vez que eles tocarão por aqui em um show exclusivo, sem outros artistas na line up.

Com 14 anos de carreira, o Magic Numbers atualmente divulga seu mais recente álbum, Alias (2014). Além de músicas deste trabalho, eles também darão uma geral em seus sucessos, entre os quais I See You You See Me, Love Is a Game e Take a Chance. É muito provável que também toquem a boa releitura de You Don’t Know Me, de Caetano Veloso, que fizeram para um disco tributo ao genial astro baiano. Folk, rock, pop e country são influências marcantes no som da banda, que traz belas vocalizações como uma de suas marcas.

Love Is a Game (live)- The Magic Numbers:

I See You You See Me (live)- The Magic Numbers:

Take a Chance– The Magic Numbers:

You Don’t Know Me– The Magic Numbers:

Eric Clapton nos traz mistério e belas canções em I Still Do

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Por Fabian Chacur

Logo de cara, I Still Do, novo álbum de Eric Clapton, propõe um desafio aos fãs. Nos créditos de músicos que participaram do trabalho, está listado como violonista e vocalista na faixa I Will Be There um certo Angelo Mysterioso. Os fanáticos por Beatles sabem que um pseudônimo quase idêntico (L’Angelo Mysterioso) foi usado em 1968 por George Harrison em sua participação especial na faixa Badge, do grupo Cream, do qual Eric Clapton era um dos integrantes.

Nem é preciso dizer que isso criou um frisson em torno da mídia especializada. Seria I Will Be There uma faixa gravada antes da morte do ex-Beatle (em 2001) e somente resgatada agora por Clapton, um grande amigo do autor de Something? A verdade é que o astro britânico se recusa a revelar quem é o artista que se valeu desse pseudônimo. E surgiram novos candidatos. Um é Dhani Harrison, filho de George.

Outro candidato é o astro pop Ed Sheeran, que por sinal participou do show de Clapton no dia 13 de abril no Budokan Hall, no Japão, interpretando exatamente essa música. E aí? Bem, a voz não parece a de Dhani, estando mais próxima do timbre de Sheeran. Seja como for, a assessoria de Clapton garante que ele não irá revelar quem é o tal “anjo misterioso”. E quer saber? O importante é que I Will Be There, uma espécie de folk-ska-reggae-balada, é linda!

Essa canção serve como bom chamariz para I Still Do, que atingiu o sexto lugar nas paradas dos EUA e do Reino Unido em sua semana de lançamento, algo habitual na carreira deste genial cantor, compositor e guitarrista britânico. Trata-se de um trabalho “Clapton per se”, ou seja, sem novidades ou influências diferenciadas do que estamos habituados. Temos várias variações de blues, tempero rock e folk, um pouco de pop, e por aí vai. E vai bem. O tal do bife com fritas bem feito.

O mais legal é a sutileza da coisa. A voz de Clapton está cada vez mais apurada e deliciosa, sem toda essa potência mas repleta de paixão. Cercado por músicos que o acompanham há muitos anos, como Andy Fairweather Low, Simon Climie, Chris Stainton e Henry Spinetti, o cara desliza sua guitarra com a categoria de quem sabe todos os atalhos para chegar ao ponto G dos seus ouvintes. São 12 faixas deliciosas.

O repertório traz apenas duas canções assinadas por Clapton, a quase pop Catch The Blues e a ótima Spiral. Entre os autores, alguns dos favoritos do ex-integrante do Blind Faith e Derek And The Dominoes, como Bob Dylan, JJ Cale e Robert Johnson. O clima vai do blues ardido em Alabama Woman Blues, que abre o álbum, à quase jazzística e delicada I’ll Be Seeing You, que pôe fim à festa. Tipo do álbum muito bom de se ouvir, descomplicado e simples.

Em entrevista recente, o músico afirmou que está sofrendo de neuropatia periférica, que lhe provoca dormência e dores nas mãos e nos pés, dificultando, portanto, o seu trabalho. Como ele já está com 71 anos, nos resta torcer para que Eric Clapton possa domar essas dificuldades físicas e continue em cena, fazendo shows pelo mundo e gravando discos deliciosos como este I Still Do. Se isso é “apenas mais do mesmo”, eu amo esse “mais do mesmo”!

I Will Be There– Eric Clapton e “Angelo Mysterioso”:

Catch The Blues– Eric Clapton:

Can’t Let You Do It– Eric Clapton:

Stones In My Passway– Eric Clapton:

Larry Carlton, um dos craques da guitarra, faz show em SP

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Por Fabian Chacur

Não é qualquer um que pode ser considerado uma espécie de guitarrista dos guitarristas, e o americano Larry Carlton se encaixa feito luva nessa descrição.  Na estrada desde os anos 1970, ele se apresenta em São Paulo no dia 19 de julho no Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com ingressos de R$ 190,00 a R$ 270,00. Tipo do evento imperdível para quem curte jazz rock da melhor qualidade.

Nascido em 2 de março de 1948, Larry Carlton começou a ficar conhecido no meio musical como integrante da banda de jazz e soul The Crusaders, com quem tocou de 1971 a 1977. Em 1978, com o álbum Larry Carlton, incrementou uma carreira solo das mais significativas, que lhe rendeu 19 indicações ao Grammy, o Oscar da música, sendo que ele foi o vencedor em quatro ocasiões.

Como músico de estúdio, Carlton participou de mais de 100 álbuns que ganharam discos de ouro e de platina, gravados por astros do calibre de Michael Jackson, Steely Dan, Barbra Streisand, Billy Joel, Quincy Jones, Joni Mitchell e The Four Tops, só para citar alguns. O seu solo na música Kid Charlemagne, do Steely Dan (do álbum The Royal Scam, de 1976), sempre entra nas listas dos melhores de todos os tempos, tal a sua expressividade e criatividade.

Além do trabalho como session man e artista solo, ele também gravou e fez shows com outros guitarristas, notadamente Robben Ford, Lee Ritenour e Steve Lukather (do grupo Toto). No Bourbon Street, Larry será acompanhado por uma banda formada por Jota Morelli (bateria), Daniel Meza (baixo) e Colo Silva (teclados), além dele próprio pilotando sua célebre Gibson 1969 modelo ES-335. Ele, por sinal, lança seus discos por um selo próprio, o 335 Records.

Smiles And Smiles To Go– Larry Carlton:

Minute By Minute– Larry Carlton:

Kid Charlemagne– Steely Dan (solo: Larry Carlton):

Morre Tony Barrow, assessor de imprensa dos Beatles etc

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Por Fabian Chacur

Quando a expressão Fab Four é citada, não há quem não se lembre do grupo habitualmente associado a ela, os Beatles. O que muita gente não sabe é que a tal frase foi criada por Tony Barrow, lá pelos idos de 1963. O assessor de imprensa da banda mais bem-sucedida da história da música nos deixou no último dia 14 (sábado), poucos dias depois de completar 80 anos. Sua importância na incrível história de John, Paul, George e Ringo não é pequena. Não mesmo.

Tony Barrow nasceu no dia 11 de maio de 1936, e começou sua carreira ainda adolescente, escrevendo sobre música no jornal Liverpool Echo. Paralelamente, passou a trabalhar na gravadora Decca, e foi ele quem ajudou o amigo Brian Epstein a conseguir para a banda da qual este era empresário um teste. Os Beatles acabaram reprovados, mas a amizade se firmou, e quando o grupo foi contratado pela EMI, Epstein convidou Barrow para trabalhar com ele na Nems Enterprises.

Na empresa, Tony se tornou o assessor (ou agente) de imprensa não só dos Beatles, mas também de outros artistas contratados por Epstein, como Cilla Black e Gerry & The Pacemakers. Entre suas funções estava organizar entrevistas coletivas, escrever press releases e textos de contracapas de LPs e acompanhar os artistas durante suas turnês. Ou seja, era trabalho duro, que ele fazia com muita qualidade e categoria.

Na foto que ilustra esta matéria, Barrow pode ser visto escolhendo e autorizando um jornalista a fazer uma pergunta aos Beatles durante uma coletiva. Vale lembrar que Paul McCartney seguiu esse modelo em suas entrevistas coletivas, pois participei de duas, em 1990 e 1993, e os profissionais eram escolhidos da mesma forma por seu agente da ocasião. Na de 1993, fui o último a ser autorizado a fazer uma pergunta ao Macca. Que emoção quase indescritível!

Barrow ficou com os Beatles até o final de 1967, sendo que um de seus últimos trabalhos para a banda foi editar o livreto que acompanhava o álbum (ou os compactos duplos) da trilha sonora do filme Magical Mystery Tour. Como Brian Epstein havia morrido há pouco e o grupo resolveu montar seu próprio selo, a Apple, o assessor de imprensa decidiu montar o escritório Tony Barrow International.

Aí é que entra o etc do título deste post. Barrow trabalhou com diversos outros artistas importantes, entre eles The Kinks, Bay City Rollers, Gladys Knight, David Cassidy, Jackson Five, Neil Sedaka e ironicamente os Monkees, grupo feito à feição dos Beatles para a TV americana. Em 1980, desanimado com a explosão do punk, resolveu abandonar o ramo de assessoria e voltou ao jornalismo, inicialmente como free lancer.

Em seguida, também passou a se dedicar aos livros, sendo um deles o influente Inside The Music Business, escrito em parceria com Julian Newey. Outros dois interessam e muito aos beatlemaníacos: The Making Of The Beatles Magical Mystery Tour (1999) e o livro de memórias John, Paul, George, Ringo & Me (2006). Paul McCartney tuitou sobre o antigo funcionário e amigo pessoal:

“Tony Barrow foi um cara adorável que nos ajudou no início dos Beatles. Ele era super profissional, mas sempre pronto para uma risada. Fará falta e será lembrado por muitos de nós”. Todo interessado na função de assessor de imprensa deveria estudar o trabalho deste grande pioneiro na área, um verdadeiro Fab One em seu ofício.

Day Tripper (live Candlestick Park 1966)- The Beatles:

The Beatles Live Candlestick Park 29,8,1966:

George Martin, esse produtor genial, nos deixa aos 90 anos

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Por Fabian Chacur

Pode um sim mudar não só a vida dos envolvidos em um determinado acontecimento, como também a história da música? Pois essa palavra mágica foi proferida em 1962 por um certo George Martin, contratando dessa forma os então desconhecidos e rejeitados Beatles para o pequeno selo Parlophone. O que aconteceu a partir dali, todos sabemos. Infelizmente, esse gênio nos deixou, por causas ainda não reveladas, aos 90 anos. O produtor por excelência.

Nascido na Inglaterra em 3 de janeiro de 1926, George Martin serviu a Marinha de seu pais e logo a seguir entrou na Guildhall School Of Music And Drama, na qual aprendeu composição, orquestração e a tocar o oboé. Ele começou a atuar no meio musical no Parlophone, pequeno selo ligado à gigante EMI, e depois de alguns anos se tornou o diretor de A&R de lá em 1955. Os discos de comédia que produziu para Peter Sellers e Peter Ustinov se tornaram famosos, e um de seus fãs era John Lennon.

Os Beatles e seu empresário Brian Epstein levaram sua fita demo para a Parlophone em total desespero, pois até ali já haviam sido rejeitados por literalmente todas as gravadoras atuantes na Inglaterra, incluindo a matriz do selo dirigido por Martin. A principal rejeição havia sido da Decca, e foi com as gravações que eles fizeram nos estúdios dessa gravadora que o grupo tentou seduzir Martin.

O produtor ouviu e não curtiu muito, mas teve sensibilidade suficiente para perceber que havia algo importante ali, só que ainda mal trabalhado. Em junho de 1962, ele resolveu contratar a banda, embora não botasse muita fé em seu baterista, Pete Best. A troca por Ringo Starr acabou ocorrendo durante as gravações do primeiro compacto da banda, Love Me Do. Surgia uma parceria histórica.

A colaboração entre George Martin e os Beatles se tornou perfeita pelo fato de o produtor ter uma formação musical sólida, que se tornou decisiva conforme os Fab Four foram ampliando os seus horizontes musicais. Além disso, tinha uma paciência interminável para encarar os egos daqueles jovens talentosos, como demonstrou ao sugerir a inclusão de um quarteto de cordas na gravação da música Yesterday, algo que Paul McCartney não admitia inicialmente.

Difícil imaginar álbuns elaborados como Rubber Soul, Revolver, Sgt. Peppers, The Beatles (o álbum branco) e Abbey Road sem a batuta de George Martin. Ele foi um dos responsáveis pela solidificação da aproximação do rock com a música erudita, e pela perfeita simbiose entre esses segmentos tão distintos do cenário musical.

A partir de 1965, Martin deixou a EMI e se tornou um dos primeiros produtores independentes na Inglaterra, além de criar seu próprio estúdio, o Air, que entre 1979 e 1989 teve uma filial na paradisíaca Montserrat, no Caribe, onde The Police, The Rolling Stones e Stevie Wonder gravaram. Pena que uma catástrofe tropical (o funesto furacão Hugo) acabou arrasando com aquele estúdio dos sonhos, anos depois.

Com o fim dos Beatles, George Martin continuou firme e forte sua trajetória. Trabalhou com Paul McCartney, o beatle mais apegado a ele, em Live And Let Die (canção tema de filme da franquia James Bond) e nos álbuns Tug Of War (1982), Pipes Of Peace (1983), a trilha do filme Give My Regards To Broad Street (1984) e Flaming Pie (1997).

Se tivesse trabalhado “apenas” com os Beatles, George Martin já mereceria canonização. Mas ele também produziu discos e faixas de outros grandes nomes da música, entre os quais America, Cheap Trick, Mahavishnu Orchestra, Jeff Beck, Kenny Rogers, Ella Fitzgerald e Neil Sedaka. Ele compôs música incidental para vários filmes, sendo a melhor a de Yellow Submarine (1968), com a sublime Pepperland.

George Martin gravou alguns discos, como Off The Beatles Track (1964), que traz versões instrumentais dos sucessos dos Fab Four. Em 1997, ele produziu a nova versão de Candle In The Wind, gravada por Elton John em homenagem a Princesa Diana. Em 1998, como forma de marcar a sua despedida da música, devido a problemas de audição que começavam a afligi-lo, ele resolveu lançar um CD de despedida.

Intitulado In My Life, o álbum trouxe onze composições dos Beatles e uma dele (Pepperland Suite) regravadas por astros da música como Phil Collins, Celine Dion, Bobby McFerrin e Jeff Beck, e atores como Goldie Hawn, Sean Connery, Robin Williams e Jim Carrey. O resultado ficou muito bom, e uma das marcas é o fato de ele ter trabalhado com o filho Giles Martin, que herdou o talento do pai e enveredou para o mundo da produção musical, com sucesso.

Para quem deseja saber mais sobre o profissional e o ser humano George Martin, vale assistir Produced By George Martin, documentário lançado em 2012 (saiu em DVD no Brasil) que dá uma bela geral em sua trajetória e traz depoimentos de Paul McCartney, Ringo Starr, Jeff Beck e outros. A humildade e a serenidade do cara eram impressionantes. Ainda bem que ele disse aquele sim no já distante ano de 1962. Eis o que eu chamo de um sim seminal!

Ouça o CD In My Life, de George Martin, em streaming:

Pepperland– George Martin:

Off The Beatle Track- George Martin And His Orchestra:

David Bowie emplaca o álbum Blackstar no 1º lugar nos EUA

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Por Fabian Chacur

A expectativa em torno da performance comercial de Blackstar, novo álbum de David Bowie, já era grande. Com a inesperada e lamentável morte do grande astro no último dia 10 (leia mais aqui), tornou-se enorme, e se confirmou de forma positiva. O trabalho leva o autor de Heroes pela primeira vez ao topo da parada americana entre os álbuns mais vendidos, após aproximadamente 50 anos de carreira.

Conforme informações do site americano da revista Billboard, a bíblia do mercado fonográfico mundial, Blackstar teve 181 mil cópias comercializadas durante a semana de vendas encerrada no dia 14 de janeiro. Com esse desempenho, conseguiu tirar do número 1 o álbum 25, da cantora britânica Adele, que durante este mesmo período vendeu 143 mil exemplares. Uma bela façanha.

Para quem achar que foi só a morte do cantor que impulsionou vendas tão expressivas, vale relembrar que The Next Day (2013), trabalho anterior de inéditas do Camaleão do Rock, teve 85 mil cópias vendidas em sua semana de lançamento e atingiu o 2º lugar nos charts americanos. Ah, e tem mais: a coletânea Best Of Bowie (2002) retornou às paradas, vendendo esta semana 94 mil cópias e atingindo o 4º lugar nos EUA. Na época, essa compilação tinha conseguido apenas o nº70.

Vale lembrar que Bowie já havia sido número 1 na terra de Barack Obama, mas apenas nas paradas de singles, com Fame (1975) e Let’s Dance (1983). Entre os álbuns, teve, além dos já citados, os seguintes no Top 10: Let’s Dance (1983- 3º lugar), ChangesOneBowie (1976- 10º lugar), Station To Station (1976- 3º lugar), Young Americans (1975- 9º lugar), David Live (1974- 8º lugar) e Diamond Dogs (1974- 5º lugar).

A parte mais surpreendente do feito obtido por Blackstar foi o fato de se tratar de um trabalho de veia mais experimental, longe de momentos mais assimiláveis do trabalho de Bowie, como Let’s Dance, por exemplo. Acompanhado por uma banda de orientação jazzística, o artista mergulhou em sete faixas mais longas, sem ambições radiofônicas e fugindo dos padrões dos hits atuais. Ousadia que deu frutos.

Blackstar (clipe)- David Bowie:

Rebel Rebel (live-2004)- David Bowie:

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