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Cool pop de Sade é resumido em coletânea

Por Fabian Chacur

Toda vez que escrevo uma matéria sobre Sade é a mesma coisa: faço questão de ressaltar a diferença entre uma coisa e outra.

No caso, temos a Sade Adu, cantora, e o grupo Sade, que além da icônica intérprete inclui Andrew Hale (teclados), Stuart Matthewman (guitarra e sax) e Paul S Demnan.

Não ocorre aqui o caso de uma banda que apenas faz o acompanhamento de uma cantora. É banda, mesmo, e é a somatória dos talentos dos quatro que faz a diferença.

Sei lá se Sade Adu teria o mesmo sucesso e relevância se tivesse se tornando mais uma cantora solo da vida, ou se estivesse ao lado de outros músicos, ou se os quatro não tivessem toda a liberdade para criar juntos, como o fazem.

Essa reflexão é bem pertinente quando me proponho a analisar The Ultimate Collection, recém-lançada coletânea dupla que dá uma geral no que de melhor o quarteto fez em seus 17 anos de carreira fonográfica.

O grupo conseguiu destaque em um momento da música pop que muitos artistas internacionais se valiam de influências da bossa nova e da latinidade em seus trabalhos, o que gerou o rótulo new bossa.

Mas o som de Sade sempre foi muito além de um modismo qualquer, investindo fundo em soul, rhythm and blues, jazz,latinidade e pop com uma categoria realmente absurda.

A voz e a presença marcante de Sade Adu se unem ao baixo poderoso de Paul S Denman (para mim, o alicerce sonoro do grupo), à guitarra e ao sax classudo de Stuart Matthewman e aos teclados sutis de Andrew Hale.

Até o fato de ter poucos ítens em sua discografia (seis álbuns de estúdio e um ao vivo) denota capricho e a vontade de só lançar um novo trabalho quando se faz necessário, ou melhor, quando possui material inspirado a oferecer aos fãs.

O retorno do grupo em 2010, após uma década distante, foi certeira, com o excelente Soldier Of Love.

Embora já existam outras compilações da obra de Sade, esta aqui é certamente a mais abrangente, por ser dupla.

O primeiro CD inclui 14 faixas lançadas entre 1984 e 1992, com direito às maravilhosas Your Love is King, Hang on To Your Love, The Sweetest Taboo, Nothing Can Come Between Us e Paradise.

Foram reservadas para o segundo CD mais 10 hits do período 1992-2010 (incluindo músicas de Soldier of Love), entre os quais Cherish The Day, By Your Side, Soldier of Love e Babyfather.

As últimas cinco faixas foram incluídas para os fãs que desejam ter tudo o que o grupo de Sade Adu grava, pois são inéditas.

Temos dois remixes, um de By Your Side (Neptunes Remix) e outro de The Moon And The Sky (com participação do rapper e produtor Jay-Z, além de três faixas nunca antes gravadas pelo quarteto.

A releitura de Still In Love With You, de Phil Lynott e gravada originalmente pelo Thin Lizzy, ficou belíssima.

Love Is Found segue a linha levemente mais hard de Soldier of Love, enquanto I Would Never Have Guessed é uma daquelas baladas jazzy matadoras, ambas de autoria dos integrantes da banda.

A se lamentar, só o fato de o encarte não ser tão caprichado como deveria. Ele inclui a ficha técnica e aponta de que álbum é cada música, mas não traz as letras das canções e nem um texto sobre a banda, além de se limitar a apenas duas fotos da cantora.

De resto, The Ultimate Collection acaba sendo uma bela introdução para quem não conhece o grupo, um resumo bacana para quem deseja o essencial do quarteto e um ítem fundamental para o colecionador.

Veja o clipe de Soldier of Love:

Sade volta e sacode o mercado pop americano

Por Fabian Chacur

Ficar dez anos fora de cena pode ser mais do que suicídio para um artista pop. Afinal, em uma era na qual novos nomes surgem e somem em questão de meses, imagine uma década inteira sem oferecer nada aos fãs.

Pois foi isso o que Sade fez. E quando digo Sade, eu me refiro ao grupo que atende por esse nome e que é integrado por Sade Adu (vocal), Stuart Matthewman (guitarra, sax, programação eletrônica), Andrew Hale (teclados e programações) e Paul S Denman (baixo).

De forma inteligente, a banda divide suas tarefas, e a cantora nigeriana radicada na Inglaterra equivale ao centroavante matador. Que não seria nada sem seus fiéis escudeiros. Ou seja, ela não é uma artista solo. Ponto.

Voltando ao tema deste post: a primeira década do século 21 ficou em branco para Sade. Nesse período, seus integrantes se preocuparam com trabalhos paralelos, além de cuidar dos filhos. Isso mesmo: cuidar dos filhos.

Mas eles estão de volta. E que volta! Soldier Of Love, oitavo ítem de sua discografia iniciada em 1985 com Diamond Life (incluindo um disco ao vivo e uma coletânea) fez furor esta semana nos EUA.

O CD vendeu 502 mil cópias por lá, o que garantiu ao quarteto uma folgada estreia na ponta da parada mais importante do mundo. É a segunda vez que eles conseguem tal feito. A primeira foi com Promisse, em 1986.

Mais: os oito CDs de Sade atingiram o Top 10 na terra presidida por Barack Obama. Apenas uma banda conseguiu uma sequência como essa, o Led Zeppelin, com seus 10 primeiros trabalhos.

Mas chega de números e vamos ao que de fato interessa, que obviamente é a música. O novo álbum da banda britânica não chega a ser tão bom como o seu momento máximo, Stronger Than Pride (1988), mas não fica longe.

Em seus concisos 41 minutos de duração, temos duas faixas bastante inovadoras em relação ao que Sade já fez.

Soldier Of Love, a faixa que dá nome ao CD, é sensacional. Possui batida marcial, clima ao mesmo tempo dançante e tenso, repleta de guitarras ardidas ao fundo e uma melodia bem encadeada. De quebra, rufar de tambores dão um tempero de marcha militar ao resultado final.

O videoclipe dessa canção é também belíssimo, com direito a coreografia no melhor estilo das dos videos de Michael Jackson e com visual que permeia a capa e as fotos do encarte do CD. Resultado: um clássico instantâneo.

A outra faixa diferente é uma homenagem fofinha da banda a seus herdeiros, ou seja, aos filhos do quais eles cuidaram nesses dez anos longe dos palcos e estúdios de gravação. É Babyfather.

Em uma espécie de reggae entortado para o jeito Sade de fazer música, Babyfather celebra a relação pais/filhos, com uma “garantia vitalícia de amor”, como diz a letra. Fofa demais, bonita demais. Uma graça.

E com participação especial nos vocais de Ila Adu e Clay Matthewman, dois dos herdeiros dos integrantes da banda, nos vocais.

Quem busca a sensualidade e as linhas deliciosas de baixo de Paul S Denman deve mergulhar na envolvente e hipnótica Skin, ou na suave balada blues In Another Time, ou ainda na elaborada The Moon And The Sky.

Soldier Of Love vai revelando suas sutilezas a cada nova audição. Parece o mesmo disco de sempre, mas não é. Tem assinatura forte, mas sem significar repetição desmedida. É um trabalho de muita personalidade.

Além da sofisticação pop dos músicos, obviamente o destaque fica por conta da voz sensual e inconfundível de Sade Adu, que está cada vez melhor.

E a moça não aparenta os 51 anos que tem, igualzinha ao ícone dos anos 80 de que tanto lembramos.

Desde já, um dos primeiros destaques de lançamentos pop de 2010, e que certamente vai merecer entrar na lista dos melhores desde ano que ainda está em seu início.

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