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Tag: samba rock

Sandália de Prata faz show de lançamento de novo álbum

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Por Fabian Chacur

Com 14 anos de estrada, a banda paulistana Sandália de Prata se firmou como uma das melhores do Brasil, esbanjando swing e categoria em sua fusão de samba rock, funk, soul, gafieira e muito mais. Sua sonoridade dançante e contagiante gerou um novo fruto, o álbum Maloqueiro e Elegante, cuja versão em vinil está sendo lançada com um show em São Paulo neste domingo (16) às 19h no Auditório Ibirapuera (avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº- Portão 2 do Parque Ibirapuera- fone 0xx11-3629-1075), com ingressos a R$ 10,00 e R$ 20,00.

Criada em 2004 na Zona Sul de São Paulo, a Sandália de Prata conta atualmente em sua formação com Ully Costa (vocal), Dado Tristão (teclados), Ocimar de Paula (baixo), Everson Gama (guitarra), Wendel Soares (bateria), Tito Amorim (percussão), João Lenhan (trompete), Jorginho Neto (trombone) e Rafael Ferreira. Trata-se de um time entrosado e que lembra as antigas bandas de gafieira, com repertório próprio e alguns covers matadores.

Entre essas releituras, destaque para Check My Machine, de Paul McCartney, lançada como lado B do single Waterfalls em 1980 e um improvável hit nos bailes black brasileiro nos anos 1980 que a Sandália de Prata incorporou com categoria ao seu set list. A discografia da banda inclui os álbuns Sandália de Prata (2006), Samba Pesado (2009), Desafio ao Galo (2011) e o novo Maloqueiro e Elegante.

Ego Ferido (clipe)-Sandália de Prata:

Zeca Pagodinho/Seu Jorge em um show único em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Dois grandes nomes da música popular brasileira estarão em São Paulo nesta sexta-feira (30) a partir das 23h30 no Espaço das Américas (rua Tagipuru, nº 795- Barra Funda- call center 0xx11-2027-0777), com ingressos de R$ 40,00 a R$ 250,00. São eles Zeca Pagodinho e Seu Jorge. Uma união repleta de ritmo, malemolência, inúmeros hits e uma amizade bacana mantida há um bom tempo por esses dois sambistas de primeira linha.

Zeca Pagodinho tornou-se conhecido inicialmente como compositor de hits para artistas do porte de Beth Carvalho. A partir de 1986, ganhou fama nacional graças a seus sambas bem-humorados, românticos e inspirados nas raízes do gênero, embora sem nunca se furtar a elementos inovadores. Em seu repertório, hits do porte de Judia de Mim, Vai Vadiar, Coração em Desalinho, Verdade e Deixa a Vida Me Levar, que o tornaram o nome mais popular do samba atualmente.

Já Seu Jorge fez fama inicial cantando no grupo Farofa Carioca, para, logo a seguir, investir em carreira solo que o tornou conhecido no Brasil e também internacionalmente. Versátil, ele vai de samba, samba-rock, soul, pop e outros elementos musicais, além de ter uma sólida carreira como ator. O seu set list de sucessos também vai longe, incluindo Burguesinha, Carolina, Amiga da Minha Mulher e muitos outros.

A noitada no Espaço das Américas promete ser das boas. Primeiro, teremos os shows individuais de cada artista, repletos de músicas legais. Depois, eles se unirão no palco para uma seleção musical não divulgada previamente, mas que certamente terá o bom gosto e a categoria dos dois a garantir a festança. Tem tudo para varar a noite… Vale lembrar que o evento faz parte do projeto Versão Brasileira, que viabiliza parceria do naipe desta aqui.

Meu Parceiro– Seu Jorge e Zeca Pagodinho:

Farufyno mostra o seu samba rock turbinado em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Anda com baixo astral, mora em São Paulo e quer ir a um show para mandar o mau humor para a casa do cacete? Uma dica certeira é ir na próxima quinta-feira (8) às 21h30 no Sesc Pompeia- Comedoria (rua Célia, nº 93- Pompeia), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00. Estará em cena o grupo Farufyno, que há 15 anos cumpre a nobre missão de sacudir os esqueletos com seu som swingado e pra cima.

Integram o grupo paulistano os músicos Marcelo Kuba (voz e violão), Rodrigo Pirituba (percussão), Mario Souza Lima (baixo) e Flávio Ferreira (guitarra). O seu som é basicamente samba rock, aquela incandescente mistura de samba, funk, rock, pop e MPB que bota fogo nas pistas de dança tupiniquins desde a década de 1960, criada por feras do porte de Jorge Benjor, Erasmo Carlos, Originais do Samba e Marku Ribas.

No repertório deste show, o quarteto promete dar uma geral em seu repertório e também apresentar algumas surpresas. Entre outras, o público poderá conferir as contagiantes Elroy O Office-boy, Várzea, Concentração, Parte Dela, Cajaíba, Parei na Sua e O Bicho Pega.

Elroy o Office-boy– Farufyno:

A banda Sandália de Prata faz show gratuito neste Carnaval

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Por Fabian Chacur

A Banda Sandália de Prata é uma das favoritas de Mondo Pop há um bom tempo. Com 13 anos de estrada, eles já gravaram uma faixa obscura de Paul McCartney (leia aqui) e lançaram dois ótimos CDs. O time toca nesta terça-feira (9) às 18h, em pleno Carnaval, na Ocupação Sesc Parque Dom Pedro II (praça São Vito, s/nº-Brás- entre o Mercado Municipal e o Catavento Cultural), com entrada gratuita. Belo programa!

O grupo é oriundo da zona sul paulistana, e atualmente conta em sua escalação com a carismática cantora Ully Costa, Dado Tristão (teclados), Ocimar de Paula (baixo), Everson Gama (guitarra), Wendel Soares (bateria), Tito Amorim (percussão), João Lenhari (trompete), Jorginho Neto (trompete) e Raphael PH (saxofone). Um time afiado, que esbanja categoria em sua fusão de samba rock, funk de verdade, soul, latinidade e muito mais, com um resultado dançante e irresistível.

Em sua discografia, a banda paulistana possui um belo EP e dois CDs altamente elogiáveis: Samba Pesado (2009, leia a resenha de Mondo Pop aqui) e Desafio ao Galo (2012- leia a resenha de Mondo Pop aqui). Neles, músicas próprias bem bacanas e releituras matadoras de material alheio. No currículo, shows ao lado de Bebeto, Simoninha, Max de Castro e outras feras do mesmo gabarito.

Check My Machine (ao vivo)- Sandália de Prata:

Sapato de Ouro (clipe)- Sandália de Prata:

Reza Brava– Sandália de Prata:

Clube do Balanço lançará novo CD em SP

Por Fabian Chacur

Quando o assunto é samba rock, o nome de Marco Mattoli vem à tona quase que de forma instantânea. Ele não inventou o estilo, mas há mais de 20 anos é um de seus mais fiéis e talentosos discípulos. Atualmente, encabeça o ótimo grupo Grupo do Balanço, que irá lançar o seu quarto CD, intitulado Menina da Janela, pela gravadora YBmusic. Novo banho de swing a caminho, com certeza.

Menina da Janela, já disponível no formato digital e cuja versão física estará disponível no fim de maio, inclui dez músicas inéditas, composições dos integrantes da banda e buriladas com garra, paciência e carinho entre maio e dezembro de 2013 em ensaios abertos. A produção ficou a cargo do experiente produtor e baixista Jesus Sanchez, conhecido por seus trabalhos com Los Pirata, Pélico e Bárbara Eugênia.

O show de lançamento do novo álbum do Clube do Balanço será realizado no dia 31 de maio no Clube Homs, conhecido por abrir espaço para bailes de samba rock há mais de 30 anos. O time traz, além de Mattoli no vocal, violão e guitarra, Tereza Gama (vocal), Edu Salmaso Peixe (bateria e vocal), Gringo Pirrongelli (baixo), Marcelo Maita (piano), Fred Prince (percussão), Tiquinho (trombone e arranjos de metais) e Reginaldo 16 (trompete e vocais).

O repertório do show trará músicas do novo CD como Te Dou Bola, Vício Perfeito e De Chinelo e também hits do grupo como Paz e Arroz, Aeroporto e Saudade da Preta. Além do Clube do Balanço, Mattoli também liderou outro grupo bem bacana nessa praia, Mattoli e os Guanabaras, que teve boa repercussão durante a década de 90. Swing é com esse cara. Quer dançar no melhor estilo MPB de luxo? É jogo ganho.

Ouça Paz e Arroz, com o Clube do Balanço:

Márcio Werneck toca EP no Central das Artes

Por Fabian Chacur

O experiente cantor, compositor e guitarrista Márcio Werneck mostra nesta quinta-feira (17) em São Paulo a partir das 22h o repertório de seu novo trabalho, o EP intitulado Márcio Werneck e Chegados. A apresentação será realizada no bar e restaurante Central das Artes (rua Apinajés, 1.081- Sumaré- fone 3670-4040 www.centraldasartes.com.br), com couvert artístico a R$ 20.

Com mais de 25 anos de carreira, o talentoso Márcio Werneck integrou bandas bacanas como Fábrica Fagus (1987 a 994) e Caboclada (1997). Atualmente, investe em uma mistura de funk de verdade, soul e samba/samba rock, com influências nítidas e elogiáveis de gente do alto gabarito de Tim Maia, Jorge Ben Jor, Carlos Dafé, Cassiano e Hyldon, entre outros.

Márcio Werneck e Chegados, o EP (extended play, espécie de compacto duplo dos tempos do vinil), inclui cinco músicas que enveredam por esse universo musical dedicado à dança e ao swing: Moderno/Medieval, Kendanza, Embaço, Joana e Dos Outros. O repertório do show no Central das Artes trará essas músicas e também homenagens a Jorge Ben Jor e Tim Maia.

Além de Márcio Werneck nos vocais e guitarra, o show trará Carlos Strobing (baixo), Marinho Lemes (bateria), Márcio Fortes (percussão) e Theo Werneck (guitarra e vocais), este último irmão de Marcio e conhecido por ter integrado os grupos Luni (ao lado de Marisa Orth) e Caboclada (com Márcio), além de ter sido badalado DJ em programas de TV ao lado de Luciano Huck, Adriane Galisteu e Tiazinha.

A apresentação também aproveitará a deixa para lançar o videoclipe de Moderno/Medieval, que conta com a participação do músico de Moçambique Bhaka Yafole e cujas cenas foram gravadas na África, continente que Márcio adora e no qual tive diversas experiências em termos musicais que o influenciaram em todos os aspectos de sua trajetória artística e pessoal.

Veja o vídeo de Kendanza, com Márcio Werneck e os Chegados:

Cyro Aguiar esbanja jovialidade em DVD/CD

Por Fabian Chacur

Quem já teve a oportunidade de conversar recentemente com Cyro Aguiar dificilmente acreditará que ele está às vésperas de completar 70 anos de idade, o que irá ocorrer no próximo dia 9 de dezembro. Este cantor, compositor e músico baiano esbanja boa forma, simpatia e jovialidade. E essas são as marcas de Cyro Aguiar Ao Vivo, seu novo lançamento.

Gravado ao vivo no Carioca Club (SP), o DVD/CD equivale a uma equilibrada mistura de grandes sucessos de seus quase 50 anos de carreira, releituras de hits alheios e canções inéditas em sua voz. Acompanhado por uma banda afiada e versátil, Cyro dá um banho de ritmo, carisma e jogo de cintura, com uma voz cristalina e swingada.

Aliás, swing é uma palavra que sempre esteve associada a seu trabalho. Para quem não sabe, Mr. Aguiar é um dos pais do samba rock, uma das vertentes mais dançantes e criativas da MPB, e que muita gente costuma associar apenas a Jorge Ben Jor quando o tema é pioneirismo. Quem estudar um pouco verá que a coisa não é bem assim. Cyro também é.

O samba mais melódico e romântico também teve em Cyro um seguidor talentoso, como prova Crítica, um de seus grandes sucessos, além da versão brasileira do rock inglês dos anos 60, a Jovem Guarda, movimento de que participou e no qual conseguiu fazer grandes amizades, além de cativar inúmeros fãs.

Cyro Aguiar Ao Vivo inclui várias participações especiais. A ótima cantora Adryana Ribeiro marca presença em Amor Na Contramão, provavelmente a melhor faixa deste trabalho, enquanto Jorge Aragão é o convidado na bela releitura de Volta Por Cima, maior sucesso da carreira do saudoso cantor Noite Ilustrada.

Os Demônios da Garoa trocam figurinhas com Aguiar em um pot-pourry que inclui quatro grandes sucessos do grupo paulistano: Samba do Arnesto, Iracema, Saudosa Maloca e Trem das Onze, interpretados de forma entusiasmada e fazendo justiça à importância dessas canções no repertório da MPB tradicional.

O talentoso cantor Eder Miguel está em Crítica. O grupo Katinguelê bate o cartão em Sim Ou Não, enquanto seu ex-cantor, Salgadinho, é a voz em Se a Saudade Apertar. A sambista histórica Lecy Brandão dá brilho a Me Ilumina. Nas canções em que fica sozinho no holofote, Cyro Aguiar também tira de letra.

Entre esses momentos, destaco a bela Eu Vou Ter Sempre Versão, sucesso americano dos anos 40 vertido para o português pelo saudoso Antonio Marcos, Minha Vida (versão de My Way, o sucesso de Frank Sinatra), Depende Muito de Você, Asfalto Falsificado e Aviso Prévio. E tem também a versão de Blue Suede Shoes, de Carl Perkins e estouro com Elvis Presley, que virou Sapato de Camurça Azul sem perder a elegância.

Cyro Aguiar Ao Vivo é um trabalho gostoso, despretencioso e com um clima dançante que o permeia do começo ao vim. Pelo visto, aquela frase “a vida começa aos 40” terá de ser alterada no caso desse artista baiano. Para ele, chegar aos 70 com esse pique certamente significa um eterno recomeço espiritual com a maturidade que só a estrada da vida nos dá.

Ouça Amor Na Contramão, com Cyro Aguiar e Adryana Ribeiro:

Baiano e os Novos Caetanos -Baiano e os Novos Caetanos (1974/CID)

Por Fabian Chacur

A essa altura dos acontecimentos, Chico Anysio (1931/2012) deve estar batendo o maior papo ao lado de Arnaud Rodrigues (1942/2010) lá no céu. A razão é simples. Além de terem trabalhado em programas humorísticos geniais como Chico City, eles também foram parceiros musicais de primeira linha.

Para quem não sabe, Chico Anysio mergulhou em várias áreas culturais além do humor, tendo sido escritor, comentarista esportivo e compositor. Ele foi parceiro de outro cara que se foi há pouco, Wando, e teve músicas gravadas por muita gente, entre os quais (e tome saudade de novo!) o também humorista e músico Mussum.

Mas seu grande momento musical, para mim, foi o álbum Baiano & Os Novos Caetanos, gravado em 1974 tendo como inspiração os personagens Baiano (Chico Anysio) e Paulinho (Arnaud), de Chico City.

O quadro tirava um sarro do jeito ripongão de Caetano Veloso, Gilberto Gil e do grupo Os Novos Baianos naquela primeira metade dos anos 70, mas sem cair na ofensa ou na grosseria. Tanto que, quando resolveram fazer músicas inspiradas naquilo, se deram muito bem.

Com o auxílio de feras como Orlandivo, Geraldo Nunes e Sebastião Valentim, Chico e Arnaud compuseram e gravaram 11 músicas misturando samba rock, forró, xaxado, rock e o que mais pintasse de forma bem-humorada, balançada e até lírica em alguns momentos.

O irresistível samba rock Vô Batê Pa Tu é provavelmente a faixa mais conhecida, assim como a balada Folia de Rei, mas o balanço de Urubu Tá com Raiva do Boi e Véio Zuza e o forró pé de serra Aldeia também merecem destaque.

Na verdade, o CD é bom como um todo, e pode ser curtido e dançado até por quem nem tiver ideia de quem foram Anysio e Rodrigues, pois a linguagem musical é universal e atemporal.

Para quem curtia tanto Chico Anysio como eu, ouvir Baiano & Os Novos Caetanos é sempre uma ótima oportunidade de não só relembrar um tempo maravilhoso que não volta mais, como (e principalmente) ganhar forças para encarar o duro dia a dia de sempre. Que discaço!

Vô Batê Pa Tu – Baiano e os Novos Caetanos:

Veio Zuza – Baiano e os Novos Caetanos:

Folia de Rei – Baiano e os Novos Caetanos:

Urubu Tá Com Raiva do Boi – Baiano e os Novos Caetanos:

Sandália de Prata é garantia de baile bom!

Por Fabian Chacur

Por uma dessas contingências da vida (bonito, né?), fui conhecer o paulistaníssimo grupo Sandália de Prata na edição 2009 do festival Conexão Vivo, na deliciosa Belo Horizonte (BH). Que descoberta!

Oriundos do bairro do Capão Redondo e na estrada desde 2003, o time é integrado por Ully Costa (vocal), Dado Tristão (teclados), Carlinhos Creck (baixo), Sandro Lima (guitarra), Paulinho Sorriso (bateria), Tito Amorim (percussão), Marcelo Valezi (sax), João Lenhari (trompete) e Jorginho Neto (trombone).

Após lançar o excelente álbum Samba Pesado em 2009, eles estão de volta com outro petardo equivalente, Desafio Ao Galo, um CD independente com apresentação visual e qualidade técnica que superam lançamentos de grandes gravadoras. Coisa fina!

O Sandália de Prata é uma banda que mergulha de cabeça nas várias possibilidades do samba, especialmente o samba rock, mas aberta a flertes com funk de verdade, rock, reggae, soul, jazz e o que mais pintar, sem preconceitos e com muito conhecimento de causa, sempre.

Se a bonita e carismática vocalista Ully Costa é um evidente destaque, o time todo é composto só por craques, gente que sabe swingar como se fosse a coisa mais fácil do mundo, algo que todos sabemos não ser para qualquer um.

Desafio Ao Galo traz 10 músicas ótimas, além de incluir como bônus a matadora Reza Forte, do trabalho anterior.

A bela releitura do clássico samba rock O Cravo Brigou Com a Rosa, de Jorge Ben, e as envolventes Som do Drão, Fez Por Merecer e Sensual Funk pegam de primeira o ouvinte. Ótimas!

Mas as cerejas desse bolo musical delicioso são a espetacular instrumental Tapa do Siri e Quem Sabe, Sabe, esta última com participação especial da sempre energética Elza Soares, um aval e tanto para essa banda paulistana. Eles merecem isso e muito mais!!!

Ouça Reza Forte (ao vivo) com o Sandália de Prata:

Seu Jorge, o cara que agrada a todos

Por Fabian Chacur

Quando entrevistei Zeca Pagodinho pela primeira vez, em 1988 ou 1989, no escritório da gravadora BMG em São Paulo (ficava na rua Dona Veridiana), ele me falou uma frase marcante:

“Sei falar com o povão e sei falar com os bacanas”.

Essa frase se encaixa feito luva para definir como encarei a primeira entrevista que tive a oportunidade de fazer com Seu Jorge nesta quarta (20), para falar de seu novo CD, Música Para Churrascos Vol.1, primeiro de sua associação com a Universal Music.

Simples e simpático, o cantor, compositor e músico carioca é daquele tipo de pessoa que cativa pela impressionante capacidade que tem de expressar suas ideias de um jeito que qualquer um pode entender.

Alie-se essa característica ao fato de ele ser um ótimo músico e um ótimo ator, e temos aí um astro de verdade, desses que não precisa de mil seguranças, um milhão de assessores e muita marra para se impor por aí. Sua presença basta para segurar a onda.

Isso explica o porque esse cara é um nome conhecido mundialmente e também o porque se tornou extremamente popular aqui no Brasil nos últimos tempos.

Seu novo projeto inclui dez músicas e é o primeiro de uma trilogia dedicada ao tema.

“Esse título para o projeto surgiu quando pensei no que um churrasco no Rio na verdade é, que é mais a coisa do mutirão, palavra que vi que nem existe em outra língua, quando pesquisei no google. O pessoal se reúne no fim de semana para dar uma relaxada, aí um traz a carne, outro a cerveja, outro o gelo…”

As canções retratam personagens como o do casal de velhos que tinha tudo para se dar bem, mas cuja mulher fica viciada em bingos e gasta uma grana.

Tem a boazuda doida que acaba ficando com o cara errado, a amiga da mulher que enlouquece o pobre maridão, e por aí vai.

“Retratei situações que ocorrem nesses encontros. O disco traz temas para a gente se divertir, um bom começo para a trilha sonoro dessas reuniões, onde Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal nunca podem faltar”.

O artista carioca vê apenas um elemento constante em seus trabalhos, desde os tempos em que foi vocalista do grupo Farofa Carioca, no final dos anos 90.

“O cavaquinho no centro do som é o que une esse trabalho aos outros. Acho que o cavaquinho pode entrar em qualquer contexto musical, não só no samba. O repertório e cada disco são diferentes entre si, pois tem o tempo, as minhas experiências, o amadurecimento”.

Com cinco músicas já prontas para o segundo volume da trilogia, Seu Jorge pensa em gravar esse próximo disco em Los Angeles, com o mesmo elenco de músicos.

“Tenho uma parceria forte com o produtor Mario Caldato Jr. (que mixou o novo CD, n.da r.), e ele tem um belo estúdio lá, com muitos instrumentos bacanas que teríamos dificuldades para trazer para o Brasil. Vamos visitar outras sonoridades, com o mesmo time”.

Música Para Churrasco tem toda a cara de virar projeto multimídia, e Seu Jorge não descarta essa possibilidade.

“Pode virar um roteiro para cinema e TV, sim, mas não comigo escrevendo, pegaria gente competente dessa área para fazer, alguns amigos, como o Lázaro Ramos. Gostaria de explorar a diversão e o drama. Pode ser como o Ó, Paí, Ó, que tem esses dois lados. Chamo essa ideia de Rua X”.

Após belas e bem-sucedidas experiências de gravar ao lado de Ivete Sangalo e Alexandre Pires, Seu Jorge se diz mais aberto do que nunca a experiências com outros gêneros musicais.

“É preciso haver intercâmbios sempre, pois informação e inovação empurram o mundo para a frente. Não tenho problemas com nenhum outro estilo musical, sou a favor da aproximação dos generos musicais”.

Além de ter participado com sucesso de Tropa de Elite 2, maior bilheteria da história do cinema nacional, Seu Jorge também teve uma coletânea na série Perfil, da Som Livre, que só aborda artistas do primeiríssimo time.

Ele aproveita para fazer um elogio ao universo da música sertaneja.

“Acho que o Chitãozinho & Xororó, o Zezé Di Camargo & Luciano e o Leonardo souberam se organizar, plantaram um cenário exemplar, e hoje Luan Santana e Paula Fernandes, entre outros, colhem esses frutos, também”.

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