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Samba de Rainha lança clipe caseiro de Fé Não é Pequena

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Por Fabian Chacur

Como forma de dar uma espairecida nesses tempos estranhos e ao mesmo tempo inspirar sentimentos positivos nas pessoas, o grupo Samba de Rainha acaba de disponibilizar o clipe com uma gravação inédita. Trata-se de Fé Não é Pequena, composição de Aidée Cristina gravada pelas garotas por via remota. As cenas registram cada uma delas em suas residências, com gravações feitas a partir de celulares.

A música é um sambão contagiante, que a vocalista Núbia Maciel defende com a categoria habitual, muito bem acompanhada por suas atuais parceiras. A letra é bem otimista e traz palavras e expressões muito utilizadas por nós desde o início do isolamento social no Brasil. O Samba de Rainha (leia mais sobre esse grupo incrível aqui) curtiu tanto realizar este clipe que promete novidades por aí.

A ideia é lançar novas canções uma a uma. Teremos faixas autorais e também a releitura de um clássicos dos Novos Baianos cujos direitos autorais estão sendo devidamente acertados. Elas pretendem, futuramente, fazer uma gravação mais elaborada em termos técnicos de Fé Não é Pequena. Como diria outro samba clássico de um certo Martinho da Vila “canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá, canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar”.

Fé Não é Pequena (Aidée Cristina)

Não deixo ser de medo
O meu bom dia
Vou vibrando na alegria
Isso logo vai passar
Compartilhando
Mesmo que seja de longe
Meu tambor e seu canto
Põe amor no mundo
Chama para somar
Canto pra mostrar
Que a minha fé
Não é pequena
Só vejo Luz na janela
Da minha quarentena…
Canto pra mostrar
Que a minha fé
Não é pequena
Só vejo Luz na janela
Da minha quarentena…

Participaram do clipe:
Aidée Cristina – surdo
Erica Japa – rebolo
Karinah Oliveira – violão
Luana Souza – pandeiro
Marina Marques – bateria
Núbia Maciel – voz
Sandra Gamon – percussão
Thais Musachi – cavaco

Fé Não é Pequena (clipe)- Samba de Rainha:

Duo Oui Madame dá uma aula de tecnopop no CD Inflamável

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Por Fabian Chacur

A “Família Samba de Rainha” esbanja criatividade. O melhor grupo feminino de samba do Brasil (leia mais sobre elas aqui e aqui) cativa fãs pelo Brasil afora há mais de dez anos. E suas integrantes também nos proporcionam trabalhos paralelos bem bacanas e interessantes.

A vocalista Nubia Maciel lançou recentemente seu primeiro CD solo, Uma Qualquer (leia a resenha aqui). Nele, gravou quatro faixas compostas por ou em parceria com o duo paulistano Oui Madame, formado por outra integrante do Samba de Rainha, Sandra Gamon, junto com Catarina Bris.

Pois finalmente chegou a hora de Mondo Pop mergulhar de cabeça no segundo álbum do Oui Madame, o excelente Inflamável. Antes tarde do que nunca, pois o CD já saiu há quase dois anos… Mas música boa não tem prazo de validade, ainda mais em um mundo que não oferece espaços justos para trabalhos independentes de qualidade.

Na estrada desde 2010, Sandra e Catarina se dividem entre diversos instrumentos e programações, e investem basicamente em música eletrônica. As influências que podem ser sentidas em seu som são bem abrangentes e refinadas, com direito a eurodisco (Giorgio Moroder, Silver Convention), tecnopop (Yazoo, Erasure, Depeche Mode, as bandas de Vince Clarke), Kraftwerk e umas pitadas de pós-punk a la The Cure e Siouxsie And The Banshees.

E a lista não termina por aqui. Temos também o Roxy Music do período 1979/1982 (de músicas como The Main Thing e Same Old Scene). Em termos de Brasil, aponto a Rita Lee dos anos 1980 (especialmente a de músicas como Atlântida e On The Rocks) e algo dos grupos Metrô e Kid Abelha. Ufa!!! Tudo bem digerido e personalizado.

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O som do Oui Madame é bem urbano e noturno, e suas letras esbanjam uma poesia direta e bem elaborada na melhor tradição de Cazuza, por exemplo. Relacionamentos afetivos em seus vários estágios (do desejo inicial ao final triste, com tudo mais no meio) sem cair no tradicionalismo ou nas limitações exigidas pelos conservadores. Aqui, amor é na base do “qualquer maneira de amor vale a pena”, como dizia a clássica Paula e Bebeto, hit do Milton Nascimento.

Do começo, com a hipnótica Cápsula do Amor, à abrasiva Etílica, que fecha o CD, temos um total de 16 faixas diversificadas, com vocais que dizem coisas ardidas de forma doce em potente esquema bittersweet. Alice, com ótima melodia e clima tecnopop dos anos 1980, tocaria nas rádios dia e noite, se dependesse de mim. Pop inteligente e acessível.

Faça de Mim O Que Eu Quero vai em uma vibração eletrorock simplesmente sensacional, para sacudir a cabeça durante a audição. Bem No Seu Jeans é agitada e bem dançante, clima que também prevalece em Pular de Um Carro Em Movimento, cuja letra fala sobre o tédio das rotinas tradicionais e de como fazer para deixa-las para trás.

O coprodutor do álbum, Rod Trevis, incumbiu-se de cirúrgicos solos de guitarra, que proporcionam um tempero roqueiro mais do que bem vindo em momentos estratégicos de diversas faixas. Aliás, louve-se a qualidade da produção e também da masterização, feita no estúdio Sterling Sound, de Nova York, por Greg Calibi.

Inflamável é a prova concreta de que dá para se fazer tecnopop com letras em português sem perder nada para a produção internacional. Com direito a capricho e diversidade nos timbres instrumentais, o álbum é um banho de criatividade pop. A trilha sonora para a sua balada eletrônica. Atualmente, elas preparam um novo trabalho. Só pode vir coisa boa daí!

Bem No Seu Jeans– Oui Madame:

Capsula do Amor – Oui Madame:

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