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The Rolling Stones estão bem próximos do Brasil de novo

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Por Fabian Chacur

Da primeira visita de Mick Jagger e Keith Richards ao Brasil aos primeiros shows dos Rolling Stones no país, tivemos de esperar durante longos 27 anos. Em janeiro de 1995, enfim uma das mais importantes e bem-sucedidas bandas de rock de todos os tempos deu o ar de sua graça. Após outras passagens bacanas, eles retornam em breve para tocar aqui. As bandas de abertura foram anunciadas nesta sexta-feira (5): Ultraje a Rigor (no Rio), Titãs (em São Paulo) e Cachorro Grande (em Porto Alegre).

A turnê latino-americana da banda britânica teve início nesta quarta (3) em Santiago, no Chile, e chega ao Brasil no próximo dia 20/2, com show único no Maracanã, no Rio. Em São Paulo, o local será o estádio do Morumbi, nos dias 24 e 27 de fevereiro. Porto Alegre verá as “Pedras Rolantes” no dia 2/3, no estádio do Beira-Rio. Os ingressos custam de R$ 260,00 a R$ 900,00, e estão se esgotando. Mais informações aqui.

Ficaram muito para trás os tempos em que a banda liderada por Mick Jagger (vocal) e Keith Richards (guitarra) era autossuficiente em shows. Além da dupla e do baterista Charlie Watts e do guitarrista Ron Wood, o time é acrescido de uns dez músicos de apoio, entre tecladistas, vocalistas, músicos de sopros etc. Virou uma espécie de “Orquestra Rolling Stones”. Os shows também são sempre repletos de efeitos especiais, sendo um verdadeiro espetáculo de rock arena.

Sem lançar um álbum de inéditas desde A Bigger Band (2005), o grupo britânico oferecerá aos fãs brasileiros um repertório repleto de grandes hits dos anos 1960 e 1970, com raras exceções. O set list do primeiro show da turnê pela América Latina indica nessa direção. Normalmente os shows do grupo tem uma ou outra variação, mas essa lista vale como uma boa dica do que eles tocarão em nossos palcos.

Apesar dos preços salgados e da falta de novidades, as lotações serão expressivas, e não é difícil de entender a razão. Trata-se de uma banda que está na ativa desde o longínquo 1962, com uma história incrível e um caminhão de hits no currículo. E esta tem tudo para ser uma de suas últimas passagens por aqui. Logo, quem não viu ainda não quer perder por nada, e quem já viu, deseja dar uma última conferida.

Set list do show dos Rolling Stones em Santiago, Chile (3.2.2016):

1Start Me Up

2It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)

3Let’s Spend the Night Together

4Tumbling Dice

5 Out of Control

6She’s a Rainbow (by request, first since 16 Sept 1998)

7Wild Horses

8 Paint It Black

9Honky Tonk Women (followed by band introductions)

10You Got the Silver (Keith Richards on lead vocals)

11Happy (Keith Richards on lead vocals)

12Midnight Rambler

13Miss You

14 Gimme Shelter

15Jumpin’ Jack Flash

16Sympathy for the Devil

17Brown Sugar

BIS:

18You Can’t Always Get What You Want (with Estudio Coral de Santiago)

19(I Can’t Get No) Satisfaction .

Miss You (extended version)- The Rolling Stones:

Brown Sugar (live 2006)- The Rolling Stones:

Happy (live in Brasil 2006)- The Rolling Stones:

Lemmy no Brasil, seus filmes e mais sobre o lendário rocker

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Por Fabian Chacur

10 de março de 1989, uma sexta-feira. Foi nesse dia que ocorreu, em um hotel situado na avenida São João, em São Paulo, a primeira entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira pelo grupo inglês Motorhead. Seu líder, o cantor, compositor e baixista Lemmy Kilmister, infelizmente nos deixou nesta segunda-feira (28), apenas quatro dias após completar 70 anos de idade. Mais um gênio da música nascido em 1945 que se foi.

Na entrevista coletiva, estavam presentes os integrantes do grupo naquela época, que eram Lemmy, Philty Animal Taylor (o baterista, que também nos deixou em 2015, aos 61 anos, no dia 11 de novembro), Wurzel (guitarra, outro já falecido, em 2011, aos 61 anos) e Phillip “Wizzo” Campbell (guitarra, agora o único ainda vivo daquela line up da banda). Os músicos foram relativamente monossilábicos, mas simpáticos, e atenderam a todos, incluindo esse crítico, que possui seu exemplar de Rock ‘N Roll autografado pelos quatro.

O primeiro show do Motorhead ocorreu no dia seguinte, 11 de março de 1989, no Ginásio do Ibirapuera. Minha lembrança é de ter saído de lá completamente surdo, de tão alto que foi a performance de Lemmy e sua turma. O repertório (veja abaixo) trazia cinco faixas do então mais recente álbum da banda, Rock ‘N Roll (1987), mais três de Orgasmatron (1986), ambos lançados no Brasil pela gravadora independente Rock Brigade Records, duas de Overkill e o clássico máximo Ace Of Spades, que encerrou o show.

Vale lembrar que várias bandas brasileiras atuaram abrindo o espetáculo (entre elas, o Vodu do amigo e baixista André Pomba Cagni), o que causou em determinado momento um tumulto com direito ao público invadindo o palco e a polícia tendo de intervir. Felizmente, deu tudo certo. No segundo show, no entanto, realizado no dia 12 de março no mesmo local, após duas músicas (Doctor Rock e Stay Clean) o equipamento deu pau. Imaginem a confusão.

No fim das contas, o público que veria o Motorhead nesse segundo show teve a chance de fazê-lo no dia 20 de março, só que desta vez no Projeto SP, que ficava então na rua dr. Sérgio Meira, na Barra Funda. Antes, o então quarteto tocou em Porto Alegre (Gigantinho, dia 15 de março) e no Rio de Janeiro (Maracanãzinho- dia 18 de março). Desde então, o Motorhead veio ao Brasil várias vezes, incluindo o Rock in Rio de 2011.

Essa primeira passagem da banda por aqui foi tão marcante que gerou até mesmo uma música, a ótima Going To Brazil, lançada em 1991 no álbum 1916 e desde então uma das presenças mais constantes em seus shows pelo mundo afora. Segundo o site Setlist, especializado em repertórios de shows, essa música é a quinta mais tocada pela banda em seus shows. Foram 847 execuções, contra 1062 de Ace Of Spades, 990 de Overkill, 945 de Metropolis e 929 de Killed By Death.

Lemmy Kilmister nasceu na Inglaterra em 24 de dezembro de 1945. Ele tocou em bandas pouco conhecidas e foi, durante cerca de três meses, roadie de Jimi Hendrix. No início dos anos 1970, tornou-se baixista e eventual cantor da banda Hawkwind, na qual se destacou. Em 1975, após gravar com eles uma canção chamada Motorhead, foi demitido do time. O limão, no entanto acabou virando…caipirinha!

Com os músicos Larry Wallace (guitarra) e Lucas Fox (bateria), Lemmy montou o grupo batizado com o título de sua música gravada pelo Hawkwind. Gravou um disco com eles, que no entanto foi recusado pela gravadora United Artists e só lançado em 1979. O baixista e cantor não desanimou, e com Fast Eddie Clark (guitarra) e Philty Animal Taylor (bateria), montou uma nova versão de sua banda, que estreou em disco em 1977 com um disco homônimo.

Com sua mistura de rock básico a la anos 1950, heavy metal e até punk, o Motorhead foi crescendo em popularidade no Reino Unido a cada novo lançamento, e virou mania com Ace Of Spades (1980), que bateu no quarto lugar da parada de lá, e o impactante ao vivo No Sleep Til Hammersmith (1981), que chegou ao topo dos charts britânicos.

Após o lançamento de Iron Fist (1982), Fast Eddie Clarke saiu da banda, e o grupo teria algumas alterações de formação nos anos seguintes. Phillip Wizzo Campbell entrou em 1984 para não sair mais. Animal saiu entre 1984 e 1987, voltando para gravar Rock ‘N Roll (1987) e ficando até 1992, substituído por Mikkey Dee. O guitarrista Wurzel entrou no time em 1984 e ficou nele até 1995, sendo que com sua saída o Motorhead voltou a ser um power trio, como no começo.

Embora fizesse um som bem pesado e agressivo, Lemmy era um cara incrivelmente sociável, e não demonstrava preconceitos musicais. Ele gravou com artistas de outros grupos e estilos, como o grupo feminino Girlschool, o rapper Ice T, o amigão Ozzy Osbourne, o cantor Whitfield Crane (da banda Ugly Kid Joe), o baterista Slim Jim Phantom (dos Stray Cats) e Brian May, do Queen. Este último participou do mais recente álbum do Motorhead, Bad Magic.

Lemmy teve também seus momentos cinematográficos. Em 1986, fez o papel de Spider na hilária comédia de humor negro britânica Eat The Rich (no Brasil, Comendo os Ricos). O filme, que conta com participações relâmpago e especiais de famosos como Paul McCartney e Bill Wyman, traz seis músicas do Motorhead em sua trilha: Eat The Rich, Build For Speed, Nothing Up My Sleeve, Doctor Rock, Orgasmatron e On The Road (live), quatro delas do então recém-lançado álbum Orgasmastron.

Outra passagem pelo cinema ocorreu no filme Airheads, comédia meio sem graça na qual faz uma participação especial e cuja melhor coisa é mesmo a música Born To Raise Hell, uma inusitada parceria que reuniu o Motorhead, o rapper Ice T (cujo lado roqueiro aflorou na banda Body Count) e o cantor Whitfield Crane (da banda de hard rock Ugly Kid Joe).

Em 2010, foi lançado o documentário Lemmy: 49% Motherfucker, 51% Son of a Bitch, no qual os fãs tiveram a oportunidade de conhecer mais de perto esse grande rocker. Mesmo doente, Lemmy levou adiante a turnê comemorativa dos 40 anos de carreira da banda, e se não conseguiu se apresentar aqui em São Paulo em abril, foi até o fim no resto dos shows. O último ocorreu no dia 11 de dezembro em Berlim.

Set list do show do Motorhead no Brasil em 11 de março de 1989:

1.Doctor Rock

2. Stay Clean

3. Traitor

4. Metropolis

5. Dogs

6. I’m So Bad (Baby I Don’t Care)

7. Stone Deaf in the U.S.A.

8. Built for Speed

9. Just ‘Cos You Got the Power

10. Eat the Rich

11. Orgasmatron

12. Killed by Death

Encore:

13. Ace of Spades

Eat The Rich– Motorhead:

Orgasmatron– Motorhead:

Going To Brazil– Motorhead:

Ace Of Spades– Motorhead:

Please Don’t Touch– Motorhead & Girlschool:

Motorhead– Hawkwind (1975):

Motorhead (live)- Motorhead:

Sonic Highways: Foo Fighters celebram a música americana

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Por Fabian Chacur

Em novembro, os Foo Fighters lançaram seu oitavo álbum de estúdio, Sonic Highways. O CD traz como mote o fato de ter suas faixas gravadas em oito cidades americanas diferentes: Austin, Chicago, Los Angeles, Nashville, New Orleans, Nova York, Seattle e Washington. Mais: cada gravação gerou um documentário de aproximadamente uma hora, cuja exibição no Brasil está sendo feita pelo canal a cabo Bis. São atrações ótimas.

Dave Grohl, que criou o Foo Fighters em 1995 logo após o fim do Nirvana e comanda a banda desde então, não é um daqueles roqueiros que fez a fama e deitou na cama. Ambicioso, sempre busca novos horizontes, novas parcerias. Seu excelente documentário Sound City, por exemplo, relata a história daquele lendário estúdio de Los Angeles onde foram gravados álbuns clássicos do rock como Rumours (Fleetwood Mac) e Nevermind (Nirvana).

Além de contar a história do estúdio, Grohl (que comprou a lendária mesa de som daquele hoje extinto estúdio) ainda promoveu gravações suas ao lado de gente como Paul McCartney e Stevie Nicks, valendo-se daquele equipamento vintage. Além do DVD, aquelas gravações geraram um CD de áudio que é simplesmente excelente, com rock de primeira o tempo todo.

Agora, o ex-baterista do Nirvana foi além. Aproveitou a estada dos Foo Fighters e fez documentários registrando a importância e falando com grandes músicos de cada cena local. O resultado é excelente, dando a oportunidade aos seus fãs de conhecerem músicos como Allen Toussaint, Bonnie Raitt, Buddy Guy e inúmeros outros, além de flagrar as gravações feitas pelos FF em cada lugar.

As músicas novas são bacanas, mas o grande lance é mesmo essa apresentação detalhada de cada uma dessas importantes cenas musicais dos EUA. As entrevistas foram conduzidas pelo próprio Dave Grohl e são repletas de histórias deliciosas, além de gerar jam sessions bacanas. Cada episódio pode ser visto individualmente, e vale cada minuto.

A série é exibida por aqui na antevéspera da primeira turnê do grupo por aqui, eles que antes só haviam tocado no Brasil em grandes festivais. Os shows, que terão a abertura dos Kaiser Chiefs e dos grupos brasileiros Raimundos e Comunidade Nin-Jitsu (este apenas no Rio Grande do Sul), serão realizados em Porto Alegre (21/1), São Paulo (23/1), Rio de Janeiro (25/1) e Belo Horizonte (28/1). Informações adicionais em www.ticketsforfun.com.br.

Em São Paulo, o show será no estádio do Morumbi, com ingressos custando entre R$ 100 a R$ 640. A banda inclui, além de Grohl, os músicos Taylor Hawkins(bateria e vocais), Nate Mendel (baixo), Chris Shiflett (guitarra) e Pat Smear (guitarra). O repertório dos shows trará músicas do novo álbum e também hits desses seus 20 anos de estrada.

Ouça Sonic Highways em streaming:

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