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Novo Bridge Over Troubled Water é sublime

Por Fabian Chacur

Uma das razões pelas quais o formato CD deve se manter ainda por muitos e muitos anos fica por conta das reedições de álbuns clássicos. O que você prefere? Uma luxuosa versão física ou os frios MP3s sem embalagem, encarte ou coisa alguma? Já imagino qual será a sua resposta…

Mais um exemplo dessa boa forma de atrair o consumidor de música para o formato físico é a fantástica reedição de Bridge Over Troubled Water (1970), último trabalho de estúdio de Simon & Garfunkel.

Em formato digipack que abre em quatro como se fosse um álbum em vinil, temos dois CDs e um DVD, além de um encarte luxuoso repleto de informações sobre o conteúdo oferecido e ficha técnica, além de várias fotos.

O primeiro CD oferece a versão remasterizada do disco original, que inclui clássicos perenes como a faixa título, The Boxer, Song For The Asking, The Only Living Boy In New York, Cecilia e El Condor Pasa (If I Could), entre outras.

Live 1969, conteúdo do segundo CD, é o registro de um show feito pela dupla em 1969 no qual dá uma geral em seus hits até aquele momento e mostra algumas músicas do álbum que lançariam a seguir, entre elas Bridge Over Troubled Water e The Boxer. Ótima qualidade técnica de gravaçõe e excelente desempenho do duo.

O DVD é simplesmente espetacular, e traz dois documentários. Songs Of America foi exibido na TV americana em 1969 e desde então estava sumido de cena. Polêmico, flagra Simon & Garfunkel durante uma turnê, misturando performances ao vivo com declarações políticas que geraram bastante confusão naqueles conturbados anos 60.

The Harmony Game, o segundo documentário, é na verdade um completo making of do álbum Bridge Over Troubled Water, incluindo gravações feitas na época e entrevistas atuais com Paul Simon, Art Garfunkel, o produtor Roy Halee e músicos que participaram das gravações.

A reedição de Bridge Over Troubled Water ressalta ainda mais a importância desse álbum, no qual Paul Simon flerta de forma sublime com a música latina em faixas como Cecilia e El Condor Pasa (If I Could) e ajuda a lançar as sementes do que, muitos anos depois, seria rotulado como “world music”.

Além disso, refina seu folk rock de forma impecável em maravilhas como The Only Living Boy In New York e Song For The Asking, além de mergulhar com emoção na catártica faixa título, com fortes influências gospel e na qual Art Garfunkel tem provavelmente o mais impactante desempenho vocal de sua carreira.

No geral, um trabalho espetacular que agora recebe sua versão definitiva. Simplesmente imperdível para os fãs de rock melódico.

Ouça Bridge Over Troubled Water em streaming:

O histórico show de Simon & Garfunkel no Central Park completa 30 anos no dia 19/9

Por Fabian Chacur

Entre os grandes astros do rock revelados na década de 60, a dupla Simon & Garfunkel marcou por sua impressionante fusão de rock, folk, country, pop e poesias de beleza arrebatadora.

Souberam como poucos registrar em belas melodias e letras inspiradíssimas os sonhos, a insegurança e a realidade dos jovens daqueles anos 60, aliás, de uma forma que se mostrou atemporal, no decorrer dos anos.

Após sua separação, em 1970, os amigos de infância Paul Simon e Art Garfunkel partiram para carreiras solo, gravando uma ou outra música em dupla durante aquela década, com raríssimas aparições ao vivo na TV ou nos palcos.

Nem é preciso dizer que quando eles anunciaram que fariam um show gratuito no dia 19 de setembro de 1981 no belíssimo Central Park, em Nova York, a comoção foi enorme.

Não só pelo retorno de um ícone dos sixties, como também pelo fato de ajudar a cidade a se livrar um pouco da dor do assassinato de John Lennon, ocorrido ali, pertinho do Central Park, que o ex-beatle amava de paixão, naquele triste 8 de dezembro de 1980.

Pois o espetáculo superou todas as expectativas, com a presença de aproximadamente 500 mil pessoas, que, em paz, ouviram os “old friends”, então às vésperas de completar 40 anos.

O show foi registrado em áudio e vídeo, para exibição inicialmente na TV americana e, em 1982, lançamento em álbum duplo de vinil.

Esse disco se mostrou fundamental para a redescoberta das músicas da dupla por uma nova geração, e vendeu milhões de cópias em todo o mundo, atingindo o sexto posto na parada americana.

The Concert In Central Park, a versão fonográfica, inclui 19 músicas (o CD é simples), com direito (no formato vinil) a um livreto de tamanho grande com as letras, ficha técnica e fotos, cuja reprodução no CD é do tipo qualquer nota.

O o show saiu em vídeo na época, e em DVD em 2003.

O repertório se divide entre músicas gravadas pela dupla, hits da carreira solo de Simon, covers de clássicos do rock e uma da carreira individual de Garfunkel, a então recente A Heart In New York.

A performance de Simon & Garfunkel é nunca menos do que arrepiante, pois os dois esbanjam não só impecável desempenho técnico, mas também muita emoção, que seus olhos brilhantes e marejados com aquelas lágrimas marotas entregaram de mão beijada.

Para cativar aquele mar de gente, apenas uma iluminação simples, um bom equipamento de som e mais nada. Como assim, mais nada? “Apenas” um dos repertórios mais perfeitos de qualquer show em qualquer época. Uma bala atrás da outra.

Acompanhados por uma banda de onze músicos que incluía feras como o baterista Steve Gadd e o saudoso tecladista Richard Tee, Paul e Art também se deram ao luxo de, em alguns momentos, ficarem no palco sós, no melhor estilo voz e violão (tocado com maestria por Simon).

Tente se imaginar frente a 500 mil pessoas valendo-se apenas de duas vozes e um violão para cativá-los. Deu tremedeira? Pois eles tiraram de letra.

O DVD inclui três faixas a mais do que o CD. São elas uma segunda versão (interpretada no bis) da empolgante Late In The Evening, a delicada Bookends e a até então inédita The Great Late Johnny Ace, que Paul Simon lançaria posteriormente em seu álbum solo Hearts And Bones.

Com suas belas vozes e impressionante inspiração, Simon & Garfunkel nos proporcionaram releituras de maravilhas como Mrs. Robinson (que abre o show), America, Scarborough Fair, April Come She Will, Slip Slidin’ Away e The Boxer.

O banho de interpretação que Art Garfunkel dá na maravilhosa Bridge Over Troubled Water, acompanhado apenas pelo piano de Richard Tee, é um tapa na cara com luva de pelica de quem contesta sua importância na dupla. E que tapa!

The Concert In Central Park é certamente um dos mais belos e importantes registros de um show da história do rock, e certamente será ouvido/visto para todo o sempre por quem é fã de música capaz de arrancar muita emoção a cada nova audição.

America, na versão de The Concert In Central Park:

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