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Marcos Valle mostra Cinzento em show durante festa na Audio (SP)

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Por Fabian Chacur

Com mais de 50 anos de uma carreira repleta de grandes momentos, Marcos Valle não parece disposto a reduzir suas atividades. Pelo contrário. Ele acaba de lançar um novo álbum, Cinzento, que a Deck disponibilizou nas plataformas digitais e também em LP de vinil e CD. Como forma de mostrar esse novo trabalho, o genial cantor, compositor e músico carioca se apresenta nesta sexta (14) no evento MangoLab Deu Boogie, que será realizado a partir das 20h em São Paulo na Audio (avenida Francisco Matarazzo, nº 694- Barra Funda- fone 0xx11-3675-1991), com ingressos a R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira).

Com uma sonoridade swingada e criativa, o autor de Samba de Verão e tantos outros clássicos da nossa música mostra em Cinzento que sua chama está longe, mas muito longe mesmo de se apagar. Ele tocará músicas deste álbum, entre as quais Reciclo, Redescobrir e Pelo Sim Pelo Não, e também abrirá espaços para essas canções que todos sempre querem ouvir, como Estrelar, Os Grilos e Mustang Cor de Sangue, só para citar algumas.

O time que acompanhará Marcos Valle (vocal, Fender Rhodes e outros teclados) terá em sua escalação Jessé Sadoc (trompete, flugelhorn, teclados e percussão), Patrícia Alvi (vocais), Bernardo Bosisio (guitarra), Dudu Viana (teclados), Alberto Continentino (baixo) e Renato “Massa” Calmon (bateria).

MangoLab Deu Boogie é uma espécie de festa capitaneada pelo MangoLab, um verdadeiro laboratório cultural carioca. Além de Marcos Valle (que iniciou sua parceria com eles no Rio em outubro de 2019), também marcarão presença no evento MangoDJs, Cremosa Vinil, Fatnotronic, Gui Scott (da Gop Tun) e Giu Viscardi (da Heavy Love), dispostos a tornar a sua noite envolvente.

Ouça Cinzento, de Marcos Valle, em streaming:

Hyldon mostra grandes hits e belas canções recentes em SP

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Por Fabian Chacur

Abram alas, fãs de música boa de São Paulo, que Hyldon está chegando. Este grande cantor, compositor e músico estará na cidade nesta sexta (5) às 21h para dar uma geral em seus maiores sucessos e também mostrar momentos bacanas de seu excelente novo álbum, As Coisas Simples da Vida. O local é o teatro do Sesc Pompeia (rua Clélia, nº 93- Pompeia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos custando de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Aos 66 anos de idade, Hyldon integra a santíssima trindade da soul music à brasileira ao lado de Tim Maia e Cassiano, músicos dos quais ele era amigo e parceiro, por sinal. O artista baiano radicado no Rio estourou em 1975 com o incrível álbum Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, um clássico da música brasileira que traz como destaques três hits mortais: a faixa título, As Dores do Mundo e Na Sombra de Uma Árvore

Ao contrário de outros artistas desse setor, ele não ficou eternamente apegado ao passado, e se manteve produzindo bons trabalhos, que se não conseguiram o sucesso merecido certamente agradaram em cheio os ouvidos mais descolados. As Coisas Simples da Vida (leia a resenha de Mondo Pop aqui) é simplesmente maravilhoso.

Hyldon será acompanhado basicamente pela mesma banda que gravou com ele seu trabalho atualmente em fase de divulgação, composta pelos ótimos Guinho Tavares (guitarra, violão e vocal), Felipe Marques (bateria), Ramon Torres (baixo, o mais novo do time), Márcio Pombo (piano, órgão e sintetizadores), Diogo Gomes (flugelhorn e trompete) e Rodrigo Revelles (flauta e sax). Para não perder!

As Coisas Simples da Vida– Hyldon:

No Voo do Urubu é o Verocai mais inspirado do que nunca

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Por Fabian Chacur

Foram necessárias quase quatro décadas para que Arthur Verocai tivesse o devido reconhecimento no cenário musical brasileiro, após inúmeros serviços de alta qualidade prestados aos amantes da boa música. Mas, pelo visto, valeu esperar. Aos 72 anos, o genial cantor, compositor, músico e maestro carioca se mostra mais inspirado do que nunca, vide seu mais recente lançamento, o não menos do que espetacular CD No Voo do Urubu (Selo Sesc).

Sem medo de cair em exageros, defino a atuação de Arthur Verocai como uma mistura personalizada do trabalho de maestros e compositores do porte de Burt Bacharach e Tom Jobim. Ele tem o dom de transformar a canção popular em arte requintada, com direito a arranjos delicados e precisos, nos quais os instrumentos convivem de forma harmoniosa e dialogam entre si com fluência, sem cair naquele universo intrincado demais que só os músicos conseguem entender.

A música deste genial artista carioca consegue a façanha de ser incrivelmente elaborada e ao mesmo tempo deliciosa de se ouvir. Coloquem as faixas dele para o público médio conferir, e duvido que alguém se meta a dizer que é “música para músicos”. Arthur Verocai direciona todo o seu imenso talento em prol das canções, e isso se reflete no resultado final. E isso se mostra desde seu primeiro e cultuado disco solo, de 1972 (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

No Voo do Urubu equivale a uma espécie de concisa sinfonia pop. Abre com a espetacular faixa-título, que traz Seu Jorge nos vocais e forte influência de Tom Jobim. Outro momento bem jobiniano do álbum é Minha Terra Tem Palmeiras, interpretada por Lu Oliveira. Oh! Juliana é bossa pura, com uma interpretação deliciosa de Danilo Caymmi.

A faceta soul-jazz da obra de Mestre Verocai surge no álbum com generosidade. A Outra, cantada por Vinícius Cantuária, Cigana, comandada por Mano Brown, e O Tambor, com Criolo no microfone, mostram como o cara sabe lidar com o mundo do groove.

E vale um elogio extra: é impressionante o quanto Arthur Verocai evoluiu como cantor. Na faixa O Tempo e o Vento, na qual ele se incumbe da tarefa, o cara esbanja maturidade, afinação e ginga. Era o que faltava para considera-lo completo. Não falta mais.

Se as sete faixas com vocais já valeriam uma nota máxima ao álbum, as instrumentais Snake Eyes, Na Malandragem e Desabrochando, que encerram o CD, tornam essa avaliação inevitável. Diferentes entre si, ressaltam o DNA do trabalho de seu autor, que é quase cinematográfico, conduzindo o ouvinte rumo a caminhos envolventes e cativantes.

No Voo do Urubu equivale a um verdadeiro disco de produtor, no qual o chefe da história toda comanda um elenco escolhido a dedo e brilhante e o encaminha rumo ao nirvana sonoro. Demoramos a descobrir e a reverenciar a música de Arthur Verocai, mas isso felizmente ocorreu com ele ainda vivo e repleto de energia. Que muitos mais descubram a sua música envolvente, intensa, criativa e repleta de boas energias. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

No Voo do Urubu (completo, em streaming)- Arthur Verocai:

Sandra de Sá e seus amigos é a atração do Bar Brahma em SP

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Por Fabian Chacur

Sandra de Sá inicia nesta terça (1º) a partir das 22h em São Paulo uma temporada que totalizará cinco datas durante este mês no salão principal do clássico Bar Brahma (avenida São João, nº 677- Centro- fone 0xx11-2039-1250), com ingressos custando R$ 60,00 (pista) e R$ 170,00 (camarote com direito a consumação). A série de shows, intitulada O Baile da De Sá, terá convidados especialíssimos, sendo que para a performance de estreia estão escalados Claudio Zoli, Lady Zu e Walmir Borges.

O título do espetáculo entrega sua intenção. Trata-se de um verdadeiro baile repleto de hits da cantora e compositora carioca e também de outros artistas. A ideia é apostar em um repertório eclético, com direito a MPB, samba, soul, pop, pagode e funk. Tudo com um clima dançante e para cima, marcas registradas da artista carioca, que, coincidência ou não, completará 62 anos exatamente neste mês, no dia 27.

A ex-estudante de Psicologia da Universidade Gama Filho largou os estudos ao conseguir se classificar entre as 10 finalistas do festival global MPB 80 com Demônio Colorido. Em 1983, estourou nacionalmente com Vale Tudo, dueto com Tim Maia. Em 1986, lançou o álbum Sandra Sá, que emplacou os hits Retratos e Canções, Joga Fora, Solidão, Usa e Abusa e Não Vá e a consolidou de vez no cenário da música popular brasileira, com sua mistura de soul, pop, samba etc.

Já com o nome artístico alterado para Sandra de Sá, ela gravou um belo dueto com o cantor soul americano Billy Paul (Amanhã) e esbanjou versatilidade, apostando em vários projetos bacanas.

Entre os quais um álbum dedicado aos sucessos de Tim Maia (Eu Sempre Fui Sincero, Você Sabe Muito Bem, de 1998) e outro com versões para o português de hits da gravadora Motown (Pare, Olhe, Escute! Os Sucessos da Motown-2002, com participação de Smokey Robinson, um dos maiores astros revelados pelo selo fonográfico americano).

Datas dos shows (sempre às terças-outros convidados podem surgir):
1/8- Sandra de Sá convida Lady Zu e Cláudio Zoli e Walmir Borges;
8/8- Sandra de Sá convida Toni Garrido e Ivo Meirelles;
15/8- Sandra de Sá convida Simoninha e Serjão Loroza;
22/8- Sandra de Sá convida Tiago Abravanel e Péricles;
29/8- Sandra de Sá convida Elba Ramalho e Thiaguinho;

Joga Fora– Sandra de Sá:

O brilhante Arthur Verocai é a atração em show gratuito

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Por Fabian Chacur

O incrível compositor, arranjador e músico Arthur Verocai fará em São Paulo, neste domingo (4), às 14h, na Praça da Sé, um show gratuito. O espetáculo é parte integrante do Red Bull Music Academy Festival, que teve início nesta sexta (2) e irá até o dia 11, com diversas atividades bacanas (saiba mais aqui). Imperdível para os fãs de boa, melhor, ótima música. Leia entrevista de Mondo Pop com ele aqui.

Na ativa desde os anos 1960, Arthur Verocai trabalhou com alguns dos grandes nomes da música brasileira, entre eles Ivan Lins, Jorge Ben, Erasmo Carlos e inúmeros outros. Em 1972, lançou seu primeiro álbum solo, que na época não teve repercussão alguma, mas que a partir da década de 1980 foi aos poucos sendo redescoberto pelo público e se tornou um merecido clássico da nossa música, com sua fusão intensa de MPB, rock, soul, jazz e música erudita.

Verocai lançou em 2016 o álbum No Voo do Urubu, um trabalho incrível do qual participaram Mano Brown, Danilo Caymmi, Seu Jorge, Criolo, Vinícius Cantuária e Lu Oliveira. Mais uma bela reunião de grandes canções e temas instrumentais. Seu repertório será a base para o show, cuja expectativa por parte do artista é grande:

“Eu nunca toquei numa praça, de dia, ao ar livre, num evento como esse. Estou muito ansioso e espero que o público goste muito do que ouvirá. Vai ser emocionante, com certeza”.

No Voo do Urubu (em streaming)- Arthur Verocai:

Hyldon apresenta inspiração e boas canções em novo CD

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Por Fabian Chacur

Hyldon integra a santíssima trindade da soul music brasileira ao lado de Tim Maia e Cassiano, com quem, por sinal, trabalhou antes de assumir sua carreira-solo em tempo integral, lá pelos idos de 1975. Naquele ano, lançou o fantástico Na Rua Na Chuva Na Fazenda, um dos melhores álbuns de qualquer gênero musical já lançados por aqui. Mais de 40 anos depois, ei-lo esbanjando inspiração em seu 12º trabalho, o delicioso As Coisas Simples da Vida (Deck), comparável com aquela estreia incrível.

Nascido em 17 de abril de 1951 na Bahia e radicado no Rio desde os 7 anos de idade, Hyldon sabe como poucos compor aquele tipo de canção ao mesmo tempo swingada, intensa e envolvente, com letras bacanas falando de amor, natureza, família e outros temas com os quais todos podem se identificar. Com uma voz deliciosa e mais do que adequada ao estilo soul-funk-pop, ele sabe como fazer música acessível e com alto grau de sofisticação. Coisa de mestre.

Bastante ativo nos últimos anos e sem se mostrar disposto a descansar em cima dos preciosos louros do passado, Hyldon volta ao universo das canções inéditas após o elogiado Romances Urbanos (2013), no qual trouxe parcerias com Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Jorge Vercillo, Mano Brown e Dexter, entre outros. Neste, ele é o autor de todas as dez canções, sendo cinco sozinho e as outras cinco com parceiros como Alex Malheiros e Luiz Otávio.

A principal virtude de As Coisas Simples da Vida é a sua fluência e concisão. Não há aqui um único acorde, um único verso, uma única canção sobrando. Dá para se ouvir de ponta a ponta com o mesmo prazer. Além disso, não se mantém em um único andamento, indo do soul swingado ao mais romântico, com direito a bossa, funk de verdade e até rock. Os arranjos de metais são simplesmente impecáveis, e os vocais andam pela mesma estrada.

A faixa que dá nome ao álbum é tão boa como seus hits clássicos, aquelas maravilhosas As Dores do Mundo, Na Rua Na Chuva Na Fazenda (Casinha de Sapê) e Na Sombra de Uma Árvore. Tem uma levada soul swingada com cara de anos 70 e meio jazzística. Depois do Inverno traz a veia soul mais tradicional, enquanto Música Bonita, com direito a quatro vocalistas solo (Hyldon, Guinho Tavares, Arthur de Palla e Márcio Pombo), envolve com sua melodia, seu violão no centro e um refrão daqueles que nascem clássicos.

A ala mais agitada do repertório traz o funkão Um Trem Pra Bangu, a bossa-soul Sábado Passado, o funk a la Tim Maia Papai e Mamãe e o rock no melhor estilo Erasmo Carlos Todo Mundo é Dono da Rua. As baladas O Raio do Amor, Nosso Lar é Onde o Amor Morar e Não Molhe os Olhos completam o repertório de forma consistente e inspirada.

Em outros tempos, As Coisas Simples da Vida teria pelo menos umas três músicas estourando nas programações das rádios e venderia muito. Como isso não parece ser muito fácil de se concretizar atualmente, ao menos este álbum serve como prova de que Hyldon continua em plena forma aos 65 anos de idade, com a voz intacta e inspirado para nos oferecer novidades quentes. Ignore a indiferença da mídia e mergulhe neste trabalho de cabeça!

Obs.: o único ponto a ser lamentado neste CD é o fato de o encarte não trazer as ótimas letras das canções, o que ajudaria a tornar perfeita a ótima embalagem digipack e as fotos bacanas das gravações. O formato físico não pode prescindir desse tipo de informação, ainda mais se levarmos em conta a poesia e as belas mensagens das letras de Hyldon.

As Coisas Mais Simples da Vida– Hyldon:

Soul man Carlos Dafé faz uma apresentação gratuita em SP

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Por Fabian Chacur

Os fãs da soul music brasileira tem um belo programa neste fim de semana em São Paulo. Carlos Dafé, um dos grandes nomes dessa vertente musical da nossa música, canta neste sábado (13) às 20h no Sesc Campo Limpo (rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120- Campo Limpo- SP- fone 0xx11-5510-2700). Bela pedida, e de quebra com entrada gratuita. Imperdível.

Carlos Dafé está na estrada desde os anos 1970. Faz parte da elite, do primeiríssimo escalão do soul à brasileira, no mesmo patamar de feras como Hyldon, Cassiano, Claudio Zoli e Tim Maia. Ele, por sinal, integrou a banda do Síndico nos anos 1970, incluindo o histórico período “Tim Maia Racional”. Dafé, por sinal, participou dos históricos shows promovidos pelo coletivo Instituto na década passada nas quais o repertório dos dois LPs Tim Maia Racional era o mote.

A carreira solo do artista engrenou em 1977 com o estouro da sublime Pra Que Vou Recordar o Que Chorei, faixa do álbum Pra Que Vou Recordar. No ano seguinte, o álbum Venha Matar Saudades também emplacou bacana nas paradas. Com um vozeirão e ótimas composições, ele tem hits como os já citados e também Tudo Era Lindo e Passarela.

Atualmente, Carlos Dafé, que está com 67 anos de idade, divulga um novo trabalho, Bem-vindo Ao Baile, que traz participações especiais de Zeca Baleiro, Marcelo Yuka e do rapper Da Ghama. No show no Sesc Campo Limpo, aguardem músicas desse novo trabalho e também os hits que o tornaram conhecido nacionalmente. Para curtir e dançar.

Prá Que Vou Recordar o que Chorei– Carlos Dafé:

Pra Que Vou Recordar- CD (1977)- Carlos Dafé:

Venha Matar Saudades- CD (1978)- Carlos Dafé:

Caixa reúne clássicos do imortal Tim Maia

Por Fabian Chacur

De todos os músicos brasileiros em todas as eras, Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998) foi quem melhor conseguiu assimilar os parâmetros da soul/funk/black music americana.

Mais. Tim Maia conseguiu misturar essa sonoridade ao caudaloso manancial da música brasileira, gerando um produto único.

O legado desse eterno síndico da MPB sem fronteiras continua indispensável.

A gravadora Universal acaba de lançar uma caixa com 8 CDs e um DVD que compila uma parte importante desse potente e inesgotável acervo sonoro.

São oito álbuns de carreira, a saber: Tim Maia (1970), Tim Maia (1971), Tim Maia (1972), Tim Maia (1973), Tim Maia (1976), Tim Maia (1980), O Descobridor dos Sete Mares (1983) e Sufocante (1984).

Se ele não tinha criatividade para dar nome a seus álbuns, o mesmo não ocorria na hora de compor as canções e gravá-las nos mesmos.

Os discos lançados entre 1970 e 1973 foram seus quatro primeiros, nos quais não só solidificou rapidamente sua fusão de funk, soul e jazz com samba, forró, baião e o que mais pintasse, como se mostrou uma verdadeira usina de sucessos.

Inteligente, Dom Maia sempre soube se cercar de músicos e compositores com seu mesmo nível de exigência artística, nomes como Hyldon, Cassiano e Márcio Leonardo, entre outros.

Resultado: uma sequência de tirar o fôlego de clássicos do pop brasileiro, entre os quais Primavera (Vai Chuva), Azul da Cor do Mar, Cristina, Coroné Antonio Bento, A Festa de Santo Reis, Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar), Canário do Reino e Réu Confesso, só para citar alguns.

Após essa fase inicial iluminada, Tim entrou na seita Universo em Desencanto e lançou dois discos independentes fortemente ligados ao soul psicodélico, os antológicos Tim Maia Racional Volumes 1 e 2.

Livre dessa crença, Tim voltou à antiga Polygram em 1976 com um disco no qual mantinha fortes elementos da sonoridade dos álbuns “Racionais”, com direito às marcantes Rodésia e Dance Enquanto é Tempo.

Em 1980, após gravar discos de sucesso na Som Livre, Warner e EMI Odeon, Dom Maia retornou à Polygram para mais um trabalho impecável, no qual se destacam os hits Está Difícil de Esquecer e Você e Eu Eu e Você (Juntinhos).

Em 1983, Tim resolveu experimentar de novo a independência, assinando com o pequeno selo Lança, cujo acervo depois seria incorporado ao da Polygram/Universal.

Embora com uma pegada um pouco mais pop, o Síndico não perdeu a inspiração, gravando pelo menos dois momentos antológicos de sua carreira neste álbum, a sacolejante O Descobridor dos Sete Mares e a balada matadora Me Dê Motivo.

Sua ligação com a Lança acabou em 1984 com o lançamento de Sufocante, disco que, embora seja ótimo, é provavelmente o mais fraco desse pacote. Mas garanto que ele é melhor do que discografias inteiras de muitos artistas metidos a besta por aí… Destaco as faixas Bons Momentos e Quero Te Dar (Desejos) como os pontos altos.

Como belo complemento ao pacote de áudio, a caixa Universal inclui um DVD que havia sido lançado anteriormente pela Sony BMG em 2007.

Trata-se de Tim Maia In Concert, show gravado ao vivo em 1989 no Hotel Nacional do Rio no qual foi acompanhado por uma orquestra e sua banda Vitória Régia.

Com qualidade técnica ótima, o show foi exibido como especial pela Globo na época, e traz no repertório momentos marcantes do repertório do genial cantor, compositor e músico, como Vale Tudo, Do Leme Ao Pontal, Sossego, Coroné Antonio Bento e Me Dê Motivo.

Os CDs incluem encartes com letras e fichas técnicas. Também faz parte do pacote um livreto com 16 páginas trazendo fotos e informações sobre a carreira de Dom Maia e dos discos.

Universal, a caixa, é um verdadeiro tesouro que vale cada centavo que você pagar nela. E o mais incrível é pensar que, mesmo contendo oito CDs e tantas músicas boas, inclui apenas uma parte da história. O cara era, com o perdão da palavra chula, foda mesmo!

Veja Você no especial da Globo, com Dom Maia arrasando:

Robson Jorge e Lincoln Olivetti – Robson Jorge e Lincoln Olivetti (1982- Som Livre)

Por Fabian Chacur

Uma das mais ricas e swingadas vertentes da nossa música é a soul/funk music com tempero brazuca.

Tendo como criador e principal nome o saudoso Tim Maia, o estilo possui seguidores da mais pura estirpe, entre os quais Cassiano, Hyldon, Tony Tornado, Cláudio Zoli e a banda Black Rio, só para citar alguns.

Nesse universo rico onde samba, soul, funk, bossa nova, jazz, rock e o que mais pintar geraram uma mistura das mais consistentes, não podemos esquecer a dupla Robson Jorge & Lincoln Olivetti.

Ambos nasceram em 1954 e aprenderam o beabá da profissão durante os anos 70.

Na década seguinte, participaram de gravações de muito sucesso de Tim Maia, Gal Costa, Sandra de Sá e inúmeros outros, dando um tom mais black e pop à música comercial da época.

Robson tocava guitarra com swing e jogo de cintura, enquanto Lincoln se incumbia dos teclados, abusando dos timbres diversificados e de muito bom gosto e balanço.

Os dois souberam como poucos trazer para a nossa praia musical lições de artistas e grupos como George Benson, Earth Wind & Fire, Brothers Johnson e Kool & The Gang.

Sua maior contribuição ao Soul Brasil foi o álbum Robson Jorge e Lincoln Olivetti, lançado em 1982 pela Som Livre e relançado em CD pelo mesmo selo e, mais recentemente, pela Trama (2006).

O disco é totalmente instrumental, com a utilização dos vocais apenas em vocalizações e um ou outro refrão.

O repertório investe essencialmente em composições dos dois músicos.

No entanto, a faixa mais conhecida é de Rita Lee.

Trata-se de Baila Comigo, gravada em pot-pourri com uma faixa deles, Festa Braba, e utilizada na abertura da novela global Baila Comigo.

Eva também entrou na trilha de um filme na época, enquanto Squash chegou a tocar em algumas rádios mais abertas a trabalhos de qualidade.

O álbum é swing de ponta a ponta, com direito a timbres deliciosos de guitarra, teclados, baixos e metais, vocais aliciantes e percussão comendo solta.

Curioso pensar que, na época, muitos críticos considevaram a dupla os reis da pasteurização com seus arranjos modernos e inovadores.

Lógico que eles repetiram por diversas vezes a fórmula, especialmente quando contratados por gravadoras inescrupulosas que só queriam saber de ganhar dinheiro.

Mas quando eles davam as cartas, a coisa era fina. Finíssima.

Robson Jorge e Lincoln Olivetti tem outros destaques, como a certeira Aleluia, a latina Raton, a deliciosa (a la George Benson) Pret-a Porter e a deliciosa Ginga.

Um clássico marcante do Soul Brasil e indispensável na discoteca de quem admira o gênero.

Aliás, o relançamento da Trama pode ainda ser encontrado em São Paulo a preço de banana, tipo R$ 12. Uma pechincha!

Infelizmente, Robson Jorge nos deixou em 1993, mas Lincoln Olivetti continua por aí, firme e forte.

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