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Standards marcam o show do David Kerr & Canastra Trio

Por Fabian Chacur

David Kerr & Canastra Trio serão a atração desta quinta-feira (5) às 22h do restaurante e bar Central das Artes (rua Apinajés, 1.081-Sumaré- fone 0xx11-3670-4040), com couvert artístico a R$ 20,00. O repertório sofisticado e delicado certamente fará a alegria de quem curte jazz e especialmente os grandes standards da música americana da primeira metade do século XX. Belo material.

David Kerr (voz e trompete), Rodrigo Braga (piano), Gustavo Sato (baixo) e Edu Nali (bateria) mergulham de cabeça nos grandes clássicos do jazz americano formato canção, selecionando a dedo composições de mitos como George Gershwin, Duke Ellington e Cole Porter, só para citar alguns. Não por coincidência, várias delas integraram o repertório de Frank Sinatra, o grande mestre dessa praia e um dos responsáveis por eternizar tais canções.

Músicas como Cheek To Cheek marcam uma era na música americana (dos anos 1920 aos 1940, mais ou menos) na qual as músicas mais populares eram ao mesmo tempo acessíveis ao ouvido do público comum da época e extremamente sofisticada. Falavam de amores encontrados e perdidos, de solidão, de esperanças, de alegria, da vida. E ficaram definitivamente no imaginário de quem ama música de altíssima qualidade.

Ouça Cheek To Cheek (ao vivo), com David Kerr & Canastra Trio:

Paul McCartney esbanja classe em Live Kisses

Por Fabian Chacur

Em 2012, Paul McCartney lançou um álbum dedicado a standards da música americana que ouvia quando era moleque, o mediano Kisses On The Bottom (leia a resenha aqui). Um trabalho correto, mas bastante abaixo do que se poderia esperar de um álbum do eterno Macca.

Como forma de apresentar esse novo CD a uma seleta plateia, o ex-beatle fez um show no lendário Studio A da Capitol, em Los Angeles, California no dia 9 de fevereiro de 2012, acompanhado basicamente dos mesmos músicos que gravaram o álbum com ele e tocando também basicamente o mesmo repertório daquele disco.

O resultado, registrado no DVD (também disponível em Blu-ray) Live Kisses, acaba de sair no Brasil via ST2, e felizmente supera o disco lançado anteriormente. Nele, McCartney se mostra mais à vontade com as canções, provavelmente pelo fato de ter gravado tudo ao vivo e com presença de público, e o resultado é bem mais agradável.

Gravado em preto e branco, o show traz a banda liderada pela pianista e estrela Diana Krall. Do time do CD, Eric Clapton ficou de fora, sendo substituído nas músicas de que participava (My Valentine e Get Yourself Another Fool) por Joe Walsh, dos Eagles. McCartney não toca nenhum instrumento e se dedica exclusivamente aos vocais, algo inédito em sua carreira.

Temos no repertório do DVD 13 músicas, sendo 12 do CD (que tem 14 no total) e um outro standard que ficou de fora do álbum, My One And Only Love. Inch Worm só é tocada nos créditos, enquanto Only Our Hearts, inédita que conta com a participação especial de Stevie Wonder no disco, não entrou no show. Wonder e Clapton, por sinal, dão depoimentos incluídos no vídeo. No mínimo, a agenda deles não coincidiu com a do amigo…

O show é delicioso e flui de forma encantadora e simples, com Paul explorando o lado mais suave de sua belíssima voz, evidenciada na bem sacada introdução vocal/baixo acústico (tocado por John Clayton) em Glory Of Love. Bem-humorado, ele reinicia três vezes My Very Good Friend The Milkman até acertar o tom certo do assovio.

Durante o show, são incluídos comentários sobre as músicas feitos por McCartney, o produtor Tommy LiPuma e outros participantes do show/álbum. A tela é dividida em duas em algumas músicas, possibilitando ao espectador observar a cumplicidade entre o autor de Yesterday e os músicos, que aparentam estar em êxtase por tocar com o mestre.

Da banda de apoio que acompanha Paul nos últimos dez anos, só o baterista Abraham Laboriel Jr. aparece, participando com categoria nos vocais de apoio (backing vocals) em I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself a Letter, The Glory Of Love e Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive.

Nos extras, foram incluídas as seis versões existentes do clipe da maravilhosa inédita My Valentine, com as participações dos atores Johnny Depp e Natalie Portman, além de entrevistas com Paul McCartney e Tommy LiPuma. A versão em DVD é na forma de livro, com direito a um maravilhoso encarte com informações técnicas e uma entrevista com Paul feita por Elvis Costello, seu parceiro e também feliz marido de Diana Krall.

Veja My Valentine, com Paul McCartney (do DVD Live Kisses):

Paul McCartney lança CD de standards morno

Por Fabian Chacur

Desde os tempos dos Beatles, sempre ficou clara a influência dos standards da música americana na formação de Paul McCartney enquanto compositor. Músicas como Honey Pie, Here, There and Everywhere e Maxwell Silver Hammer eram provas concretas disso.

Esse lado jazzy de sua musicalidade continuou aparecendo nas décadas posteriores, como mostram canções como You Gave Me The Answer e Baby’s Request. Desta vez, no entanto, o genial cantor, compositor e músico britânico resolveu dedicar um álbum inteiro ao estilo.

Kisses On The Bottom, mais recente álbum de Paul McCartney, traz 14 faixas, sendo duas composições inéditas de sua autoria e 12 resgatadas de sua memória afetiva, assinadas por autores como Irving Berlin, Harold Arlen, Johnny Mercer e Frank Loesser.

Umas são mais conhecidas do grande público, como The Glory Of Love e Bye Bye Blackbird, enquanto outras se encaixam no perfil “lado B”, como The Inch Worm e It’s Only a Paper Moon.

Pela primeira vez na carreira, McCartney não toca nenhum instrumento musical em um de seus trabalhos, dedicando-se apenas aos vocais. A acompanhá-lo, a banda de Diana Krall (liderada pela própria ao piano) e convidados como John e Buck Pizzarelli, Eric Clapton e Stevie Wonder.


O resultado é um álbum basicamente morno, no qual os arranjos instrumentais são conservadores e nada acrescentam de novo às músicas, enquanto a voz de Paul soa por demais monótona para o gênero. Dá para curtir em uma ou duas músicas, mas não em um álbum inteiro.

Seu colega Rod Stewart se saiu muito melhor nessa praia, e fica difícil imaginar um segundo volume deste Kisses On The Bottom, ao contrário da série de álbuns que Rod The Mod dedicou aos standards na década passada, e que de certa forma salvou sua carreira em termos comerciais.

No caso de Paul, esta incursão pode ser avaliada como válida, mas também como um caminho a não ser mais seguido. Não por coincidência, o melhor momento do CD é a inédita My Valentine, com belíssimo clima soturno e excelente desempenho de Eric Clapton na guitarra/violão.

De resto, é aquele típico álbum que você ouve umas dez vezes, não consegue gostar e guarda em sua coleção, para de lá nunca mais sair. Não por ser ruim, mas por ser decepcionantemente mediano, algo não muito comum na excelente discografia de Paul McCartney.

Ouça My Valentine, com Paul McCartney:

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