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Peter Tork, dos Monkees, o gente boa que tocava baixo, banjo etc

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Por Fabian Chacur

Em 1966, Stephen Stills era um músico folk buscando um rumo para a sua carreira. No sufoco em termos financeiros, encarou uma audição para o papel de integrante de um grupo fictício de rock para uma série de TV. A produção gostou dele, mas cismou com seus dentes, e o vetou. De forma quase cruel, perguntaram a Stills se ele não conhecia alguém com suas mesmas características físicas, mas com dentes melhores. Generoso, o futuro integrante do Buffalo Springfield e Crosby, Stills. Nash & Young lembrou-se imediatamente de um amigo que fez no circuito folk de bares. Um certo Peter Tork, que infelizmente nos deixou nesta quinta-feira (21) aos 77 anos, possivelmente vitimado por um raro tipo de câncer.

Tork no início pensou em ignorar a indicação de Stills, mas como também não estava exatamente nadando em dinheiro, resolveu tentar a sorte. Bingo! Foi aprovado, ao lado de Michael Nesmith, Micky Dolenz e Davy Jones, para ser um dos Monkees. O seriado estreou no final de 1966 e logo se transformou em um fenômeno de audiência. De quebra, as músicas cantadas por eles na atração geraram discos que venderam milhões de cópias e invadiram as paradas de sucesso do planeta. Só que o responsável pela produção musical, Don Kirshner, não queria saber de contribuições dos quatro que não fossem os vocais.

Foi exatamente Peter Tork, que começou a tocar piano aos 9 anos e logo investiu em vários outros instrumentos, a quebrar a regra, tocando na faixa Papa Gene’s Blues (de autoria de Mike Nesmith), do 1º LP. Com a saída de Kirshner (considerado no meio musical “o homem dos ouvidos de ouro”), após o lançamento do segundo álbum do grupo, os rapazes passaram a compor e tocar, também. E nesse quesito o nosso herói se mostrou fera, incumbindo-se de baixo, banjo, violão, guitarra, teclados, harpsichord e o que mais pintasse em suas mãos.

Na banda, Tork encarnava o papel do boa praça desencanado. Detonados pela crítica musical, que os rotulava de forma venenosa como os “Prefab Four”, eles no entanto tinham como fãs até os próprios Beatles, cuja fase 1964-1965, especialmente da era Help!, eram sua óbvia inspiração visual e musical.

Eles até trocaram figurinhas com os colegas em Londres, e Peter tocou banjo para a trilha do filme Wonderwall, lançado em 1968 e escrita e gravada por George Harrison. Sua contribuição musical aparece na tela, mas não no álbum, lançado pela Apple Records naquele mesmo ano.

No final de 1968, cansado pelo grande volume de trabalho e pela pressão gerada pelo sucesso, Tork resolveu sair dos Monkees, mesmo sendo obrigado a pagar uma multa pela quebra do seu contrato. A partir daí, teria início uma fase bem difícil e obscura em sua carreira. Ele tentava montar um novo grupo, mas a coisa não fluía. Em 1972, veio o fundo do poço, com uma prisão por posse de maconha que o manteve atrás das grades em torno de três meses.

Para dar a volta por cima, trabalhou como professor de várias matérias, como música, francês, estudos sociais e até basquete, e participou de shows dos ex-colegas de grupo. Em 1980, chegou a iniciar um projeto solo com o apoio da gravadora Sire Records (que lançou Ramones, Talking Heads e outros), mas não deu certo. Seu melhor momento nessa fase foi participar do programa do então iniciante David Letterman, no qual o velho charme se mostrou firme e forte.

Graças à reexibição da série The Monkees na MTV americana, o grupo voltou a ser badalado, o que gerou um retorno do qual participaram Tork, Micky Dolenz e Davy Jones. Além de shows, o projeto gerou a gravação de três músicas inéditas para serem incluídas na coletânea Then & Now…The Best Of The Monkees (1986) e um álbum de inéditas, Pool It! (1987). A partir daí, Peter Tork voltou a ser um músico em tempo integral.

Com os Monkees, lançaria os álbuns Justus (1996, o primeiro a reunir os quatro desde 1968, e também o primeiro com eles tocando todos os instrumentos musicais), Good Times! (2016, que os trouxe de volta ao Top 20 americano após décadas, saiba mais aqui) e o natalino Christmas Party (2018, saiba mais aqui).

Paralelamente ao trabalho com os Monkees (que abandonou novamente entre 2001 e 2011), Tork lançou em 1994 seu primeiro e único álbum solo, o elogiado Stranger Things Have Happened. A seguir, ele montou uma dupla com um músico folk que participou desse CD, o cantor, compositor e ator James Lee Stanley (que atuou na série de TV Star Trek: Deep Space Nine). Juntos, fizeram shows e gravaram os CDs Two Man Band (1996), Once Again (2001) e Live Backstage At The Coffee Gallery (2006).

No mesmo período, integrou a Shoe Suede Blues, banda blueseira que gravou os álbuns Saved By The Blues (2003), Cambria Hotel (2007), Step By Step (2013) e Relax Your Mind (2018). Ele trabalhou bastante, mesmo lutando a partir de 2009 contra um câncer que em determinado momento ele pensou ter superado. Peter Tork é o segundo membro dos Monkees a nos deixar, tendo sido o britânico Davy Jones o primeiro, em 2012.

Obs.: informação do meu mestre Ayrton Mugnaini Jr. aponta que Peter Tork foi o único integrante dos Monkees a se apresentar em show no Brasil, o que ocorreu em fevereiro de 2003 no Bourbon Street e no Venâncio’s Bar, ambos em São Paulo (SP). Ele infelizmente não teve como ir. E eu só soube agora…

Veja Peter Tork e James Lee Stanley ao vivo em um programa de TV em 2006:

Roger Daltrey lança seu novo single e um álbum solo vem aí

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Por Fabian Chacur

Em setembro de 2017, o Brasil enfim recebeu a visita do The Who, e não houve quem não ficasse encantando com as performances de seus líderes. Um deles, o vocalista Roger Daltrey, acaba de lançar um novo single, a incrível How Long, música de Stephen Stills que é a segunda amostra do álbum solo que vem aí, intitulado As Long As I Have You e previsto para sair via Universal Music no dia primeiro de junho. Adivinhe quem participa dele?

Quem apostou Pete Townshend acertou em cheio. O guitarrista da mitológica banda britânica marca presença em diversas faixas (sete, ao menos). E tem também outro músico um pouco menos conhecido, mas também badalado e importante. Trata-se do tecladista Mick Talbot, que nos anos 1980 integrou ao lado do cantor e guitarrista Paul Weller o bem-sucedido duo Style Council, que emplacou inúmeros hits e cativou os fãs de soul, jazz e pop durante aquela década.

A faixa-título do álbum, As Long As I Have You (ouça aqui), foi gravada originalmente por Garnet Mimms em 1964, mesmo período em que os High Numbers iniciavam sua carreira, preparando-se para mudar de nome para The Who e em seguida ganhar o público rock de todo o mundo. Este álbum será o primeiro trabalho solo de Roger Daltrey desde Rock In The Heads, de 1992.

O trabalho, que será disponibilizado em CD (no Brasil), vinil e digital trará releituras como as duas faixas já citadas e também You Havent’ Done Nothing (Stevie Wonder) e Into My Arms (Nick Cave), além de algumas faixas inéditas escritas pelo próprio cantor, como Certified Rose e Always Heading Home. Será o nono álbum solo do roqueiro, que completou 74 anos no último dia 1º de março com vozeirão intacto.

How Far– Roger Daltrey:

Stephen Stills, Captain Many Hands, completa 70 anos

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Por Fabian Chacur

Nada melhor para começar a movimentação de 2015 em Mondo Pop do que comemorar os 70 anos de idade de um dos grandes nomes da história do rock. Neste sábado (3), Stephen Stills vira setentão, ele que possui um daqueles currículos mais do que invejáveis. Felizmente, continua na ativa e fazendo coisas legais para seus inúmeros fãs mundo afora.

Stills é completo. Canta muito bem, sabe encaixar feito luva sua voz em vocalizações com feras como David Crosby, Graham Nash e Neil Young, toca violão e guitarra como poucos e é compositor de clássicos do rock do naipe de Suite: Judy Blue Eyes, Love The One You’re With, Carry On, Helplessy Hoping e Rock & Roll Woman, só para citar alguns. Cara iluminado mesmo.

Suas influências musicais são o rock, folk, country e mesmo música latina, esta última fruto dos anos que morou na América Latina na infância/adolescência. Após várias experiências, fez sucesso pela primeira vez ao integrar a banda Buffalo Springfield ao lado de Neil Young. É dele o maior sucesso do grupo, For What It’s Worth. Gravaram só três álbuns, todos recomendáveis.

Com a separação prematura do Buffalo em 1968, Stills inicialmente se preparou para uma carreira solo, além de gravar o álbum Super Session ao lado de Mike Bloonfield e Al Kooper naquele mesmo ano. Mas um encontro com David Crosby (ex-Byrds) e Graham Nash (ex-The Hollies) levou sua vida em direção a um novo rumo: o trio Crosby, Stills & Nash.

Lançado em 1969, o autointitulado álbum de estreia do CSN pode ser colocado entre os melhores trabalhos da história do rock, impulsionando o trio rumo ao estrelato, especialmente após sua brilhante atuação no festival de Woodstock. Neil Young acabou entrando no time, criando uma segunda possibilidade, o CSN&Y, que em 1970 lançou seu álbum Dèja Vu, outra obra-prima.

Naquele mesmo 1970, Stills lançou também seu primeiro álbum solo, Stephen Stills, com direito a participações especiais de Jimi Hendrix e Eric Clapton e um repertório impecável. Como o CSN e o CSN&Y trabalhavam com o conceito de liberdade para que seus integrantes fizessem trabalhos paralelos, o músico manteve a carreira solo ativa.

Mais: lançou dois discos com um novo grupo, o Manassas, no qual o outro destaque era mais um ex-integrante dos Byrds, o baixista, cantor e compositor Chris Hilman. Também fez em 1976 o ótimo Long May You Run, LP gravado em dupla com Neil Young. O CSN e o CSN&Y volta e meia voltam à tona, com ele sempre aparecendo com o devido destaque.

Sua versatilidade como músico lhe valeu, durante a gravação do primeiro álbum do CSN, o apelido de Captain Many Hands, pois o cara tocava guitarra, violão, teclados, percussão e o que mais pintasse na sua frente. Ele também participou de diversos trabalhos alheios, sendo o mais surpreendente tocando percussão em You Should Be Dancing, dos Bee Gees, em 1976.

Nos últimos anos, além de fazer turnês com o CSN (a de 2012 os trouxe ao Brasil pela primeira vez), também lançou um CD em 2013 com o projeto The Rides, ao lado dos badalados e jovens enny Wayne Sheperd e Barry Goldberg. Também lançou em 2009 o CD e DVD gravados ao vivo Live At Shepherd’s Bush, no qual relê de forma acústica e elétrica hits de toda a carreira.

Em 2013, chegou às lojas Carry On, caixa com quatro CDs contendo material oriundo de todas as fases da carreira de Stephen Stills, incluindo material inédito e raro, além de um livreto repleto de fotos bacanas, textos informativos e muitas fotos. Um verdadeiro tesouro para quem é fã desse craque do rock, e bela forma de descobrir a importância de seu trabalho.

Valeu pelo toque, Cláudio Foá, este post é dedicado a você!

Black Queen – Stephen Stills:

Stephen Stills (1970)- ouça o álbum em streaming:

Manassas -ouça o álbum em streaming:

The Rides é novo supergrupo de Stephen Stills

Por Fabian Chacur

Stephen Stills criou um dos primeiros supergrupos da história do rock, o Crosby, Stills & Nash, ao lado de Graham Nash e David Crosby, em 1968. Novamente se envolvendo no conceito de montar uma banda com integrantes previamente famosos, ele agora nos oferece The Rides, trio no qual tem como parceiros o jovem blueseiro Kenny Wayne Shepherd e um velho amigo, Barry Goldberg.

Shepherd tem 36 anos e ficou conhecido na segunda metade dos anos 90 graças a bons álbuns e shows nos quais mostrou talento como cantor e guitarrista de blues e rock. Por sua vez, Barry Goldberg foi tecladista da banda Electric Flag, surgida em 1967 e na qual atuou ao lado de lendas como Mike Bloonfield (guitarra), Buddy Miles (bateria) e Nick Gravenites (vocal).

Stills e Goldberg participaram juntos do mitológico álbum Super Session (1968). Aliás, segundo matéria publicada no site americano da revista Billboard, a reunião deles com Shepherd surgiu de sugestão do executivo do meio musical Bill Bentley de que o jovem músico deveria tentar fazer um trabalho na linha de Super Session, calcado na improvisação.

Can’t Get Enough, primeiro álbum do trio, sairá no dia 27 de agosto nos EUA, um lançamento da 429 Records. A produção ficou por conta de Jerry Harrison (ex-Talking Heads), e o repertório mescla composições próprias (entre as quais Word Game, composta por Stills nos anos 70) e covers como Search And Destroy (Iggy & The Stooges) e Rockin’ In The Free World (Neil Young), além de composições de Elmore James e Muddy Waters.

O álbum será divulgado com uma turnê pelos EUA que terá início no dia 28 de agosto em Nova York. Stills continua com o Crosby, Stills & Nash, com quem tocou no Brasil em maio de 2012, fez recente turnê pela Europa e planeja gravar um esperado álbum inédito, ainda sem previsão de ser concretizado, e também lançará uma autobiografia. Haja fôlego!

Enquanto isso, Kenny Wayne Shepherd reservou para o primeiro semestre de 2014 um novo trabalho em sua carreira solo composto por covers de clássicos obscuros do blues, do qual participaram astros do alto gabarito de Ringo Starr, Robert Randolph e Joe Walsh.

E o The Rides não parece um projeto efêmero, pelo visto. Na entrevista para a Billboard, Shepherd e Stills garantiram que já estão preparando material para o próximo álbum, que começaria a ser gravado em dezembro deste ano. A ideia é que esse segundo disco seja composto apenas por composições inéditas escritas pelos três músicos.

Eis as músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Roadhouse
That’s a Pretty Good Love
Don’t Want Lies
Search And Destroy
Can’t Get Enough Of Loving You
Honey Bee
Rockin’ In The Free World
Talk To Me Baby
Only Teardrops Fall
Word Game

Veja vídeo com entrevistas dos integrantes do The Rides:

Ouça trechos das músicas de Can’t Get Enough, do The Rides:

Como turnê do Buffalo Springfield virou CSN

Por Fabian Chacur

Em entrevista concedida ao site americano da Rolling Stone, Stephen Stills revelou que o Buffalo Springfield deveria ter feito uma turnê com ao menos 30 shows durante 2012. No entanto, o reencontro de um dos grupos mais bacanas dos anos 60 acabou durando um total de apenas sete apresentações, realizadas entre 2010 e 2011,incluindo uma elogiada no badalado festival de Bonnarooo, nos EUA.

Após o show realizado em outubro de 2010 no evento beneficente Bridge School (promovido por Young) que deu início ao reencontro de Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay, os remanescentes da banda que existiu originalmente entre 1966 e 1968 e lançou três álbuns deveriam ter dado continuidade a um projeto mais longo, segundo Stills.

“Não criaria uma infraestrutura tão grande para apenas sete shows, nossa equipe incluía mais de 100 pessoas, e quando Neil resolveu desistir do projeto, no meio de 2011, fiquei completamente na mão”, disse Stills, falando pela primeira vez à imprensa sobre o tema, que seu ex-colega já havia abordado em entrevistas em 2011.

Conhecido por sua capacidade de largar um trabalho e iniciar outro praticamente do nada, Neil Young se mandou do projeto de retorno do Buffalo Springfield e se uniu novamente aos velhos companheiros do Crazy Horse, após nove anos distantes, lançando dois álbuns durante este ano- Americana e Psychedelic Pill.

A sorte de Stills é a de ter dois amigos mais do que fiéis, David Crosby e Graham Nash. Eles iriam iniciar uma turnê como Crosby & Nash e já estavam até agendando datas quando souberam do rolo entre os dois amigos.

Nash disse que, em pouco tempo, o que seria um duo virou de novo trio. Surgia do nada uma nova turnê de Crosby, Stills & Nash, que para alegria dos brasileiros passou por aqui em maio.

Apesar dos pesares, Stephen Stills não demonstrou mágoa em relação ao imprevisível Young. Na entrevista, ele demonstrou serenidade e calma. “Ele falou bem de mim no livro que lançou recentemente. Foi muito gentil. Trabalhar com ele é um privilégio, não um direito”.

No entanto, o autor de For What It’s Worth e tantos outros clássicos do rock deu uma resposta bem diferente da de Young sobre um possível retorno do Springfield. Enquanto o roqueiro canadense disse que os shows feitos em 2010/2011 foram a semente para algo que poderá frutificar de novo no futuro, o astro americano não teve dúvidas.

“Para o propósito dessa entrevista, só posso dar uma resposta referente à possibilidade de um retorno do Buffalo Springield: não!”

Rock And Roll Woman/Child Claim To Fame, com o Buffalo Springield em 2010:

Crosby,Stills & Nash tocam 1º CD na íntegra

Por Fabian Chacur

Em maio, o brasileiro teve a honra de ver e ouvir ao vivo, pela primeira vez, uma das mais talentosas e importantes bandas da história do rock, o Crosby, Stills & Nash. Os shows foram maravilhosos. O trio, no entanto, reservou uma belíssima surpresa aos fãs de Nova York que certamente deixou todos os outros morrendo de inveja.

Além de dar aquela belíssima viagem pelo passado, presente e até futuro do trio (músicas inéditas fizeram parte do set list dos shows) que vimos por aqui, CSN tocaram no último de uma série de cinco shows no mítico Beacon Theatre nova-iorquino, no último domingo (21), nada menos do que o repertório de seu álbum de estreia, Crosby, Stills & Nash. Na íntegra.

Lançado em 1969 e considerado um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos, além de ser também um dos marcos da discografia do rock and roll, esse álbum inclui maravilhas do naipe de Suite: Judy Blue Eyes, Guinnevere, You Don’t Have To Cry, Helplessy Hoping, Wooden Ships e Long Time Gone, só para citar algumas.

Foi a primeira vez que David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash realizaram essa difícil tarefa em toda a sua consagradora carreira, e o presente acabou sendo dado ao público presente naquele que foi o último show da atual turnê mundial do trio, que contou com um total de 80 apresentações espalhadas por diversos países.

Segundo matéria publicada no site americano da revista Billboard, Nash não escondeu o orgulho de o grupo ter concretizado essa missão, até ressaltando o fato de aquilo ter sido inédito. Crosby também ressaltou isso, quando o grupo iniciava 49 Bye-bye’s, última faixa daquele fantástico álbum, um dos meus favoritos de todos os tempos. Nova York sortuda!

Suite: Judy Blue Eyes, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em 2012:

Guinevere, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em Belo Horizonte, 2012:

Deja Vu, com Crosby, Stills & Nash, ao vivo em São Paulo, 2012:

Mais sobre Crosby, Stills & Nash em SP

Por Fabian Chacur

O show de Crosby, Stills & Nash realizado em São Paulo na noite desta quinta-feira (10) marcou tanto as pessoas que o viram que achei interessante acrescentar coisas e fatos ao que escrevi na minha resenha.

Farei de forma desorganizada e sem me prender a uma ordem específica. Trata-se apenas de uma desculpa para escrever mais sobre um show que realmente marcou a sensibilidade de muita gente boa.

De cara, vamos a uma análise mais pormenorizada do repertório apresentado por eles. Do álbum Crosby, Stills & Nash (1969), que marcou a estreia do trio, tivemos Marrakesh Express, Long Time Comin’, Wooden Ships, Helplessy Hoping, Guinevere e Suite: Judy Blue Eyes.

De Dèja Vu (1970), primeiro álbum creditado a Crosby, Stills, Nash & Young, marcaram presença no show Carry On/Questions, Dèja Vu, Our House, Almost Cut My Hair e Teach Your Children.

The Lee Shore e Love The One You’re With podem ser encontrados em Four Way Street (1971), álbum duplo ao vivo do Crosby, Stills, Nash & Young, sendo que a segunda teve sua versão de estúdio registrada no primeiro álbum solo do Stills, intitulado Stephen Stills (1970).

Bluebird e For What’s Worth foram gravadas em suas versões originais de estúdio pelo grupo Buffalo Springfield, respectivamente Buffalo Springfield Again (1967) e Buffalo Springfield (1966). So Begins The Task é do álbum Manassas (1972), do grupo liderado por Stills e Chris Hillman (dos Byrds), e As I Come To Age é do álbum solo Stills (1975).

Crosby Nash (2004), belíssimo álbum duplo da dupla que não foi muito badalado na época de seu lançamento (uma injustiça, pois o disco é ótimo!!!), contribuiu com duas músicas, Lay Me Down e Jesus Of Rio.

Military Madness, que o trio e o quarteto tocaram em diversos shows, é do disco solo de Graham Nash Songs From Beginners (1971). Já a bela e quase progressiva Cathedral vem de CSN (1977).

Girl From The North Country é de Bob Dylan e foi lançada originalmente no álbum The Freewheelin’ Bob Dylan (1963).

E duas canções interpretadas no show são inéditas em disco: Radio, de David Crosby, e Almost Gone (The Ballad Of Bradley Manning), de Graham Nash e James Raymond. Esta última possui até clipe.

Durante o show, David Crosby aprsentou duas músicas com especial deferência: Girl Of The North Country e As I Come Of Age, que ele definiu como suas canções favoritas de, respectivamente, Bob Dylan e Stephen Stills.

Dos três, Stills foi de longe o que mais vezes saiu do palco. No entanto, foi ele quem demonstrou certa insatisfação quando David Crosby, aparentemente de forma inesperada, saiu do palco pelo lado esquerdo. “Where’s the fucking Crosby?”, disse ele, ao não ver o colega no palco. Sorte que o ex-Byrds logo voltou e ficou tudo por isso mesmo.

Graham Nash, por sua vez, é aparentemente o mais simpático, e sem dúvida quem está em melhor forma física, fato ressaltado por seu visual (camiseta preta básica e jeans) e pelo fato de cantar descalço, o que não o impediu de dar umas corridas pelo palco bem elogiáveis.

Se estava meio rouco, Stills deu um banho de categoria em seu desempenho como músico. Dos vários violões e guitarras que tocou durante o show, minha favorita foi a guitarra modelo strato na cor verde limão. Linda, e da qual ele tirou sons simplesmente arrepiantes e virulentos, especialmente em Bluebird.

Veja o clipe de Almost Gone (The Ballada Of Bradley Manning):

Crosby, Stills & Nash em SP: arrepiante

Por Fabian Chacur

Às 22h05 da noite de 10 de maio de 2012, um bela quinta-feira, o meu sonho de ver ao vivo um show de Crosby, Stills & Nash começava a se tornar realidade. Às 00h57 desta sexta (11), tudo estava consumado. Valeu a pena esperar tantos anos para enfim apreciar essa lendária banda em cena.

Desde o princípio, com Carry On/Questions (faixa de abertura do sublime álbum Dèja Vú, de 1970), ficou claro que a noitada no palco da Via Funchal em São Paulo seria mesmo inesquecível. Razões não faltaram para isso.

A banda de cinco músicos que acompanha o trio que encantou Woodstock em 1969, por exemplo, provou estar à altura da missão. James Raymond (teclados e vocais) é filho de Crosby e parceiro do pai e do guitarrista Jeff Pevar no grupo CPR, do qual, por sinal, o baterista Steve Distanislao também participou. Alias, ele é o batera que tocou com David Gilmour (ex-Pink Floyd) no álbum On An Island e na sua respectiva tour, nos idos de 2005/2006.

Shane Fontayne (guitarra) já tocou com Bruce Springsteen e outros cobras da música, enquanto Kevin McCormick (baixo) trabalhou durante anos com Jackson Browne, grande nome do folk-country rock americano. O tecladista Todd Caldwell, que gravou e fez shows com Stephen Stills em sua carreira solo, completa bem o time.

Já passando dos 70 anos, David Crosby e Graham Nash impressionaram pela qualidade de suas vozes, que continuam tão boas como nos velhos e bons anos 60, 70 e 80. O desempenho deles individualmente em Almost Cut My Hair (Crosby) e Cathedral (Nash) e em dupla em Guinevere comprovou esta afirmação de forma contundente.

O “fraldinha” do trio, Stills (aod 67 anos), estava com níticos problemas na garganta, o que o impediu de ter um desempenho perfeito nos vocais, mas o respaldo e o apoio dos colegas o ajudou a segurar a onda. Como guitarrista, no entanto, o ex-integrante do Buffalo Springfield se mostrou encapetado, extraindo solos vigorosos de suas várias guitarra e violões. Ele provou que ninguém recebe o apelido Captain Manyhands por acaso.

O repertório do show, que foi dividido em duas partes de aproximadamente 1h15 cada, mesclou grandes sucessos como Marrakesh Express, Wooden Ships, Teach Your Children e Love The One You’re With a canções inéditas como as belíssimas In Your Name (da Nash) e Radio (de Crosby), além de pérolas resgatadas do repertório deles como Lay Me Down e um cover certeiro de Girl Of The North Country, de Bob Dylan.

A interpretação fantástica de Dèja Vú, com direito a solos inspirados de todos os músicos, o desempenho impactante de Stills solando em Bluebird (do Buffalo Sprinfield), a delicadeza arrepiante de Guinevere (na qual Nash e Crosby tinham apenas o violão de Crosby no acompanhamento ibstrumental) e o trio no esquema violão (Stills) e vozes (o trio) mergulhando na épica Suite: Judy Blue Eyes nunca mais sairão da minha lembrança.

Set List do show de Crosby, Stills & Nash na Via Funchal em 10 de maio de 2012:

Primeira parte:

– Carry On – Questions

– Marrakesh Express

– Long Time Comin’

– Military Madness

– Southern Cross

– Lay Me Down

– Almost Gone

– The Lee Shore

– Radio

– Bluebird

– Dèja Vú

– Wooden Ships

Segunda parte

– Helplessy Hoping

– In Your Name

– Girl From The North Country

– As I Come Of Age

– Guinevere

– Jesus Of Rio

– So Begins The Task

– Cathedral

– Our House

– Almost Cut My Hair

– Love The One You’re With

– For What It’s Worth

– Teach Your Children

– Suite: Judy Blue Eyes

Crosby,Stills & Nash enfim virão ao Brasil!

Por Fabian Chacur

Há notícias que você sonha divulgar, mas que imagina não serem possíveis. Pois eis uma que teclo com os dedos tremendo de emoção: Crosby, Stills & Nash vão tocar no Brasil em maio!

É, meus caros, o trio que gravou algumas das mais arrepiantes e intrincadas harmonias vocais da história da música popular finalmente virá ao Brasil, confirmou a produtora Planmusic, a mesma que nos proporcionou os inesquecíveis shows de Paul McCartney por aqui em 2010 e 2011.

O primeiro show confirmado irá rolar no dia 10 de maio de 2012 em São Paulo, na Via Funchal, com ingressos de R$ 140 a R$ 390 (www.viafunchal.com.br). Outros devem ser divulgados nos próximos dias, e devem ser realizados no Rio e em Belo Horizonte.

Criado em 1968, o trio surgiu graças à união de três músicos que já tinham um pedigree enorme na época: David Crosby, ex-The Byrds, Stephen Stills, ex-Buffalo Springfield, e Graham Nash, ex-The Hollies.

Em 1969, eles lançaram um dos 10 melhores álbuns de rock de todos os tempos, o seminal Crosby, Stills & Nash, no qual misturaram vocalizações criativas e arrepiantes e canções fantásticas com elementos de rock, folk, country, hard rock e até jazz.

Em seu segundo show, eles encararam a multidão do festival de Woodstock, em agosto de 1969, levando o público à loucura graças a músicas como Suite: Judy Blue Eyes e Long Time Gone.

Eles também gravaram e fizeram belos shows tendo como quarto integrante Neil Young (Crosby, Stills, Nashy & Young), uma espécie de D’Artagnan desses três mosqueteiros do rock, mas o trio original interage de forma mais completa, com mais liga.

Nas últimas décadas, o grupo vai e volta, enquanto seus integrantes se dividem entre suas carreiras solo e outros projetos. A qualidade artística, no entanto, continua a mesma.

Tipo do show que o fã de rock não pode se dar ao luxo de perder. Aliás, não será um show, e sim uma verdadeira aula! Lógico que você lerá mais coisas sobre eles aqui em Mondo Pop nas próximas semanas!

Ouça três grandes clássicos de Crosby, Stills & Nash:

Buffalo Springfield fará show após 42 anos

Por Fabian Chacur

Uma boa notícia para quem curte reencontros históricos no rock. Os integrantes ainda vivos da formação original do Buffalo Springfield tocarão juntos novamente nos dias 23 e 24 de outubro.

Os shows farão parte de evento beneficente em prol da Bridge School, que ocorrerá em Mountain View, na California, no Shoreline Amphitheatre. A entidade atende crianças com problemas sérios de fala e locomoção.

Estarão no palco, atuando em formato acústico, três grandes músicos, daqueles com pedigree refinadíssimo. Neil Young, Stephen Stills e Richie Furay.

Os dois primeiros se reencontrariam posteriormente no Crosby Stills Nash & Young e desenvolveriam também ótimas carreiras solo, enquanto Furay foi um dos fundadores do consagrado grupo de country rock Poco.

Para quem não sabe, o baixista original do Springfield, Bruce Palmer, morreu vítima de um ataque cardíaco em 2004, enquanto o baterista Dewey Martin faleceu de não divulgadas causas naturais em 2009.

O Buffalo Springfield durou menos de quatro anos, mas gravou três ótimos álbuns: Buffalo Springfield (1966), Buffalo Sprinfield Again (1967) e Last Time Around (1967). A banda, que participou do festival de Monterey em 1967, separando-se no ano seguinte.

O maior hit do quinteto foi For What Is Worth, top 10 na parada americana e canção frequentemente incluída em trilhas de filmes ambientados nos anos 60. Outras grandes músicas de seu repertório: Broken Arrow, Mr. Soul, Bluebird e Rock And Roll Woman.

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