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Yes lança em outubro um álbum gravado ao vivo em Las Vegas

yes live from las vegas 400x

Por Fabian Chacur

Em seus 50 anos de estrada, o Yes primou por grandes momentos musicais e também por variações diversas em sua formação. Desde a morte de seu fundador, o saudoso baixista Chris Squire (1948-2015), a, digamos assim, “versão oficial da banda” tem como comandante o guitarrista Steve Howe. E é esse time atual que anuncia para outubro o lançamento de um novo álbum ao vivo, The Royal Affair Tour- Live From Las Vegas, que sai inicialmente em 2 de outubro com exclusividade na Yes Store e a partir de 30 de outubro nos outros pontos de venda.

A gravadora BMG (a nova empresa que usa esta sigla, não confundir com a antiga, cujo acervo hoje pertence à Sony Music) disponibilizará o álbum, gravado ao vivo no Hard Rock Hotel, Las Vegas, em julho de 2019, nos formatos CD simples com encarte de 12 páginas, LP de vinil duplo com encarte de 12 páginas e digital. A capa, só pra variar, é de autoria de Roger Dean, responsável há décadas por essa tarefa e sempre com muita categoria.

Além de Steve Howe, a escalação do Yes neste trabalho traz Alan White (bateria), Geoff Downes (teclados), Billy Sherwood (baixo) e o “novato” (no time desde 2012) Jon Davison (vocal). A turnê, realizada em 2019 pelos EUA, reunia o Yes, a atual encarnação do Asia (que inclui Geoff Downes e uma participação especial de Howe), John Lodge (dos Moody Blues) e o ELP Legacy do baterista Carl Palmer (com participação do célebre vocalista Arthur Brown).

O set list viaja por várias fases do Yes, com direito a No Opportunity Necessary No Experience Needed (de Richie Havens e gravada por eles em 1970 no LP Time And a Word), America (fantástica releitura do hit de Paul Simon registrada por eles nos anos 1970) e Tempus Fugit (do polêmico álbum Drama, de 1980, da fase com Geoff Downes nos teclados).

A principal curiosidade fica por conta de uma releitura de Imagine, de John Lennon, com o vocal principal a cargo do amigo e colega de turnê John Lodge. Vale lembrar que, em 2017, três outros ex-integrantes do grupo, Jon Anderson, Ricky Wakeman e Trevor Rabin, fizeram shows (ótimos, por sinal) com o repertório do Yes. O Canal Bis costuma exibi-los de tempos em tempos.

Eis as faixas de The Royal Affair Tour – Live in Las Vegas:

1. No Opportunity Necessary, No Experience Needed
2. Tempus Fugit
3. Going For The One
4. I’ve Seen All Good People
5. Siberian Khatru
6. Onward
7. America
8. Imagine
9. Roundabout
10. Starship Trooper

Veja cenas de show da The Royal Affair Tour:

Asia relê ao vivo seu álbum de estreia

Por Fabian Chacur

O rock progressivo se firmou durante os anos 70 como uma das mais populares subdivisões do rock and roll. Com seu enfoque sofisticado e repleto de influências de música erudita, jazz, pop e música eletrônica, conquistou milhões de fãs mundo afora.

Com o advento do punk e da new wave, na segunda metade dos anos 70 o prog rock entrou em um momento de queda de popularidade, e deixou suas bandas de ponta em uma sinuca de bico de grandes proporções.

O que fazer? Seguir na mesma toada, sem ligar para a redução das vendas de seus álbuns, ou experimentar novos rumos, tentando achar uma saída para a crise?

Em 1981, quatro músicos ligados a esta cena resolveram unir forças no intuito de investir em novas sonoridades, sem no entanto se distanciar demais de suas raízes.

John Wetton, o vocalista, baixista e principal compositor, ganhou fama integrando bandas como Roxy Music, Uriah Heep, King Crimson e UK. O guitarrista Steve Howe brilhou durante anos no Yes, banda da qual o tecladista e vocalista de apoio Geoff Downes fez parte durante um curto período, além de integrar o duo new wave Buggles.

Completou o time ninguém menos do que Carl Palmer, ex-Emerson Lake & Palmer e um dos mais brilhantes bateristas/percussionistas da história do rock.

Com essa escalação, eles foram contratados pela Geffen Records, do consagrado executivo David Geffen, na época um selo fonográfico em nítido crescimento no meio musical e que buscava uma banda com esse perfil “supergrupo”.

Apostando em uma mistura de power pop, rock arena e rock progressivo na linha do que faziam na época Journey, REO Speedwagon e Styx, mas indo mais fundo em um formato enxuto, o Asia lançou em 1982 seu auto-intitulado álbum de estreia.

Deu super certo. O álbum vendeu mais de nove milhões de cópias e se manteve por nove semanas não consecutivas no topo da parada americana. Um êxito difícil de ser seguido. Nos anos posteriores, a banda mudou várias vezes de formação e lançou discos que sequer chegaram perto do estouro do trabalho que os lançou no mundo fonográfico.

Trinta anos após esse verdadeiro fenômeno de vendas, o Asia, novamente com sua escalação original, lança o álbum Under The Bridge. O trabalho, gravado ao vivo em San Francisco, California em 5 de maio de 2008, tem como mote a releitura ao vivo de seu primeiro disco, na íntegra e na sequência original de faixas.

Como bônus, foram incluídas releituras ao vivo realizadas no mesmo show (como bis) de três faixas de seu segundo álbum, Alpha (1983), além de uma canção da mesma época usada como lado B de um single, Daylight. The Heat Goes On, de Alpha, é usada como mote para um ótimo solo de bateria de Palmer.

Os dois maiores hits do grupo, Heat Of The Moment e Only Time Will Tell (esta usada no Brasil como tema de um dos comerciais dos cigarros Hollywood), aparecem logo de cara, mas o CD inclui outras faixas boas, como Sole Survivor, One Step Closer e Without You.

Tocadas com os arranjos originais, mas com direito a firulas e bons solos instrumentais aqui e ali, as nove faixas de Asia (o álbum) soam meio datadas, mas ainda sim boas de serem ouvidas, sem os exageros da fase final do rock progressivo setentista.

Under The Bridge equivale a uma boa oportunidade de reavaliarmos aquele período no qual os criadores do rock progressivo tentaram novos rumos para suas carreiras. Na época, os críticos baixaram a lenha nesse disco, mas hoje, fica claro que houve um exagero.

Não se trata de um Sgt. Peppers, mas nem tão pouco de um monte de pastiches pop com moldura levemente progressiva. Temos aqui um trabalho de forte apelo comercial (para a época), mas com requinte e bom gosto, executado por ótimos músicos.

Clipe original de Heat Of The Moment, do Asia:

Clipe original de Only Time Will Tell, do Asia:

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