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Stevie Wonder celebra 70 anos como um dos gênios da música

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Por Fabian Chacur

A voz de Stevie Wonder entrou na minha vida com a música Yester-Me Yester-You Yesterday, que lá pelos idos de 1969-1970 tocava e muito nas rádios paulistanas. Era faixa de seu álbum My Cherie Amour (1969). A partir dali, fui aos poucos mergulhando no maravilhoso universo musical desse grande cantor, compositor e músico americano, que nesta quarta-feira (13) chegou aos 70 anos de vida, dando-nos de presente uma carreira brilhante e repleta de grandes momentos. Um autêntico gênio no setor musical.

Stevie é um daqueles caras que parecem talhados para o estrelato. Seu talento para a música foi descoberto quando ele ainda era criança. Não enxergar se mostrou um obstáculo que o cara soube superar com uma desenvoltura absolutamente absurda. Tanto que, em 1962, lançou seu primeiro álbum, The Jazz Soul Of Little Stevie, jovem aposta da gravadora Motown, que então começava a despontar no cenário americano.

Após gravar um álbum em homenagem a uma de suas inspirações, Ray Charles (Tribute To Uncle Ray-1962), Stevie surpreendeu a todos ao atingir o topo da parada pop americana com o álbum ao vivo Recorded Live: The 12 Old Genius (1963), sucesso impulsionado pelo galopante single Fingertips, que também ponteou os charts, no setor singles.

Em um período mais ou menos rápido, Wonder foi criando uma personalidade própria, com o apoio do mentor Clarence Paul e do presidente da Motown, Berry Gordy. O crítico e pesquisador musical Zeca Azevedo sempre se queixa do fato de a imprensa musical normalmente deixar um pouco de lado essa fase inicial da carreira do artista, e está repleto de razão, pois temos pencas de momentos bacanas nesses anos de aprendizado.

Não faltam músicas maravilhosas nesse período que vai até 1970. Só para citar algumas, vamos da já comentada Yester-Me Yester-You Yesterday e prosseguir com outras pepitas: I Was Made For Love Her, Uptight (Everything’s Alright), For Once In My Life, My Chérie Amour, Signed Sealed Delivered I’m Yours e Pretty World (versão em inglês de Sá Marina, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar). Em 1970, Stevie já era um artista repleto de hits e discos bacanas.

Só que em 1971, ao completar 21 anos e atingir a maioridade, ele enfim teve acesso a todo o dinheiro que ganhou naqueles anos todos. Isso lhe deu a independência financeira para experimentar novos rumos musicais, e também para negociar um novo contrato com a Motown Records que lhe desse a liberdade artística que desejava, seguindo os passos do colega de gravadora Marvin Gaye. Gordy rateou, mas acabou dando o braço a torcer.

A parceria com os integrantes do inovador grupo Tonto’s Expanding Head Band, Robert Margouleff and Malcolm Cecil, abriu a ele um universo de novas possibilidade em termos de sons de teclados. Isso veio à tona no álbum Music Of My Mind (1972), que inclui a maravilhosa Superwoman (Where Were You When I Needed You), um de seus clássicos superlativos.

Até o fim dos anos 1970, Stevie Maravilha gravou alguns dos melhores discos de todos os tempos, os maravilhosos Talking Book (1972), Innervisions (1973) e Fulfillingness’ First Finale (1974). Em 1975, não lançou um novo LP, e Paul Simon brincou ao receber seu Grammy de melhor álbum do ano por Still Crazy After All These Years, pois Wonder havia faturado nos dois anos anteriores.

Em 1976, Wonder tirou a diferença com o álbum-duplo Songs In The Key Of Life, que no formato vinil trazia dois LPs e um compacto duplo adicional. O sucesso foi estrondoso, e foi inevitável o cidadão abocanhar mais um Grammy de melhor álbum do ano. Ali, já estava sacramentada a abrangência da música de Wonder, misturando soul, funk, jazz, música africana, latinidades, pop e muito mais.

Nesse período de quatro anos, Stevie Wonder nos proporcionou pérolas sonoras de raríssimo valor do porte de You Are The Sunshine Of My Life, Higher Ground, Superstition, Living For The City, All In Love Is Fair, You Haven’t Done Nothing, Sir Duke, As, I Wish, Boogie On Reggae Woman e muitas outras, entre hits e faixas ótimas “escondidas” nos álbuns.

Em 1979, lançou o ambicioso álbum duplo Stevie Wonder’s Journey Through “The Secret Life of Plants feito inicialmente para trilha de um documentário mas que ganhou vida própria. Se só trouxesse a encantadora e envolvente balada Send One Your Love já valeria o preço, mas tem muito mais, embora não tenha tido o mesmo sucesso comercial de seus trabalhos anteriores.

Hotter Than July (1980) o trouxe com mais força aos charts, trazendo clássicos de seu repertório como o envolvente reggae Master Blaster (Jammin’), uma bela homenagem a Bob Marley, e a fantástica Happy Birthday, tributo ao grande Martin Luther King que virou hino de sua bela campanha para que a data de nascimento desse grande ativista virasse um feriado nacional nos EUA, o que acabou se concretizando.

Em 1982, mais dois itens bacanas em sua trajetória: ele lançou a coletânea dupla Stevie Wonder’s Original Musiquarium I, com 12 hits da fase 1972-1980 e quatro petardos inéditos: That Girl, Do I Do (com participação especial do ícone do jazz Dizzy Gillespie), Front Line e Ribbon In The Sky. De quebra, ainda gravou dois duetos com Paul McCartney incluídos no álbum Tug Of War, do ex-beatle: Ebony And Ivory e What’s That You’re Doing, ambas ótimas.

Até o fim dos anos 1980, lançou os hits Part-Time Lover, Overjoyed e I Just Call To Say I Love You e participou com destaque de We Are The World, do projeto beneficente USA For Africa. Characters (1987) não vendeu tanto, mas traz a energética Skeletons e um dueto com Michael Jackson, Get It.

Após a ótima trilha para o filme Jungle Fever (1991), de Spike Lee, os lançamentos inéditos de Stevie Wonder passaram a ser bem mais esparsos. Na verdade, nos últimos 29 anos, foram só dois novos álbuns de estúdio com faixas inéditas: Conversation Peace (1995) e A Time For Love (2005).

Ele continuou fazendo shows e participando de discos de outros artistas, entre os quais Sting, Luciano Pavarotti, Babyface, Herbie Hancock, The Dixie Humminbirds, Elton John, Gloria Estefan e inúmeros outros. Também lançou um esplêndido DVD gravado ao vivo, Live At Last- A Wonder Summer’s Night (2009), gravado ao vivo na imensa O2 Arena, em Londres com altíssima qualidade técnica e na qual ele dá uma bela geral em seu fantástico songbook se mostrando em plena forma.

O astro vendeu mais de 100 milhões de discos nesses anos todos, além de influenciar inúmeros outros artistas. Ele faturou 25 troféus Grammy e também um Grammy pelo conjunto de sua carreira, além de ser o único a ganhar o laurel de melhor álbum do ano com três lançamentos consecutivos. Seus shows no Brasil em 1971 (gravado pela TV Record e exibido por essa emissora) e em 1995 foram marcantes, com grande repercussão de público e crítica.

Com essa trajetória maravilhosa humildemente resumida aqui, Stevie Wonder nos mostrou como um ser humano pode atingir o ponto alto de seu potencial artístico ao superar limitações e desenvolver com rara habilidade canções capazes de cativar as mais distintas gerações. Gênio!

Yester-me Yester-you Yesterday– Stevie Wonder:

Paul McCartney grava CD com Diana Krall e a banda dela; Clapton e Wonder participam

Por Fabian Chacur

Paul McCartney, em seu site oficial, deu uma bela notícia aos fãs nesta segunda (19). O ex-beatle lançará no dia 7 de fevereiro de 2012 um novo álbum em parceria pelos selos Hear Music e Concord Records (distribuídos no Brasil pela Universal Music).

Mas, como diriam aqueles informeciais pentelhos, “não é só isso”. Intitulado Kisses On The Bottom, o álbum trará participações especialíssimas. Uma das faixas, My Valentine, ficou disponível por 24 horas para membros premium do site para audição em streaming (sem poder ser baixada).

A canção foi escrita em parceria com Eric Clapton e conta com a participação do guitarrista. Outra inédita do álbum é Only Your Hearts, escrita por McCartney com Stevie Wonder, que também marca presença.

Essas são as duas inéditas do trabalho, que trará standards da música americana gravadas originalmente por nomes como Bing Crosby e escritas por autores consagrados do naipe de Cole Porter e Harold Arlen.

“São músicas nas quais eu e John (Lennon) nos baseamos para fazer muitas das músicas que escrevemos”, comentou o astro em seu site. Ele também garante que não são standards óbvios, e que muitos certamente irão conhecer essas músicas apenas agora, embora sejam clássicos do cancioneiro popular americano.

O álbum foi gravado em estúdios em Los Angeles, Nova York e Londres durante este ano, e trazem pelo menos mais dois fatos importantíssimos: será a primeira vez que McCartney apenas cantará em um de seus álbuns. É o que você leu: ele não tocou baixo, violão, guitarra, nada. Só interpretou.

E aqui temos outro fato bem interessante. A banda que o acompanhou é a que grava e faz shows com a consagrada cantora e pianista Diana Krall, incluindo a própria no piano. Ou seja, músicos de jazz de primeiríssimo gabarito. Não há informações ainda de se ela também cantou no CD.

Não é de se estranhar a parceria, pois o marido de Krall é Elvis Costello, que entre 1987 e 1993 compôs e gravou várias músicas com Paul, entre as quais My Brave Face, Veronica e You Want Her Too.

A produção ficou a cargo do experiente Tommy LiPuma, conhecido por seus trabalhos com George Benson e a própria Diana.

Macca promete mais informações em seu site nos próximos dias. Quando pintar mais alguma coisa, a gente também repercute por aqui.

Ouça Honey Pie, com os Beatles, no estilo standard de jazz:

O que ficará da edição 2011 do Rock in Rio?

Por Fabian Chacur

Acabou por volta das 5 da manhã (?) desta segunda (3) a quarta edição nacional do Rock in Rio, evento que em sua estreia, em janeiro de 1985, literalmente abriu as portas do melhor (e do pior) do pop/rock internacional para nós.

A coisa ficou tão boa para o circuito rocker por aqui que temos uma incrível oferta de artistas todos os anos, desde gênios com carreiras sacramentadas até novatos que acabaram de atingir a crista da onda, ou que estão nesse rumo.

O que fica do Rock in Rio 2011? Vou dar meus pitacos abaixo, e que venha 2013, para que a festa musical role novamente.

Assaltos e arrastões não podem ocorrer novamente

Parece óbvio, mas é inaceitável que alguém saia da sua casa/cidade/estado/país, rume ao Rio, fique horas para chegar à Cidade do Rock para, na cara do gol, ser assaltado e não ver rock algum. Só de ler isso já me tira a vontade de encarar essa maratona novamente.

Nomes onipresentes sempre estarão na programação

Não adianta chiar. Em 2013, certamente boa parte das atrações escaladas para a quinta edição nacional do festival já terão passado por aqui, sendo algumas por diversas vezes. Isso também ocorre no exterior. É o preço para quem virou mercado constante para o pop/rock gringo.

Rock in Rio significa rock, pop, axé, samba etc

Não adianta chiar 2- a missão. Festival de música no Brasil é sinônimo de misturança. Só mesmo os eventos de menor porte conseguem escalar apenas artistas de uma única praia. Você acha ruim? Não vá. Não tem jeito, é assim que funciona. Portanto, reze para que seu artista favorito não seja incluído em programação com outros que não lhe agradem. Ou veja só o que lhe interessa.

Ivete Sangalo é a primeira atração confirmada para 2013

Sou capaz de apostar: em 2013, Ivete Sangalo, a Grande Irmã da música brasileira, estará de novo no lineup do Rock in Rio. E quer saber? Ela merece. Sabe fazer show para grandes públicos com muito profissionalismo e talento. Eu não gosto e não vou, mas milhares de pessoas gostam e irão. Logo, podem me cobrar. Só se ela não quiser, ou se suas datas não coincidirem com a do festival. E vai rolar a festa de novo, vai rolar…

Venha quem vier, pode ter certeza de casa cheia

Impressionante como os Medina sabem organizar esses eventos monumentais. 700 mil pessoas no total, durante sete dias, com ingressos esgotados meses antes dos shows é coisa que mesmo lá fora fica difícil de rolar. Ou seja, não adianta torcer contra. É só anunciar a marca mágica Rock in Rio que o povo vai, toque quem tocar.

Sempre vão rolar furos na programação, faz parte

Será que alguém conseguirá me explicar o que levou os programadores a escalar Joss Stone e o Sepultura no palco secundário e o grupo Glória no principal? Certamente ninguém. Sempre teremos umas vaciladas assim. Também fazzz parrrte!

Veja o clipe com o hino do Rock in Rio 2011:

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