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Ricardo Bacelar mostra swing e bom gosto em Sebastiana

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Por Fabian Chacur

Ricardo Bacelar ficou mais de uma década longe da música, após ter integrado por 11 anos o grupo Hanói Hanói e lançado o CD solo In Natura (2001). O também advogado voltou à sua paixão eterna com força total, com o excelente DVD/CD Concerto Para Moviola- Ao Vivo (2016, leia entrevista sobre o álbum aqui). Agora, ele nos apresenta o CD (também lançado em vinil) Sebastiana, uma bela sequência lógica do trabalho anterior, com a mesma alta qualidade artística.

Em Concerto Para Moviola- Ao Vivo, Bacelar nos ofereceu uma elogiável e gostosa releitura do som fusion/jazz rock dos anos 1970 e 1980. Aquela sonoridade ao mesmo tempo bastante sofisticada e acessível ao ouvido médio do público se mantém presente em Sebastiana, só que desta vez com um pouco mais de ênfase em brasilidade e tempero latino, além de abertura para vocais em quatro das quinze faixas presentes neste trabalho.

Para concretizar este álbum, o artista cearense contou com o velho amigo Cesar Lemos como braço direito, incumbindo-o da produção, guitarra e baixo. Também foram convocados artistas oriundos de vários países, como os americanos Steve Hinson (pedal steel guitar) e Maye Osorio (vocal), os venezuelanos Anderson Quintero (bateria e percussão) e Andrea Mangiamarchi (vocal) e o argentino Gabriel Fernandez (bandoneon), entre outros.

O repertório traz composições de Ivan Lins, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Tom Jobim, entre outros, além de duas parcerias Bacelar/Lemos e três de Bacelar sozinho. A performance do time escalado para o álbum não poderia ter sido melhor, esbanjando entrosamento, qualidade artística e swing, ajudando a dar ao conjunto desta obra uma consistência admirável.

Influências de lounge e new bossa também podem ser identificadas ao longo do álbum. Com vocais, Nothing Will Be As It Was (versão de Nada Será Como Antes, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), e Somewhere In The Hills (de Tom Jobim e Vinícius de Moraes) receberam roupagem eletrônica envolvente, enquanto o balanço afro de Toda Menina Baiana, de Gilberto Gil, ganha nuances jazzísticas bem bacanas.

Sebastiana equivale a uma mais do que agradável viagem pelo mundo da fusion, bossa nova, easy listening, lounge, jazz, pop, new bossa e latin music, comandada pela mão hábil de Ricardo Bacelar. A Volta da Asa Branca, Partido Alto, Depois dos Temporais e Sambadouro são bem elogiáveis, mas o repertório é muito equilibrado e bom, como um todo.

O álbum no seu formato físico também será lançado na América Latina, EUA, Japão e Europa, algo bastante lógico, pois é muito provável que consiga melhor repercussão no mercado internacional do que por aqui. Bom por um lado, ruim pelo outro, pois o brasileiro deveria abraçar com mais entusiasmo e carinho um trabalho tão bom e tão representativo do melhor da nossa música como esse aqui.

Obs.: a embalagem do CD é deslumbrante, com direito a belíssima capa digipack e um caprichado encarte recheado de fotos e informações sobre a concepção do álbum, além de ficha técnica completa. Prova de que o formato físico é insuperável para os verdadeiros fãs de música, se desenvolvido com o nível de excelência deste ótimo Sebastiana.

Nothing Will Be As It Was– Ricardo Bacelar:

Com Vida traz a versatilidade do talentoso Keco Brandão

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Por Fabian Chacur

Se eu me metesse a colocar o currículo completo de Keco Brandão neste post, certamente preencheria dezenas de linhas muito antes de conseguir falar algo sobre ele. Com 30 anos de estrada, este gaúcho que morou no Rio e está radicado há muito em São Paulo esbanja versatilidade em seu novo trabalho, o DVD/CD (vendidos juntos em luxuosa embalagem digipack) Com Vida, no qual este tecladista, arranjador, compositor e cantor conta com participações especiais de alguns desses parceiros ilustres de tantos anos.

Nessas três décadas de atividade, Keco gravou mais de dez CDs solo instrumentais investindo em diversos estilos musicais. Ele participou de gravações e shows de artistas do porte de Gal Costa, Jane Duboc, Zizi Possi, Pedro Mariano, Leila Pinheiro, Toquinho, Célia, Roberta Miranda e Ângela Maria, só para citar alguns, além de ter atuado na área de jingles e trilhas publicitárias e também em programas de TV.

Incentivado inicialmente por Jane Duboc e depois por Gal Costa, ele acrescentou o canto a suas atividades. Seguindo a sugestão do amigo Flávio Venturini, decidiu iniciar um projeto composto só por canções. Na Contramão, composição feita por ele com a cantora Denise Mello, tornou-se o primeiro fruto do que viria a ser Com Vida. As gravações em áudio e vídeo foram de outubro de 2015 a janeiro de 2017.

O álbum traz 15 músicas: sete de autoria de Keco com vários parceiros/parceiras (uma solo) e oito de autores que admira, como Ivan Lins, Lyle Mays, Pedro Aznar, Johnny Alf e Joaquin Rodrigo. Marcam presença no CD Simone Guimarães (três faixas), Tatiana Parra (duas faixas), Sachal Vasandani (duas faixas), Ivan Lins, Zizi Possi, Fabiana Cozza, Felipe Cato, Denise Mello, Sueli Vargas e Heitor Branquinho.

Pela primeira vez em sua carreira, o artista gravou vocais, sendo uma dobradinha com Simone Guimarães (Aranjuez Con Tu Amor), vocalizes com Ivan Lins (Encontro dos Rios) e uma performance vocal solo e em castelhano (Emília). Nelas, Keco prova que, se por ventura quiser gravar um álbum como vocalista principal, tem tudo para passar com nota alta por essa experiência, tal a desenvoltura que mostra.

Os arranjos das faixas de Com Vida dão roupagens belas e sofisticadas a cada canção, em um repertório que prima pela qualidade de suas melodias e por um clima romântico, lírico e próximo de baladas, embora tenhamos momentos de funk-jazz, latinidade, samba e bossa. Os convidados mostram nítida admiração pelo trabalho de Keco, e se submetem a seu comando de corpo e alma. O resultado é um disco delicioso de se ouvir, do começo ao fim.

Difícil citar melhores faixas em um repertório tão bem escolhido e trabalhado, mas, só para não ficar demais em cima do muro, vale citar Timidez (com Tatiana Parra nos vocais), Cura (um banho de swing de Fabiana Cozza) e Sweet Bird Of Youth (versão em inglês para Eu e a Brisa, de Johnny Alf, que o americano Sachal Vasandani interpreta com rara finesse). Mas recomendo a você ouvir e fazer suas próprias escolhas.

Incrível a versatilidade de Keco Brandão, que se mostra craque como arranjador, vocalista, compositor e pianista. Um exímio acompanhante de cantores, por sinal. Ele admite a possibilidade de novos trabalhos nessa linha, pois muitos amigos acabaram ficando de fora. Se for feito com a qualidade deste aqui, que venham muitos outros mesmo.

Timidez– Tatiana Parra e Keco Brandão:

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