Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Tag: the beatles (page 1 of 5)

Yellow Submarine será exibido em Sampa com entrada gratuita

yellow submarine-400x

Por Fabian Chacur

Se você é beatlemaníaco ou fã de cultura pop (ou as duas coisas) e mora em São Paulo, uma ótima notícia. Neste sábado (8), às 17h, será exibido o filme Yellow Submarine (1968), de George Dunning e estrelado por aquele célebre grupo de Liverpool. Detalhe: com resolução digital 4K e trilha remixada em surround 5.1 stereo. E melhor: com entrada gratuita. O local será o Cine Olido (avenida São João, nª 473- República- fone 0xx11-2899-7370).

Lançado em plena era psicodélica, esta animação em longa-metragem tem como cenário Pepperland, uma cidade repleta de cores, música e muito amor. Até que são invadidos pelos abomináveis blue meanies. Como salvar a pátria? Simples: chamando John, Paul, George e Ringo, que, viajando em um adorável submarino amarelo, incumbem-se de vencer os inimigos e restaurar a felicidade antes reinante. Detalhe: com muita música boa na trilha sonora, tipo All Together Now, It’s Only a Northern Song, It’s All Too Much e Yellow Submarine, entre outras. Diversão garantida em 90 viajantes minutos.

Na abertura, será exibido o curta-metragem Make It Soul (2018), ambientado em Chicago em 1965, no Teatro Regal, tendo como mestres de cerimônia e apresentadores ninguém menos do que James Brown e Solomon Burke, dois mestres da black music. São apenas 15 minutos, mas certamente muita coisa boa vai rolar, especialmente em termos musicais.

Essa adorável e bem-vinda exibição gratuita será promovida pelo Animage- Festival Internacional de Animação de Pernambuco, cuja mais recente edição, a 9ª de sua existência, foi realizada em Recife no último mês de outubro, e no qual essa edição incrementada em termos técnicos de Yellow Submarine foi exibida.

Veja o trailer de Yellow Submarine:

Paul McCartney mostra belas novidades para todos os fãs

paul mccartney capa novo album-400x

Por Fabian Chacur

Dois dias após completar 76 anos de idade, Paul McCartney mostra que dormir nos louros das glórias passadas não faz parte do seu modo de viver. Ele não só anunciou que lançará no dia 7 de setembro Egypt Station, seu primeiro álbum de inéditas desde New (2013), como também disponibilizou para audição duas das 14 músicas que estarão nesse trabalho, a balada I Don’t Know (ouça aqui) e o rock na veia Come On To Me.

Uma primeira curiosidade surge na capa do álbum, que também foi divulgada. Criada a partir de desenho feito pelo próprio artista, ela lembra um pouco a de Gone Troppo, lançada em 1982 por um certo George Harrison. Será mera coincidência? Tire suas próprias conclusões.

Gone-Troppo-cover-400x

Voltando ao mais importante que é o conteúdo artístico, o ex-Beatle explicou, em declaração divulgada pela gravadora na qual lança atualmente seus trabalhos, a Universal Music, como concebeu o novo trabalho:

“Gostei das palavras Egypt Station. Elas me lembram dos discos em vinis que costumávamos fazer… Egypt Station começa em uma estação na primeira música e a cada nova faixa visitamos uma nova estação. Foi essa a ideia que seguimos para criar cada faixa do disco a partir disso. Acho que ela veio de um sonho, mesmo lugar de onde as músicas surgem”.

Macca gravou seu novo disco em estúdios localizados em Londres, Los Angeles e Sussex. A produção ficou a cargo do badalado Greg Kurstin, que assinou trabalhos de Adele, Beck e Foo Fighters, sendo que uma faixa ficou a cargo de Ryan Tedder, líder da banda One Republic. Come On To Me é um rockão contagiante e muito inspirado, enquanto I Don’t Know é uma deliciosa balada com pitada roqueira. Belas amostras.

Também foram divulgados os títulos de mais três canções: a acústica Happy With You, a pacifista People Want Peace e uma que promete e muito, com seus quase sete minutos de duração, Despite Repeated Warnings, que parece seguir uma pegada mais experimental. McCartney fez um show surpresa no dia 9 de junho em um pequeno pub de Liverpool, o Philharmonic Pub, no qual tocou uma das inéditas e mais alguns hits. Que chegue logo o sete de setembro!

Come On To Me– Paul McCartney:

The Beatles in India: filme vai ser lançado ainda este ano

The-Beatles-in-India-photo-credit-Paul-Saltzman-TBIR_4x6_2_5-MB-400x

Por Fabian Chacur

Em fevereiro de 1968, os Beatles viajaram para Rishikesh, na Índia, com o intuito de estudar meditação transcendental com o guru local Maharishi Mahesh Yogi, que eles haviam conhecido em uma viagem do indiano pela Inglaterra no ano anterior. Essa curiosa passagem da trajetória da banda britânica é o tema do documentário The Beatles in India, que segundo informações da revista britânica Uncut, deve ser lançada mundialmente por volta de outubro.

Paul Saltzman é um fotógrafo e cineasta canadense que tinha 23 anos quando teve a oportunidade de conhecer os Beatles na Índia, por absoluta coincidência. Convidado a conviver com eles naquela experiência, fez fotos e filmagens que registaram aquele momento de redescoberta do quarteto britânico. Seu documentário dá uma geral na viagem, e mostra os registros e também as músicas que, compostas lá, acabariam integrando o célebre Álbum Branco (cujo título de fato é simplesmente The Beatles), lançado naquele mesmo 1968.

Com mais de 300 filmes no currículo, entre documentários e dramas, Paul Saltzman tem em seu currículo o badalado Prom Night In Mississipi (2008), e também integra projetos humanitários. Uma exposição permanente de suas fotos dos Beatles na Índia tem como local um espaço no John Lennon Airport, em Liverpool, Inglaterra. Ele lançou dois livros com reproduções de suas célebres fotos, The Beatles in Rishikesh (2000) e The Beatles in India (2006), este último em edição limitada.

Dear Prudence (c/cenas do grupo na Índia)- The Beatles:

Novo CD de Ringo Starr chega às lojas brasileiras em breve

ringo starr give more love cover-400x

Por Fabian Chacur

Para os fãs do formato físico, mais precisamente do CD, e de Ringo Starr, neste caso, uma boa notícia. Está chegando às lojas brasileiras nos próximos dias o novo álbum do ex-Beatle, Give More Love, que também está sendo disponibilizado para download pago e nas diversas plataformas de streaming. A edição será a mesma que já saiu no exterior.

Give More Love é o sucessor de Postcards From Paradise (2015), e não está indo muito bem das pernas em termos comerciais. Nos EUA, atingiu apenas a posição de número 128, ainda pior do que a de seu antecessor, que chegou ao posto de nº 99. Curiosamente, até o momento a melhor performance do álbum foi na República Tcheca, na qual o trabalho do baterista mais famoso do mundo chegou ao nº18 dos charts locais.

O novo álbum do astro britânico traz um elenco repleto de amigos célebres no cenário musical, como tem sido praxe em sua carreira solo. O maior deles, Paul McCartney, marca presença em We’re On The Road Again e Show Me The Way. Aliás, o título da primeira (estamos na estrada novamente) tem tudo a ver, pois McCartney tocará no Brasil em outubro, e Ringo tem oito datas para cumprir em Las Vegas.

Além do velho e bom Macca, Mr. Starkey tem a seu lado em Give More Love os craques Steve Lukather, Peter Frampton, Richard Marx, Dave Stewart, Joe Walsh, Glen Ballard, Timothy B. Schmit e Edgar Winter, entre outros. O álbum traz 10 composições inéditas de Ringo escritas com diversos parceiros. Como bônus, releituras de Back Off Boogaloo, Photograph, You Can’t Fight Lightining e Don’t Pass Me By.

O projeto inicial de Ringo era gravar um álbum totalmente country, mas essa ideia acabou sendo deixada de lado, sendo que a única faixa que se encaixa bem nessa praia é a bela So Wrong For So Long. De resto, temos rock básico, baladas e um pouco de pop, com destaque para We’re On The Road Again, Show Me The Way e Standing Still. Um trabalho despretensioso, básico e divertido de se ouvir.

We’re On The Road Again– Ringo Starr:

Simplesmente Paul chega ao RJ no Teatro Bradesco Rio

FOTO MARCELO CRELECI 6

Por Fabian Chacur

Paul McCartney voltará ao Brasil em outubro. Quem quiser já ir entrando no clima e mora no Rio de Janeiro tem uma boa pedida neste sábado, às 21h, no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº3.900- loja 160- Shopping Village Mall- Barra da Tijuca- call center 4003-1212). Trata-se do show Simplesmente Paul, dedicado a um repertório de grandes sucessos do inigualável astro do rock. Os ingressos custam de R$ 40,00 a R$ 160,00.

O espetáculo é estrelado por Celso Anieri, que no início da década de 1980 fundou em São Paulo o grupo Beatles 4 Ever, um dos mais criativos e minuciosos na reprodução ao vivo das músicas do seminal grupo de Liverpool. Ele saiu da banda há algum tempo, mas após uma canja com a atual formação, em 2015, ficou com vontade de investir em um projeto semelhante, e aí surgiu a ideia de fazer um show em homenagem ao autor da eterna Yesterday e de tantos outros hits.

Anieri canta e toca baixo, teclados, violão, ukulele e bandolim. Com ele, um grupo formado por Ana Cristina Santos (violão e voz), Bia Honda (vocais), Edson Yokoo (teclados e arranjos), Edu Perez (baixo, violão e vocal), Paula Altran (vocais), Paulo Yuzo (bateria e percussão), Renato Molina (guitarra) e Vitor da Mata (guitarra, teclados e vocais).

O show inclui canções dos Beatles, dos Wings e da carreira solo de McCartney, entre elas Can’t Buy Me Love, Live And Let Die, Here Today, My Love e Silly Love Songs, além de se valer de recursos audiovisuais como telão e coreografias, algo que por sinal fez o diferencial do Beatles 4 Ever. O espetáculo já passou por diversas cidades brasileiras, sempre com boa repercussão por parte do público.

Simplesmente Paul- trechos do show:

Filme Eight Days a Week nos promete mais do que cumpre

eight days a week capa dvd-400x

Por Fabian Chacur

Depois do lançamento do maxi-documentário Anthology (1995), com mais de onze horas de duração e apresentando de forma profunda e repleta de material essencial a história dos Beatles, ficou difícil para alguém pensar em um projeto audiovisual que possa superá-lo ou ao menos chegar perto de tal excelência. O filme-documentário Eight Days a Week- The Touring Years, lançado em setembro de 2016 nos cinemas e agora saindo no formato DVD, chegou com essa pretensão, vide seu lema: “The Band You Know, The Story You Don’t” (a banda que você conhece, a história que não conhece).

Para completar a expectativa, o mentor de tal projeto era ninguém menos do que Ron Howard, conhecido por filmes como Apollo 13 (1995), Cocoon (1985) e Uma Mente Brilhante (2001), tendo ganho o Oscar de melhor diretor com este último. Diante de tanta expectativa, a pergunta é óbvia: o produto final atinge seu objetivo? A resposta é não, mas merece uma explicação minuciosa, para não soar como uma daquelas análises gratuitas só para atrair cliques ou irritar os fãs.

O documentário tem como objetivo mostrar a fase em que os Beatles se tornaram um fenômeno mundial em termos de popularidade, entre 1963 e 1966, e no qual as turnês pelo mundo afora foram uma ferramenta fundamental. Os anos da Beatlemania, para ser mais preciso. Como forma de nos apresentar esse incrível fenômeno comportamental e cultural, Howard se valeu de vasto material de arquivo já utilizado anteriormente, com apenas uma ou outra cena menos conhecida.

As entrevistas recentes feitas com Paul McCartney e Ringo Starr também são bastante redundantes, inferiores às feitas para o Anthology. Dessa forma, essa coisa de “a história que você não conhece” soa arrogante demais. Novidades ou possíveis revelações passam bem longe dos 106 minutos de duração do filme. Nem precisa ser um especialista daqueles realmente viciados em Beatles para ter tido conhecimento de tudo o que é contado aqui.

Lógico que um profissional do calibre de Ron Howard não faria um produto ruim em termos de apresentação, e nesse aspecto, Eight Days a Week é muito bem realizado, fluindo bem e encaixando os registros de forma bem ordenada. Os depoimentos do jornalista americano Larry Kane, o único que acompanhou todos os shows das turnês dos Fab Four pelos EUA em 1964 e 1965 também são pontos importantes.

Merecem um belo destaque os deliciosos testemunhos da atriz Whoopi Goldberg sobre sua idolatria em relação ao grupo britânico e da emoção de ter visto o mitológico show no Shea Stadium em 1965, e também o relato do show realizado em Jacksonville, Florida, em 1964, no qual eles se recusam a tocar para uma plateia segregada, resultando em um raro momento em que brancos e negros conviveram em um show dessas proporções naqueles lados dos EUA.

A qualidade das imagens é impecável, assim como o áudio. A narrativa vai até o último show oficial da banda, em agosto de 1966 no Candlestick Park, San Francisco (EUA), e o documentário acaba com cenas da última apresentação de fato do quarteto de Liverpool, realizado em janeiro de 1969 no teto do prédio onde estava os escritórios da gravadora deles, a Apple.

Muitas cenas de histeria do público ao redor do mundo foram usadas, e de forma bem eficiente para ressaltar o quanto o som do grupo inglês atiçava a libido do público, especialmente o adolescente, e também de como os adultos e boa parte da imprensa ficavam abismados com aquilo tudo, sem entender absolutamente nada.

Como os Beatles são um daqueles fenômenos de popularidade que desafiam o tempo, existem fãs que os conheceram há pouco, e para os quais até mesmo as carreiras solo de John Lennon e George Harrison podem parecer algo totalmente fora de seus radares. Para eles, Eight Days a Week funciona como uma boa introdução em termos audiovisuais. Mas para quem os curte há mais tempo, é um filme com cheiro de “já conheço bem essa história, e melhor contada”.

obs.: e o DVD não traz nenhum extra. Nada, nadinha. Eita muquiranice!!!

Eight Days a Week-trailer do filme:

A magia dos Beatles ao vivo e seu registro remasterizado

the-beatles-live-at-hollywood-bowl-400x

Por Fabian Chacur

Em 1977, foi lançado de forma póstuma o primeiro álbum totalmente gravado ao vivo dos Beatles, intitulado The Beatles At The Hollywood Bowl. Fora de catálogo há décadas, esse trabalho histórico enfim chega ao formato CD, com o título Live At The Hollywood Bowl e agora funcionando como uma espécie de trilha sonora do documentário Eight Days a Week- The Touring Years, documentário de Ron Howard sobre as turnês dos Fab Four.

O lançamento original tinha como marca a qualidade de som não muito boa. Gravado em apenas três canais e de forma absolutamente precária em shows realizados pela seminal banda inglesa no Hollywood Bowl, em Hollywood, EUA, em 23 de agosto de 1964 e 29 de agosto de 1965, o que tínhamos era muita gritaria das fãs enlouquecidas e o som dos Beatles tentando sobreviver no meio dessa barulheira toda. Mas, ainda assim, era um álbum incrível por sua energia e conteúdo histórico.

Se o mítico George Martin fez milagres com os parcos recursos que tinha em 1977 para trabalhar com essas fitas, seu filho Giles Martin teve bem mais sorte. Suando a camisa para tirar o melhor daquele material histórico, ele nos proporciona um resultado técnico que, se não é perfeito (e não teria mesmo como ser), ressalta muito melhor a performance da banda, especialmente em termos de vocais. O baixo continua lá atrás, mas dá para aguentar numa boa.

Live At The Hollywood Bowl serve como uma prova concreta da potência e virilidade do trabalho dos Beatles nos palcos. Perante quase 18 mil pessoas por apresentação nesses dois shows nos EUA, o quarteto esbanja garra, afinação (na medida do possível para quem tocava sem retorno, algo impensável nos dias de hoje) e um carisma simplesmente imbatível. Superando as dificuldades técnicas com categoria, eles simplesmente detonam, enlouquecendo os fãs.

O repertório mistura hits fulminantes como Twist And Shout, Ticket To Ride, Can’t Buy Me Love, Help!, A Hard Day’s Night e She Loves You com outras também fortes, tipo She’s a Woman, Boys e Things We Said Today. São nove gravações realizadas no show de 1964 e oito no de 1965, provavelmente selecionadas devido a razões técnicas e de performance. A edição tem alguns brancos, mas no geral dá para se imaginar como se fosse uma única apresentação contínua.

A nova edição traz como marcas uma nova capa, desta vez digipack plastificada, dupla e com direito a encarte colorido repleto de fotos e dois textos, um inédito do jornalista David Fricke e outro presente na edição original do álbum e escrito por George Martin. De quebra, quatro faixas bônus não presentes no LP original: You Can’t Do That, I Want To Hold Your Hand, Everybody’s Trying To Be My Baby e Baby’s In Black.

Ouvir os Beatles ao vivo nesses registros feitos nos anos heroicos do rock and roll é a prova de que o talento e a garra são capazes de superar todas as barreiras, mesmo as técnicas. Chega a ser inacreditável pensar como esses caras conseguiam tocar tão bem um repertório desse altíssimo nível em condições tão precárias. O mais legal é que dá para se ouvir Live At The Hollywood Bowl para curtir, e não só como curiosidade de uma era de ouro do rock. Que ótimo!

The Beatles Live At The Hollywood Bowl show de 1964:

Pure McCartney: bela viagem pela obra de um gênio musical

pure mccartney capa-400x

Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser encaradas de forma não muito positiva por críticos e fãs mais radicais de música. O argumento é sempre o mesmo: seria uma forma de apresentar uma obra de forma fatiada, com escolhas nem sempre justificáveis e frequentemente mostrando um retrato nada fiel do artista enfocado. Questão de opinião. Para mim, coletâneas são, quando bem feitas e bem planejadas, belas obras de entrada para obras musicais. Eis a função que Pure McCartney, álbum duplo que acaba de sair no Brasil, pode cumprir em relação ao trabalho de Paul McCartney.

Pure McCartney pode ser encontrado no exterior em três formatos: o mesmo CD duplo com 39 faixas, uma caixa com 4 CDs (contendo 67 faixas) e vinil quádruplo com 41 faixas. Todas essas alternativas seguem o mesmo conceito, conforme explica texto escrito pelo próprio Macca no encarte que acompanha os lançamentos: “uma coleção de minhas gravações tendo em mente nada além de ser algo divertido para se ouvir, ou talvez para ser ouvida em uma longa viagem de carro, ou em um evento em casa ou ainda uma festa com amigos”. Simples assim.

Dessa forma, fica fácil entender o porque vários sucessos marcantes ficaram de fora, preteridos em alguns casos por músicas não tão conhecidas. O repertório cobre toda a carreira solo do ex-beatle, indo desde 1970 até 2014. Para aquele fã que tem tudo do artista, só cinco itens mais interessantes: os remixes de Ebony And Ivory, Say Say Say, Here Today e Wanderlust, e a belíssima Hope For The Future, lançada em 2014 para a trilha do vídeo game Destiny e disponível anteriormente apenas no exterior em um single de 12 polegadas de vinil.

O repertório não foi ordenado de forma cronológica, o que nos proporciona saborosas idas e vidas por fases bem distintas do trabalho do artista. A curiosidade fica por conta de a primeira e a última faixa em todos os formatos serem as mesmas e oriundas do primeiro álbum solo do astro britânico, McCartney (1970), respectivamente Maybe I’m Amazed e Junk. Isso não deve ser obra do acaso…

As músicas contidas nesta compilação reforçam um sonho que muitos fãs do autor de Yesterday gostariam de realizar: ter a chance de ver um de seus shows só com material da carreira-solo, sem canções dos Beatles. Nada contra o repertório maravilhoso dos Fab Four, mas é que McCartney tem tantas músicas boas de 1970 para cá que seria bem bacana poder ouvir ao vivo uma Heart Of The Country, por exemplo, ao invés da milésima interpretação de Hey Jude.

Ouvir Pure McCartney é uma bela oportunidade de se curtir a incrível versatilidade de um grande talento. Power ballad em Maybe I’m Amazed, disco music em Coming Up, soul-jazz em Arrow Through Me, folk puro em Junk, pop delicioso em Listen To What The Man Said, rock na veia em Jet, rock eletrônico em Save Us, lirismo puro em Here Today

A variedade de estilos é incrível, sempre com grande qualidade técnica e artística. E acredite: com o material que sobrou, mesmo se levarmos em conta a caixa com quatro CDs, ainda restou material bom o suficiente para justificar pelo menos umas quatro compilações do mesmo gênero, sem repetir faixas e com a mesma força.

O único problema para o neófito que se meter a ouvir Pure McCartney é acabar se viciando no som do cara, e por tabela sair atrás de toda a sua obra. É disco pra burro!!! Mas pode ter certeza de que vale a pena colecionar. Tipo do vício sem contraindicações. E reforço o ponto: ótimo para desancar quem acha que o trabalho solo de Paul McCartney não está a altura do que ele fez nos Beatles. Não? Pense outra vez!

Arrow Through Me– Wings:

Dear Boy– Paul McCartney:

Hope For The Future– Paul McCartney:

Álbum ao vivo dos Beatles vai enfim sair em CD, com bônus

beatles at the hollywood bowl capa original-400x

Por Fabian Chacur

Live At The Hollywood Bowl, disco lançado originalmente em vinil em 1977 e um dos únicos álbuns oficiais dos Beatles nunca relançados, enfim ganhará sua versão em CD. A informação é do site americano da Billboard. O álbum chegará às lojas no dia 9 de setembro, em versão com 17 faixas, quatro a mais do que a edição original, além de um inédito e luxuoso livreto com 24 páginas e trazendo fotos inéditas e texto do premiado jornalista americano David Fricke.

Esse disco, cuja capa original ilustra este post, é histórico. Trata-se do primeiro lançamento oficial de gravações ao vivo dos Fab Four, feitas em agosto de 1964 e agosto de 1965 em shows realizados no Hollywood Bowl, em Los Angeles, Califórnia (EUA). Os registros foram feitos com apenas três pistas de gravação, e trazem como marca registrada a incrível gritaria dos fãs americanos durante toda a apresentação.

Gilles Martin, filho do lendário e saudoso produtor dos Beatles, George Martin, e Sam Okell foram incumbidos de, a partir das fitas originais, melhorar a qualidade sonora, e afirmam terem conseguido cumprir a missão no resultado final. Quatro músicas foram adicionadas à nova versão de Hollywood Bowl: You Can’t Do That, Baby’s In Black, I Want To Hold Your Hand e Everybody’s Trying To Be My Baby. Além de versões em CD e digital, lançadas simultaneamente, o álbum também sairá em vinil de 180 gramas no dia 18 de novembro.

O lançamento ocorrerá uma semana antes do que o filme Eight Days a Week: The Touring Years, de Ron Howard, que é um documentário sobre a fase 1962-1966 dos Beatles, concentrada nos shows realizados pela banda naquela fase, apelidada de Beatlemania. A foto da capa do novo LP e do cartaz do filme foi feita pelo tour manager da turnê americana Bob Bonis. O lançamento original atingiu o segundo lugar nos EUA e o primeiro no Reino Unido, na época.

Lista das músicas da nova versão de Live At The Hollywood Bowl:

1. Twist and Shout [30 August, 1965]

2. She’s A Woman [30 August, 1965]

3. Dizzy Miss Lizzy [30 August, 1965 / 29 August, 1965 – one edit]

4. Ticket To Ride [29 August, 1965]

5. Can’t Buy Me Love [30 August, 1965]

6. Things We Said Today [23 August, 1964]

7. Roll Over Beethoven [23 August, 1964]

8. Boys [23 August, 1964]

9. A Hard Day’s Night [30 August, 1965]

10. Help! [29 August, 1965]

11. All My Loving [23 August, 1964]

12. She Loves You [23 August, 1964]

13. Long Tall Sally [23 August, 1964]

14. You Can’t Do That [23 August, 1964 – nunca antes lançada]

15. I Want To Hold Your Hand [23 August, 1964 – nunca antes lançada]

16. Everybody’s Trying To Be My Baby [30 August, 1965 -nunca antes lançada ]

17. Baby’s In Black [30 August, 1965 – nunca antes lançada]

The Beatles Live At The Hollywood Bowl:

The Beatles Live At The Hollywood Bowl (versão não oficial):

Morre Tony Barrow, assessor de imprensa dos Beatles etc

Tony-Barrow-WEB-400x

Por Fabian Chacur

Quando a expressão Fab Four é citada, não há quem não se lembre do grupo habitualmente associado a ela, os Beatles. O que muita gente não sabe é que a tal frase foi criada por Tony Barrow, lá pelos idos de 1963. O assessor de imprensa da banda mais bem-sucedida da história da música nos deixou no último dia 14 (sábado), poucos dias depois de completar 80 anos. Sua importância na incrível história de John, Paul, George e Ringo não é pequena. Não mesmo.

Tony Barrow nasceu no dia 11 de maio de 1936, e começou sua carreira ainda adolescente, escrevendo sobre música no jornal Liverpool Echo. Paralelamente, passou a trabalhar na gravadora Decca, e foi ele quem ajudou o amigo Brian Epstein a conseguir para a banda da qual este era empresário um teste. Os Beatles acabaram reprovados, mas a amizade se firmou, e quando o grupo foi contratado pela EMI, Epstein convidou Barrow para trabalhar com ele na Nems Enterprises.

Na empresa, Tony se tornou o assessor (ou agente) de imprensa não só dos Beatles, mas também de outros artistas contratados por Epstein, como Cilla Black e Gerry & The Pacemakers. Entre suas funções estava organizar entrevistas coletivas, escrever press releases e textos de contracapas de LPs e acompanhar os artistas durante suas turnês. Ou seja, era trabalho duro, que ele fazia com muita qualidade e categoria.

Na foto que ilustra esta matéria, Barrow pode ser visto escolhendo e autorizando um jornalista a fazer uma pergunta aos Beatles durante uma coletiva. Vale lembrar que Paul McCartney seguiu esse modelo em suas entrevistas coletivas, pois participei de duas, em 1990 e 1993, e os profissionais eram escolhidos da mesma forma por seu agente da ocasião. Na de 1993, fui o último a ser autorizado a fazer uma pergunta ao Macca. Que emoção quase indescritível!

Barrow ficou com os Beatles até o final de 1967, sendo que um de seus últimos trabalhos para a banda foi editar o livreto que acompanhava o álbum (ou os compactos duplos) da trilha sonora do filme Magical Mystery Tour. Como Brian Epstein havia morrido há pouco e o grupo resolveu montar seu próprio selo, a Apple, o assessor de imprensa decidiu montar o escritório Tony Barrow International.

Aí é que entra o etc do título deste post. Barrow trabalhou com diversos outros artistas importantes, entre eles The Kinks, Bay City Rollers, Gladys Knight, David Cassidy, Jackson Five, Neil Sedaka e ironicamente os Monkees, grupo feito à feição dos Beatles para a TV americana. Em 1980, desanimado com a explosão do punk, resolveu abandonar o ramo de assessoria e voltou ao jornalismo, inicialmente como free lancer.

Em seguida, também passou a se dedicar aos livros, sendo um deles o influente Inside The Music Business, escrito em parceria com Julian Newey. Outros dois interessam e muito aos beatlemaníacos: The Making Of The Beatles Magical Mystery Tour (1999) e o livro de memórias John, Paul, George, Ringo & Me (2006). Paul McCartney tuitou sobre o antigo funcionário e amigo pessoal:

“Tony Barrow foi um cara adorável que nos ajudou no início dos Beatles. Ele era super profissional, mas sempre pronto para uma risada. Fará falta e será lembrado por muitos de nós”. Todo interessado na função de assessor de imprensa deveria estudar o trabalho deste grande pioneiro na área, um verdadeiro Fab One em seu ofício.

Day Tripper (live Candlestick Park 1966)- The Beatles:

The Beatles Live Candlestick Park 29,8,1966:

Older posts

© 2018 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑