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Ronnie Wood lançará álbum em homenagem ao ídolo Chuck Berry

ronnie wood mad lad cover-400x

Por Fabian Chacur

Várias novidades boas referentes a Ronnie Wood estão em vias de serem conferidas por seus inúmeros fãs mundo afora. Nesta semana, tivemos a divulgação de mais uma faixa do álbum Mad Lad- A Live Tribute To Chuck Berry. Trata-se de Rock ‘N’ Roll Music, com participação especial da cantora irlandesa Imelda May. A primeira faixa a ser divulgada foi Talking About You (ouça aqui).

O novo álbum do guitarrista britânico está previsto para sair no dia 15 de novembro pela gravadora BMG (não confundir com a antiga, hoje parte da Sony Music) com distribuição da Warner Music e nos formatos CD, vinil, streaming, downloads remunerados e também em uma edição especial limitada contendo CD, LP de vinil, gravura 12×12, set list autografado e uma camiseta. Ainda não foi divulgado se teremos lançamento físico deste trabalho no Brasil.

Gravado ao vivo em 2018 no Tivoli Theatre, na cidade britânica de Winborne, o trabalho traz Wood acompanhado por sua banda de apoio, a Wild Five, com o acréscimo de Imelda May e Ben Waters (piano) em alguns momentos. Trata-se de uma homenagem do músico a um de seus ídolos, o saudoso Chuck Berry, de quem ele era amigo e com quem tocou em várias ocasiões.

O repertório traz 11 faixas, com direito a clássicos do rock como Johnny B Goode e Little Queenie e a composição de Wood Tribute To Chuck Berry. A faixa que dá nome ao CD, Mad Lad, é um obscuro e delicioso tema instrumental de Chuck Berry gravado originalmente por ele em 1960.

Com desenho de capa de autoria do próprio roqueiro, o álbum inicia uma trilogia de trabalhos nos quais serão homenageados os maiores ídolos do músico britânico, sendo que os outros dois nomes ainda não foram divulgados. Ele fará no dia 25 de novembro no Birmingham Symphony Hall um show no qual dará uma geral nas músicas do álbum.

Se o disco por si só já é uma bela novidade, o fato mais legal fica por conta do filme Somebody Up There Likes Me, dirigido pelo premiado Mike Figgis, com premiere mundial marcada para o dia 12 (sábado) durante o London Film Festival e lançamento no circuito comercial previsto para o início de 2020.

Trata-se de um documentário sobre a vasta e rica trajetória profissional e pessoal de Ronnie Wood, com entrevistas feitas especialmente para esta atração com o artista enfocado e também colegas ilustres como Mick Jagger, Keith Richards, Rod Stewart e outros, além de cenas de arquivo com performances dele integrando as bandas Jeff Beck Group, The Faces e, obviamente, The Rolling Stones, na qual ele entrou em 1975 e permanece firme e forte.

Um dos pontos mais interessantes fica por conta de uma lembrança de Ronnie de quando tinha 16 anos de idade e não sabia direito o que iria fazer da vida. No dia 11 de agosto de 1963 ele viu um show dos então emergentes The Rolling Stones, gostou do que viu e pensou que aquela era a carreira que gostaria de seguir. Mal sabia que, dali a 12 anos, não só seria um astro do rock como de quebra receberia o convite irrecusável para entrar naquele grupo, na vaga de Mick Taylor.

O filme também dá uma geral na carreira de Wood como pintor, área na qual ele também é bastante elogiado, com direito a exposições em vários países (incluindo o Brasil, nos anos 1990) e lançamento de catálogos bem bacanas, e de sua luta contra os vícios e um câncer. Além de integrar bandas bacanas, Ronnie também desenvolve uma competente carreira solo paralela que se iniciou em 1974 com o álbum I’ve Got My Own Solo Album To Do.

Eis a relação de músicas de Mad Lad:

-Tribute to Chuck Berry
-Talking About You
-Mad Lad
-Wee Wee Hours- Feat Imelda May
-Almost Grown- Feat Imelda May
-Back In The USA
-Blue Feeling
-Worried Life Blues
-Little Queenie
-Rock ‘N’ Roll Music- Feat Imelda May
-Johnny B Goode

Rock ‘N’ Roll Music– feat Imelda May:

Rolling Stones reeditam o seu histórico Rock And Roll Circus

rolling stones rock and roll circus

Por Fabian Chacur

Nos últimos anos, os fãs dos Rolling Stones tem necessitado de uma condição financeira privilegiada para manter sua coleção de itens referentes à banda devidamente atualizada. Agora, chega a vez de The Rolling Stones Rock And Roll Circus, que a ABKO Films e ABKO Music, em parceria com a Universal Music, lançará em breve em versão 4K Dolby Vision. Serão disponibilizadas as versões Deluxe Edition (incorporando Blu-ray – DVD, 2 CDs e um livro com 44 páginas), LP triplo, CD duplo e digital. No Brasil, o único item relativo aos formatos físicos a ser lançado será o DVD, com os outros limitados às plataformas digitais.

Nessa verdadeira enxurrada de produtos referentes à banda de Mick Jagger e Keith Richards, Rock And Roll Circus é um dos mais importantes. Gravado em dezembro de 1968 com o objetivo de ser um especial de TV, ficou nos arquivos durante quase 30 anos, sendo lançado de forma oficial em áudio e vídeo apenas em 1996. O show trazia um cenário relembrando o de um circo cinematográfico, com o grupo britânico recebendo diversos convidados especiais.

Além de ter marcado a última performance de Brian Jones com a banda que ajudou a fundar, o show traz outras atrações históricas, como o Dirty Mac, supergrupo formado para esta apresentação que traz “apenas” John Lennon (guitarra e vocal), Eric Clapton (guitarra), Keith Richards (baixo) e Mitch Mitchell (bateria, do Jimi Hendrix Experience). Eles tocam uma versão endiabrada de Yer Blues, que os Beatles haviam lançado há pouco no Álbum Branco. Também estão presentes The Who, Jethro Tull, Marianne Faithfull, Yoko Ono e Taj Mahal.

Se a versão em condições técnicas revitalizadas já é uma bela pedida, o fato de termos inúmeras faixas-bônus em áudio equivale ao ponto mais cobiçado pelos colecionadores, nesta nova edição de Rock And Roll Circus. O Dirty Mac, por exemplo, toca nada menos do que Revolution, além de uma jam session. A versão anterior em CD era simples, vale lembrar. O filme foi dirigido por Michael Lindsay-Hog, o mesmo do filme Let It Be, dos Beatles, cujas gravações estavam sendo iniciadas naquela mesma época.

The Rolling Stones Rock and Roll Circus (4K FILM)

O FILME

Song For Jeffrey – Jethro Tull

A Quick One While He’s Away – The Who

Ain’t That A Lot Of Love – Taj Mahal

Something Better – Marianne Faithfull

Yer Blues – The Dirty Mac

Whole Lotta Yoko – Yoko Ono & Ivry Gitlis, and The Dirty Mac

Jumpin’ Jack Flash – The Rolling Stones

Parachute Woman – The Rolling Stones

No Expectations – The Rolling Stones

You Can’t Always Get What You Want – The Rolling Stones

Sympathy for the Devil – The Rolling Stones

Salt Of The Earth – The Rolling Stones

EXTRAS

Widescreen Feature, Aspect Ratio: 16:9 (65 min)

Entrevista Pete Townshend, Aspect Ratio: 4×3 (18 min)

The Dirty Mac:

‘Yer Blues’ Tk2 Quad Split, Aspect Ratio: 4×3 (5:43)

Taj Mahal:

-Checkin’ Up On My Baby, Aspect Ratio: 4×3 (5:37)

-Leaving Trunk, Aspect Ratio: 4×3 (6:20)

-Corinna, Aspect Ratio: 4×3 (3:49)

Julius Katchen:

-de Falla: Ritual Fire Dance, Aspect Ratio: 4×3 (6:30)

-Mozart: Sonata In C Major-1st Movement, Aspect Ratio: 4×3 (2:27)

Mick & The Tiger/ Luna & The Tiger, Ratio: 4×3 (1:35)

Bill Wyman & The Clowns, Aspect Ratio: 4×3 (2:00)

Lennon, Jagger, & Yoko backstage, Aspect Ratio: 4×3 (45sec)

COMENTÁRIOS DAS FAIXAS DO FILME:

Life Under The Big Top (Artistas) Apresentando: Mick Jagger, Ian Anderson, Taj Mahal, Yoko Ono, Bill Wyman, Keith Richards (65 min)

Framing The Show (Diretor & Diretor de Fotografia) Apresentando: Michael Lindsay Hogg, Tony Richmond (65 min)

Musings (artistas, escritor, fãs que estiveram na gravação) Apresentando: Marianne Faithfull, David Dalton, David Stark (50 min)

The Rolling Stones Rock and Roll Circus Edição de Áudio Ampliada

1. Mick Jagger’s Introduction Of Rock And Roll Circus – Mick Jagger

2. Entry Of The Gladiators – Circus Band

3. Mick Jagger’s Introduction Of Jethro Tull – Mick Jagger

4. Song For Jeffrey – Jethro Tull

5. Keith Richards’ Introduction Of The Who – Keith Richards

6. A Quick One While He’s Away – The Who

7. Over The Waves – Circus Band

8. Ain’t That A Lot Of Love – Taj Mahal

9. Charlie Watts’ Introduction Of Marianne Faithfull – Charlie Watts

10. Something Better – Marianne Faithfull

11. Mick Jagger’s and John Lennon’s Introduction Of The Dirty Mac

12. Yer Blues – The Dirty Mac

13. Whole Lotta Yoko – Yoko Ono & Ivry Gitlis with The Dirty Mac

14. John Lennon’s Introduction Of The Rolling Stones + Jumpin’ Jack Flash – The Rolling Stones

15. Parachute Woman – The Rolling Stones

16. No Expectations – The Rolling Stones

17. You Can’t Always Get What You Want – The Rolling Stones

18. Sympathy for the Devil – The Rolling Stones

19. Salt Of The Earth – The Rolling Stones

FAIXAS-BÔNUS

20. Checkin’ Up On My Baby – Taj Mahal

21. Leaving Trunk – Taj Mahal

22. Corinna – Taj Mahal

23. Revolution (rehearsal) – The Dirty Mac

24. Warmup Jam – The Dirty Mac

25. Yer Blues (take 2) – The Dirty Mac

26. Brian Jones’ Introduction of Julius Katchen – Brian Jones

27. de Falla: Ritual Fire Dance – Julius Katchen

28. Mozart: Sonata In C Major-1st Movement – Julius Katchen

Yer Blues- The Dirty Mac (John Lennon+):

The Rolling Stones lançarão a nova versão de vídeo de turnê

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Por Fabian Chacur

Pelo andar da carruagem, os fãs de classic rock irão ter de vender um rim ou fazer algum outro tipo de sacrifício similar, se desejarem manter suas coleções atualizadas. O novo lançamento do setor a ser anunciado é Voodoo Lounge Uncut, nova versão, ampliada, restaurada e remasterizada de um vídeo lançado pelos Rolling Stones que registra um show da antológica turnê que divulgou o excelente CD Voodoo Lounge (1994).

O lançamento, feito em parceria pela Universal Music e a Eagle Vision, chegará ao mercado mundial em 16 de novembro em diversos formatos: DVD, blu-ray, DVD+2 CDs, blu-ray+2 CDs, vinil triplo vermelho, vídeo digital, áudio digital e HD digital. Uma edição limitada da versão em vinil trará uma camiseta exclusiva. A má notícia fica para os fãs brasileiros: a Universal Music deve lançar por aqui apenas a versão em DVD.

Gravado em 25 de novembro de 1994 no estádio Joe Robbie, em Miami, o show integrou a turnê de lançamento de Voodoo Lounge, um dos melhores álbuns da carreira do grupo. Foram 134 shows por seis continentes e vistos por aproximadamente 6,5 milhões de pessoas.

Duas efemérides: foi a primeira tour sem o baixista Bill Wyman, que saiu da banda em 1993, e a primeira que passou pelo Brasil, com três shows em São Paulo (27, 28 e 30 de janeiro de 1995, no estádio do Pacaembu) e dois no Rio (2 e 4 de fevereiro de 1995, no estádio do Maracanã).

O repertório traz 27 músicas, sendo quatro delas de Voodoo Lounge, e o show conta com as participações especiais de Bo Diddley, Sheryl Crow e Robert Cray. Temos dez faixas adicionais em relação ao lançamento anterior em vídeo. Como bônus, foram incluídas cinco performances realizadas em um show da mesma turnê, realizado no Giants Stadium, de New Jersey, com músicas que não foram apresentadas em Miami.

Veja o trailer do vídeo aqui .

RELAÇÃO DAS MÚSICAS

1. Whoopi Goldberg Intro
2. Not Fade Away
3. Tumbling Dice
4. You Got Me Rocking
5. Rocks Off*
6. Sparks Will Fly*
7. Live With Me*
8. (I Can’t Get No) Satisfaction
9. Beast Of Burden*
10. Angie
11. Dead Flowers*
12. Sweet Virginia
13. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)*
14. It’s All Over Now
15. Stop Breakin’ Down Blues
16. Who Do You Love?
17. I Go Wild*
18. Miss You
19. Honky Tonk Women
20. Before They Make Me Run*
21. The Worst
22. Sympathy For The Devil
23. Monkey Man*
24. Street Fighting Man*
25. Start Me Up
26. It’s Only Rock’n’Roll (But I Like It)
27. Brown Sugar
28. Jumpin’ Jack Flash

BONUS DAS PERFORMANCES NO GIANTS STADIUM, EM NEW JERSEY (só em video):

1. Shattered
2. Out Of Tears
3. All Down The Line
4. I Can’t Get Next To You
5. Happy

Veja parte do show de New Jersey da turnê 1994/1995:

Dusty Old Fingers retornam e fazem um show em Campinas

dusty old fingers grupo 400x

Por Fabian Chacur

Depois de uns bons anos longe de cena, volta à ativa um dos grupos mais bacanas do rock brasileiro desta década. Trata-se do Dusty Old Fingers. Oriundo de Campinas (SP), o afiadíssimo time roqueiro lançou em 2013 um excelente álbum conceitual, The Man Who Died Everyday (leia a resenha de Mondo Pop aqui).

Eles iniciam essa nova fase com show em Campinas neste sábado (11) às 19h30 na Fundação Jurgensen (rua Frei Antônio de Pádua, nº 889- Jardim Guanabara), com ingressos a R$ 15,00 (antecipados) e R$ 25,00 (na hora- mais informações pelo fone 0xx19-3242-1769). A abertura fica por conta da banda Les Miserables.

O Dusty Old Fingers traz como figuras de ponta o carismático cantor e guitarrista Fabiano Negri, que também investe em uma consistente carreira solo, e o guitarrista e backing vocalista Tony Monteiro, um dos mais competentes críticos de rock deste país. Temos também os ótimos músicos Joni Leite (baixo) e Rick Machado (bateria). Ao vivo, completam o time as backing vocalistas Nara Leão e Sheila Le Du.

No show, a banda mostra as músicas de seu álbum de estreia, cujo tema é a vida do saudoso Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones nos anos 1960 e morto tragicamente em 1969, com apenas 27 anos. Músicas como Lost Eyes e Blond Hair Baby Face mergulham nos aspectos da trajetória daquele músico genial com uma sonoridade mesclando rock, blues, folk e country. A ótima inédita Never Drive Faster Than My Angel Can Fly também estará no set list.

Dois dos integrantes da Dusty Old Fingers farão jornada dupla neste show, pois também integram o Les Miserables. São eles Tony Monteiro e Joni Leite, que terão a seu lado Marcos Machado (vocal), David Andres (guitarra) e Junior Baroni (bateria). O repertório do quinteto dará uma geral em clássicos do rock brasileiro da década de 1970.

Lost Eyes (clipe)- Dusty Old Fingers:

Sticky Fingers é relido ao vivo com maestria pelos Stones

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Por Fabian Chacur

Em 2006, quando iria iniciar as gravações de um show dos Rolling Stones para o que viria a ser o documentário Shine a Light (2008), o diretor Martin Scorsese entrou em pânico. Ao contrário do que poderia imaginar, ele não teve acesso prévio ao set list que a banda iria tocar, e dessa forma teve de improvisar seu trabalho. Isso é a cara do grupo liderado por Mick Jagger e Keith Richards, que sempre atuou no melhor estilo “bagunça organizada”. E foi dessa forma que eles gravaram Sticky Fingers Live At The Fonda Theater, DVD que integra a série Rolling Stones From The Vault.

Mas como assim “bagunça organizada?”, você deve estar se perguntando. Afinal de contas, estamos falando de uma banda que se mantém na ativa há mais de 50 anos, sempre com muito sucesso e uma infraestrutura digna de uma verdadeira transnacional roqueira. Se a organização existe, e sem dúvidas explica essa manutenção no topo do cenário rocker mundial, eles sempre tiveram um tempero rebelde, do tipo “vamos fazer do nosso jeito e dane-se o resto”.

Este trabalho é o exemplo mais concreto dessa postura das “Pedras Rolantes”. Eles se propuseram pela primeira vez em sua carreira a tocar ao vivo na íntegra o repertório de um de seus álbuns, mais especificamente o mitológico Sticky Fingers (1971). Para muita gente o melhor disco da ótima discografia do grupo britânico, trata-se de um marco na trajetória deles, quando ficou claro que os caras tinham se consolidado de vez no meio rocker.

Entre outras efemérides bacanas, conseguiu a inédita para eles façanha (que depois repetiriam várias vezes) de atingir o primeiro lugar nos EUA e no Reino Unido; estreou com força total o símbolo da língua que se tornou sua marca registrada. Deu o pontapé inicial na trajetória da sua própria gravadora, a RS Records, que tornou Jagger e Richards ainda mais ricos, e por aí vai. Um clássico supremo do rock and roll.

Só que, ao contrário da grande maioria dos outros grupos e artistas que se propuseram a apresentar trabalhos na íntegra, os Stones se recusaram a tocar ao vivo o repertório de Sticky Fingers na mesma ordem do registro de estúdio. Brown Sugar, por exemplo, que abre o LP, é a 11ª música a ser tocada no show. Dead Flowers, a 9ª do trabalho de estúdio, foi a 3ª no set list do show. E por aí vai… O mais engraçado: a abertura fica por conta de Start Me Up, que nem integra o trabalho em foco, sendo faixa de Tattoo You (1981).

Eles fizeram o seguinte: abriram o show com Start Me Up, em seguida tocaram as dez faixas de Sticky Fingers em seguida (mas sem a sequência do álbum original) e fecharam o show com um cover, Rock Me Baby, do amigo e ídolo B.B.King (que havia falecido seis dias antes da gravação deste DVD) e a empolgante Jumpin’ Jack Flash. Nos extras, temos três bônus: All Down The Line (do álbum Exile On Main Street, de 1972), When The Whip Comes Down (de Some Girls, de 1978) e um cover matador, I Can’t Turn You Loose, de Otis Redding, que na verdade encerrou o show, e sabe-se lá porque ficou aqui, nos bônus.

Ou seja, eles tocaram o álbum em pauta inteirinho, mas do jeito deles, e com direito a canções adicionais. E é aí que entra a organização da bagunça. As performances de Jagger e sua turma (os três colegas de banda mais sete impecáveis músicos de apoio, gerando uma espécie de “Orquestra Rolling Stones”) são simplesmente arrebatadoras. Pelo fato de o show ter sido realizado em um teatro bem menor do que os estádios onde normalmente atuam, criou-se um clima de maior proximidade e intimidade com a plateia, com ótimo resultado.

As performances dos quatro Stones são um capítulo à parte. Jagger, na época com 72 anos de idade, entrega ao público energia e carisma dignas de alguém com uns 30, se tanto, e com direito a uma voz impecável, especialmente nos momentos mais lentos. Keith Richards cativa com seu jeitão de “pirata do Caribe”, sendo bem ladeado por Ronnie Wood, tal qual dois pistoleiros do Velho Oeste. E o vigor e a precisão do baterista Charlie Watts equivalem à arma secreta menos secreta do rock, tal a sua qualidade e consistência. Um dínamo humano.

Se algumas faixas de Sticky Fingers nunca saíram do set list dos shows da banda britânica desde que foram lançadas, como Brown Sugar e Wild Horses, outras foram tocadas em raras ocasiões, casos das maravilhosas Moonlight Mile, Dead Flowers, Sway, Sister Morphine e You Gotta Move. E é muito legal ver alguns closes na plateia, com pessoas cantando as letras dessas músicas junto, de cor e salteado.

Dificilmente os Rolling Stones repetirão esse show. Portanto, Sticky Fingers Live At The Fonda Theatre (teatro localizado em Hollywood, Los Angeles) é não só um registro único e histórico desta performance realizada em 20 de maio de 2015, como certamente a prova de que esse grupo consegue se manter na estrada dignamente. De forma bagunçada, sim, mas com organização suficiente para que a essência desse trabalho incrível se mantenha acesa e deslumbrante.

Brown Sugar (live ath the Fonda Theater-2015)- The Rolling Stones:

Rolling Stones lançam combo com Sticky Fingers ao vivo

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Por Fabian Chacur

Há alguns anos, virou moda no cenário rocker shows com bandas consagradas tocando na íntegra alguns de seus álbuns mais famosos. Os Rolling Stones fizeram isso em 2015, quando tocaram pela primeira e única vez ao vivo o repertório completo de Sticky Fingers. O registro desse evento histórico já está disponível no Brasil, e em vários formatos: DVD+CD, DVD+LP, Blu-Ray+CD e também nas plataformas digitais, tudo via Universal Music.

Com o título Sticky Fingers: Live At The Fonda Theatre 2015, parte integrante da série From The Vault, o combo apresenta o show realizado no dia 20 de maio de 2015 no Fonda Theatre, em Los Angeles. No DVD/Blu-Ray, temos também como bônus entrevistas com os integrantes da banda falando sobre o álbum e três faixas extras.

Lançado em 1971, Sticky Fingers foi o primeiro álbum lançado pelos Stones em seu próprio selo, cujo símbolo é a famosa língua, que desde então se tornou um dos maiores ícones da cultura pop. A capa gerou polêmica, com seu formato de calça jeans com um zíper apresentado em relevo e abrindo, em algumas edições. O toque do célebre artista plástico e ícone da pop art Andy Warhol deu o toque final na coisa toda.

Mas o melhor do disco é mesmo o seu conteúdo musical. Vendendo milhões de cópias e liderando as paradas de sucesso de todo o mundo, traz clássicos do repertório da banda de Mick Jagger e Keith Richard do porte de Brown Sugar, Wild Horses, Can’t You Hear Me Knocking, Sway e Bitch. Um discaço com muito rock, blues e country e considerado por muita gente como o melhor item da discografia desta mitológica banda.

Can You Hear Me Knocking (ao vivo)- The Rolling Stones:

Os Rolling Stones provam que óbvio também pode ser genial

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Por Fabian Chacur

Nada mais óbvio para uma banda que tirou o seu nome de um clássico do blues (Rollin’ Stone, do genial Muddy Waters) do que gravar um álbum totalmente dedicado a esse gênero musical, não é mesmo? Pois essa obra demorou 54 anos para se concretizar. E quer saber? Valeu, e como, a espera. Blue & Lonesome, novo álbum da banda de Mick Jagger, prova de que às vezes o óbvio também pode ser genial e instigante.

O blues faz parte desde sempre do repertório desta seminal banda inglesa. Não faltam exemplos de standards blueseiros relidos com categoria por eles, como I Just Want To Make Love To You, Little Red Rooster e Love in Vain, só para citar três. Isso, sem contar as composições próprias que se valeram de elementos desse gênero fundamental para o surgimento de jazz, rock and roll e tantas outras sonzeiras de primeiríssima linha.

Das várias possibilidades de se realizar um trabalho desse porte, os Stones optaram pela mais adequada a eles. Ou seja, selecionaram um repertório maravilhoso, que soará inédito para a maioria dos fãs por se tratar de canções tiradas do fundo do baú, coisa de conhecedores, mesmo, e as gravaram sem frescuras, de forma crua e direta. Além dos quatro integrantes oficiais da banda, apenas seus três músicos de apoio em shows e a participação de Eric Clapton em duas faixas. As 12 músicas foram registradas em apenas três dias.

O resultado é o que se poderia se esperar de uma empreitada como essa. Totalmente à vontade, Jagger, Richard e sua turma esmerilham, soltando a alma e exalando prazer em maravilhas do porte de Ride ‘Em Down, Hate To See You Go, Just Your Fool, I Gotta Go e Just Like I Treat You, de autores como Little Walter, Willie Dixon e Jimmy Reed. Só uma é mais conhecida. Trata-se de I Can’t Quit You Baby, que muitos conheceram na ótima versão do Led Zeppelin.

Eric Clapton exibe a competência habitual na seara do blues nas ótimas I Can’t Quit You Baby e Everybody Knows About My Good Thing. Se não bastasse a qualidade musical, Blue & Lonesome aparece em belíssima embalagem digipack, com direito a capa tripla e encarte repleto de informações sobre as músicas e as sessões de gravações. Se por alguma razão este álbum se tornar o último dos Rolling Stones, nenhuma despedida poderia ser mais brilhante e elogiável do que esta. Mas se vier um volume 2, será mais do que bem-vindo!

Ride ‘Em On Down- The Rolling Stones:

Um jornal paulistano ignorou os shows dos Stones em 1995

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (24) e no próximo sábado (27), os Rolling Stones voltam a São Paulo. Infelizmente, não estarei lá para conferir, mas não posso reclamar, pois vi os três shows que a banda de Mick Jagger e Keith Richards realizou por aqui em 1995. E tenho boas lembranças deles. Mas uma delas é no mínimo bizarra: vocês acreditam que um grande jornal paulistano não publicou uma única linha sobre essas performances? E por razões bizarras…

Ficou curioso? Pois vamos lá revelar esse momento triste do jornalismo paulistano. Em 1995, eu era repórter e crítico musical do Diário Popular, na época o jornal que mais vendia em bancas em São Paulo. Quando a vinda dos Rolling Stones para tocar por aqui pela primeira vez foi anunciada, fiquei muito ansioso, pois teria a chance de enfim vê-los ao vivo e escrever sobre isso em uma publicação grandona.

Só que as coisas não correram como eu imaginava. O departamento comercial da publicação, incomodada pelo fato de a produtora do evento não anunciar em suas páginas, resolveu pura e simplesmente vetar a cobertura dos shows. Ao invés de propor uma bela cobertura, para depois conseguir anúncios de outros eventos daquela empresa, os caras simplesmente resolveram tapar o sol com papel celofane. E a direção de redação concordou com tal idiotice.

Enquanto a imprensa como um todo oferecia uma cobertura generosa para seus leitores, o Diário Popular fingiu que não havia pedras britânicas do mais alto quilate rolando em nossas terras. Fui credenciado para ir aos shows, mas a minha orientação era só escrever matérias se ocorresse algo muito errado, tipo morrer alguém, os shows não acontecerem ou algo assim. Como tudo correu relativamente bem, nada saiu. Um total desrespeito aos leitores.

Se infelizmente não pude registrar o que vi nas páginas do Diário, ao menos tive a chance de ver um dos melhores grupos de rock de todos os tempos em excelente forma. Divulgando na época o ótimo álbum Voodoo Lounge (1994), eles tocaram algumas músicas daquele CD, como a espetacular You Got Me Rocking, e um caminhão de hits, como (I Can’t Get No) Satisfaction, Gimme Shelter, Sympathy For The Devil etc.

Dois momentos particularmente me marcaram. Ouvir Happy no segundo show foi um deles. O rockão interpretado por Keith Richards foi o primeiro compacto dos Rolling Stones a entrar na minha coleção, um belo presente que pedi e ganhei do meu padrinho Eduardo. O outro foi ver Mick Jagger comandando a coreografia da multidão de fãs durante Brown Sugar, na parte final, do yeah yeah yeah uh que marca essa canção.

A chuva durante os dois primeiros shows, realizados nos dias 27 e 28 de janeiro de 1995, foi responsável por eu ter preferido conferir as performances no espaço dedicado à imprensa, no local do Pacaembu destinado às emissoras de rádio e TV para transmissão de jogos de futebol. Como uso óculos, não conseguiria ver nada se estivesse no meio do povão, com aquela chuva toda. O último show, no dia 30, foi a seco.

A abertura dos shows ficou a cargo de Barão Vermelho, Rita Lee e da injustamente subestimada banda americana Spin Doctors. Com seu rock swingado e energético, os caras lançaram em 1991 Pocket Full Of Kryptonite, na minha opinião um dos dez melhores discos de rock dos anos 1990. Fizeram boas apresentações, e tive a oportunidade de conversar com eles. O único ponto a se lamentar foi o fato de o guitarrista original da banda, Erik Schenkman, ter saído fora, substituído naqueles shows pelo competente Anthony Crizam. Ele voltaria ao grupo nos anos 2000, mas isso é outra história.

You Got Me Rocking– The Rolling Stones:

Happy– The Rolling Stones:

Brown Sugar– The Rolling Stones:

The Rolling Stones estão bem próximos do Brasil de novo

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Por Fabian Chacur

Da primeira visita de Mick Jagger e Keith Richards ao Brasil aos primeiros shows dos Rolling Stones no país, tivemos de esperar durante longos 27 anos. Em janeiro de 1995, enfim uma das mais importantes e bem-sucedidas bandas de rock de todos os tempos deu o ar de sua graça. Após outras passagens bacanas, eles retornam em breve para tocar aqui. As bandas de abertura foram anunciadas nesta sexta-feira (5): Ultraje a Rigor (no Rio), Titãs (em São Paulo) e Cachorro Grande (em Porto Alegre).

A turnê latino-americana da banda britânica teve início nesta quarta (3) em Santiago, no Chile, e chega ao Brasil no próximo dia 20/2, com show único no Maracanã, no Rio. Em São Paulo, o local será o estádio do Morumbi, nos dias 24 e 27 de fevereiro. Porto Alegre verá as “Pedras Rolantes” no dia 2/3, no estádio do Beira-Rio. Os ingressos custam de R$ 260,00 a R$ 900,00, e estão se esgotando. Mais informações aqui.

Ficaram muito para trás os tempos em que a banda liderada por Mick Jagger (vocal) e Keith Richards (guitarra) era autossuficiente em shows. Além da dupla e do baterista Charlie Watts e do guitarrista Ron Wood, o time é acrescido de uns dez músicos de apoio, entre tecladistas, vocalistas, músicos de sopros etc. Virou uma espécie de “Orquestra Rolling Stones”. Os shows também são sempre repletos de efeitos especiais, sendo um verdadeiro espetáculo de rock arena.

Sem lançar um álbum de inéditas desde A Bigger Band (2005), o grupo britânico oferecerá aos fãs brasileiros um repertório repleto de grandes hits dos anos 1960 e 1970, com raras exceções. O set list do primeiro show da turnê pela América Latina indica nessa direção. Normalmente os shows do grupo tem uma ou outra variação, mas essa lista vale como uma boa dica do que eles tocarão em nossos palcos.

Apesar dos preços salgados e da falta de novidades, as lotações serão expressivas, e não é difícil de entender a razão. Trata-se de uma banda que está na ativa desde o longínquo 1962, com uma história incrível e um caminhão de hits no currículo. E esta tem tudo para ser uma de suas últimas passagens por aqui. Logo, quem não viu ainda não quer perder por nada, e quem já viu, deseja dar uma última conferida.

Set list do show dos Rolling Stones em Santiago, Chile (3.2.2016):

1Start Me Up

2It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)

3Let’s Spend the Night Together

4Tumbling Dice

5 Out of Control

6She’s a Rainbow (by request, first since 16 Sept 1998)

7Wild Horses

8 Paint It Black

9Honky Tonk Women (followed by band introductions)

10You Got the Silver (Keith Richards on lead vocals)

11Happy (Keith Richards on lead vocals)

12Midnight Rambler

13Miss You

14 Gimme Shelter

15Jumpin’ Jack Flash

16Sympathy for the Devil

17Brown Sugar

BIS:

18You Can’t Always Get What You Want (with Estudio Coral de Santiago)

19(I Can’t Get No) Satisfaction .

Miss You (extended version)- The Rolling Stones:

Brown Sugar (live 2006)- The Rolling Stones:

Happy (live in Brasil 2006)- The Rolling Stones:

Keith Richards lança CD solo Crosseyed Heart em 9/2015

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs de rock and roll clássico. Chegará às lojas especializadas no dia 18 de setembro, via Universal Music, Crosseyed Heart, terceiro solo CD de estúdio de Keith Richards. O eterno guitarrista dos Rolling Stones não lançava um trabalho individual há longos 23 anos, mas quebrará esse longo intervalo em grande estilo. Vem coisa boa por aí.

O álbum, que sucede Talk Is Cheap (1988) e Main Offender (1992), terá sua primeira amostra divulgada no dia 17 de julho, quando sairá o primeiro single a ser extraído do repertório de 15 faixas. Trata-se de Trouble, um rock com a marca significativa do estilo que consagrou o cantor, compositor e músico britânico.

O elenco de convidados do disco é bem consistente. Norah Jones, que já havia cantado com Richards em shows ao vivo, marca presença em Illusion, canção composta em parceria por eles. Aaron Neville, vocalista dos Neville Brothers, participa de Nothing On Me, enquanto o saxofonista Bobby Keys, célebre por seus solos em discos e shows dos Rolling Stones, toca seu instrumento em Amnesia e Blues In The Morning.

Fazem parte da banda básica de Crosseyed Heart músicos habituados a tocar com Keith Richards nos Stones ou em sua carreira solo, entre eles o baterista Steve Jordan (que coproduziu várias das faixas do novo CD), o guitarrista Waddy Wachtel e os vocalistas de apoio Bernard Fowler e Sarah Dash. Outro integrante dos Neville Brothers, o tecladista Ivan Neville, também empresta seu talento ao álbum.

Outras faixas de destaque do trabalho são Robbed Blind e Love Overdue. Vale lembrar que os Rolling Stones continuam firmes e fortes, fazendo shows e possivelmente gravando um novo álbum de inéditas. Vale lembrar: Keith também lançou como artista solo um álbum ao vivo, Live At The Hollywood Palladium (1988).

Love Hurts (live)- Keith Richards e Norah Jones:

Veja documentário sobre Keith Richards em streaming:

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