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Os Rolling Stones provam que óbvio também pode ser genial

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Por Fabian Chacur

Nada mais óbvio para uma banda que tirou o seu nome de um clássico do blues (Rollin’ Stone, do genial Muddy Waters) do que gravar um álbum totalmente dedicado a esse gênero musical, não é mesmo? Pois essa obra demorou 54 anos para se concretizar. E quer saber? Valeu, e como, a espera. Blue & Lonesome, novo álbum da banda de Mick Jagger, prova de que às vezes o óbvio também pode ser genial e instigante.

O blues faz parte desde sempre do repertório desta seminal banda inglesa. Não faltam exemplos de standards blueseiros relidos com categoria por eles, como I Just Want To Make Love To You, Little Red Rooster e Love in Vain, só para citar três. Isso, sem contar as composições próprias que se valeram de elementos desse gênero fundamental para o surgimento de jazz, rock and roll e tantas outras sonzeiras de primeiríssima linha.

Das várias possibilidades de se realizar um trabalho desse porte, os Stones optaram pela mais adequada a eles. Ou seja, selecionaram um repertório maravilhoso, que soará inédito para a maioria dos fãs por se tratar de canções tiradas do fundo do baú, coisa de conhecedores, mesmo, e as gravaram sem frescuras, de forma crua e direta. Além dos quatro integrantes oficiais da banda, apenas seus três músicos de apoio em shows e a participação de Eric Clapton em duas faixas. As 12 músicas foram registradas em apenas três dias.

O resultado é o que se poderia se esperar de uma empreitada como essa. Totalmente à vontade, Jagger, Richard e sua turma esmerilham, soltando a alma e exalando prazer em maravilhas do porte de Ride ‘Em Down, Hate To See You Go, Just Your Fool, I Gotta Go e Just Like I Treat You, de autores como Little Walter, Willie Dixon e Jimmy Reed. Só uma é mais conhecida. Trata-se de I Can’t Quit You Baby, que muitos conheceram na ótima versão do Led Zeppelin.

Eric Clapton exibe a competência habitual na seara do blues nas ótimas I Can’t Quit You Baby e Everybody Knows About My Good Thing. Se não bastasse a qualidade musical, Blue & Lonesome aparece em belíssima embalagem digipack, com direito a capa tripla e encarte repleto de informações sobre as músicas e as sessões de gravações. Se por alguma razão este álbum se tornar o último dos Rolling Stones, nenhuma despedida poderia ser mais brilhante e elogiável do que esta. Mas se vier um volume 2, será mais do que bem-vindo!

Ride ‘Em On Down- The Rolling Stones:

Um jornal paulistano ignorou os shows dos Stones em 1995

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Por Fabian Chacur

Nesta quarta-feira (24) e no próximo sábado (27), os Rolling Stones voltam a São Paulo. Infelizmente, não estarei lá para conferir, mas não posso reclamar, pois vi os três shows que a banda de Mick Jagger e Keith Richards realizou por aqui em 1995. E tenho boas lembranças deles. Mas uma delas é no mínimo bizarra: vocês acreditam que um grande jornal paulistano não publicou uma única linha sobre essas performances? E por razões bizarras…

Ficou curioso? Pois vamos lá revelar esse momento triste do jornalismo paulistano. Em 1995, eu era repórter e crítico musical do Diário Popular, na época o jornal que mais vendia em bancas em São Paulo. Quando a vinda dos Rolling Stones para tocar por aqui pela primeira vez foi anunciada, fiquei muito ansioso, pois teria a chance de enfim vê-los ao vivo e escrever sobre isso em uma publicação grandona.

Só que as coisas não correram como eu imaginava. O departamento comercial da publicação, incomodada pelo fato de a produtora do evento não anunciar em suas páginas, resolveu pura e simplesmente vetar a cobertura dos shows. Ao invés de propor uma bela cobertura, para depois conseguir anúncios de outros eventos daquela empresa, os caras simplesmente resolveram tapar o sol com papel celofane. E a direção de redação concordou com tal idiotice.

Enquanto a imprensa como um todo oferecia uma cobertura generosa para seus leitores, o Diário Popular fingiu que não havia pedras britânicas do mais alto quilate rolando em nossas terras. Fui credenciado para ir aos shows, mas a minha orientação era só escrever matérias se ocorresse algo muito errado, tipo morrer alguém, os shows não acontecerem ou algo assim. Como tudo correu relativamente bem, nada saiu. Um total desrespeito aos leitores.

Se infelizmente não pude registrar o que vi nas páginas do Diário, ao menos tive a chance de ver um dos melhores grupos de rock de todos os tempos em excelente forma. Divulgando na época o ótimo álbum Voodoo Lounge (1994), eles tocaram algumas músicas daquele CD, como a espetacular You Got Me Rocking, e um caminhão de hits, como (I Can’t Get No) Satisfaction, Gimme Shelter, Sympathy For The Devil etc.

Dois momentos particularmente me marcaram. Ouvir Happy no segundo show foi um deles. O rockão interpretado por Keith Richards foi o primeiro compacto dos Rolling Stones a entrar na minha coleção, um belo presente que pedi e ganhei do meu padrinho Eduardo. O outro foi ver Mick Jagger comandando a coreografia da multidão de fãs durante Brown Sugar, na parte final, do yeah yeah yeah uh que marca essa canção.

A chuva durante os dois primeiros shows, realizados nos dias 27 e 28 de janeiro de 1995, foi responsável por eu ter preferido conferir as performances no espaço dedicado à imprensa, no local do Pacaembu destinado às emissoras de rádio e TV para transmissão de jogos de futebol. Como uso óculos, não conseguiria ver nada se estivesse no meio do povão, com aquela chuva toda. O último show, no dia 30, foi a seco.

A abertura dos shows ficou a cargo de Barão Vermelho, Rita Lee e da injustamente subestimada banda americana Spin Doctors. Com seu rock swingado e energético, os caras lançaram em 1991 Pocket Full Of Kryptonite, na minha opinião um dos dez melhores discos de rock dos anos 1990. Fizeram boas apresentações, e tive a oportunidade de conversar com eles. O único ponto a se lamentar foi o fato de o guitarrista original da banda, Erik Schenkman, ter saído fora, substituído naqueles shows pelo competente Anthony Crizam. Ele voltaria ao grupo nos anos 2000, mas isso é outra história.

You Got Me Rocking– The Rolling Stones:

Happy– The Rolling Stones:

Brown Sugar– The Rolling Stones:

The Rolling Stones estão bem próximos do Brasil de novo

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Por Fabian Chacur

Da primeira visita de Mick Jagger e Keith Richards ao Brasil aos primeiros shows dos Rolling Stones no país, tivemos de esperar durante longos 27 anos. Em janeiro de 1995, enfim uma das mais importantes e bem-sucedidas bandas de rock de todos os tempos deu o ar de sua graça. Após outras passagens bacanas, eles retornam em breve para tocar aqui. As bandas de abertura foram anunciadas nesta sexta-feira (5): Ultraje a Rigor (no Rio), Titãs (em São Paulo) e Cachorro Grande (em Porto Alegre).

A turnê latino-americana da banda britânica teve início nesta quarta (3) em Santiago, no Chile, e chega ao Brasil no próximo dia 20/2, com show único no Maracanã, no Rio. Em São Paulo, o local será o estádio do Morumbi, nos dias 24 e 27 de fevereiro. Porto Alegre verá as “Pedras Rolantes” no dia 2/3, no estádio do Beira-Rio. Os ingressos custam de R$ 260,00 a R$ 900,00, e estão se esgotando. Mais informações aqui.

Ficaram muito para trás os tempos em que a banda liderada por Mick Jagger (vocal) e Keith Richards (guitarra) era autossuficiente em shows. Além da dupla e do baterista Charlie Watts e do guitarrista Ron Wood, o time é acrescido de uns dez músicos de apoio, entre tecladistas, vocalistas, músicos de sopros etc. Virou uma espécie de “Orquestra Rolling Stones”. Os shows também são sempre repletos de efeitos especiais, sendo um verdadeiro espetáculo de rock arena.

Sem lançar um álbum de inéditas desde A Bigger Band (2005), o grupo britânico oferecerá aos fãs brasileiros um repertório repleto de grandes hits dos anos 1960 e 1970, com raras exceções. O set list do primeiro show da turnê pela América Latina indica nessa direção. Normalmente os shows do grupo tem uma ou outra variação, mas essa lista vale como uma boa dica do que eles tocarão em nossos palcos.

Apesar dos preços salgados e da falta de novidades, as lotações serão expressivas, e não é difícil de entender a razão. Trata-se de uma banda que está na ativa desde o longínquo 1962, com uma história incrível e um caminhão de hits no currículo. E esta tem tudo para ser uma de suas últimas passagens por aqui. Logo, quem não viu ainda não quer perder por nada, e quem já viu, deseja dar uma última conferida.

Set list do show dos Rolling Stones em Santiago, Chile (3.2.2016):

1Start Me Up

2It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)

3Let’s Spend the Night Together

4Tumbling Dice

5 Out of Control

6She’s a Rainbow (by request, first since 16 Sept 1998)

7Wild Horses

8 Paint It Black

9Honky Tonk Women (followed by band introductions)

10You Got the Silver (Keith Richards on lead vocals)

11Happy (Keith Richards on lead vocals)

12Midnight Rambler

13Miss You

14 Gimme Shelter

15Jumpin’ Jack Flash

16Sympathy for the Devil

17Brown Sugar

BIS:

18You Can’t Always Get What You Want (with Estudio Coral de Santiago)

19(I Can’t Get No) Satisfaction .

Miss You (extended version)- The Rolling Stones:

Brown Sugar (live 2006)- The Rolling Stones:

Happy (live in Brasil 2006)- The Rolling Stones:

Keith Richards lança CD solo Crosseyed Heart em 9/2015

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs de rock and roll clássico. Chegará às lojas especializadas no dia 18 de setembro, via Universal Music, Crosseyed Heart, terceiro solo CD de estúdio de Keith Richards. O eterno guitarrista dos Rolling Stones não lançava um trabalho individual há longos 23 anos, mas quebrará esse longo intervalo em grande estilo. Vem coisa boa por aí.

O álbum, que sucede Talk Is Cheap (1988) e Main Offender (1992), terá sua primeira amostra divulgada no dia 17 de julho, quando sairá o primeiro single a ser extraído do repertório de 15 faixas. Trata-se de Trouble, um rock com a marca significativa do estilo que consagrou o cantor, compositor e músico britânico.

O elenco de convidados do disco é bem consistente. Norah Jones, que já havia cantado com Richards em shows ao vivo, marca presença em Illusion, canção composta em parceria por eles. Aaron Neville, vocalista dos Neville Brothers, participa de Nothing On Me, enquanto o saxofonista Bobby Keys, célebre por seus solos em discos e shows dos Rolling Stones, toca seu instrumento em Amnesia e Blues In The Morning.

Fazem parte da banda básica de Crosseyed Heart músicos habituados a tocar com Keith Richards nos Stones ou em sua carreira solo, entre eles o baterista Steve Jordan (que coproduziu várias das faixas do novo CD), o guitarrista Waddy Wachtel e os vocalistas de apoio Bernard Fowler e Sarah Dash. Outro integrante dos Neville Brothers, o tecladista Ivan Neville, também empresta seu talento ao álbum.

Outras faixas de destaque do trabalho são Robbed Blind e Love Overdue. Vale lembrar que os Rolling Stones continuam firmes e fortes, fazendo shows e possivelmente gravando um novo álbum de inéditas. Vale lembrar: Keith também lançou como artista solo um álbum ao vivo, Live At The Hollywood Palladium (1988).

Love Hurts (live)- Keith Richards e Norah Jones:

Veja documentário sobre Keith Richards em streaming:

Reedição luxuosa valoriza CD Sticky Fingers (Rolling Stones)

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Por Fabian Chacur

Um dos grandes méritos do formato CD consiste nas reedições de álbuns clássicos dos mais diversos estilos. Um deles acaba de ganhar essa roupagem de luxo. Trata-se de Sticky Fingers (1971), para alguns (eu incluso) o melhor álbum da brilhante carreira dos Rolling Stones, que chega às lojas brasileiras em reedição absolutamente imperdível.

O novo Sticky Fingers traz o disco original em versão remasterizada e um CD bônus dividido em duas partes distintas. Uma traz cinco versões alternativas de faixas do álbum, incluindo uma de Brown Sugar com a participação especial de Eric Clapton. Nenhuma delas supera as originais, mas são todas ótimas, para fazer o fã babar de prazer.

A segunda metade nos proporciona cinco gravações ao vivo extraídas de show dos Stones realizado no mítico Roundhouse londrino em 1971, nos quais o quinteto esbanja energia e talento nas fantásticas Live With Me, Stray Cat Blues, Love in Vain, Midnight Rambler e Honky Tonk Women. Adrenalina pura, para botar os ya’ya’s para fora agora.

A capa do álbum é quádrupla no esquema digipack, e traz de quebra um encarte repleto de fotos inéditas e com a reprodução das célebres imagens do jeans e da cueca criados pelo mítico artista plástico Andy Warhol. A ficha técnica surge completa. Só faltaram um texto sobre o álbum e as letras das músicas para a reedição ganhar um dez com louvor.

Sticky Fingers é o primeiro álbum completo com a presença do guitarrista Mick Taylor, e pode ser considerado aquele em que Mick Jagger e Keith Richards chegam ao formato perfeito para a sua música. Brown Sugar, faixa que abre o LP, é uma das gravações mais perfeitas da história do rock, e seria a fonte a partir do qual o grupo faria inúmeras outras tão boas quanto, do tipo Start Me Up e She’s So Cold.

Guitarrista oriundo do universo do blues e com influências jazzísticas, Mick Taylor trouxe aos Stones um acréscimo em termos técnicos que se refletiu em faixas como Can’t You Hear Me Knocking (com seu envolvente improviso jazzístico em sua metade final), I Got The Blues, You Gotta Move e Moonlight Mile. O parceiro perfeito para a guitarra crua e de riffs matadores e inconfundíveis de Keith Richards.

Uma grande virtude desse álbum, que atingiu o topo da parada americana em 1971 e marcou o início da Rolling Stones Records e do célebre símbolo da boca com a língua de fora, um dos maiores ícones do rock and roll, é a concisão. São apenas dez faixas, uma melhor do que a outra, com direito aos hits Brown Sugar e a comovente Wild Horses.

O famoso zíper da versão original em vinil, que tantos problemas trouxe em termos logísticos na época, desta vez veio apenas em papel, não seguindo a reedição em CD feita nos anos 1990 pela Virgin Records. Mas é um detalhe que pode ser deixado em segundo plano e devidamente relevado, pois a qualidade artística dessa reedição merece ser apreciada pelos fãs do melhor rock and roll.

Can’t You Hear Me Knocking– The Rolling Stones:

Brown Sugar (versão alternativa com Eric Clapton)- The Rolling Stones:

Wild Horses– The Rolling Stones:

Livro conta a incrível história de fanzine dos Rolling Stones

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Por Fabian Chacur

Em 1978, um garoto de apenas 16 anos resolveu, após muito tempo insatisfeito com a pequena e inexata cobertura da imprensa referente à sua banda favorita, criar um fanzine. Mal sabia ele, Bill German, que aquele inocente gesto mudaria a sua vida por completo. Eis o que conta o excelente livro Under Their Thumb (Editora Nova Fronteira), cujo subtítulo entrega o conteúdo do mesmo: como um bom garoto se misturou com os Rolling Stones e sobreviveu para contar.

O americano Bill German criou o seu fanzine, intitulado Beggars Banquet, em 1978. No início, ninguém dava nada por ele. No entanto, o jovem nova iorquino não desanimou, e indo atrás de fontes e mergulhando no trabalho da banda, começou a tornar seu trabalho conhecido. Em 1980, aproveitou a presença da banda em Nova York e, na raça, abordou Keith Richards e Ron Wood para lhes entregar exemplares do fanzine. Mal sabia o que estava iniciando.

Por sorte de German, Keith Richards, Mick Jagger e Ron Wood passavam uma boa parte de seu tempo naquele início dos anos 1980 em Nova York. Dessa forma, ele conseguiu se aproximar deles e de seus assessores e produtores. Resultado: em 1983, foi convidado a tornar o Beggars Banquet o boletim oficial do grupo para os fãs americanos.

Detalhe: com chamada para convidar os fãs para assiná-lo no encarte do álbum Undercover. Era a glória. Bem, sim e não. A partir daí, o jovem German sentiu na pele o que é lidar com o ego inflado e a instabilidade emocional de astros do rock e, principalmente, como é duro conviver com os assessores desses astros. Isso, ganhando quantias de dinheiro que lhe permitiam apenas uma dura luta pela sobrevivência.

Com um texto fluente e divertido, o autor nos conta intimidades vividas ao lado especialmente de Keith Richards e Ron Wood, além da convivência com alguns personagens inacreditáveis da entourage da banda britânica. Tudo regado a muitas drogas, mulheres e rock and roll, não necessariamente nessa ordem, mas sempre com belos bastidores.

Detalhes de shows, o relacionamento da banda com os fãs, a imprevisibilidade total do temperamento de Mick Jagger, a simpatia de Richards e Wood e a mudança da postura do staff da banda com o decorrer dos anos pontuam o livro. Durante 17 anos (até o início de 1996), Bill German viveu em função do Beggars Banquet, e pagou caro por isso. Mas não se arrepende.

Under Their Thumbs também serve como um bom registro em primeira mão das mudanças ocorridas no mundo dos shows entre os anos 1980 e 1990, quando os espetáculos de bandas grandes como os Rolling Stones viraram eventos faraônicos, com ingressos caríssimos e o público mantido cada vez mais distante de seus ídolos.

Harlem Shuffle– The Rolling Stones:

Beast Of Burden– The Rolling Stones:

Undercover Of The Night– The Rolling Stones:

Ian McLagan e Bobby Keys, as novas perdas do rock ‘n’ roll

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Por Fabian Chacur

O mundo do rock and roll tomou duas pauladas daquelas nos últimos dias, com a perda de grandes músicos relacionados aos Rolling Stones. Nesta terça (2), deixou-nos o saxofonista americano Bobby Keys. Quando ainda não havíamos nos recuperado do baque, eis que surge a notícia nesta quarta (3) da morte do tecladista britânico Ian McLagan. Um luto daquele tamanho.

Bobby Keys tinha 70 anos de idade, e nasceu na cidade americana de Lubbock, Texas, no dia 18 de dezembro de 1943, mesmo dia, mês e ano do britânico Keith Richards. Ainda adolescente, tocou em shows com o mais famoso músico surgido em sua cidade natal, o genial Buddy Holly e sua banda The Crickets. E foi uma canção dessa banda que o fez conhecer os Rolling Stones.

Lá pelos idos de 1965, ele ouviu o emergente grupo de Mick Jagger tocando Not Fade Away, clássico de Buddy Holly. Em um primeiro momento, achou que os caras estavam querendo faturar em cima da obra do seu saudoso amigo. Ao prestar mais atenção, sacou que a banda era boa, e que realmente curtia de coração o rock americano.

No fim dos anos 60, ele já havia ficado amigo de Jagger e especialmente de Richards, que logo percebeu que Key não era apenas um colega de data de nascimento, e sim uma espécie de irmão espiritual. O saxofonista participou de inúmeras turnês dos Stones, com quem tocou até o início de 2014, quando teve de parar por problemas de saúde.

O músico participou de álbuns seminais da discografia das Pedras Rolantes, entre os quais Let It Bleed (1969), Sticky Fingers (1971) e Exile On Main Street (1972). É dele um dos solos mais marcantes de sax de todos os tempos, o de Brown Sugar, que segundo Keith Richards foi gravado em apenas um take. Ele também gravou o solo de Whatever Gets You Through The Night, sucesso de John Lennon e Elton John lançado em 1974 no álbum Walls And Bridges, do ex-beatle.

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Também é bastante elogiado, embora não tenha feito sucesso comercial, o álbum solo que Bobby Keys lançou em 1972 que contou com as participações especiais de George Harrison, Jack Bruce, Leslie West, Dave Mason e Ringo Starr, entre outros. Curiosidade: a faixa Bootleg pode ter inspirado Tim Maia a compor Sossego, anos depois, pois a melodia é praticamente a mesma (valeu pelo toque, Zeca Azevedo!).

Por sua vez, o britânico Ian McLagan nasceu em 12 de maio de 1945, e ficou conhecido por integrar os Small Faces, de hits como Itchycoo Park. Quando o cantor e líder do grupo, Steve Marriott, saiu fora para montar o Humble Pie com o cantor e guitarrista Peter Frampton, McLagan e seus colegas Kenney Jones e Ronny Lane se uniram a Rod Stewart e Ron Wood para fundar os Faces.

A nova banda ajudou Rod Stewart a se tornar um dos grandes astros do rock, e nos proporcionou grandes momentos de um rock energético, básico e repleto de grandes momentos. No entanto, Rod The Mod ficou maior do que a banda, saiu fora para se dedicar em tempo integral a uma carreira solo, e os Faces acabaram ficando pelo caminho em 1975.

É aí que Ian McLagan entra no caminho dos Rolling Stones, participando de alguns shows e também de discos do grupo. O meu favorito com ele nos teclados é provavelmente o genial Some Girls, no qual tem participação de destaque tocando piano elétrico no grande hit Miss You. Ele também tocou com Chuck Berry, Bruce Springsteen e Bob Dylan, entre inúmeros outros de mesma envergadura. O cara trabalhava muito.

Ian lançou em 2000 uma autobiografia contando suas histórias roqueiras, intitulada All The Rage: A Riotous Romp Through Rock & Roll History, enquanto Bobby nos apresentou seu livro de memórias mais recentemente, em 2012, o elogiado Every Night’s a Saturday Night, cujo prefácio foi assinado por Keith Richards, que por sinal o cita com destaque em sua própria autobiografia, Life.

Bootleg – Bobby Keys:

Miss You- The Rolling Stones:

Brown Sugar – The Rolling Stones:

Esse Keith Richards que me faz tão “Happy”

Por Fabian Chacur

Em 1972, pedi de presente de aniversário ao meu padrinho um compacto simples dos Rolling Stones que trazia como destaque uma faixa que estava na época tocando nas rádios brasileiras abertas ao rock and roll, tipo Excelsior e Difusora. E ganhei. A tal música era Happy, um dos destaques do seminal álbum Exile On Main St. (saiba mais sobre esse álbum maravilhoso aqui), e pode-se dizer que teve início ali minha relação com os Rolling Stones.

Demorou um pouco para eu saber que o cantor naquela faixa não era Mick Jagger, e sim o guitarrista da banda, Keith Richards. Esse mesmo, que nesta ensolarada quarta-feira (18) completa 70 anos de idade. Uma efeméride no mínimo curiosa, pois durante muito tempo, o músico e coautor dos grandes clássicos dos Stones com Mick Jagger liderou as listas sobre quem seria o novo astro do rock a morrer ainda jovem, seguindo Janis Joplin, Jim Morrison e o ex-colega de banda Brian Jones.

Aliás, chega a ser curioso pensar que, se fosse perguntado a alguém naquele mesmo 1972 sobre quem morreria primeiro, Keith ou outro guitarrista lendário também nascido em 1943, George Harrison, todos apostariam no primeiro. Pois o saudável ex-beatle nos deixou há 12 anos, enquanto “Keef” completa sete décadas sem dar mostras de que sairá de cena tão cedo. Um típico sobrevivente do rock.

Keith Richards é um dos maiores ícones do rock and roll em todos os aspectos, desde o visual de pirata, os instrumentos sempre marcantes, a atitude cool (contraponto irreverente ao mais midiático Jagger) e um estilo musical que conseguiu extrair elementos do blues e do rhythm and blues original para criar alguns dos mais fantásticos riffs de guitarra de todos os tempos.

Tive a honra de ver os Rolling Stones ao vivo no Brasil em sua primeira passagem por aqui, como atração máxima do Hollywood Rock em janeiro de 1995. Três dias de chuva, mas compensados por performances simplesmente endiabradas das Pedras Rolantes, com direito a ouvir Keith interpretando ali na minha frente com muita garra a minha amada Happy.

Sem se caracterizar como um solista dos mais refinados, Richards sempre nos proporcionou riffs poderosos como os de Jumpin’ Jack Flash, (I Can’t Get No) Satisfaction, Start Me Up e tantos outros copiados e reciclados por legiões de guitar players nos quatro cantos do Planeta. E sua voz rouca sempre foi benvinda entre uma penca e outra de interpretações certeiras de Mick Jagger, um dos cantores mais carismáticos da história da música.

Fora da banda, lançou ao menos um disco solo antológico, Talk Is Cheap, que completou 25 anos de seu lançamento em 2013 e inclui maravilhas como Take It So Hard. Outro marco foi ter produzido e sido o band leader no show que homenageou seu grande ídolo, Chuck Berry, nos anos 80, espetáculo que gerou um dos filmes mais legais de rock and roll, o documentário Hail! Hail! Rock N’Roll (1987).

Ainda bastante ativo, Keith Richards viveu um pirata na franquia Piratas do Caribe ao lado de Johnny Depp, e atualmente sua a camisa nos shows comemorativos dos 50 anos de carreira dos Rolling Stones. Só nos resta desejar ao Homem Caveira muita saúde, muitos anos de vida e ainda muitos riffs certeiros para que nós, fãs, possamos nos deleitar com eles. Valeu, fera, por make me happy all these years!!!

Ouça Happy, com os Rolling Stones:

Ouça Take It So Hard, com Keith Richards:

Mick Jagger, Mr. Rock and Roll, faz 70 anos

Por Fabian Chacur

Mick Jagger completa 70 anos nesta sexta-feira (26). O que mais pode ser dito desse cantor, músico e compositor britânico que ainda já não tenha sido escrito, falado ou pensado? Nada, provavelmente. Então, vamos lá repetir algumas dessas frases e análises. Logo de cara, o óbvio: ele é o legítimo Mr. Rock And Roll, não tem jeito.

Ou você imagina algum símbolo mais contundente do nosso amado rock do que aquele mítico desenho dos lábios de borracha de Mr. Jagger que ornam há décadas não só os discos dos Rolling Stones como também camisetas, bottons, pôsteres, relógios e o que mais você imaginar? Falou em rock, lá vem os red lips surgindo em nossas mentes.

Nos palcos, poucos vocalistas conseguiram imprimir um estilo tão vigoroso e próprio como Mick Jagger, capaz de cativar e reger plateias nos quatro cantos do mundo desde os já longínquos anos 60 sem nunca ter perdido a classe, a rebeldia e a personalidade. Um verdadeiro e eloquente mestre salas do roquenrol!!!

Com sua voz potente, rouca e inconfundível, deu vida a clássicos sacudidos do naipe de Gimme Shelter, Brown Sugar, Jumpin’ Jack Flash, (I Can’t Get No) Satisfaction, Start Me Up e dezenas e mais dezenas de outros, além de baladas como Angie, Lady Jane, Beast Of Burden e tantas outras. Um songbook admirável e adorável.

Sua parceria com Keith Richards só toma pau de Lennon/McCartney, mas aí já é covardia. E tem também a carreira solo, que alguns acham insignificante mas que outros (eu entre eles) consideram extremamente relevante, com direito a bons discos e músicas muito bacanas, entre as quais Old Habits Die Hard, parceria com o ex-Eurythmics Dave Stewart que integrou a trilha do filme Alfie em 2004.

E o cara não quer saber de aposentadoria, mesmo com um currículo caudaloso tal qual um Rio Amazonas musical. Vem nova turnê dos Stones por aí, incluindo um provável disco novo no decorrer do período. O negócio é continuar gritando u-hu, u-hu, u-hu, e continuar simpatizando com o capeta, digo, com o cara dos red lips!!!

Ouça Old Habits Die Hard, com Mick Jagger:

Dusty Old Fingers homenageiam Brian Jones

Por Fabian Chacur

Brian Jones (1942-1969) foi um dos fundadores dos Rolling Stones, além de um dos grandes músicos da história do rock. Menos lembrado do que deveria/mereceria, ele acaba de receber uma belíssima homenagem. Trata-se do CD The Man Who Died Everyday, da banda brasileira Dusty Old Fingers. Coisa finíssima.

O grupo oriundo da cidade de Campinas (SP) surgiu da parceria entre o cantor, guitarrista e violonista Fabiano Negri e do guitarrista, violonista e backing vocalista Tony Monteiro, este último bastante conhecido por sua impecável atuação como crítico de rock há quase 30 anos. Completam o time Rick Machado (bateria e percussão), Joni Leite (baixo e harmônica) e Marcelo Diniz (teclados).

The Man Who Died Everyday é um álbum conceitual que, em suas 10 faixas, dá uma geral nos principais aspectos da vida de Brian Jones, desde o seu princípio como fã de blues e o posterior sucesso com os Stones até sua trágica morte aos 27 anos, até hoje envolvida por aspectos misteriosos e não devidamente explicados. Ele foi encontrado sem vida na piscina de sua casa, pouco tempo após ter sido demitido de sua própria banda.

As canções investem em blues, blues rock, rock básico e hard rock, todas com melodias a cargo de Negri e inventivas letras assinadas por Monteiro. A parte instrumental alia energia crua e básica a elaboração e bom gosto nos arranjos, com vocais energéticos e melodias bacanas.

A certeira balada roqueira Blond Hair Baby Face é o destaque do álbum, mas o material é bastante consistente como um todo. O rockão Librae Solidi Denarii, a certeira Going To Hell (com participação da cantora Sheila Le Du) e a arrepiante faixa-título são outros achados, sendo que nesta última o piano tocado pelo maestro Paulo Gazzaneo dá à canção um tom lúgubre simplesmente arrepiante.

Se merece a classificação ópera-rock, The Man Who Died Everyday não cai na armadilha do excesso de sofisticação e arrogância que às vezes ataca essa vertente do nosso amado rock and roll. Brian Jones certamente sorriria feliz após ouvir esse trabalho repleto de criatividade e energia feito pelo quinteto campineiro.

Ouça Blond Hair Baby Face, com o Dusty Old Fingers:

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