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Tom Petty dá show de rock e agrada com CD Hypnotic Eye

tom petty 2014-400x

Por Fabian Chacur

Tom Petty é integrante do primeiro time do rock americano desde o lançamento do primeiro álbum de sua banda, The Heartbreakers, em 1976 (leia a resenha aqui). E ele não perdeu a fome de música, vide seu mais recente álbum, o excelente Hypnotic Eye, ainda inédito no Brasil. Coisa finíssima!

Hypnotic Eye traz de cara o atrativo de ter sido o primeiro álbum de Petty a atingir o primeiro lugar na parada americana (leia sobre esse tema aqui). Em plena era dos downloads e Ipods, esse veterano roqueiro continua sendo relevante e atraindo a atenção do publico.

Nada mais justo. Poucos artistas conseguem manter a chama do rock americano tão acesa como este cantor, compositor e guitarrista, legítimo herdeiro de Byrds, Del Shannon, Chuck Berry, Roy Orbison e mesmo Rolling Stones (ingleses que cultuaram como poucos o rock ianque) que soube tocar adiante esse legado sem cair na repetição ou na mesmice. Um sujeito de personalidade, talento e assinatura própria.

O novo álbum marca o retorno da banda quatro anos após o ótimo Mojo (leia a resenha aqui), no qual exploraram de forma ampla e inspirada o blues e suas vertentes. Desta vez, a aposta foi no rock básico, com um ou outro momento mais reflexivo. Um show de riffs, energia e categoria.

Um dos segredos da banda é a sua longevidade em termos de formação. O excepcional guitarrista Mike Campbell é o braço direito de Petty e está com ele desde o inicio, assim como o ótimo tecladista Benmont Tench. O baixista Ron Blair também é da escalação inicial, embora tenha ficado longe do time entre 1982 e 2002, quando voltou para substituir seu substituto, o saudoso Howie Epstein (morto em 2003). Completam o time há 20 anos o veterano baterista Steve Ferrone e o guitarrista Scott Thurston. Todos jogam para as canções, sem virtuosismos tolos.

A festa rock and roller começa a mil com American Dream Plan B. Fault Lines mantém a coisa no alto, enquanto a compassada e ardida Red River coloca a combustão a mil. Full Grown Boy é a primeira pausa, quase jazzística e deliciosamente delicada. All You Can Carry vem com seus riffs potentes, seguida pela bluesy Power Drunk.

Forgotten Man vem com seu pique verdadeiramente alucinado. Sins Of My Youth é outro momento de reflexão, com uma levada quase bossa nova e melodia delicada. abre caminho para a sensacional e stoniana U Get Me High, enquanto Burnt Out Town e Shadown People fecham a tampa com sutileza e inspiração. Um disco daqueles para se ouvir de novo, e de novo, e de novo. Quem disse que o rock morreu? Trouxa!

American Dream Plan B– Tom Petty & The Heartbreakers:

Hypnotic Eye- Tom Petty & The Heartbreakers (álbum em streaming):

Conheça os bastidores de Damn The Torpedoes (1979) em novo DVD da série Classic Albums

Por Fabian Chacur

A série Classic Albums, feita pela Eagle Rock e distribuída no Brasil pela ST2, é uma espécie de sonho realizado para os fãs de rock, pois reúne documentários detalhados sobre alguns dos mais importantes discos do estilo.

O novo volume da coleção é dedicado a Damn The Torpedoes (1979), terceiro álbum de uma das melhores e mais importantes bandas da história do rock americano, Tom Petty & The Heartbreakers. Só para variar, uma delícia de se ver/ouvir.

Considero a banda liderada pelo cantor, compositor e guitarrista Tom Petty uma espécie de elo perdido entre os Byrds e o R.E.M., com direito a forte tempero do folk rock inglês dos anos 60.

Oriundo da Florida, a banda lançou seu primeiro álbum, autointitulado, em 1976. O disco demorou um ano para entrar nas paradas, e ficou por lá mais ou menos esse mesmo prazo. Escrevi recentemente sobre ele aqui em Mondo Pop. Discaço!

Após lançar o segundo em 1978 (You’re Gonna Get It) e mesmo muito gratos ao ótimo trabalho feito pelo veterano produtor Denny Cordell (conhecido por atuar com Joe Cocker, The Move e Procol Harum), sentiam que era hora de procurar outro profissional.

O próprio Cordell indicou Jimmy Iovine (Stevie Nicks, Paty Smith), e o DVD mostra como foi o entrosamento entre eles, sendo que a arma secreta de Iovine era o excepcional engenheiro de som Shelly Yakus.

Sem abandonar a sonoridade a qual havia abraçado nos discos anteriores, a banda de Petty veio com um som ainda mais calibrado e hits irresistíveis como Don’t Do Me Like That, Even The Losers e Refugee.

Resultado: Damn The Torpedoes colocou a banda no primeirissimo time do rock americano em termos comerciais (pois em termos artísticos eles já estavam lá), de onde nunca mais saiu.

O documentário apresenta entrevistas com Petty e os outros integrantes da banda, assim como Iovine, Yakus e Denny Cordell, que explicam faixa por faixa, com deliciosos detalhes sonoros e de bastidores.

Como esses documentários costumam ser apresentados na televisão de tempos em tempos, vale o aviso: as versões em DVD sempre trazem generosos extras, que neste caso equivalem a mais de 42 minutos, além dos 50 minutos do programa.

Classic Albums- Damn The Torpedoes é indicado para os mal informados que pensam ser Petty apenas um sortudo que integrou o supergrupo Travelling Wylburys no final dos anos 80. Vocês acham que Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lynne e Roy Orbison dariam essa boiada a alguém que não fosse um grande artista? Doce ilusão… Ele mereceu estar lá.

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