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Os grandes nomes da música que nos deixaram em 2017

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Por Fabian Chacur

Mais uma vez tivemos um ano repleto de perdas dolorosas, no meio musical. Lógico que o natural da existência é isso mesmo, as pessoas nascem, crescem e um dia nos deixam rumo ao desconhecido. Mas de uns três anos para cá, as perdas no cenário da música se tornaram simplesmente lamentáveis. Muita gente boa se foi. Ficam as suas lembranças, e, especialmente, as suas obras, que curtiremos até que chegue a nossa vez.

Chuck Berry, Belchior, Chris Cornell, Pat DiNizio, Grant Hart, Jerry Adriani… Muitas lágrimas rolaram durante os 12 meses de 2017. Abaixo, seguem os links com os textos que Mondo Pop fez para celebrar o trabalho desses artistas tão importantes:

John Wetton:

Morre John Wetton, o incrível cantor e baixista de prog rock

Al Jarreau:

Al Jarreau, aos 76 anos, leva a sua belíssima voz para o céu

Chuck Berry:

Chuck Berry, ou um sinônimo para a expressão rock and roll

Tommy LiPuma:

Tommy LiPuma, um produtor lendário, morre aos 80 anos

Joni Sledge (do grupo Sister Sledge):

Morre Joni Sledge, integrante do grupo vocal Sister Sledge

Belchior:

Belchior nos deixa fina poesia, brilho e belíssimas canções

Jerry Adriani:

Jerry Adriani: um ser humano adorável e um grande artista

Gregg Allman (do grupo The Allman Brothers):

O roqueiro Gregg Allman nos deixa aos 69 anos de idade

Kid Vinil:

O Kid Vinil, gentleman que se tornou um herói real do Brasil

Chris Cornell (do grupo Soundgarden):

Chris Cornell, ou mais um dos grandes que nos deixa cedo

Almir Guineto:

Almir Guineto, belo craque do samba, nos deixa aos 70 anos

Barros de Alencar (radialista, apresentador de TV e cantor):

Barros de Alencar, radialista e cantor, nos deixa aos 84 anos

Michael Johnson:

Michael Johnson/Bluer Than Blue nos deixa aos 72 anos

Luiz Melodia:

Luiz Melodia: o adeus a esse mestre inclassificável da MPB

Chester Bennington (do grupo Linkin Park):

Morre Chester Bennington, o vocalista do grupo Linkin Park

Grant Hart (do grupo Husker Du):

Grant Hart, ex-Husker Du, faz a sua última e triste viagem

Walter Becker (do grupo Steely Dan):

Walter Becker, do Steely Dan, sai do cenário pop aos 67 anos

Bunny Sigler:

Bunny Sigler, grande nome do Philly Sound, morre nos EUA

Tom Petty:

Tom Petty, elo perdido entre os Byrds e o R.E.M., viajou

Laudir de Oliveira (do grupo Chicago):

Músico Laudir de Oliveira, ex-Chicago, morre durante show

Malcolm Young (do grupo AC/DC) e George Young (do grupo Easybeats e produtor):

Malcolm e George Young são desfalques de família rocker

Fats Domino:

Fats Domino, um precursor do rock, nos deixa aos 89 anos

Pat Dinizio (do grupo The Smithereens):

Pat Dinizio, vocalista e o líder dos Smithereens, nos deixa

Tom Petty, elo perdido entre os Byrds e o R.E.M., viajou

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Por Fabian Chacur

Na melhor resenha que tive a oportunidade de escrever na extinta revista Bizz (acho que já nos tempos de Showbizz), sobre a coletânea Greatest Hits, defini Tom Petty como uma espécie de elo perdido entre os Byrds, grande banda dos anos 1960, e o R.E.M., que trouxe a sonoridade do folk rock para a linguagem dos anos 1980. Um de meus ídolos, esse brilhante e genial cantor, compositor e músico americano nos deixou nesta segunda-feira (2), 18 dias antes de completar 67 anos.

A notícia surgiu no site TMZ, especializado em celebridades e marcado por ter sido quem divulgou em primeira mão o falecimento de Michael Jackson em 2009. Petty foi encontrado inconsciente em sua casa, em Malibu, não respirando e vítima de um ataque cardíaco. Ainda com sinais de vida, foi levado neste domingo (1º) ao Santa Monica Hospital, da UCLA (universidade de Los ANgeles). Chegando ao local, foi constatada morte cerebral, e posteriormente houve a decisão de desligar os aparelhos que o mantinham respirando.

Como a polícia de Los Angeles não confirmou a notícia posteriormente, causando um verdadeiro alvoroço na imprensa, os fãs, como eu, ainda tivemos a esperança de que pudéssemos ter a boa notícia de sua luta pela vida ainda estar ocorrendo. Mas Tony Dimitriades, manager há muitos anos de Tom Petty & The Heartbreakers, confirmou a morte do roqueiro. O link de seu site oficial, com a lamentável notícia, que agora é oficial, pode ser acessado aqui.

O astro americano havia encerrado há alguns dias a turnê comemorativa de 40 anos de carreira de sua banda, Tom Petty & The Heartbreakers, e vivia uma fase importante de sua trajetória. Em 2014, por exemplo, conseguiu colocar seu álbum Hypnotic Eye no topo da parada americana, e em 2016 lançou o segundo álbum (intitulado 2) da sua primeira banda, a Mudcrutch, que se separou no meio dos anos 1970 e só lançaria o primeiro álbum, autointitulado, em 2008.

Thomas Earl Petty nasceu em Gainesville, Florida, em 20 de outubro de 1950. Ele começou a mergulhar no mundo do rock no fim dos anos 1960, e mostrou forte potencial com o grupo o Mudcrutch, com quem só gravou singles, na época. Em 1975, ele e dois colegas daquela banda, o guitarrista Mike Campbell e o tecladista Benmont Tench, resolveram partir para outro projeto. Nascia Tom Petty & The Heartbreakers, cujo álbum de estreia, que leva o nome da banda como título, chegou às lojas em 1976.

Desde o início, o cantor, compositor e guitarrista americano mostrava forte influência rocker sessentista em sua sonoridade, ignorando tendências daquele momento como o glam rock, o punk, o heavy metal e a disco music para mergulhar no folk rock, country e rock básico. Tom Petty & The Heartbreakers (1976) e You’re Gonna Get It (1978) são duas obras-primas, com direito a muita urgência, entrosamento entre os músicos e um rock ao mesmo tempo melódico, retrô e sem soar saudosista. Coisa de craque. O retorno comercial foi mediano.

Foi com o seu terceiro álbum, Damn The Torpedoes (1978), que Petty e seus parceiros estouraram no cenário do rock americano. A partir daí, a banda conseguiu não só se firmar nas paradas de sucesso como também adquirir um incrível prestígio entre os grandes nomes do rock. Após uma turnê ao lado de Bob Dylan, ele, o autor de Blowin’ In The Wind, George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lynne criaram o supergrupo Travelling Wylburys. O quinteto se reuniu inicialmente apenas para gravar um lado B de single do ex-beatle, mas a coisa cresceu tanto que virou um verdadeiro evento.

Foram dois álbuns do mais puro rock and roll (Vol.1-1988 e Vol.3-1990), nos quais Petty se mostrou à altura dos colegas de time. Não estava lá por acaso. De quebra, ainda lançou em 1989 seu primeiro disco solo, Full Moon Fever, um de seus grandes êxitos em termos artísticos e comerciais. Curiosamente, Benmont Tench e Mike Campbell, parceiros de Heartbreakers, participaram do CD. Prova da parceria inseparável entre eles.

Nesses anos todos, Tom Petty se manteve na ativa, lançando discos relevantes e lapidando com categoria e bom gosto o seu estilo de fazer rock and roll. Nunca abdicou do total controle artístico. Ele entrou no Rock and Roll Hall Of Fame em 2002, e ganhou o cobiçado Billboard Century Award em 2005.

Em 2007, o cineasta Peter Bogdanovich lançou um documentário sobre Petty, Running Down a Dream. O rock and roll vigoroso, melódico, poético e intenso deste grande artista é um legado maravilhoso que ele nos deixou. Que saibamos valorizá-lo. E chega, não consigo escrever mais nada…É muita dor no meu peito!

You’re Gonna Get It- Tom Petty And The Heartbreakers:

Tom Petty dá show de rock e agrada com CD Hypnotic Eye

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Por Fabian Chacur

Tom Petty é integrante do primeiro time do rock americano desde o lançamento do primeiro álbum de sua banda, The Heartbreakers, em 1976 (leia a resenha aqui). E ele não perdeu a fome de música, vide seu mais recente álbum, o excelente Hypnotic Eye, ainda inédito no Brasil. Coisa finíssima!

Hypnotic Eye traz de cara o atrativo de ter sido o primeiro álbum de Petty a atingir o primeiro lugar na parada americana (leia sobre esse tema aqui). Em plena era dos downloads e Ipods, esse veterano roqueiro continua sendo relevante e atraindo a atenção do publico.

Nada mais justo. Poucos artistas conseguem manter a chama do rock americano tão acesa como este cantor, compositor e guitarrista, legítimo herdeiro de Byrds, Del Shannon, Chuck Berry, Roy Orbison e mesmo Rolling Stones (ingleses que cultuaram como poucos o rock ianque) que soube tocar adiante esse legado sem cair na repetição ou na mesmice. Um sujeito de personalidade, talento e assinatura própria.

O novo álbum marca o retorno da banda quatro anos após o ótimo Mojo (leia a resenha aqui), no qual exploraram de forma ampla e inspirada o blues e suas vertentes. Desta vez, a aposta foi no rock básico, com um ou outro momento mais reflexivo. Um show de riffs, energia e categoria.

Um dos segredos da banda é a sua longevidade em termos de formação. O excepcional guitarrista Mike Campbell é o braço direito de Petty e está com ele desde o inicio, assim como o ótimo tecladista Benmont Tench. O baixista Ron Blair também é da escalação inicial, embora tenha ficado longe do time entre 1982 e 2002, quando voltou para substituir seu substituto, o saudoso Howie Epstein (morto em 2003). Completam o time há 20 anos o veterano baterista Steve Ferrone e o guitarrista Scott Thurston. Todos jogam para as canções, sem virtuosismos tolos.

A festa rock and roller começa a mil com American Dream Plan B. Fault Lines mantém a coisa no alto, enquanto a compassada e ardida Red River coloca a combustão a mil. Full Grown Boy é a primeira pausa, quase jazzística e deliciosamente delicada. All You Can Carry vem com seus riffs potentes, seguida pela bluesy Power Drunk.

Forgotten Man vem com seu pique verdadeiramente alucinado. Sins Of My Youth é outro momento de reflexão, com uma levada quase bossa nova e melodia delicada. abre caminho para a sensacional e stoniana U Get Me High, enquanto Burnt Out Town e Shadown People fecham a tampa com sutileza e inspiração. Um disco daqueles para se ouvir de novo, e de novo, e de novo. Quem disse que o rock morreu? Trouxa!

American Dream Plan B– Tom Petty & The Heartbreakers:

Hypnotic Eye- Tom Petty & The Heartbreakers (álbum em streaming):

Eric Clapton faz homenagem a J.J. Cale no CD The Breeze

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Por Fabian Chacur

JJ Cale (1938-2013) foi uma espécie de “músico dos músicos”, pois embora nunca tenha feito grande sucesso em termos comerciais, sempre foi cultuado por um público fiel e por inúmeros colegas de profissão. Seu fã mais famoso, Eric Clapton, ajudou a divulgar a sua obra, e agora lança um novo CD em homenagem ao amigo, o maravilhoso The Breeze- An Appreciation Of J.J. Cale, que a Universal Music acaba de lançar no Brasil.

A influência do cantor, compositor e guitarrista americano na obra de Eric Clapton é muito grande, o que pode ser notado especialmente a partir dos anos 70. Em 1970, o mago britânico da guitarra gravou uma composição de Cale, After Midnight, e a partir dali se tornou um intenso consumidor das canções dele, tendo gravado sete delas no decorrer de sua carreira, entre as quais a icônica Cocaine.

Não satisfeito, Clapton gravou em 2006 um álbum em parceria com o amigo, o excelente The Road To Escondido, que rendeu à dupla um Grammy, o Oscar da música. De quebra, o autor de Cocaine ainda participou do CD Old Sock (2013), de Clapton, que nunca deixou de lado o seu prazer em divulgar a obra do amigo.

O trabalho de JJ traz como marcas a sutileza de suas canções e de seus solos, com uma mistura simplesmente brilhante de rock, country, folk e jazz no qual as canções sempre nos trazem a rara capacidade de conciliar uma aparente simplicidade formal com uma sofisticação que vinha à tona a cada nova audição de seu repertório.

The Breeze-An Appreciation Of JJ Cale é assinado por Eric Clapton & Friends, pois o Slowhand trouxe para o time os amigos Mark Knopfler, John Mayer, Tom Petty, Willie Nelson e Don White, com direito à coprodução do inseparável Simon Climie e a participação de músicos de apoio como os geniais Nathan East, Jim Keltner, Jamie Oldaker, Derek Trucks e Albert Lee, entre outros do mesmo (alto) gabarito.

O repertório inclui músicas de várias fases da carreira de JJ Cale, em interpretações que respeitam o espírito das gravações originais. As 16 faixas são boas, mas vale destacar Call Me The Breeze (Clapton solo), Rock And Roll Records (Clapton e Tom Petty), Someday (Mark Knopfler), The Old Man And Me (Tom Petty) e Songbird (Clapton e Willie Nelson).

Trata-se daquele tipo de CD que já nasce clássico, e que foge completamente do teor oportunista de algumas homenagens feitas por aí a outros artistas. Neste, Clapton demonstra reverência e amor pela obra do saudoso amigo, e reúne um elenco mais do que adequado para fazer jus à qualidade dessas músicas. Boa dica de presente para amigos e amigas roqueiras de bom gosto.

Vídeo sobre o CD The Breeze:

Call Me The Breeze– Eric Clapton:

Tom Petty atinge pela 1ª vez o topo da parada americana

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Por Fabian Chacur

A vida começa aos 60? Esta pode ser a frase para definir o momento atual de Tom Petty, um dos grandes nomes do rock americano de todos os tempos. O cantor, compositor e músico americano acaba de atingir pela primeira vez o topo da parada da Billboard, quase 37 anos após sua primeira visita aos charts mais importantes da indústria da música, em 1977.

Hypnotic Eye, novo álbum do astro com seu grupo The Heartbreakers, vendeu 131 mil cópias na semana de seu lançamento, encerrada no dia 3 de agosto, o que lhe valeu o topo da parada americana naquele período sem grandes dificuldades. O álbum, ainda sem previsão de lançamento no Brasil (mas deve sair por aqui), é mais uma profissão de fé no rock com acento country, folk e blues, e merece elogios.

A façanha ocorre quando Petty vive os primeiros meses como sessentão, idade que ele completou em outubro de 2013. Ele está em turnê para divulgar o álbum. Aliás, o CD foi oferecido aos compradores de ingressos para os shows com desconto especial, o que ajudou a ampliar suas vendas. Isso já havia ocorrido em 2010, quando Mojo vendeu 125 mil cópias e bateu no número 2 nos EUA.

Tom Petty ganhou com larga margem do segundo colocado na mesma semana, curiosamente um álbum do qual ele também participa. Trata-se de The Breeze: An Appreciation of J.J. Cale, de Eric Clapton, no qual o “slow hand” homenageia seu saudoso parceiro J.J. Cale, autor de hits como Cocaine e After Midnight. O álbum vendeu 61 mil cópias no mesmo período e traz também John Mayer e Willie Nelson.

Ouça em streaming Hypnotic Eye- Tom Petty & The Heartbreakers:

You’re Gonna Get It! Tom Petty & The Heartbreakers (1978- Gone Gator Records)

Por Fabian Chacur

No excelente texto assinado pelo jornalista Bill Flanaghan e incluído na reedição de You’re Gonna Get It! lançada em 1991, esse disco é definido como um “grande disco perdido”.

A definição tem razão de ser. O álbum de Tom Petty & The Heartbreakers está situado em termos temporais entre dois álbuns teoricamente mais importantes.

Tom Petty & The Heartbreakers (1976), o trabalho de estreia da banda americana, demorou mais de um ano para conseguir repercutir, com o estouro das faixas Breakdown e American Girl. Já escrevi sobre ele aqui em Mondo Pop.

Por sua vez, Damn The Torpedoes (1979), o terceiro, marca o início da parceria do quinteto com o produtor Jimmy Iovine e o engenheiro de som Shelly Yakus, e também foi o álbum que os elevou ao primeiro time do rock.

You’re Gonna Get It! está ensanduichado entre os dois. Não é a estreia, nem conseguiu elevar a banda rumo ao próximo patamar de sucesso.

E porquê isso não ocorreu?

Uma das razões pode ser o fato de as rádios americanas terem implicado com a palavra cocaine logo nos primeiros versos da primeira faixa de trabalho do álbum, a contagiante Listen To Her Heart, com direito a guitarras de 12 cordas e arranjo matador no melhor estilo Beatles 1964.

Outra razão possível é o fato de o LP de estreia ainda estar obtendo boa repercussão quando este aqui chegou às lojas.

E tem a terceira: trata-se de um disco mais agressivo e  sombrio, o mais próximo que Tom Petty & The Heartbreakers soaram como uma banda punk em toda a sua longa carreira.

Temos aqui 10 faixas certeiras e fortes, alinhadas em uma sequência perfeita que te leva a ouvir de novo, de novo, de novo…

Tudo começa com a energia pura de When The Time Comes. A faixa título vem logo a seguir e é brasa pura, no melhor esquema “morde e assopra”, ou seja, indo de momentos mais calmos aos mais agressivos.

Hurt é um daqueles rocks vibrantes e de acento folk nos quais ecos de Bob Dylan soam no ar, com as notas curtas e certeiras da guitarra de Mike Campbell tornando tudo mais direto e perfeito.

Magnolia tem aquele tempero de balada pop rock dos anos 60 que certamente a poderia ter transformando em um hit, o que, infelizmente, não ocorreu. Um pecado.

Note o teclado de Benmont Tench, sempre incluído com bom gosto e maestria em cada canção.

Too Much Ain’t Enough tem pegada de blues rock acelerado, com direito a belos riffs e solos de Campbell, um verdadeiro mestre ignorado da guitarra.

I Need To Know tem virulência, urgência e agressividade suficientes para rotulá-la como uma espécie de punk rock a la Tom Petty & The Heartbreakers.

Curiosamente, foi o single extraído do álbum com melhor desempenho nas paradas, atingindo a posição de número 41.

Listen To Her Heart já mereceria a alcunha de perfeita só pelos arranjos de guitarra, mas sua melodia perfeita, seus vocais envolventes e sua letra tirando sarro do conquistador riquinho ajudam a tornar a coisa perfeita.

Pensar que essa música chegou apenas ao posto de número 59 da parada americana só por incluir de forma corriqueira a palavra cocaine mostra o quanto às vezes o tal “politicamente correto” é uma verdadeira bosta.

No Second Thoughts é uma espécie de encontro entre Bob Dylan e folk rock psicodélico, cativando com sua levada vianjandona.

Restless equivale ao momento mais funky do álbum, uma mistura de funk rock com bela levada da excepcional cozinha rítmica formada por Ron Blair (baixo) e Stan Lynch (bateria).

A festa é encerrada pelo rockaço Baby’s A Rock ‘N’ Roller, um petardo de riff hard que deixa o ouvinte com gostinho de quero mais, muito mais.

A produção crua e sem muitos requintes do veterano Denny Cordell, conhecido por seus trabalhos com Joe Cocker, Procol Harum e Leon Russell dá ao disco sua moldura perfeita.

Embora tenha se consolidado como uma das grandes bandas da história do rock, nunca mais Tom Petty & The Heartbreakers soaram tão urgentes e vibrantes como em You’re Gonna Get It!, que merece ser rotulado como um dos melhores álbuns de rock que pouca gente conhece. Uma pena.

You’re Gonna Get It!- Tom Petty & The Heartbreakers (em streaming):

Tom Petty amplia as raízes do blues em Mojo

Por Fabian Chacur

Em recente entrevista, Tom Petty comentou que ao começar a conceber seu novo trabalho, pensou no que nunca havia feito em seus quase trinta anos de carreira. E surgiu a ideia de criar um trabalho de blues, algo até então inédito em sua trajetória. Nascia Mojo, novo álbum de Tom Petty & The Heartbreakers e um de seus melhores.

A grande sacada do brilhante cantor, compositor e guitarrista americano foi não cair na tentação de fazer músicas que seguissem apenas um dos diversos caminhos do blues, semente de praticamente tudo o que de fato interessa na música- rock, jazz, rhythm and blues, soul, funk, rap, a lista é interminável.

Nas 15 faixas deste álbum, Petty e seus colegas de banda usaram a linguagem básica do blues das mais diversas formas. Jefferson Jericho Blues, que abre o disco, por exemplo, é um blues de Chicago típico, dançante e ardido, quase roqueiro.

I Should Have Known It é o típico hard rock de origem blueseira, e curiosamente, é seguida pela faixa mais próxima do blues de raiz, a crua U.S. 41. No Reason To Cry lembra ao mesmo tempo baladas de Eric Clapton e do próprio Petty, e encanta pela doçura.

First Flash Of Freedom, com seu andamento de valsa, nos leva aos psicodélicos anos 60, lembrando coisas do Lovin Spoonful e cativando logo nos primeiros acordes. Dá para sonhar acordado com o romantismo viajandão dessa faixa.

E o disco tem muito mais, como a roqueira bubblegum Candy, o blues mais sentido Good Enough (com ecos de B.B. King) e o reggae-blues Don’t Pull Me Over. Cada audição te leva a novas descoberta.

Lógico que Tom Petty não seria nada se não tivesse alguns músicos fiéis e geniais a seu lado, sendo o maior deles o excepcional guitarrista Mike Campbell, que Petty não deixa de lado nem quando grava sem os Heartbreakers.

O tecladista Benmont Tench e o baixista Ron Blair também são Heartbreakers da primeiríssima geração, enquanto Scott Thurston (guitarra e gaita) e Steve Ferrone (bateria e percussão) são adições mais recentes (e importantes) ao time de roqueiros.

Mojo mostra um músico veterano que não dorme em cima dos louros conquistados em tantos anos na ativa e o mostra sem perder o tesão que leva quem gosta do que faz a sempre querer fazer melhor do que antes. Pode até não conseguir sempre, mas as tentativas prosseguirão ad eternum. Ainda bem!

Tom Petty & The Heartbreakers- Tom Petty & The Heartbreakers (1976/Shelter Records)

Por Fabian Chacur

Em 1976, dominavam os horizontes do mainstream musical o hard rock, o heavy metal, a disco music e o pop mais escancarado. O punk dava seus primeiros gritos e Bruce Springsteen começava a virar estrela.

Nesse cenário, surgiu um sujeito de 24 anos oriundo do estado da Flórida disposto a obter bom resultado a partir de uma equação nem sempre fácil: aproveitar influências anteriores a ele e imprimir nelas um tempero próprio.

Em seu caso, dar prosseguimento à linha evolutiva do rock americano, valendo-se de elementos sonoros de gente como Del Shannon, Chuck Berry e Buddy Holly, que deram início a tudo nos anos 50.

Mais ainda: mergulhando de cabeça em pelo menos três nomes fundamentais para o rock and roll dessa linguagem: Bob Dylan, The Byrds e os Rolling Stones. Estes últimos podem ser ingleses, mas sua sonoridade possui fortíssimo acento ianque, especialmente a partir do final dos anos 60.

Mas Petty não queria encarar isso como artista solo. Então, foi atrás de músicos com gabarito suficiente para encarar a missão. De cara, trouxe para o time o guitarrista Mike Campbell e o tecladista Bemmont Tench, que haviam tocado com ele na obscura banda Mudcrutch.

Os dois, por sua vez, indicaram o baixista Ron Blair e o baterista Stan Lynch. Em poucos ensaios, ficou claro que Petty, incumbido dos vocais e da guitarra, estava mais do que bem acompanhado.

Em 1976, eles conseguiram um contrato com a Shelter Records, do produtor e compositor brtitânico Denny Cordell, famoso por seus trabalhos com Joe Cocker, The Moody Blues e Leon Russell.

O primeiro álbum, Tom Petty & The Heartbreakers, saiu em outubro de 1976, e pode ser incluído entre os grandes trabalhos de estreia de um artista que posteriormente conseguiu se consolidar na carreira.

As letras das dez canções incluídas no álbum são na melhor tradição estradeira, falando sobre amores, viagens, tragédias cotidianas e a profissão de fé no velho e bom rock and roll.

A coisa já começa a mil com o acelerado rockabilly Rockin’ Around (With You). A faixa dois, o compassado e climático rock Breakdown, foi fazer sucesso apenas em 1978, quando entrou na trilha do filme FM, e é uma paulada, o primeiro hit desse álbum nos EUA.

Hometown Blues é desses roquinhos dançantes com forte tempero do rock americano. The Wild One, Forever é uma forte balada roqueira, na qual Petty solta a sua voz com força e comprometimento.

A faixa cinco, que encerrava o lado um no formato LP de vinil, é um rockão a la Rolling Stones, a excepcional Anything That’s Rock ‘N’ Roll, com passagens de guitarra absolutamente certeiras.

Compassada, com riff de guitarra hipnotizante e uma levada de bateria absolutamente brilhante, Strangered In The Night é aquele tipo de jóia que nunca entra em coletâneas, mas que é tão boa como as que entram.

Fooled Again (I Don’t Like It) é dessas baladas roqueiras furiosas, na qual Tom Petty liquida com quaisquer dúvidas que alguém eventualmente pudesse ter quanto a seu gogó. Visceral e brilhante.

Sabem aquelas country ballads típicas dos Rolling Stones? Temos uma boa derivação delas aqui, com Mr. Petty soando como Mick Jagger, mas não caindo na paródia, nesta belíssima Mystery Man.

Luna é a canção mais reflexiva do álbum, com direito a boas passagens de teclados e bela melodia. O disco de estreia da banda é encerrado pelo alucinado rock American Girl, um clássico do repertório do quinteto.

Quase todas as vertentes que aparecem até hoje nos discos de Tom Petty (com ou sem os Heartbreakers) estão neste disco inicial, um trabalho que consegue ser cru e sofisticado ao mesmo tempo.

E o mais legal: eles soam como uma banda de fato, e não como meros acompanhantes de Tom Petty. Músicos brilhantes, que depois tocariam em discos dos mais diversos astros da música. Que começo de carreira!

Como diz o ótimo texto que acompanha a reedição em CD deste disco, assinado pelo brilhante jornalista musical Bill Flanagan, Tom Petty gravou diversos discos depois deste, e vários melhores, mas nenhum é tão emblemático a respeito desse som que tanto amamos que é o rock and roll.

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