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Tom Zé canta em São Paulo para celebrar relançamento do 1º LP

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Por Fabian Chacur

Tom Zé deve se lembrar com uma certa afetividade do ano de 1968. Apesar do conturbado clima político pelo qual o Brasil passava naquele período, o cantor, compositor e músico baiano venceu o IV Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com a música São São Paulo, além de participar do histórico álbum Tropicália Ou Panis Et Circensis. De quebra, ainda lançou o seu primeiro e muito elogiado álbum solo, Grande Liquidação, que a Polysom acaba de relançar no formato vinil de 180 gramas, como parte de sua série Clássicos em Vinil.

E é para celebrar essa reedição que o artista se apresenta nesta quinta-feira (4) às 21h em São Paulo no Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, nº 1.000- Paraíso- fone 0xx11-3397-4002), com ingressos ao preço único de R$ 25,00.

Grande Liquidação conta com produção de João Araújo, pai de Cazuza e posteriormente diretor da gravadora Som Livre, arranjos dos brilhantes Damiano Cozella e Sandino Hohagen e participação das bandas Os Brazões e Os Versáteis. Com 12 composições de Tom Zé, o disco tem como destaque São São Paulo, que por sinal integra a trilha sonora da novela que a Globo estréia nesta terça (2), Órfãos da Terra. Outras faixas marcantes são Parque Industrial, Glória, Namorinho de Portão e Sabor de Burrice.

Ouça Grande Liquidação em streaming:

Não encham o saco do Tom Zé, please!

Por Fabian Chacur

Esse tema até já saiu de pauta (felizmente), mas não me sentiria bem se não desse minha opinião sobre o mesmo. A confusão envolveu o cantor, compositor e músico baiano Tom Zé e o fato de ele ter feito a locução de um dos inúmeros comerciais de uma célebre marca de refrigerantes tendo como foco a Copa do Mundo de Futebol da Fifa de 2014.

Nele, o eterno tropicalista lê um texto absolutamente normal, no qual são enfocados diversos aspectos do Brasil e de seu povo no intuito de conseguir superar o desafio de recepcionar um evento tão importante e divulgado nos quatro cantos do mundo como um mundial de futebol, sem dúvidas o esporte mais popular do planeta.

Algumas pessoas começaram a cornetar Tom Zé, naquele velho esquema de considerá-lo como “vendendo sua credibilidade para uma causa ruim só para encher os bolsos de dinheiro”. Para começo de conversa, o fato de a Copa do Mundo da Fifa de 2014 ser realizada no Brasil não é um problema, e sim a forma como os políticos usam desse tipo de evento para encher seus bolsos e beneficiar seus interesses escusos.

Mas o torneio em si é um dos mais bacanas do meio esportivo. E qual seria o problema de Tom Zé ganhar um dinheiro honesto para ser o locutor de um texto correto e sem nada que o pudesse desabonar? É o tipo de patrulhamento ideológico detestável, exercido por alguns seres metidos a campeões do “politicamente correto” em seus piores aspectos.

Quem acompanha a carreira do genial criador baiano sabe as dificuldades que ele já enfrentou em sua longa carreira. Nos anos 80, por exemplo, ele quase largou mão da música para trabalhar em um posto de gasolina na sua cidade natal, Irará, na Bahia, como forma de sobreviver. Onde estavam esses “patrulheiros” nessa época? Enchendo o saco de outro infeliz?

De quebra, Tom Zé ainda afirmou que usará esse dinheiro honesto e ganho com seu trabalho digno e honrado para gravar seu proximo disco. Ele poderia até usá-lo para viajar para Aruba, se preferisse, pois a bolada é dele. Mas dizer que o investirá em um trabalho artístico dá boa prova de sua integridade artística e humana. Deixem esse jovem senhor de 76 anos em paz e vão encher as Doutoras Dilmas e os Lulas da vida, please!

Ouça na íntegra o brilhante álbum Estudando o Samba, de Tom Zé:

Comercial da Coca-cola com locução de Tom Zé:

Tropicália disseca Tropicalismo com maestria

Por Fabian Chacur

De todos os movimentos ocorridos na história de nossa riquíssima música popular, o Tropicalismo certamente segura o estandarte de o mais polêmico, influente e original. Mais de 40 anos após seu surgimento nos efervescentes anos 60, esse importante capítulo de nossa cultura permanece relevante e atraindo as atenções gerais.

Tropicália, documentário dirigido pelo experiente e competente Marcelo Machado, estreará nos cinemas paulistanos nesta sexta-feira (14) com a missão de oferecer ao público a oportunidade de conhecer melhor o que representa essa palavra de sonoridade agradável e imediatamente associada ao nosso “País Tropical abençoado por Deus”, como diria Jorge Ben.

O principal mérito da produção é conciliar, de forma inteligente e impecável, uma apresentação fluente do Tropicalismo oferecida a quem não o domina e a busca por elementos inéditos ou pouco divulgados para satisfazer quem conhece o tema de forma mais apurada.

Sem cair em um didatismo que poderia tornar o filme enfadonho, Tropicália proporciona ao espectador uma visão abrangente do movimento que ajudou a quebrar as barreiras entre estilos musicais e culturais até então considerados opostos. Graças ao Tropicalismo, rock, bossa nova, bolero, música erudita de vanguarda e jazz (para citar apenas alguns gêneros musicais) puderam dialogar em um mesmo contexto de forma livre e ousada.

Para contar essa história, Machado e sua equipe mergulharam em pesquisas que resgataram registros inéditos ou raríssimos por aqui de momentos importantes dos artistas envolvidos. Caetano Veloso e Gilberto Gil, por exemplo, aparecem dando entrevista a uma emissora de TV portuguesa em 1969, e em Londres em meio a seu exílio imposto pela Ditadura Militar.

Os cantores também são flagrados em uma desconhecida por muita gente participação no palco do mitológico festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, evento que também incluiu figuras mitológicas como Jimi Hendrix, The Who, Miles Davis e The Doors, entre outros. Caetano e seus parceiros cantam Shoot Me Dead. De arrepiar.

Além dessas cenas garimpadas nos mais diversos arquivos, também temos entrevistas atuais com Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e outros protagonistas do Tropicalismo. Em alguns momentos, o filme mostra Caetano, por exemplo, vendo algumas daquelas cenas raras e interagindo com elas.

Lógico que a música come solta durante os 82 minutos de duração do filme, entre as quais uma interpretação ao vivo simplesmente arrasadora de Back In Bahia, um dos clássicos composto por Gil e relacionado a seus dias de exílio londrino.

Tropicália é um documentário essencial para quem deseja entender os caminhos da música brasileira nessas décadas todas. Não vejo a hora do lançamento em DVD, principalmente se tivermos extras aproveitando material que ficou de fora da edição final. Deve ter muita coisa boa adicional nessa geleia geral pesquisada pela troupe da Bossa Nova Filmes.

Veja o trailer de Tropicália, de Marcelo Machado:

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