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DVD registra auge dos Wings em turnê histórica de 1976

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Por Fabian Chacur

Em 1976, Paul McCartney viveu uma das fases mais bem-sucedidas de uma carreira repleta de grandes momentos. Naquele ano, seu grupo pós-Beatles, o Wings, tornou-se provavelmente a banda mais popular do mundo, coroando uma era iluminada com turnê pela América do Norte simplesmente arrasadora. O registro histórico dessa tour está em Rock Show, DVD que acaba de ser lançado no Brasil pela Eagle Rock/ Som Livre.

Rock Show foi lançado nos cinemas em 1980, e o fato de ter sido registrado com equipamento cinematográfico facilitou a tarefa de remasterização e restauração da fita original realizada neste DVD. O resultado é simplesmente excepcional, com apenas uma ou outra cena granulada, e qualidade de áudio arrasadora. Qualidade técnica digna do conteúdo artístico.

A turnê dos Wings daquele 1976 divulgavam o então mais recente álbum do quinteto, Wings At The Speed Of Sound, e flagram uma fase bem diferente do Macca, se comparada com os shows que passou a fazer a partir de 1989, quando voltou após hiato de quase dez anos. Um detalhe que chama a atenção é a quantidade de músicas dos Beatles contidas aqui.

Quando começou a fazer shows com os Wings, McCartney inicialmente não tocava rigorosamente nada escrito pelo Beatles. A muito custo, foi encaixando um ou outro clássico da banda em seu set list. Vamos comparar: em Rock Show, temos um total de 30 músicas, sendo apenas 5 dos Beatles. Na turnê Out There (2014), do cantor, baixista e compositor britânico, em um set list com 39 músicas, 25 são dos Fab Four. Quanta diferença!

A formação dos Wings naquela época é certamente a melhor da história da banda. Além do seu líder inconteste nos vocais, baixo, violão, guitarra e teclados, temos Linda McCartney (vocal e teclados), Denny Laine (guitarra, baixo, violão, vocal, teclados), Jimmy McCulloch (vocal, guitarra, violão e baixo) e Joe English (bateria e vocal). Um timaço!

Com o auxílio de um naipe de metais integrado por Tony Dorsey (trombone), Howie Casey (saxofone, amigo de Paul de Liverpool), Steve Howard (trompete e flugelhorn) e Thaddeus Richard (sax, clarinete e flauta), os caras mostram, além das 5 dos Beatles, 4 de Wings At The Speed Of Sound, 9 de Venus And Mars (1975), 5 de Band On The Run (1973), outras 5 do grupo e de McCartney solo e dois covers.

Aos 34 anos de idade, Paul estava no auge como cantor, simplesmente arrasando em músicas como Let Me Roll It, Call Me Back Again, My Love, Soily e Beware My Love, só para citar algumas. O ótimo guitarrista McCulloch se mostra bom cantor em Medicine Jar, enquanto Denny esbanja carisma em Richard Cory, de Simon & Garfunkel.

Gravado em grandes ginásios, o show não tem recursos visuais tão sofisticados, mas a performance da banda é tão boa que isso fica em segundo plano. Rock Show é provavelmente o melhor registro de um show de Paul McCartney existente no mercado, e é obrigatório para todos aqueles que cultuam esse verdadeiro mestre do rock and roll. Maravilhoso é pouco!

Rock Show- Paul McCartney & Wings DVD (em streaming):

Wings Over America enfim sai em CD no Brasil

Por Fabian Chacur

Wings Over America saiu originalmente em dezembro de 1976 no formato vinil triplo e equivale ao registro da histórica turnê que marcou o auge comercial dos Wings, segundo grupo da carreira de um certo músico chamado James Paul McCartney. A primeira, imagino que todos vocês saibam qual foi. The Beatles, acho eu…

Gravado ao vivo durante shows da turnê norte-americana do grupo, Wings Over America conseguiu a façanha de atingir o primeiro lugar na parada ianque, além de vender muito bem no resto do mundo. Por aqui, o álbum saiu no formato vinil pela gravadora EMI Odeon, mas na era do CD, só apareceu em nossas lojas na versão importada.

Pois agora, como parte da belíssima série Paul McCartney Archive Collection, que está recolocando no mercado com novas embalagens e versões remasterizadas os clássicos da carreira pós-beatle de McCartney, enfim esse álbum ao vivo chega por aqui em formato digital, como CD duplo e em uma charmosa embalagem digipack.

Vamos primeiro aos pontos fracos. O álbum traz um encarte com meras oito páginas incluindo apenas algumas fotos inéditas e pouquíssima informação. O encarte da edição original em CD lançada no exterior ao menos trazia um encarte com 16 páginas com fotos e desenhos bacanas reproduzidos do encarte do LP de vinil.

Se você por ventura estiver com uma conta bancária bacana, no entanto, pode adquirir a Deluxe Edition Box Set (a foto que ilustra este post), disponível apenas em lojas que trabalham com produtos importados. A box set é de deixar o fã arrepiado, de tão atrativa. Além dos dois CDs remasterizados, ele traz um álbum adicional, gravado durante a mesma turnê no Cow Palace, em San Francisco, com oito faixas.

Achou pouco? Pois aí vai o resto do pacote: um DVD com o registro do especial de TV Wings Over The World (com mais de uma hora de duração) e quatro livros (eu disse quatro!), trazendo fotos da turnê, desenhos e muitas curiosidades. E não é só isso! Também temos reprodução de crachás e outras memorabilias. Saiba mais aqui.

O problema é o preço. São “apenas” 144 libras na loja virtual da Amazon, algo em torno de R$ 500 (ou mais, dependendo de quem o importar para você). Ou seja, melhor ficar com a versão nacional mesmo, apesar dos pesares. E aí entra o lado bom da coisa: o conteúdo musical deste álbum é simplesmente imperdível.

Na época, Paul relutava um pouco em tocar músicas dos Beatles nos shows dos Wings. Das 30 músicas executadas, apenas cinco vieram do repertório dos Fab Four. Temos também dois covers, Richard Cory (de Simon & Garfunkel) e Go Now (dos Moody Blues), ambas com o guitarrista e cantor Denny Laine nos vocais (ele integrou os Moody Blues em sua fase inicial).

De resto, temos uma bela seleção de hits e canções legais dos discos solo de Paul e daqueles que ele creditou aos Wings, banda que teve várias formações, sendo a melhor delas exatamente a presente neste álbum: Paul (baixo, guitarra, teclados, violão e vocal), Denny Laine (guitarra, violão, baixo, teclados, percussão e vocal), Jimmy McCulloch (guitarra, vocal, baixo, violão), Linda McCartney (teclados e vocais) e Joe English (bateria).

Além dos integrantes oficiais, nos shows desta turnê acompanharam a banda uma sessão de metais integrada por Tony Dorsey, Howie Casey, Steve Howard e Thaddeus Richard, que davam uma sonoridade mais encorpada e próxima até mesmo da soul music, especialmente em músicas como Call Me Back Again, Go Now e Let Me Roll It. Ou seja, é um álbum ao vivo bem diferente dos lançados pelo autor de Yesterday a partir dos anos 1990.

A performance dos Wings neste álbum é das melhores, com McCartney esbanjando boa voz e pique, no auge de seus 34 anos de idade. Venus And Mars, Rock Show, Jet, Lady Madonna, Bluebird, Live And Let Die, Listen To What The Man Said, Hi Hi Hi, é uma música boa atrás da outra. O álbum se encerra com o rockão até então inédito Soily.

Wings Over America é um daqueles trabalhos gravados ao vivo realmente essenciais, além de ser o primeiro live album oficial da carreira de Paul McCartney. Um artista que sempre primou por uma performance impressionante em cima dos palcos, algo que ele mantém até hoje, quando acaba de comemorar 71 anos de idade.

Ouça Wings Over América, com os Wings, na íntegra:

Nova edição de Band On The Run é indicada apenas para quem ainda não tem o álbum

Por Fabian Chacur

Graças a uma parceria com a Universal Music, toda a obra lançada por Paul McCartney em sua carreira pós-Beatles será relançada. O primeiro fruto dessa dobradinha acaba de chegar às lojas brasileiras.

Trata-se de Band On The Run (1973), para muitos o melhor trabalho lançado pelo cantor, compositor e músico britânico sem John, George e Ringo.

O disco sai em bela edição digipack que reproduz o encarte original do LP de vinil e traz como bônus fotos inéditas. O áudio foi remasterizado, mas não traz grandes diferenças em relação às edições anteriores.

Também não temos faixas bônus, o que as edições anteriores da EMI traziam, com as músicas lançadas originalmente em single Helen Wheels e Country Dreamer.

Se você por ventura já tem uma das versões anteriores em CD de Band On The Run, não precisa tirar seu suado dinheirinho do bolso, pois não vale a pena. A não ser que você seja um completista incorrigível.

No site do artista, foi disponibilizada uma edição especial repleta de elementos adicionais, mas até mesmo essa pode ser considerada dispensável para quem comprou a edição especial anterior em formato de caixinha.

E o preço desse novo pacote é bem salgado…

No entanto, tenho certeza de que muita gente conheceu esse trabalho recentemente, ou através da internet, ou pelo fato de McCartney ter tocado diversas de suas faixas em sua recente turnê brasileira.

Para esses, recomendo esse relançamento com entusiasmo.

Afinal, um trabalho que inclui faixas do naipe de Band On The Run, Jet, Mrs. Vanderbilt e Nineteen Hundred And Eighty Five não pode ficar de fora de uma discoteca decente.

Veja o clipe de Band On The Run:

Back To The Egg- Wings (EMI-1979)

Por Fabian Chacur

Um dos meus sonhos em termos musicais nunca será realizado. Adoraria ver um dia um show de Paul McCartney só com músicas de sua carreira solo ou dos tempos do grupo Wings. Nada, nem um único acorde de Beatles. Acham estranho? Pensam que eu não gosto dos Beatles? Não é por aí.

É que o meu ídolo máximo tem tanta coisa boa lançada sem a banda que o consagrou que me dá pena de pensar que inúmeras músicas legais lançadas por ele nesses 40 anos de trajetória sem John, George e Ringo ficaram em um injusto esquecimento, ou mesmo nunca foram tocadas em shows.

Como isso não irá ocorrer, pois nosso eterno beatle já ostenta 68 anos, vale a pena revirar sua discografia e tirar poeira de alguns ítens. Back To The Egg (1979) por exemplo. Trata-se de um álbum peculiar, pois foi o último dos Wings, que nele estrearam uma nova formação.

Além de Paul e Linda McCartney e do fiel escudeiro Denny Laine (nos vocais e guitarra), entraram em cena o guitarrista Laurence Juber e o baterista Steve Holly. Eles não tiveram muito tempo para ensaiar e já entraram no time para gravar esse álbum.

As gravações foram feitas basicamente na Escócia e em Londres, com algumas várias gravações sendo realizadas no castelo Lympne. A voz de McCartney está curiosamente rouca, soando em alguns momentos mais próxima da de Rod Stewart como nunca esteve (e nunca mais ficaria).

O resultado não poderia ter ficado melhor. Guardadas as devidas proporções, Back To The Egg equivale a uma espécie de White Album da carreira solo de Paul, pelo fato de incluir músicas extremamente distintas entre si. É naquele esquema de montanha russa, algo difícil de se fazer bem. E ele fez!

As músicas mais pesadas de sua carreira solo estão aqui, petardos como Spin It On (que parece power metal!), a metal total Old Siam Sir (que defino como a Helter Skelter de sua carreira pós Beatles) e a espetacular Rockestra Theme. Esta última tem um elenco de convidados estelar.

Só mesmo James Paul McCartney para conseguir reunir, em uma mesma música (aliás, duas, So Glad To See You Here também inclui esse time). Veja só alguns dos nomes (vou até abrir um novo parágrafo):

Dave Gilmour (Pink Floyd), Hank Marvin (Shadows), Pete Townshend (The Who), John Bonham (Led Zeppelin), Kenny Jones (Faces, The Who), John Paul Jones (Led Zeppelin), Ronnie Lane (Faces), Gary Brooker (Procol Harum) etc. Tá bom ou quer mais?

Do início, com um curto tema instrumental com som de espera em aeroporto (Reception), entramos logo no primeiro single, a vibrante e ensolarada Getting Closer. A reflexiva e curta We’re Open Tonight vem a seguir, abrindo caminho para a nervosa Spin It On. O espírito pop roqueiro da deliciosa Again And Again And Again (de Denny Laine) é a próxima.

Para esquentar a galera, o rockão Old Siam Sir aparece, com a maravilhosamente funk/jazz e sutil Arrow Through Me encerrando o lado um do vinil. Abre o obro lado a vibrante Rockestra Theme, acompanhada logo a seguir pela agitada e simpática To You.

Aí, dois pot-pourrys relembram experiências de Abbey Road. After The Ball/Million Miles mistura balada com vocais ardidos e uma parte só voz e acordeon. Winter Roses/Love Awake começa como balada medieval maravilhosa e melancólica (aqui, a voz de Paul está deliciosamente rouca) e o pop ensolarado finalizando tudo.

A curtinha vinheta The Broadcast abre as portas para a sacudida So Glad To See You Here. O disco é encerrado com uma das melhores incursões de Sir Paul pelo jazz, a delicada e maravilhosamente melódica Baby’s Request, que dá para imaginar ver ele tocando em um clube esfumaçado dos anos 40.

A versão inglesa do CD traz três ótimas faixas bônus: a deliciosa Daytime Nightime Suffering, lado B do compacto simples Goodnight Tonight, e o single de natal com Wonderful Christmastime e Rudolph The Red-Nosed Reggae, todas lançadas mais ou menos na época de Back To The Egg.

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