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Carlos Santana faz 70 anos às vésperas de lançar novo CD

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Por Fabian Chacur

Nesta quinta-feira (20), um dos grandes magos da guitarra elétrica completa 70 anos de idade. É o mestre mexicano Carlos Santana. O roqueiro latino celebra a data às vésperas de lançar um novo e histórico trabalho. No próximo dia 28, chegará às lojas físicas e virtuais do mundo todo Power Of Peace, álbum gravado por ele em parceria com sua mulher, a baterista Cindy Blackman Santana, e o seminal grupo (hoje um duo) The Isley Brothers.

Gravado em 2016 durante aproximadamente quatro dias, Power Of Peace traz como protagonistas Santana e sua guitarra mágica, sua talentosa esposa na bateria, percussão e vocais, o sublime Ronald Isley nos vocais e o incrível Ernie Isley na guitarra, além de outros músicos de apoio. Também fazem participações especiais nos vocais as esposas dos irmãos, Kandy Johnson (de Ronald) e Tracy (de Ernie). O clima foi de muita paz e emotividade.

O repertório é composto por 13 faixas, sendo uma inédita (I Remember, de Cindy) e 12 releituras de clássicos dos repertórios de Stevie Wonder (Higher Ground), Billie Holiday (God Bless The Child), Muddy Waters (I Just Want To Make Love To You), Marvin Gaye (Mercy Mercy Me-The Ecology) Burt Bacharach (What The World Needs Now), Curtis Mayfield (Gypsy Woman) e dos grupos Swamp Dogg (Total Destruction Of Your Mind) e Chambers Brothers (Are You Ready e Love Peace Happiness). Veja um rápido making of do álbum aqui.

Santana se tornou conhecido mundialmente ao montar o grupo que batizou com seu sobrenome na segunda metade dos anos 60. Sua participação no Festival de Woodstock foi o cartão de visitas para o planeta música, com uma apresentação de Soul Sacrifice que seria eternizada no filme e na respectiva trilha sonora que registrou esse evento marcante para a história do rock. Seus três primeiros álbuns são grandes momentos do rock latino, reverenciados e copiados até hoje por inúmeros músicos. Leia sobre o álbum Santana 3 (1971) aqui.

Após a separação da formação clássica de sua banda original, que voltou a gravar junta em 2016 (leia mais sobre esse retorno aqui), Santana gravou com outras formações de sua banda e com parceiros diversos, além de se envolver com filosofias orientais e ser sempre um defensor ativo e sincero da paz e de causas humanitárias.

Em 1999, quando muitos o encaravam como um nome ligado ao passado, lançou o espetacular álbum Supernatural, o mais vendido de sua carreira, que o trouxe com tudo de volta ao topo das paradas de sucesso mundiais, de onde não mais saiu, para a nossa felicidade.

Sou fã desse cara desde que ouvi em 1971 um compacto duplo contendo as músicas Batuka (para mim, a melhor instrumental da história do rock), Everything’s Coming Our Way e Guajira, todas incluídas no seminal Santana 3. Sou fã dele desde então, e consegui seu autógrafo em 1991, durante o Rock in Rio 2, no qual ele fez dois ótimos shows. Gênio e também ídolo do meu saudoso irmão Victor.

Total Destruction Of Your Mind– Santana+Isley Brothers:

Rock perde Alvin Lee, do Ten Years After

Por Fabian Chacur

Alvin Lee, cantor, compositor e guitarrista que ganhou fama como líder da célebre banda britânica Ten Years After, morreu no dia 6 de março, vítima de complicações inesperadas surgidas após um procedimento cirúrgico de rotina, segundo informações postadas em seu site pessoal. O músico inglês tinha 68 anos de idade.

A formação clássica do Ten Years After incluía, além de Alvin Lee no vocal e guitarra, o baixista Leo Lyons, o tecladista Chick Churchill e o baterista Rick Lee. Eles lançaram seu primeiro álbum em 1967, com repercussão mediana. A coisa começou a melhorar para o quarteto a partir do álbum ao vivo Undead (1968).

A fama de Alvin Lee veio mesmo em 1969, quando seu grupo participou em 3 de julho do Newport Jazz Festival, algo inédito para um grupo de rock, e brilhou como uma das atrações do mitológico festival de Woodstok em 15 de agosto, ambos os eventos em solo americano, pátria de suas principais influências (rock básico, blues, folk e hard rock).

A performance de Lee em Woodstock tornou-se seu cartão visitas. No filme que registra os momentos marcantes do evento, ele simplesmente arrasa em I’m Going Home, com direito a citações de clássicos do rock, solos dinâmicos e com uma rapidez e originalidade que poucos músicos seriam capazes de se aproximar. O álbum Ssssh (1969) estourou logo a seguir.

Até 1973, Alvin e sua banda ainda emplacariam alguns hits, entre os quais a belíssima I’d Love To Change The World e também I Woke Up This Morning, Love Like a Man e Positive Vibrations, até que o grupo resolveu sair de cena, para tristeza dos fãs.

A partir daí, Alvin Lee se dividiu entre trabalhos solo e novas formações do Ten Years After. O primeiro disco solo, On The Road To Freedom (1974), conta com participações especiais de George Harrison, Steve Winwood, Jim Capaldi e Ron Wood. Em 1986, gravaria novamente com Harrison e Leo Lyons no álbum individual Detroit Diesel.

Alvin Lee se apresentou há alguns anos no Brasil no hoje extinto Palace.

I’d Love To Change The World – Ten Years After:

I’m Going Home (live in Woodstock)- Ten Years After:

Sly Stone sai da tumba e lançará novo CD

slystone3por Fabian Chacur

Essa foi uma das melhores notícias da semana. A gravadora Cleopatra, de Los Angeles, anunciou a contratação de Sly Stone. Ele mesmo, um dos maiores gênios da história da música pop, e mais sumido do que dinheiro.

Stone já está em estúdio gravando um novo CD previsto para sair em 2010. O álbum deve misturar canções inéditas com releituras de clássicos do Sly & The Family Stone.

Nascido em 15 de março de 1943, Sly Stone iniciou sua carreira no meio musical na primeira metade dos anos 60. Inicialmente, foi produtor de bandas como The Beau Brummels e Great Society.

Na segunda metade da década de 60, resolveu montar sua própria banda. O conceito era genial: fundir rock, pop, soul, jazz, psicodelismo e o que mais pintasse, sem medo de ser feliz.

Melhor: o grupo misturava músicos negros como ele e também branquelos com swing. Foi uma das primeiras bandas multiraciais americanas a dar certo na parte de frente dos palcos e das paradas de sucesso.

Eles se consagraram após uma participação explosiva no Festival de Woodstock, em agosto de 1969, eternizada no filme que registrou aquele evento mítico para a história do rock and roll e da música pop.

Músicas como Dance To The Music, I Want to Take You Higher, Hot Fun In The Summertime e The Family Affair ganharam as paradas de todo o planeta, e foram influências fundamentais no surgimento do funk, da disco music e do rock com acento soul.

Mas a festa não durou muito. A partir do apenas mediano CD Fresh (1973) e da saída do genial baixista e cantor Larry Graham, o Sly & The Family Stone perdeu força e logo acabou.

Sly Stone tentou uma carreira solo, mas, mergulhado em drogas pesadas, foi perdendo a mão e a originalidade. Após lançar o álbum Ain’t But The One Way (1983) e o single Eek-a-bo-static (1987), deu uma sumida.

Uma de suas raras aparições foi participando de uma faixa do CD Heritage, do Earth, Wind & Fire. O sumiço levou muitos a considerarem ele como um possível novo morto ilustre do meio roqueiro.

Até que, em 2006, ele participou de uma homenagem à sua própria pessoa no Grammy Awards, com destaque e ao lado de Steven Tyler (Aerosmith) e Jon Legend, entre outros.

Que venha o novo álbum. Tomara que seja ótimo, embora ninguém mais consciente e cético espere algo no nível de Stand! (1969), o melhor trabalho do Sly & The Family Stone e discoteca básica para qualquer fã de rock, pop e black music que se preze.

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