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Yoko Ono lançará CD com ex-Sonic Youths

Por Fabian Chacur

Essa notícia parece piada pronta, mas não é, eu juro. Yoko Ono, que muitos consideram a bruxa malvada responsável pela separação dos Beatles, está unindo novamente Kim Gordon e Thurston Moore, que anunciaram sua separação em outubro de 2011 após 27 anos de casamento e de quebra colocaram sua banda, a Sonic Youth, na geladeira.

Na verdade, a reunião da viúva de John Lennon com o ex-casal irá se dar em termos artísticos. Eles prometem para o dia 25 de setembro (meu aniversário!) o lançamento do álbum colaborativo YOKOKIMTHURSTON.

Uma das músicas, Early In The Morning, de aproximadamente 14 minutos de duração, já está disponível na internet, com os direitos revertidos à instituição beneficente Ashinga Rainbow House, em prol das vítimas do tsunami no Japão.

O trio já havia atuado junto em outubro de 2010 em um show que Yoko Ono realizou em Los Angeles e que reuniu outros nomes importantes da música pop.

Eis o repertório de YOKOKIMTHURSTON:

1I Missed You Listening
2Running The Risk
3I Never Told You, Did I?
4Mirror Mirror
5Let’s Get There
6Early In The Morning

Veja Yoko Ono, Kim Gordon e Thurston Moore ao vivo cantando Mulberry:

Imagine – John Lennon (Apple/1971)

Por Fabian Chacur

Imagine já tocou tantas vezes e foi regravada por tantos artistas (alguns, detestáveis) que às vezes a gente até mesmo se esquece de o quanto esta canção é bela e importante.

Com sua melodia simples e delicada e seu arranjo original composto apenas por piano, baixo e bateria, Imagine rapidamente se tornou um dos grandes clássicos da carreira de John Lennon.

Os Beatles haviam se separado há apenas um ano, e Lennon vinha do excepcional John Lennon-Plastic Ono Band, um álbum brilhante e visceral que não foi compreendido por todos, talvez por sua agressividade e virulência musical/vocal.

Em Imagine, o álbum, que foi lançado há 40 anos, o astro britânico nos ofereceu canções mais acessíveis, embora algumas tivessem o mesmo espírito pé na porta das do disco anterior.

How Do You Sleep?, por exemplo, era uma agressão direta ao ex-parceiro musical Paul McCartney, com direito aos maldosos versos “aqueles doidos estavam certos quando disseram que você estava morto”, ou “A única coisa que você fez foi Yesterday, e desde que você se foi, é só Another Day“.

Gimme Some Truth é um torpedo direcionado aos políticos picaretas, enquanto a arrastada It’s So Hard traz o tédio do dia a dia como tema.

Mas o repertório é bem servido de momentos mais melódicos, incluindo a belíssima e utópica faixa-título, a maravilhosa balada Oh My Love, a reflexiva How e Jealous Guy, uma das melhores músicas a abordar o eterno tema do ciúme, além da alegrinha Oh Yoko.

O álbum foi basicamente gravado em um estúdio instalado na casa britânica do casal Lennon/Yoko, com coprodução a cargo de Phil Spector e participação de músicos como George Harrison, Nicky Hopkins, Alan White e Klaus Woorman, entre outros.

O último disco de John Lennon gravado no Reino Unido atingiu o topo das paradas americana, britânica e de diversos outros países, transformando-se em um marco na carreira do ex-beatle.

Veja o clipe de Imagine:

DVD/CD de John Lennon parece pirata, mas não é

Por Fabian Chacur

Confesso que tomei um susto quando vi, em uma loja de CDs/DVDs localizada na avenida Paulista, em São Paulo, Live In New York City.

Trata-se de um DVD, também disponível no formato CD, que contém gravações feitas ao vivo em 30 de agosto de 1972 no Madison Square Garden em Nova York de um dos raros shows de John Lennon em sua carreira solo.

O espetáculo beneficente mostra o ex-beatle ao lado de Yoko Ono e da banda nova-iorquina Elephant’s Memory, acrescida do experiente baterista Jim Keltner, que participou de vários discos dele, Ringo Starr e muitos outros.

Mas qual seria a razão da surpresa, perguntaria o leitor de Mondo Pop? E a explicação é simples.

O lançamento é do selo independente brasileiro Gema, conhecido por seus produtos na área do forró e da música popular.

Para quem não sabe, Live In New York City saiu originalmente no formato vinil em 1986 pela EMI, que quatro anos depois também o disponibilizou em CD no mercado internacional.

A edição da gravadora Gema tem todo o jeitão de produto pirata em termos de embalagem, com direito a fotos desfocadas e poucas informações (praticamente nenhuma no CD e algumas no DVD).

Como não tenho nada a ver com essas disputas entre as empresas discográficas, o que vale ressaltar é que o produto está à venda no Brasil em lojas legalizadas, e por preço abaixo de R$ 14 (DVD) e R$12 (CD).

As músicas do CD original da EMI e da nova edição da Gema são exatamente as mesmas, mas seguindo uma ordem diferente, a saber:

EMINew York City, It’s So Hard, Woman Is The Nigger Of The World, Well Well Well, Instant Karma (We All Shine On), Mother, Come Together, Imagine, Cold Turkey, Hound Dog e Give Peace a Chance.

GemaImagine, Mother,Instant Karma (We All Shine On), Come Together,

Woman Is The Nigger Of The World, New York City, It’s So HardWell Well Well, Cold Turkey, Hound Dog e Give Peace a Chance.

O DVD da Gema inclui duas músicas adicionais que entram entre Hound Dog e Give Peace a Chance, ambas interpretadas por Yoko Ono: Sisters Oh Sisters (grafada erroneamente como Sister Oh Sister no DVD nacional) e Born In a Prison.

A notícia preciosa que darei é o fato de que tanto a qualidade de áudio como a de vídeo são boas, ainda mais se levarmos em conta se tratar de registros feitos há 38 anos. Muito melhor do que eu esperava.

As gravações em vídeo são as mesmas que a gente teve oportunidade de ver pela TV nos anos 80.

O desempenho de John Lennon nos vocais e guitarra é excelente, cantando com garra e esbanjando carisma.

Da banda que o acompanhou, o destaque é o excelente saxofonista Stan Bronstein, que rouba a cena em várias músicas.

Jim Keltner faz o esquema de duas baterias ao lado de Rick Frank. O resto do time inclui Yoko Ono batucando os teclados e soltando seus gritos habituais, Wayne Tex Gabriel na buitarra solo, John Ward no baixo e Gary Van Scyoc no outro baixo.

Bem-humorado, Lennon falou em um momento do show que “essas são algumas músicas que fiz após deixar os Rolling Stones”.

E emendou a seguir uma versão turbinada de Come Together, de sua verdadeira ex-banda.

O astro havia lançado na época o panfletário álbum duplo Some Time In New York City, do qual três músicas (cinco no DVD) são executadas.

De resto, temos uma dos Beatles (a já citada Come Together), músicas da carreira solo e também uma homenagem ao ídolo Elvis Presley, com a releitura do clássico Hound Dog.

Live In New York City é um registro fundamental para os fãs de John Lennon, especialmente se levarmos em conta a quase inexistência de gravações do roqueiro nos palcos ems ua carreira solo, ainda mais um show com 53 minutos de duração como esse aqui.

A capa do CD e do DVD, assim como partes do encarte, trazem caracteres em japonês, o que nos dá a possibilidade de pensar que a Gema pode ter negociado os direitos para o lançamento no Brasil com algum selo nipônico.

Mas já disse: não tenho nada a ver com isso… E a esse preço, trata-se de uma pechincha irrecusável.

Veja Imagine ao vivo, em Live In New York City:

Double Fantasy volta em duas versões

Por Fabian Chacur

Double Fantasy nunca foi um dos meus álbuns prediletos de John Lennon, embora inclua pelo menos cinco músicas muito boas.

Mas essa história de dividir álbum com Yoko Ono nunca deu certo, vide outro momento menor da discografia do ex-beatle, Some Time In New York City, de 1972.

Outro fator que conta pontos negativos em realação ao último álbum lançado em vida por Lennon é a produção um pouco polida demais e com cara de trabalho pop de artistas menos dotados do que ele.

Sempre tive vontade de ouvir as canções mais legais desse disco em versões mais básicas, só para sentir como ficariam.

Como que lendo meus pensamentos e realizando meu desejo, sai junto com o pacote de relançamentos remasterizados e com novas embalagens da discografia básica de John Lennon uma nova versão de Double Fantasy.

O pacote intitula-se Double Fantasy Stripped Down, e traz dois belíssimos desenhos em preto e branco reproduzindo capa e contracapa do álbum original. Ficou lindo, e quem fez foi Sean Ono Lennon, segundo filho do astro.

Trata-se de um álbum duplo, sendo o primeiro CD a versão original e o segundo o disco em um formato mais cru, sem tantos elementos de produção e com ênfase nos vocais do autor de Imagine.

O resultado nos proporciona várias conclusões. A primeira: Lennon não tinha porque achar que sua voz precisava ficar embolada no meio da mixagem por não ser tão boa, algo que fez durante os anos 70.

O cara estava cantando muito, e ouvir seu vozeirão lindo e bem a frente na nova mixagem das versões despidas de músicas como (Just Like) Starting Over, Cleanup Time (que ficou muito melhor do que na versão original) e I’m Losing You são a prova disso.

Mesmo em canções nas quais dá para sentir mais a falta dos instrumentos adicionais, como Watching The Wheels e Woman, você percebe melhor a emoção emprestada pelo genial astro de Liverpool nesse trabalho.

Lógico que, no caso das canções de Yoko Ono, tudo continua na mesma, ou seja, afora a rapidinha e quase new wave Kiss Kiss Kiss e na lírica Every Man Has a Woman Who Loves Him (que o casal canta em dueto), o resto é plenamente esquecível, naquela toada “bruxa malvada pop”. Socorro!

A embalagem e o encarte que acompanham o álbum duplo são simplesmente maravilhosos e tornam este ítem um dos mais atraentes do pacotão Lennon lançado neste final de ano. Vale cada centavo que você pagar nele.

Coletânea serve como iniciação a John Lennon

Por Fabian Chacur

Coletâneas costumam ser execradas pelos críticos pelo fato de, em alguns casos, tentarem resumir aquilo que não tem como ser resumido.

Quem sabe isso tenha a ver com uma postura arrogante que boa parte dessa tal “crítica especializada” adora ter.

Quem é que disse que a missão de uma humilde compilação é resumir de forma perfeita uma carreira?

Ou quem afirmou ser um cidadão obrigado a ter tudo da obra de um artista, pois mais importante que esse nome possa ser?

E tem o ponto nevrálgico desse papo: uma coletânea frequentemente pode ter a função de ser a porta de entrada para uma obra. E, costumeiramente, mais abrangente do que um disco de carreira, por exemplo.

Esses pensamentos surgem ao analisar Power To The People – The Hits, álbum lançado pela EMI em parceria com a Som Livre e  junto com as edições remasterizadas das obras lançadas por John Lennon em sua carreira solo (que eu analisarei em breve por aqui).

Para pessoas como eu, que tem tudo o que o genial cantor, compositor e músico britânico lançou sem os Beatles, essa nova compilação é o chamado mais do mesmo.

No entanto, saibam vocês que meu primeiro álbum de Mrs. Lennon foi o Shaved Fish, primeira compilação da obra solo do autor de Imagine e lançado em 1976.

Tão entusiasmado fiquei com esse então LP que, aos poucos, fui comprando tudo o que o filho de Liverpool colocou nas lojas.

Então, Power To The People – The Hits pode perfeitamente cumprir a mesma função para a garotada de hoje em dia.

Ou então, para quem não tem muita grana e quer apenas algumas canções marcantes do repertório do Sr. Ono.

O repertório inclui 15 músicas irrepreensíveis, indo desde as pioneiras Cold Turkey e Instant Karma! (We All Shine On), lançadas em 1969, ou seja, antes do final dos Beatles, até Woman, (Just Like) Starting Over e Watching The Wheels, do último álbum que lançou em vida, Double Fantasy (1980).

É muita coisa boa, com direito às viscerais Mother e Gimme Some Truth, a visionária Imagine, a intensa Mind Games, a psicodélica #9 Dream e a romântica Jealous Guy.

A capa e a embalagem digipack são excelentes e belas, embora o encarte não traga as letras das canções, algo condenável em um produto que representa a obra de um artista que tinha nas palavras um de seus grandes aliados.

A edição especial traz um DVD com os clipes das canções que a torna ideal para se presentear alguém que ainda não conheça a música de Lennon, ou que deseje um resumo bacana, ou ainda….tanto faz!

Boa música é sempre benvinda, seja de que forma venha. Ponto. O resto é elocubração infrutífera e onanismo intelectual…

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