Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

The Rolling Stones lança álbum ao vivo gravado no ano de 2012

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Por Fabian Chacur

Nos últimos anos, os Rolling Stones estão oferecendo à sua imensa legião de fãs um número enorme de lançamentos extraídos de seus arquivos de áudio e vídeo. Desta vez, eles acabam de divulgar que sairá no dia 10 de fevereiro de 2023 Grrrr Live!, que será disponibilizado nas plataformas digitais e também sairá em CD duplo, LP triplo de vinil e pacotes DVD+CD duplo e Blu-Ray+CD duplo, com algumas variações atraentes para os colecionadores.

Para quem acha que já ouviu esse título antes, você está certo. Grrr! é o nome de uma coletânea dupla de hits da banda lançada em 2012. E o novo material lançado por Mick Jagger e seus asseclas foi gravado ao vivo naquele mesmo ano, mais precisamente em dezembro, em show realizado no Previdential Centre de Newark, New Jersey, durante a turnê 50’s & Counting, que celebrou os 50 anos de estrada do grupo.

Dando uma bela geral nos seus maiores hits, os Stones também contaram com participações mais do que especiais no show, entre elas as de Bruce Springsteen, Lady Gaga, The Black Keys e John Mayer.

Eis as faixas incluídas em GRR Live!:

CD1

Get Off Of My Cloud
The Last Time
It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)
Paint It Black
Gimme Shelter (with Lady Gaga)
Wild Horses
Going Down (with John Mayer and Gary Clark Jr)
Dead Flowers
Who Do You Love? (with The Black Keys)
Doom And Gloom
One More Shot
Miss You
Honky Tonk Women
Band Introductions

CD2

Before They Make Me Run
Happy
Midnight Rambler (with Mick Taylor)
Start Me Up
Tumbling Dice (with Bruce Springsteen)
Brown Sugar
Sympathy For the Devil
You Can’t Always Get What You Want
Jumpin’ Jack Flash
(I Can’t Get No) Satisfaction

Veja o trailler do DVD/Blu-Ray de Grrr Live!:

Christine McVie, 79 anos, uma integrante do Fleetwood Mac

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Por Fabian Chacur

Em junho deste ano, foi lançada a coletânea Songbird- A Solo Collection (leia sobre este álbum aqui), a primeira dedicada à carreira-solo de Christine McVie. Infelizmente, foi o último trabalho lançado pela também cantora e compositora da banda Fleetwood Mac, que nos deixou nesta quarta-feira (30/11) aos 79 anos.

A informação foi divulgada nas redes sociais através de seus familiares, dizendo que ela partiu em paz após um período de internação e vitima de uma curta doença não revelada aos seus fãs.

Nascida em 12 de julho de 1943 na Inglaterra. ela começou a se tornar conhecida na cena musical do Reino Unido ao integrar a banda Chicken Shack, com quem gravou dois álbuns entre 1967 e 1969. Ela saiu do grupo e começou um flerte com outra banda que vivia seus primeiros tempos de sucesso na mesma época. o Fleetwood Mac. A ligação foi musical e afetiva, pois ela se casou em 1968 com seu baixista, John McVie.

Antes de entrar efetivamente na banda, ela lançou o seu primeiro álbum solo, que levou o seu nome de solteira, Christine Perfect (1970), trabalho no qual regravou o clássico do blues I’d Rather Go Blind, hit de Etta James que ela já havia gravado com a sua banda anterior, sendo a vocalista principal.

Christine participou como convidada dos álbuns Mr. Wonderful (1968) e Kiln House (1970), sendo que neste último foi a autora da pintura que ilustra a sua capa. No trabalho seguinte, Future Games (19710, Christine McVie foi enfim efetivada como tecladista e vocalista do FM. Embora tenha base blueseira também, ela certamente ajudou e muito a banda na sua transição para uma sonoridade um pouco mais pop e melódica.

Ela topou, junto com os fundadores da banda, o marido John e o baterista Mick Fleetwood, a encarar a mudança em 1974 para os EUA. E foi lá que o grupo encontrou o guitarrista e vocalista Lindsey Buckingham e a cantora Stevie Nicks, que com os três britânicos integrou a formação mais bem-sucedida do grupo em termos comerciais e para muitos também artística (estou entre os que pensam assim).

Entre 1975 e 1987, o Fleetwood Mac se tornou uma das mais bem-sucedidas bandas de rock do mundo, graças a álbuns impactantes como Fleetwood Mac (1975), Rumours (1977). Tusk (1979) e Mirage (1982). Neles, Christine se destacou como cantora e compositora, em hits como Say You Love Me, You Make Loving Fun, Songbird, Hold Me e Everywhere, além de encaixar com categoria seus vocais e teclados nas canções dos colegas.

Além do trabalho com a banda, ela lançou mais dois discos solo, Christine McVie (1984), com o hit Got a Hold On Me, e In The Meantime (2004), este seu único lançamento em um longo período longe do Fleetwood Mac, entre 1998 e 2013. Ela também lançou um excelente álbum em parceria com o Lindsey Buckingham em 2017 (leia a resenha aqui).

Depois de se separar de John McVie em 1976, Christine ainda conseguiu trabalhar com o ex-marido, mesmo tendo alguns perrengues com ele, alguns inspiradores de canções do célebre álbum Rumours, o mais famoso da banda. Um dos pontos altos da recente coletânea é uma versão de Songbird, um de seus clássicos do Fleetwood Mac, acrescido de um belíssimo arranjo de cordas, que acaba soando como uma bela despedida dela de cena.

Songbird (nova versão)- Christine McVie:

Edy Star lança single, livro e uma biografia virá em 2023

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Por Fabian Chacur

Edy Star continua a mil por hora. Aos 84 anos muito bem vividos, o cantor, performer, artista plástico e dramaturgo acaba de lançar dois novos produtos culturais. Um é o EP Outro Olho no Escuro, já disponível nas plataformas digitais e com duas ótimas faixas. O outro é o livro Diário de Um Invertido: Escritos Líricos, Aflitos e Despudorados (Salvador, 1956-1963), disponibilizado pela editora Noir.

O EP (também chamado de single duplo) traz duas faixas bem distintas entre si, mas ambas com a interpretação irreverente e visceral desse grande artista, que tem no currículo a gravação do incrível álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez (1971) em parceria com Raul Seixas, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio.

Homens, um blues visceral com tempero roqueiro, é de autoria de Moisés Santana, excelente cantor, compositor e jornalista com ótimos álbuns solo lançados e músicas gravadas por artistas do porte de Gal Costa. Esta música foi interpretada pela cantora Jussara Silveira em shows nos anos 1990, e gravada posteriormente pelo próprio autor.

Por sua vez, ?A Quién Le Importa? (ouça aqui) ganhou um arranjo que mescla pop e música de cabaré e foi lançada originalmente pelo grupo espanhol Alaska y Dinarama, sendo relida com muito sucesso em 2002 pela cantora e atriz Thalia. É considera um dos maiores hinos gays em língua espanhola.

E o livro Diário de um Invertido é na verdade o registro de um diário que Edy escreveu no fim da adolescência e início da fase adulta sobre as suas experiências sexuais e como lidava com o homossexualismo. Os textos foram descobertos pelo historiador Ricardo Santhiago, que prepara uma biografia sobre Edy prevista para ser lançada em 2023.

Santhiago percebeu que o diário tinha uma material muito rico para a história do universo LGBTQIA+ no Brasil, e que merecia ser lançado à parte. Ele se incumbiu de organizar o material, que traz textos, poesias e até anedotas, além de fotos do artista e de personagens deste diário.

Além da Grã-Ordem Kavernista, Edivaldo Souza (seu nome de batismo) lançou dois excelentes álbuns-solo. Sweet Edy (1974) traz composições feitas para ele por autores do quilate de Roberto & Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Mautner.

Mais recente, Cabaré Star saiu em 2017 com produção a cargo de Zeca Baleiro e um repertório matador. Ele também foi tema de um ótimo documentário, Antes Que Me Esqueçam Meu Nome é Edy Star (2019). Vão te esquecer nada, seo Edy!

Homens– Edy Star:

Keith Urban acerta em cheio com single Street Called Main

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Por Fabian Chacur

Nascido na Nova Zelândia, criado na Austrália e radicado há 30 anos nos EUA, Keith Urban é um daqueles artistas cujo talento é indiscutível. Sua capacidade de criar boas canções com tempero country rocker parece infindável, assim como sua bela voz e uma habilidade rara de encaixar seus solos de guitarra sempre nos momentos exatos. E temos tudo isso em seu novo single, Street Called Main, que acaba de ser lançado com um belo clipe.

Street Called Main é daquele tipo de canção pra cima, que gruda imediatamente nos seus ouvidos e te traz uma energia positiva deliciosa. Uma bela amostra do trabalho que atualmente este cantor, compositor e músico prepara em estúdio para suceder seu lançamento mais recente, o álbum The Speed Of Now Part 1 (2020).

Nascido em 26 de outubro de 1967, Keith Urban teve de batalhar muito para se firmar na cena musical, mas conseguiu realizar o seu sonho de forma completa. Após gravar em 1991 um disco na Austrália e tocar com gente do porte de Garth Brooks nos EUA, ele criou a banda The Ranch, com quem lançou um álbum em 1997. Em 1999, retomou a carreira-solo, e aos poucos se consolidou na cena country ianque.

Embora tenha sua base no som country, Urban é bastante versátil e aberto a outras influências, como rock, pop e black music, e isso se reflete nas parcerias que fez com artistas tão diversos entre si como Pink, Nile Rodgers, Nelly Furtado, Jason Derullo, Dolly Parton, Dixie Chicks e Taylor Swift. Ele se casou em 2006 com a atriz Nicole Kidman, com quem teve duas filhas.

Street Called Main (clipe)- Keith Urban:

Irene Cara, 63 anos, a cantora dos hits Fame e Flashdance

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Por Fabian Chacur

Com apenas 3 anos de idade, Irene Cara foi finalista do concurso Little Miss America. Era uma indicação do que viria pela frente em sua vida. Ela se tornou mundialmente conhecida como cantora e atriz, especialmente graças às músicas Fame e Flashdance…What a Feeling. Ela nos deixou aos 63 anos no dia 25, de causas não reveladas, sendo o fato divulgado no dia 26 pela sua assessora de imprensa, Judith Mosse.

Nascida no Bronx, Nova York, em 18 de março de 1963, filha de um imigrante porto riquenho e de uma imigrante cubana. Irene sempre dizia em entrevistas que nunca pensou em ser outra coisa que não fosse artista.

Ainda criança, participava de vários programas de TV e gravou seu primeiro álbum, Esta Es Irene (1967). Com dez aninhos, marcou presença em um show em homenagem ao grande jazzista Duke Ellington no icônico Madison Square Garden ao lado de Stevie Wonder, Sammy Davis Jr. e Roberta Flack.

Aos poucos, foi se fortalecendo enquanto atriz e cantora, atuando em espetáculo da Broadway, séries e filmes televisivos. Ou seja, estava bem preparada quando recebeu o convite para atuar no filme Fama, de Alan Parker. Ela viveu o papel de Coco Hernandez, uma aspirante a atriz que iniciava o seu treinamento em uma badalada escola em Nova York.

Em uma época em que Hollywood buscava um sucessor para Os Embalos de Sábado à Noite e Grease, Fama conseguiu atingir essa expectativa com louvor. É um filme delicioso, que mostra toda a trajetória de jovens aspirantes ao estrelato na escola, desde os momentos sonhadores do início até as dificuldades, os amores, as vitórias iniciais…

Se a atuação de Irene como atriz foi excelente, é como cantora que ela brilhou, pois os dois grandes sucessos da trilha sonora foram gravados por ela. Fame, a eletrizante música-título, e a canção romântica Out Here On My Own (ouça aqui), atingiram os primeiros postos nas paradas de sucesso do mundo todo. Esta última fez muito sucesso no Brasil em 1981 na voz da ainda criança Nikka Costa, filha do célebre maestro Don Costa, que trabalhou com Frank Sinatra e outros mestres da música.

Mesmo com esse embalo todo, Irene não fez muito sucesso com o seu primeiro álbum na fase adulta, Anyone Can See (1982), que não passou do número 39 na parada ianque. A coisa mudou em 1983, quando foi convidada a gravar a música-tema de outro filme, Flashdance, desta vez estrelado pela atriz Jennifer Beals e de certa forma uma derivação de Fama.

O público, no entanto, gostou e muito, e também curtiu muito as duas principais músicas da trilha. Uma é Maniac, rock eletrônico interpretado por Michael Sembello, músico que já havia tocado com Donna Summer, Stevie Wonder e outros luminares da música. A outra é exatamente Flashdance…What a Feeling, que Irene escreveu em parceria com o grande Giorgio Moroder e Keith Forsey.

Na verdade, a parceria entre Irene e Giorgio foi bem curiosa, pois desde o seu estouro com Fame a voz de Irene Cara era comparada com a da estrela maior daquela época, Donna Summer, e Moroder foi exatamente o descobridor da moça. Se teve receio das comparações, Cara acabou topando trabalhar com o genial músico e compositor italiano. E deu muito certo!

Flashdance… What a Feeling atingiu o primeiro lugar na parada americana, ficando nesse posto por seis longas semanas e ajudando a impulsionar a trilha sonora do filme para o mesmo posto. De quebra, a moça acabou abocanhando um Oscar como coautora desta canção, somando-se a prêmios Grammy, American Music e Globo De ouro. E isso tudo com apenas 24 anos!

A expectativa em torno de um novo álbum da moça era enorme, e esse álbum, intitulado What a Feelin’, saiu em 1983. Além da faixa-título, emplacou mais dois hits, Why Me? (ouça aqui), que chegou ao 13º lugar nos EUA e fez sucesso no Brasil, e Breakdance (ouça aqui ), que chegou ao nº8, ambas parcerias com Giorgio Moroder.

O álbum completo, no entanto, decepcionou, não indo além do 77º posto na parada americana. E aí começaram os problemas de Irene, que em 1985 resolveu processar o dono da gravadora que lançou este trabalho, a Network Records, o empresário Al Coury. Essa disputa judicial durou oito longos anos, e ela venceu, mas não levou, pois o selo alegou falência e não pagou os cerca de 1.5 milhão de dólares que devia. Ela acredita que isso atrapalhou e muito a sua carreira, pois afastou os empresários e gravadoras.

Seja como for, ela ainda teve uma boa oportunidade em 1987 para dar a volta por cima quando lançou o álbum Carasmatic, desta vez pela gravadora Elektra. Mas mesmo tendo contado com as participações de nomes do porte de George Duke, Carole King, George Johnson, Bonnie Raitt e Patrice Rushen, o álbum foi um fracasso de vendas e marcou o fim do seu auge.

Antes, ela participou do single beneficente Cantaré, Cantarás, em 1985, ao lado de Roberto Carlos, Gal Costa, Simone, Placido Domingo, Julio Iglesias, Jose Feliciano, Sergio Mendes e Lucho Gatica, entre outros, em prol de ações da Unicef na América Latina (veja o clipe aqui) e com o nome Hermanos.

Além disso, teve músicas incluídas em quase 20 trilhas sonoras de filmes, e participou de produções como City Heat (1984), este contracenando com os consagrados Clint Eastwood e Burt Reynolds.

Mesmo com muito menos repercussão, Irene Cara se manteve na ativa, fazendo turnês nos anos 1990 pela Europa e Ásia. Ela lançou alguns singles de dance music, compilados no hoje bastante raro álbum Precarious 90’s. Ela também gravou uma releitura de What a Feeling em 2001 com o cantor suíço Peter René Baumann, mais conhecido pelo nome artístico DJ Bobo.

Além de eventuais aparições em TV, Irene Cara lançou o seu último álbum em 2011, Irene Cara Presents Hot Caramel, CD duplo com o grupo que criou em 1999, o Hot Caramel. Você também a encontrará em discos de Lou Reed, George Duke, Evelyn Champagne King e Oleta Adams fazendo backing vocals. Bem, apesar dos altos e baixos, foi uma bela carreira.

Fame (clipe)- Irene Cara:

City and Colour lança um single com um forte apelo emocional

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Por Fabian Chacur

Além de liderar há duas décadas a Alexisonfire, excelente banda de rock alternativo que já se apresentou com sucesso no Brasil, o cantor, compositor e músico canadense Dallas Green também desenvolve um projeto paralelo cujo título brinca com o seu nome de batismo. Trata-se do City and Colour, também repleto de coisas boas. Seu mais recente lançamento é particularmente tocante. Trata-se da linda balada rock Meant To Be, a primeira faixa que lança desde 2019. Valeu a espera!

A canção homenageia o produtor Karl Barehan, morto por afogamento em setembro de 2019 e o melhor amigo de Dallas. Para piorar, o músico ainda teve de identificar no necrotério o corpo de Karl, uma daquelas experiências terríveis. “Esse foi o mometo mais difícil que tive em toda a minha vida. Isso me mudou para sempre”, relembra o artista em texto enviado à imprensa.

Com 42 anos de idade, Dallas é um dos mais talentosos artistas da sua geração, e já recebeu três prêmios Juno, o mais importante da cultura pop canadense, além de lançar trabalhos bastante interessantes com o Alexisonfire e com o City and Colour. Ele também tem forte atuação na área filantrópica em prol do ensino de música no seu país de origem.

Meant to Be (visualizer)- City and Colour:

Erasmo Carlos, 81 anos, o meu, o seu, o nosso amigo de fé…

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Por Fabian Chacur

“E agora, com vocês, o meu amigo Erasmo Carlos!” Era dessa forma irreverente e simpática que Roberto Carlos apresentava, no programa Jovem Guarda, da TV Record, nos anos 1960, seu maior parceiro, o grande Erasmo Carlos. Eu era muito pequeno para me lembrar de algo daquele programa, mas me recordo e muito de um compacto simples do meu irmão, A Pescaria, que eu amava, mesmo com meus cinco aninhos. Duro saber que o Gigante Gentil se foi nesta terça-feira (22), aos 81 anos.

Fui ter a honra de conhecer esse imenso cantor, compositor e músico no ano de 1992, quando ele lançou o álbum Homem de Rua, muito bom, por sinal. A entrevista coletiva foi em uma hoje extinta casa de shows situada na rua Turiassu, em São Paulo, e ficou na minha memória para sempre. Tenho aquele álbum no formato vinil com o precioso autógrafo do Tremendão.

Fui reencontrá-lo pessoalmente lá pelos idos de 2003, quando ele participou de uma entrevista coletiva ao lado da amiga Wanderlea, e desta vez com direito à foto que ilustra este post, gentileza da minha querida amiga Giseli Martins Turco. Também o entrevistei por telefone, e em todas essas ocasiões pude presenciar um cara extremamente simpático, gentil e sempre com histórias deliciosas para nos contar.

O tamanho da obra de Erasmo é imenso. Tanto suas eternas parcerias com Roberto Carlos como o que fez como artista solo já o eternizaram há muitas décadas entre os mestres da nossa música. O rock o marcou desde sempre, mas em sua sonoridade também entraram elementos de música brasileira, latina, pop e um romantismo repleto de inspiração e poesia.

A minha querida A Pescaria, Festa de Arromba, Gatinha Manhosa e Sentado à Beira do Caminho são apenas algumas das canções mais marcantes da fase inicial de sua carreira. O pós-jovem guarda nos trouxe muita coisa boa também, como Cachaça Mecânica, Filho Único, Mesmo Que Seja Eu, Mulher, Homem de Rua, é muita música boa.

Um dos grandes méritos de Erasmo Carlos reside no fato de ter conseguido atingir tanto os roqueiros mais radicais quanto o público mais simples e popular. Ele sofreu com uma parcela barra pesada de headbangers em sua participação no Rock in Rio em janeiro de 1985, mas foi um raro momento em que teve de encarar esse tipo de reação. Ele sabia falar com todo tipo de plateia como poucos artistas na história da nossa música.

Sua autobiografia Minha Fama de Mau (2009- leia a resenha de Mondo Pop aqui) é repleto de histórias de sua rica trajetória.

Outra virtude de Erasmo foi ter se mantido bastante ativo durante todos esses anos, lançando novos trabalhos e fazendo shows, o que lhe permitiu atingir um público bem além dos seus fãs originais dos tempos de jovem guarda. Ele certamente mereceu a linda homenagem de Roberto Carlos na música Amigo, que a partir de agora sempre arrancará lágrimas de todos aqueles que o admiram tanto. Perdemos um amigo de fé, mesmo.

A Pescaria– Erasmo Carlos:

Delia Fischer e Ricardo Bacelar dão uma prévia de seu álbum

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Por Fabian Chacur

Delia Fischer e Ricardo Bacelar são cantores, tecladistas e compositores, e nutrem uma amizade ligada por muitas afinidades musicais. Após lançarem um single em 2020, ficou no ar a vontade de um álbum em dupla. E esse desejo se concretizou. Está previsto para sair no dia 27 de janeiro Andar com Gil, no qual esses dois artistas talentosíssimos investem na obra de Gilberto Gil.

Eles acabam de divulgar uma das faixas, A Paz, célebre parceria do astro baiano com João Donato. O resultado ficou encantador, especialmente pela ótima integração das vozes dos dois. Delia dá uma prévia do álbum:

“Nos pareceu interessante fazer um recorte da obra genial e tão extensa do Gil, por isso pensamos em falar de espiritualidade. Todas as canções, de uma forma ou de outra, se relacionam ao tema”.

Por sua vez, Bacelar fala especificamente sobre a faixa que acaba de ser divulgada. “Delia e eu gravamos vozes e piano ao vivo, para capturar a emoção e o clima intimista do projeto. A Paz não só sintetiza a espiritualidade das letras do Gil, como o sentimento de todos nós, nesse momento. Paz é tudo o que o mundo precisa”, define Ricardo Bacelar.

Além de A Paz, Andar com Gil trará clássicos do songbook de Gilberto Gil como Andar com Fé, Se Eu Quiser Falar Com Deus, Oriente e Aqui e Agora. O lançamento será através do selo Jasmim Music, de Bacelar, e as gravações foram realizadas no seu estúdio, situado em Fortaleza (CE).

A Paz (clipe)- Delia Fischer e Ricardo Bacelar:

Felipe Bedetti lança álbum Afluentes com show em SP

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Por Fabian Chacur

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és, diz aquele antigo ditado. No caso do cantor, compositor e músico mineiro Felipe Bedetti, funciona, pois ele conta com avais excelentes em sua carreira, incluindo nomes do porte de Toninho Horta, Paulinho Pedra Azul e Zé Luiz Mazziotti. Ele faz um show em São Paulo neste sábado (26) às 21h no Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, nº 1.000- Belenzinho- fone 11 2076-9700), com ingressos de R$ 12,00 a R$ 40,00 (saiba mais aqui).

Nascido em Abre Campo (MG) e radicado em Belo Horizonte, Bedetti tem apenas 22 anos, mas pode ser considerado um jovem veterano, pois está na estrada há pelo menos oito anos. Ele lançou o seu primeiro álbum, Solo Mineiro, em 2018, e desde então vê o seu prestígio aumentar bastante, graças a participações em festivais e a parcerias bem bacanas.

Afluentes, seu 2º álbum e mote da apresentação que fará em São Paulo, traz composições dele escritas com nomes do porte do poeta Paulinho Pedra Azul, e participações especiais de Toninho Horta, Barbara Barcellos, Dani Lasalvia e Zé Luiz Mazziotti. Os dois últimos marcarão presença no show, no qual Bedetti (que canta com sua voz grave e bela e toca violão) será acompanhado por João Paulo Avelar (baixo), Luadson Constâncio (piano) e Henrique Nolasco (bateria).

Ouça Afluentes em streaming:

Barbatuques e Lenine se unem em um single recém-lançado

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Por Fabian Chacur

Na ativa desde 1995, o grupo Barbatuques sofreu um forte baque em fevereiro de 2021, quando o seu criador e líder, Fernando Barba, nos deixou prematuramente. Apesar da imensa perda, o time resolveu seguir adiante, até mesmo como forma de levar adiante sua original proposta de percussão corporal e vocais extremamente bem articulados. Eles acabam de lançar um novo single, Entre Amigos, homenagem ao seu eterno líder, com participação mais do que especial de Lenine.

Renato Epstein, autor da melodia (com letra a cargo de Leandro Medina), fala sobre o processo de criação dessa canção deliciosa, que mostra o grupo e seu convidado em perfeita integração:

“A música foi composta pela ocasião do falecimento do Barba, uma homenagem a ele. Tentei resgatar algumas coisas que o Barba gostava muito, como tocar guitarra e pife. Ele tinha um gosto musical que mesclava bastante a música brasileira, com música instrumental e o jazz, que ele também curtia bastante. Quis colocar o violão como parte do arranjo. O Barba era muito sútil, ele tinha a sutileza das pequenas notas. Então, a melodia da música é bastante sutil, uma melodia de poucas notas, até chegar ao refrão. É uma homenagem, um retorno ao Barba tocando entre amigos”.

O Barbatuques lançou um total de sete singles durante o ano, entre os quais Entre Amigos. Os outros são Gogó da Ema (releitura de Maria do Carmo Barbosa), Natureza (parceria com Russo Passapusso, do Baianasystem), Clariô (parceria com o italiano Stefano Baroni e participação especial das Clarianas), Na Roda do Mundo e Eu Vou Cantar (releitura a junção de dois baianás da Maria do Carmo Barbosa) e Rosa de Fogo. Todos os lançamentos são pela MCD Records.

Entre Amigos– Barbatuques e Lenine:

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