Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Abba lança novo lyric video para o grande hit Fernando

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Por Fabian Chacur

Uma estratégia que várias gravadoras usam para revitalizar itens de seu catálogo é investir em novos clipes de canções escolhidas de forma estratégica, como forma de atrair as atenções das gerações atuais. Isso tem acontecido bastante com o Abba, especialmente depois do lançamento de seu primeiro álbum de inéditas em quase 40 anos, Voyage, que saiu em 2021. Desta vez, a canção escolhida para ganhar um clipe renovado é Fernando, um de seus hits mais expressivos em termos de popularidade.

A nova atração segue o formato lyric vídeo, que é aquele que mescla cenas dos artistas a animações em meio à apresentação da letra da canção. A direção e concepção do clipe coube a Lucy Dawkins e Tom Readdy, da Yes, Please Productions, bastante ativa nessa área específica.

Fernando foi lançada originalmente em sueco em 1975 e em um disco solo da cantora Anni-Frid Lyngtad, a Frida. Em 1976, recebeu uma nova letra em inglês e saiu como single e também nos álbuns Arrival e Greatest Hits.

Em sueco, os versos falavam sobre a tristeza de um amor encerrado, mas, em inglês, registravam as reminiscências de dois ficcionais participantes da Revolução Mexicana de 1910, liderada pelo icônico Emiliano Zapata. E pensar que muitos brasileiros dançaram essa música abraçadinhos…

Fernando (lyric video 2022)- Abba:

Godsmack lança single antes do seu primeiro show no Brasil

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Por Fabian Chacur

Com 27 anos de carreira, a banda americana Godsmack nunca se apresentou ao vivo no Brasil. Essa lacuna em seu belo currículo será preenchida no dia 12 de novembro, quando eles se apresentarão no Vibra São Paulo, nova casa de espetáculos situada na capital paulista. Antes disso, eles estão lançando um single, o vigoroso e polido hard rock Surrender, já disponível nas gloriosas plataformas digitais via BMG.

Sully Erna, vocalista, guitarrista e líder do quarteto, explica as intenções em torno do novo single da banda, 1º lançamento em quatro anos e provável amostra do que será o seu 8º álbum, ainda sem previsão de lançamento:

Surrender é uma música cortante e seca. É simplesmente sobre a exaustão que todos podemos sentir nos relacionamentos, de tanto brigar. Em um determinado momento de nossas vidas, nos sujeitamos a deixar de lado quem está certo ou errado, só queremos que isso acabe.”

Originária de Massachusetts e criada em 1995, a Godsmack também inclui Tony Rombola (guitarra), Robbie Merrill (baixo) e Shannon Larkin (bateria), vendeu mais de 20 milhões de álbuns e empacou três álbuns consecutivos no topo da parada americana- Faceless (2003), IV (2006) e The Oracle (2010). Seu álbum mais recente é When Legends Rise (2018).

Surrender– Godsmack:

Richard Marx faz uma parceria com o grande Burt Bacharach

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Por Fabian Chacur

Há algumas colaborações que entram para o currículo de um artista em seu espaço mais nobre. É exatamente dessa forma que podemos classificar a canção Always, que marca a primeira parceria do cantor, compositor e músico estadunidense Richard Marx com Burt Bacharach, uma verdadeira lenda viva da música mundial. Trata-se de uma balada belíssima, gravada no melhor estilo voz, piano e cordas, e que é a primeira a ser trabalhada de Songwriter, mais novo álbum do astro, que acaba de sair.

Songwriter mostra Richard Marx investindo em composições próprias, sendo que algumas delas são divididas com parceiros ilustres. Além de Burt Bacharach, também escreveram com ele Matt Scannell (da banda Vertical Horizon, artista que se apresentou com ele no Brasil em 2010), Chris Daughtry (da banda Daughtry), David Hodges (ex-Evanescence), Darius Ruker (Hootie & The Blowfish) e Jason Wade (Lifehouse).

Marx estourou nos anos 1980 com canções marcantes como Hold On To The Nights,Satisfied e Right Here Waiting, e também nos anos 1990 com Keep Comin’ Back e Now And Forever. Seu som mistura rock, pop, r&b e country com muita categoria. Ele nos visitou pela primeira vez nos idos de 1994, aparecendo em programas de TV, e fez shows em 2010 e 2019.

Outro momento importante de sua carreira foi ter integrado a All Starr Band, de Ringo Starr, a partir de 2006, participando de vários shows ao lado do ex-beatle. Sobre a sua versatilidade em compor bem em vários estilos musicais, ele afirma: “A parte camaleão em mim como compositor sempre esteve lá e sempre foi natural”.

Always– Richard Marx:

Gregg Diamond (1949-1999), um dos grandes da disco music

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Por Fabian Chacur

Em março de 1999, a música Steal My Sunshine era lançada, e em pouco tempo se tornaria um dos maiores sucessos pop daquele ano. Gravada pelo grupo canadense Len, trazia como coautor um nome importante da era da disco music, o compositor, músico e produtor Gregg Diamond. Esse hit poderia ter ajudado o artista americano a sair de um ostracismo de quase duas décadas. No entanto, por uma dessas ironias do destino, ele se foi no dia 14 daquele mesmo março de 1999, sem nem ao menos desfrutar desse retorno triunfal.

Vítima de um sangramento gastrointestinal aos 49 anos de idade, Gregg nos deixou um belo legado que, infelizmente, não tem sido celebrado à altura. Procure um texto um pouco mais extenso e detalhado sobre ele e sinta o drama. É por isso que resolvi arregaçar as mangas e colher o máximo de informações possíveis para fazer este tributo. Sem mais delongas, eis a sua vida e obra, saudoso Gregg Diamond!

Gregory Oliver Diamond nasceu em 4 de maio de 1949 em Bryn Mawr, Pensilvania (EUA). Ele estudou percussão e teoria musical na Berklee School Of Music, e começou a carreira musical como baterista, tocando em bandas como a Five Dollar Shoes, que chegou a se apresentar no seminal clube CBGB’s, em Nova York.

O grupo lançou um álbum autointitulado em 1972 (Five Dollar Shoes) pela Neighborhood Records, e um single em 1973, sem grande repercussão. Em seus ensaios, uma figura constante era o irmão mais novo de Gregg, Godfrey Diamond, com seis anos a menos.

Como gostava muito de música, Godfrey não saía dos ensaios, e era convidado a dar opiniões sobre o que estava rolando. Dessa forma, ele começou a tomar gosto por esta área de trabalho, e aos 19 anos de idade, foi contratado pelo Media Sound Studios, em Nova York, inicialmente como auxiliar e aos poucos mergulhando na área técnica, participando de gravações e mixagens. Ele também tocava bateria.

Enquanto isso, Gregg continuava embrenhado no cenário do rock and roll, e passou a integrar a banda de apoio do cantor e compositor Jobriath (1946-1983), a The Creators, que nos idos de 1973 e 1974 era considerada uma das grandes apostas do glitter rock. Jobriath, inclusive, foi um dos primeiros astros de rock a assumir a homossexualidade, e também um dos primeiros nomes conhecidos da cena musical a ser vítima do vírus HIV.

Godfrey também era apaixonado por rock, mas trabalhava no estúdio com artistas de outros gêneros musicais, entre eles a banda de funk e soul Kool & The Gang, mais especificamente nos álbuns Light Of Worlds (1974) e Spirit Of The Boogie (1975), e do cantor de soul Ben E. King (o seminal álbum Supernatural, de 1975, do hit Supernatural Thing).

O mais novo dos Diamond tinha o costume de levar para casa cópias das mixagens que estava ajudando a fazer no Media Sound, e mostrava a Gregg, que aos poucos começou a curtir muito aquela sonoridade funk dançante e pra cima. Não demorou a surgir a ideia de fazer alguma coisa naquela linha, e ele (agora nos teclados) convidou Steve Love, guitarrista do The Creators, e também Jim Gregory (baixo, do Five Dollar Shoes) e o irmão para gravar uma base instrumental, em um estúdio naquela mesma Nova York.

Aí, o imponderável entrou em cena. Andrea True, uma atriz iniciante que atuava em filmes pornôs de segunda categoria, entre eles Deep Throat II (Garganta Profunda, no Brasil), pensava em investir em uma carreira como cantora. Ao ir à Jamaica para participar de uma campanha institucional, viu-se em uma situação inusitada. Por problemas ocorridos entre os governos dos EUA e o local naquele exato momento, ela não poderia levar para o seu país o pagamento que recebeu pelo seu trabalho.

Para não sair totalmente no prejuízo, ela teve a ideia de gastar a grana na própria Jamaica pagando horas de estúdio para gravar uma faixa como cantora. Amiga de Gregg, ela ligou pra ele e perguntou se o músico não tinha alguma gravação que eles pudessem completar na pátria do reggae. Os Diamonds toparam, e viajaram com precisamente aquela gravação que haviam feito pouco tempo antes.

Foi dessa forma que nasceu More, More More, pensada inicialmente como possível tema de um filme pornô. Os Diamonds tentaram emplacar a gravação nas gravadoras de maior porte, mas só ouviram o tão sonhado sim do pequeno selo Buddah Records. Creditado a Andrea True Connection, o single rapidamente se tornou um estouro, atingindo a 4ª posição na parada pop dos single nos EUA e o 5º lugar no Reino Unido.

More, More, More, o álbum, saiu logo a seguir, chegando ao 47º lugar na parada pop e emplacando mais dois hits medianos, Call Me (ouça aqui) e Party Line (ouça aqui). Neles, destaque para a voz pequena e sensual de Andrea, os timbres deliciosos de teclado de Gregg e, especificamente na faixa-título, a levada de bateria de Godfrey, que deu show na mixagem e produção.

Foi nesse momento que Gregg e Godfrey abriram a sua própria empresa de produção, a Diamond Touch, na qual dividiam funções. Basicamente, o mais velho assinava as composições, fazia os arranjos de base e tocava os teclados, cabendo ao mais novo a parte técnica das gravações. More, More, More virou uma espécie de molde para o que viria a seguir.

Curiosamente, mesmo com tanto sucesso, os irmãos Diamond só participaram de uma faixa do segundo álbum de Andrea True Connection, White Witch (1977). Coincidência ou não, foi justo a música mais marcante do LP, N.Y. You Got Me Dancing (ouça aqui), que como single atingiu o nº 27 na parada pop e integrou a trilha da novela global Loco-Motivas.

Vale registrar que as outras faixas de White Witch foram produzidas por Michael Zager, outro produtor e compositor importante da era disco, que estourou com os hits Let’s All Chant e Life’s a Party, esta última a 1ª gravação de Whitney Houston, na época ainda uma adolescente. A única das músicas produzidas por ele neste álbum a estourar foi What’s Your Name What’s Your Number (de Roger Cook e Bobby Woods), nº 56 nos EUA.

Lógico que o sucesso de More More More atraiu a atenção de outros artistas para o trabalho dos irmãos Diamond. O 1º foi George McCrae, que em 1975 estourou mundialmente com Rock Your Baby, um dos primeiros hits massivos da disco music, com autoria e produção a cargo dos líderes do KC & The Sunshine Band, Harry Wayne Casey e Richard Finch.

Curiosamente intitulado Diamond Touch (1976), o álbum inclui quatro músicas de autoria de Gregg Diamond, incluindo o excelente single Love In Motion (ouça aqui). O álbum saiu pela TK Records, a mesma dos trabalhos do KC & The Sunshine Band, e não fez o sucesso que se esperava, mas rendeu um contato bacana que valeria um bom fruto não muito tempo depois.

Em 1977, foi a vez de Gloria Gaynor, a 1ª rainha da disco music graças ao estouro de Never Can Say Goodbye em 1975, valer-se dos serviços de Gregg e Godfrey. O álbum Glorious inclui quatro músicas de Gregg, entre elas a sensual Most Of All (ouça aqui). E, mais uma vez, o trabalho não teve a boa repercussão que merecia. E os Diamond devem ter parado pra pensar.

Nos LPs de George McCrae e Gloria Gaynor, Gregg e Godfrey não tiveram o controle total sobre a produção, compartilhando o trabalho com outros músicos, compositores e produtores. Ele certamente sentiram que uma chance de dar mais certo seria montar um projeto próprio no qual pudessem se incumbir de todas as etapas, desde a seleção de músicas até a mixagem.

Nascia, dessa forma, a Bionic Boogie, também conhecida como Gregg Diamond Bionic Boogie. Era uma banda de estúdio, que trazia como pilares Gregg como produtor, compositor e se desdobrando em teclados como o Yamaha Electric Grand Piano, Fender Rhodes, D-6 Clavinet, Steinway Acústico, Harpsichord e Hammond B-3, Steve Love (guitarra), Jim Gregory (baixo) e Richard Crooks (bateria).

Além desses músicos, outros eram acrescentados de acordo com as necessidades de cada álbum, assim como os vocalistas. No 1º álbum (Bionic Boogie, 1977), temos os vocais a cargo de Yolanda, Zach Sanders e a consagrada cantora e compositora Gwen Guthrie, além de Alan Schwartsburg (bateria) e Lance Quinn (guitarra).

Lançado pela gravadora Polydor, Bionic Boogie não emplacou na parada pop americana, mas cravou dois hits em outros charts. A sensacional Dance Little Dreamer (ouça aqui), com seus vocais em uníssono e levada contagiante de teclados, chegou ao 1º lugar na parada de dance music nos EUA, e ao 77º lugar no Reino Unido.

Por sua vez, Risky Changes (ouça aqui), outro petardo disco, marcou presença na parada americana de r&b, onde chegou ao posto de número 79. Melhor ainda: o disco teve alta rotação nas pistas das discotecas, especialmente da mais badalada da época, o Studio 54.

Como aquela incensada casa noturna ficava a poucos quarteirões do estúdio onde os Diamond gravavam seus discos, era um costume eles levarem versões prévias do que gravavam e pedir para os DJs as testarem nas pistas de dança, sentindo o que dava certo e o que não rolava, aperfeiçoando até chegar ao resultado desejado. E, dessa forma, se tornaram queridinhos de lá.

O bom desempenho do álbum de estreia fez com que a Polydor se entusiasmasse, e logo surgiu o seu sucessor, Hot Butterfly (1978), creditado a Gregg Diamond Bionic Boogie. A grande novidade ficou a cargo da entrada no time do vocalista e compositor Luther Vandross, que participou com destaque do álbum Young Americans (1975), de David Bowie, e dos dois primeiros álbuns do Chic, Chic (1977) e C’Est Chic (1978).

Com sua voz maravilhosa, personalizada e de timbre inconfundível, Vandross marca presença em todos os vocais de apoio e ainda assume o vocal principal em Hot Butterfly (ouça aqui), canção mezzo r&b mezzo disco de andamento midtempo que atingiu o nº 8 na parada dance dos EUA e o nº 77 na parada britânica. Essa deliciosa canção foi relida com muita categoria em 1980 por Chaka Khan, rebatizada como Papillon (ouça aqui).

Excelente, o álbum traz outro petardo, Fess Up To The Boogie (ouça aqui), uma fantástica mistura de rock ardido e disco que sempre agitava as pistas de dança no momento em que entrava em cena, com direito a belos riffs de guitarra e vocais vigorosos. Curiosidade: tem um trecho que lembra muito o de It Don’t Come Easy, de Ringo Starr (ouça aqui).

Além de Luther Vandross, marcam presença nos vocais no álbum Hot Butterfly a cantora Cissy Houston, mãe de Whitney Houston e na época estourada nas paradas disco com Think It Over (de Michael Zager, com quem ela trabalhava) e David Lasley (1947-2021- que atuou com Chic, Sister Sledge e James Taylor, entre outros). Cream (Always Rises To The Top) (ouça aqui), com levada hipnótica, chegou ao nº 61 na parada do Reino Unido.

Em função do trabalho que haviam feito anteriormente na T.K. Records, Gregg e Godfrey receberam o convite para gravar um álbum por aquela gravadora. Como eles eram contratados da Polydor como Bionic Boogie, eles aceitaram a proposta com um novo nome, embora com uma escalação de integrantes bem próxima, Nascia o Gregg Diamond’s Star Cruiser, que no final de 1978 lançaria o LP Gregg Diamond’s Star Cruiser.

As principais novidades estavam no elenco de vocalistas. Gordon Grody (que atuou com Phillys Hyman, Gene Simmons e Vicki Sue Robinson) ficou com o vocal principal de Island Boogie. Por sua vez, Diva Gray (que participou de álbuns do Chic e Change, entre outros) comandou os vocais em This Side Of Midnight. Outra presença importante é a de Jocelyn Brown, que em 1984 estouraria com o hit Somebody Else’s Guy.

Com um repertório particularmente inspirado, Gregg Diamond’s Star Cruiser teve dois hits marcantes nas pistas de dança. Starcruisin’, com belo arranjo de metais e balanço com pitada roqueira (ouça aqui), chegou ao nº 7 na parada dance e o nº 57 na parada de r&b americanas.

Por sua vez, This Side Of Midnight, com um arranjo grandioso e envolvente e o vocal sedutor de Diva Gray, pode ser considerada um dos grandes clássicos da disco music (ouça aqui).

Infelizmente, esse álbum marcou o fim da parceria dos irmãos Diamond. Em entrevista concedida em 2014 para Abby Garnett para o site redbullmusicacademy.com, Godfrey deu a seguinte declaração:

“Ele era uma pessoa muito criativa e brilhante, o meu irmão, eu o amava. Mas ele também tinha um lado muito destrutivo. Eu trabalhava quase 18 horas por dia, não aguentava mais aquilo”.

Desta forma, Godfrey resolveu sair da Diamond Touch. Ele, que em 1976 produziu o álbum Coney Island Baby, de Lou Reed, saiu da cena da dance music e trabalhou com artistas como Billy Squier e Aerosmith, até abrir o seu próprio estúdio, o Perfect Mixes Studio, na ativa há mais de 20 anos.

Sem o irmão, Gregg prosseguiu o seu contrato com a Polydor, e em meados de 1979 lançou o álbum Tiger Tiger. A parte técnica de gravar e mixar ficou a cargo do engenheiro de som John Pace, conhecido por seus trabalhos com John McLaughlin, Kenny Loggins e Anne Murray, entre outros

A grande marca fica por conta da manutenção da parceria com Luther Vandross, que se incumbiu dos arranjos vocais, backing vocals e vocal principal em três faixas muito boas, das quais ele foi também o coautor.

São elas Lay It On The Line (ouça aqui), Crazy Lady Luck (ouça aqui) e Take The Boogie Home (ouça aqui). Embora excelentes, nenhuma delas emplacou nos charts de dance music, r&b e pop.

O único semihit do álbum foi exatamente a faixa-título, Tiger Tiger (Feel Good For a While) (ouça aqui), assinada apenas por Gregg e que chegou ao 33º lugar na parada dance dos EUA. Seria o último hit do Bionic Boogie. Jocelyn Brown, Lani Groves e Janet Wright também participaram dos vocais.

Já sem Luther Vandross, Gregg Diamond lançou um último álbum, desta vez creditado só a ele, por um outro selo do conglomerado Polygram, o Mercury. Trata-se de Hardware, que chegou às lojas no finalzinho de 1979, no exato momento em que a disco music sofria com o abjeto movimento Disco Sucks, que procurou tirar a disco de cena por razões preconceituosas e infelizmente atingiu os seus objetivos.

O time de músicos neste álbum se manteve, com participações especiais luxuosas como as de David Sanborn (sax alto) e Randy Brecker (trompete). Nos vocais, Zack Saunders, Jocelyn Brown, Diva Gray e Gordon Grody, entre outros. Embora com faixas bem interessantes como 1/8th Of Your Love (ouça aqui) e War Paint (Love Line) (ouça aqui), o disco passou batido.

Com o fim da era disco, Gregg Diamond simplesmente sumiu de cena. Uma rara aparição ocorreu em 1983, e ainda assim por tabela, quando a cantora Jackie Moore (que em 1979 estourou com o hit disco This Time Baby, escrito por Bell & James) regravou com categoria Holding Back (ouça aqui), que o Bionic Boogie lançou no álbum Gregg Diamond’s Star Cruiser (1978, ouça a versão original aqui).

Lembra do início dessa matéria? Pois chegou a hora de contar a história de Steal My Sunshine, a música que trouxe Gregg Diamond de volta às paradas de sucesso, mesmo que de maneira meio torta. Tudo começou quando o músico canadense Marc Costanzo ouviu More, More, More, de Andrea True Connection, em uma festa retrô, e ficou com ela na cabeça.

Costanzo era o cantor, músico e líder da banda de rock alternativo canadense Len, que havia até então lançado dois álbuns sem grande repercussão. Valendo-se de um pequeno (porém marcante) trecho de More, More, More, no melhor estilo do rap/hip hop, ele compôs uma nova música, que interpretou em dupla com a irmã, Sharon Costanzo.

Intitulada Steal My Sunshine (ouça e veja o clipe aqui), a canção foi lançada em março de 1999, incluída na trilha sonora do filme Go (exibido no Brasil como Vamos Nessa), dirigido por Doug Liman, no 3º álbum da banda, You Can’t Stop The Bum Rush e depois também saiu no formato single.

A divulgação adicional obtida graças ao filme impulsionou a música nas paradas de sucesso, e a levou a atingir a posição de nº 9 na parada americana de singles. O álbum chegou ao 46º posto na parada pop, e Steal My Sunshine entrou no Top 40 de oito países pelo mundo afora.

O sucesso do Len, no entanto, ficou por aí, com a banda de Marc Constanzo lançando outros dois álbuns que passaram batido. Eles se tornaram o que a literatura pop definiu como one hit wonder (maravilha de um sucesso só, em tradução livre), e até hoje são lembradas por essa canção, que se tornou uma espécie de hino do verão americano daquele mesmo 1999 em que seu coautor, Gregg Diamond, nos deixou. Fina ironia…

More More More (clipe)- Andrea True Connection:

John Hartman, 71 anos, batera dos The Doobie Brothers

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Por Fabian Chacur

Tipo da história esquisita, mas vamos a ela. No último dia 20, o Rock And Roll Hall Of Fame publicou em sua página na internet uma homenagem póstuma a John Hartman, baterista original dos Doobie Brothers. Como a morte dele não havia sido noticiada, ficou no ar o clima de que poderia ter sido um fora. No dia 22, no entanto, as redes sociais da banda o homenagearam também. O mais estranho vem agora: familiares informaram que, na verdade, seu ente querido se foi há bem mais tempo, mais precisamente em 29 de dezembro de 2021.

Nascido em 18 de março de 1950, John Hartman conheceu os músicos Patrick Simmons (vocal e guitarra) e Tom Johnston (vocal e guitarra) em 1969 em shows nos bares da Califórnia. Ao sentirem boas afinidades, resolveram criar sua própria banda, inicialmente com o nome Pud e, em 1970, como The Doobie Brothers, uma brincadeira em relação ao fato de todos serem bem chegados naquela célebre erva e nos cigarros (doobies) feitos a partir dela. Nascia uma das grandes bandas do rock.

The Doobie Brothers (1971), o álbum de estreia, não fez muito sucesso, mas mostrou uma banda com muito potencial, e, nela, John Hartmann se mostrou um músico dos mais úteis, pois, além de bateria, também tocava aproximadamente outros 18 instrumentos de percussão, como congas e timbales. O disco incluía Nobody, que fez bastante sucesso no Brasil na época, embora tenha passado batida nos EUA.

Para o álbum seguinte, eles resolveram entrar em uma onda que estava tendo início naquela mesma época no rock, a de usar dois bateristas, e Michael Hossack entrou no time. Deu super certo! Toulouse Street (1972) estourou mundialmente, graças a hits certeiros como Listen To The Music e Rockin’ Down The Highway.

O álbum seguinte, The Captain And Me (1973), foi ainda melhor, emplacando hits massivos como Long Train Runnin’ e China Grove e mostrando a categoria da banda nas áreas do rock básico, folk, country, blues e hard rock. O talento de Hartman como baterista e percussionista se mostrou bastante presente e útil nessa diversidade sonora.

Hartman se manteria no time até o álbum Minute By Minute (1978), saindo de cena no início de 1979. Ele voltou aos Doobies quando o grupo, após uma parada entre 1983 e 1987, voltou à cena, para lançar dois álbuns de sucesso, Cicles (1989) e Brotherhood (1991). Em 1992, no entanto, ele decidiu sair de vez da cena musical, dedicando-se à sua fazenda e também tentando se tornar um policial, o que acabou não dando certo.

Vale informar que os Doobie Brothers, mantendo Tom Johnston e Patrick Simmons de sua formação original, continuam na ativa, e atualmente fazem uma turnê que celebra seus 50 anos de carreira,contando com a participação especial de outro nome importante de sua história, o cantor, compositor e tecladista Michael McDonald.

Long Train Runnin’– The Doobie Brothers:

Per Gessle lança faixa e anuncia álbum com o nome PG Roxette

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Por Fabian Chacur

Com a morte prematura da cantora Marie Fredriksson (1958-2019), sua parceira musical, Per Gessle, se viu diante de um impasse. Como prosseguir a sua carreira? Ele já havia, em intervalos do duo que o tornou famoso internacionalmente, o Roxette, lançado bons trabalhos como artista-solo e com o grupo The Lonely Boys, com pouca repercussão. Por sua vez, parecia estranho seguir adiante com uma substituta para Marie. Como sair desse impasse?

Pois ele chegou a um interessante meio-termo. No início deste ano, ele lançou um single creditado a PG Roxette intitulado The Loneliest Girl In The World (veja o clipe aqui), com uma sonoridade próxima à da sua banda e com o apoio vocal das cantoras Helena e Dea. E, agora, ele divulga um novo single, e anuncia um álbum, Pop-Up Dynamo!, que sai no dia 28 de outubro.

A nova música, também de autoria de Gessle, intitula-se Walking On Air, e segue a mesma linha de rock dançante com pegada eletrônica e vocais femininos no refrão. Foi, na verdade, a primeira canção dessa nova safra, concebida em 2019 a pedido da produção do filme Top Gun- Maverick (2022), mas acabou não sendo utilizada na atração estrelada por Tom Cruise.

Em press-release enviado à imprensa, Gessle explica a motivação em torno desse projeto:

“Então, guardei para mim e comecei a escrever mais coisas no mesmo estilo dos anos 80 e 90 que me lembrou Look Sharp! e Joyride. Foi assim que o álbum começou. Helena e Dea cantam juntas os vocais principais nos refrões. Helena é a força motriz e Dea faz overdubs e também canta vocais de harmonia. Eles têm estilos bem diferentes com os quais eu amo trabalhar. Este é o som que brilha em todo o álbum. Juntas, elas criam quase uma “terceira persona”, é difícil dizer quem é quem. Um pouco como Agnetha e Frida no ABBA”.

Walking on Air (lyric video)- PG Roxette:

Stevie Nicks relê com classe hit marcante do Buffalo Springfield

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Por Fabian Chacur

No finalzinho de 1966, uma jovem adolescente americana ficou fascinada com For What It’s Worth, canção do grupo Buffalo Springfield que registrava de forma instantânea e direta o clima de beligerância entre a polícia de então e os integrantes da contracultura, na Sunset Strip, Hollywood. Essa linda e talentosa garota, que ficaria mundialmente conhecida como a cantora e compositora Stevie Nicks, do Fleetwood Mac e artista-solo de sucesso também, resolveu agora regravá-la, em uma versão sensacional já disponível nas plataformas digitais.

Escrita no calor daquele momento conturbado por um dos integrantes da banda, que se incumbiu do vocal principal e guitarra, o grande Stephen Stills (ouça aqui), For What It’s Worth atingiu o 7º lugar na parada pop americana e se tornou o maior hit da carreira do Buffalo Springfield, que também trazia em sua formação Neil Young. Ambos continuariam a tocar essa canção na sua banda posterior, a Crosby, Stills, Nash & Young.

Em comunicado publicado em suas redes sociais, a cantora afirma que a canção a marcou na época, e que continua fazendo todo o sentido nos dias atuais. “Sempre quis interpretar essa canção sob o olhar de uma mulher, e sinto que nos dias de hoje essa música ainda tem muito o que dizer”.

A produção da gravação ficou a cargo do premiado Greg Kurstin, conhecido por seus trabalhos como Beck, Foo Fighters, Adele e Paul McCartney. Ele se incumbiu também de tocar bateria, órgão, percussão, violão e guitarra, tendo o auxílio do guitarrista Waddy Wachtel e da vocalista Sharon Celani.

For What It’s Worth- Stevie Nicks:

Seal lança versão deluxe de seu belo álbum de estreia de 1991

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Por Fabian Chacur

O cantor e compositor britânico Seal não poderia ter iniciado melhor a sua carreira discográfica. Seal, seu autointitulado álbum de estreia, saiu em 1991 e invadiu as paradas de sucesso de todo o mundo. Como forma de celebrar os 31 anos de seu lançamento original, a Warner disponibilizará no dia 4 de novembro nas plataformas digitais (e em formatos físicos no exterior) uma versão deluxe deste trabalho realmente icônico.

Seal Deluxe Edition é dividido em quatro partes. A primeira traz uma versão remasterizada do álbum original. A segunda, versões raras e alternativas de faixas do álbum. A terceira traz remixes, e a quarta nos oferece o registro de um show realizado pelo artista no The Point, em Dublin, Irlanda, no 16 de dezembro de 1991. Um mix na moderna tecnologia Dolby Atmos feita pelo produtor do álbum original, Trevor Horn, também estará disponível.

Três dos maiores hits da carreira de Seal fazem parte deste álbum: Crazy, Killer (que ele gravou originalmente com o DJ e produtor Adamski) e Future Love Paradise. Foi durante a divulgação deste trabalho que ele nos visitou pela primeira vez, em janeiro de 1992, participando com brilho do Hollywood Rock e gravando um especial para a MTV brasileira.

Eis as faixas de SEAL: DELUXE EDITION:

Disco Um: Álbum Original Remasterizado

The Beginning
Deep Water
Crazy
Killer
Whirlpool
Future Love Paradise
Wild
Show Me
Violet

Disco Dois: Raridades

Crazy – Acoustic/Instrumental
Crazy – Premix Version
Killer – Premix Version
Violet – Premix Version
Wild – Premix Version
Deep Water – Premix Version
Whirlpool – Premix Version
Future Love Paradise – Reprise
A Minor Groove
Sparkle – Extended Version
Deep Water – Acoustic

Disco Três: Remixes

Killer – Single Edit
Killer – William Orbit Remix
Killer – William Orbit Dub
The Beginning – Single Remix
The Beginning – Giro E Giro Mix
The Beginning – Round the Underground Dub
The Beginning – Round the Underground Mix
The Beginning – Roundabout Mix
Crazy – Single Mix
Crazy – Acapella
Crazy – Do You Know the Way to L.A. Mix
Crazy – Chick On My Tip Mix
Krazy

Disco Quatro: Live at The Point, Dublin (16 de dezembro de 1991)

Deep Water *
The Beginning *
Future Love *
Paradise *
Violet *
Show Me *
Hey Joe *
Killer *
Whirlpool *
A Minor Groove *
Crazy *
Wild *
Hide *
* inédito

Crazy (clipe)- Seal:

Bourbon Street Fest traz feras da música em shows gratuitos

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Por Fabian Chacur

Quer um programa imperdível para o próximo fim de semana em São Paulo? E melhor: com entrada gratuita e ao ar livre? Pois a grande pedida é o Bourbon Street Fest, cuja 18ª edição será realizada neste sábado (24) e domingo (25) no Parque Burle Marx (avenida Dona Helena Pereira de Moraes, nº 200- Vila Andrade). O evento é um projeto do Bourbon Street Music Club, e reúne grandes músicos nacionais e, especialmente, internacionais, que também estão tocando naquela casa de shows (saiba mais aqui).

Consagrado por sua boa organização e ótimos elencos, o Bourbon Street Fest deste 2022 mantém o alto padrão de sempre, com direito a diversos nomes internacionais. Alguns são artistas em ascensão na área do blues, soul e jazz, como a cantora Bobbi Rae (FOTO), o cantor e pianista Kevin Gullage, a cantora Koko Jean Davis e o grupo Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers, só para citar alguns.

Também teremos músicos bem bacanas representando o Brasil neste evento. O ótimo cantor e guitarrista Igor Prado e sua banda Just Groove, por exemplo, estarão acompanhando Bobbi Rae. Outros artistas brasileiros escalados e que merecem destaque são Marcelo Torres Septeto, o pianista Luciano Leães e os grupos Orleans Street Jazz Band e a Favela Brass.

Programação completa-Bourbon Street Fest 2022

24/09 (Sábado)

13h00 – Dj Crizz | New Orleans

13h30 – Leroy Jones Quintet | Jazz

15h00 – Favela Brass | New Orleans

15h30 – Bobbi Rae & Just Groove feat Igor Prado | Soul & R&B

17h00 – Favela Brass | New Orleans

17h30 – Corey Henry & Treme Funket | Brass & Funk

25/09 (Domingo)

12h30 – Dj Crizz | New Orleans

13h00 – Favela Brass | New Orleans

13h30 – Kevin Gullage & The Blues Groovers | Soul & Blues

15h00 – Favela Brass | New Orleans

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In Love With You (clipe)- Bobbi Rae:

Anvil Fx lança o LP Estado de Choque nesta sexta(23) em SP

anvil fx crédito Maria_Fernanda_Bianchini-400x

Por Cristiano Bastos
colaboração para Mondo Pop

Nesta sexta-feira (23), às 20h, o Sesc 24 de Maio (Rua 24 de maio, nº 109- Centro) , em São Paulo, receberá a banda Anvil Fx, para o show de lançamento de Estado de Choque, o oitavo álbum da banda, com ingressos custando de R$12,00 a R$ 40,00 (mais informações aqui). O disco, disponível no formato álbum de vinil, foi viabilizado numa parceria entre os selos Nada Nada Discos e Noise Democracy Records.

A Anvil Fx foi criada em meados dos anos 90 como um projeto solo de música eletrônica idealizado pelo músico e compositor mineiro Paulo Beto e, hoje em dia, com o ingresso de Bibiana Graeff (vocal principal, efeitos eletrônicos), tem explorado esteticamente uma linguagem sonora identificada com o rock eletrônico experimental. Completam a formação atual Apolônia Alexandrina (vocais, percussão eletrônica, sintetizador), Livia Maria (vocais, sax tenor) e Tatiana Meyer (vocais, sintetizador).

Para o show de lançamento no Sesc 24 de Maio, a Anvil Fx contará com participações especiais de músicos que fizeram parte da história da banda: Edgard Scandurra (frequente colaborador do quinteto), Fausto Fawcett (entusiasta e também autor do texto que vem encartado no LP), Silvia Tape (compositora e integrante do icônico grupo Mercenárias) e Silma Bijoux O’Hara (vocalista da banda Divergência Socialista).

Musique d’apéro– anvil FX

veja o clipe aqui.

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