Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Titãs lançam um novo clipe de Sonífera Ilha com celebridades

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Por Fabian Chacur

Com nove integrantes logo no seu início e oito em sua fase clássica, os Titãs foram diminuindo até chegarem ao formato atual, com Sergio Britto, Branco Mello e Toni Bellotto. Após uma turnê bem-sucedida com essa formação, eles anunciam que lançarão em breve o álbum Titãs Trio Acústico, relendo seus hits. A primeira amostra saiu hoje. Trata-se de Sonífera Ilha, seu primeiro hit, que está sendo divulgada com um clipe ótimo e repleto de convidados especiais.

Cenas da banda feitas em estúdio são intercaladas com registros de Rita Lee e Roberto de Carvalho, Fernanda Montenegro, Lulu Santos, Elza Soares, Os Paralamas do Sucesso, Casagrande, Andreas Kisser, Edi Rock, Fábio Assunção, Cyz Mendes, Alice Fromer e Érika Martins, que dublam os versos da canção.

Embora intitulado Trio Acústico, vemos no clipe o grupo se valendo de instrumentos elétricos como guitarra e baixo, além de piano, este, sim, acústico de fato. Cantada por Paulo Miklos na versão original de 1984, desta vez Sonífera Ilha contou com o vocal principal de Branco Mello.

Sonífera Ilha (clipe)- Titãs:

Leila Pinheiro e Antonio Adolfo lançam videoclipe de Teletema

Foto: Leo Aversa

Foto: Leo Aversa

Por Fabian Chacur

Há parcerias que se mostram clássicas logo ao serem anunciadas, e a que reúne em um mesmo trabalho o pianista, compositor, arranjador e produtor Antonio Adolfo e a cantora Leila Pinheiro se encaixa feito luva nessa definição. O legal é que eles se unem para reverenciar o trabalho de outra dupla que marcou história na música popular brasileira, a formada pelo próprio Adolfo e o saudoso Tibério Gaspar (1943-2017). O primeiro videoclipe para divulgar este álbum, com a música Teletema, foi lançado nesta quinta-feira (26).

Gravada originalmente por Regininha e incluída na trilha sonora da novela global Véu de Noiva em 1970, essa belíssima canção ganhou um novo arranjo que se encaixou feito luva na voz de Leila. Participam da gravação Roberto Menescal (guitarra), Jessé Sadoc (trompete), Marcio Bahia (bateria) e Jorge Helder (contrabaixo), além do próprio Antonio Adolfo, que foi o diretor musical e arranjador do álbum, nos teclados.

Já disponibilizado pela gravadora Deck nas plataformas digitais e em breve também em CD físico, Vamos Pro Mundo- A Música de Antonio Adolfo traz 13 das mais de 50 músicas escritas pelos dois parceiros, clássicos da música brasileira, entre as quais Cláudia e Sá Marina, esta última grande sucesso na voz de Wilson Simonal e décadas depois na de Ivete Sangalo.

Teletema (clipe)- Leila Pinheiro e Antonio Adolfo:

Chico Lobo mostra novidades e hits em show ao vivo via internet

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Por Fabian Chacur

Há 35 anos na estrada, Chico Lobo é um dos grandes nomes da viola no Brasil. Este talentoso cantor, compositor e músico oriundo de São João Del Rei (MG) se engajou nesse movimento para levar a música ao vivo às pessoas em um período no qual os shows presenciais estão suspensos devido à pandemia do covid-19. Ele se apresentará através de seu canal do youtube (o link está aqui) neste sábado (28) às 17h o show Quarentena Ao Vivo.

No melhor estilo viola e voz, sozinho em cena, Chico se apresentará durante 35 minutos, alternando-se entre clássicos de seu repertório e algumas inéditas que estarão em seu novo álbum, atualmente em fase de gestação. Seus filhos Mateus, Luisa e Tomás se incumbirão da transmissão, enquanto o músico e amigo Tatá Symba se responsabilizará pela parte técnica.

Com mais de 25 CDs e também dois DVDs em seu currículo, Chico Lobo já teve músicas gravadas por artistas do calibre de Maria Bethânia, Mauricio Pereira e a Banda de Pau e Corda, além de dividir o palco com Renato Teixeira, Zé Geraldo, Zé Alexandre e Quinteto Violado. Ele explica o início dessa nova forma de divulgar seu trabalho:

“Nesse momento tão dramático que o meio artístico vive, temos de usar a nossa criatividade, as nossas relações e levar ao público a nossa música, a nossa esperança. Usar dessa modernidade em nosso favor. E assim chegar na casa das pessoas; criar vínculos maiores – de parceria dos artistas com o seu público. Acho isto importante e decidi ir à luta”.

Após essa apresentação solo, Lobo irá participar do Homestage Festival de Portugal, no dia 31 de março às 17h, festival virtual comandado a partir de Portugal que será realizado de 27 de março a 1º de abril com a participação de 86 artistas oriundos de 11 países.

Outra boa notícia fica por conta de ele estar organizando o Festival Quarentena Violada, que nos dias 11 e 12 de abril trará performances de 12 violeiros do primeiro escalão. Vale lembrar que os músicos tem nos shows uma parte muito importante de arrecadar fundos para a sua subsistência. Então, doações dos fãs (equivalentes ao valor de ingressos) serão bem-vindas.

CHICO LOBO apresenta: QUARENTENA AO VIVO — Show Lá em Casa
DIA: 28 de Março (sábado)
HORÁRIO: 17h
CENSURA: Livre
INGRESSO: Contribuição livre, a produção sugere o valor de R$15,00
DEPÓSITO EM CONTA: Viola Brasil Produções (CNPJ 05.725.977/0001-90) | Banco Itaú (nº 341) – Agência:3076 | Conta: 14.525-3

Chico Lobo e Maria Bethânia ao vivo:

The Pretenders liberam 2ª faixa de seu futuro álbum de inéditas

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Por Fabian Chacur

Os fãs dos Pretenders tem boas razões para sorrir. Acaba de ser disponibilizada nas plataformas digitais a faixa-título de seu novo álbum, Hate For Sale, previsto para sair no dia 17 de julho pela gravadora BMG Brasil (não confundir com o selo criado nos anos 1980 e cujo conteúdo hoje é parte do conglomerado Sony Music). Trata-se de um punk rock áspero e curto, com menos de três minutos de duração, embora nele a voz da líder da banda, Chrissie Hynde, soe melódica e suave. Trata-se da segunda música divulgada deste trabalho, que será o 11º da discografia da banda criada em 1978 e com uma carreira bastante relevante.

A outra faixa conhecida do álbum é The Buzz (ouça aqui), um rock balada com ecos dos anos 1960 e com aquela assinatura típica que levou a banda a vender milhões de álbuns e a lotar seus shows nos quatro cantos do mundo.

A produção do disco ficou a cargo do bem-sucedido produtor Stephen Street, conhecido por seus trabalhos com The Smiths, Morrisey na carreira-solo, Kaiser Chiefs e The Cranberries e que que atuou com os Pretenders nos álbuns Last Of The Independents (1994) e !Viva El Amor! (1999).

Será o 1º álbum desde Alone (2016), creditado aos Pretenders mas a rigor um trabalho solo de Chrissie. Desta vez, ela se dedica aos vocais e guitarra-base e tem a seu lado o baterista Martin Chambers (o outro integrante da formação original da banda a se manter em cena), Nick Wilkinson (baixo) e James Walbourne (guitarra), este último seu parceiro nas novas composições.

Sobre a inspiração que a motivou a escrever a letra da faixa que deu nome ao novo CD, ela deu uma declaração bem-humorada:

“Juro que essa música não é sobre Donald Trump, Boris Johnson ou Bolsonaro. Nenhuma das minhas músicas fala diretamente de política, em geral elas falam sobre ex-relacionamentos mesmo”, garante. A inspiração punk ela garante vir de uma de suas bandas favoritas, os britânicos do The Dammed.

Hate For Sale– The Pretenders:

Kenny Rogers, embaixador da country music e um astro pop

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strong>Por Fabian Chacur

Um verdadeiro embaixador mundial da country music. Eis uma definição possível para o cantor, músico e eventual compositor Kenny Rogers, que nos deixou na noite desta sexta-feira (20) por causas naturais, conforme comunicado de sua família. Em uma carreira que teve início na segunda metade dos anos 1950 e se manteve até 2018, o astro americano nos deixou uma obra repleta de hits e na qual sempre demonstrou uma inquietude, acrescentando elementos sonoros diversos à música country.

Kenneth Ray Rogers nasceu em Houston, Texas, no dia 21 de agosto de 1938, e demonstrou interesse pela música logo aos quatro anos de idade, quando cantava em troca de moedas. Seu primeiro single solo, That Crazy Feeling, saiu em 1958, mas foi como integrante do grupo de jazz Bobby Doyle Three, no qual cantava e tocava baixo, que ele se destacou inicialmente. Em 1966, entrou no grupo folk New Christy Minstrels, também como baixista e vocalista, e não demorou para ver que, ali, não conseguiria dar vasão à sua criatividade.

Junto com outros integrantes do NCM, ele em 1967 lançou sua própria banda, The First Edition (depois renomeada como Kenny Rogers & The First Edition). E o primeiro hit veio em 1968 com o contundente single Just Dropped In (To See What Condition My Condition Is), um belo rock com pitadas psicodélicas que atingiu o posto de nº 5 na parada americana. Outro rock na mesma linha, Something’s Burning, ajudou a impulsioná-los.

Embora o grupo fizesse boas vocalizações e tivesse muita competência, era Rogers quem ficava com os holofotes, tocando baixo e cantando os principais hits, que também incluem canções de acento country como Ruby (Don’t Take Your Love To Town) e Reuben James. Nessa época, o cantor foi generoso a ponto de ter sido o mentor de um certo cantor, compositor e baterista de nome Don Henley, então um jovem desconhecido em busca de reconhecimento, que viria a partir de 1972 como integrante dos Eagles.

No final de 1975, para tristeza de Kenny, o The First Edition decidiu encerrar sua trajetória, tornando inevitável para ele encarar de uma vez por todas o desafio de uma carreira-solo. Desta vez mais próximo da música country, estourou em 1977 nesse mercado com a canção Lucille, e até o fim daquela década emplacou diversos outros hits, entre os quais The Gambler (que inspirou uma série de filmes de TV estrelados por ele) e Coward Of The Country.

Foram as baladas românticas que o levaram a conquistar o público do mainstream, como She Believes In Me e You Decorated My Life. Em 1980, ele se sentiu repetitivo, e resolveu tentar uma nova experiência. “Nos anos 1960, Ray Charles gravou álbuns nos quais releu canções country com um acento soul; pensei, então, que seria uma boa ideia fazer o contrário, e convidei Lionel Richie para compor algo para mim”, relembrou o astro em entrevista contida no documentário The Journey, de 2006.

A parceria rendeu Lady, canção que atingiu o número 1 da parada americana no formato single e impulsionou o álbum na qual foi incluída, Greatest Hits (1980), a conseguir a mesma façanha. O ex-líder dos Commodores também produziria um álbum completo para o cantor americano, Share Your Love (1981), que atingiu o sexto posto na parada ianque.

Outra parceria bacana fora do universo country ocorreu com os Bee Gees. Barry Gibb foi o produtor de seu álbum Eyes That Seen In The Dark (1983), com direito à participação da banda. O disco gerou hits bacanas como You And I, This Woman e Islands Is The Stream, e atingiu o sexto posto nos EUA. Esta última, dueto com Dolly Parton, o levou de novo ao número 1 em sua terra natal.

Aliás, vale destacar a capacidade dele em gravar belos duetos com cantoras. A escocesa Sheena Easton, por exemplo, marca presença em We’ve Got Tonight (1983), matadora releitura de balada do roqueiro Bob Seger que atingiu o 6º posto nos EUA. Kim Carnes, que como ele também integrou os New Christ Minstrels, gravou com ele Don’t Fall In Love With a Dreamer (1980) e What About Me (1984, também inclui o cantor de r&b James Ingram).

Com a cantora country Dottie West a coisa foi ainda além, pois eles gravaram dois álbuns juntos, Every Time Two Fools Collide (1978) e Classics (1979). Ele repetiria a dose com Dolly Parton em Love Is Strange (1990, hit original de Mickey & Sylvia e regravado por Wings e muitos outros) e You Can’t Make Old Friends (2013). E ele gravou com a maravilhosa Gladys Knight em 1990 a música If I Knew Then What I Know Now.

Sempre inquieto, Kenny tem outros encontros bacanas em seu currículo. Seu álbum The Heart Of The Matter (1985), o último que emplacou no topo da parada country americana, teve produção do lendário George Martin, que produziu uma certa banda de Liverpool. Timepiece (1984) traz a releitura de standards da música americana e acompanhamento orquestral, com produção a cargo do consagrado David Foster.

Kenny Rogers se apresentou no Brasil em janeiro de 1991, no mesmo período em que estava sendo realizado o Rock in Rio, e por estar cobrindo o festival eu não tive a oportunidade de entrevistá-lo, nem de ver seu show em São Paulo.

Em 2006, ele lançou o álbum Waters & Bridges, que o colocou novamente nos primeiros postos da parada americana com hits como The Last Ten Years, I Can’t Unlove You e Calling Me, esta última um dueto com o discípulo Don Henley.

E já que falamos em Brasil há pouco, vale lembrar que I Can’t Unlove You (que o trouxe de volta ao top 20 americano) teve versão em português, Eu Não Sei Dizer Que Eu Não Te Amo, na qual a dupla Edson & Hudson conta com a participação (cantando em inglês) do próprio Kenny.

Os dois últimos álbuns de estúdio de Kenny foram You Can’t Make Old Friends (2013, de material inédito) e Once Again It’s Christmas (2015, álbum natalino, um dos vários que gravou em sua carreira). Em 2016, ele deu início à sua última turnê, intitulada The Gambler’s Last Deal, cujas última datas foram canceladas em abril de 2018 devido a problemas com sua saúde.

O último show dele em Nashville ocorreu em 25 de outubro de 2017, e não poderia ter sido melhor, pois contou com inúmeras participações especiais, incluindo as de Lionel Richie, Travis Tritt, The Judds, Kris Kristofferson, Alison Krauss, Lady Antebelum, Crystal Gayle, Reba McEntire e Dolly Parton.

A voz de Kenny Rogers é uma das mais facilmente reconhecíveis no universo da música pop, e a forma como ele interpretou as músicas que gravou sempre foi de forma muito personalizada e emotiva.

De quebra, seu carisma nos palcos explica o porque ele conseguiu se tornar um astro de proporções mundiais, vendendo milhões de discos e lotando ginásios e casas de shows pelos quatro cantos do planeta.

No já citado documentário The Journey (que saiu em DVD no Brasil via Coqueiro Verde Records), Kenny fez uma espécie de definição de como encarou sua incrível e bem-sucedida trajetória artística:

“Minha mãe me deixou como herança vários pensamentos simples, mas muito interessantes. Um deles fala sobre como é importante você curtir cada momento que vive, mas sem nunca se conformar ou se acomodar. Seria a receita da felicidade, para ela. E posso dizer que, durante a minha carreira, curti cada momento que vivi, mas nunca me conformei ou me acomodei, sempre buscando novos rumos”.

We’ve Got Tonight (live)- Kenny Rogers & Sheena Easton (uma das musicas favoritas da minha saudosa mãe Victoria, a quem dedico este post):

Ney Matogrosso continua um craque da música brasileira

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Por Fabian Chacur

Se há um artista que personifica com perfeição o pop à brasileira, ele sem sombra de quaisquer dúvidas é Ney Matogrosso. Em seus quase 50 anos de trajetória musical, ele nos oferece uma mistura dos mais diversos elementos sonoros, propondo-nos, dessa forma, um som ao mesmo tempo universal, pelo acréscimo de fortes elementos da música originada no exterior, e essencialmente brasileiro, pela forma como tempera essa obra. Eis o que podemos conferir em Bloco na Rua, seu mais recente trabalho, disponível desde o fim do anos passado no formato digital e agora também em CD duplo e, em breve, em DVD físico.

Bloco na Rua é o registro do show que estreou no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 2019 e que, desde então, passou por diversos palcos brasileiros. A gravação ocorreu em julho do ano passado, no palco do Teatro Bradesco (SP), totalmente ao vivo, mas sem a presença de público. Chega a ser irônico se pensarmos na atual situação do show business mundial, uma atitude quase premonitória do que viria adiante.

O repertório nos oferece 20 músicas, sendo nove já gravadas anteriormente pelo artista na carreira-solo e com os Secos & Molhados, e 11 estreando em seu set list e discografia. Uma única dessas músicas é totalmente inédita, a sensacional Inominável, do compositor paulistano Dan Nakagawa. No entanto, a forma como Ney abordou cada canção dá a elas um molho de ineditismo que só quem é muito do ramo consegue fazer.

Para isso, ele contou com uma banda de apoio incrível que o acompanha há cinco anos, liderada pelo diretor musical, arranjador e tecladista Sacha Amback e que traz também os excelentes Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Maurício Negão (guitarra e violão), Dunga (baixo), Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn). Na faixa Postal de Amor, foi acrescentada a participação da Orquestra de Cordas de São Petesburgo.

O entrosamento entre o cantor e os músicos é impecável, fruto das diversas apresentações anteriores à gravação, e o registro da performance é padrão Ney Matogrosso, com iluminação esplêndida e detalhes cênicos que variam de canção a canção, sempre com o bom gosto e a ousadia habituais. Ney entra no palco usando uma máscara meio assustadora, que acabou sendo registrada na capa do CD duplo e que ele tira durante a primeira música.

Aliás, a apresentação visual do disco é maravilhosa, com direita a capa digipack luxuosa trazendo encarte com todas as letras das canções, fichas técnicas e fotos, além de dez deliciosos depoimentos de fãs referentes às performances do artista selecionados nas redes sociais.

Pode parecer redundante dizer isso, mas nada dessa produção toda valeria alguma coisa se a estrela da companhia não tivesse um desempenho à altura, e o ex-vocalista dos Secos & Molhados brilha com muita, mas muita intensidade mesmo. Aos 78 anos, ele se mostra mais apaixonado do que nunca por seu ofício, e mergulha com paixão e rigor técnico no repertório, tornando-o seu, mesmo que não tenha escrito nenhuma dessas músicas.

O set list de Bloco na Rua traz composições lançadas desde os tempos dos Secos & Molhados até esta década, mas elas soam com uma unidade, repletas de odes à liberdade, à coragem, à irreverência e ao lirismo (aqui e ali). O título, extraído da clássica Eu Quero é Botar Meu Bloco da Rua, de Sérgio Sampaio, reflete mesmo essa atitude de ir à luta, mesmo em tempos tão cinzas como os atuais.

Embora o show seja bom como um todo, vale destacar alguns de seus pontos altos, como a psicodélica Álcool (Bolero Filosófico), lançada em 2003 pelo autor, o DJ Dolores, a já citada Inominável, a sempre contundente Pavão Mysteriozo, hit máximo do cearense Ednardo, os clássicos de Tia Rita Lee Jardins da Babilônia e Corista de Rock, a tocante A Maçã, de Raul Seixas, e a envolvente Já Sei, de Itamar Assumpção. Sangue Latino e Mulher Barriguda, hits dos Secos & Molhados, surgem com novos e vibrantes arranjos roqueiros.

Bloco na Rua é a prova contundente de que Ney Matogrosso continua mais relevante do que nunca, mostrando que, como poucos, pode cantar os versos do grande Ednardo “não tenha minha donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos mas não podem voar” sem medo de ser retrucado. Ele, pode, pelo menos em termos musicais e artísticos em geral.

Álcool (Bolero Filosófico)– Ney Matogrosso:

Alejandro Sanz e Juanes fazem um show conjunto via internet

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Por Fabian Chacur

Em tempos de corona vírus, o mundo dos espetáculos está vivendo tempos de muitas incertezas. Para dar conta de se manterem ativos, alguns artistas começam a apresentar saídas criativas. Os astros internacionais Alejandro Sanz e Juanes, por exemplo, tiveram de cancelar os shows que fariam no último final de semana em suas respectivas turnês. Ao invés de chorarem as pitangas, mostraram um caminho paliativo para atender os fãs.

A tour do espanhol Sanz se intitula La Gira (a turnê), enquanto a do colombiano Juanes leva o nome de Para Todos. Amigos de longa data, eles resolveram se reunir em um estúdio, acompanhados por cinco músicos- entre eles o consagrado pianista cubano Gonzalo Rubalcaba- e fazer um show conjunto. O evento foi transmitido via internet no último domingo (15), e teve participação do público em um chat. Eles denominaram, a performance El Gira Se Queda En Casa Para Todos (a turnê fica sendo em casa para todos).

Artistas como o britânico Yungblud e a dupla brasileira Kleiton & Kledir também prometem ações semelhantes em função dos cancelamentos de seus shows. Locais que abrigam shows fazem algo semelhante. A paulistana Audio Rebel, por exemplo, cancelou todos os shows programados para março, mas manterá (via agendamento) outras atividades do local, como ensaios, gravações e oficina de instrumentos (luthieria).

Veja a gravação do show de Alejandro Sanz e Juanes:

Keith Olsen, o cara que ajudou o Fleetwood Mac a achar seu rumo

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Por Fabian Chacur

Em dezembro de 1974, Mick Fleetwood, líder do Fleetwood Mac, estava perdidinho. Seu guitarrista e cantor, Bob Welch, havia acabado de sair da banda, justo no momento em que o time parecia caminhar para o sucesso comercial. Para sua sorte, surgiu na vida dele um certo Keith Olsen, que lhe abriria as portas para uma nova fase que tornaria o FM uma das bandas de maior sucesso da história do rock. Olsen nos deixou no último dia 9, aos 74 anos, vítima de um ataque cardíaco, mas deixou como herança um currículo dos mais respeitáveis.

Nascido em 12 de maio de 1945, Keith Olsen começou a sua carreira tocando baixo em bandas de folk e rock. Em 1966, entrou na The Music Machine, pioneira formação de garage rock que fez sucesso naquele mesmo ano com o matador single Talk Talk, com uma pegada que influenciaria o punk rock da década seguinte. Após sair do time, em 1967, integrou duas bandas efêmeras, The Millenium e Sagittarius, de pouco sucesso comercial.

As experiências como integrante de bandas o incentivaram a tentar uma outra atividade na área musical, a de engenheiro de som e produtor. Ele já havia trabalhado em um disco da James Gang quando conheceu um jovem e talentoso casal, Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, que naquele 1973 atuavam como dupla. Entusiasmado com o talento deles, não só conseguiu atrair as atenções da gravadora Polydor, que os contratou, como de quebra foi o produtor e engenheiro de som de seu álbum de estreia, Buckingham Nicks (1973).

Embora seja excepcional em termos artísticos, o álbum obteve números decepcionantes em termos comerciais, o que deixou o casal roqueiro em uma situação muito difícil. O amigo Olsen, para ajudá-los, chegou a deixá-los morar em sua casa, e também contratou Nicks como empregada doméstica.

É nesse momento que ocorre o encontro entre Keith Olsen e Mick Fleetwood. Este último procurava um estúdio para a gravação de seu próximo álbum, e calhou de Olsen estar por lá. O produtor resolveu mostrar a qualidade do estúdio onde estavam, o hoje lendário Sound City, na Califórnia, tocando uma faixa de Buckingham Nicks. Após a audição, Fleetwood viu a oportunidade de resolver não um, mas três problemas ao mesmo tempo.

Além de definir o Sound City como o lugar onde gravaria seu novo LP, de quebra se interessou e muito pelo guitarrista daquele álbum, e pediu o contato dele para Olsen. Buckingham adorou o convite, mas impôs ao futuro patrão uma condição: sua esposa tinha de ir, também. Pedido aceito, surgia a formação que daria ao Fleetwood Mac fama mundial, com Nicks (vocal) e Buckingham (vocal e guitarra) se juntando a Fleetwood (bateria), John McVie (baixo) e sua então esposa Christine McVie (vocal e teclados).

Keith Olsen produziu Fleetwood Mac (1975), que levou a FM ao primeiro posto da parada ianque pela primeira vez em sua carreira e emplacou clássicos do rock como Rhiannon, Say You Love Me, Landslide, Monday Morning e Over My Head. Se a banda entrou para o primeiro time do rock, o produtor deste álbum também viu as portas da cena rocker se abrirem para ele.

A partir dali, Olsen foi o produtor ou coprodutor de álbuns que ajudaram outros artistas a alcançar o estrelato. O grupo Foreigner, por exemplo, estourou graças ao álbum Double Vision (1978), que traz os hits Hot Blooded e a faixa-título.

A excelente cantora e compositora americana Pat Benatar tornou-se uma estrela do rock graças aos álbuns Crimes Of Passion (1980) e Precious Time (1981), que atingiram respectivamente as posições de nº 2 e nº 1 no mercado americano e emplacaram hits certeiros do porte de Hit Me With Your Best Shot e Hell Is For Children, ambos produzidos por Olsen.

O maior hit da carreira do cantor, compositor e ator americano Rick Springfield, Jessie’s Girl, assim como o álbum no qual a canção está incluída, Working Class Dog (1981), está no currículo de Olsen, assim como Whitesnake (1987), álbum que emplacou de vez a banda de David Coverdale no mercado americano, atingindo o 2º posto na parada da Billboard.

Além desses trabalhos de grande sucesso, Keith Olsen também atuou em discos de artistas e grupos importantes como Scorpions (Crazy World-1980, o que inclui o megahit Winds Of Change), Ozzy Osbourne, Santana, Sammy Hagar, Heart, Kim Carnes, Emerson Lake & Palmer e Kingdom Come. A partir de 1996, Keith Olsen passou a trabalhar no desenvolvimento do surround sound na música para o selo Kore Group e outras empresas

Talk Talk– The Music Machine:

Curved Air e Renaissance tem shows adiados para agosto

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Por Fabian Chacur

Seguindo uma série de adiamentos de shows internacionais no Brasil, incluindo o Lollapalooza (previsto agora para dezembro, seria em abril) e Sammy Hagar (seria este mês, ainda sem nova data), desta vez é a turnê que reuniria os grupos britânicos Curved Air e Renaissance que teve de ser reescalonada. Segundo comunicado oficial da produtora Top Cat, os shows, que ocorreriam nos dias 19, 21 e 22 deste mês, não poderão ser realizados por causa da crise gerada pela pandemia mundial do corona vírus.

Felizmente, já temos novas datas confirmadas para as apresentações das históricas bandas de progressive folk. São elas 20 de agosto (São Paulo, no Espaço das Américas), 21 de agosto (Rio de Janeiro, Vivo Rio) e 22 de Agosto (Belo Horizonte, no Palácio das Artes).

O adiamento ocorreu por recomendação de órgãos superiores e em função da nota divulgada esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Será a segunda visita do Renaissance ao Brasil, e a primeira do Curved Air.

Leia mais sobre os shows e as bandas aqui.

Ashes Are Burning– Renaissance:

Elis Regina, 75 anos, uma utopia: o sonho mais lindo iremos sonhar

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Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (17), Elis Regina completará 75 anos. Três quartos de século, quem diria! Afinal de contas, ninguém se esquece do susto que o Brasil tomou naquele 19 de janeiro de 1982, quando a grande cantora foi internada às pressas, ficando em estado de coma durante diversas dolorosas semanas. Parecia o ponto final para alguém que, então, tinha apenas 36 anos. Mas não foi isso o que aconteceu. Tivemos um verdadeiro renascimento.

Tudo bem que a recuperação total da mãe de João Marcello, Maria Rita e Pedro demorou um período significativo, gerando insegurança por parte dos fãs, especialmente por ter se criado um mistério em torno das razões que levaram a artista gaúcha a quase nos deixar de forma tão prematura. Uns bons anos depois, foi revelado o fato de ela ter sido vítima de uma overdose, da qual escapou por um verdadeiro milagre, e pelo empenho dos médicos que a trataram.

Portanto, seu retorno aos palcos, ocorrido em 1985, poucos meses após ter completado 40 anos de idade, tornou-se rapidamente um dos grandes momentos daquele conturbado ano, no qual Tancredo Neves nos deixou antes mesmo de assumir a presidência da República. E surpreendeu a todos, pois foi um espetáculo totalmente intimista, no qual ela foi acompanhada apenas pelo piano de Ivan Lins e pelo violão de João Bosco, dois dos compositores que ajudou a lançar e de quem gravou canções antológicas.

Muito elogiados, aqueles shows geraram um álbum ao vivo, Os Sonhos Mais Lindos- Ao Vivo (1986), e deram início a uma nova fase na trajetória artística da nossa amada Pimentinha. Com a voz intacta e controlada de forma primorosa, Elis se mostrou mais disposta do que nunca a dar a volta por cima, e a partir daquele momento, a música voltou a predominar em sua agenda.

Desde então, a intérprete nos proporcionou momentos muito bacanas em termos artísticos. A ansiedade de lançamentos constantes a deixou, e cada nova turnê e disco de inéditas (ou projetos especiais) de Elis Regina tornava-se um evento, atraindo as atenções da mídia e do grande público.

Citada como influência pela maioria das novas cantoras, ela no entanto não se importou mais em ser uma campeã de vendas ou de ocupar os holofotes da fama o tempo todo, mantendo-se reservada e com entrevistas eventuais e sempre concedidas a jornalistas e apresentadores em que confiava bastante.

Desde sempre, Milton Nascimento diz que compõe suas canções pensando na voz de Elis Regina. Logo, pode-se dizer que até demorou o lançamento de Nada Será Como Antes (1995), álbum que reuniu composições inéditas do Bituca interpretadas pelos dois. Tipo do álbum que já saiu clássico, e que gerou uma série de shows pelo Brasil e também com inúmeras datas no exterior.

Embora tenha continuado fiel a compositores que gravou desde os anos 1960 e 1970, como o próprio Milton, Ivan Lins, João Bosco, Belchior e Tomas Roth, a estrela gaúcha também soube escolher canções oriundas de autores de gerações posteriores à sua, entre eles Lenine, possivelmente seu favorito. Afinal, em 1999 ela dedicou um álbum inteiro a suas composições, o brilhante Normal Só Tem Você e Eu, cujo título foi extraído de versos de sua melhor faixa, Acredite Ou Não, que contou com a participação do autor em dobradinha fantástica.

Elis também se mostrou muito feliz ao ver o envolvimento dos filhos com a música, todos bem-sucedidos e com sucesso comercial e de crítica. Lógico que também se criou a expectativa de algum trabalho que os reunisse, mas isso só ocorreu em 2015, quando a intérprete fez o show Como Nossos Pais e Filhos, depois registrado em CD e DVD no qual o clima entre ela, Maria Rita, João Marcello (que também se incumbiu da produção) e Pedro no palco foi simplesmente delicioso, com direito a uma surpreendente releitura de Pais e Filhos, da Legião Urbana como momento mais emocionante.

Desde o fim daquela consagradora turnê, que durou quase dois anos e se encerrou em 2017, Elis deu sua habitual saída de cena. Não há informações sobre algum evento (show, álbum ou coisa que o valha) para celebrar seus 75 anos, e quem sabe ela, desta vez, prefira soprar as velinhas ao lado dos filhos e dos netos, além dos amigos, discos e livros, e nada mais.

Casa no Campo (ao vivo)- Pedro Mariano e Elis Regina:

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