Mondo Pop

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Alexisonfire lança single soturno e potente, Season Of The Flood

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Por Fabian Chacur

A banda canadense Alexisonfire lançou em 2019 duas faixas inéditas, algo que não fazia há dez longos anos. As energéticas Familiar Drugs (veja o clipe abaixo) e Complicit (ouça aqui) flagraram o quinteto em plena forma. E agora eles nos oferecem um terceiro biscoito fino, Season Of The Flood (ouça aqui), enquanto fazem uma série de cinco shows de hoje (20) a domingo (26) no Canadá e EUA.

Season Of The Sun é bem diferente das outras duas canções, com quase sete minutos de duração, andamento mais compassado e um clima soturno recortado por guitarras pesadas e boas vocalizações. Um belo momento que flagra George Pettit (vocal) e Dallas Green (vocal, guitarra-base e piano) cantando juntos em uma faixa do grupo pela primeira vez.

“Estou muito orgulhoso dessa nova música”, diz Pettit. “Houve algumas primeiras tentativas e todos nós nos reunimos no estúdio para fazer dessa música o que é. Essa também foi a primeira vez que cantei com Dallas em uma música. Eu sei que estou tocando em uma banda com Dal há quase 20 anos, mas caramba, a voz desse cara pode derreter um anjo.”

Criado em 2001 em Ontario, no Canadá, o Alexisonfire também traz em sua formação Wade MacNeil (guitarra-solo e vocais), Chris Steele (baixo) e Jordan Hastings (bateria), e faz um som que mistura hardcore com elementos melódicos e muita energia. No currículo, o quinteto traz quatro álbuns de estúdio e quatro ao vivo, sendo seu CD mais popular Old Crowns/Young Cardinals (2009). Eles tocaram no Brasil em 2012, durante a turnê que marcou sua separação.

Após um retorno em 2015, o grupo agora retoma a carreira com mais empenho. Seus músicos também tem projetos paralelos, sendo o mais bem-sucedido o de Dallas Green, o City And Colour, no qual o artista investe com muita desenvoltura em folk e pop, tendo lançado até o momento seis álbuns de estúdio e três ao vivo. Sua voz é ótima, e se encaixa feito luva nesse repertório mais delicado, em canções como Northern Wind (ouça aqui).

Familiar Drugs (clipe)- Alexisonfire:

Bruno Gouveia faz show em dupla com a sua esposa, Izabella Brant

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Por Fabian Chacur

Bruno Gouveia é conhecido nacionalmente como vocalista do Biquini Cavadão, grupo que integra com sucesso há mais de 30 anos. Nesse tempo todo, ele fez participações especiais em trabalhos alheios, mas nunca um trabalho-solo. Aproveitando uma brecha na agenda da sua banda, ele fará no próximo dia 29 (quarta-feira) às 22h em São Paulo um show no qual dividirá o palco com sua esposa, a cantora Izabella Brant. O local será o Bourbon Street (rua dos Chanés, nº 127- Moema- fone 0xx11-5095-6100), com ingressos a R$ 60,00.

Intitulado Cheek To Cheek, o espetáculo trará um repertório totalmente diferente do habitualmente encarado por Bruno e também por Izabella, que integrou a banda mineira Menina do Céu.

Sem nenhuma canção de seus repertórios anteriores, eles investirão em standards da música americana, canções de desenhos animados e também clássicos dos Beatles e do Queen. Tudo em inglês. Eles explicam o projeto:

“Sempre sonhamos em cantar juntos. Ela já havia feito isso comigo, no palco e em discos do Biquini. Eu também fiz o mesmo em sua antiga banda. Uma certa noite em casa, ouvindo Ella Fitzgerald e outros cantores, ficamos nos perguntando o que aconteceria se fizéssemos um show com estas músicas. Decidimos arriscar”, explica Bruno sobre o conceito em torno do espetáculo.

“Queríamos algo que não brigasse com os estilos que já dominávamos, que fosse um desafio e que nos desse, acima de tudo, muito prazer em cantar juntos”,diz Izabella, dando a sua versão para o show.

Vento Ventania (clipe)- Menina do Céu e Bruno Gouveia:

Gregory Porter disponibiliza single e lançará álbum em abril

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Por Fabian Chacur

O ano de 2020 mal começou e já temos uma grande canção inédita para celebrar. Trata-se da deliciosa e impactante Revival, do cantor, compositor e ator americano Gregory Porter. Com forte influência de gospel e jazz, a faixa é a primeira a ser divulgada do que será o sexto álbum de estúdio desse incrível artista, All Rise. A Blue Note Records, célebre selo hoje vinculado à Universal Music, promete lançá-lo no dia 17 de abril.

Revival tem um belo clipe dirigido por Douglas Bernardt que mostra um garoto que se sente oprimido e com medo do realmente assustador mundo atual. No entanto, ele descobre uma forma de superar essa pressão toda e dar a volta por cima: a dança e o canto. O resultado em termos visuais se mostra perfeito para ilustrar uma canção que nasce com clima de clássico.

Nascido em Sacramento, Califórnia, em 4 de novembro de 1971, Gregory Porter lançou dois álbuns independentes (Water, em 2010, e Be Good, em 2012) que tiveram boa repercussão e atraíram as atenções da Blue Note. Desde então, cativa fãs nos quatro cantos do mundo com sua voz deliciosa. Sua fama é maior no Reino Unido, onde emplacou três álbuns no Top 10 dos charts de lá.

Vencedor de dois troféus Grammy, o Oscar da música, Porter também tem no currículo dois álbuns ao vivo e gravações ao lado de nomes importantes da música, entre os quais Buddy Guy, Jools Holland, Dianne Reeves, Till Bronner, Jamie Cullum e Renée Fleming. Além de ótimo compositor, ele também sabe reler com classe canções alheias, como prova seu álbum Nat King Cole & Me (2017), que traz clássicos do repertório do célebre astro americano.

Revival (clipe)- Gregory Porter:

Leela é atração do Festival LAB ROCK em fevereiro em Sampa

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Por Fabian Chacur

Um novo festival dedicado ao rock independente brasileiro está a caminho. Trata-se do LAB ROCK, que será realizado no dia 9 de fevereiro (domingo) das 14 às 18h30 em São Paulo. O evento acontecerá no Mercado Mundo Criativo, espaço criado pelo produtor cultural Beto Lago com o objetivo de ser um polo de empreendedorismo criativo, cultura, diversidade e inclusão. O local será o Complexo #9 (rua Santo Antonio, nº 800- Bela Vista- fone 0xx11-4075-1589), e a entrada é gratuita.

“A cena do rock apresenta uma evolução constante, e hoje vemos que agrega o público tradicional do segmento em um momento onde os jovens estão novamente revigorados através de novos projetos autorais, experimentações musicais, e caras novas que se sobressaem graças a plataformas digitais e formatos de distribuição que somam na formação de um novo público ao lado do já existente”, explica a cantora, produtora e atriz Madame Mim.

Com três álbuns lançados, Madame Mim é a idealizadora do festival, e participará do mesmo integrando seu novo projeto musical, o Vir Go, banda de punk que canta em português e espanhol. Lau e Eu, por sua vez, é o projeto do cantor, compositor e músico Lauckson Melo, de Aracaju (SE).

O cearense Daniel Peixoto já abriu shows para nomes importantes do rock internacional como The Prodigy, Bjork e The Cardigans e teve música em trilha de novela global. O seu álbum de estreia, Mastigando Humanos (2012), venceu o Prêmio Dynamite, e um novo, Iracema Som Sistema, sai em breve. E o grupo YMA vem no embalo do lançamento de seu álbum de estreia, Par de Olhos.

A grande atração é a banda Leela (FOTO), há duas décadas na estrada com três álbuns e muito prestígio e sucesso na cena indie nacional, com sua bem dosada mistura de rock com música eletrônica. A banda liderada por Bianca Jhordão (vocal e guitarra) e Rodrigo O’Reilly Brandão (guitarra, sintetizadores e vocais) está lançando desde 2018 singles divulgados com clipes instigantes. Essas faixas, em um total de 11, integrarão o quarto álbum da banda, que mergulha no universo das redes sociais e da internet. Leia mais sobre o Leela aqui.

Line Up do LAB ROCK:

14h/14h30 – Daniel Peixoto

15h/15h30 – Leela

16h/16h30 – YMA

17h/17h30 – Vir GO

18h/18h30 – Lau e Eu

obs.: o Mercado Mundo Criativo ficará aberto das 11 às 20h

Fome de Viver (Fuga Pelo Tweeter) (clipe)- Leela:

Rod Stewart: os 75 anos de um eterno rocker playboy dos bons!

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Por Fabian Chacur

Em 1983, Cyndi Lauper estourou no mundo inteiro com uma canção na qual dizia que “girls just want to get fun” (garotas só querem se divertir). Pode-se dizer que um certo cantor e compositor britânico que completou 75 anos de idade no último dia dez de janeiro seguiu, segue e provavelmente sempre seguirá esse lema, obviamente adaptado para a sua masculinidade. Alegre, às vezes inconsequente e absurdamente talentoso, Rod Stewart ainda se mantém firme nas paradas de sucesso de todo o mundo, algo que poucos conseguem.

A nova prova dessa permanência constante do roqueiro nos primeiros lugares das paradas de sucesso veio em novembro, quando seu mais recente trabalho, o álbum duplo You’re In My Heart- Rod Stewart With The Royal Philharmonic Orchestra (leia mais sobre este trabalho aqui) atingiu o topo da parada britânica, mesma façanha obtida pelo anterior, Blood Red Roses (2018).

Como explicar esses mais de 50 anos de sucesso, em um cenário musical sempre em constante mudança e no qual cantores solo, duplas e grupos surgem e somem como que por passe de mágica? Além de uma voz rouca e de assinatura própria, o cara também sempre soube não só compor boas canções como também escolher obras alheias para gravar e cantar em seus shows pelos quatro cantos do planeta.

Versatilidade foi outra arma secreta utilizada pelo autor de Maggie May e tantos outros hits. Nos dois discos que gravou com o Jeff Beck Group (Truth-1968 e Beck-Ola-1969), por exemplo, mergulhou de cabeça no blues-rock e no que pouco depois viria a ser denominado heavy metal, influenciando inúmeras bandas, incluindo o Led Zeppelin, só para citar uma delas.

Com os Faces, que integrou de 1970 a 1975 foi a vez do rock básico e ardido. Paralelamente, investia em carreira-solo misturando rock, folk e soul. Como o sucesso dos trabalhos individuais foi se tornando cada vez maior, suplantando de longe o de sua boa banda, a separação se mostrava inevitável, e ocorreu em 1975. Nesse ano, Rod assinou contrato milionário com a gravadora Warner, lançou Atlantic Crossing e virou solo de vez.

Talentoso e, por que não dizer, oportunista, procurou a partir daí sempre flertar com as tendências da moda, adaptando-se e tentando faturar com elas, mas sempre mantendo um DNA forte e próprio. Disco music, new wave, tecnopop, britpop, standards americanos, soul, o cara não se fez de rogado na hora de experimentar novos rumos. E nunca fez isso de forma pretensiosa ou grotesca.

Às vezes, acertou em cheio, em outras, errou feio, mas nunca a ponto de perder um enorme público fiel. O resultado é uma discografia com momentos memoráveis. O auge do folk-rock em Every Picture Tells a Story (1971), as baladas matadoras Sailing, You’re In My Heart e Tonight’s The Night,o flerte certeiro com a disco music em Do Ya Think I’m Sexy (com uma “ajudinha” de um certo artista brasileiro…), o funk tecnopop de Infatuation…. Ah, essa lista vai longe.

Sempre que o cara parecia que iria, enfim, sair das paradas rumo ao ostracismo, algo ocorria e o levantava. Bons exemplos são Unplugged…An Seated (1993), disco acústico que o reuniu de novo com o velho colega dos tempos de Jeff Beck Group e Faces Ron Wood. Ou a nova parceria com o grande Jeff Beck, que rendeu em 1984 e 1985 os hits Infatuation, People Get Ready, Can We Still Be Friends e Bad For You.

O ás mais valioso e importante que tirou da manga do paletó veio em 2002 com o início da série de cinco álbuns com standards do cancioneiro americano, um êxito comercial surpreendente que o levou de novo ao topo da parada americana após muito tempo. Ali, ficou a prova de que não dá para duvidar da capacidade de reação desse eterno playboy do rock, célebre por suas extravagâncias, mulheres bonitas, bagunças em hotéis e coisas do gênero.

Tudo bem que hoje ele está um pouco mais tranquilo, a ponto de fazer em 2015 uma divertida música de ninar para seu filho mais novo, a divertida Batman Superman Spiderman. Em termos musicais, no entanto, o cara está sempre pronto a fazer a trilha sonora para a festa de seus fãs e continua ativo, mesmo com a voz um pouco menos potente do que nos bons tempos, mas ainda capaz de nos divertir e encantar. Valeu, Rod The Mod! Que venha mais por aí!

Maggie May (clipe)- Rod Stewart:

Neil Peart, do Rush, uma espécie de baterista dos bateristas

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Por Fabian Chacur

Em suas mais de quatro décadas de existência, o Rush foi uma banda polêmica. Não tanto pela atitude de seus integrantes, mas pela forma como era encarada por fãs e detratores, quase que em um espírito de “ame ou odeie”. Um ponto, no entanto, não costumava gerar tanta confusão: a enorme e reconhecida qualidade técnica de seu baterista, Neil Peart. Infelizmente, o icônico músico canadense nos deixou na última terça (7), embora sua morte só tenha sido divulgada nesta sexta (10) por seus familiares e amigos.

O músico, de 67 anos, foi vítima de um câncer no cérebro, contra o qual lutou durante quase quatro anos. Ele estava longe dos palcos desde 2015, desde o fim da então divulgada como última turnê do Rush, fato agora infelizmente definitivo, pelo menos com a formação que consagrou o trio canadense. Como consolo, aquela turnê teve grande repercussão, e o mostrou em plena forma, saindo de cena de forma digna.

Nascido em 12 de setembro de 1952, Neil entrou no Rush em 1974 para substituir o baterista fundador do time, John Rutsey (1952-2008), que saiu após o autointitulado álbum de estreia da banda. O novo integrante entrou com tudo, tornando-se logo o principal letrista e se encaixando feito luva ao lado de Geddy Lee (baixo, teclados e vocal) e Alex Lifeson (guitarra), estreando em disco no segundo LP do grupo, Fly By Night (1975).

Fã de bateristas como Keith Moon e Ginger Baker, Neil Peart desenvolveu um apuro técnico e uma energia inesgotáveis, que abriram espaços enormes para que o grupo canadense desenvolvesse sua original e consistente sonoridade, que trafegou entre o hard rock puro, o rock progressivo mais intrincado, um rock mais sutil e com elementos eletrônicos nos anos 1980 e diversos outros desdobramento com o decorrer dos anos.

A crítica especializada frequentemente os hostilizou, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, mas isso não os impediu de cultivar um fã-clube imenso pelos quatro cantos do mundo, que permitiu ao grupo fazer turnês massivas, sempre com estádios e ginásios lotados de admiradores entusiásticos e fanáticos.

O Rush esteve no Brasil em 2002 e 2010, e o show realizado no estádio do Maracanã em 2002 foi eternizado no DVD Rush In Rio (2003). As apresentações geraram forte comoção perante os fãs brasileiros, que celebraram a presença de seus ídolos por aqui com muita vibração e demonstrações de fidelidade.

Neil Peart sempre foi o mais inacessível integrante da banda, raramente participando de entrevistas coletivas, por exemplo, ao contrário da simpatia e acessibilidade de seus colegas de Rush. Isso, no entanto, nunca atrapalhou o respeito que seus fãs sempre tiveram por ele.

Time Stand Still (clipe)- Rush:

Zé Geraldo faz nova profissão de fé no seu estilo com o CD Hey, Zé!

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Por Fabian Chacur

Zé Geraldo é um artista autêntico. Desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 1979, tem como marca a fidelidade a um estilo musical que funde rock, country e música rural brasileira, sempre com uma assinatura própria. Lógico que essa autenticidade pouco valeria se esse cantor, compositor e músico mineiro de 75 anos não tivesse talento, e isso ele tem de sobra. Hey, Zé!, seu novo CD, lançado pelo selo Sol do Meio Dia com distribuição da gravadora Kuarup, é mais uma prova concreta da força de sua criação.

Mesmo sem contar com a simpatia da grande mídia, o intérprete de hits como Cidadão e Milho aos Pombos conquistou um legião enorme de fãs pelo Brasil afora no melhor estilo boca-a-boca, em uma época (décadas de 1970, 1980 e 1990) que facilidades como internet e redes sociais ainda não eram sequer cogitadas por aqui. Ele consolidou sua fama na estrada, shows após show, canção após canção, superando as dificuldades com muita garra e fé.

Em seu novo trabalho, Zé não abre espaço para novas sonoridades, nem experimenta rumos diferentes dos habituais em sua longa e bem-sucedida trajetória. E isso não se mostra um problema, pois o universo ao qual se presta a desenvolver é uma estrada praticamente infinita, se o cara tiver talento, sensibilidade, inspiração e disposição, como é o caso do cidadão em questão.

Com sua voz rouca de timbre gostoso e cativante, esse trovador urbano-rural nos proporciona belas reflexões a respeito da vida, louvando o amor, a amizade e mostrando um eterno pé atrás em relação aos políticos, aos falsos pregadores e a quem só pensa em nos explorar e nos enganar. Não tem jabá que o compre, como ele próprio diz. E também demonstra uma fé inabalável nas novas gerações e em seu poder de transformar o mundo.

O bacana é que ele canta isso tudo de forma apaixonada, sim, mas também muito bem humorada, como, por exemplo, nas deliciosas Bicho Grilo Artesão, Roqueiro da Roça e Hippie Véio Sonhador, nas quais dá de ombros em relação a quem ironiza esse perfil de ser humano e mostrando que boas ideias e bons conceitos continuam tão atuais como sempre foram e sempre serão. Sonhar é preciso!

A faixa que dá nome ao álbum é uma inspirada versão em português de Hey Joe, que se tornou famosa mundialmente na gravação de Jimi Hendrix nos anos 1960. A Canção Que Vem do Céu é uma tocante homenagem a seu neto Gael, enquanto O Chão do Nosso Chão segue uma linha ecológica.

Enquanto Há Tempo propõe entregar o comando do Brasil a diversos tipos de pessoas de bem, cujas atitudes inspiram esperança em tempos melhores do que os atuais, mas com a advertência: “enquanto há tempo”. Afinal de contas, o relógio não para e as coisas se deterioram. Esperança, mas com foco!

E quem tem cães sabe o quanto esses seres encantadores ajudam a fazer nossas vidas mais saudáveis, encantadoras e até mesmo suportáveis. Zé Geraldo faz uma bela homenagem à sua encantadora cachorra na música Tina, um country rock delicioso com direito a latidos adoráveis em seu final.

Se as canções e as ideias são de primeira linha, os músicos que estão com Zé Geraldo nessa viagem musical são da melhor qualidade, todos mergulhando de cabeça no projeto. Feras do porte do Duofel, Folk na Kombi, Jean Trad, Hamilton Mica, Zeca Loureiro, Carneiro Sândalo e Aroldo Santarosa, por exemplo.

A faixa que encerra o álbum é Zé Geraldo (O Poeta do Bem), escrita por João Carreiro e Chico Teixeira, que por sinal participam nos vocais e violões. Uma homenagem tão bonita e merecida que não poderia ter ficado de fora do disco.

Hey, Zé! (o álbum) flagra um artista ainda inquieto, ativo e inspirado aos 75 anos de idade, capaz de nos oferecer canções belas, vigorosas e inspiradoras, que se mostram essenciais para suportar e tentar superar tempos tão difíceis como os que vivemos atualmente. A força de sua mensagem continua superando todos os desafios. Como diria outro artista do mesmo gabarito dele, o incrível Ednardo, “não tema sinhá donzela nossa sorte nessa guerra, eles são muitos, mas não podem voar”. Zé Geraldo pode! Voemos com ele!

Veja o clipe de Bicho Grilo Artesão, de Zé Geraldo:

Zé Renato garimpa pepitas de Paulinho da Viola em CD solo

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Por Fabian Chacur

Zé Renato é um daqueles artistas que leva a sério aquela definição de “operário da arte”. Em seus mais de 40 anos de carreira, sempre se mostrou dos mais ativos, como integrante do Boca Livre, na carreira-solo e em projetos os mais diversos. Aos 63 anos, não parece disposto a botar o pé no freio. Após recentemente lançar um álbum com o Boca Livre (leia a resenha aqui) e um DVD com a Banda Zil (leia a resenha aqui), ele nos oferece novo disco solo, O Amor é Um Segredo- Zé Renato Canta Paulinho da Viola, em CD e nas plataformas digitais, distribuído pela Mills Records.

O cantor, compositor e músico oriundo de Vitória (ES) e há muito radicado no Rio de Janeiro já havia gravado anteriormente músicas de Paulinho da Viola, e desta vez resolveu dedicar um disco inteiro a esse grande ícone da nossa música. Ao contrário do que habitualmente ocorre nesse tipo de obra, ele não optou por grandes hits do artista enfocado, mergulhando fundo em seu repertório para resgatar pepitas tão preciosas quanto, mas que o grande público provavelmente desconhece. São nove canções lançadas originalmente entre 1965 e 1987.

A gravação foi feita em Recife, com um dia para o artista propriamente dito e o outro dedicado ao registro dos complementos. Zé Renato aproveitou uma passagem do Boca Livre pela capital de Pernambuco para isso, e se valeu do estúdio do compositor Lula Queiroga, seu amigo de muitos anos. Minimalista, o artista canta acompanhado por seu violão, com participações delicadas e discretas de Tostão Queiroga (percussão), Spok (sax barítono e tenor) e Fabinho Costa (trompete surdina) variando de faixa a faixa.

Embora imprimindo sua assinatura própria às canções, Zé respeitou o jeito elegante com que Paulinho da Viola interpreta seu repertório. As canções são da lavra mais intimista e introspectiva do autor. Um Caso Perdido, Lua, Só o Tempo, Cidade Submersa e Para Um Amor no Recife são só dele. As outras são com parceiros: Sofrer (Capinam), Foi Demais (Mauro Duarte), Vida (Elton Medeiros) e Minhas Madrugadas (Candeia).

Ótimo compositor, Zé Renato mais uma vez mostra que também sabe reler com muita categoria canções de repertórios alheios, como já havia feito anteriormente com os de Silvio Caldas e Zé Keti.

O integrante do Boca Livre mostra o repertório deste novo trabalho em São Paulo com shows neste sábado (11) às 21h e domingo (12) às 18h no Sesc Bom Retiro (Alameda Nothman, nº 185- Bom Retiro- fone 0xx11-3332-3600), com ingressos custando de R$ 9,00 a R$ 30,00.

Ouça O Amor é Um Segredo, de Zé Renato, em streaming:

Ana Cañas celebra 12 anos de carreira com show em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Em 2007, Ana Cañas lançou seu álbum de estreia, Amor e Caos, e rapidamente viu seu nome ser comentado como uma das grandes revelações da música brasileira naquele período. Desde então, a cantora e compositora conseguiu se firmar, com direito a um público fiel e muito respeito por parte dos colegas. Ela celebra 12 anos desse lançamento (que logo serão 13, por sinal) com shows nos dias 10 e 11 (sexta e sábado) às 21h na Comedoria (antiga Chopperia) do Sesc Pompeia (rua Clélia, nª 93- Pompéia- fone 0xx11-3871-7700), com ingressos de R$ 9,00 a R$ 30,00.

A ideia é dar uma geral no repertório de seus seis álbuns de estúdio, incluindo algumas do mais recente, intitulado Todxs (2018). Entre outras canções, teremos Pra Você Guardei o Amor (que ela gravou em parceria com seu autor, Nando Reis), Esconderijo, Será Que Você Me Ama?, Tô na Vida e Luz Antiga.

“Também cantarei músicas da militância que fizeram parte da história do país, celebrando a resistência nesse momento difícil que vivemos para arte e cultura. É um show pra todo mundo cantar junto, com muita emoção e canções especiais que marcaram a minha vida”, garante a intérprete.

Ana Cañas terá a seu lado nesses dois shows em São Paulo uma banda composta por Monica Agena (guitarra), Dj Nato PK (beats), Estevan Sinkovitz (baixo), Marco da Costa (bateria) e André Lima (teclados).

Pra Você Guardei o Amor– Ana Cañas e Nando Reis:

Tom Jobim, um maestro soberano e um ser humano como todos nós

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Por Fabian Chacur

Imagino o orgulho de quem teve a honra de entrevistar mitos do mundo da música como Elis Regina, Adoniran Barbosa, Ary Barroso, John Lennon e David Bowie, por exemplo. Esses infelizmente não fazem parte do meu currículo. Mas não posso reclamar, pois Paul McCartney, James Taylor, Cazuza, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Luciano Pavarotti e Gonzaguinha estão nele. E um certo Tom Jobim, também.

Tom, que nos deixou há 25 anos, mais precisamente no dia 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos, é um dos nomes mais importantes da história da nossa cultura popular. Conhecido e venerado nos quatro cantos do mundo, poderia ter sido um cara arrogante e difícil, pois tinha currículo para justificar isso. No entanto, primava pela simplicidade, bom humor e gentileza, tendo deixado belas recordações para quem teve a oportunidade de conviver com ele.

Descobri por conta própria essas características em um dia lá pelos idos de 1988. O Maestro Soberano iria fazer um show ao ar livre no Parque do Ibirapuera ou outro local do gênero no fim daquela semana, e meu editor na época no hoje extinto Diario Popular, de São Paulo, pediu para que eu tentasse entrevistá-lo. O artista estava hospedado no hotel Maksoud Plaza, e resolvi arriscar.

Ao ligar, pedi à telefonista do hotel que me transferisse para o quarto de Tom Jobim. Normalmente isso não costuma ocorrer de forma imediata quando você procura alguém ilustre, mas me dei bem aqui. E quem me atendeu foi o próprio. “Oi, Tom, aqui é o Fabian, do Diario Popular. Gostaria de fazer uma entrevista com você por telefone sobre o show de domingo, seria possível?”.

“Oi, Fabian, bom dia. Olha, agora (liguei para ele por volta das 11 horas da manhã) eu não tenho como te atender. Será que você poderia me ligar de novo por volta das 14h? Aí eu certamente estarei disponível para conversar com você”. Concordei sem mais rodeios e coloquei o fone no gancho, crente de que, no horário combinado, ele certamente não estaria, ou alguém me daria algum tipo de desculpa e ficaria por isso mesmo.

A minha expectativa negativa não era em razão de pessimismo. É que, normalmente, esse tipo de entrevista só costuma ocorrer quando um assessor de imprensa entra em cena, e é esse profissional quem oferece ao jornalista uma oportunidade como essa. Difícil você conseguir direto com o artista, no caso de alguém com o porte de um Tom Jobim. Ainda mais para um jornal como o Diario, que não tinha (injustamente, por sinal) o respeito dado a concorrentes na época como a Folha, o Estadão, o Globo, Jornal da Tarde e Jornal do Brasil.

Preparado para a missão, mas cético sobre se a mesma seria concretizada, liguei na hora combinada. E não é que Tom me atendeu? Mais: ainda me pediu desculpas por não ter me atendido na tentativa anterior! Aí, iniciei o papo, delicioso por sinal, que durou uma meia hora, mais ou menos.

De tudo o que perguntei, lembro basicamente da resposta que ele me deu ao questioná-lo sobre os direitos autorais que tinha ganho no exterior com Garota de Ipanema e tantos outros sucessos marcantes. Ele me explicou que os valores eram muito menores do que as pessoas imaginavam, e justificou: “Fabian, na época eu era jovem, a gente não lia aquelas letrinhas miúdas dos contratos…”

Reencontrei esse gênio da música no finalzinho de 1989 ou no começo de 1990, não sei precisar exatamente a data, quando Tom foi nomeado o primeiro reitor e presidente de conselho da então Universidade Livre de Música, criada pelo na ocasião governador do estado de São Paulo Orestes Quercia.

Era uma entrevista coletiva, realizada no mesmo Maksoud Plaza, hotel situado próximo à avenida Paulista e um dos mais badalados naquele período. Aí, foi pessoalmente, e aquela simpatia do primeiro encontro se mostrou ainda mais forte, além do carisma e inteligência desse ilustre entrevistado.

A principal marca daquele segundo (e, infelizmente, último) encontro com o autor de Wave ficou em sua parte final. Estava fazendo aquela matéria junto com a fotógrafa Patricia Gatto (o site dela está aqui), uma fã assumida do nosso entrevistado. No final, ela me pediu para que eu tirasse uma foto dela com Tom.

Fotógrafo amador, no máximo, resolvi encarar o desafio pela amizade com ela, uma excelente profissional e muito simpática. Para ser sincero, não me lembro se o resultado prestou, mas fiz o possível. E vacilei feio, também, por não ter pedido um autógrafo ao Tom. Marquei uma bobeira clássica!

Vale lembrar que meu primeiro contato com a música de Tom Jobim ocorreu de forma curiosa, quando tinha 10 anos de idade e meu irmão comprou um exemplar do Disco de Bolso, projeto pioneiro do Pasquim que trazia, como brinde, um compacto simples de vinil com duas músicas.

No lado A, a primeira versão de Águas de Março, em andamento bem mais rápido do que o de gravações posteriores. Do lado B, a intensa Agnus Sei, de um cantor, compositor e violonista mineiro ainda desconhecido, de nome João Bosco.

Gostava tanto daquele compacto que, alguns meses depois, quando nossa professora de português do ginásio pediu a cada aluno escolher uma música para tocar na classe durante uma aula, não vacilei em escolher Águas de Março.

Os coleguinhas não curtiram tanto quanto eu ouvir esse hoje clássico da música brasileira, mas eu amei, e nunca poderia imaginar que, quase 20 anos depois, teria esses contatos bacanas com seu autor.

Águas de Março– Tom Jobim e Agnus Sei– João Bosco:

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