Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Aqualung- Jethro Tull (1971/ Chrysalis-EMI)

Por Fabian Chacur

 

O rock progressivo tornou-se uma das mais fortes subdivisões do rock durante os anos 70. Foram rotuladas como tal as bandas que ampliavam seus horizontes sonoros e se aproximavam de forma mais direta de jazz, música erudita e experimentalismos os mais diversos, gerando músicas longas e repletas de sofisticação, improvisos e utilização de orquestras e outros instrumentos não muito comuns ao gênero musical surgido na década de 50. Muita coisa pretensiosa e chata surgiu sob este rótulo, criando o clima para que o punk rock viesse à tona como uma reação radical, tentando reaproximar o rock das suas raízes. Mas o progressivo nos proporcionou muitas obras sublimes, entre elas o quarto álbum da banda britânica capitaneada pelo cantor, compositor e flautista britânico Ian Anderson. Aqualung chegou às lojas em 1971, e atingiu a sétima posição nos EUA, primeiro trabalho do Jethro Tull a conseguir tal façanha. Na época, Anderson (que também toca violão) tinha a seu lado Clive Bunker (bateria e percussão), Martin Barre (guitarra), John Evan (teclados) e Jeffrey Hammond (baixo). Depois de um início mais próximo do blues, o Tull aos poucos partiu para uma sonoridade que tinha como marca a fusão do folk britânico com o hard rock, na qual o fantástico e original duelo entre a flauta de Anderson e a guitarra eletrizante de Barre equivale ao ponto alto. A voz de seu líder, de timbre grave e vigoroso, também cativa. Aqualung é uma espécie de álbum conceitual em torno dos temas deus e religião, ambos discutidos com ironia e de forma polêmica. A faixa título tornou-se o cartão de visitas do Jethro Tull, levando até hoje as platéias à loucura. A vigorosa Cross-Eyed Mary (regravada pelo Iron Maiden, nos anos 80), as delicadas e acústicas Cheap Day Return e Wond’ring Aloud, a agridoce Mother Goose, a marcante Locomotive Breath e a inspirada Wind Up são destaques de um disco que prova que o rock progressivo pode até ser pretensioso, mas que quando acerta a mão, é essencial. Esse álbum é a prova concreta de tal afirmação, assim como alguns discos de Yes, Pink Floyd, Genesis, King Crimson etc.

 

Aqualung ao vivo:

 

http://www.youtube.com/watch?v=QqZmtq5LhFo&feature=PlayList&p=6E852B2A2DCA456B&playnext=1&playnext_from=PL&index=1

 

11 Comments

  1. Alexandre Damiano

    April 13, 2009 at 4:24 pm

    ” Muita coisa pretensiosa e chata surgiu sob este rótulo, criando o clima para que o punk rock viesse à tona como uma reação radical, tentando reaproximar o rock das suas raízes. Mas o progressivo nos proporcionou muitas obras sublimes, entre elas o quarto álbum da banda britânica capitaneada pelo cantor, compositor e flautista britânico Ian Anderson.”

    Não preciso dizer mais nada.
    Fabian, onde eu assino?

    abs
    Alexandre

  2. Alexandre Damiano

    April 13, 2009 at 4:34 pm

    Isso sem falar na presença de palco do Ian Anderson.
    Sem dúvida outro ponto favorável para a banda em relação as outras bandas de progressivo…

  3. vladimir rizzetto

    April 13, 2009 at 5:54 pm

    Aqualung é definitivamente, o melhor álbum do Jethro Tull. É recheado de clássicos e tudo soa bem no disco, principalmente o contraponto guitarra/peso – violões/flautas/leveza.
    Eu particularmente considero a discografia do Jethro Tull, até o disco Minstrell in the Gallery, perfeita. Gosto demais do Benefit e também do conceitual Thick as a Brick, embora, devo reconhecer que o progressivo nunca foi meu forte.
    Após este período, o som da banda foi ficando (na minha opinião) meio chato e pretensioso, eu sei que isto é polêmico, mas, enfim…
    Sobre a sua definição do rock progressivo, no início do texto, também penso como o Alexandre, considero-a perfeita, apenas, permita-me discordar, respeitosamente, da parte em que você diz que o rock progressivo “pode até ser pretensioso”, pois eu entendo que a maior característica dessa vertente é a presunsão.
    E meu gosto por este estilo, abrange apenas alguns poucos discos do Genesis (Selland England…, Trick of the Tail, etc.), todos do Pink Floyd, banda que na verdade transcende o termo “progressivo”, dois discos do ELP, os dois primeiros do King Crimson, dois discos do Triumvirat, o Relayer do Yes, Moving Waves (fudidaço) do Focus e, é claro, os supracitados do Jethro Tull e alguma coisa do Frumpy. Provavelmente eu esqueci de alguns, mas é mais ou menos por aí.
    Grande abraço, Fabian e amigos do Mondo Pop!

  4. Grande Jethro Tull , que aliás tive o prazer de ver ao vivo nos anos 80 . Eu sempre achei que muitos desses discos enquadrados por títulos como rock progressivo , art rock , fusion , etc , receberam críticas totalmente injustas por gente que mais parecia interessada em acompanhar um certo critério de “mudernidade” determinado por alguns . Eu já ouvi comentários sobre esses discos do tipo ” eu não ouvi , mas não gosto ” . Ora , que diabos é isso ? Não dá pra se fazer uma omelete sem quebrar os ovos . Concordo com você Fabian , quanto aos resultados irregulares . Mas quando esses caras acertavam , levavam a música pop pra lugares tão desconhecidos como inovadores . A música mudou muito do final dos anos 70 pra frente , mas existe muito mais por baixo desse tapete . Discos fantásticos como esse , fazem parte de um tempo de grande liberdade criativa . Ninguém tá dizendo ou impondo isso pra nós . Tá tudo lá , é só ouvir e sentir . Músicas que quebravam o padrão do formato rádio de sucessos , temas nunca pensados antes em música popular , rompimento de barreiras em termos de MÚSICA POP , e tem todo uma lance de comportamento , discussão de idéias , sobre a cara de uma época …xiii , é melhor parar por aqui e ouvir .

  5. Aaaah , sobre o disco , depois do seu comentário e dos seus leitores baluartes , sobrou pouco pra ser comentado hahahahaha . Grêmio Recreativo Chacuriano … DEEEZ , NOTA DEEEEZ !

  6. Só para variar, grandes opiniões de três roqueiros do primeiríssimo time!!!!! Muito obrigado pela visita, Marcelo, Alexandre e Vladimir, e é bom ver que existem pessoas que se pautam em termos musicais pelo que acham legal, e não pelas regras que alguns tentam nos impor. Como disse Gilberto Gil nos anos 60, “existem dois tipos de música, a boa e a ruim”……rsrsrsrsrsss Grande abraço, e eu também vi o Jethro Tull nos anos 80, Marcelo, aqui no finado Projeto SP. Belíssimo show, por sinal!!!!!!

  7. vladimir rizzetto

    April 14, 2009 at 2:55 pm

    Eu queria só complementar a minha opinião.
    Quando o Marcelo diz “músicas que quebravam o padrão… rompimento… etc.”, eu também entendo que essa é uma das grandes características do rock, ou seja, chocar, contestar, transcender e quebrar regras.
    Quando eu me refiro que o progressivo não é o meu forte, o que eu quero dizer, na verdade, é que esta vertente do rock é a menos segura. Explico: o músico que opta por criar uma obra progressiva, escolhe o caminho mais perigoso e tortuoso, porque ele tanto pode criar uma obra-prima do porte de Shine on You Crazy Diamond, Echoes, Fool’s Overture ou Gates of Delirium, por exemplo, como pode escrever algo que soe demasiadamente enfadonho e pretensioso. Essa é a questão para mim: o desafio e os riscos são bem maiores do que criar algo de 5 ou 6 minutos.
    É por isso que o rock progressivo para mim é “8 ou 80”, ou é fabuloso ou é uma chatice enorme!
    Abraço a todos

  8. Tocou no nervo da questão, Vladimir: a chance de se errar a mão no rock progressivo é enorme. Vide o Yes, que gravou discos ótimos como Fragile e Close To The Edge e chatices como Tales From Topografic Oceans……… E se há algo que não tolero em música é chatice pretensiosa…….

  9. vladimir rizzetto

    April 15, 2009 at 2:53 pm

    Tales from Topografic Oceans é um pé no saco total!!!

  10. Tenho a edição americana de 1971 em capa dura. Alguns falam que “Songs for Woods” de 1977 é seu melhor disco!! – marcio “osbourne” silva de almeida – jlle/sc

  11. Nossa, que legal, Marcio. Um belo álbum em uma bela edição. Grande abraço, obrigado pela visita e volte sempre!

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