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Mestre Manito dos mil instrumentos se vai

Por Fabian Chacur

Cada vez que um grande ser humano se vai, parece que uma parte da gente vai junto, sem direito a escolha, a alternativa, a algo que possamos fazer para impedir. Simples (e terrível) assim.

Agora, foi a vez, nesse triste 9 de setembro de 2011, de Antonio Rosa Seixas, 68 anos, que eu e todos os fãs da melhor música brasileira conhecemos pelo apelido singelo e charmoso: Manito.

Não consigo deixar de chorar ao lembrar de meu irmão me falando dele como o “homem dos mil instrumentos”. E era mesmo. Embora rei do saxofone, o sujeito tocava guitarra, baixo, bateria, diversos instrumentos de sopro, teclados, o que pintasse na sua frente.

E não é “tocava” no sentido de tirar um ou outro som mequetrefe. O bicho tirava os sons mais lindos, espertos, vigorosos. Um puta músico, que ia além de reproduzir notas. Ele traduzia sentimentos em música.

Músico desde moleque, ele integrou a partir dos anos 60 um dos melhores grupos de rock do Brasil, os Incríveis, e também esteve no Som Nosso de Cada Dia, acompanhou gente do naipe de Raul Seixas e dezenas de outro, tirou sons com os Mutantes, Tutti Frutti etc (e tome etc).

Pelos poucos contatos que tive a honra de ter com ele, e especialmente acompanhando suas entrevistas e postura pessoal, sempre me pareceu um sujeito maravilhoso, desses de que todo mundo gosta.

Infelizmente, ele lutava contra um câncer (doença maldita!) na laringe desde 2006, que ficou naquelas idas e vindas que obrigam a pessoa a encarar tratamentos duros que vão desgastando a saúde.

Segundo seus entes queridos, ele lutou dignamente, e felizmente não está mais sofrendo, o que realmente acaba com quem está por perto presenciando tudo isso, sem poder fazer nada.

Agora, ele está em outra esfera astral, ao lado do antigo colega de Incríveis Mingo, do Raul Seixas, e de qualquer outro músico brazuca ou gringo que esteja por lá, pois tocava muito e sabia fazer amizades.

Descanse em paz, “homem dos mil instrumentos”, e mande um abração aí pro meu irmão Victor, que certamente irá vê-lo tocar por aí suas melodias endiabradas e lindas. E força para seus entes queridos aguentarem uma perda desse porte.

Veja Manito com os Incríveis ao vivo no Programa do Jô:

2 Comments

  1. Oi, Fabian

    Para os admiradores do Rock Nacional dos anos 60 e 70, como eu, foi uma triste noticia.Coincidentimente antes de saber da notícia, eu estava ouvindo o clássico Fruto Proibido de Rita Lee em que brilha nas faixas Esse Tal de Roque Enrow, O Toque e Pirataria tocando sax, orgão e flauta, respectivamente, alias, sendo nesta última um MARAVILHOSO solo de flauta.
    Toda discografia dos Clevers, Os Incriveis(até 1971) são altamente recomendáveis sendo que no caso dos Incriveis recomendo o clássico album”Para os Jovens que amam os Beatles, os Rolling Stones e…os Incriveis” onde ele arrebenta nas faixas Czardas, You know What I Want e MyPrayer, onde ele injeta adrenalina na clássica gravação dos Platters;
    Altamente recomendável também é o excelente album solo O Incrivel Manito, fortemente influenciado pelo Soul/Funk da época com destaque para versão em inglês de “Na Baixa do Sapateiro” com vocais de Dom, da dupla Dom e Ravel(?!?!) e infelizmente nunca reeditado em Cd pela Sony(quem tiver curiosidade, na internet encontra esse disco para download)
    Não posso esquecer do Som Nosso de Cada Dia e o album Snegs de 1974, um dos grandes albuns do Rock Brasileiro dos anos 1970.
    Obrigado, Manito, por ter encantado a todos nós com sua musicalidade e que Deus lhe receba de braços abertos.

    Abs
    André Luiz

  2. Caro André Luiz:
    Muito obrigado por seu excepcional comentário e também por suas ótimas dicas. Tudo o que pudermos falar do Manito é pouco, se levarmos em conta a qualidade dele como músico e ser humano. Grande abraço, tuuuuudo de bom, e apareça sempre que puder/quiser!

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