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Patrick Juvet, 70 anos, um dos grandes astros da disco music

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Por Fabian Chacur

Por paradoxal que possa parecer, o volume de notícias na era da internet é tão grande que, por vezes, acabamos deixando passar algumas delas. Apenas hoje fiquei sabendo da morte do cantor e compositor suíço Patrick Juvet. Ele nos deixou aos 70 aos de idade no dia 1º de abril deste ano. Foi encontrado morto em seu apartamento em Barcelona, Espanha, vítima de um ataque cardíaco, conforme informaram seus parentes em post nas redes sociais. Com atraso, mas na antevéspera do que seria o seu aniversário de 71 anos, eis o tributo de Mondo Pop a esse artista.

Patrick Juvet nasceu no dia 21 de agosto de 1950 na icônica cidade de Montreux, mundialmente conhecida por abrigar desde o final dos anos 1960 um badalado festival de jazz. Ele chegou a atuar como modelo na cidade alemã de Dusseldorf durante dois anos, mas se mudou para a França lá pelos idos de 1970, disposto a arriscar uma carreira no meio musical. Juvet encantou o produtor Eddie Barclay, que o contratou para o seu selo, o Barclay, em 1971.

O cantor lançou seu primeiro álbum em 1973, mesmo ano em que representou a Suíça no festival Eurovision com a canção Je Vais Me Marier Marie, que atingiu a 12ª posição na importante competição musical europeia.

Em 1975, fez sucesso na França e no Brasil com um single que trazia dois hits internacionais vertidos para o francês: Magic (David Paton e Billy Lyall- ouça aqui), do grupo britânico Pilot cuja versão foi assinada pelo então ainda desconhecido músico francês Jean-Michel Jarre, e J’ai Peur de La Nuit, versão de Boris Bergman (ouça aqui) para Only Women Bleed, hit de Alice Cooper e Dick Wagner gravado pelo astro americano em Welcome To My Nightmare (1975).

A coisa realmente engrenou na carreira de Patrick Juvet quando ele firmou parceria com a produtora Can’t Stop Productions, do músico e produtor Jacques Morali e do administrador Henri Belolo, os mesmo responsáveis pelos estouros do Village People e da Ritchie Family. O primeiro projeto do cantor suíço com os novos parceiros, o álbum Got a Feeling (1978), tornou-se o marco principal de sua trajetória musical. Em pleno auge da era da disco music, estourou no mundo inteiro, graças a dois singles certeiros.

O 1º foi Got a Feeling, faixa-título do LP e cujo single de vinil (com Another Lonely Man no lado B) eu ganhei do meu saudoso irmão Victor no meu aniversário de 17 anos. O 2º e mais importante se tornou o seu maior hit, I Love America (ouça aqui), que no álbum dura 14m02 e no single por volta de 6 minutos (divididos em duas parte). Difícil alguma festa temática disco que não inclua essa música.

O álbum traz quatro faixas. Três delas- Got a Feeling, Another Lonely Man e I Love America são parcerias de Juvet com o produtor Jacques Morali e o cantor americano Victor Willis, vocalista principal do Village People em sua fase áurea. A faixa restante, Where Is My Woman, tem como autores Juvet, Willis e o velho amigo Jean-Michel Jarre. Os arranjos de cordas e metais de Horace Ott e os vocais e de base de Morali são matadores.

Em 1979, Patrick Juvet voltou com outro ótimo álbum, Lady Night, que emplacou nas paradas disco a certeira faixa-título (ouça aqui) e a deliciosa Swiss Kiss (ouça aqui), ambas assinadas por Juvet/Morali/Willis.

Naquele mesmo 1979, Juvet mostrou um outro lado de seu talento com o álbum praticamente todo instrumental Laura Les Ombres De L’ete, trilha sonora do filme Laura, dirigido pelo inglês David Hamilton que conta com a participação dos músicos franceses Marc Chantereau e Slim Pezin, integrantes do grupo Voyage, outro marco da disco music com hits como Souvenirs, From East To West e Scotch Machine, entre (vários) outros.

Aí, a era disco infelizmente acabou, com boa parte dos artistas imediatamente associados a esse estilo musical sendo jogados de lado pela mídia e gravadoras. Patrick Juvet não foi exceção, e após tentativas de reaver o sucesso perdido (um desses álbuns tinha o irônico título Still Alive, de 1980), mergulhou em bebidas e drogas, mudando algumas vezes de país e entrando em franca decadência.

Um bom momento desses anos pós-fama ocorreu em 1991 com o lançamento do álbum Solitudes, que contou com as participações especiais de Françoise Hardy, Luc Plamondou e Marc Lavoine. Sua carreira, então, passou a ser participar de shows de revival da disco, alguns ao lado da cantora Sheila B. Devotion (dos hits Spacer, Singing In The Rain e You Light My Fire). Em 2005, ele lançou a autobiografia Les Bleus Au Coeur: Souvenirs, na qual contou suas histórias na música e também como lidou com o seu homossexualismo.

Got a Feeling (clipe)- Patrick Juvet:

2 Comments

  1. Muita coincidência eu procurar Patrick Juvet hoje (18/08/2022) e cair aqui no seu ótimo texto escrito há praticamente 1 ano atrás. E também eu não sabia da morte desse performático artista. Volta e meia ouvimos sua obra e nos “esquecemos de lembrá-lo”. Obrigada por nos brindar com informações e referência de obras da excelente produção musical de Patrick Juvet. Que ele descanse em paz..

  2. Fabian Chacur

    August 19, 2022 at 4:33 pm

    Opa, eu é que agradeço a você, Maria Goretti, por visitar Mondo Pop e pelos elogios à minha matéria. Uma perda muito grande a do Patrick Juvet, que deixou a sua marca na cena musical dos anos 1970, em especial. Valeu e volte sempre!

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