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Aline Calixto conta os detalhes sobre o seu primeiro DVD

aline calixto 400x

Por Fabian Chacur

Aline Calixto é uma cantora e compositora carioca criada em Minas Gerais cuja carreira fonográfica teve início com um álbum autointitulado em 2009. Em 2011, foi a vez do segundo, Flor Morena, cuja faixa-título, de autoria de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Junior Dom, que fez sucesso nacionalmente ao entrar na trilha sonora da novela global Fina Estampa. Os dois discos foram lançados pela gravadora Warner Music.

Concentrando-se no samba mas sempre aberta a outras influências musicais, Aline lançou Meu Ziriguidum (2015- Independente) e Serpente (2017, em parceria com a gravadora LAB 344) e se firmou como uma das grandes cantoras da cena de BH, com direito a uma belíssima voz e muita presença de palco.

Como forma de celebrar essa carreira que tem tudo para proporcionar ainda mais frutos nos próximos anos, ela está lançando 10 Anos Aline Calixto- Ao Vivo em BH, DVD físico e álbum digital mais uma vez em parceria com a LAB 344 e contanto com diversos apoios. Com produção musical, arranjos e violão a cargo do fiel parceiro musical Thiago Delegado, com ela desde o começo, ela conta com as participações especiais de Beth Carvalho e Monarco e a Velha Guarda da Portela, entre outros.

Em entrevista concedida por e-mail a Mondo Pop, ela nos dá detalhes sobre esse ótimo lançamento, certamente um dos melhores do ano em termos de música popular brasileira, e também sobre sua trajetória artística e mesmo acerca de sua opção de se dividir entre o Brasil e a França em termos de residência.

MONDO POP- Para começar, faça uma avaliação desses dez anos de carreira, que hoje na verdade já são 12(rsrsrsrs).
ALINE CALIXTO
– Muita coisa aconteceu, né? Foram 4 discos solos, 1 DVD, participações em CDs e DVDs (Samba Social Clube, Sambabook, Martinho da Vila Canta Noel, dentre outros). Muitos shows pelos quatro cantos do mundo. Parcerias maravilhosas, muito estudo, enfim, só tenho a agradecer por tudo.

MONDO POP- O show foi gravado em junho de 2018, mas o DVD só está saindo agora. Conte um pouco sobre como foi a trajetória para conseguir viabilizar um projeto tão importante para você como esse, e quais foram os principais obstáculos que você teve se superar para concretiza-lo.
ALINE CALIXTO
– Pude realizar esse projeto porque fui contemplada pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura de MG e a CEMIG entrou na parceria. Foi um ano totalmente dedicado a sua produção. Alguns percalços apareceram na caminhada, como, por exemplo, a mudança na data de gravação. A primeira data foi exatamente no dia de uma paralização dos rodoviários em BH. Eu e minha equipe decidimos não realizar a gravação, visto que muita gente (artistas que participaram) e equipamentos viriam de fora do estado. Mas ok, no final deu tudo certo! O lançamento era pra acontecer em meados de junho de 2019, porém em fevereiro daquele ano descobri que estava grávida, logo os planos foram adiados. Quando definimos a nova data de lançamento, que seria após o carnaval de 2020, veio a pandemia. Esperamos alguns meses e então dei a palavra final, bora lançar o trabalho e, quando puder, faremos os shows de lançamento. Agora é aguardar a vacina!!

MONDO POP- O repertório do DVD se divide entre músicas dos seus três CDs, inéditas e releituras de músicas alheias. Fale inicialmente das inéditas, especialmente de Dona do Pedaço, e depois sobre os critérios que seguiu para selecionar as músicas dos CDs anteriores que acabaram entrando no DVD.
ALINE CALIXTO
– Não foi tarefa fácil desenhar esse repertório, mas acredito que o resultado ficou bem dentro do que imaginava. Um “resumão” da minha trajetória musical. Somente uma faixa é inédita, que escolhi a dedo. Dona do Pedaço foi um lindo presente do André da Mata e Felipe Acaf. Há também releituras, mas essas o público já conhecia, pois as cantava em meus shows.

MONDO POP- A participação da Beth Carvalho no seu DVD acabou sendo histórica por ter sido o último registro dela. Relembre como foi essa gravação, do seu relacionamento com a Beth e a tristeza que é lançar o DVD sem que ela esteja mais entre nós.
ALINE CALIXTO
– Foi o último registro audiovisual em show que a Beth participou. Ela estava radiante, super feliz! Tínhamos uma relação de amizade muito linda. A conheci no início da minha carreira, e desde então nunca perdemos o contato. Ela era uma “mãe musical” pra mim. Sempre mostrava a ela os repertórios dos meus discos antes de iniciar as gravações. Fiquei muito abalada na época do seu falecimento. Lembro bem que, um dia depois da morte dela, estava pronto o primeiro corte do DVD e eu não consegui assistir. Estava grávida de 5 meses. Precisei segurar a onda e acalmar o coração. Tenho plena certeza que ela está muito feliz com a realização do meu sonho e por ter feito parte dele.

MONDO POP- A presença de Monarco e a Velha Guarda da Portela é quase que um selo de qualidade em seu DVD, tal a importância e a representatividade deles na história do nosso samba. Como surgiu a ideia dessa parceria, e como foi para você tê-los nesse DVD?
ALINE CALIXTO
– Conheço o pessoal há um tempo, né? São pessoas queridas que me acolheram desde o início da minha carreira. Monarco é sempre generoso, é a segunda vez que ele participa de uma gravação comigo. Já cantei algumas vezes com a Velha Guarda e é óbvio que passava pela minha mente que quando eu fizesse um registro audiovisual seria maravilhoso se eles pudessem participar. Quando o projeto saiu do papel, uma das primeiras coisas que fiz foi conversar com eles. Ficaram super felizes e prontamente aceitaram! Escolhi duas músicas, uma é emblemática e ficou conhecida na voz de uma das maiores cantoras desse país, que sempre foi uma das minhas maiores fontes de inspiração, Clara Nunes. Cantar Portela na Avenida com a Velha Guarda foi arrepiante. A segunda foi um lado B da Velha Guarda, Benjamin. Adoro esse samba!

MONDO POP- Temos outras participações bem bacanas no DVD. Comente um pouco sobre cada uma delas.
ALINE CALIXTO
– Tive a honra de dividir o palco com uma das mais importantes figuras da música mineira que é o Maurício Tizumba, e com ele o seu Tambor Mineiro. Foi lindo trazer também ao palco a novíssima geração do samba representada pelo Tavinho Leoni e Isadora Ferreira. Duas grandes vozes de BH também se juntaram ao projeto, Cinara Ribeiro e Marina Gomes. Acho importante dar espaço a outras mulheres. Aposto muito as minhas fichas nesses duas vozes do samba mineiro. Teve também representantes de vários blocos de carnaval de BH dividindo a faixa Beijo Mesmo, foi uma verdadeira festa nesse momento no palco!

MONDO POP- Explique como foi a escolha da rua Sapucaí em BH como palco para o show deste DVD, sua relação com esse local, e a importância desse espaço para o samba em Minas Gerais.
ALINE CALIXTO
– É uma rua emblemática da cidade. Um endereço central, que tem uma vista linda e nos últimos anos se tornou um espaço de grande efervescência cultural. Foi nessa rua que eu cantei em BH pela primeira vez. Mal imaginava que retornaria ao mesmo local para a gravação do meu DVD.

MONDO POP- Flor Morena foi tema da novela global Fina Estampa e é provavelmente o seu maior sucesso em termos nacionais. Você imaginava que essa música teria toda essa repercussão quando a gravou? Qual a sua relação com ela?
ALINE CALIXTO
– Eu sempre soube que essa música seria um marco na minha história por que foi um presente lindo que recebi do Zeca, Arlindo e Jr. Dom. Quando chegou a notícia de que ela faria parte da trilha de uma novela, fiquei meio paralisada e depois foi caindo a ficha. Ela é de fato o meu cartão de visitas. Tenho muito orgulho desse samba.

MONDO POP- Você começou sua carreira quando a indústria fonográfica brasileira caminhava para um momento muito difícil, que só piorou nesses anos todos. Como foi encarar toda essa dificuldade e conseguir sobreviver em termos profissionais, apesar de tudo?
ALINE CALIXTO
– Foi difícil sim, mas nada é eterno, tudo está em constante movimento. Quando vivemos e encaramos essa realidade, as coisas tendem a fluir melhor. Os formatos mudam, as pessoas mudam, a gente só precisa entender o balanço do mar pra melhor saber conduzir o barco.

MONDO POP- Como você avalia hoje a experiência que teve com a Warner, que lançou seus dois primeiros CDs, e como funciona atualmente a parceria com a gravadora independente LAB 344?
ALINE CALIXTO
– A Warner foi minha primeira casa, me abriu muitas portas e aprendi muito lá dentro. Tenho um carinho e respeito eternos pelo Sérgio Afonso e por todos os profissionais que fizeram parte de sua equipe, sempre atenciosos comigo. A LAB é uma empresa que me recebeu de braços e ouvidos abertos! Outro Sérgio na liderança também rsrsrs. Tenho total liberdade e sintonia com eles. É meu segundo projeto que sai com a assinatura do selo. E que venham mais!

MONDO POP- Fale um pouco sobre sua parceria musical com o Thiago Delegado, que está com você desde o início e foi o diretor musical deste DVD, além de participar como músico.
ALINE CALIXTO
– É meu casamento mais duradouro rsrsrs. Eu e ele crescemos musicalmente juntos. Acompanhamos mutuamente nossas trajetórias musicais. Delegado me compreende bem. A gente dá muito certo juntos, o que acho natural pois são muitos anos de parceria e amizade. Ele é um talento nato. Agradeço ao universo por ter colocado ele no meu caminho.

MONDO POP- O DVD traz nos bônus uma faixa especial focada no Bloco da Calixto, que teve início em 2014. Como foi essa experiência para você, especialmente com releituras de músicas de outros estilos musicais para o universo do carnaval?
ALINE CALIXTO
– Esse é um trabalho paralelo que conduzo desde 2014, quando crio o Bloco da Calixto. A ideia era justamente produzir um trabalho em que eu pudesse cantar outras músicas que não somente samba e dar a elas um toque carnavalesco. Eu adoro desenvolver o repertorio do bloco, que a cada ano traz um tema. Em 2017, o tema foi o Amor, daí compus em parceria com o Juliano Butz a música Beijo Mesmo, que acabou entrando também no DVD, juntamente com um pout pourri de canções que foram temas de outros anos.

MONDO POP- Como está a sua vida profissional e pessoal atualmente, e como a pandemia do novo coronavírus influenciou nesse sentido? Você vai mesmo se dividir entre morar na França e no Brasil?
ALINE CALIXTO
– A pandemia mudou de forma geral a vida de todos, umas mais que as outras. Eu e meu esposo há algum tempo já pensávamos em pôr em prática nosso plano de dupla moradia. Só não esperávamos que seria tão rápido. A área dele sofreu muito no Brasil (ele trabalha com enologia e viticultura), mas na França, nunca parou. Como a minha profissão é mais flexível com relação a localização, resolvemos adiantar os planos e nos dividir entre Brasil e França. Nesse momento, estamos finalizando a “temporada França” e voltamos pro Brasil no finalzinho desse ano ainda.

MONDO POP- Como vai ser a divulgação do DVD? Já tem algum show programado dentro da nova configuração atual, ou com lives, ou com drive thru, ou mesmo show presencial com plateias reduzidas?
ALINE CALIXTO
– Estamos em negociação para a realização de um show por hora somente em versão virtual. Acho que show presencial só mesmo depois da vacina, né?

MONDO POP- Quais são os seus planos para 2021?
ALINE CALIXTO
– Vacinação assim que possível e, após, poder retornar aos palcos pra fazer o show que inspirou o DVD.

Nos Combates Dessa Vida (ao vivo)- Aline Calixto e Beth Carvalho:

Aline Calixto divulga outra faixa do DVD gravado ao vivo em BH

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Por Fabian Chacur

Em 2009, Aline Calixto lançou o seu primeiro e autointitulado álbum. Desde então, a carioca radicada há muito em Belo Horizonte (MG) se consolidou como uma das grandes sambistas deste país, com o lançamento de mais três álbuns- Flor Morena (2011), Meu Ziriguidum (2015) e Serpente (2017). Para celebrar essa década na estrada, ela em breve lançará um DVD gravado ao vivo, cuja primeira amostra foi Dona do Pedaço (ouça aqui).

Agora, chega a vez de Flor Morena, seu maior sucesso, faixa-título de seu segundo CD e parte integrante da trilha sonora da novela global Fina Estampa. Mais uma vez, o carisma de Aline, acompanhada por uma banda liderada pelo craque Thiago Delegado, cativa, com participação ativa da plateia presente à rua Sapucaí, no Centro de BH, onde o show foi gravado, em 2018.

O repertório do DVD traz 16 músicas, que se dividem entre faixas de seus álbuns anteriores, uma inédita e releituras. Temos as participações especiais da saudosa Beth Carvalho e também do brilhante Monarco ao lado da Velha Guarda da Portela. Pela qualidade das amostras, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos dos últimos tempos da música popular brasileira.

Leia mais sobre Aline Calixto aqui.

Flor Morena (ao vivo)- Aline Calixto:

Aline Calixto lança seu segundo CD em SP

Por Fabian Chacur

Aline Calixto, uma das grandes revelações da MPB dos últimos anos, volta a São Paulo para show de divulgação de seu segundo CD, Flor Morena, lançado pela Warner e já comentado aqui em Mondo Pop.

Esta bela cantora carioca criada em Minas Gerais teve grande destaque com seu trabalho de estreia, que a credenciou como expressiva intérprete das várias vertentes do samba.

Flor Morena equivale a um desenvolvimento lógico em relação ao disco anterior, trazendo muito samba de roda, bossa nova, elementos de música latina e muito mais.

Ela será acompanhada por uma banda composta por Thiago Delegado (violão 7 cordas), Rudney Carvalho (cavaco), Aloisio Horta (baixo), Rodrigo Carioca (bateria), Peterson de Jesus (congas e efeitos), Robson Batata (surdo e efeitos) e Ricardo Acácio (pandeiro e efeitos).

O repertório mostrará canções de Flor Morena e do trabalho de estreia, apresentados em um clima quente e descontraído no qual a presença do excelente músico Thiago Delegado, destaque na gravação do novo CD e ao lado de Aline há bastante tempo, é garantia de grande interação artística.

O show rola nesta terça (12/7) às 22h no Tom Jazz (avenida Angélica, 2.331 – Higienópolis), com ingressos a R$ 25,00 . Informações pelo fone 4003-1212 ou pelo site www.tomjazz.com.br.

Aline Calixto é samba chique, popular e vigoroso

Por Fabian Chacur

Aline Calixto é uma carioca radicada há muitos anos em Minas Gerais que estreou em disco há dois anos.

Estreia promissora, que nos apresentou uma cantora de 28 anos esbanjando maturidade, categoria e um jogo de cintura impressionantes.

A bela moça de cabelos encaracolados volta à cena com Flor Morena, pela Warner mais uma vez, e confirma todas as expectativas positivas criadas pelo trabalho anterior.

O espírito dos discos é semelhante, investindo em uma mistura de composições de autores famosos com jovens também promissores, e de músicos conhecidos com outros que aparecem de forma vigorosa em sua juventude.

As diferenças são sutis, mas existem e merecem ser exaltadas.

A produção, desta vez a cargo do experiente e talentoso baixista Arthur Maia (o anterior foi pilotado por Leandro Sapucahy), apostou em arranjos delicados, ênfase na bela voz de Aline e uma concentração em torno da variação instrumental de faixa para faixa.

Flor Morena não cai na mesmice em momento algum, investindo em várias vertentes de samba e trazendo, também, elementos de música latina, bossa nova e da melhor MPB no tempero.

Um dos grandes trunfos de Aline é ter uma voz cujo timbre não nos remete de imediato a alguma outra colega consagrada, o que não é pouco no universo atual em que a gente parece ouvir Marisas, Gals, Calcanhotos e Zélias covers a cada momento.

Outra virtude é a moça cantar cada palavra e cada letra deixando claro saber o sentido de tudo o que interpreta, passando ao ouvinte muita emoção e convicção sem apelar para gritaria ou excessos técnicistas dispensáveis.

O repertório é bom como um todo, mas posso destacar Gemada Carioca (feita sob encomenda para ela por Martinho da Vila), Cabila, Ecumenismo, Conversa Fiada e Coração Vulgar. Vale ouvir da faixa 1 à 14, sem interrupções, para sorver cada acorde, cada frase melódica, cada batuque.

Entre os músicos, merece ser destacado o excelente violonista Thiago Delegado, que acompanha a intérprete desde o começo de sua carreira.

Chegando aos 30 anos de idade, Aline Calixto mostra uma rara capacidade de ser ao mesmo tempo sofisticada e popular, simples e elaborada, emocionante e contida, inteligente e acessível.

Se toda cantora que se metesse a cantar “samba meu” tivesse o alto nível de qualidade de Flor Morena, seria lindo!

Thiago Delegado lança o clipe para divulgar seu novo álbum

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Por Fabian Chacur

Conheci Thiago Delegado em 2011, quando vi um show da excelente cantora carioca radicada em Belo Horizonte Aline Calixto, no qual ele era o violonista e diretor musical. Deu para sentir que o cara não era apenas mais um músico, mas sim alguém muito talentoso e com espaço para avançar bastante no cenário musical. E isso ocorreu. Ele acaba de lançar o videoclipe para divulgar Sambete Preguiçoso, faixa que integrará seu quarto álbum solo, Sambetes Vol.1, que está saindo do forno. Belíssima amostra.

Sambete é o apelido que se criou para um estilo musical desenvolvido nos anos 1950 e 1960, predominantemente instrumental, com levada dançante e influências de jazz e samba, além de ter sido incorporado à mistura que gerou a bossa nova. Thiago fez uma versão moderna e bastante vintage deste gênero, tendo a seu lado os ótimos músicos Christiano Caldas (teclados, Hammond entre eles), Aloizio Horta (baixo) e André Limão Queiróz (bateria).

O clipe é descontraído e divertido, mostrando várias pessoas em situações cotidianas nas quais preferem dar um tempo nas atividades que faziam para dar vasão à preguiça. Já disponível nas plataformas digitais, a faixa é uma das oito presentes em Sambetes Vol.1, que será lançado em breve nos formatos CD, vinil e digital. Pela amostra, deve ser delicioso de se ouvir. A expectativa é das maiores.

Nascido em Caratinga (MG), mesma cidade do genial Ziraldo, Thiago tem no currículo os álbuns Serra do Curral (2010), Thiago Delegado Trio: Ao Vivo no Museu de Arte da Pampulha (2012) e Viamundo (2015), todos lançados pela via independente. Ele é compositor, arranjador, diretor musical e um dos grandes nomes da nova geração em um instrumento vital para o samba e chorinho, o violão de sete cordas.

Além da carreira individual, o artista mineiro já teve a oportunidade de atuar com outros músicos e cantores do primeiro escalão. Já tocaram ao vivo e/ou gravaram com ele nomes do gabarito de Leila Pinheiro (turnê em 2014 e 2015), Wagner Tiso, João Donato, Martinho da Vila, Vander Lee, Toninho Horta, Roberto Menescal, Hamilton de Holanda, Aline Calixto, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara e Yamandu Costa.

Não satisfeito, ele também é o anfitrião dos projetos Delegas Samba Clube e Delegascia. Este último é uma jam session semanal sediada em Belo Horizonte e que está sendo realizada há 10 anos e já ganhou até um registro em DVD. Ele também apresenta o programa A Hora do Improviso na Rádio Inconfidência FM e Rede Minas. O show de lançamento do novo trabalho em Belo Horizonte será no próximo dia 26 (quinta-feira) no Teatro Bradesco (saiba mais aqui).

Sambete Preguiçoso (clipe)- Thiago Delegado

Flávio Renegado gravará DVD em BH

Por Fabian Chacur

O rapper Flávio Renegado gravará neste domingo (2) a partir das 18h30 ao vivo o seu novo DVD. O local será o Parque Municipal de Belo Horizonte, com os ingressos custando R$ 15 e R$ 30 (mais informações em www.sympla.com.br ). O show contará com participações especiais de Rogério Flausino (vocalista do Jota Quest), Sany Pit Bull, Aline Calixto, Meninas de Sinhá, Kassim e Liminha.

O espetáculo promete produção à altura do talento deste ótimo cantor, compositor e rapper oriundo de Minas. A direção do show ficou a cargo da badalada Joana Mazzucchelli, sendo a parte musical dirigida pelos experientes e consagrados Liminha e Kassin. Gringo Cardia assina os cenários, enquanto Victor Dzenk se incumbiu dos figurinos e Dandara Ferreira do mini-doc.

Com mais de dez anos de estrada, Renegado tem em seu currículo dois ótimos CDs de estúdio, Do Oiapoque a Nova York (2008) e Minha Tribo é o Mundo (2011- leia crítica aqui), nos quais desenvolveu um rap repleto de elementos musicais distintos e bem sacados.

Em setembro, ele será um dos destaques do palco Sunset do Rock in Rio 2013, em show que promete bastante (mais informações aqui ). Versátil, Renegado incorpora elementos de vários ritmos em seu som, incluindo o samba, o soul e o drum ‘n’ bass.

Veja o clipe de Minha Tribo é o Mundo, com Flávio Renegado:

Clara Nunes e a falta que faz uma Guerreira

Por Fabian Chacur

Em 2 de abril de 1983, o Brasil perdeu Clara Nunes. Com apenas 40 anos de idade, partia de forma prematura para o outro lado do mistério uma das melhores cantoras da história da nossa música, intérprete de grandes recursos vocais e performáticos e de uma personalidade artística simplesmente imbatível.

A bela mineira nascida em Caetanópolis em 12 de agosto de 1942 não teve vida fácil, e passou por muitas e não tão boas até chegar ao estrelato. Foi operária, venceu concursos de rádio, gravou discos irregulares nos quais investiu em diversos estilos musicais, teve o apoio do impagável Carlos Imperial, sofreu com a vida amorosa…

Clara pegou no breu mesmo na década de 70, quando descobriu que, embora tivesse talento para cantar o que quisesse, era no samba que conseguiria ampliar de forma incomensurável os seus horizontes artísticos e de popularidade. E graças a seu mergulho apaixonado nesse gênero musical, tornou-se a nossa Guerreira, repleta de graça, carisma e talento.

A voz de Clara era poderosa, forte, agressiva, mas impressionantemente melódica, ao mesmo tempo. Daqueles gogós com assinatura, que nas primeiras notas ouvidas já se fazia reconhecida por todos. Em sucessos como Conto de Areia, O Canto das Três Raças, Meu Sapato Já Furou, Tristeza Pé No Chão e O Mar Serenou, ela provava que dava para fazer sucesso e cantar música relevante em termos artísticos ao mesmo tempo.

Nunca deixou de ser versátil, mesmo depois de vestir o manto da sambista clássica. Gravou com categoria forró, música baiana, samba-canção, bolero e o que mais pintasse, sempre esbanjando categoria e personalidade- vide Feira de Mangaio, Basta Um Dia, Fado Tropical e Lama,bons exemplos dessa vertente musical de Clara.

Como herança, Clara Nunes nos deixou uma discografia repleta de grandes momentos e a certeza de que poderemos ter novas cantoras bem interessantes, mas nenhuma com o seu perfil. Chega a ser hilariante ouvir algumas intérpretes que tentam regravar ou cantar ao vivo seus sucessos, pois raríssimas (uma delas é a ótima Aline Calixto) conseguem dar conta do recado. Seria melhor escolherem outras canções, pois as que a Guerreira eternizou são dela e de ninguém mais. Uma diva de verdade!

O Canto das Três Raças, com Clara Nunes:

E esse tal de 2011, heim? Se mandou de cena!

Por Fabian Chacur

Desde as mortes de meus pais e de meu irmão, ocorridas em um prazo de menos de três anos nos já distantes anos 90, passei a não lidar muito bem com essas épocas de Natal e Ano Novo. É um período de muitas recordações e, especialmente, de saudade, muita saudade.

E é exatamente nessa época que a gente costuma fazer as tradicionais retrospectivas do ano que passou. No caso específico, o do glorioso 2011.

Foram 12 meses durante os quais perdemos vários artistas importantes. Uma delas, Amy Winehouse, com apenas 27 anos e muito ainda a nos oferecer. Não era para ser. Uma pena.

Muitos shows, festivais, artistas que já vieram zilhões de vezes ao Brasil e que voltaram e que provavelmente voltarão em 2012. Mas, entre eles, tivemos a honra de, pela primeira vez, desfrutar ao vivo e a cores do energético swamp rock de John Fogerty. Valeu o ano!

Adele se firmou como grande nome desse início de década graças a seu segundo álbum, 21, enquanto este que voz tecla chorou lágrimas sentidas com o fim de uma de suas bandas do coração, o R.E.M., que tive a chance de ver ao vivo (que show!) em 2008.

De resto, o mercado fonográfico sobreviveu mais um ano, as alternativas para se ouvir música se multiplicam e muita gente nova de talento surge por aí, entre os quais minhas apostas Aline Calixto, Flávio Renegado, Samba de Rainha etc. A música não pode parar, nunca!

Aproveito para desejar a todos os que acompanham Mondo Pop um 2012 repleto de saúde, paz, alegria, realizações e aquela trilha sonora de qualidade que nos impulsiona a seguir adiante.

Veja o clipe de Tears Dry On Their Own, de Amy Winehouse:

Coisas boas e ruins de 2009 em análise rápida

por Fabian Chacur

Não vou perder meu tempo com a culionésima retrospectiva 2009 no mundo da música. Entre em algum portal e mergulhe nas já existentes.

Minha despretensão aqui é total. Vou apenas relembrar algumas coisas deste ano que se vai para não mais voltar, como todos os anteriores.

A morte de Michael Jackson fica como grande momento negativo. Um artista genial, que nos deixou como herança um legado musical de grande qualidade e influência.

Na verdade, não morrerá nunca em nossos corações. E o documentário This Is It serve como bela despedida de cena do primeiro e único Rei do Pop.

Les Paul também se foi. Só o fato de ter criado a guitarra que leva o seu nome, e que protagonizou grandes momentos da história do rock e da música em geral já vale o registro dele por aqui.

O melhor álbum do ano na opinião deste que vos tecla é Let’s Change The World With Music, do sublime Prefab Sprout, hoje banda de um homem só, o genial Paddy McAloon. Melhor música do ano: Ride, do mesmo álbum.

A nova geração se firmou com Tonight Franz Ferdinand, excepcional terceiro álbum do grupo escocês que vai tocar novamente por aqui em 2010. Espero, desta vez, poder conferi-los ao vivo. Grande banda. Rock básico, dançante, vibrante, como deve ser.

O DVD/CD gravado em dupla Steve Winwood e Eric Clapton não só nos relembrou dos velhos e bons anos 60 e 70 como mostrou como esses dois gênios da música, hoje sessentões, continuam em ótima forma.

Se Michael Jackson nos deixou, George Benson provou que continua inspiradíssimo no cenário da black music com tempero jazzístico.

Songs And Stories é seu melhor CD em anos, uma pintura. Ouça as faixas Nuthin’ But a Party, Exotica e Living In High Definition e diga se não estou certo. Ou a releitura certeira de Rainy Night In Georgia. Coisa fina!

Enfim os maravilhosos CDs dos Beatles receberam versões a altura de sua qualidade e influência. Em termos sonoros e, principalmente, de embalagem, com os discos agora contando com capas triplas, encartes coloridos repletos de informações, fotos lindas… É assim que se tratam obras primas!

AC/DC lotando o Morumbi é a prova de que o velho, básico e vibrante rock and roll nunca morrerá. É por isso que considero “pós-rock” o rótulo mais imbecil de todos os tempos. Criado por “pós-idiotas”, por certo!

No Brasil, tivemos discos bacanas, como o novo de Lulu Santos, os relançamentos de trabalhos do genial Wilson Simonal (1938-2000), as estreias de Veronica Ferriani e Aline Calixto, o trio de rock instrumental Macaco Bong fazendo shows sensacionais…

Enfim, a música continua viva, graças a Deus. E certamente continuará em 2010. Obrigado a todos os meus leitores, a quem desejo um ano novo repleto de saúde, paz, felicidade, realizações e, é lógico, música de qualidade!

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