Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Bruna Viola lança seu 1º DVD e se firma na música sertaneja

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Por Fabian Chacur

Em 2009, Bruna Viola apareceu em cena da novela global Paraíso. Desde então, a carreira dessa cantora e violeira de Cuiabá (MT) só tem progredido. Após o sucesso de seu primeiro álbum pela Universal Music, Sem Fronteiras (2015) (leia mais sobre ele aqui ), a garota de 23 anos nos apresenta o seu primeiro DVD, Melodias do Sertão, também lançado em CD (com diferente sequência de faixas, sendo cinco a menos do que no DVD, que tem 20, contra 14 do CD). Simpática e articulada, ela falou com Mondo Pop sobre a fase atual da carreira, seus show nos EUA em maio etc.

MONDO POP- Como você avalia essa sua primeira turnê pelos EUA, com shows por cidades como Orlando, Everett e Newark? E como foi a reação do público em relação à sua música?
Bruna Viola
– Foi uma experiência única, maravilhosa, do público ao contratante. Tanto que querem me levar de novo para lá no ano que vem. Confesso que tive medo, mas vi que o público de lá sente falta dos “modão”, tinham sede para ouvir esse tipo de música. Foram seis shows, um mais emocionante do que o outro, teve muito choro de saudade. E fui muito bem recebida, eles são bem rígidos com horários por lá, mas gostei muito, teve muita emoção.

MONDO POP- Você gravou o DVD no Villa Country, em São Paulo. Fale um pouco sobre o porque da escolha desse espaço para o registro, e também de como foi essa experiência.
Bruna Viola
– A recepção do público no Villa Country foi acima do esperado. Estava todo mundo “traiado”, de chapéu. É uma mega casa sertanejona, o lugar ideal para gravar um DVD, e São Paulo é central para tudo. Vieram fãs do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais… E todos tiveram toda a paciência do mundo durante as gravações.

MONDO POP- Qual era a sua ideia em termos musicais, quando planejou a gravação deste DVD?
Bruna Viola
– Minha ideia é que o DVD tivesse a mesma pegada do CD Sem Fronteiras, com músicas de raiz e também o meu lado romântico aparecendo. Gosto de outros estilos musicais, mas o sertanejo de raiz está sempre em primeiro lugar para mim.

MONDO POP- Como surgiu a ideia de regravar Tô Fazendo Falta, que fez muito sucesso com a cantora Joanna nos anos 1990?
Bruna Viola
– Eu queria regravar uma música marcante que não fosse sertaneja, e o Cesar Menotti me sugeriu Tô Fazendo Falta. Essa música marcou uma época, e procurei dar a minha cara a ela.

MONDO POP- E já que você falou no Cesar Menotti, ele e seu parceiro Fabiano participaram do DVD, eles que já haviam marcado presença no Sem Fronteiras. Como surgiu essa parceria entre vocês?
Bruna Viola
– Conheço o Cesar Menotti desde que eu tinha 13 anos de idade e fui ver um show dele. A amizade nasceu ali mesmo. Ele fez Se Você Voltar para o CD Sem Fronteiras. No DVD, a gente canta ao vivo essa música e também Rio de Lágrimas (Rio de Piracicaba) (n.da r.: esta última incluída só no DVD).

MONDO POP- No seu site oficial, você cita como suas cantoras favoritas Shakira, Paula Toller e Sandy, todas fora do universo sertanejo. Você sente influências delas no seu trabalho?
Bruna Viola
– Essas três cantoras me influenciaram e me influenciam muito, pois minha viola caipira é toda modernizada. Sou bem eclética, quero criar uma digital diferente, só minha. E elas são influência para mim também como pessoas, por suas posturas de vida.

MONDO POP- Dois de seus ídolos na música de raiz foram homenageados no DVD, não é mesmo?
Bruna Viola
– Sim. Gravei um pot-pourry com as músicas Pagode em Brasília, Moradia e Chora Viola, do Tião Carreiro, que é meu ídolo. A música Moradia é a minha favorita de todas, eu a cantei na novela Paraíso e já a havia regravado duas vezes. E também homenageei a Inezita Barroso ao regravar a música Moda da Pinga (Marvada Pinga).

MONDO POP- Como você encara o atual cenário da música sertaneja em relação às mulheres?
Bruna Viola
– O momento está muito bom para a mulherada no sertanejo, cada uma com o seu estilo. Quem começou isso lá atrás foi a Inezita Barroso, pois antes dela só tinham homens. A presença feminina foi crescendo aos poucos, com as Galvão e tantas outras. Pode ter tido um pouco de preconceito antes, mas hoje a mulherada está dominando.

Você Não Sabe (Quero Ver) (ao vivo)- Bruna Viola:

Flor Matogrossense (ao vivo)- Bruna Viola:

Se Você Voltar (clipe)- Bruna Viola c/Cesar Menotti & Fabiano:

Bento Araújo e crowdfunding para concretizar o seu sonho

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Por Fabian Chacur

Crowdfunding é uma palavra complicada para explicar uma coisa simples: vaquinha virtual. É o que esse tipo de ação busca, arrecadar dinheiro para viabilizar projetos culturais com pessoas que se interessem por eles. E é exatamente o que Bento Araújo está fazendo atualmente para tentar obter a verba que precisa para produzir e lançar seu 1º livro, Lindo Sonho Delirante- 100 Discos Psicodélicos do Brasil (1968-1975).

Até o dia 16 de agosto, o site catarse (entre aqui) abriga a campanha para a concretização do projeto deste talentoso jornalista, crítico musical, pesquisador e músico. Até o dia em que este post foi escrito, ele já havia conseguido contabilizar R$ 37.650,00, sendo que sua meta mínima é de R$ 45.000,00. Ou seja, pelo andar da carruagem, a obra irá se concretizar, para felicidade de quem gosta de livros sobre a nossa riquíssima música brasileira. Saiba como colaborar e os respectivos valores, além de outros detalhes, no link do Catarse.

Bento Araújo trabalhou em lojas de discos como a saudosa Nuvem Nove até iniciar seu bem-sucedido Poeira Zine. A publicação durou de 2003 até recentemente, gerando 69 edições e se tornando verdadeira referência em relação ao rock e à música brasileira de qualidade, especialmente as raridades. Ele também teve diversas matérias publicadas em órgãos de imprensa como O Estado de S.Paulo, Folha de São Paulo, revista Rolling Stone e vários outros.

Com 228 páginas coloridas, tamanho 21 centímetros de altura por 19.5 de largura e edição bilíngue português/inglês, o livro (cujo título dá, não por acaso, a sigla LSD, alucinógeno sempre relacionado ao cenário psicodélico) traz resenhas e informações detalhadas sobre 100 discos brasileiros psicodélicos, indo desde trabalhos conhecidos como Tropicália Ou Panis Et Circencis (de 1968, considerado por Bento o marco zero da cena psicodélica tupiniquim) até Paêbiru (1975, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, o título mais recente incluído).

O elenco de artistas selecionados é amplo, trazendo obras de Mutantes, Daminhão Experiença, A Bolha, Casa das Máquinas, Arthur Verocai, João Donato, Marcos Valle e outros. Também temos um texto dando uma geral nessa cena e contextualizando o gênero dentro do panorama nacional e mundial. Tipo da publicação que tem tudo para se tornar clássica, levando-se em conta o alto nível do trabalho de Araújo. O preço do livro deve girar em torno de R$ 95,00, inicialmente comercializado apenas pelo autor. Saiba mais no link do catarse.

Arthur Verocai- LP em streaming (1972):

Tropicália ou Panis Et Circences em streaming (1978):

Paêabirú- Lula Cortez e Zé Ramalho (1975) em streaming:

Festa com bandas americanas embala o centro de São Paulo

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Por Fabian Chacur

Os fãs do atual indie rock americano tem um belo programa para este domingo (17) a partir das 15h em São Paulo. Na Praça Dom José Gaspar e nos bares Mandibula e Paribar, situados no centro histórico da capital paulistana, teremos festas descoladas e as apresentações ao vivo das bandas indies americanas Surfer Blood(foto), Wild Nothing e Ryley Walker. A programação é gratuita e aberta ao público, e é patrocinada pela Beam Suntory, fabricante do bourbon Jim Beam, no mercado há 220 anos.

O Jim Beam Festival terá no seu palco principal duas bandas quentes do cenário indie ianque atual. A Surfer Blood surgiu em 2009, e atualmente conta com John Paul Pitts (vocal e guitarra), Mike McCleary (guitarra e vocais), Lindsey Mills (baixo e vocais) e Tyler Schwarz (bateria). Eles tem três CDs no currículo, sendo o mais recente 1000 Palms (2015), e fazem um rock com influências de surf music, rock e anos 1960.

Por sua vez, a Wild Nothing é liderada por Jack Tatum nos vocais e guitarra, tendo a seu lado Nathan Goodman (guitarra), Jeff Haley (baixo), Matt Kallman (teclados) e Jeremiah Johnson (bateria). Sua sonoridade detona influências do indie rock dos anos 1980, com hits bacanas como Paradise e uma postura pop sem cair no banal. Life Of Pause (2016) é seu CD mais recente.

No palco do espaço Mandíbula da festa, o cantor, compositor e músico Ryley Walker dará as cartas. Nascido em Illinois em 21 de julho de 1989, ele é outro com três álbuns no currículo, com direito ao elogiado Land Of Plenty (2015).Seu estilo guarda aproximação com o bittersweet rock dos anos 1970, e traz músicas bacanas como Primrose Green.

Além dos shows, o evento contará com versões compactas de festas badaladas da cidade. Nem é preciso dizer que teremos também vários drinks que utilizam o Jim Beam como base. A ideia é aproveitar o espaço central da cidade de uma forma descolada e divertida, com direito a uma trilha sonora repleta de boas músicas.

I Can’t Explain- Surfer Blood:

Primrose Green- Ryley Walker:

Paradise- Wild Nothing:

Gilmelândia concorre com um samba-enredo na Peruche-SP

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Por Fabian Chacur

Pode uma estrela da axé music concorrer na disputa pelo samba-enredo de uma escola de samba paulistana? Claro! Ainda mais no Brasil, um país onde as misturas bacanas geram novos e belos frutos com muita frequência. E é isso o que está fazendo Gilmelândia, a Gil, ex-vocalista da Banda Beijo entre 1998 e 2001 e depois conhecida em carreira-solo, na banda Vixe Mainha e também como apresentadora de TV.

A cantora oriunda de Salvador defende, ao lado dos compositores Rodrigo de Oliveira (o Schumacker, que foi campeão com o samba de 2015 Karabá e a Lenda do Menino de Coração de Ouro), Mauricio Pito, Felipe Mendonça e Marcelo “Casa Nossa” Faria, o samba de número 7 na disputa para tentar ser eleito o samba-enredo do Carnaval 2017 da escola Unidos do Peruche, oriunda da Zona Norte Paulistana e uma das mais tradicionais da cidade.

A primeira apresentação ao vivo da concorrente foi no último dia 10, no qual Gil esteve ao lado dos intérpretes Darlan Alves, da X-9 Paulistana, e Fredy Viana, da Mancha Verde. A combinação deu um belo fruto: o samba passou para a segunda etapa do concurso. No próximo domingo (17), a cantora soteropolitana volta à quadra social da Peruche. A música conta até com clipe promocional, e está sendo bem recebida pela comunidade ligada à escola de samba.

Fica fácil entender a ligação de Gil com a escola. O enredo para 2017 da agremiação carnavalesca é “A Peruche no Maior Axé Exalta Salvador, Cidade da Bahia, Caldeirão de Raças, Cultura, Fé e Alegria”. Vale lembrar que o número de baianos e descendentes que moram na cidade de São Paulo é dos mais significativos. A cantora não esconde a felicidade por defender o samba e de quebra divulgar a sua cidade natal:

“Me sinto em casa na Peruche, todos me receberam muito bem, e é ótimo poder divulgar Salvador. Entrei nessa para ganhar”, afirma. O clipe promocional foi dirigido e editado por Piero Sbragia, com takes gravados no Pelourinho, ao lado de percussionistas do Olodum (que apoia o projeto) e nas praias. Os cantores de São Paulo foram flagrados no Beco do Batman, na Vila Madalena. Gilmelândia vem acompanhando de perto o carnaval paulistano desde 2014.

Veja o clipe promocional do samba:

João Bosco celebra 70 anos e o presente é de todos os fãs

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Por Fabian Chacur

Hoje é o Dia Internacional do Rock, e é também o Dia Internacional do João Bosco. O incrível cantor, compositor e violonista mineiro completa 70 anos nesta quarta-feira (13). E que ninguém venha dizer que são opostas essas celebrações simultâneas. Afinal de contas, quem conhece o autor de O Mestre Salas dos Mares sabe que o cara curte o velho e bom rock and roll, especialmente um certo Little Richard, que ele até imitava nos tempos de moleque. Parabéns, fera!

Nascido na cidade mineira de Ponte Nova em 13 de julho de 1946, João chegou a cursar engenharia civil, mas não demoraria para ficar claro que sua atuação seria em outra área, a de engenharia musical. Em 1967, conheceu Vinicius de Moraes, e compôs várias canções com o saudoso Poetinha. Mas foi em 1970 que ele travou seu primeiro contato com o parceiro de uma vida, o genial poeta e letrista carioca Aldyr Blanc. Nascia uma dupla iluminada.

Meu primeiro contato com a obra desse mestre da MPB foi logo com a primeira gravação feita por ele e comercializada. O jornal O Pasquim, em parceria com o músico Sérgio Ricardo, criou o projeto Disco de Bolso, que consistia em uma revista com belo conteúdo e um compacto simples, incluindo de um lado um artista já consagrado cantando uma música inédita em seu repertório e do outro um nome emergente do nosso cenário musical brasileiro.

O primeiro exemplar, lançado em 1972, tinha no lado A Tom Jobim cantando a primeira versão de Águas de Março, bem mais rapidinha do que a que depois ficaria conhecida com o Maestro Soberano e com Elis Regina. No lado B, um certo João Bosco, cantando Agnus Sei. Eu tinha só 10 anos, mas meu irmão Victor, de 17, era fã do Pasquim, e comprou esse número inicial do O Som do Pasquim. E esse disco me marcaria profundamente para o resto da vida.

Adorei a música do Tom, mas a que me cativou mesmo foi a do João. Só voz e violão. Só? Devo estar doido. Com uma performance iluminada, tocando um arranjo fortemente influenciado pela música flamenca, João nos oferecia uma melodia meio medieval, tensa, com letra que podia ser associada tanto aos tristes tempos da inquisição como daquela ditadura militar que nos assolava. “O meu senhor não sabe que eu sei da arma oculta na sua mão” e “o tempo vence toda ilusão” são alguns dos versos de Aldyr. Um clássico, e minha versão favorita dessa música, que depois seria regravada pelo autor e por outros artistas.

O segundo contato veio em 1975, e foi fulminante. O álbum Caça à Raposa (1975) emplacou diversos sucessos na programação das rádios, que na época tocavam música boa em proporção bem maior do que hoje. Entre eles, as sublimes O Mestre Salas dos Mares e De Frente Pro Crime. Não comprei, na época, o LP, pois era uma criança sem muito dinheiro, mas sim um compacto duplo com quatro músicas. Pronto. João Bosco ganhou um fã pro resto da vida.

Dali pra frente, foi só alegria. As trilhas de novela ajudaram a expandir os horizontes para a música do artista mineiro. Bijuterias, que rendeu até nome de grupo (Pedra Letícia, que era como alguns entendiam os versos “Minha Pedra é Ametista”), Latin Lover e sua crônica agridoce de uma relação amorosa de anos, Linha de Passe e seu pique sacudido… Ah, a coisa vai longe, e vai muito, mas muito bem mesmo.

Como definir a música feita por João Bosco? Eis uma humilde tentativa: ele parte do samba como base, e acrescenta a ele, sem medo de ser feliz, bossa nova, bolero, latinidades diversas, africanidades mil, jazz e até o nosso amado rock and roll, aqui e ali. Com o tempo, desenvolveu sua voz de forma cirúrgica, interpretando como poucos as letras ora sarcásticas, ora românticas, ora agressivas do poeta Aldyr Blanc.

Em 1983, vi pela primeira vez o meu ídolo ao vivo, em show realizado no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, 1.000, quase em frente de onde meu pai, Fuad, teve sua loja de calçados denominada Paraíso. E paraíso foi o que eu senti vendo aquele cara, voz e violão, literalmente esmerilhando o instrumento com classe, garra e uma habilidade digna de jato. Ah, meu Deus, eu, que já era fã, virei seguidor de vez.

Se eu parecia já devidamente convertido à fé João Bosquiana, não imaginava como seria conhece-lo pessoalmente. Melhor: entrevista-lo. E isso ocorreu pela primeira vez em 1989, quando ele lançava o excelente álbum Bosco e eu trabalhava no jornal Diário Popular. Dizem que nem sempre é bom conhecer um ídolo, pois às vezes eles podem nos decepcionar, mas no meu caso, só posso dizer que minha admiração pelo autor de O Bêbado e a Equilibrista só aumentou.

A partir daquela data, teria várias oportunidades de entrevistar João Bosco, e todas, sem exceção, foram extremamente prazerosas. Um cara tranquilo, bem-resolvido, articulado, capaz de falar sobre seu trabalho e suas concepções artísticas e de vida com a mesma categoria com que o faz. Um mestre zen! Que posso eu desejar para quem me trouxe tanta energia positiva com a sua música? Só muita saúde e paz para continuar seguindo em frente por muitos e muitos anos. Pois ele é o aniversariante, mas quem ganhou o presente fomos nós!

Confira, a seguir, uma seleção de sete músicas do extenso repertório do genial João Bosco. Escolhi algumas músicas não tão conhecidas e outras famosas, mas todas maravilhosas. Prestem atenção no humor corrosivo de A Nível de…, uma das minhas favoritas!

Água Mãe Água– João Bosco:

Agnus Sei (versão original, 1972)- João Bosco:

A Nível de..– João Bosco:

De Frente Pro Crime– João Bosco:

Bijuterias– João Bosco:

Latin Lover– João Bosco:

Quilombo- Tiro de misericórdia- Escadas da Penha (ao vivo)- João Bosco:

Far From Alaska é atração de show do Dia do Rock no Rio

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Por Fabian Chacur

13 de julho foi nomeado o Dia do Rock por causa da realização naquela data, em 1985, do Live Aid, um dos maiores shows beneficentes da história. Como forma de celebrar essa efeméride, será realizado nesta quarta (13) às 19h no Rio um show com as bandas Far From Alaska, Stereophant e Hover. O local é o Imperator- Centro Cultural João Nogueira (rua Dias da Cruz, nº 170- Meier- RJ- fone 0xx21-2597-3897), com ingressos a R$ 30,00 (meia) e R$ 60,00 (inteira).

Formada em 2012 por Emmily Barreto (vocal), Rafael Brasil (guitarra), Cris Botanelli (teclados), Edu Figueira (baixo) e Lauro Kirsch (bateria) na cidade de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, a Far From Alaska rapidamente se tornou conhecida nacionalmente, graças a um rock multifacetado, pesado e difícil de ser rotulado. Eles participaram dos festivais Planeta Terra (2012) e Lollapalooza (2015), e ganharam em 2016 o prêmio de artista revelação no Midem, principal feira da indústria musical, realizada em Cannes, na França.

Seu álbum de estreia, ModeHuman, saiu em 2014 pela gravadora DeckDisc, e lhes rendeu muitos elogios e repercussão das melhores entre o público roqueiro. Faixas como Dino Vs Dino, Thievery e About Knifes são boas provas de seu som potente e personalizado. Destaca-se o carisma da vocalista Emmily Barreto.

Natural da cidade de Mendes (RJ) e atualmente radicado na Cidade Maravilhosa, o grupo Stereophant teve sua música O Tempo entre as mais tocadas na rádio Cidade. Toda Glória da Derrota é outra faixa bem conhecida. Por sua vez, a banda Hover é de Petrópolis (RJ), e lançou seu álbum de estreia, Never Trust The Weather, lançado em maio.

O evento também terá a exibição do documentário em curta-metragem Dois Leões e Outros Bichos, de Luciano Cian, que mostra a trajetória dos irmãos bateristas Lucas e Zózimo Leão, que tocam nas ruas. Completam as atrações a DJ Priscila Dau e o VJ Miguel Bandeira, sendo que também teremos uma feira rock com produtos relacionados ao gênero musical sendo vendidos a preços convidativos.

Dino Vs Dino– Far From Alaska:

Thievery– Far From Alaska:

Toda Glória da Derrota– Stereophant:

Never Trust The Weather (CD em streaming)- Hover:

Monique Kessous mostra seu novo álbum com show em SP

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Por Fabian Chacur

Foram seis longos anos de espera para um novo álbum de Monique Kessous. Mas valeu a pena. Dentro de Mim Cabe o Mundo mostra as novidades quentes da cantora, compositora e musicista carioca, que já teve cinco músicas incluídas em trilhas de novelas globais. Ela mostra o novo filhotinho fonográfico e também músicas da carreira em show em São Paulo nesta terça-feira (12) no Teatro Porto Seguro (alameda Barão de Piracicaba, nº 740- Campos Elíseos-SP- fone 0xx11-3226-7310), com ingressos custando de R$ 30,00 a R$ 80,00.

Dentro de Mim Cabe o Mundo é o terceiro CD da carreira de Monique. Anteriormente, ela nos proporcionou os elogiados Com Essa Cor (2008) e Monique Kessous (2010). Cinco de suas canções entraram nas trilhas de atrações globais. Foram elas Com Essa Cor (Ciranda de Pedra, 2009), Pitangueira (2010, Paraíso), Coração (Cordel Encantado, 2011), Calma Aí (Sangue Bom, 2013) e Volte Pra Mim (2014, Geração Brasil).

Em seu novo álbum, a jovem cantora esbanja delicadeza, sensibilidade e uma diversidade sonora dentro desta suavidade. Além de canções de sua autoria, várias em parceria com o irmão Denny, como Aonde Eu For e A Lei é Deixar Fluir, temos também obras de Paulinho Moska (Por Causa do Seu Pensamento), do uruguaios Kevin Johansen (O Círculo, com versão de Moska) e a parceria da cantora com Chico Cesar, Meu Papo é Reto, que no CD tem participação especial de Ney Matogrosso.

No show, Monique cantará e tocará violão, synths, guitarra e programação, e terá a seu lado uma banda composta por Denny Kessous (guitarra, teclados e vocais), João Arruda (guitarra e vocais), Bicudo (bateria e vocais) e Vini Lobo (baixo, synths e voais). Além das canções do novo CD, o repertório também trará sucessos dos anteriores.

Meu Papo é Reto (clipe)- Monique Kessous e Ney Matogrosso:

Ouça o CD Dentro de Mim Cabe o Mundo em streaming:

Frio– Monique Kessous:

Paulo Miklos deixa Titãs para seguir o seu próprio caminho

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Por Fabian Chacur

Os Titãs anunciaram na manhã desta segunda-feira (11) mais uma alteração em sua formação. Desta vez, quem sai do time é o cantor, compositor e músico Paulo Miklos, por razões pessoais e com o intuito de se dedicar em tempo integral a seus próprios projetos. O trio de fundadores ainda restantes (Sérgio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello) seguirão adiante com a banda, e terão como músicos convidados o guitarrista Beto Lee (filho de Rita Lee e Roberto de Carvalho) e o baterista Mário Fabre.

Não chega a ser uma surpresa a decisão de Paulo Miklos. Sua agenda tem ganho cada vez mais tarefas desde que começou a se dedicar com sucesso ao cinema, como ator, em filmes como O Invasor (2001), Boleiros 2 (2006), É Proibido Fumar (2009) e Dá Licença de Contar (2015). De quebra, estreou no teatro em 2015 como protagonista do espetáculo Chet Baker: Apenas Um Sopro, além de atuar em programas de TV e rádio e também em publicidade. O cara é fera!

Como artista solo, paralelamente à atuação nos Titãs, ele lançou os CDs Paulo Miklos (1994) e Vou Ser Feliz e Já Volto (2001), além de fazer shows temáticos, como um dedicado ao repertório de Noel Rosa. Nos Titãs, tocava sax, baixo e guitarra, além de ser vocalista de voz poderosa, destacada em sucessos como Diversão, Bichos Escrotos e É Preciso Saber Viver. Vai ser duro para seus colegas seguirem em frente sem ele.

Desde o início de sua carreira, há 34 anos, os Titãs já sobreviveram a várias alterações. O primeiro a sair, antes mesmo do lançamento de seu álbum de estreia, foi Ciro Pessoa. Em 1985, André Jung (bateria) iria para o Ira! e seria substituído pelo ex-baterista daquela mesma banda, Charles Gavin. A estabilidade no time se manteria até 1992, quando Arnaldo Antunes bateria suas asas, rumo a uma carreira solo.

Em 2001, uma tragédia se incumbiu de gerar nova mudança na formação da banda, com a morte de Marcelo Fromer. No ano seguinte, o baixista Nando Reis resolveu seguir os passos de Arnaldo Antunes rumo a uma carreira individual de muito sucesso. Charles Gavin deixou os amigos em 2010 para se dedicar a outros projetos, e agora, é a vez de Paulo Miklos. Boa sorte para Britto, Mello e Bellotto, e que eles sejam bem-sucedidos em manter bem cotado o nome dessa ótima banda.

Diversão– Titãs:

Bichos Escrotos– Titãs:

Vou Tirar Você Desse Lugar– Titãs:

Nem gripe consegue impedir o lindo show de Luiz Melodia

VIRADA CULTURAL 2014

Por Fabian Chacur

Artista é um ser humano igual a mim e a você. Fica alegre, triste, tem problemas de saúde, precisa encarar perdas… Só que a profissão exige deles um algo mais, devido ao frequente contato com o público, sempre esperando o melhor deles. Como bem demonstrou Luiz Melodia na fria noite deste sábado (9) no Teatro Municipal Elza Muneratto, na cidade de Jaú (SP). Com gripe e tudo, fez uma belíssima apresentação, como parte do 25º Festival de Inverno de Jahu. Quem viu, não se esquecerá.

Acompanhado pelo fiel escudeiro Renato Piau, que toca com ele há mais de 30 anos e é seu parceiro em diversas composições, Melodia entrou em cena às 20h42. O show, acústico, tinha Piau ao violão (de cordas de aço e eventualmente de nylon) e o vozeirão desse grande cantor, compositor e músico carioca de 65 anos. Logo no início, comentou sobre o fato de estar na cidade de seu grande amigo, o ex-jogador de futebol Afonsinho, ex-Botafogo e outros grandes clubes nos anos 1970.

Mostrando clássicos de seu repertório e também relendo pérolas de outros grandes autores da MPB, o astro esbanjou maturidade, jogo de cintura e presença cênica. Logo abriu aos expectadores seus problemas de saúde, que o deixaram de molho por uns dias. Como forma de se resguardar um pouco, saiu de cena por alguns minutos por volta dos 40 minutos de show, hora em que Renato Piau cantou, voz e violão, suas ótimas canções Blues do Piauí e Catira, Catira.

Com muito bom humor, Melodia conseguiu arrancar reações entusiásticas por parte das 600 pessoas que lotaram o espaço municipal da cidade situada no interior do estado de São Paulo. Ele guardou para a parte final do show uma trinca matadora de hits, integrada por Estácio Holly Estácio, Pérola Negra e Juventude Transviada. O final, às 21h57, arrancou aplausos entusiásticos por parte de todos. E ficou a dúvida no ar: será que rolaria um bis?

Afinal de contas, Luiz não estava a plenos pulmões. Mas o profissionalismo e o respeito ao público prevaleceu. E o duo Melô-Piau nos ofereceu versões intensas de Cara a Cara (parceria deles) e Negro Gato, versão de Getúlio Cortes e celebrizada nos tempos da Jovem Guarda que o artista oriundo do bairro do Estácio, no Rio, incorporou com categoria ao seu repertório. O final, às 22h08, foi impecável. Luiz Melodia é um ser humano como eu e você, só que tem um talento artístico que é dom de Deus, mesmo. E muito amor à profissão.

Estácio Holly Estácio– Luiz Melodia:

Negro Gato (ao vivo)- Luiz Melodia:

Juventude Transviada– Luiz Melodia:

Um tributo para meu grande e saudoso amigo e anjo Ozzy

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Por Fabian Chacur

Em uma sexta-feira do mês de março de 2010, cheguei em minha casa após um dia duro de trabalho, abri a porta e me deparei com uma cena inesperada. Minha esposa, Virgínia, estava com um cãozinho novo no colo, cercada pelos nossos dois outros pets, Jack e Kelly, provavelmente tão surpresos como eu. “Mais um cachorro?”, foi a minha expressão, naquele momento. Afinal, cuidar de dois era prazeroso, mas difícil. Imagine de três…

A ideia era ficar com ele só no final de semana, e depois tentar encontrar alguém para adotá-lo. A minha ideia, pelo menos. Só que, naquelas 48 horas, aquela bolinha de pelos pretos, com adoráveis patinhas brancas, tomou conta do meu coração. “Quer saber? Vamos adotá-lo, seja o que Deus quiser”. Surgia um novo integrante na família Almeida Prado Chacur. Que em pouco tempo conquistou seu espaço no coração de seus donos, quer dizer, pais.

Virgínia se recusava a chama-lo de cachorro. “Ele não é um cachorro, é uma pessoinha”, disse, pela primeira vez, poucos dias após o novo morador daquela casa na Vila Gomes, em São Paulo, ter literalmente tomado conta do pedaço. Dormia na nossa cama, esbanjava carinho, era amoroso de uma forma simplesmente deliciosa. Capaz de perceber quando seus papais adotivos estavam tristes e precisando de um afago mais caprichado, uma lambida, um carinho.

Foram seis anos e alguns meses, repletos de boas lembranças. Da comida de envelopinho que ele comia com gosto, mas que eu precisava dar fazendo toda uma encenação para que, enfim, ele se dignasse a mastigar. Com as salsichas do jantar era muito mais fácil, obviamente… Ozzy, o nome, foi sugerido por alguém do trabalho da Virgínia, por associação aos nomes Jack e Kelly, e também pelo fato de ela ser fã incondicional do vocalista do Black Sabbath.

Pois a única certeza existente na vida é o seu fim. E o encerramento dessa parceria maravilhosa entre eu, Virgínia e Ozzy se encerrou nesse desde já lamentável 6 de julho de 2016. E de forma trágica. Nós, que tanto cuidávamos e tanto ficávamos atentos a ele, não conseguimos impedir que ele fosse atropelado por um carro, na noite desta quarta (6). E um ser que só nos trouxe alegria enfim nos fez chorar. Choro que está prosseguindo nessas últimas horas, e que não irá parar tão cedo.

Sou calejado nessa história de perdas, pois minha mãe, meu pai e meu irmão me deixaram em um espaço de menos de três anos, entre 1996 e 1999, sendo que entre meu pai e meu irmão, foram só três meses. A lista vai longe, algo natural para quem tem 54 anos de idade, como eu. Mas essa perda agora dói demais, especialmente pelo fato de não ter sido por causas naturais. A gente fica se culpando o tempo todo, sendo que, como diriam os árabes em sua bela filosofia, “maktub” (estava escrito).

Essa dor imensa que nesse momento me toma nunca irá passar, como não passou a da perda dos meus entes queridos e mesmo do meu amado cão Yuri (1991-2004), outro anjo de patas que passou pela minha vida. A gente apenas aprende a lidar com ela. Só isso. Pois a vida segue em frente, quer a gente queira, quer não. Ozzy, obrigado por tudo, meu parceirinho, meu lobinho, meu amor. Que Deus tenha reservado projetos lindos para você. E obrigado por ter existido. Você foi um sonho lindo, do qual acordei nesse triste 6 de julho….

obs.: escrevi vários textos como esse aqui com ele no meu colo. O do A Cor do Som publicado neste blog foi o último deles…

Tears In Heaven– Eric Clapton:


In My Life– Ozzy Osbourne:

Canção da América– Milton Nascimento:

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