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Category: avançando rumo ao passado (page 2 of 2)

Steve Winwood: a resenha do seu show no Brasil em 1998

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Por Fabian Chacur

Se há algo desagradável para um jornalista da área musical que trabalha como frila é o fato de que, no Brasil, as publicações dessa área nem sempre duram o que seria recomendável. Quando duram alguma coisa… Por isso, boa parte do meu acervo como crítico e repórter é de difícil ou quase impossível acesso, atualmente. Sorte que eu sempre tive a mania de colecionar as minhas matérias publicadas, guardando um exemplar comigo. Sorte mesmo…

Tudo bem que eu sou um bagunceiro de primeiríssima linha, e precisaria dar uma bela e rigorosa organizada nesse meu acervo. Mas, aos poucos, tentarei fazer isso. A criação dessa série, iniciada em dezembro de 2016 (leia a primeira matéria aqui), é uma ação nesse rumo, para tentar resgatar alguns momentos importantes.

Esta resenha, por exemplo, é muito significativa por registrar com detalhes o show que o genial Steve Winwood fez em São Paulo, mais precisamente no dia 26 de maio de 1998 no Palace. Tente buscar alguma informação sobre essa apresentação na internet, e você provavelmente não encontrará nada. Então, resolvi resgatar a que fiz para a edição de número 17 da extinta revista Shopping Music, publicada em julho de 1998. Divirtam-se, com direito a setlist!

“Steve Winwood- Palace (SP)- 26/5/1998

Steve Winwood surgiu no universo da música pop ainda adolescente, aos 16 anos, como principal força criativa dentro do Spencer Davis Group. Desde então, o cantor, compositor e multi-instrumentista desenvolve uma carreira repleta de êxitos, quer como integrante de grupos como Blind Faith e Traffic, quer como artista-solo. Ao completar 50 anos de idade, ele finalmente se apresentou no Brasil, e mostrou que se encontra em excelente forma.

Acompanhado por uma banda extremamente coesa e talentosa, composta por nove músicos, Winwood preparou um roteiro que deu uma geral em todas as fases da carreira, abrindo e fechando respectivamente com I’m a Man e Gimme Some Lovin’, hits de sua primeira banda, o Spencer Davis Group. Durante as duas horas de apresentação, ficou clara a versatilidade do astro inglês, que tocou guitarra, teclados diversos e mandolin com a desenvoltura que só os gênios possuem. Isso, sem contar a voz forte, melódica, potente e com uma inspiração que vem de intérpretes negros como Ray Charles, um de seus ídolos.

Graças ao repertório, o clima da performance de Steve Winwood teve como marca a diversificação. O set list incluiu pop dançante em Higher Love, While You See a Chance e Familly Affair, rhythm and blues à antiga em Roll With It, rock progressivo jazzificado em Low Spark Of High-Heeled Boys (com grandes solos de todos os músicos), balada rock em Can’t Find My Way Home, latinidade em Gotta Get Back To My Baby e folk-ballad em Back In The High Life Again, só para citar alguns exemplos. O excelente Junction Seven, seu mais recente CD, foi representado por quatro músicas. Com um desempenho tão bom, o público só podia mesmo ter ficado em puro êxtase.”

Set list do show:

I’m a Man

Roll With It

Freedom Overspill

While You See a Chance

Let Your Love Come Down

Forty-Thounsand Headmen

Gotta Get Back To My Baby

Can’t Find My Way Home

Low Spark Of High-Heeled Boys

Presence Of The Lord

The Finer Things

Family Affair

Just Wanna Have Some Fun

Higher Love

BIS:

Back In The High Life Again

Gimme Some Lovin’

Veja Angel Of Mercy (live-1998)- Steve Winwood:

Avançando rumo ao passado: show da Legião Urbana- 1994

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Por Fabian Chacur

Tive as minhas primeiras matérias publicadas no já jurássico 1985. Desde então, milhares de textos com a minha assinatura marcaram presença em publicações as mais diversas- jornais, revistas, fanzines e internet (sites, blogs etc). Como boa parte desse material acaba se perdendo quando as publicações fecham, fica difícil encontrar uma boa parte desses trabalhos. Alguns, convenhamos, é até melhor mesmo que não sejam encontrados…

Mas é lógico que valeria a pena resgatar uma parte deles, até por uma razão de registro de momentos importantes da música no Brasil e no mundo sob a ótica de alguém que acompanha esse cenário com interesse desde criança, e profissionalmente desde a fase de “jovem adulto”. Então, a partir de agora, Mondo Pop trará a vocês, sem periodicidade regular, o resgate de alguns desses textos afogados na poeira do passado. E já começaremos com polêmica.

Sou um raro caso de jornalista da minha geração que nunca morreu de amores por Renato Russo e a sua Legião Urbana. Hoje, essa ojeriza pela banda de Brasília até se aplacou um pouco, mas na época eu realmente detestava a banda. E isso obviamente se refletiu nos textos que escrevi sobre eles, especialmente os de teor opinativo, tipo resenhas de shows ou de discos. Esta aqui eu fiz para o extinto Diário Popular no dia 17 de junho de 1994.

O show ocorreu no Ginásio do Ibirapuera em 16 de junho daquele ano. Como forma de dar a vocês, neste caso específico, a chance de ler uma visão diferente da minha, ofereço o link postado no site oficial da banda com texto referente ao evento, aqui.

O meu você poderá ler abaixo, transcrito sem alterações ao que saiu naqueles anos já distantes:

“A pregação do Pastor Russo levou 6.500 pessoas ao Ginásio do Ibirapuera na noite de quinta feira (16/6/1994). O pastor, também conhecido pelo nome de Renato Russo e por ser vocalista da banda Legião Urbana, abusou do direito de pregar suas ideias confusas. “Não aguento ligar a televisão e ouvir ‘morreram 14 em Manaus!’, o país está numa situação horrível”, ou então “Acho que vai dar tudo certo, nós crescemos, deixem esses babacas para lá”. Um horror! Ah, também teve uma tentativa de show de rock, com resultados não muito favoráveis.

A Legião Urbana é Renato Russo, como todos sabem. Seus colegas de banda facilitam a tarefa. O guitarrista Dado Villa-Lobos esbanja indigência no instrumento, enquanto o baterista Marcelo Bonfá equivale a um burocrata da percussão, tal a sua falta de swing. Sobram o baixista Jean e o tecladista-violonista Fred Nascimento, que tentam segurar a onda, sem grandes resultados. Ou seja, eles não fazem nada para tirar do pastor o cetro de dono da festa.

Usando bata branca e calça preta, Renato Russo começou o show com sua turma às 21h35. Após algumas músicas de O Descobrimento do Brasil, como Perfeição e A Ponte, e também Que País é Esse e Eduardo e Mônica, o cantor soltou as suas primeiras abobrinhas da noite. “Estou puto, esse idiota da luz fez tudo errado. Não tem nada a ver com vocês, que são maravilhosos. Passei mal em Friburgo, fiquei todo empelotado!”, discursou, para delírio dos fieis, digo, fãs. “Não foi por causa de drogas, não porque não uso mais, nem bebo, mas tudo isso passou”. E mandou ver Os Barcos, do novo disco.

Ao reviver sucessos antigos como O Petróleo do Futuro, O Teatro dos Vampiros, Quase Sem Querer e Há Tempos, sem falação no meio, o cantor e sua turma até que não encheram muito a paciência. Mas no inevitável bis, eis que o pastor número um do rock tupiniquim voltou a pregar. “A gente quer ter esperanças no futuro, mas o Brasil passa pela pior crise de sua história, está horrível, ainda bem que vocês estão aqui”, comentou. Em seguida, a banda surpreendeu quem acredita nas entrevistas contraditórias que Russo dá e tocou Pais e Filhos, que ele prometera nunca mais cantar em shows.

Ao final dessa música, certamente a mais aplaudida pelo público, que não arrumou encrencas nem gerou nenhuma ocorrência médica ou policial que merecessem destaque, nosso pastor roqueiro se contradisse de novo. “Olha, acho que vai dar tudo certo, nós crescemos, deixem esses babacas para lá”, e puxou Será, um de seus maiores sucessos. No final, a banda distribuiu margaridas, que por sinal aparecem na capa de O Descobrimento do Brasil, ao público. Não por coincidência, com Ave Maria, de Gounot, tocando ao fundo. Eram 23h20.”

Será (ao vivo)- Legião Urbana:

Zeca Jagger morto? Só se for para vocês…

Por Fabian Chacur

A vida prega suas peças eternamente. Diariamente. A cada minuto, segundo, culionésimo de segundo. Dá para encarar Ezequiel Neves, um dos meus ídolos na imprensa musical, morrer exatamente vinte anos após a partida de Cazuza, que ele ajudou a lançar? É muito pra cabeça!

Zeca tinha 74 anos e nos deixa privados de seu imenso talento em um triste 7 de julho de 2010. Se hoje eu me meto a escrever sobre música, é por ter lido durante anos e anos suas excelentes colunas para o Jornal da Tarde aqui de Sampa City. Suas críticas eram sempre deliciosas, e eu as devorava avidamente.

Nem sempre concordava com suas opiniões, embora risse frequentemente com algumas delas. Barry White, por exemplo, de cuja obra eu gosto bastante, ele definia como o “paquidérmico maestro americano”.

Rock progressivo certa vez ele definiu como “head music para cabeça de espantalho”. E por aí vai. Mas quando esse jornalista carioca era fã do artista enfocado, jogava a tal isenção para o alto e mandava ver nos elogios, sempre bem articulados e pertinentes. Escrevia com paixão, ótimo texto e conhecimento de causa.

Ao saber que David Bowie havia estreado no cinema com o filme The Man Who Fell The Earth (1976), ele soltou a pérola:  “não vi, mas já gostei”. Novidades dos Rollings Stones, então, ele sempre adorava.

Quando saiu o disco Black And Blue (1976), se não me engano, ele soltou o clássico “eles me fizeram gostar de uma coisa que odeio, que é o reggae”.

E ele foi um dos raros na imprensa musical que via grande talento em artistas dos quais adoro, como Daryl Hall & John Oates e o grupo Culture Club, do cantor Boy George, que frequentemente eram desprezados por outros críticos preconceituosos em relação ao pop.

Mais: ele descobriu o Barão Vermelho e Cazuza. Li logo que saiu aquela célebre coluna que ele escreveu na revista Som Três falando sobre a então ainda desconhecida banda, com uma paixão que deixou a todos os seus leitores com os ouvidos coçando. E ele estava certo.

Foi o Barão e Cazuza que fizeram Zeca Jagger largar mão do jornalismo musical para virar produtor e eventual compositor. Felizmente o cara se deu bem. Das composições que levam o seu nome, Exagerado, escrita com Cazuza e Leoni, é o marco fundamental. Um clássico que seus amados Mick Jagger e Keith Richards teriam orgulho de assinar.

Querem mais uma? A maravilhosa Codinome Beija-Flor. Zeca continuou trabalhando com os dois após a separação Cazuza/Barão Vermelho.

Quando Cazuza lançou Só Se For a Dois, a Polygram realizou, em abril de 1987, uma coletiva de imprensa com Cazuza. No mesmo dia, tive a honra de conhecer o cantor e também Ezequiel Neves. Duas figuras fantásticas, com as quais tirei foto e tudo.

Na época, tinha com meu amigo Valdimir D’Angelo uma revista independente, a Som & Imagem, e planejávamos entrevistar o crítico e produtor. Infelizmente para mim, não rolou. Mas do papo com Zeca Rotten, nunca mais esquecerei. Vá com Deus, mestre, e mande um abração pro Caju!

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