Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

Category: Uncategorized (page 2 of 96)

Duo campineiro S.E.T.I. lança um ótimo EP de synth pop

seti capa extase-400x

Por Fabian Chacur

Se as grandes gravadoras de origem internacional andam limitando e muito seus lançamentos em termos de novos artistas de pop-rock brasileiros, isso não significa que esses artistas não existam e não tenham talento. Melhor: não significa que eles não saiam por aí, batalhando e mostrando seus trabalhos. O duo S.E.T.I. é um bom exemplo dessa nova safra brazuca.

Oriundos de Campinas (SP), eles (cuja sigla significa Search For Extraterrestrial Intelligence- busca por inteligência extraterrestre) são Roberta Artiolli (vocal e synths) e Bruno Romani (baixo, guitarra, synths e programações). Na estrada desde 2012, lançaram anteriormente o EP Inviolável Fim, divulgado por uma turnê com 35 datas, incluindo participações nos festivais Grito Rock e Ponta Urbana e divisão de palco com Guilherme Arantes e Ultraje a Rigor.

A dupla acaba de lançar seu segundo EP, Êxtase, que está disponível nos formatos físico e digital pelo selo Motim Records (ouça em streaming e/ou compre sua cópia aqui ). Gravado, mixado e masterizado no estúdio Minster (Campinas) durante aproximadamente dois meses, o trabalho traz seis faixas, com produção dividida por eles com Ric Palma.

O som do S.E.T.I. é definido por eles próprios como synth pop, e se trata de um rótulo abrangente e compatível com o que eles fazem. As melodias são agradáveis e acessíveis, enquanto o clima instrumental é viajante e de ambiência espacial, ora mais balançada e roqueira, ora quase progressiva, mas sempre com um apelo pop evidente.

A voz suave e insinuante de Roberta conduz o processo, capitaneando um som com pegada roqueira em alguns momentos e influências bacanas de Yazoo, Depeche Mode, A-ha, Portishead e Massive Attack, só para citar alguns nomes internacionais, e também de alguns brasileiros, entre os quais Rita Lee fase anos 80 e o grupo Metrô.

Arte da Guerra e Gravidade Zero tem uma quase sutil pegada rock. Benjamim é uma bela homenagem ao saudoso guitarrista Benjamin Curtis, da banda americana School Of Seven Bells e morto de forma precoce em 2013 aos 35 anos vítima de câncer. Dias Mudos possui tempero oriental. Extra Estelar tem cara de hit pop estiloso, enquanto Sinta-se/Perca-se é o momento mais balada romântica do trabalho.

Se ainda investissem em pop brasileiro de qualidade, as majors sediadas no Brasil deveriam estar disputando a tapa a S.E.T.I., pois seu apelo sonoro e visual é dos melhores. Como isso não ocorre atualmente, sorte de quem pode adquirir esse delicioso e divertido Êxtase, sem nenhuma injunção de ninguém além dos próprios envolvidos. Que bom!

Eu e Você (ao vivo na Fnac de Ribeirão Preto 21.11.14):

Luiza Meiodavila interpreta o repertório do 1º CD em SP

Luiza_Meiodavila_1-400x

Por Fabian Chacur

Luiza Meiodavila está lançando Florescer, seu primeiro álbum, que estará disponível nos formatos digital, CD e futuramente em LP de vinil. A jovem cantora e compositora paulistana mostra o repertório desse trabalho nesta quinta-feira (20) às 21h30 no bar Ao Vivo Music (rua Inhambu, 229- Moema- fone 0xx11-5052-0072), com couvert artístico a R$ 30,00. Mais informações em www.aovivomusic.com.br e www.luizameiodavila.com.br .

Embora ainda bem jovem, Luiza já possui um currículo elogiável, especialmente no que tange a preparação. Ela estudou e estuda canto, técnica vocal, teoria musical, flauta, guitarra e violão, além de ter feito diversas apresentações ao vivo em bares e casas noturnas, o que a ajudou a aprimorar sua técnica vocal e presença de palco.

No show no Ao Vivo Music, a intérprete irá prestar homenagem a alguns de seus ídolos, mostrando canções nas quais predominam groove, jazz e MPB. Lógico que o repertório que predominará é o de Florescer, que traz cinco faixas inéditas como Mar de Devaneios (Luiza e Zé Victor Torelli) e uma inusitada releitura com arranjo de ska para o clássico Doce de Coco, de Jacob Do Bandolim e Herminio Bello de Carvalho.

Entre as inéditas, Romance de Novela já tem um belo videoclipe disponível. A cantora terá a seu lado no show desta quarta-feira Cuca Teixeira (bateria), Felipe Galeano (baixo), Gabriel Gaiardo (piano), Renan Cacossi (sax e flauta transversal), Lipe Torre e Zé Victor Torelli (guitarras e violões). Lipe, Torelli e Luiza produziram o CD.

Romance de Novela– clipe- Luiza Meiodavila:

Pélico lança novo clipe de seu terceiro álbum, Euforia; veja

capa cd pelico 2015-400x

Por Fabian Chacur

O cantor e compositor paulistano Pélico disponibiliza para downloads nesta terça-feira (7) seu novo álbum, Euforia. Como forma de divulgar o trabalho, o terceiro de sua discografia, ele gravou um videoclipe para ilustrar a canção Você Pensa Que Me Engana, com direção e concepção a cargo de Filipe Franco e Caio Mazzilli. Uma espécie de volta às raízes para o cantor.

Você Pensa Que Me Engana, um samba, tem como locação em seu clipe o bairro de Engenheiro Goulart, situado na Zona Leste de São Paulo e onde Robson Pélico viveu por quase três décadas. Eram célebres para ele as reuniões aos sábados na quadra do Landinho, onde ele e os amigos jogavam futebol, curtiam música e levavam papos animados, clima resgatado neste delicioso vídeo.

Euforia é o terceiro item na discografia do badalado artista paulistano, unindo-se aos anteriores O Último Dia De Um Homem Sem Juízo (2008) e Que Isso Fique Entre Nós (2011). Pélico tem se apresentado bastante pelo circuito indie de São Paulo, onde possui um público fiel bastante significativo.

Você Pensa Que Me Engana– Pélico (Clipe):

Blu-ray gravado ao vivo flagra Marisa Monte em boa fase

Por Fabian Chacur

Marisa Monte surgiu feito um tsunami no fim dos anos 80 no cenário musical brasileiro. Em 1996, já havia lançado quatro ótimos álbuns e garantido um espaço próprio e grande em termos de público. Desde então, no entanto, caiu em uma mesmice no quesito álbuns de carreira, o que só é salvo pelas performances ao vivo. O blu-ray Verdade Uma Ilusão Tour 2012/2013 (Phonomotor/Universal Music), também disponível nos formatos CD e DVD, é a mais nova prova dessa curiosa situação.

A partir do álbum Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (2000), que contém a constrangedora Amor I Love You, Marisa passou a nos oferecer, mais ou menos de quatro em quatro anos, álbuns de estúdio irregulares geralmente contendo canções no melhor (ou pior) estilo “mais do mesmo” pouco inspiradas, com uma ou outra pérola perdida no meio. A exceção é o ótimo Os Tribalistas (2002), gravado em parceria com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.

Se os discos de inéditas ganharam essa conotação negativa, os shows da cantora, compositora e instrumentista carioca se mantiveram quentes. De forma inteligente, Marisa se vale da técnica de mesclar clássicos de seu repertório anterior com apenas algumas faixas do trabalho que está lançando. O resultado fica encorpado e disfarça bem essa inconsistência dos CDs recentes.

Verdade Uma Ilusão é a turnê que divulgou durante 2012 e 2013 outro álbum fraco, O Que Você Quer Saber de Verdade (2011), cuja faixa de trabalho, Ainda Bem, faz a já raquítica Amor I Love You soar como se fosse Yesterday, dos Beatles, na comparação. Das 18 faixas incluídas no roteiro, 7 são desse trabalho, sendo umas três à altura da qualidade anterior do trabalho da Patroinha (como ela era chamada pelo saudoso baterista Gigante Brasil).

Para felicidade geral de quem gosta de seu trabalho e não aceita qualquer coisa autoindulgente, Marisa nos oferece outras 11 músicas bem melhores, entre clássicos de seu repertório como Diariamente, Gentileza e Não Vá Embora, sua composição ECT (sucesso na voz de Cássia Eller) e novidades como Dizem (Quem Me Dera) e Sono Come Tu Mi Vuoui.

O show traz outros elementos matadores, como a soma de uma banda excelente composta por Dadi (verdadeiro Forrest Gump da nossa música popular), Carlos Trilha (que tocou e gravou com a Legião Urbana) e três integrantes da Nação Zumbi (Dengue no baixo, Lucio Maia na guitarra e violão e Pupillo na bateria e percussão) com um quarteto de cordas, mistura finíssima que deu super certo.

Um belo telão de alta definição cria o cenário para cada música, dando um resultado visual sofisticado e cativante que chega ao auge em Verdade Uma Ilusão, na qual, graças a recursos de iluminação, Marisa fica como se fosse uma holografia viva enquanto interpreta essa canção nostálgica e um dos poucos momentos bacanas de seu mais recente álbum de estúdio.

A se lamentar, apenas o fato de o blu-ray (e o DVD) não incluírem um making of do show, pois seria bem interessante saber detalhes dos elaborados efeitos especiais utilizados durante o espetáculo. Ah, e vale ressaltar a ótima forma da voz de Marisa, melhor do que nunca, e de sua performance ao vivo, ora tocando violão e guitarra, ora se concentrando no canto, sempre de forma centrada, charmosa e segura.

Verdade, Uma Ilusão (ao vivo), faixa do novo DVD de Marisa Monte:

Submarinos toca 1º CD no Sesc Vila Mariana

Por Fabian Chacur

Criado em 2012, o Submarinos é o grupo que reúne Fernando Catatau (guitarra), conhecido por seu trabalho com o grupo Cidadão Instigado, com o badalado produtor Júnior Boca (também vocalista e guitarrista). Eles mostram o repertório de seu primeiro CD, Pela Mágica Imaginação, em show nesta quinta-feira (20) às 20h30 no Sesc Vila Mariana (rua Pelotas, 141- fone 5080-3000 www.sescsp.org.br/vilamariana), com ingressos de R$ 2,40 a R$ 12,00. Um bom programa roqueiro à brasileira.

Também fazem parte do Submarinos outros nomes bacanas da cena independente brasileira: João Leão (teclados), Juliana R. (vocal e teclados), Marcelo Cabral (baixo) e Tony Gordin (bateria). A essência do trabalho dessa banda sai da comunhão de ideias entre Júnior Boca e parcerias com Catatau, Rian Batista (também do Cidadão Instigado), Juliana R. e o trompetista Guizado, que acabaram gerando as composições incluídas no álbum de estreia.

O som da nova banda de Júnior Boca investe em uma fusão de elementos do folk e do rock com um tempero de psicodelismo e música brasileira. Pela Mágica Imaginação, álbum de estreia dos Submarinos, será a base do repertório do show do grupo no Sesc Vila Mariana, com a inclusão de outras músicas de seus integrantes aqui e ali.

Ouça The Slope, com o Submarinos:

Imagery lançará CD de estreia no exterior

Por Fabian Chacur

Um dos bons lançamentos do cenário rock brasileiro em 2012 foi o álbum de estreia da banda paranaense Imagery. The Inner Journey (leia a crítica aqui) arrancou elogios da crítica especializada e teve boa acolhida perante o público brasileiro. Pois agora chegou a hora de o público internacional conferir esse lançamento no formato físico, e de forma bastante especial.

O primeiro álbum do grupo formado por Joceir Bertoni (vocal e guitarra), Ricardo Fanucci (baixo), Bruno Pamplona (bateria) e Henrique Loureiro (teclados) será distribuído nos EUA, Europa e Japão pela Cleopatra Records. Este selo está na ativa há 21 anos e tem em seu catálogo belos títulos de heavy metal, rock progressivo, rock gótico, soul e outros estilos musicais bacanas.

Com sede em Los Angeles, a Cleopatra divulgou texto feito por seu fundador, Brian Perera, no qual ele elogia bastante nossos compatriotas. “O Imagery mistura com muita habilidade o rock progressivo clássico com o heavy metal moderno. Já faz um tempo desde que me deparei com uma nova banda que pode misturar gêneros de forma tão perfeita”.

Perera afirmou, também, que deseja ajudar o quarteto brasileiro a expandir seu universo de fãs nos principais mercados da América do Norte, Europa e Japão, onde The Inner Journey será distribuído nas mais importantes lojas do ramo. Títulos de bandas como Motorhead, Hawkwind, Tangerine Dream, Nektar e The O’Jays já saíram com o selo Cleopatra.

Veja o clipe da música Start The War, do Imagery:

Ao vivo, mais Titãs do que nunca

Por Fabian Chacur

Com 31 anos de uma carreira repleta de grandes momentos, os Titãs não parecem dispostos a dormir em cima dos louros conquistados. Boa prova é o show que a banda paulista mostrou nesta quinta-feira (10) na choperia do Sesc Pompeia, que será repetido nesta sexta-feira (11), com ingressos já esgotados. Uma hora e meia de garra, vibração, criatividade, vitalidade e carisma. O pulso ainda pulsa. Mesmo!

Titãs Inédito é um espetáculo corajoso, pois mostra em sua parte inicial dez canções inéditas em uma enfiada só. Essas músicas poderão estar presentes no próximo álbum de inéditas do hoje quinteto, previsto para sair em 2014. A safra é boa, tendo como marcas a urgência, a concisão e a simplicidade bem trabalhada. Mensageiro de Desgraça, República de Bananas e Não Pode são destaques, mas a rigor nenhuma delas merece ser rejeitada.

Após a première do novo repertório, os Titãs deram um mergulho em seu passado, com direito ao petardo de 1987 (embora atualíssimo) Desordem, a divertida (e pouco tocada ao vivo) Dona Nenê, a encantadora pop-rock Flores, as energéticas Bichos Escrotos e Polícia, a infalível Sonífera Ilha e a evocativa Domingo. Predominaram faixas do antológico Cabeça Dinossauro (1986), marco do rock brasileiro que eles releram em CD/DVD ao vivo em 2012.

Poucas bandas de rock ou de qualquer outro estilo no mundo conseguiriam se manter firmes e fortes após as saídas de integrantes do naipe de Nando Reis, Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Charles Gavin. E é exatamente isso o que a atual encarnação dos Titãs está conseguindo, e com louvor. As explicações para esse êxito não são tão difíceis de serem descobertas, especialmente após vê-los ao vivo em seu momento presente.

Começa pela atual autossuficiência do time, que incorporou o baterista Mário Fabre na vaga de Charles Gavin. Branco Mello assumiu o baixo, Toni Belotto se mantém na guitarra e Sérgio Britto e Paulo Miklos investem em guitarra, baixo e teclados. O resultado é uma sonoridade urgente, compacta e sem muitos rodeios e filigranas. Rock na veia, botando os ia-iás para fora o tempo todo de forma contagiante.

E o charme do tipo “cereja do bolo” fica com os três cantores. Paulo Miklos e Sérgio Britto com seus vozeirões e carismas particulares, com o primeiro mais teatral e o segundo visceral por natureza. Branco é o contraponto, com boa voz mais contida e efeito cênico marcante no melhor espírito new wave. Juntos, equivalem a um daqueles ataques goleadores que devastam as defesas adversárias sem dó nem piedade.

O mais legal é constatar que o entrosamento e a fome de bola dos Titãs em seu ano 32 equivale ao de uma banda iniciante talentosa tentando se firmar no competitivo mundo da música de 2013. Não é de se estranhar que eles possuam na plateia de seus shows um número significativo de garotos que nem eram nascidos quando Cabeça Dinossauro dominava as paradas de sucesso nos anos 80.

Como diria aquele clássico lançado por Paul Simon em 1975, esses caras ainda estão doidos, apesar de todos esses anos (Still Crazy After All These Years). Vale a pena conferir seus próximos passos, especialmente esse álbum de inéditas que irá suceder o ótimo Sacos Plásticos, de 2009. Tudo leva a crer que o epitáfio do grupo ainda está longe de ser cravado.

Veja o clipe de Desordem, com os Titãs:

Matchbox Twenty esbanja poder de fogo em SP

Por Fabian Chacur

Durante as generosas duas horas e dez minutos em que esteve no palco do Espaço das Américas(SP), na noite desta terça-feira (17) em São Paulo, o grupo americano Matchbox Twenty provou que sabe como cativar seus fãs sem depender de recursos cênicos nem parafernálias audiovisuais. Para eles, bastou garra, talento, profissionalismo e ótimas canções para agradar as 4.800 pessoas presentes.

O show teve início às 21h32 com a exibição de um vídeo que apresentou a banda em um clima de vaudeville. Aliás, os dois telões instalados nas laterais do palco captavam a ação do show em alta definição e qualidade de imagens excepcional. De resto, apenas iluminação correta e cena totalmente livre de aparatos visuais. Quem segurava a onda eram mesmo os músicos.

Além dos quatro integrantes oficiais do grupo americano, tínhamos mais dois músicos de apoio se incumbindo de bateria e teclados/eventual guitarra. No centro de tudo, o cantor Rob Thomas, que em alguns momentos também se incumbiu de violão, guitarra e teclados. Carismático e muito simpático, ele soube conduzir a festa pop-rocker, além de provar ter uma voz simplesmente ótima e bastante potente.

O repertório do show deu uma geral nos cinco álbuns lançados por eles nesses 17 anos de carreira, com ênfase no primeiro, o excepcional Yourself Or Someone Like You (1996), que colaborou com Real World, Long Day, 3 am, Push, Girl Like That, Back 2 Good e Hang, esta última em pot-pourry com Peaceful Easy Feeling, hit dos lendários Eagles em sua fase mais country, no início dos anos 70.

Sucessos como Disease (parceria de Rob com Mick Jagger), Unwell, How Far We’ve Come e Bent também estiveram no set list, assim como várias faixas do mais recente álbum do quarteto, North (2012), pérolas como She’s So Mean, Parade, Overjoyed e a maravilhosa The Way, cujo vocal principal ficou a cargo do guitarrista solo Kyle Cook, que se mostrou de uma simplicidade matadora no instrumento, com solos sempre na medida certa.

Paul Doucette, antes apenas baterista, nos últimos anos deixou as baquetas para apenas alguns momentos durante o show, dedicando-se mais à guitarra, que toca com segurança e bastante energia, ajudando a agitar o público, enquanto o baixista Brian Yale prima pela discrição a la John Deacon (ex-Queen). Rob Thomas é quem comanda o time no palco, mas sem estrelismo ou arroubos de prima-dona, jogando para o time e brilhando.

Uma das surpresas ficou por conta do público, que cantou junto da banda durante boa parte do espetáculo, provando que existem muito mais fãs do Matchbox Twenty em São Paulo do que eu poderia imaginar. Rob não escondeu a surpresa e a felicidade por perceber isso, e retribuiu com um show maior em termos de duração do que os mais recentes da banda.

Se o show foi ótimo, o bis não ficou atrás, com direito a um cover muito bem escolhido, a música Don’t Change, um dos primeiros sucessos da carreira da banda australiana Inxs. O fim ficou por conta de uma versão turbinada da power balada Push, que deixou aquele gostinho de quero mais nos fãs. O Matchbox Twenty provou que pode se tornar uma das surpresas do Rock in Rio, pois foi talhada para brilhar nas grandes arenas do mundo.

Veja show do Matchbox Twenty na íntegra, realizado em 2012:

SET LIST SHOW MATCHBOX TWENTY
ESPAÇO DAS AMÉRICAS-SP-17.9.2013

Parade
Bent
Disease
She’s So Mean
How Far We’ve Come
3 am
Real World
If You’re Gone
Overjoyed
All Your Reasons
Long Day
I’ll Believe You When
Girl Like That
Hang/Peaceful Easy Feeling(The Eagles)
I Will
Unwell
Radio
So Sad So Lonely
English Town
The Way
Bright Lights
BIS
Our Song
How Long
Back To Good
Sleeping At The Wheel
Don’t Change (Inxs)
Push
Início: 21h32
Fim: 23h13
Fim após BIS: 23h44

Grant Hart cativa fãs do Husker Du em SP

Por Fabian Chacur

Grant Hart entrou no palco da Galeria Olido em São Paulo às 18h08 deste domingo (15) munido apenas de sua guitarra Gibson modelo semiacústico. Antes disso, o ex-baterista e cantor da seminal banda oitentista Husker Du já havia dado um banho de simpatia atendendo os fãs no saguão do teatro, dando autógrafos e tirando fotos com quem desejasse. Um público pequeno e entusiástico.

No melhor esquema “one man band”, Hart tocou durante 1h40 com profissionalismo extremo, bom humor e respeito aos presentes. Seu desempenho na guitarra é correto, sem esbanjar técnica e demonstrando o suficiente para apresentar de forma digna suas ótimas canções. Como disse meu amigo Giovanni, seria bacana vê-lo acompanhado por um guitarrista afiado que valorizasse ainda mais suas belas melodias.

Durante sua performance, o músico de 52 anos oriundo da cidade americana de Minneapolis mostrou canções do Husker Du, da banda Nova Mob (criada e encerrada nos anos 90) e da carreira solo, incluindo material do recém-lançado álbum individual The Argument, inédito no Brasil. Don’t Want To Know If You Are Lonely, Barbara e Diane foram algumas dessas músicas incluídas no set list, todas bem legais.

Com um vozeirão bem potente, Hart mostrou sua versatilidade como compositor, indo de momentos mais agressivos e quase hardcores (mesmo nesse perfil solitário e sem batera e baixo) até instantes de puro folk e country. Suas canções exploram o universo dos acordes simples e sem muito rebuscamento de forma criativa, inteligente e sensível, sem cair na mesmice ou repetição de formatos.

O público presente, com agradável predominância de jovens que eram crianças ou nem mesmo tinha nascido quando o Husker Du saiu de cena (em 1988), recepcionou Grant Hart com a devida reverência, aplaudindo bastante cada canção e chamando dois bis do roqueiro, atendidos com prazer. Sua saída do palco foi hilária: “ah, depois mandem um abraço para, como é mesmo o nome dele?”, referindo-se ao ex-parceiro de Husker Du Bob Mould, que tocará no Brasil em outubro (leia aqui). Saiba mais sobre Grant Hart aqui.

Veja Grant Hart ao vivo no esquema voz e guitarra:

Documentário registra carreira dos Eagles

Por Fabian Chacur

History Of The Eagles, documentário sobre a seminal banda americana que acaba de ser lançada no Brasil pela Universal Music nos formatos DVD duplo e Blu-ray, não poderia começar melhor. Em entrevista concedida em 1977, quando a banda vivia o auge de sua primeira fase, o cantor, compositor e baterista Don Henley faz um comentário sobre a trajetória como músico.

“Bem, acho que essa não é uma carreira que você leve para a vida inteira”. Em segundos, é retrucado pelo cantor, compositor e guitarrista Glenn Frey, que criou a banda com ele em 1971. “Não é?”. Os dois caem na risada. Mal sabiam eles que, 35 anos depois, eles continuariam fazendo música juntos, mesmo passando por inúmeros altos e baixos, brigas e reconciliações etc etc etc (e tome etc!). No fim, deu tudo certo.

O grande mérito deste excepcional documentário produzido por Alex Gibney e dirigido por Alison Ellwood é não tentar esconder as partes polêmicas da história da banda americana criada em Los Angeles a partir de dois músicos que tocavam juntos na banda de apoio da então ascendente estrela do country rock Linda Ronstadt, exatamente Frey e Henley.

Com total colaboração de integrantes e ex-integrantes do time, The Story Of The Eagles abrange desde os tempos iniciais dos músicos, com direito a momentos das bandas da qual fizeram parte anteriormente, até a realização de Long Road Out Of Eden (2007), seu primeiro álbum de estúdio desde The Long Run (1979). O material aproveitado é vasto, com entrevistas atuais e também belos registros de todas as fases desse supergrupo americano.

Até mesmo making ofs das fotos de capa de alguns de seus álbuns são apresentados, trazendo cenas de shows, entrevistas com artistas relacionados à banda como Jackson Browne, J.D. Souther e Linda Ronstadt e depoimentos até mesmo de hoje “personas non gratas” perante a banda, como o empresário e dono de gravadoras David Geffen. Todos os ex-integrantes foram entrevistados, sem censura prévia.

O documentário é dividido em duas partes. Na primeira, com cerca de duas horas de duração, é contada a história dos Eagles de seu início até a primeira separação, ocorrida em 1980 após uma briga histórica entre Glenn Frey e o guitarrista Don Felder, cujo diálogo agressivo é reproduzido na íntegra em áudio. Depoimentos bem ácidos de Frey (especialmente) e de Felder também estão aqui.

Os álbuns gravados em Londres com a produção do lendário Glynn Johns (trabalhou com o The Who e os Rolling Stones, entre outros), o início com uma sonoridade country rock mais delicada, a entrada de Don Felder e Joe Walsh para dar um tempero mais rocker ao time (com a saída posterior do guitarrista original do time, Bernie Leadon), a saída do baixista e vocalista Randy Meisner em 1977 dando sua vaga a Timothy B. Schmidt, tudo é esmiuçado.

A segunda parte, com pouco mais de uma hora, mostra o que os músicos fizeram entre 1980 e 1990, quando tiveram início as primeiras tentativas sérias de se trazer a banda de volta, o que ocorreria de fato em 1994 com o álbum Hell Freezes Over, que teve o apoio da MTV. A importância do formato de rádio Classic Rock, a rejeição de Glenn Frey inicialmente, o retorno triunfal, está tudo lá.

Fica bem claro ao espectador que desde o início os Eagles buscavam o estrelato e a realização de um trabalho que aliasse perfeição técnica a forte apelo comercial. Ou seja, nunca rolou ingenuidade no roteiro deles, pois naquela época (início dos anos 70) o rock and roll se consolidava como uma indústria na qual fazer dinheiro era um dos pontos mais importantes.

Mesmo com essa mentalidade, o talento de seus integrantes, especialmente Henley e Frey, gerou uma obra que se perpetuou entre o que há de melhor na história do rock, especialmente o de viés americano, com aquelas influências perenes de rock and roll, country, folk, hard rock e soul music. Veja esse documentário sublime e sinta que esta é uma banda que vai muito além do Hotel Califórnia.

Trailer de The History Of The Eagles:

Older posts Newer posts

© 2023 Mondo Pop

Theme by Anders NorenUp ↑