Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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João Bosco e Hamilton de Holanda lançam álbum ao vivo

hamilton de holanda e joao bosco 400x

Por Fabian Chacur

Canto da Praya- Hamilton de Holanda e João Bosco Ao Vivo é o título do álbum que a gravadora Deck disponibilizará nas plataformas digitais no dia 26 deste mês. Trata-se de um encontro de dois craques de gerações distintas ocorrido no final de 2019 em São Paulo, mais precisamente no estúdio DaPáVirada. O repertório, que traz clássicos de João e algumas releituras, veio basicamente do show Eu Vou Pro Samba, que eles apresentaram em algumas ocasiões. Hamilton explica:

“A nossa ideia era que o repertório contemplasse o samba. Sempre achamos esse estilo nosso ponto de encontro de ideias musicais e rítmicas. Tínhamos esse repertório básico mas na hora dos ensaios cada um ia lembrando de algo a mais”.

Entre outras maravilhas, o repertório traz Tiro de Misericórdia/As Escadas da Penha, Linha de Passe, Incompatibilidade de Gênios, Gagabirô, Linha de Passe e Chega de Saudade, sendo que a apresentação foi filmada e teve uma pequena plateia. João fala sobre sua parceria com Hamilton:

“O fantástico de estar com o Hamilton é essa liberdade que a gente tem de tocar o que gostamos, queremos e admiramos. Trata-se de um músico extraordinário porque qualquer coisa que você possa colocar uma possibilidade, logo ele chega com seu bandolim e cria coisas muito prazerosas”. Em cena, só João (voz e violão) e Hamilton (bandolim).O lançamento teve apoio da cerveja Praya.

Tiro de Misericórdia (ao vivo)- João Bosco e Hamilton de Holanda:

Titãs: clipe com marionetes para remake de Enquanto Houver Sol

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Por Fabian Chacur

Prosseguindo a mil por hora em sua formação trio (que poderia ser apelidada “Tritãs”), os Titãs estão em pleno processo de lançamento de um novo projeto. Trata-se de Titãs Trio Acústico, álbum que será disponibilizado ao público no formato de três EPs. O primeiro saiu no início de abril, com oito faixas. O segundo deve chegar às plataformas digitais em 3 de julho, sendo que a primeira amostra já pode ser conferida, a releitura da belíssima Enquanto Houver Sol.

Concebido por Otavio Juliano, que o dirigiu em parceria com Luciana Ferraz, o clipe desta nova, despojada e caprichada releitura de um dos grandes sucessos dos Titãs na década passada traz como grande atrativo o uso de marionetes. Virgilio Zago foi o marionetista e escultor de títeres, enquanto Guilherme Pires se incumbiu da modelagem de bonecos e personagens. O resultado é encantador.

Enquanto Houver Sol foi lançada originalmente como faixa do álbum Como Estão Vocês? (2003), o primeiro da banda sem as presenças de Nando Reis e do saudoso Marcelo Fromer. Com uma melodia envolvente e uma letra inspirada, serve como alento em dias tão difíceis como os vividos por todos nós nesse cinzento e angustiante ano de 2020.

Enquanto Houver Sol (clipe 2020)- Titãs:

Elton John lança uma parceria com o duo americano Surfaces

elton john + surfaces 400x

Por Fabian Chacur

Em 2017, os amigos Forrest Frank (vocal e guitarra) e Colin Padalecki (teclados, composições e arranjos) resolveram iniciar uma parceria musical. Nascia o Surfaces, duo que aos poucos vai conquistando bons espaços na cena pop atual. A prova de que a brincadeira começou a ficar séria ocorre agora, quando eles lançam o single Learn To Fly, que conta com a participação mais do que especial de ninguém menos do que Elton John. Eles explicam como surgiu a oportunidade para essa parceria tão especial:

“Depois que gravamos a demo, ela ficou meio que flutuando por aí, até que chegou às mãos de Elton John, que quis fazer parte da faixa. Depois de uma série de sessões em estúdio via Zoom, nós conseguimos gravar juntos em quarentena. Trabalhar com Elton John nos promoveu uma sensação comparável a da ideia de ganhar um Grammy. Ele é tão apaixonado e motivado, nós não poderíamos ter desejado uma colaboração mais fácil do que essa. Nós esperamos que essa canção possa espalhar amor nesse momento em que o mundo tanto precisa, e que possa inspirar as pessoas a abrirem seus corações”.

Sempre atento ao surgimento de novos talentos e disposto a colaborar com essas revelações da música, Elton também comentou sobre a parceria, no mesmo press release enviado à imprensa pela gravadora Universal Music:

“Eu ouvi Sunday Best pela primeira vez na Austrália e eu amei a música, portanto, eu fiquei surpreso quando esses caras vieram até mim e pediram que eu cantasse e tocasse um pouco de piano em Learn To Fly. Eu amei a canção e a produção da faixa que eles me enviaram. Nós gravamos via Zoom em Los Angeles e fui super legal trabalhar em uma gravação não-autoral. Esses meninos são incríveis e nos divertimos muito trabalhando em colaboração”.

Sunday Best (ouça aqui), a canção a que Elton se refere, é faixa do 2º álbum do Surfaces, Where The Light Is (2019), e tornou-se um grande sucesso mundial este ano, invadindo as paradas de sucesso com sua levada leve e pra cima.

Colin e Forrest lançaram três álbuns até o momento: Surf (2017), Where The Light Is (2019) e Horizons (que saiu em fevereiro deste ano). Em tempos tão pesados e inseguros como os atuais, a música do Surface soa como uma espécie de refresco sonoro, com seus vocais delicados, melodias bem concatenadas e variações rítmicas de quem sabe prender o seu ouvinte com categoria.

Entre as várias faixas que lançaram nesses três anos de atividade, bons exemplos desse verdadeiro pop ensolarado são a new bossa eletrônica Good Day (ouça aqui), o reggae Lazy (ouça aqui), a deliciosa r&b Keep It Gold (ouça aqui).

Valendo-se dos mais modernos recursos eletrônicos, mas também explorando sonoridades vintages de instrumentos típicos do pop dos anos 1980, os amigos americanos oriundos do estado do Texas provam que tem potencial para ir longe. Sunday Best atingiu até agora a 19ª posição na parada pop americana, e Learn To Fly pode levá-los a um patamar superior nos charts.

Curiosidade: esta última traz um pequeno trecho melódico que lembra Sukiyaki, hit que chegou ao primeiro lugar nos EUA em 1963 com o cantor japonês Kyu Sakamoto e ao 3º lugar, em versão em inglês, com o A Taste Of Honey em 1980. O trecho é o mesmo que inspirou, consciente ou inconscientemente, Tudo Bem, hit em 1985 com Lulu Santos, aquela do “nem sempre é so easy se viver”.

Learn To Fly (lyric video)- Surfaces + Elton John:

Paul McCartney relançará álbum Flaming Pie em diversos formatos

Collector's Edition 1-400x

Por Fabian Chacur

Se há um artista sempre disposto a oferecer material inédito aos fãs mais endinheirados, ele atende pelo nome de Paul McCartney. Ele já fazia isso desde o início de sua carreira-solo, com o lançamento de singles com faixas não incluídas em álbuns, mas radicalizou esse procedimento a partir de Flowers In The Dirt (1989), que virou um álbum duplo em sua edição japonesa, algo que também ocorreu com Off The Ground (1993). De lá para cá, a coisa só se expandiu, especialmente com a série Archive Collection.

O novo álbum a ser incluído nesse projeto, para ser mais preciso o 13º a receber tal tratamento, é Flaming Pie (1997). A versão mais luxuosa, intitulada Collection’s Edition e limitada a 3 mil cópias numeradas, traz 5 CDs, 4 LPs de vinil e 2 DVDs, além de um livro com 128 páginas, seis fotos em tamanho grande, reprodução das letras escritas a mão pelo ex-beatle e outros atrativos, acomodados em uma caixa. Veja vídeo apresentando essa edição luxuosa aqui.

Além dessa, temos também a Deluxe Edition, trazendo 5 CDs e 2 DVDs, e outras com 3 LPs de vinil, 2 LPs de vinil e 2 CDs. O álbum original aparece em versão remasterizada, e as faixas-bônus se dividem entre lados B de singles lançados na época, demo-tapes das músicas incluídas no álbum, versões alternativas e as seis partes do programa de rádio Oobu Joobu gravado pelo artista naquela época.

Nem é preciso dizer que os preços não são exatamente acessíveis, o que torna hoje praticamente impossível para um colecionador com renda média se meter a completar o seu acervo. Saiba mais sobre as novas versões de Flaming Pie aqui, com direito a comentários de fãs bravos com os “precinhos camaradas”.

Flaming Pie foi o primeiro álbum-solo lançado por Paul após o projeto Anthology, dos Beatles, e de certa forma pegou uma bela carona no mega-sucesso deste fantástico documentário sobre a carreira dos Beatles. O CD atingiu o 2º lugar nas paradas dos EUA e Reino Unido, algo que o astro do rock não conseguia desde a década de 1980 em sua trajetória individual.

O trabalho foi coproduzido por Jeff Lynne e George Martin e traz participações especiais de Ringo Starr, Steve Miller, Lynne e também da esposa Linda e do filho James. No entanto, ele se incumbiu da maior parte dos instrumentos e vocais. As faixas mais legais são Young Boy, The World Toninght e Calico Skies.

Young Boy (clipe dirigido por Alistair Donald):

Young Boy (clipe dirigido por Geoff Wondor)- veja aqui.

Ivan Lins será homenageado com live por seus 75 anos de idade

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Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (16) o grande Ivan Lins completará 75 anos de idade. Como forma de celebrar essa importante efeméride, seu filho, Cláudio Lins, organizou uma live que será realizada nesse mesmo dia, a partir das 16h, e que poderá ser conferida aqui. O elenco escalado para participar da festança virtual é significativo, e inclui nomes de várias gerações da nossa música, como Roberto Menescal, Gilson Peranzzetta, Leila Pinheiro, Délia Fischer, Jorge Vercillo, Nelson Faria, Luciana Mello, Pedro Mariano, Sérgio Santos, Lenine, Jair Oliveira e Jane Duboc, entre outros.

A ideia do organizador é que cada participante escolha uma das canções do incrível repertório construído por Ivan nesses seus 50 anos de trajetória musical e a interprete em dueto com Claudio, que não divulgou as músicas que entrarão no set list dessa live, e explica o porque desse mistério:

“Como precisamos divulgar a live e os convidados, já não será uma live surpresa pro pai… mas pelo menos essa surpresa, do que cada um escolheu, eu vou guardar. Pro pai e pra todos que quiserem celebrar a obra desse verdadeiro gênio da música brasileira e mundial.”

A live faz parte do festival online #ziriguidumEmCasa, organizado pelo filho de Ivan Lins com o jornalista Beto Feitosa e com a participação na organização de Maria Braga e Ana Paula Romeiro, evento virtual que desde o início da pandemia do novo coronavírus já teve 10 edições e trouxe apresentações de inúmeros artistas bacanas da nossa música, incluindo o próprio Ivan Lins.

A pedido do homenageado, serão aceitas doações para a ONG Ação Social Pela Música (saiba mais sobre o seu trabalho aqui) neste link aqui.

Leia mais sobre Ivan Lins aqui.

Somos Todos Iguais Nesta Noite– Ivan Lins:

Yusuf/Cat Stevens relê álbum Tea For The Tillerman e lança clipe

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Por Fabian Chacur

Em 1970, Cat Stevens lançou seu quarto álbum, Tea For The Tillerman, e com este trabalho atingiu pela primeira vez o Top 10 da parada americana (nº 8, para ser mais preciso), começando a se tornar um dos nomes mais populares do rock naquele momento. Como forma de celebrar os 50 anos desse importante trabalho, o hoje nomeado Yusuf lançará no dia 18 de setembro TFTT2, releitura daquele disco. O lançamento será através da Universal Music (UMC) em diversos formatos físicos no exterior e também nas plataformas digitais (saiba mais aqui).

Como forma de iniciar a divulgação da nova versão deste disco encantador, Yusuf colocou no ar nesta quinta-feira (11) um clipe de animação criado por Chris Hopewell & Black Dog Film da canção Where Do The Children Play?, um dos pontos altos do trabalho. Temos dois garotos sendo obrigados a encarar um mundo repleto de lixo e buscando uma solução para ter um lugar seguro para brincar, com um adorável e otimista final feliz.

Para tocar esse projeto, o cantor, compositor e músico britânico trouxe duas pessoas que trabalharam no disco original, o produtor Paul Samwell-Smith e o guitarrista Alun Davies, sendo que o baixista Bruce Lynch também tocou com ele na época. Da sua banda atual, vieram Eric Appapoulay (guitarra) e o multi-instrumentista Kwame Yeboah, com o acréscimo dos veteranos Jim Cregan (guitarra) e Peter Vettese (teclados).

Tea For The Tillerman traz alguns dos maiores clássicos da carreira de Cat Stevens, entre os quais a já citada Where The Children Play? e também Wild World, Father And Son e a faixa-título. O seu folk rock com tempero britânico tornou-se universal e ganhou as plateias dos quatro cantos do mundo, graças a sua voz grave e melódica e canções particularmente envolventes.

Eis as faixas de TFTT 2:

1. Where Do The Children Play?
2. Hard Headed Woman
3. Wild World
4. Sad Lisa
5. Miles From Nowhere
6. But I Might Die Tonight
7. Longer Boats
8. Into White
9. On The Road To Find Out
10. Father And Son
11. Tea For The Tillerman

Where Do The Children Play? (clipe)- Yusuf-Cat Stevens:

Fontaines D. C. apresenta seu pós-punk renovado em clipe

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Por Fabian Chacur

Com apenas três anos de estrada, a banda irlandesa Fontaines D.C. está fazendo um barulhinho bom em sua região. O álbum de estreia, Dogrel (2019), atingiu o 9º lugar na parada do Reino Unido, além de lhe valer participações em programas de TV badalados. Sem perder tempo, o quinteto promete para o dia 31 de julho seu segundo álbum, A Hero’s Death, que sairá via Partisan Records no exterior nos formatos digital, LP de vinil, CD e fita-cassete.

A faixa-título (veja o clipe aqui), um rock bem bacana, foi a primeira faixa do novo trabalho a ser divulgada, no dia 5 de maio. Agora, é a vez da envolvente I Don’t Belong. A sonoridade criada pelos rapazes oriundos de Dublin tem forte influência do pós-punk de bandas como Joy Division e Bauhaus, com uma releitura própria e adequada aos sombrios dias atuais.

Integram a Fontaines D.C. Grian Chattan (vocal), Carlos O’Connel (guitarra), Conor Curley (guitarra), Conor Deegan III (baixo) e Tom Coll (bateria e percussão). A banda também é fissurada em poesia, e lançou dois livros coletivos, Vroom e Winding. Eles estavam cotados para tocar na edição comemorativa dos 50 anos do lendário festival de Glastonbury, mas o cancelamento desse evento devido à covid-19 acabou adiando esse projeto.

Eis as faixas de A Hero’s Death:

1. I Don’t Belong
2. Love Is The Main Thing
3. Televised Mind
4. A Lucid Dream
5. You Said
6. Oh Such A Spring
7. A Hero’s Death
8. Living In America
9. I Was Not Born
10. Sunny
11. No

I Don’t Belong (clipe)- Fontaines D.C.:

Gabi Doti esbanja sutilezas e talento no álbum Outra Razão

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Por Fabian Chacur

Gabi Doti é uma cantora e compositora uruguaia que está radicada há muito tempo em Brasília (DF). Há aproximadamente dez anos, esta graduada em administração começou a se dedicar à música de forma mais intensa. Em 2014, lançou dois álbuns simultaneamente, Aguas del Tiempo e La Niña en La Pantalla. Em 2018, foi a vez de Mundo Nada Particular, gravado ao vivo. Agora, temos Outra Razão, disponível nas plataformas digitais e também em caprichada versão em CD. E daí, diria o outro?

Basta uma primeira audição deste álbum para se chegar à conclusão de que não se trata de pouca coisa. Não mesmo. Em seus trabalhos iniciais, Gabriela (seu nome de batismo) já dava mostras de que não tinha entrado na cena musical para perder tempo. Com canções de sua autoria consistentes e performances convincentes em shows, a moça conquistou aos poucos o respeito do público de sua cidade. Mas ela percebia que podia ir ainda além.

A sementinha que gerou Outra Razão foi o encontro de Gabi com o consagrado produtor brasileiro radicado há quatro décadas nos EUA Moogie Canazio, que trabalhou com artistas do porte de Caetano Veloso, Rita Lee, Sergio Mendes, Ivan Lins, Simone, Nathan East e Luis Miguel, entre muitos outros. Ao lado de seu verdadeiro braço direito, o tecladista Daniel Baker, ela deu início a um produtivo processo criativo que gerou este novo trabalho.

Gravado no estúdio EastWest Recording, em Los Angeles (EUA), o álbum contou com um time afiadíssimo de músicos, tendo Baker como tecladista. Na guitarra, Tim Pierce, que marcou presença em mais de mil discos de astros do porte de Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen, Celine Dion e Christina Aguilera. O baixista Sean Hurley, por sua vez, atuou com Annie Lennox, Ringo Starr, Alanis Morissette, John Mayer e Colbie Caillat, só para citar alguns dos craques com quem já trabalhou.

O baterista Jamie Wollam toca há dez anos com o Tears For Fears e completa o time básico que atua no disco, sendo que outro destaque fica por conta do percussionista Rafael Padilla, cujos serviços já foram utilizados por Diana Ross, Shakira, Gloria Estefan e Thomas Dolby, entre outros.

E daí, diria algum cético? Vários discos contaram com Moogie e com esses craques citados e não conseguiram grandes resultados em termos artísticos e comerciais, da mesma forma que muitos times de futebol já reuniram elencos invejáveis que, na prática, deram poucas alegrias a seus torcedores, sendo a fase dos “galácticos” do Real Madrid da década passada um bom exemplo.

Pois aqui reside o grande mérito de Gabi Doti. Sabendo que iria ter a seu serviço gente desse altíssimo gabarito, ela fez a sua lição de casa. Partiu de um universo inicial de 31 composições, reduziu-o com o tempo para 15 (que foram devidamente arranjadas) e, dessas, foram selecionadas as 10 incluídas no álbum.

Dessa forma, a moça soube extrair de seus colaboradores aquilo que sua voz e suas composições necessitava. O resultado certamente agradará quem busca música pop sofisticada e boa de se ouvir, uma mistura de rock melódico, funk de verdade, folk, r&b e um elenco de sutilezas capazes de agradar a ouvidos exigentes, sem cair naquele perigoso território do “ah, como meu umbigo é lindo”.

O trabalho de Gabi nos exibe elementos do pop oitentista, e demonstra influências de gente como Marina Lima, Tanita Tikaram, Joni Mitchell, Carole King, Soraya e Zélia Duncan, só para citar algumas possíveis referências. Mas tudo do seu jeito, com sua própria delicadeza, e com letras falando sobre as idas e vindas do amor e da vida.

O álbum tem início com Verdade Ou Mentira, com sua levada meio hipnótica a la Fullgás, de Marina Lima. Silêncio Capital propõe um clima funk-samba-jazz, como ela própria autodenomina na letra. Eco é um rockão swingado com direito a refrão irresistível e belos vocais, enquanto Nonsense envolve com seu jeitão de pop-rock melódico brasileiro oitentista.

Otra Razón, escrita em castelhano, possui uma levada de balada folk que tem grandes afinidades com uma parte da produção pop dos países portenhos, e cativa com sua sentida melancolia (o clipe que a divulga é belíssimo). Nosso Jeito tem um formato delicioso de rock balada, e arranca arrepios graças a um refrão preciso e um arranjo de cordas simplesmente maravilhoso, do tipo obra prima, bem desempenhado pela Orquestra St. Petesburg.

Spotlight segue com categoria a linha de rock swingado, enquanto Sublimação vai na mesma veia de Verdade Ou Mentira, só que ainda melhor e mais bem resolvida. Iguais é uma balada sweet soul com arranjos de cordas nitidamente lembrando os do genial Barry White, com direito até a aqueles sutis diálogos entre cordas e vocais, outra participação classuda da Orquestra St. Petesburg.

O álbum se encerra com o que é definido pela artista como uma faixa-bônus, que é Good Times, com letra em inglês e uma levada r&b que remete a Lisa Stansfield, Swing Out Sister e um pouco o já citado Barry White.

Outra Razão é um disco para ser ouvido muitas vezes, pois foi concebido com tamanha delicadeza e inspiração que não merece passar batido. Não se encaixa na média do que se faz atualmente no mainstream pop, e isso pode ser um empecilho para que faça muito sucesso, mas possui qualidade suficiente para cativar quem busca aquela consistência e categoria que o pop oitentista, em seus melhores momentos, nos oferecia. E é radiofônico no melhor sentido do termo, ou seja, aquele tipo de som acessível que não brinca com a nossa inteligência.

Ouça o álbum Outra Razão em streaming aqui

Otra Razón (clipe)- Gabi Doti:

Erasure lança single encantador, uma amostra do álbum The Neon

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Por Fabian Chacur

Três anos após seu trabalho mais recente, o álbum World Be Gone (2017), o Erasure está de volta em grande estilo. O duo formado por Vince Clarke (teclados e composições) e Andy Bell (vocal) acaba de disponibilizar um novo single, Hey Now (Think I Got a Feeling), que traz as marcas registradas de sua obra: refrão contagiante, belas passagens de teclados eletrônicos e a voz sacudida de Bell.

A faixa é a primeira amostra disponível de The Neon, álbum que a Mute Records pretende lançar internacionalmente no dia 21 de agosto. Os formatos são variados: vinil neon laranja, fita cassete verde e CD com capa dobrável e livreto repleto de fotos, além da versão digital disponível para downloads pagos e também nas plataformas digitais. Saiba mais aqui.

O álbum foi gravado no início deste ano em Atlanta, Georgia, e mixado em Londres. As fotos para sua divulgação e encarte foram registradas no Gods Own Junkyard, uma galeria londrina que abriga uma fascinante coleção de luzes neon vintage. Andy falou sobre as sessões fotográficas: “Eu senti como se estivesse dentro de um jogo de realidade virtual. Eu amei que parecia estar em um mundo diferente. É isso que eu quero que nosso novo álbum transmita.”

O Erasure surgiu em 1985, quando Vince Clarke, após ter estourado nas paradas de sucesso como integrante dos grupos Depeche Mode e Yazoo, resolveu montar um novo projeto e foi em busca de um vocalista novato e talentoso. A escolha por Bell não poderia ter sido melhor, pois nesses 35 anos eles se firmaram na cena pop com deliciosos hits eletrônicos do porte de A Little Respect, Stop!, Blue Savannah, Chains of Love e Love To Hate You, só para citar alguns.

Eis as faixas de The Neon:

• Hey Now (Think I Got A Feeling)
• Nerves of Steel
• Fallen Angel
• No Point in Tripping
• Shot a Satellite
• Tower of Love
• Diamond Lies
• New Horizons
• Careful What I Try to Do
• Kid You’re Not Alone

Hey Now (Think I Got A Feeling)– Erasure:

The Waterboys lançam single e prometem álbum para agosto

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Por Fabian Chacur

Após a boa repercussão de Where The Action Is (2019), álbum que chegou ao posto de nº 21 na parada britânica, o grupo The Waterboys não deixa a poeira baixar e nos oferece um novo single. Trata-se do rockão épico com mais de sete minutos de duração intitulado My Wanderings In The Weary Land. Coisa finíssima, bela prévia de um novo álbum, Good Luck, Seeker, que o selo britânico Cooking Vinyl lançará no dia 21 de agosto nos formatos digital e também físicos (veja detalhes aqui).

Criado em 1981 pelo cantor, compositor e músico escocês Mike Scott, único integrante a se manter no time desde o seu início, os Waterboys fizeram o seu nome com uma mistura de rock vigoroso, música folk e ecos de Bob Dylan, Patty Smith e John Lennon, só para citar algumas de suas ótimas e bem digeridas influências. Álbuns como This Is The Sea (1985) e Fisherman’s Blues (1988) são sublimes, e canções como The Whole Of The Moon, Medicine Ball e Fisherman’s Blues tornaram-se clássicos perenes dos anos 1980.

Hoje um septeto, o grupo traz como músico mais antigo além de Scott, o ótimo Steve Wickham (violino elétrico e mandolin), que esteve nos Waterboys entre 1985 e 1990 e depois voltou em 2001 para não mais sair fora. Ex-integrantes famosos são Anthony Thistlethwaite (sax, baixo, mandolin e harmônica), que depois fez parte do grupo The Saw Doctors, e Karl Walinger (teclados), posteriormente líder do ótimo grupo World Party.

Good Luck, Seeker será o 14º álbum de estúdio da banda britânica, sendo que Mike Scott também lançou dois discos solo nos anos 1990 (Bring ‘Em All In-1985 e Still Burning-1987). Seu álbum de maior sucesso comercial foi a ótima coletânea The Best Of The Waterboys 81-90 (1991), que atingiu o 2ª posto na parada britânica na época de seu lançamento.

Eis as faixas de Good Luck, Seeker:

1. The Soul Singer
2. (You’ve Got To) Kiss A Frog Or Two
3. Low Down In The Broom
4. Dennis Hopper
5. Freak Street
6. Sticky Fingers
7. Why Should I Love You?
8. The Golden Work
9. My Wanderings In The Weary Land
10. Postcard From The Celtic Dreamtime
11. Good Luck, Seeker
12. Beauty In Repetition
13. Everchanging
14. The Land Of Sunset

Ouça My Wanderings In The Weary Land, dos Waterboys:

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