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Feito em Casa, de Antonio Adolfo, é relançado

Por Fabian Chacur

Feito em Casa, um dos discos mais importantes da história da MPB e um clássico do repertório de Antônio Adolfo, está sendo relançado no formato original no qual chegou ao mercado musical, em 1977, ou seja em vinil. O selo Polysom está disponibilizando o disco em vinil de 180 gramas, com qualidade de áudio e embalagem de primeira linha, como esse incrível álbum merece.

A importância de Feito em Casa vai além da qualidade musical, pelo fato de ter sido o primeiro trabalho do eventual cantor, mas atuante compositor, tecladista e maestro pela via independente. O sucesso de sua empreitada acabou animando outros artistas a explorar esse caminho, entre os quais o grupo Boca Livre, Paulinho Boca de Cantor, a vanguarda paulistana e muitos outros.

Com predominância instrumental, o álbum inclui uma faixa com vocais que fez sucessos nas rádios dedicadas à música brasileira na época, a belíssima Aonde Você Vai, cantada pelo próprio Adolfo com impecável registro vocal. Ele conta no álbum com participações especiais de músicos do alto gabarito de Jamil Joanes (baixo), Luizão Maia (baixo), Luiz Cláudio Ramos (violão e guitarra) e Chico Batera (bateria).

Outra participação bacana é a da cantora, compositora e violonista Joyce na faixa Acalanto, sendo que Dia de Paz foi composta em parceria com Jorge Mautner. Vale lembrar que, na época, nenhuma gravadora multinacional se dispôs a lançar esse trabalho de Antônio Adolfo, que resolveu então encarar a opção independente como forma de dar continuidade a uma carreira que já tinha colhido frutos bacanas.

Antes de lançar Feito Em Casa, Antônio Adolfo integrou o popular grupo A Brazuca, compôs sucessos como Sá Marina, BR-3 e Juliana e trabalhou com nomes do alto gabarito de Wilson Simonal, Elis Regina e Sérgio Mendes, entre muitos outros. Ele tem sólida formação musical, tendo estudado no Brasil e no exterior, o que lhe possibilitou refinar seu trabalho, sem no entanto cair no tecnicismo puro.

Mais ativo do que nunca, Adolfo lançou recentemente o fantástico álbum Finas Misturas (leia a crítica aqui), e tocou recentemente em São Paulo em julho (leia mais aqui), em apresentação única e gratuita. Ele continua morando no exterior, e desenvolve um prolífico trabalho educacional, além de continuar tocando ao vivo e gravando novos álbuns.

Ouça Aonde Você Vai, com Antônio Adolfo:

Antonio Adolfo fará show gratuito em SP

Por Fabian Chacur

Não é todo dia que um músico do gabarito de Antônio Adolfo toca em São Paulo. Ainda mais se a apresentação tem entrada gratuita. Pois o fato raro ocorrerá nesta sexta-feira (12) às 20h no Itaú Cultural (avenida Paulista, 149- fone 0xx11- 2168-1777). Os ingressos poderão ser retirados meia-hora antes do show, mas recomenda-se chegar antes.

A visita desse consagrado compositor, arranjador e tecladista deve-se ao fato do lançamento de seu mais recente CD, o excelente Finas Misturas (leia crítica aqui). Nele, temos a mistura de temas próprios e clássicos do jazz, em somatória inspirada e bem concatenada.

Além de Adolfo nos teclados, teremos no palco os experientes e talentosos Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra) e Rafael Barata (bateria), com a participação especial do saxofonista Mauro Senise, outra “cobra criada”. O repertório trará faixas do novo álbum e outras de seus mais de 40 anos de carreira.

Antônio Adolfo tornou-se conhecido inicialmente como líder do grupo A Brazuca e autor de sucessos como Sá Marina, Juliana e Teletema, gravados e interpretados ao vivo por nomes como Wilson Simonal, Ivete Sangalo, Stevie Wonder e inúmeros outros.

Sua carreira solo inclui clássicos como o álbum Feito Em Casa (1977), um dos pioneiros da produção independente no Brasil e incluindo faixas marcantes como Aonde Você Vai e a faixa título. Ele está morando nos EUA há seis anos, onde tem uma escola de música.

Ouça Aonde Você Vai, com Antônio Adolfo:

Ouça Feito Em Casa, com Antônio Adolfo:

Antonio Adolfo cativa com Finas Misturas

Por Fabian Chacur

Antônio Adolfo é um dos grandes nomes da história da música brasileira. Como músico, arranjador, maestro, compositor, produtor e intérprete, entre outras atribuições, ele desde os anos 60 nos proporciona grandes obras. Finas Misturas, CD lançado pelo seu selo AAM Music e distribuído no Brasil pela SaladeSom Records, acrescenta novos elementos a um universo sonoro sempre rico e delicioso de se ouvir.

Na primeira fase de sua carreira, Adolfo tocou piano em grupos como o Trio 3-D, Samba a Cinco e A Brazuca, emplacando canções clássicas da MPB e bastante regravadas como Sá Marina, BR-3 e Juliana, entre outras, tendo como frequente parceiro o letrista Tibério Gaspar. Como forma de se aperfeiçoar, ele saiu do Brasil para estudar música nos anos 70.

Ao voltar, as gravadoras simplesmete o ignoraram, e o músico carioca resolveu apostar numa opção até então considerada maluca por muitos: a produção independente. Com o excelente álbum Feito Em Casa (1977), não só teve sucesso artístico e comercial como abriu as portas para a produção independente no Brasil, que rende belos frutos até hoje.

Em meados dos anos 80, passou a se dedicar a projetos educacionais na área musical, criando o Centro Musical Antônio Adolfo e lançando vários livros com esse intuito educativo. Mas nunca descuidou de seu lado artístico, gravando de tempos em tempos discos sempre pautados por uma excelência em termos técnicos e criativos.

Finas Misturas traz como mote um excitante diálogo entre o jazz e os ritmos brasileiros, com quatro composições de Adolfo e seis de nomes seminais do jazz como John Coltrane, Keith Jarrett, Bill Evans e Dizzy Gillespie. A quebra de barreiras, por sinal, sempre marcou o trabalho do pianista, que foge dos rótulos como o diabo da cruz.

O resultado é um álbum no qual fica difícil detectar onde está o jazz ou onde se encontra a música brasileira, pois a fusão deu uma liga simplesmente deliciosa e indivisível. Falando de forma mais direta, aqui não temos nem música brasileira, nem música americana, e sim música do mundo, do universo, da galáxia. Música da boa.

O bacana de Antônio Adolfo é que ele consegue ser um músico e compositor altamente sofisticado sem cair no tecnicismo, na chamada “música para músicos”, na qual harmonizações complicadas e solos intrincados só são mesmo apreciados pelos profissionais do ramo. Esse genial músico brasileiro consegue ser requintado sem deixar de ser acessível.

Esse fantástico Finas Misturas trará prazer tanto ao fã de música inventiva e criativa como àquele ouvinte humilde e sem conhecimento técnico que deseja apenas curtir música instrumental cativante, delicada, melódica e boa de se ouvir. Coisa difícil de se fazer, que só mesmo mestres como Antônio Adolfo tem a manha de tornar realidade.

Veja entrevista de Antônio Adolfo e trechos de Finas Misturas:

Renato Teixeira e Fagner nos oferecem o singelo Naturezas

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Por Fabian Chacur

Renato Teixeira e Raimundo Fagner são da geração de músicos brasileiros que invadiram as paradas de sucesso na década de 1970 com trabalhos consistentes e sempre preocupados com a qualidade de letras e melodias. Amigos há muito tempo, estreitaram sua relação nos últimos anos, valendo-se dos recursos tecnológicos para, mesmo de longe, escreverem várias canções em parceria. Tinha tudo para dar em um disco em dupla, e deu mesmo, Naturezas, que a gravadora Kuarup disponibiliza nas plataformas digitais e em uma belíssima edição em CD.

O álbum conta com 10 faixas, sendo oito delas parcerias inéditas dos dois feitas especialmente para o projeto. Um hit marcante de cada um completa o repertório. Tocando em Frente, inspirada composição de Teixeira e Almir Sater, traz também a participação deste último na releitura, que ficou muito bonita. Da seara de Fagner, temos Mucuripe, clássico escrito com o saudoso Belchior. As duas abrem o disco, como que abrindo o caminho para as novidades. Uma ideia bem interessante.

O trabalho foi gravado em São Paulo no estúdio da gravadora Kuarup, que curiosamente fica em um imóvel no qual Renato Teixeira morou, na década de 1970, e onde compôs sua canção mais conhecida, Romaria. Entre os músicos que participaram das gravações, vale destacar o grande Natan Marques, guitarrista e violonista que atuou com Elis Regina e Simone.

O clima básico de Naturezas é bem singelo e tranquilo, enveredando por caminhos sempre presentes nas obras de Renato Teixeira e Raimundo Fagner, com ênfase no lado folk-rural. As vozes dos dois se encaixaram muito bem, com cada um fazendo seus solos de forma bem competente. A tendência de interpretações mais contidas do artista cearense dos últimos tempos se mantém por aqui.

Além de Tocando em Frente, Almir Sater também está presente em Para o Nosso Amor Amém, um dos pontos altos do disco, ao lado de Arte e Poesia, Eu Comigo Mesmo e Rastros da Paixão. Eu Só Quero Ser Feliz tem um terceiro parceiro, o grande Antonio Adolfo, autor da melodia original que acabou recebendo letra de Fagner e Teixeira.

A bela capa de Naturezas foi o último trabalho com finalidade discográfica do saudoso e icônico Elifas Andreato, que nos deixou em março deste ano. O álbum certamente irá agradar e muito os fãs mais fiéis, apostando em simplicidade, lirismo e sutilezas nos arranjos. Uma reunião prazerosa de dois grandes amigos que rendeu belos frutos.

Para o Nosso Amor Amém– Renato Teixeira, Fagner e Almir Sater:

Ruy Maurity, 72 anos, um craque da música popular brasileira

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Por Fabian Chacur

Em 1976, quando tinha apenas 15 anos, comprei um compacto simples de um certo Ruy Maurity, com Nem Ouro Nem Prata de um lado (ouça aqui) e Bebemorando do outro (ouça aqui). Era o começo da minha admiração por esse talentosíssimo cantor, compositor e músico fluminense que infelizmente nos deixou aos 72 anos de idade na madrugada desta sexta-feira (1º), após duas semanas na UTI e vítima de duas paradas cardíacas. Um artista do primeiro escalão da nossa música.

Irmão de outro monstro sagrado da nossa música, o cantor, compositor, músico e maestro Antonio Adolfo, Ruy Maurity nasceu na cidade fluminense de Paraíba do Sul em 12 de dezembro de 1949. Sua primeira aparição mais destacada no meio musical foi em 1970 ao vencer o Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música Dia Cinco, escrita por ele com José Jorge, seu parceiro fiel na maior parte das canções que escreveu. Neste mesmo ano, saiu o seu primeiro LP, Este é Ruy Maurity, o início de uma belíssima trajetória.

Em 1971, estourou nacionalmente com Serafim e seus Filhos, belíssima canção com raízes rurais e uma espécie de precursora do chamado rock rural brasileiro. Tocou muito nas rádios, e posteriormente mereceu regravações de sucesso nas vozes de Sérgio Reis, Zezé di Camargo & Luciano e diversos outros intérpretes, especialmente na área sertaneja.

Várias canções de Ruy entraram em trilhas sonoras de novelas globais, entre elas Menina do Mato (ouça aqui), que marcou presença em O Casarão (1976) na interpretação de Márcio Lott (ouça aqui) e A Xepa, tema de abertura de Dona Xepa (1977- ouça aqui).

Em 1976, escreveu e gravou Marcas do Que Seu Foi (ouça aqui), que seria apenas a trilha de uma campanha publicitária de ano novo. No entanto, a música, belíssima, marcou tanto que foi lançada tanto com o autor como com o grupo The Fevers, e é frequentemente relembrada nesses períodos anos. Você conhece: “este ano, quero paz no meu coração…”.

Nos ótimos trabalhos que lançaria até o início da década de 1980, podemos destacar, entre outras possíveis, canções deliciosas como Bananeira Mangará (ouça aqui), Batismo dos Bichos (ouça aqui -versão de José Jorge para God Gave Name To All The Animals, canção de Bob Dylan lançada por ele em 1979 no LP Slow Train Coming) e A Natureza (ouça aqui).

O estilo musical de Ruy Maurity foi uma felicíssima mistura de vários elementos da cultura musical brasileira, e pode-se ver nele pioneirismo em pelo menos duas delas, o rock rural e, acredite, a axé music. Pois ouça Nem Ouro Nem Prata e perceba nela nítidos elementos percussivos e rítmicos que seriam explorados pelos músicos baianos dos anos 1980, tipo Luis Caldas e Jerônimo…

A partir da década de 1980, Maurity deu uma sumida de cena, com aparições bastante eventuais. Curiosamente, tive a honra de ser seu amigo na rede social Facebook, onde ele sempre se manifestava de forma simpática quando abordado pelos inúmeros fãs. Pensei seriamente em tentar entrevistá-lo, como recentemente fiz com seu irmão Antonio Adolfo, mas vacilei feio. Infelizmente, agora não rola mais. Mas ficam as lembranças deixadas por suas belas canções, sempre inspiradas. Ele se foi, mas nos deixou marcas positivas que estarão presentes em todos os nossos sonhos.

Serafim e Seus Filhos– Ruy Maurity:

Stevie Wonder celebra 70 anos como um dos gênios da música

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Por Fabian Chacur

A voz de Stevie Wonder entrou na minha vida com a música Yester-Me Yester-You Yesterday, que lá pelos idos de 1969-1970 tocava e muito nas rádios paulistanas. Era faixa de seu álbum My Cherie Amour (1969). A partir dali, fui aos poucos mergulhando no maravilhoso universo musical desse grande cantor, compositor e músico americano, que nesta quarta-feira (13) chegou aos 70 anos de vida, dando-nos de presente uma carreira brilhante e repleta de grandes momentos. Um autêntico gênio no setor musical.

Stevie é um daqueles caras que parecem talhados para o estrelato. Seu talento para a música foi descoberto quando ele ainda era criança. Não enxergar se mostrou um obstáculo que o cara soube superar com uma desenvoltura absolutamente absurda. Tanto que, em 1962, lançou seu primeiro álbum, The Jazz Soul Of Little Stevie, jovem aposta da gravadora Motown, que então começava a despontar no cenário americano.

Após gravar um álbum em homenagem a uma de suas inspirações, Ray Charles (Tribute To Uncle Ray-1962), Stevie surpreendeu a todos ao atingir o topo da parada pop americana com o álbum ao vivo Recorded Live: The 12 Old Genius (1963), sucesso impulsionado pelo galopante single Fingertips, que também ponteou os charts, no setor singles.

Em um período mais ou menos rápido, Wonder foi criando uma personalidade própria, com o apoio do mentor Clarence Paul e do presidente da Motown, Berry Gordy. O crítico e pesquisador musical Zeca Azevedo sempre se queixa do fato de a imprensa musical normalmente deixar um pouco de lado essa fase inicial da carreira do artista, e está repleto de razão, pois temos pencas de momentos bacanas nesses anos de aprendizado.

Não faltam músicas maravilhosas nesse período que vai até 1970. Só para citar algumas, vamos da já comentada Yester-Me Yester-You Yesterday e prosseguir com outras pepitas: I Was Made For Love Her, Uptight (Everything’s Alright), For Once In My Life, My Chérie Amour, Signed Sealed Delivered I’m Yours e Pretty World (versão em inglês de Sá Marina, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar). Em 1970, Stevie já era um artista repleto de hits e discos bacanas.

Só que em 1971, ao completar 21 anos e atingir a maioridade, ele enfim teve acesso a todo o dinheiro que ganhou naqueles anos todos. Isso lhe deu a independência financeira para experimentar novos rumos musicais, e também para negociar um novo contrato com a Motown Records que lhe desse a liberdade artística que desejava, seguindo os passos do colega de gravadora Marvin Gaye. Gordy rateou, mas acabou dando o braço a torcer.

A parceria com os integrantes do inovador grupo Tonto’s Expanding Head Band, Robert Margouleff and Malcolm Cecil, abriu a ele um universo de novas possibilidade em termos de sons de teclados. Isso veio à tona no álbum Music Of My Mind (1972), que inclui a maravilhosa Superwoman (Where Were You When I Needed You), um de seus clássicos superlativos.

Até o fim dos anos 1970, Stevie Maravilha gravou alguns dos melhores discos de todos os tempos, os maravilhosos Talking Book (1972), Innervisions (1973) e Fulfillingness’ First Finale (1974). Em 1975, não lançou um novo LP, e Paul Simon brincou ao receber seu Grammy de melhor álbum do ano por Still Crazy After All These Years, pois Wonder havia faturado nos dois anos anteriores.

Em 1976, Wonder tirou a diferença com o álbum-duplo Songs In The Key Of Life, que no formato vinil trazia dois LPs e um compacto duplo adicional. O sucesso foi estrondoso, e foi inevitável o cidadão abocanhar mais um Grammy de melhor álbum do ano. Ali, já estava sacramentada a abrangência da música de Wonder, misturando soul, funk, jazz, música africana, latinidades, pop e muito mais.

Nesse período de quatro anos, Stevie Wonder nos proporcionou pérolas sonoras de raríssimo valor do porte de You Are The Sunshine Of My Life, Higher Ground, Superstition, Living For The City, All In Love Is Fair, You Haven’t Done Nothing, Sir Duke, As, I Wish, Boogie On Reggae Woman e muitas outras, entre hits e faixas ótimas “escondidas” nos álbuns.

Em 1979, lançou o ambicioso álbum duplo Stevie Wonder’s Journey Through “The Secret Life of Plants feito inicialmente para trilha de um documentário mas que ganhou vida própria. Se só trouxesse a encantadora e envolvente balada Send One Your Love já valeria o preço, mas tem muito mais, embora não tenha tido o mesmo sucesso comercial de seus trabalhos anteriores.

Hotter Than July (1980) o trouxe com mais força aos charts, trazendo clássicos de seu repertório como o envolvente reggae Master Blaster (Jammin’), uma bela homenagem a Bob Marley, e a fantástica Happy Birthday, tributo ao grande Martin Luther King que virou hino de sua bela campanha para que a data de nascimento desse grande ativista virasse um feriado nacional nos EUA, o que acabou se concretizando.

Em 1982, mais dois itens bacanas em sua trajetória: ele lançou a coletânea dupla Stevie Wonder’s Original Musiquarium I, com 12 hits da fase 1972-1980 e quatro petardos inéditos: That Girl, Do I Do (com participação especial do ícone do jazz Dizzy Gillespie), Front Line e Ribbon In The Sky. De quebra, ainda gravou dois duetos com Paul McCartney incluídos no álbum Tug Of War, do ex-beatle: Ebony And Ivory e What’s That You’re Doing, ambas ótimas.

Até o fim dos anos 1980, lançou os hits Part-Time Lover, Overjoyed e I Just Call To Say I Love You e participou com destaque de We Are The World, do projeto beneficente USA For Africa. Characters (1987) não vendeu tanto, mas traz a energética Skeletons e um dueto com Michael Jackson, Get It.

Após a ótima trilha para o filme Jungle Fever (1991), de Spike Lee, os lançamentos inéditos de Stevie Wonder passaram a ser bem mais esparsos. Na verdade, nos últimos 29 anos, foram só dois novos álbuns de estúdio com faixas inéditas: Conversation Peace (1995) e A Time For Love (2005).

Ele continuou fazendo shows e participando de discos de outros artistas, entre os quais Sting, Luciano Pavarotti, Babyface, Herbie Hancock, The Dixie Humminbirds, Elton John, Gloria Estefan e inúmeros outros. Também lançou um esplêndido DVD gravado ao vivo, Live At Last- A Wonder Summer’s Night (2009), gravado ao vivo na imensa O2 Arena, em Londres com altíssima qualidade técnica e na qual ele dá uma bela geral em seu fantástico songbook se mostrando em plena forma.

O astro vendeu mais de 100 milhões de discos nesses anos todos, além de influenciar inúmeros outros artistas. Ele faturou 25 troféus Grammy e também um Grammy pelo conjunto de sua carreira, além de ser o único a ganhar o laurel de melhor álbum do ano com três lançamentos consecutivos. Seus shows no Brasil em 1971 (gravado pela TV Record e exibido por essa emissora) e em 1995 foram marcantes, com grande repercussão de público e crítica.

Com essa trajetória maravilhosa humildemente resumida aqui, Stevie Wonder nos mostrou como um ser humano pode atingir o ponto alto de seu potencial artístico ao superar limitações e desenvolver com rara habilidade canções capazes de cativar as mais distintas gerações. Gênio!

Yester-me Yester-you Yesterday– Stevie Wonder:

Toni Tornado (1971) é relançado em LP de vinil de 180 gramas

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Por Fabian Chacur

Tony Tornado beirava os 40 anos de idade em 1970, quando foi convidado a defender, no V Festival Internacional da Canção, a música BR-3 (de Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar). Ele já havia encarado inúmeros desafios na vida até então, incluindo morar durante cinco anos em Nova York, imitar cantores como Chubby Checker e Little Richard em programas da TV brasileira e o que mais pintasse. Ali, achou finalmente o seu rumo, sendo o vencedor da fase nacional daquele evento promovido pela TV Globo e cativando com uma performance espetacular.

Um ano depois, lançou o seu disco de estreia, Toni Tornado (a grafia de seu nome artístico usava o i, ao invés do y atual). Esse disco clássico acaba de ser relançado em vinil de 180 gramas, em parceria da Polydisc com a Universal Music.

BR-3 é a faixa mais conhecida daquele trabalho, uma balada intensa que ajudou a introduzir a soul music no Brasil, com direito a vigorosos e perfeitos vocais de apoio por conta do Trio Ternura. Experiente, Tony incorporou esse estilo musical com muita propriedade, e esse álbum de estreia segue tal linha com categoria, trazendo 12 faixas, entre as quais o seu maior hit e também Me Libertei (Frankie e Tony Bizarro) e O Jornaleiro (Major e Toni Tornado).

Após mais um hit, Podes Crer, Amizade, faixa de seu segundo e também autointitulado álbum, de 1972, Tony mergulhou na carreira de ator, que lhe proporcionou muito sucesso em filmes, novelas, séries etc. Dessa forma, a música ficou em segundo plano, na sua vida, tanto que ele nunca mais gravou um disco solo. Uma pena, pois o cara era do ramo. Nesse disco agora relançado, temos produção de Milton Miranda e orquestrações, arranjos e participações de Paulo Moura e Walter Branco, todos brilhantes.

BR-3– Toni Tornado:

20 discos lançados em 2018 e recomendados por Mondo Pop

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Por Fabian Chacur

A cada doze meses é a mesma coisa: eis as listas com os melhores discos do ano, os melhores livros do ano, filmes do ano etc. Cada vez mais, para quem pensar com um pouco mais de calma, ficará claro que esse procedimento se trata de algo realmente arrogante. Como definir o que é melhor, em um universo tão grande de lançamentos? E quem, no caso da música, ouviu tudo o que se lançou para se meter a fazer uma seleção realmente relevante?

Quer saber? Já me enchi disso. Não ouvi nem 10% do que saiu durante 2018, se tanto. E olha que eu tive a oportunidade de conferir bastante coisa. Mas ainda assim esse bastante é pouco.

Então, para não fugir ao questionamento de “o que foi o melhor da música nos últimos doze meses”, serei menos arrogante. De tudo que conferi, eis 20 (só de sacanagem, saio dos 10 tradicionais) discos lançados entre 2017 e 2018 (e que eu ouvi em 2018) que eu adorei e recomendo com entusiasmo.

Vocês verão que tem realmente de tudo, desde trabalho de veteraníssimos até de gente de gerações mais recentes, com direito a rock, soul, MPB etc. É uma listinha muito aleatória. Mas quem ouvir esses trabalhos certamente irá curtir. Uma curiosidade: boa parte desses CDs envolve dois ou mais artistas. Coincidência ou marca do ano em termos musicais? Você decide!

E o legal: poucos deles constam das listas oficiais das grandes publicações. Divirtam-se, os links das resenhas seguem abaixo:

Leny Andrade Canta Fred Falcão- Bossa Nova:

Leny Andrade incorpora belas composições de Fred Falcão

Invento Mais- Zelia Duncan e Jaques Morelenbaum:

Zélia Duncan mostra essência do som de Milton Nascimento

Edu, Dori e Marcos- Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle:

Edu, Dori & Marcos é uma boa e peculiar reunião de gênios

Sebastiana- Ricardo Bacelar:

Ricardo Bacelar mostra swing e bom gosto em Sebastiana

Trinca de Ases- Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis:

Trinca de Ases, bela união de Gil, Nando Reis e Gal Costa

Arembi- Jorge Ailton:

Jorge Ailton lança o seu 3º CD solo com “arembi” elegante

50- Joyce Moreno:

Joyce Moreno relê seu álbum de estreia de forma sublime

Punkids- Griswolds:

Griswolds dá um toque punk a hits das trilhas de animações

Azul Anil- Nila Branco:

Nila Branco nos delicia com as suas canções folk-pop-rock

Zé Brasil- Zé Brasil:

Zé Brasil, o roqueiro classudo, lança primeiro CD solo em SP

Encontros- Antonio Adolfo e Orquestra Atlântica:

Antonio Adolfo grava CD com a ótima Orquestra Atlântica

Tênis + Clube- Lô Borges:

Lô Borges resgata um de seus álbuns clássicos em belo DVD

Expresso Della Vita- Solare- Maestrick:

Maestrick mostra como fazer prog metal bom de se ouvir

60 Anos de Bossa Nova- Claudette Soares e Alaíde Costa:

ClaudetteSoares-AlaídeCosta são realmente o fino da bossa

Quebra Cabeça- Bixiga 70:

Bixiga 70 destila grooves com categoria em Quebra-Cabeça

Alimente a Vida- Los Três Plantados:

Los 3 Plantados unem lindas mensagens ao rockão perfeito

Welcome To The Blackout- David Bowie:

David Bowie em um CD duplo gravado ao vivo em tour de 78

Dos Navegantes- Edu Lobo, Romero Lubambo, Mauro Senise:

Edu Lobo faz belas releituras de clássicos com parceiros ilustres

Gota Onde Nada o Peixe- Tania Grinberg e Fabio Madureira:

Tânia Grinberg e Fabio Madureira lançam CD com show em Sampa

Sky Trails- David Crosby:

David Crosby e seu Sky Trails, mais um desses CDs incríveis

Célia tem seu álbum de estreia relançado em vinil pela Polysom

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Por Fabian Chacur

A série Clássicos em Vinil, da Polysom, tem resgatado lançamentos importantes da história da MPB, no formato vinil de 180 gramas. O novo item da coleção foi, mais uma vez, escolhido a dedo. Trata-se de Célia, autointitulado álbum de estreia desta brilhante cantora paulistana (1947-2017), uma das melhores de sua geração e que merecia ter tido muito mais sucesso comercial e reconhecimento do que o obtido em seus 70 anos de vida. Ouça esse trabalho e sinta o porquê.

Lançado em 1971 pela gravadora Continental, este disco conta com a produção do jornalista Walter Silva, célebre por seu programa O Pickup do Picapau, em parceria com o músico e maestro Pocho Perez. Além do próprio Pocho, os arranjos das músicas foram divididos entre mestres indiscutíveis da nossa música. São eles Rogério Duprat, um dos grandes nomes ligados ao Tropicalismo, Arthur Verocai, um craque trabalhando para os outros e também para seus próprios trabalhos, e José Briamonte, que naquela época trabalhou alguns dos artistas mais importantes da nossa música.

O repertório de 11 músicas traz a assinatura de nomes então emergentes, como Joyce Moreno, Ivan Lins, Ronaldo Monteiro de Souza, Toninho Horta, Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Com uma afiada mistura de MPB com elementos de música pop, o disco traz maravilhas do porte de Adeus Batucada, No Clarão da Lua Cheia, Abrace Paul McCartney Por Mim e Fotograma. Nelas, a voz quente e envolvente de Célia se mostra um instrumento humano absurdo, exacerbando a beleza inerente em cada uma dessas belas canções. Tipo do disco que você não pode deixar de ouvir, hoje e sempre.

Célia (primeiro LP)- ouça em streaming:

12 discos bem bacanas que eu ouvi durante o ano de 2017

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Por Fabian Chacur

A cada doze meses é a mesma coisa: eis as listas com os melhores discos do ano, os melhores livros do ano, filmes do ano etc. Cada vez mais, para quem pensar com um pouco mais de calma, ficará claro que esse procedimento se trata de algo realmente arrogante. Como definir o que é melhor, em um universo tão grande de lançamentos? E quem, no caso da música, ouviu tudo o que se lançou para se meter a fazer uma seleção realmente relevante?

Quer saber? Já me enchi disso. Não ouvi nem 10% do que saiu durante 2017, se tanto. E olha que eu tive a oportunidade de conferir bastante coisa. Mas ainda assim esse bastante é pouco. Então, para não fugir ao questionamento de “o que foi o melhor da música nos últimos doze meses”, serei menos arrogante. De tudo que conferi, eis 12 (só de sacanagem, saio dos 10 tradicionais) discos lançados entre 2016 e 2017 que eu adorei e recomendo com entusiasmo.

Você verão que tem realmente de tudo, desde trabalho de veteraníssimos até de gente de gerações mais recentes, com direito a rock, soul, MPB etc. É uma listinha muito aleatória. Mas quem ouvir esses trabalhos certamente irá curtir. E o legal: poucos (quem sabe, nenhum) deles consta das listas oficiais das grandes publicações. Divirtam-se, os links das resenhas seguem abaixo:

Entre o Mar e o Sertão- Marcos Lessa:

Marcos Lessa apresenta a sua elegância e classe em belo CD

As Coisas Simples da Vida- Hyldon:

Hyldon apresenta inspiração e boas canções em novo CD

Hybrido- Antonio Adolfo:

Antonio Adolfo relê o Wayne Shorter no ótimo CD Hybrido

Lindsey Buckingham- Christine McVie- Lindsey Buckingham-Christine McVie:

Lindsey Buckingham faz dupla perfeita com Christine McVie

Efeito Borboleta- Rodrigo Santos e Fernando Magalhães:

Efeito Borboleta, bela viagem rocker de Rodrigo e Fernando

Sessions II- Tony Babalú:

Tony Babalu reafirma amor à música em seu novo trabalho

Lighthouse- David Crosby:

David Crosby, ou a inquietude de um grande gênio do rock

Com Vida- Keko Brandão:

Com Vida traz a versatilidade do talentoso Keco Brandão

No Voo do Urubu- Arthur Verocai:

No Voo do Urubu é o Verocai mais inspirado do que nunca

Supermoon-Andre Gimaranz:

Andre Gimaranz lança seu CD Supermoon com show no Rio

Canção de Amor- Claudette Soares:

Claudette Soares nos encanta com seu CD Canção de Amor

The Laughing Apple- Yusuf/Cat Stevens:

Yusuf/Cat Stevens cativa com o álbum The Laughing Apple

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