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Músico Laudir de Oliveira, ex-Chicago, morre durante show

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Por Fabian Chacur

Dizem que nada mais glorioso para um artista do que morrer durante uma exibição de seu talento. Pois foi exatamente isso o que ocorre na tarde deste domingo (17) com o genial percussionista brasileiro Laudir de Oliveira. Ele nos deixou aos 77 anos durante um show em homenagem ao saudoso Paulo Moura do qual participava em Olaria, no Rio de Janeiro. Laudir foi vítima de um infarto, e deixa um belo legado, construído em rica trajetória musical.

Nascido no Rio de janeiro em 6 de janeiro de 1940, Laudir começou a se tornar conhecido como músico nos anos 1960, tocando com nomes como Marcos Valle e Sergio Mendes. Em 1969, mudou-se para os EUA, e se tornou um músico bastante acionado para gravações e shows. Ele participou da versão de Feelin’ Alright gravada por Joe Cocker, por exemplo, e fez parcerias com os compatriotas Airto Moreira e Flora Purim, também radicados na terra de Louis Armstrong.

Em 1973, foi convidado a tocar com o Chicago, um dos primeiros grupos de rock de sucesso a mesclar guitarra, baixo, bateria e teclados a uma sessão de metais, influenciado por jazz e soul. Após gravar dois discos com eles como músico de apoio, foi confirmado como integrante oficial em 1975 e ficou por lá até 1980, um período de grande sucesso da banda. Ele está presente em hits como Happy Man, If You Leave Me Now, Baby What a Big Surprise, No Tell Lover e inúmeros outros.

Além de sua atuação tocando diversos instrumentos de percussão e tendo ótimo entrosamento com o baterista da banda, Danny Seraphine, ele participou como vocalista da faixa You Get It Up (de 1976) e é o coautor (em parceria com Marcos Valle) da música Life Is What It Is, gravada pela banda em 1979. Em 1978, participou tocando congas do álbum Destiny, dos Jacksons, que inclui os hits Shake Your Body (Down To The Ground) e Blame It On The Boogie.

Além do Chicago, Laudir gravou com inúmeros outros artistas, entre os quais Milton Nascimento, Nina Simone, Chick Corea, Gal Costa, Maria Bethânia, Jennifer Warnes, Gerry Mulligan e inúmeros outros. Ele também trabalhou como produtor, dançarino, ator e artista plástico. Ele acompanhou Carlos Santana na edição de 1991 do Rock in Rio, e voltou ao Brasil no fim dos anos 1980, após 20 anos na terra do Tio Sam.

Life Is What It Is– Chicago:

Al Jarreau, aos 76 anos, leva a sua belíssima voz para o céu

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Por Fabian Chacur

Do The Right Thing (Faça a Coisa Certa-1989), de Spike Lee, é um dos meus filmes favoritos. A sua parte final é bastante violenta. Após uma verdadeira carnificina capaz de abalar qualquer pessoa mais sensível, uma incrível surpresa. Enquanto passam os créditos, uma música doce, suave e envolvente intitulada Never Explain Love nos ajuda a recuperar o fôlego, a esperança e a paz. Seu intérprete, o talentosíssimo Al Jarreau, nos deixou neste domingo (12) aos 76 anos.

Este cantor americano nascido em 12 de março de 1940 em Milwaukee, Wisconsin (EUA) tem inúmeros pontos importantes em seu extenso currículo. Em 1985, por exemplo, ele não só se apresentou com destaque da primeira edição do Rock in Rio como também foi um dos cantores a participar de uma das gravações mais conhecidas de todos os tempos, a beneficente We Are The World, ao lado de Michael Jackson, Bruce Springsteen e dezenas de outras estrelas do seu mesmo calibre.

Filho de um pastor evangélico e de uma pianista de igreja, Alwin Lopez Jarreau (seu nome de batismo) se envolveu com a música desde o berço, portanto. Curiosamente, demorou um pouco a mergulhar de cabeça nessa carreira. Ele se formou em psicologia e trabalhou na área de reabilitação vocacional. Nas horas vagas, cantava com um trio de jazz liderado por um certo George Duke, que viraria um parceiro musical, também estrela do jazz e amigo para o resto da vida.

Em 1968, incentivado pela boa repercussão que vinha obtendo em pequenos shows, resolveu virar cantor em tempo integral. Fez inúmeras apresentações ao vivo e participou de programas de TV importantes, e em 1976, após marcar presença no hoje mitológico Saturday Night Live, recebeu o convite para gravar seu primeiro álbum solo, We Got By, lançado naquele mesmo ano. Ele já tinha 36 anos, mas soube aproveitar essa oportunidade rapidinho.

Em 1978, com o álbum Look To The Rainbow, ganhou o primeiro dos sete Grammy Awards que faturaria em sua carreira. Embora investindo basicamente em jazz, com destaque para scat singing, ele também não se furtava a gravar rhythm and blues, soul e canções românticas, mas sempre com muito bom gosto e sem concessões exageradas.

Em 1981, seu elogiado álbum Breakin’ Away o colocou na 9ª posição da parada pop americana, graças a belas canções pop. Ele sempre liderou os charts de jazz e também de r&b, graças a canções como a maravilhosa Mornin’, que também fez sucesso no Brasil.

Ele também marcou presença em várias trilhas sonoras. Além da do filme de Spike Lee citado logo na abertura deste texto, outro destaque fica por conta de Moonlighting, tema da série de TV A Gata e o Rato, que foi ao ar de 1985 a 1989 e era estrelada por Sybil Sheperd e Bruce Willis. Ele chegou a participar de um álbum da adorável Vila Sésamo, In Harmony: A Sesame Street Record.

Sua paixão pela música brasileira o levou a gravar as músicas Waters Of March e Girl From Ipanema, de Tom Jobim, no álbum A Twist Of Jobim (1997), do célebre guitarrista americano Lee Ritenour, e também da faixa Double Face, em 2010, em um álbum de Eumir Deodato. Ele homenageou o amigo Duke recentemente com o álbum My Old Friend: Celebrating George Duke (2014). Um de seus melhores trabalhos foi Givin’ It Up (2006), gravado em parceria com George Benson, outro grande amigo e que tocou naquele mesmo Rock in Rio de 1985.

Os problemas mais sérios com a saúde de Al Jarreau tiveram início em 2010, quando o astro chegou a ficar internado por bastante tempo na França, entre a vida e a morte. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e continuou fazendo shows e gravando até quando isso foi possível. Ele inclusive tinha shows marcados para o Brasil em março deste ano, mas as apresentações foram canceladas por causa de seu estado de saúde, há alguns dias. Uma pena! Que descanse em paz!

Never Explain Love– Al Jarreau:

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