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Fred Falcão tem sua carreira de compositor contada em biografia

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Por Fabian Chacur

O compositor é uma espécie de mordomo do bem. Ao contrário do servidor das casas das famílias ricas, sempre apontado como o culpado de crimes e roubos nos livros e filmes de mistério, o autor de boas canções costuma ser o responsável pelo sucesso de inúmeros intérpretes pelo mundo afora. Pena que, frequentemente, seja ignorado, esquecido ou subestimado. Por isso, é sempre bom saber mais sobre eles. Um bom exemplo e ótima oportunidade é Invadindo o Ensaio Com Fred Falcão- Uma Biografia em Primas e Bordões (Matrix Editora), que conta a trajetória de um craque nessa área, Fred Falcão.

O cantor, compositor e músico pernambucano radicado desde criança no Rio de Janeiro tem uma história das mais ricas. Nascido em 24 de abril de 1937, começou a tocar ainda muito novo, e na década de 1950 teve a oportunidade de presenciar e se envolver logo no início em dois movimentos musicais dos mais influentes por aqui, o rock and roll e a bossa nova. Aliás, eis uma das suas marcas, ser uma espécie de Forrest Gump brasuca.

Paralelamente à música, Fred estudou direito, e foi nessa área que encontrou a forma de tirar o seu sustento, o que lhe permitiu mergulhar no mundo da música de uma forma mais idealista. Seu desenvolvimento como compositor se deu no início da fase áurea dos festivais de música no Brasil, e ele mergulhou de cabeça, participando de vários deles com canções que conseguiram boa repercussão.

A história de como ele conseguiu ter sua composição Vem Cá, Menina gravada em 1966 por ninguém menos do que Os Cariocas, um dos melhores e mais bem-sucedidos grupos vocais de todos os tempos, por si só já vale a leitura desta deliciosa biografia. A cara de pau e a confiança na qualidade daquilo que havia escrito o levaram a receber aquele sim que muitos gostariam de ouvir, mas por medo preferiram não arriscar. Ele arriscou, e ganhou!

Além dos festivais, do rock and roll e da bossa nova, Fred também viu o início de outro momento seminal para a nossa música, o surgimento das trilhas das telenovelas como um veio fundamental para a divulgação de canções por aqui. Ele teve oito músicas de sua autoria em trilhas de novelas globais entre 1970 e 1972, de atrações de sucesso como Irmãos Coragem, O Cafona, Minha Doce Namorada, Bandeira 2, O Homem Que Deve Morrer e Uma Rosa Com Amor.

Três delas foram muito bem gravadas pela grande estrela Marília Pera- Shirley Sexy, Sex Appeal e Bandeira 2, todas com grande êxito em termos de execução nas rádios. Ele teria mais uma canção incluída em trilha de novela global, em 1996, Jura (na voz de Watusi) curiosamente no remake de Irmãos Coragem, em cuja versão original teve sua primeira faixa gravada em atração desse tipo, a bela Nosso Caminho, na voz da icônica Maysa.

Aliás, a relação dos artistas que gravaram composições de Fred, escritas sozinho ou com parceiros como Paulinho Tapajós, Arnoldo Medeiros, Carlos Colla, Ed Wilson e outros, é de fazer o conhecedor de música arregalar os olhos. Eis alguns deles, além dos já citados anteriormente nesta resenha: Claudette Soares, Beth Carvalho, Clara Nunes, Dóris Monteiro, Wilson Simonal, Antonio Marcos, Vanusa, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Rosemary, Boca Livre, Zé Luiz Mazziotti e Lenny Andrade.

O envolvimento dele com nomes marcantes da história da nossa cultura como Elis Regina, Carlos Imperial, Flávio Silvino, Chacrinha e Daniel Filho também renderam causos deliciosos. E Fred não poderia ter sido mais feliz ao designar para a tarefa Denilson Monteiro, autor de biografias matadoras de Carlos Imperial e Chacrinha, responsável por colocar no papel essas décadas muito bem vividas por ele, em texto fluente que de quebra ainda traz o contexto político brasileiro em cada um desses períodos.

O legal é que essa história ainda está em pleno desenvolvimento, pois aos 82 anos Fred Falcão continua inquieto e produtivo, vide o maravilhoso álbum que lançou com suas composições interpretadas por uma de suas cantoras favoritas, a diva Leny Andrade (leia mais sobre esses lançamentos recentes aqui).

Invadindo o Ensaio Com Fred Falcão- Uma Biografia em Primas e Bordões revela um personagem importante no contexto da música brasileira dos anos 1950 aos dias de hoje, que tem se tornado uma fonte de informações das mais significativas para escritores e jornalistas interessados em registrar as idas e vindas de uma das mais importantes cenas musicais do mundo. E Fred Falcão sabe muito desse babado aí!

Shirley Sexy– Marília Pera:

Humberto Gessinger esbanja personalidade em novo álbum

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Por Fabian Chacur

Participei, em 1986, do que deve ter sido a primeira entrevista coletiva da carreira dos Engenheiros do Hawaii, realizada na denominada “sala de lazer” da gravadora BMG, em São Paulo. O grupo divulgava seu álbum de estreia, Longe Demais das Capitais. Tenho fotos do evento, por sinal. O que mais me chamou a atenção, na época, foi o vocalista e então guitarrista da banda, um certo Humberto Gessinger, citar entre as suas principais influências Pink Floyd e Rush.

Não fazia sentido, se levássemos em conta a sonoridade pop-rock, com elementos de ska, que aquele primeiro trabalho revelava, com os hits Toda Forma de Poder, Sopa de Letrinhas e Longe Demais das Capitais. Estaria ele brincando com os jornalistas, ou mesmo dando a entender de que gostava de uma coisa, mas fazia outra na hora do trabalho? Ficou a dúvida no ar.

Que se encerrou de forma categórica no ano seguinte (1987), com o lançamento de A Revolta dos Dândis, segundo LP do trio que agora trazia Humberto no baixo e vocal, Carlos Maltz ainda na bateria e o jovem veterano Augusto Licks na guitarra, substituindo o baixista Marcelo Pitz. Ali, essas fontes se mostravam de forma cristalina, em uma mistura de rock progressivo, folk e pop-rock ousada e personalizada e temperada por letras inteligentes.

Desde então, muita água passou por debaixo da ponte. Mudaram formatos de se comercializar música, mudaram as gravadoras (muitas acabaram, na verdade), mudaram estilos, mudaram ídolos… Humberto Gessinger, no entanto, manteve-se fiel ao universo musical que escolheu para si, seja como líder dos Engenheiros do Hawaii, integrante do duo Pouca Vogal ou, a partir de 2013, como artista-solo.

Não Vejo a Hora, que a gravadora Deck disponibilizou em CD, LP de vinil, fita cassete e nas plataformas digitais, é o segundo álbum de estúdio completo que Gessinger lança nos últimos seis anos, sucedendo Insular (2013). Nesse meio-tempo, nos ofereceu singles e trabalhos ao vivo bem bacanas, além de shows lotados pelos quatro cantos do país.

Este novo álbum traz onze canções, sendo cinco só dele e seis assinadas com os parceiros Tavares, Felipe Rotta, Nando Peters (duas), Bebeto Alves (um dos monstros sagrados do rock gaúcho) e Duca Leindecker (do grupo Cidadão Quem e parceiro de Humberto no Poca Vogal).

Em oito, atua o power trio integrado por Gessinger (vocal, teclados e baixo), Felipe Rotta (guitarra) e Rafael Bisogno (bateria), e em três, estão em cena Gessinger (viola caipira, violão e voz), Nando Peters (baixo) e Paulinho Goulart (acordeon), com abordagem acústica. Duas formações coesas e certeiras.

Para quem procura novidades escandalosas ou novos rumos sonoros, Não Vejo a Hora pode soar como um “mais do mesmo”, ou “variações sobre um mesmo tema”. E é mesmo, pois o ex-líder dos Engenheiros do Hawaii não abre mão de seus conceitos musicais e poéticos (a tal de “zona de conforto”) neste álbum. E quer saber? Ele está absolutamente certo nessa opção.

Nem sempre mudar de rumo significa algo bom ou positivo em termos artísticos. Aliás, com uma certa frequência, pode gerar frutos nada interessantes, especialmente se a motivação levar em conta objetivos comerciais ou mesmo de tentar agradar a crítica especializada. Convicção e personalidade são elementos muito importantes para quaisquer profissionais, e estão entre os grandes méritos do autor de Infinita Highway.

Atuar dentro de um mesmo universo sonoro não significa, no entanto, necessariamente se repetir de forma tediosa e sem imaginação. Não Vejo a Hora é uma prova disso. Nele, Humberto Gessinger se vale de suas armas habituais com muita inspiração, inteligência e sutileza.

A forma como Gessinger compõe se vale de colagens, bricolagens, citações de outros autores, aproveitamento de elementos poéticos e musicais de obras próprias ou alheias e observações do cotidiano e existenciais. Tem muito parentesco com o estilo de Belchior, que por sinal é citado na deliciosa Estranho Fetiche, prima-irmã de Fetiche Estranho, deste mesmo trabalho.

O cantor, compositor e músico gaúcho demonstra um profundo respeito ao seu público, e isso aparece nas sutilezas que cada faixa nos oferece. Audições repetidas nos levam a observar novos detalhes. Nada parece ser por acaso.

Partiu, por exemplo, que abre o disco, dialoga com Missão, sua faixa de encerramento, nessa perspectiva de seguir em frente, sempre, apesar dos pesares. A vida é assim, e só nos resta encará-la da melhor forma possível.

Um Dia de Cada Vez dá outro toque simples, que é de tentar encarar cada problema no seu tempo, um por vez, sem querer abraçar o mundo com os braços, além de observar que “a cada dia sua agonia, seus prazeres também”.

Bem a Fim, com sua sonoridade acústica, traz como grande sacada os versos “a highway to hell faz a curva e vai pro céu quando a resposta vem do outro lado alguém dizendo que está tudo bem”. Viva as parcerias!

Algum Algoritmo é uma divertida divagação sobre um relacionamento afetivo improvável, que no entanto se firma mesmo assim: “somos muito diferentes, improvável par, algoritmo algum ousaria nos ligar”.

Calma em Estocolmo aborda os turbulentos tempos dos dias atuais, repletos de incertezas que Humberto ressalta bem em versos como “o preço da pressa atropela a tua timeline, atrás do troll elétrico só não cai quem já morreu”.

O clima soturno de vigilância totalitária no melhor estilo 1984, de George Orwell, pontua Olhou Pro Lado, Viu.

As canções acústicas e irmãs Fetiche Estranho e Estranho Fetiche trazem como mote os versos “tudo depende da hora, fruto, semente e flor, mas o sonho de mudar o mundo, ao menos muda o sonhador”. Bem por aí: muitos deixam de sonhar, mas outros tantos pegam o bastão e seguem adiante nessas esperanças utópicas, mas necessárias. E mudam, no fim das contas.

Maioral é a minha favorita do álbum, um belo tapa com luva de pelica na cara de quem se acha o máximo, o dono da cocada preta, ou, enfim, o maioral, com versos sensacionais como “um dinossauro e uma ficha telefônica tem o mesmo tamanho pois agora tanto faz, não faz sentido pensar que é o maioral”.

Outro Nada é mais um biscoito fino sonoro escrito por Humberto em parceria com o genial Bebeto Alves, e outro petardo, prova de que não estranharei se em um futuro próximo os dois gravarem um disco juntos. Missão, da dobradinha Gessinger-Leindecker, fecha a tampa arredondando o conceito inicial.

Em termos sonoros, temos canções melódicas, simples e muito bem concatenadas, interpretadas por um cara que está cantando melhor do que nunca, a caminho de completar 56 anos no dia 24 de dezembro. Sabe valorizar cada palavra e o timbre agradável de sua voz, jogando sempre a favor de cada faixa. Craque, é assim que se define alguém assim?

Não Vejo a Hora é uma profissão de fé no formato álbum, pois suas canções podem perfeitamente ser curtidas individualmente, mas fazem muito mais sentido se ouvidas na sequência que nos é oferecida aqui. Um trabalho sólido de um artista que merece ser levado a sério.

Ouça Não Vejo a Hora em streaming:

George Michael tem novo single, tema do filme Last Christmas

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Por Fabian Chacur

O imenso talento de George Michael faz uma falta danada no cenário pop atual. Uma forma de aplacar um pouco a saudade deste grande cantor e compositor chegou às plataformas digitais nesta quarta-feira (6). Trata-se de This Is How (We Want You To Get High), single inédito e primeiro lançamento póstumo do astro pop. A canção integra um projeto cinematográfico que pode se tornar um grande sucesso de público.

Trata-se do filme Last Christmas (Uma Segunda Chance Para Amar, no Brasil), coescrito pela consagrada atriz britânica Emma Thompson e estrelado pelos atores Emilia Clarke e Henry Golding, com direção a cargo de Paul Feig (o mesmo da versão feminina de Os Caça-Fantasmas, de 2016).

O legal é que a trama, uma comédia romântica, é baseada em hits da carreira de George Michael. O álbum com a trilha sonora, que será disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (8) e em breve também sairá no Brasil em CD, traz mais 14 faixas além da inédita, sendo três do Wham!, duo que levou o astro ao topo das paradas mundiais, e 11 hits de sua carreira-solo.

This Is How (We Want You To Get High), uma canção balançada e muito bacana com fortes elementos eletrônicos, começou a ser trabalhada em 2012, teve seu desenvolvimento em sessões no Air Studios (criado pelo saudoso e genial George Martin, produtor dos Beatles) e finalizada em 2015, durante as últimas gravações do autor de Father Figure. James Jackman é creditado como coautor e coprodutor desse single ao lado de George.

Eis as músicas da trilha de Last Christmas:

1. Last Christmas – Wham!
2. Too Funky
3. Fantasy
4. Praying for Time
5. Faith
6. Waiting for That Day
7. Heal the Pain
8. One More Try
9. Fastlove, Pt. 1
10. Everything She Wants – Wham!
11. Wake Me up Before You Go-Go – Wham!
12. Move On
13. Freedom! ’90
14. Praying for Time
15. This Is How (We Want You to Get High)

This Is How (We Want You To Get High)– George Michael:

Sylvia Patricia mescla Brasil e latinidade no seu belo EP Piel

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Por Fabian Chacur

Há exatos 30 anos, Sylvia Patricia lançou um disco autointitulado pela gravadora Sony Music. A partir dali, esta cantora, compositora e instrumentista baiana desenvolveu uma carreira impecável, com direito a discos de estúdio deliciosos, um DVD ao vivo retrospectivo de primeira linha e shows sempre encantadores. Como forma de celebrar essas três décadas de muita qualidade e coerência artística, ela nos oferece o EP Piel (Speciarias Musicais), outra delícia auditiva.

Quem acompanha Mondo Pop há mais tempo sabe que tenho um carinho todo especial pela obra de Sylvia Patricia (leia mais matérias sobre a artista aqui). E não é para menos. Ouvir sua voz calorosa e doce vicia, aquele tipo de vício que não tem contra-indicação. Afinal, nada melhor do que prazer auditivo intenso.

Piel (pele, em castelhano) é uma espécie de cartão de visitas do lado mais latino da sonoridade de Sylvia. Temos aqui seis faixas. Besame Mucho, grande clássico da música latina escrito pela compositora mexicana Consuelo Velásquez nos anos 1940 e regravada até, pasmem, pelos Beatles, aparece em duas releituras no melhor estilo bossa nova, uma com letra em português e outra com alguns versos em catalão escritos pelo músico dessa origem Daniel Cros.

Un Beso, de Sylvia em parceria com Paulo Rafael, também é oferecida em duas gravações diferentes, ambas em castelhano. Uma é a versão original, lançada originalmente no álbum No Rádio da Minha Cabeça (2006), e a outra se trata de um remix feito pelo baiano DJ Titoxossi. Ambas são calientes e com uma levada bem espanhola, bem flamenca.

Lançada originalmente em 2014 em outro EP, De Vuelta (Sylvia Patricia-Cecelo Froni) reaparece agora em uma versão denominada Rio-Barcelona Mix.

A faixa mais interessante é Resistiré (Carlos Toro e Manuel de La Calva), da trilha sonora do filme Ata-me (1989), de Pedro Almodóvar. Sylvia já a havia regravado em seu álbum Andante (2010), mas nesta nova versão ele teve uma bela sacada: acrescentou trechos do clássico disco I Will Survive (Dino Fekaris-Freddie Perren), estouro mundial em 1979 na voz da americana Gloria Gaynor. Como as músicas tem boas semelhanças entre si, ficou um mix dos mais encantadores.

Este novo EP funciona como um delicioso aperitivo para quem estava sedento por novas gravações de Sylvia Patricia, e também pode ser um bom cartão de apresentação ou porta de entrada para novos fãs.

Resistiré– Sylvia Patricia:

CaRIOca Prog Festival leva rock progressivo ao Rio e a Niterói

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Por Fabian Chacur

O rock progressivo surgiu no finalzinho dos anos 1960 e se desenvolveu durante a década de 1970, tornando-se uma das vertentes mais sofisticadas e criativas desse gênero musical. Após esse auge, perdeu espaço na mídia, mas continuou sendo cultuado por um público fiel, além de inspirar novas bandas. A prova é o CaRIOca Prog Festival, cuja terceira edição será iniciada neste sábado (31) às 21h com show da banda Kaizen, e encerrada no dia 25 de outubro, com o histórico Bacamarte (FOTO), tendo shows no Rio e em Niterói (veja a programação completa abaixo).

Realizada graças a uma parceria da Vértice Cultural com a BeProg e sem patrocínio, o CaRIOca Prog Festival prova vitalidade ao trazer um total de 12 bandas, mais do que o dobro das edições anteriores, incluindo formações do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Pará, Rondônia e Rio Grande do Sul. Os shows terão como palcos o Centro Cultural Justiça Federal (Cinelândia), Centro da Música Carioca (Tijuca), Solar de Botafogo e Theatro Municipal de Niterói.

O elenco traz maravilhas como o grupo Bacamarte, integrante histórico do rock progressivo brasileiro e carioca, com 45 anos de estrada e um álbum, Depois do Fim (gravado em 1979 e lançado em 1983) considerado um clássico do prog rock mundial. Em seu show, eles contarão com a participação especial da consagrada cantora Jane Duboc, que fez as vezes de vocalista da banda nesse trabalho relançado em 2009 pela Som Livre no formato CD.

O grupo paulista Dialeto trará a seu show um convidado mais do que especial. Trata-se do violonista britânico David Cross, que integrou o seminal grupo King Crimson, participando com destaque de álbuns venerados mundialmente como Lark’s Tongue In Aspic (1973), Starless And Bible Black (1974) e Red (1974). O baixista Jorge Pescara também mostrará a vertente progressiva de seu trabalho. E tem mais, muito mais.

PROGRAMAÇÃO – CaRIOca ProgFestival 2019

31/8 (sábado) – KAIZEN (Rio de Janeiro)

Lançamento do álbum Áquila

Local: Teatro Municipal de Niterói

Horário: 19h

Ingressos: R$ 100,00 (inteira) / R$50,00 (meia-entrada legal)

Av. XV de Novembro, 35 – Centro

Niterói – RJ

Tel. (21) 2620-1624

5/9 (quinta-feira) – TEMPUS FUGIT (Rio de Janeiro)

Lançamento do álbum remasterizado The Down After The Storm

Local: Centro da Música Carioca

Horário: 20h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

12/9 (quinta-feira) – SEQUAZ (Niterói – RJ)

Retorno ao Vivo

Local: Centro da Música Carioca

Horário: 20h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

19/9 (quinta-feira) – PROGNOISE (Rondônia)

Lançamento do álbum Solar

Local: Centro da Música Carioca (CMC)

Horário: 20h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

26/9 (quinta-feira) – ULTRANOVA (Pará)

Samsara

Local: Centro da Música Carioca (CMC)

Horário: 20h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

1º/10 (terça-feira) – PESCARA-KNIGHT PROG (Rio de Janeiro)

Cavaleiro sem Armadura

Local: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)

Horário: 19h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia entrada legal)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

10/10 (quinta-feira) – DIALETO (São Paulo) com David Cross

De Blavatsky a Bartók

Local: Centro Cultural Solar de Botafogo

Horário: 21h

Ingressos: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia entrada legal)

Rua General Polidoro, 80 – Botafogo

Rio de Janeiro – RJ (21) 2543-5411

12/10 (sábado) – ARCPELAGO (Rio de Janeiro)

Show Interseções

Local: Centro da Música Carioca (CMC)

Horário: 17h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

12/10 (sábado) – CARAVELA ESCARLATE (Rio de Janeiro)

Local: Centro da Música Carioca (CMC)

Horário: 20h

Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$20,00 (meia-entrada)

Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Rio de Janeiro – RJ (21) 3238-3831

*Para quem assistir aos dois shows, os ingressos passam a ser R$ 60,00/ R$ 30,00 (meia-entrada).

18/10 (sexta-feira) – APOCALYPSE (Rio Grande do Sul)

The 35th Anniversary Concert

Local: Centro Cultural Solar de Botafogo

Horário: 21h

Ingressos: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia entrada legal)

Rua General Polidoro, 80 – Botafogo

Rio de Janeiro – RJ (21) 2543-5411

19/10 (sábado) – APOCALYPSE (Rio Grande do Sul)

The 35th Anniversary Concert

Local: Centro Cultural Solar de Botafogo

Horário: 21h

Ingressos: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia entrada legal)

Rua General Polidoro, 80 – Botafogo

Rio de Janeiro – RJ (21) 2543-5411

22/10 (terça-feira) – FLEESH (Rio de Janeiro)

Lançamento do álbum Across the Sea

Local: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)

Horário: 19h

Ingressos: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia entrada legal)

Av. Rio Branco, 241 – Centro

Tel. (21) 3261-2550

25/10 (sexta-feira) – BACAMARTE (Rio de Janeiro)

45 Anos

Local: Teatro Municipal de Niterói

Horário: 20h

Ingressos: R$ 160,00 (inteira) / R$ 80,00 (meia-entrada legal)

Av. XV de Novembro, 35 – Centro

Niterói – RJ

Tel. (21) 2620-1624

Depois do Fim- Bacamarte (ouça o álbum em streaming):

Boca Livre celebra 40 anos de estreia com Viola de Bem Querer

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Por Fabian Chacur

Em 1979, saía pela via independente o álbum de estreia do Boca Livre. Não demorou para que se tornasse um verdadeiro fenômeno, pois mesmo sem a ajuda das grandes gravadoras, atingiu em cheio o grande público e ultrapassou a marca das 100 mil cópias vendidas. E aquilo era só o começo de uma trajetória belíssima. Quatro décadas depois, o quarteto carioca celebra a efeméride com Viola de Bem Querer, um trabalho que os mantém em seu alto patamar de qualidade artística.

Quando fiquei sabendo do novo título do álbum do Boca Livre, imaginei que se trataria de um trabalho retrospectivo de seus maiores sucessos, pois a frase remetia a dois grandes hits da banda, Quem Tem a Viola e Toada (Na Direção do Dia). Errei feio! Na verdade, Viola de Bem Querer é uma composição do jovem cantor, compositor e músico paulista Breno Ruiz, lançada por ele em seu álbum Cantilenas Brasileiras, lançado em 2016 pela via independente.

Com letra a cargo do consagrado Paulo Cesar Pinheiro, esta belíssima canção, curiosamente, foi gravada por Breno em versão na qual temos ele cantando e tocando piano (seu instrumento habitual) e acompanhado por Igor Pimenta (baixo acústico). Ou seja, não tem viola! Na releitura feita pelo Boca, o instrumento se faz presente, reforçando sua mensagem simples e encantadora.

A formação atual do Boca Livre é a sua mais estável nesses 41 anos de estrada, com Zé Renato (voz e violão), Mauricio Maestro (voz, baixo e violão), David Tygel (voz e viola) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Desde o início, investem em uma sonoridade que traz como influências mais visíveis o Clube da Esquina, a ala mais melódica do rock rural, bossa nova e outras vertentes bacanas da nossa música popular. Isso, dando continuidade à tradição de grandes grupos vocais brasileiros, como MPB-4 e Os Cariocas.

Viola de Bem Querer, como um todo, os mostra no geral com uma ênfase no som mais rural, o que transparece logo na capa e nas fotos incluídas no belo encarte da versão em CD deste trabalho. São nove faixas no total. O padrão habitual se mantém, com algumas composições de integrantes do time, como as belas Santa Marina (parceria de Lourenço Baeta com o poeta Cacaso), Noite (escrita por Zé Renato com a genial Joyce Moreno, autora de um dos pontos altos do álbum de estreia, Mistérios, feita com Mauricio Maestro), Eternidade (Mauricio Maestro) e a instrumental O Paciente (David Tygel).

Somadas às autorais, temos composições alheias escolhidas a dedo, como a deliciosa Um Paraíso Sem Lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo), e clássicos perenes da música brasileira em encantadoras adaptações personalizadas. Amor de Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) vem do Clube da Esquina, enquanto Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira) sai do berço da canção rural brasileira. A surpresa fica por conta de Vida da Minha Vida (Moacyr Luz e Sereno), hit na voz de Zeca Pagodinho que aqui ganhou contornos latinos e percussivos.

Além dos quatro se desdobrando em vocais e instrumentos musicais, o disco conta com participações de músicos do porte de Pantico Rocha (bateria, conhecido por seu trabalho com Lenine), João Carlos Coutinho (piano elétrico), Bernardo Aguiar (pandeiro), Thiago da Serrinha (percussão) e Marcelo Costa (percussão). A sonoridade delicada e envolvente do grupo se mostra muito bem preservada, enfatizando os belos arranjos vocais, dividindo-se entre uníssomos, solos e vocalizações elaboradas e encantadoras.

Muito legal ver um grupo celebrar 40 anos de seu disco de estreia com um trabalho que não soa saudosista ou redundante. Aqui, o que temos é a fidelidade intensa e entusiástica a um estilo próprio de se fazer música, sem se render a modismos ou tendências do cenário musical, e oferecendo apenas o melhor a quem os acompanha nesses anos todos. Da mesma forma que ouvimos até hoje Boca Livre (o álbum) com o mesmo prazer de 1979, certamente este Vida da Minha Vida continuará encantando daqui a muitos e muitos anos.

Viola de Bem Querer– Boca Livre:

Alfredo Dias Gomes funde MPB e jazz instrumental no álbum Solar

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Por Fabian Chacur

Alfredo Dias Gomes iniciou sua carreira no final dos anos 1970, ainda muito jovem. E começou com tudo, sendo o baterista da banda do incrível Hermeto Pascoal, conhecido pelo rigor com que arregimenta seus músicos de apoio. Com o tempo, atuou com inúmeros grupos e artistas, entre os quais Heróis da Resistência, Ivan Lins, Lulu Santos, Ritchie e Sergio Dias, só para citar alguns. Desde 1993, o músico carioca se concentra em sua carreira-solo, que acaba de render mais um novo e belo fruto, o álbum Solar, disponível nas plataformas digitais e também em CD.

Duas características marcam este trabalho. Uma é o fato de Alfredo ter a seu lado apenas mais um músico, Widor Santiago, que se incumbe dos sopros (sax e flauta). De resto, temos ele na bateria e também nos teclados, baixos e composições. A outra fica por conta de um mergulho em sonoridades brasileiras, especialmente de ritmos nordestinos, que se misturam ao jazz durante as oito faixas do álbum, com um resultado dos mais agradáveis.

O título Solar, que também dá nome a uma das faixas do disco, é bem feliz para retratar o clima geral deste trabalho. É um álbum para cima, bom de se ouvir, energético, no qual as sutilezas são oferecidas ao ouvinte de forma inteligente, sem cair no formato hermético que por vezes a música instrumental acaba seguindo em função da virtuosidade dos músicos envolvidos. Aqui, tanto Alfredo quanto Widor Santiago solam com categoria e esbanjam técnica, mas sem cair em tecnicismos ególatras.

A faixa Viajante é a mais antiga do repertório, e tem uma história bacana. Ela foi escrita por Alfredo em 1980, atendendo ao pedido de sua mãe, ninguém menos do que a novelista Janete Clair. A música foi gravada originalmente por Dominguinhos e entrou na trilha sonora da novela global Coração Alado (1980-1981). Agora, enfim recebe versão de seu autor. Trata-se de uma espécie de baião, com bela ênfase rítmica e melodia redonda e gostosa. Aliás, vale lembrar que seu pai é o também novelista-e também saudoso- Dias Gomes.

Se a pegada brasileira predomina em Viajante, na faixa título e em Corais, o jazz clima anos 1950 marca a incrível Smoky, enquanto o jazz rock permeia Alta Tensão e Trilhando. Com sotaque latino, El Toreador foi escrita em 1993 para a trilha sonora da peça teatral homônima de Janete Clair. E Finale encerra o CD com classe. No geral, Solar mostra Alfredo Dias Gomes à vontade como músico e compositor, proporcionando ao ouvinte muito prazer auditivo.

Ouça Solar, de Alfredo Dias Gomes, em streaming:

Johnny Alf e sua essência são as marcas de dois álbuns digitais

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Por Fabian Chacur

Alfredo José da Silva, embora sóbrio, não era um nome muito charmoso para um dos grandes nomes da história da nossa música. Felizmente, ele atendeu a sugestões de amigos e tornou-se Johnny Alf, denominação muito mais classuda. E deu muito certo. Esse grande cantor, compositor e pianista carioca, que completaria 90 anos no próximo dia 19, mas que infelizmente nos deixou em 2010, construiu uma obra sólida e densa que merecia ser bem mais cultuada do que é. A Kuarup acaba de disponibilizar em todas as plataformas digitais dois álbuns inéditos deste gênio, intitulados O Autor e O Intérprete.

Para alguns dos maiores especialistas no tema, entre eles o jornalista Ruy Castro, Johnny foi o pioneiro da bossa nova, misturando com criatividade e sutileza samba e jazz já no início da década de 1950. Versátil, ele sabia não só compor com desenvoltura como também tocar um piano personalizado, além de reler com classe canções alheias. Um artista de primeira, que habitualmente rendia o máximo ao vivo, nos palcos da vida, com uma categoria reservada a poucos.

Os dois álbuns digitais trazem faixas extraídas de gravações ao vivo realizadas no início dos anos 2000 pertencentes ao acervo do produtor e empresário Nelson Valência, que trabalhou por muitos anos com Johnny Alf. Esse material foi pesquisado pelo consagrado produtor musical e jornalista Thiago Marques Luiz, que se incumbiu de selecionar o repertório que chegou aos produtos finais.

O álbum O Autor nos traz dez das composições mais icônicas do nobre songbook do artista carioca, com direito a Rapaz de Bem, O Que é o Amor, Eu e a Brisa e Ilusão À Toa. O Intérprete, por sua vez, nos oferece suas certeiras releituras de maravilhas alheias do porte de Corcovado, Chega de Saudade, Desafinado, Valsa de Eurídice, Alguém Como Tu e The Shadow Of Your Smile.

Totalmente à vontade e em excelente forma, tanto vocal como instrumental, Johnny aparece no formato do trio de jazz, acompanhado por um guitarrista e um baterista. Suas performances tem total DNA jazzístico, respeitando as melodias mas não se negando a improvisos deliciosos e a belos solos de piano e guitarra aqui e ali. Em alguns momentos, ele fala com a plateia, dando informações sobre as músicas. A qualidade de áudio é das melhores.

O material merecia ter lançamento físico, com direito a um encarte com texto informativo redigido por Thiago e uma capa aproveitando as simples, porém muito belas e eficientes imagens que ilustram as versões digitais, mas só o fato de essas gravações raras chegarem à tona e estarem agora disponíveis para todos os fãs da melhor música brasileira já merece fartos aplausos.

O Intérprete- Johnny Alf (ouça em streaming):

Duca Belintani mescla blues e folclore e grava CD espetacular

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Por Fabian Chacur

Com mais de 35 anos de carreira, Duca Belintani é cantor, compositor, guitarrista, educador, produtor e escritor. No currículo, seis CDs, participação no grupo Verminose e coautoria (ao lado de Ricardo Gozzi) do livro Kid Vinil Um Herói do Brasil, biografia do saudoso vocalista do Magazine e do Verminose. Agora, chegou a vez do sétimo álbum, e o mote para o mesmo não podia ter sido mais interessante: uma fusão entre as várias vertentes do blues, seu estilo musical de coração, e o folclore brasileiro. Desta forma, nasceu Blues Na Floresta, sem exageros um dos grandes lançamentos de 2019 até o momento.

Como forma de viabilizar o seu projeto, Duca se associou ao letrista Osmar Santos Jr. . Juntos, escolheram personagens icônicos do folclore brasileiro, adaptando para a nossa cultura uma das características mais peculiares das origens do blues americano. O resultado não poderia ter ficado melhor, trazendo para a brincadeira o lobisomem, o saci pererê, o bicho papão, o boitatá, o curupira e outros. O bacana é que as letras conseguem ao mesmo tempo dialogar com o público infantil e o adulto, sem cair em abordagens infantilistas que por vezes tornam esse tipo de trabalho um desrespeito à inteligência dos petizes.

Duca, que canta bem e toca uma guitarra incisiva e personalizada, conta com o apoio de Benigno Sobral (baixo), Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (gaita), Vinas Peixoto (percussão), Adriano Grineberg (teclados) e Mateus Schanoski (teclados). Esse time dá uma consistência musical impecável às 11 gravações, com direito a muita energia, qualidade técnica e tesão, elementos sem os quais o blues não tem como se tornar relevante, em face de sua aparente simplicidade estilística. Tocar blues é simples, mas tocar blues BEM não é para qualquer um, e Duca e sua gang dão um show nesse requisito.

Além desse timaço, o disco também traz convidados especiais de primeira: Andreas Kisser, Graça Cunha, Paulo Freire, Suzana Salles, Theo Werneck e Vange Milliet, que ajudam a dar aquele retoque final e perfeito a algumas das faixas. A musicalidade mergulha em diversas variações do blues, com direito a elementos de jazz, rockabilly e rhythm and blues.

O lado mais pesado, próximo do hard rock, aparece nas faixas Cuca e Blues Na Floresta. O divertido rockabilly Assombrou a Festa traz os vocais irreverentes de Suzana Salles e Vange Milliet, enquanto o clima rhythm and blues suave permeia a bela Iara, com vocal de Graça Cunha. Matita Pereira tem uma deliciosa levada jazzy com uma pitada de Moondance, de Van Morrison, enquanto Lobisomem vai na linha do blues rock compassado. Um álbum espetacular!

Blues Na Floresta mostra que um dos ritmos mais influentes e seminais da música pode ser explorado com uma abordagem brasileira sem sair de seus cânones tradicionais. E vale ressaltar a belíssima apresentação do CD, com direito a capa digipack, encarte colorido e belíssimas ilustrações individualizadas para cada personagem (incluindo o próprio Duca) feito por feras como Tim Ernani, Marco China, Ennio Nascimento, Kel Cerruti, Thiago Martins, Gabi Barbosa, Edison Vieira Pinto, Marcos Madalena, Luiz Gabriel, Nando Sobral e Milton de Souza (o Trinkão Watts, baterista do Magazine e do Verminose).

Ouça trechos das canções do álbum Blues Na Floresta:

Musical sobre o Fleetwood Mac será encenado em SP, RJ e BH

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Por Fabian Chacur

Um de meus sonhos era ver o Fleetwood Mac ao vivo no Brasil com sua formação mais bem-sucedida. Como isso parece ser praticamente impossível, após a saída de Lindsey Buckingham (que de quebra luta contra sérios problemas de saúde), o mais próximo disso parece ser a turnê que a banda cover britânica Rumours Of Fleetwood Mac fará pelo Brasil, com shows dias 15 de Agosto de 2019 em São Paulo (Espaco das Américas), 16 de Agosto no Rio de Janeiro (Vivo Rio) e 17 de Agosto em Belo Horizonte (Teatro Palácio das Artes). Trata-se, no mínimo, de uma banda cover com um belíssimo pedigree.

Não é por acaso que intitulei esse post como se fosse a encenação de um musical sobre a banda. Porque, na prática, é isso mesmo que se passa nas apresentações do Rumours Of Fleetwood Mac. Criado em 1999 e com mais de 700 shows no currículo, o grupo tem o aval de ninguém menos do que Mick Fleetwood, o baterista que criou a seminal banda, e de Stevie Nicks, a cantora que entrou no time em 1975 e ajudou a elevá-lo ao topo do pop rock mundial. Além disso, Mick já participou de shows dessa banda-tributo, assim como o guitarrista Rick Vito, que substituiu Lindsey Buckingham no FM entre 1987 e 1991.

O grupo é integrado por Jess Harwood (vocal, interpreta as músicas de Stevie Nicks)), James Harrison (guitarra e vocal, faz as vezes de Lindsey Buckingham), Scott Poley (guitarra e vocal), Alan Cosgrove (bateria, até o visual lembra o de Mick Fleetwood), Emily Gervers (teclados e vocal, veste a pele de Christine McVie), Etienne Girard (baixo) e Dave Goldberg (teclados, guitarra e os vocais do primeiro cantor do grupo em sua fase de blues rock, Peter Green). Um time afiadíssimo, que replica com muito detalhismo e energia as canções do FM.

O repertório traz Dreams, Don’t Stop, You Make Loving Fun e todas as outras músicas do mitológico álbum Rumours (1977), um dos mais vendidos da história, e os hits mais importantes dos 50 anos de estrada da banda, entre os quais Black Magic Woman, Albatross, Sarah, Gypsy, Little Lies, Seven Wonders e Everywhere.

O show é aberto com um vídeo no qual Mick Fleetwood dá um depoimento sobre a banda, sendo que outros vídeos e textos são usados durante a apresentação para ilustrar a trajetória de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Veja trechos de músicas com o grupo aqui .

Seven Wonders (ao vivo)- Rumours Of Fleetwood Mac:

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