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Johnny Nash, o americano que ajudou a popularizar o reggae

johnny nash

Por Fabian Chacur

Chega a ser irônico o fato de que, em um ano tão duro e cinza como este sofrido 2020, o autor de um dos hinos mais solares referentes à esperança de se ver um tempo melhor enfim chegar nos deixe. Trata-se do cantor, compositor, produtor e ator americano Johnny Nash, que se foi nesta terça (6) aos 80 anos de idade. Sua canção mais conhecida, I Can See Clearly Now, é uma dessas injeções de ânimo musicais que nunca sairão de moda.

John Lester Nash Jr. nasceu em Houston, Texas, no dia 19 de agosto de 1940, e deu início ao seu envolvimento com a música cantando em igrejas. Ainda adolescente, aos 17 anos, lançou o seu primeiro single, A Teenager Sings The Blues (1957). Sua gravação de A Very Special Love, em 1958, valeu um respeitável 23º lugar na parada americana. Em 1959, gravou ao lado de Paul Anka e George Hamilton IV The Teen Commandments, que proporcionou ao trio um 29º lugar entre os singles mais vendidos na época.

Nash estrelou como ator o filme Take a Giant Step (1959), que lhe valeu muitos elogios e até mesmo uma premiação. Embora tenha atuado outras vezes nos anos seguintes, ele preferiu se dedicar com mais afinco à música. Em 1965, criou com o manager Danny Sims o selo Joda. Pouco depois, foi à Jamaica e ficou apaixonado pela música local, especialmente pelo rocksteady, ritmo pop que resolveu tentar divulgar nos EUA.

Lá pelos idos de 1967, montou uma nova gravadora, a JAD, e nessa época começou uma parceria artística com o então iniciante grupo The Wailers, que gravou alguns discos com ele. O líder dessa banda, um certo Bob Marley, de quebra comporia várias músicas que Nash registraria ele próprio.

Em 1972, Johnny Nash assinou com a gravadora Epic, e se deu bem ao lançar o single I Can See Clearly Now (ouça aqui). Acompanhado pela banda jamaicana The Fabulous Five Inc, ele captou o espírito do então emergente reggae e o misturou com elementos de soul e pop. Acertou na mosca, chegando ao topo da parada americana de singles e vendendo mais de um milhão de cópias desse compacto.

O álbum que lançou a seguir, intitulado I Can See Clearly Now, trouxe quatro composições de Bob Marley: Guava Jelly, Comma Comma, You Poured Sugar On Me e Stir It Up. Esta última também saiu em single e foi o seu segundo maior sucesso, chegando ao 12º posto nos EUA e se tornando o primeiro hit internacional escrito pelo mestre do reggae, que a regravaria e a incluiria em seu primeiro álbum pela Island Records, Catch a Fire (1973).

A partir daí, Nash teria dificuldades em replicar hits tão significativos, e passou a gravar de forma muito mais esparsa, praticamente sumindo de cena depois de lançar o álbum Here Again (1986). I Can See Clearly Now, no entanto, continuou lhe rendendo frutos. Jimmy Cliff a regravou em 1993 para a trilha do filme Jamaica Abaixo de Zero (Cool Runnings, 1993) e chegou ao 18º posto nos EUA.

Outras releituras de I Can See Clearly Now foram feitas por Ray Charles, The Hothouse Flowers, Lee Towers e até mesmo a nossa Marisa Monte. Essa música volta e meia é usada em comerciais de TV, incluindo uma campanha televisiva recente no Brasil. Que sua mensagem positiva se torne realidade em breve.

Stir It Up– Johnny Nash:

Maroon 5 lança cover de Bob Marley para a Copa da Rússia

maroon 5 2018-400x

Por Fabian Chacur

Os EUA não conseguiram se classificar para a Copa do Mundo de Futebol de 2018, disputada na Rússia. No entanto, um grupo desse país, o Maroon 5, está envolvido em uma ação promocional da Hyundai planejada para esse grandioso evento. Sua participação foi regravar Three Little Birds, grande hit de Bob Marley lançado pelo autor no álbum Exodus (1977).

O clipe, que mostra o septeto tocando em um cenário tropical e entre belos efeitos de animação, conta com a direção do americano de origem coreana Joseph Kahn. Na ativa desde a década de 1990, ele é responsável por clipes clássicos como Without Me (Eminem) e Toxic (Britney Spears) e já trabalhou com artistas do porte de Elton John, U2, George Michael, Janet Jackson, Backstreet Boys, Kelly Clarkson e Black Eyed Peas, entre (muitos) outros.

Essa nova gravação da banda, que não registrou muitos covers em sua trajetória de quase 20 anos de estrada, chega ao público poucos meses após o lançamento do álbum Red Pill Blues (2017-leia a resenha de Mondo Pop aqui), trabalho que atingiu o segundo posto na parada americana e rendeu ao grupo liderado pelo vocalista, músico e compositor Adam Levine diversos hits nos charts mundiais, entre eles a recente Girls Like You, com participação de Cardi B.

Three Little Birds (clipe)- Maroon 5:

Kaya, de Bob Marley, ganha bela reedição

Por Fabian Chacur

Depois de ser vítima de um atentado na Jamaica que quase custou sua vida e a de sua mulher, Rita, Bob Marley se mudou em 1977 para Londres, na Inglaterra. Lá, gravou uma série de canções que foram distribuídas em dois álbuns. Um, Exodus, saiu naquele mesmo ano e é considerado um de seus trabalhos mais bem-sucedidos.

O outro, Kaya, chegou às lojas em 1978, e não teve tanta repercussão, embora inclua um hit de proporções monstruosas, Is This Love. Como forma de celebrar os 35 anos de lançamento deste disco, a Universal Music acaba de lançar no Brasil uma reedição luxuosa que nos dá a oportunidade de reavaliar este belo trabalho do eterno rei do reggae.

Kaya é um álbum menos centrado na parte política da obra de Marley, concentrando-se mais em canções de amor e espiritualidade. Sua sonoridade é mais doce, pop e delicada do que a de Exodus, equivalendo a uma espécie de irmão mais tranquilo daquele álbum marcante. Mas ambos são ótimos, cada qual com suas peculiaridades.

Além do megahit, o disco inclui maravilhas como a cativante Easy Skanking, a envolvente Time Will Tell e as deliciosas Sun Is Shining e Satisfy My Soul. As sutilezas de seus arranjos aparecem com mais intensidade a cada nova audição, permitindo diferenciar melhor uma canção da outra e sentir suas riquezas melódicas e líricas.

A nova edição de Kaya inclui capa digipack tripla, um belíssimo encarte com 28 páginas repletas de fotos, texto impecável sobre o álbum, letras de todas as canções e ficha técnica completa das gravações, que foram feitas nos estúdios da Island Records, em Londres.

Se isso tudo não bastasse, temos ainda um segundo CD, que inclui gravação feita ao vivo em 7 de julho de 1978 de um show realizado por Bob Marley e sua banda The Wailers na cidade holandesa de Rotterdam. Em performance inspirada, ele interpreta duas canções de Kaya, três de Exodus e clássicos de seu repertório como No Woman No Cry, Get Up Stand Up e I Shot The Sheriff. São 13 músicas, em versões soltas e estendidas em relação às gravações de estúdio.

Essa impecável reedição de Kaya é mais uma prova de que nenhum dos discos de carreira lançados por Bob Marley na Island Records pode ser subestimado. Todos são bons, cada qual do seu jeito, e merecem ser apreciados por quem gosta não só de reggae, mas de música de qualidade em geral. Bob Marley (1945-1981) nos deixou um legado musical espetacular que será cultuado para sempre.

Ouça Is This Love, com Bob Marley & The Wailers:

Conheça melhor Bob Marley em ótima trilha

Por Fabian Chacur

Sempre que a palavra reggae é pronunciada, um nome costuma ser relembrado de imediato: Bob Marley (1945-1981). E não é para menos. Poucos artistas representam de forma tão completa um gênero musical como este cantor, compositor e músico.

Como forma de registrar a trajetória desse verdadeiro gênio da música, o diretor Kevin McDonald, conhecido pelo ótimo filme O Último Rei da Escócia (2006), incumbiu-se de criar um documentário, Marley, que estreou em abril nos cinemas do mercado internacional (espero que passe por aqui em breve).

Nele, valendo-se de entrevistas de arquivo e performances ao vivo do Marley, além de entrevistas com seus familiares e gente importante em sua trajetória como Jimmy Cliff, Bunny Livingstone Wailer e Chris Blackwell, McDonald nos dá um bom mergulho sobre a trajetória do músico jamaicano, durante 144 minutos que devem ser imperdíveis.

Se o documentário ainda não está disponível em nossas telonas, ao menos a trilha sonora, intitulada Marley – The Original Soundtrack, acaba de ser lançada por aqui pela Universal Music, com essa capa belíssima que você vê acima.

Trata-se de um álbum duplo incluindo 24 faixas que procuram representar toda a trajetória musical do rei do reggae, indo de Corner Stone (de 1962), uma de suas primeiras gravações, até a maravilhosa Redemption Song.

As faixas se dividem entre versões já lançadas anteriormente, novas mixagens e gravações ao vivo inéditas, como a de Jammin’ registrada em 1978 no histórico evento One Love Peace Concert, ou uma versão dub de Exodus.

O álbum é repleto de clássicos do repertório de Marley, como Small Axe, Get Up Stand Up, No Woman No Cry, Could You Be Loved, I Shot The Sheriff, Three Little Birds e One Love.

Através da audição desta trilha sonora, fica mais fácil entender o porque Bob Marley continua até hoje sendo o nome máximo da história do reggae. Ele sabia com raro talento e criatividade unir ótimas melodias, letras ora ácidas, ora filosóficas, ora doces e românticas e um senso rítmico contagiante e hipnótico.

Não é de se estranhar que, mesmo 31 anos após sua morte prematura, as canções desse gênio continuem sendo ouvidas, cantadas e reverenciadas por milhões de pessoas em todo o mundo.

Marley – The Original Soundtrack serve como boa introdução à obra do mestre, ou mesmo como um bom disco para se usar como trilha sonora de nosso dia-a-dia.

Veja dois trailers do documentário Marley:

Legend – Bob Marley & The Wailers (Island-1984)

Por Fabian Chacur

Se estivesse vivo, Bob Marley teria feito 65 anos no último dia 6 de fevereiro. Como na verdade ele continua presente na vida de todos nós graças a suas canções inesquecíveis, vale lembrar seu álbum mais espetacular.

Chega a ser covardia colocar uma coletânea como melhor disco do Rei do Reggae. Afinal de contas, em seus quase 20 anos de carreira o cantor, compositor e músico jamaicano lançou trabalhos ótimos.

Portanto, uma seleção de canções matadoras é realmente tranquilo de se fazer. Mas Legend é um caso muito especial e merece quebrar essa regra de sempre privilegiar discos de carreira por aqui.

Lançada em 1984, três anos após a prematura morte de Marley aos 36 anos, esta compilação dá uma geral no que de melhor ele gravou em seus anos na Island Record, precisamente entre 1973 e 1981.

São 14 faixas indiscutíveis, colocadas emsequência simplesmente irresistível. Difícil colocar para tocar e tirar antes do final. Começam os primeiros acordes de Is This Love e quando você se dá conta, já está em Jamming, que encerra o CD

Ouvir o repertório desta compilação ajuda a entender o porque Marley permanece relevante em pleno século 21. Ele vai muito além do ritmo que ajudou a criar e divulgar mundo afora.

Além de ritmicamente irresistíveis, suas canções também apostavam em melodias inspiradas e bem encadeadas, além de letras fortes abordando temas como vida, sonhos, amor, política e espiritualidade, sem nunca se perder em soluções fáceis e banais.

Sua voz era linda e de um carisma sublime, e os músicos que o acompanhavam sabiam tirar tudo o que de melhor as melodias criadas pelo Rei do Reggae podiam gerar. Resultado: música ótima e acima de rótulos.

Não é por acaso que Legend vendeu mais de dez milhões de cópias nos Estados Unidos e algo em torno disso no resto do mundo, tornando-se o trabalho de reggae mais vendido de todos os tempos.

E vale lembrar que o repertório inclui não a boa versão de estúdio de No Woman No Cry, mas sim a excepcional ao vivo gravada em 1975 no teatro Lyceum, em Londres e lançada no álbum Live!.

Há momentos em que os anjos do bem parece que se incorporam em alguns músicos, fazendo com que eles rendam além da imaginação nos palcos, e é exatamente isso o que ocorre nessa live version da canção que Gilberto Gil verteu competentemente para o português.

Legend inclui maravilhas como Is This Love, No Woman No Cry, Could You Be Loved, Three Little Birds, Get Up Stand Up, Stir It Up, I Shot The Sheriff…. É só bala. Até existem compilações com mais faixas, mas esta aqui é perfeita.

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