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Selvagens à procura de rock consistente

Por Fabian Chacur

Sempre que o rock nacional parece estar no fim da linha, surge algum grupo ou artista que nos leva a mudar radicalmente de opinião. Atualmente, os responsáveis por uma nova profissão de fé em nosso “roquenrol” atendem pelo nome de Selvagens à Procura de Lei. Trata-se de uma banda cearense, agora radicada em São Paulo, que acaba de lançar pela Universal Music um novo álbum.

Trata-se do segundo CD do grupo formado por Gabriel Aragão (vocal, guitarra, piano e violão), Rafael Martins (vocal e guitarra), Caio Evangelista (baixo e vocal) e Nicholas Magalhães (bateria e vocal). Com apenas três anos de estrada, o quarteto possui um currículo dos mais movimentados, cujo início foi batalhando para tocar em Fortaleza, onde existiam raros espaços para bandas de trabalho autoral.

“Tocamos no festival Ceará Music, abrimos show do Marky Ramone e conseguimos abrir espaços no Órbita Bar, no qual até então só eram aceitas bandas cover. Conseguimos inverter isso, e até ajudar a criar um dia fixo para grupos com repertório próprio, a sexta-feira autoral”, relata Caio. Após lançar dois EPs independentes, eles estrearam em CD com Aprender a Mentir, pela DeckDisc, além de concorrer em 2012 na categoria Aposta do MVB da MTV.

A ideia dos Selvagens, ao sair da DeckDisc, era partir para a gravação de um álbum mais maduro, e foi nessa direção que conheceram o produtor David Corcos (o Marroquino), conhecido por seus trabalhos com o Capital Inicial. Aí, surgiu uma parceria que possibilitou ao grupo gravar esse novo trabalho em estúdios de primeira linha a preços mais acessíveis.

“Ouvimos muito trabalhos dos Beatles, Caetano Veloso, Novos Baianos, Pink Floyd, Clube da Esquina, e isso abriu os nossos horizontes”, relembra Caio. Influências de bandas contemporâneas como Arctic Monkeys e preocupação com a qualidade das letras, como forma de não cair no lugar comum das bandas emo, por exemplo, deu a eles uma consistência artística incomum nos tempos atuais.

Selvagens à Procura de Lei, o CD, já estava pronto quando Paul Ralphes, da Universal Music, ofereceu a eles a oportunidade de lançar o álbum pela multinacional. O trabalho traz apenas uma música não inédita, Mucambo Cafundó, em regravação de faixa lançada no trabalho anterior. As outras refletem a fase atual dos rapazes.

“As letras das músicas tem a ver com essa nossa fase de viver fora da casa dos nossos pais, da mudança para São Paulo, uma cidade gigante, do nosso amadurecimento, da passagem da adolescência para a vida adulta”, reflete Caio. O som é uma instigante mistura de várias vertentes do rock com um tempero de MPB que nunca passa da dose certa, mantendo-os no universo roqueiro.

Brasileiro, que já tem um clipe sendo divulgado nas redes sociais, é o momento de protesto da banda, e acabou se tornando mais atual do que nunca em função das manifestações que tomaram conta do Brasil de forma surpreendente em junho, quando o álbum já estava nas lojas. “Sou bastante otimista em relação ao povo brasileiro, que não é burro e sabe o que está acontecendo. Mas confesso que não imaginava ver tudo isso agora, com essas proporções”.

Com músicas contundentes e consistentes como Massarrara, Juventude Solitude, Sr. Coronel e O Amor Existe Mas Não Querem Que Você Acredite, os Selvagens à Procura de Lei mostram buscar o rumo do rock consistente, o que estão conseguindo rapidamente. “A melhor divulgação que existe para qualquer banda é boca a boca, um fã apresentando para os outros, e nas redes sociais, e é o que procuramos fazer”, diz Caio.

Além disso, o quarteto agora radicado em São Paulo pretende fazer muitos shows para divulgar o novo CD. “Aprendemos muito com essas gravações, abriram nossos horizontes e nos mostraram como usar as nossas mãos, de personalizar nosso trabalho, sendo que o David Corcos nos ajudou muito nesse processo todo”. Se esse belo álbum é só o começo, dá para esperar muita coisa boa dos Selvagens à Procura de Lei. E viva o rock brasileiro!

Veja o clipe de Brasileiro, com os Selvagens à Procura de Lei:

Sérgio Mendes e C. Brown perdem Oscar

Por Fabian Chacur

Nunca o Brasil ficou tão perto de faturar um Oscar. Afinal de contas, a música Real in Rio, de Carlinhos Brown e Sérgio Mendes e tema da animação de longa metragem Rio (do também brasileiro Carlos Saldanha), disputava contra apenas um rival. No entanto, o troféu acabou nas mãos do concorrente.

Man Or Muppet, de autoria do neozelandês Bret McKenzie e tema do filme Os Muppets, levou o Oscar na categoria Melhor Música, entregue na noite deste domingo (26) e na qual o filme O Artista acabou sendo o grande vencedor, ao lado de Meryl Streep, que faturou seu terceiro Oscar ao viver Margareth Thatcher no ótimo A Dama de Ferro.

Sem patriotada, a música de Brown/Mendes era muito mais legal do que a de McKenzie, mas não dá para negar que o formato balada melosa de Man Or Muppet tinha muito mais cara de que iria ganhar, levando-se em conta o conservadorismo do Oscar na categoria musical.

A dupla declarou à imprensa que não havia ficado triste com a derrota. Brown garantiu que valeu muito a pena participar da disputa, que sem dúvidas valeu como uma bela vitrine para eles.

Sérgio Mendes é um dos músicos brasileiros mais conhecidos no exterior, e está radicado nos EUA desde os anos 60. Sua primeira parceria com Carlinhos Brown ocorreu em 1992 com o álbum Brasileiro, que inclui músicas de autoria de Brown, entre elas Indiado.

Veja o clipe de Indiado, com Sérgio Mendes e Carlinhos Brown:

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