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Come Together- The Rise Of Festival gera várias questões

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Por Fabian Chacur

Existem diversos (e ótimos) documentários dedicados a festivais específicos de música. No entanto, eu sentia a falta de um que abordasse o assunto de uma forma geral, tentando abranger desde o início desse tipo de evento até como eles se desenvolveram até chegar ao que são atualmente. Come Together- The Rise Of Festival (2018), de Roger Penny e Charlie Thomas, que está na grade de programação do Canal Bis e pode ser encontrado em sua plataforma de streaming, quebra um bom galho.

Este filme aponta o festival de jazz de Newport, criado em 1954 por George Wein, como o ponto de partida, logo seguido por um desdobramento dele, o Newport Folk Festival, cuja primeira edição ocorreu em 1959 e ajudou a popularizar artistas como Bob Dylan, Joan Baez e Peter, Paul & Mary.

A coisa pegou fogo mesmo a partir do inesperado sucesso do Monterey Festival, em 1967, que levou uma multidão enorme para ver artistas como Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Who, Otis Redding e The Mamas And The Papas.

Essa fase dos festivais entre Monterey e a metade dos anos 1970, que abrange Woodstock, Ilha de Wight, Bath e outros, tem como característica a explosão do interesse do público, sempre superando de longe as expectativas dos organizadores, e os enormes problemas estruturais decorrentes disso.

Em plena era do flower power e do movimento hippie, esses eventos eram encarados como imensos happenings, e muitos achavam um absurdo que ingressos fossem cobrados, com direito a invasões e a prejuízos gigantescos.

Com o tempo, o perfil dos festivais foi se alterando, com o aperfeiçoamento da estrutura, a forte adesão por parte dos artistas e seus empresários, que os encaravam como uma forte vitrine capaz de impulsionar carreiras, e também à maior exigência dos públicos, dispostos a pagar por mais conforto e segurança. O resultado ficam evidentes no sucesso de Glastonbury, Coachella, Lollapalooza, Rock in Rio e outros, que viraram griffes e cases de sucesso.

Os entrevistados ouvidos durante o filme são alguns dos criadores desses eventos, como os lendários Michael Lang e George Wein, e também artistas do porte de Pete Townshend, Ian Anderson e Noel Gallagher, cujas falas são entremeadas com cenas de performances dos grupos e também de organizadores e do público durante décadas. Uma possível falha fica por conta da quase ausência dos festivais de música eletrônica, hoje tão ou até mais grandiosos do que os de rock e grandes fenômenos de audiência neste século.

O irônico nessa história é o fato de Come Together- The Rise Of Festival poder se tornar de forma involuntária o registro de um fenômeno no seu momento de despedida. Afinal, com as incertezas geradas pela pandemia do novo coronavírus, como imaginar o futuro desses eventos massivos? Será possível continuar reunindo 50 mil, 100 mil, 200 mil pessoas em um único lugar, como virou praxe nos maiores exemplares desse formato?

Se as audiências tiverem de ser reduzidas, conseguirão os promotores viabilizar festivais com o mesmo apelo dos feitos até hoje sem aumentar demais os já salgados preços dos ingressos? E qual será o impacto no público no quesito contato direto com as pessoas? Dá para imaginar milhares de pessoas em um estádio usando máscaras para ver seus ídolos, por exemplo? Vão beber como, de canudinho? (que já não podem mais ser de plástico, lembrem-se…). São muitos pontos de interrogação, cujas respostas só virão nos próximos anos.

Dessa forma, Come Together- The Rise Of Festival pode equivaler a uma espécie de réquiem a um tipo de diversão pública tão popular, algo do gênero “those were the days” para as futuras gerações. Tomara que não, e que novos festivais massivos possam continuar sendo realizados com a devida segurança e proporcionando o prazer que os dos últimos 50 anos nos proporcionaram. Cruzemos os dedos, fãs de música!

Bigmouth Strikes Again (live at Glastonbury)- Johnny Marr:

Carole King conta sua bela história em Natural Woman

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual a participação feminina no mundo da música parece aumentar e ser mais valorizado, nada melhor do que relembrar a trajetória de uma pioneira no setor. Carole King é o tema do excelente documentário Natural Woman (2016), integrante da série American Masters, já lançado em DVD no exterior. O filme, com aproximadamente 60 minutos de duração, será exibido pelo Canal Bis nesta terça (22) às 13h30 e nesta quarta (23) às 10h na faixa Arquivo Musical, além de já estar disponível na plataforma de streaming pago do canal, a Bis Play.

Nascida em Nova York em 9 de fevereiro de 1942, Carole King começou a tocar piano ainda criança, e não demorou a dominar o instrumento. Ainda adolescente, já compunha, e em 1959 não só arrumou um parceiro para composições, o letrista Gerry Goffin, como ganhou de quebra um marido, pois eles se casaram naquele ano. O documentário registra bem esse período, no qual ela e Goffin escreviam músicas para outros artistas, emplacando hits clássicos como Up On The Roof, The Loco-Motion, One Fine Day, Chains, Will You Love Me Tomorrow, Take a Giant Step, Going Back e (You Make Me Feel Like a) Natural Woman, só para citar alguns dos mais bem-sucedidos.

Com uma mescla de entrevistas feitas em épocas diferentes (incluindo uma realizada especialmente para Natural Woman), a cantora, compositora e pianista relembra com franqueza a dolorosa separação de Goffin, o início de sua carreira como cantora, a parceria musical com James Taylor e o estouro do álbum Tapestry (1971), que vendeu milhões de cópias e a consagrou de uma vez por todas. Os problemas com os outros maridos, a dificuldade de fazer shows e ter de ficar semanas longe das filhas são outros temas muito bem abordados.

Foram aproveitadas imagens de vários momentos da vida de Carole, incluindo fofíssimas cenas de quando ela era criança e começava a tocar piano. Temos também deliciosos depoimentos de amigos e cúmplices do mundo da música como James Taylor, o guitarrista fantástico Danny Kortchmar, o produtor Peter Asher, o casal de compositores Barry Mann e Cynthia Weil, a letrista Toni Stern (parceria dela em hits como It’s Too Late), o produtor Lou Adler e outros.

Natural Woman aproveita muito bem o curto espaço de tempo para abranger uma brilhante carreira que beira 60 anos e equivale a um belíssimo cartão de apresentações para quem não tem muita ideia de quem seja essa tal de Carole King. Duvido que, após ver esse documentário, você não se disponha a ouvir mais, ver mais e saber mais sobre a obra dessa incrível artista, que além de ter uma obra incrível no pop-rock ainda arruma tempo para um ativismo civil muito importante. Temos até ela recebendo o importante prêmio Guershwin das mãos do então presidente americano Barack Obama em 2013.

Veja o trailer do documentário Natural Woman:

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