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Tag: cantoras de rock anos 1980

Pat Benatar, os 70 anos de uma das melhores cantora de rock

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Por Fabian Chacur

Na última terça-feira (10), Pat Benatar completou 70 anos de idade. A cantora e compositora estadunidense merece ser parabenizada, pois é uma das mais bem-sucedidas intérpretes do rock, especialmente em seus anos de ouro, entre 1979 e 1988. Ela, que foi incluída no Rock and Roll Hall Of Fame em 2022, continua na ativa, fazendo turnês e shows acompanhada por uma banda que inclui o guitarrista Neil Giraldo, com quem ela está casada há 40 anos.

Patricia Mae Andrzejewski nasceu no Brooklin, Nova York, em 10 de janeiro de 1953. Ela iniciou a sua ligação com a música estudando canto lírico. Aos 19 anos, casou com o seu namoradinho de colégio, o militar Dennis Benatar, com quem se casou em 1972. A seguir, ela começou a atuar em musicais como The Zinger (1975) e também cantando em boates nova iorquinas.

Em 1978, foi contratada pela gravadora Chrysalis, e em 1979 lançou o álbum In The Heat Of The Night. Impulsionado pelo single Heartbreaker (ouça aqui), que atingiu o nº 23 nas paradas, este LP conseguiu chegar ao posto de nº 12 entre os álbuns mais vendidos nos EUA

Nesse momento, Pat já havia se separado de Dennis, mas manteve o sobrenome do ex-marido. Neil Giraldo comandava sua afiadíssima banda desde esse momento inicial. Com uma voz potente, ela nos oferecia um rock and roll básico, melódico e temperado com elementos do hard rock.

É nesse clima positivo que chega às lojas em 1980 o álbum Crimes Of Passion, que se incumbiu de tornar Pat Benatar uma estrela do rock e permaneceu por cinco semanas no 2º posto na parada americana, impedido de liderar pelo estouro de Double Fantasy, de John Lennon e Yoko Ono.

O álbum trouxe como pontos altos o contagiante rockão Hit Me With Your Best Shot (ouça aqui), que atingiu o nº 9 lugar entre os singles, e a ótima e sombria Hell Is For Children (ouça aqui). Outro ponto alto do LP é a releitura de Wuthering Heights (ouça aqui), primeiro sucesso da carreira de sua compositora, a britânica Kate Bush.

Graças a seus shows energéticos e também aproveitando o sucesso na MTV (seu clipe You Better Run– veja aqui– foi o 2º a ser exibido na estreia da emissora musical em agosto de 1981), o clima em torno de seu próximo lançamento era enorme. E foi devidamente correspondido.

Precious Time (1981), gravado a toque de caixa entre um show e outro, levou a carismática roqueira ao 1º lugar na parada americana. O trabalho traz como destaques o ótimo single Fire and Ice (ouça aqui), rockão que atingiu o 17º lugar entre os singles americanos, e uma releitura vibrante de Helter Skelter, dos Beatles (ouça aqui).

Manter-se no topo das paradas, após conquistar tal façanha, não é tarefa das mais fáceis, e Pat fez o que pode nos anos seguintes. Em 1982, lançou Get Nervous, que chegou ao 4º lugar em seu país natal e emplacou como principal hit Shadows Of The Night (ouça aqui), uma power ballad que emplacou a 13ª posição entre os singles ianques.

Como forma de registrar o impacto de suas performances nos palcos, Pat Benatar veio em 1983 com Live From Earth, álbum gravado ao vivo que atingiu o 13º posto nos EUA, boa performance para um álbum desse tipo. Como atrativo adicional, o LP trouxe duas faixas gravadas em estúdio, Lipstick Eyes e Love is a Battlefield.

Com uma sonoridade mais pop, mas ainda com raízes roqueiras, Love is a Battlefield invadiu com força a parada de singles dos EUA, atingindo o 5º posto. Graças a este álbum, Benatar conseguiu uma proeza: ganhou pelo 4º ano consecutivo o troféu Grammy, o Oscar da música, na categoria melhor performance feminina de rock.

Em uma época no qual os grandes nomes costumavam lançar novos trabalhos anualmente, a cantora não destoava desse procedimento. Tropico (1984) não foi tão bem das pernas, chegando ao 14º posto nos charts ianques. Curiosamente, no entanto, um single extraídos dele se deu bem. We Belong (ouça aqui), bem pop, chegou ao 5º lugar na sua respectiva parada.

Essa tendência de singles tendo melhor desempenho do que os álbuns do qual faziam parte se manteve em Seven The Hard Way (1985), que não passou da 26º posição nos EUA. O rockão pontuado por teclados Invincible (ouça aqui) atingiu o posto de nº 10, tema do filme Legend Of Billie Jean, que rapidamente se tornou cult entre os fãs de cultura pop.

Outra faixa que se destacou deste LP foi a polêmica Sex as a Weapon, que tem como tema a exploração do sexo nas diversas mídias. O clipe repercutiu bastante (veja aqui), e o single atingiu o nº 28 na parada pop estadunidense.

Com o nascimento da filha Haley em 16 de fevereiro de 1985, Pat reduziu um pouco a velocidade da sua vida profissional, tanto que só lançou um novo álbum em 1988. Wide Awake In Dreamland não foi além de um nº 28 nos EUA, e o single que o divulgou, a ótima All Fired Up (ouça aqui), um retorno ao rock mais ardido e visceral, foi 19º colocada entre os singles ianques.

Em 1991, Pat Benatar surpreendeu a todos ao lançar True Love, CD no qual mesclou releituras e composições próprias em um estilo blueseiro bem diferente do seu habitual. Embora muito bom, o trabalho chegou apenas ao nº 37 na parada americana.

A partir daqui, a cantora foi aos poucos sumindo das paradas de sucesso, com os álbuns Gravity’s Rainbow (1993), Innamoratta (1997) e Go (2003) vendendo cada vez menos, embora com momentos bem bacanas.

Desde Go, Benatar só lançou singles eventuais, mas nunca saiu da estrada, fazendo turnês individuais e também ao lado de artistas como REO Speedwagon, America, Cheap Trick, Cher e Daryl Hall & John Oates, entre outros. Hana, sua segunda filha, nasceu em 12 de março de 1994.

Se sumiu das paradas de sucesso, Pat Benatar se manteve como referência pop, tendo a música Heartbreaker usada como tema de um dos episódios de Seinfeld e participado como ela mesma de séries também badaladas como Charmed, Dharma & Greg e That 80’s Show. E, em 2022, passou a fazer parte do Rock and Roll Hall Of Fame.

Love is a Battlefield (clipe)- Pat Benatar:

Stevie Nicks relê com classe hit marcante do Buffalo Springfield

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Por Fabian Chacur

No finalzinho de 1966, uma jovem adolescente americana ficou fascinada com For What It’s Worth, canção do grupo Buffalo Springfield que registrava de forma instantânea e direta o clima de beligerância entre a polícia de então e os integrantes da contracultura, na Sunset Strip, Hollywood. Essa linda e talentosa garota, que ficaria mundialmente conhecida como a cantora e compositora Stevie Nicks, do Fleetwood Mac e artista-solo de sucesso também, resolveu agora regravá-la, em uma versão sensacional já disponível nas plataformas digitais.

Escrita no calor daquele momento conturbado por um dos integrantes da banda, que se incumbiu do vocal principal e guitarra, o grande Stephen Stills (ouça aqui), For What It’s Worth atingiu o 7º lugar na parada pop americana e se tornou o maior hit da carreira do Buffalo Springfield, que também trazia em sua formação Neil Young. Ambos continuariam a tocar essa canção na sua banda posterior, a Crosby, Stills, Nash & Young.

Em comunicado publicado em suas redes sociais, a cantora afirma que a canção a marcou na época, e que continua fazendo todo o sentido nos dias atuais. “Sempre quis interpretar essa canção sob o olhar de uma mulher, e sinto que nos dias de hoje essa música ainda tem muito o que dizer”.

A produção da gravação ficou a cargo do premiado Greg Kurstin, conhecido por seus trabalhos como Beck, Foo Fighters, Adele e Paul McCartney. Ele se incumbiu também de tocar bateria, órgão, percussão, violão e guitarra, tendo o auxílio do guitarrista Waddy Wachtel e da vocalista Sharon Celani.

For What It’s Worth- Stevie Nicks:

Chrissie Hynde, 70 anos e um ícone feminino do rock mundial

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Por Fabian Chacur

Estádio do Morumbi (SP), janeiro de 1988. Este repórter e crítico musical que vos tecla se preparava para entrar em um elevador rumo à sala de imprensa da 1ª edição do Hollywood Rock, um dos mais importantes e badalados festivais de música da história desse país. Quando a porta abriu, o susto: saíram dela ninguém menos do que os integrantes de uma das principais bandas escaladas para o evento, The Pretenders. Quem me chamou a atenção foi a moça que, nesta terça (7) completou 70 bem-vividos anos de existência, uma certa Chrissie Hynde.

Achei-a com uma certa semelhança à nossa amada Rita Lee, em termos de presença física. Ao seu lado, o então guitarrista do grupo, outro grande ícone do rock, Johnny Marr, que havia há pouco saído dos Smiths e iniciava uma trajetória muito significativa longe da banda que o consagrou. Emocionante esse rápido contato, só superado pelo ótimo show que os Pretenders proporcionaram ao público presente ao estádio paulistano.

Quem se debruçar na história da presença feminina no nosso amado rock and roll certamente chegará à conclusão de que essa cantora, compositora e guitarrista nascida em Akron, Ohio (EUA) em 7 de setembro de 1951 possui um papel dos mais importantes. Afinal de contas, ela, após passagens por Londres e Paris em tentativas frustradas de integrar uma banda de rock, conseguiu enfim em 1978 criar a sua própria. Detalhe: liderando três rapazes.

Os caras em questão eram os ótimos músicos britânicos Pete Farndon (baixo- 1952-1983), James Honeyman-Scott (guitarra- 1956-1982) e Martin Chambers (bateria- 1951). A química entre os quatro se mostrou certeira, com Chrissie (vocal e guitarra) se destacando como a principal figura do time, com sua voz potente e suas canções certeiras. Resultado: dois álbuns clássicos, Pretenders (1980) e Pretenders II (1981).

Quando estava no auge, o grupo teve lidar com uma crise que culminou em 1982 com a demissão de Farndon e com a morte, dois dias após essa traumática decisão, de Honeyman-Scott (Farndon nos deixaria em 1983). Nesse momento, Hynde deu uma bela volta por cima. Em 1984, com Robbie McIntosh na guitarra e Malcolm Foster no baixo, o quarteto voltou e nos proporcionou outro álbum matador, Learning To Crawl.

Get Closer (1986), outra pérola pretenderiana, veio para manter a banda em alta, mas marcou o início do que viria a ser a sua marca: trocas nas formações, as idas e voltas de Martin Chambers e o comando com mão de ferro de Chrissie. Sua visão feminista, seu veganismo e associação com causas humanitárias bacanas, além de relacionamentos afetivos com ícones do rock como Ray Davies (The Kinks, com quem teve a filha Natalie) e Jim Kerr (Simple Minds, com quem teve a filha Yazmin) a tornaram uma personagem marcante no cenário musical, sempre com boas entrevistas.

A carreira dos Pretenders, assim como incursões solo de Hynde e participações em trabalhos alheios, ajudaram a firmá-la como uma artista extremamente efetiva, que soube desenvolver seu imenso talento como cantora, compositora e também relendo músicas alheias, como fez este ano com Standing in the Doorway: Chrissie Hynde Sings Bob Dylan, dedicado a canções do autor de Like a Rolling Stone. E que venha mais coisa boa por aí!

Brass In Pocket (clipe)- The Pretenders:

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