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Ney Matogrosso lança coletânea com clássicos e duas raridades

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Por Fabian Chacur

Ney Matogrosso, um dos cantores mais bem-sucedidos e importantes da história da nossa música, completou 80 anos em 1º de fevereiro deste ano, mas a celebração continua firme e forte, e de forma merecida. Um novo tributo a este artista único acaba de ser lançado pela Warner Music Brasil, nas gloriosas plataformas digitais e também em edição em CD com tiragem limitada. Trata-se de Ney 80 Anos, coletânea com 16 faixas, sendo duas delas raridades significativas.

Essas duas pérolas resgatadas são Tema de Maria (ouça aqui), na qual o cantor faz vocalizes, e A Estrada Azul, uma bela e delicada canção. As duas fazem parte da trilha sonora do filme Pra Quem Fica…Tchau (1970), de Reginaldo Faria, que também é o autor dessas músicas. São as primeiras gravações feitas pelo intérprete, lançadas três anos antes do álbum de estreia dos Secos & Molhados.

As outras faixas dão uma geral em momentos bacanas de Ney durante os anos 1970, mesclando megahits como Bandido Corazón e Não Existe Pecado ao Sul do Equador a releituras dos Secos & Molhados como Rosa de Hiroshima e Sangue Latino e clássicos menos óbvios como Açúcar Candy e Pedra do Rio. A seleção de repertório é de Julio Maria (jornalista e biógrafo do artista) e Renato Vieira.

Eis as faixas da coletânea Ney 80 Anos:

1 – Sangue Latino (João Ricardo / Paulo Mendonça)
2- Bandido Corazón (Rita Lee)
3 – Coubanakan (Moises Simons / Chamfleury / Sauvat)
4 – Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)
5 – Bandolero (Luli/Lucina)
6 – Pedra de Rio (Luli/Lucina)
7 – Cante uma Canção de Amor (Odair José/Maxine)
8 – Açúcar Candy (Sueli Costa/Tite de Lemos)
9 – Me Rói (Luli/Lucina)
10 – Último Drama (Mauro Kwitko / Carmen Seixas / Espanhola de Chiquita)
11 – Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad / Vinicius de Moraes)
12 – América do Sul (Paulo Machado)
13 – Não Existe Pecado ao Sul do Equador (Chico Buarque/Ruy Guerra)
14 – Tem Gente com Fome (João Ricardo / Solano Trindade)
15 – Tema de Maria (Reginaldo Faria)
16 – A Estrada Azul (Reginaldo Faria-Paulo Mendonça)

A Estrada Azul– Ney Matogrosso:

Agnaldo Timóteo, 84 anos, cantor de vozeirão e sem papas na língua

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Por Fabian Chacur

Tive a oportunidade de participar de uma entrevista coletiva de Agnaldo Timóteo lá pelos idos de 2006, e o achei, pessoalmente, bem mais simpático do que em suas aparições na TV. Ele não tinha medo de falar o que pensava, mesmo que pagasse caro por isso, e dessa forma ganhou inimizades e antipatia. Mas aparentemente nunca traiu suas convicções, o que é algo a se elogiar. Ele nos deixou neste sábado (3) aos 84 anos, no Rio de Janeiro, mais uma vítima do novo coronavírus, após ter ficado internado por 17 dias. Grande perda para a nossa música.

Nascido em Caratinga (MG) em 16 de outubro de 1936, Timóteo desde sempre se mostrou um fiel seguidor da escola de cantores românticos de vozeirão do tipo Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Francisco Alves, e não se deixou influenciar pela bossa nova ou outros gêneros musicais do tipo mais contido. Antes de gravar seu 1º disco, em 1961, ganhou a vida do jeito que dava, tendo sido, inclusive, motorista da cantora Angela Maria, que não só o incentivou a seguir a carreira artística como, posteriormente, fez show e gravou com ele.

O primeiro sucesso veio em 1965 com A Casa do Sol Nascente, versão em português para The House Of The Rising Sun, que tornou o grupo britânico The Animals conhecido no mundo todo. Em 1967, invadiu as paradas de sucesso com Meu Grito, do amigo Roberto Carlos, que ele conheceu antes do artista virar o Rei. Os Brutos Também Amam, já nos anos 1970, foi outro hit que ele ganhou do autor de Detalhes.

Além de versões e algumas canções de sua autoria, entre as quais a corajosa e polêmica A Galeria do Amor, ele também gravou autores badalados, como Chico Buarque (Olhos nos Olhos) e Gonzaguinha. Deste último, ele gravou Grito de Alerta, que na verdade o compositor escreveu inspirado em conversas que teve com Timóteo. O cantor mineiro explicou essa curiosa situação em um depoimento publicado no livro Gonzaguinha e Gonzagão- Uma História Brasileira, de Regina Echeverria (2006- Ediouro):

“Eu fiquei pau da vida com o Gonzaguinha porque aquela história era minha, eu deveria ter sido até parceiro dele na música. Eu falei: puta que pariu,m Gonzaguinha, então eu te conto uma história da minha cama e você dá a música para a Bethânia gravar?”, comentou sobre o fato de Maria Bethânia ter tido a chance de gravar em primeira mão essa canção, que fez muito sucesso em 1980.

Em 1982, quando seu sucesso comercial começava a decair, ele se candidatou a deputado federal pelo Rio de Janeiro, e foi eleito. Tinha início o seu envolvimento com a política, que lhe rendeu alguns mandatos no Rio e também em São Paulo, mas que lhe trouxe grandes antipatias por causa de suas posições conservadoras e por vezes difíceis de se entender por serem de alguém de origem tão modesta em termos financeiros.

Mesmo assim, manteve-se gravando discos e fazendo shows durante esses anos todos. Timóteo, inclusive, chegou a vender seus CDs lançados de forma independente em praças públicas, em momentos mais complicados de sua trajetória. Mas o vozeirão nunca o traiu, como podemos ver em uma live feita por ele em janeiro com fins beneficentes, nas quais o sujeito solta a voz com a categoria habitual.

Meu Grito– Agnaldo Timóteo:

Tom Zé reúne gravações pouco conhecidas no álbum Raridades

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os colecionadores do trabalho de Tom Zé. Já está disponível nas plataformas digitais a coletânea Raridades, que a gravadora Warner promete lançar também em formato físico no dia 16 de outubro. Trata-se da reunião de 14 gravações do grande cantor, compositor e músico baiano anteriormente disponíveis apenas em raros e disputados compactos e trilhas, lançadas originalmente entre 1969 e 1976 pelas gravadoras RGE e Continental.

Temos aqui gravações alternativas de canções conhecidas do repertório do mais célebre nativo da cidade de Irará, como Senhor Cidadão e Augusta, Angélica e Consolação, e a gravação ao vivo de Jeitinho Dela incluída no álbum oficial do V Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, e na qual temos a participação especial dos então estreantes Novos Baianos.

Outra canção legal é A Dama de Vermelho, que Tom Zé gravou para a trilha sonora da novela Xeque-Mate (1976), exibida pela TV Tupi e estrelada por Ênio Gonçalves, Maria Isabel de Lizandra, Raul Cortez e Edney Giovenazzi. Curiosamente, a outra faixa gravada por ele para a mesma trilha, Nancy (Olhos Azuis), ficou de fora de Raridades, por alguma razão não revelada.

Eis as faixas de Raridades:

Você Gosta 2m23
Feitiço 2m45
Jeitinho Dela (Participação Especial De Novos Baianos (Ao Vivo) 4m03
Bola Pra Frente (Ao Vivo) 2m50
Irene 2m53
Silêncio De Nós Dois 3m10
Senhor Cidadão 3m26
A Babá 3m20
Augusta, Angélica E Consolação 4m06
Quem Não Pode Se Tchaikowsky 3m56
Contos De Fraldas 3m59
A Dama De Vermelho 2m30
Dói 3m29
O Anfitrião 3m46

Jeitinho Dela (ao vivo)- Tom Zé e Os Novos Baianos:

Taiguara no EP Como Lima Barreto, com gravações inéditas

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Por Fabian Chacur

Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nasceu no Uruguai, mas foi criado no Brasil, e se tornou um dos cantores, compositores e músicos que mais refletiu a beleza, o lirismo e a militância política na canção brasileira. Ao nos deixar precocemente aos 50 anos, deixou um legado musical de qualidade inquestionável. E é com muita alegria que celebramos o lançamento nas plataformas digitais do EP Como Lima Barreto, feito em parceria pelas gravadoras Kuarup e Saravá Discos e com quatro gravações inéditas do autor de Universo no Teu Corpo.

A gênese deste novo trabalho de Taiguara encontra-se em fitas cassete do acervo do jornalista e pesquisador musical Marcello Pereira Borghi. As gravações, provavelmente feitas durante a década de 1980, foram recuperadas de forma minuciosa pelo engenheiro de som Leonardo Nakabayashi.

Em três delas, tivemos o acréscimo de refinados acompanhamentos vocais e instrumentais dos quais participaram Zeca Baleiro (dono da Saravá Discos), Adriano Magoo, Swami Jr. e Tatiana Parra, entre outros.

A faixa que abre o EP é a mais impactante. Trata-se de uma gravação ao vivo do provavelmente maior clássico da canção de teor político da nossa música, Pra Que Não Dizer Que Não Falei das Flores (Caminhando), de Geraldo Vandré.

Com quase 10 minutos de duração, a gravação tem uma extensa fala em sua introdução na qual Taiguara fala sobre o mal que a ditadura militar fez à música brasileira e a importância de Vandré nesse contexto.

A plateia participa de forma vibrante da canção, que Taiguara emenda, na parte final, com a sua composição Voz do Leste, cuja versão de estúdio (com participação da dupla Cacique e Pajé) integra seu álbum Canções de Amor e Liberdade, lançado em 1983 e que marcou seu retorno discográfico após sete longos anos durante os quais foi perseguido pela censura.

Por dedução, dá para se imaginar que esta gravação tenha sido extraída de um show de divulgação deste álbum, na época. Das quatro faixas, é nesta que a voz do saudoso artista aparece mais cristalina e nítida.

Paulistana é uma bonita balada romântica com evidente influência de Tom Jobim e tempero quase erudito. Ave Maria também exemplifica a veia dedicada aos temas relacionados ao amor, só que com uma pegada mais pra fora.

Autor do livro Triste Fim de Policarpo Quaresma e figura importante da cultura brasileira, Lima Barreto é o tema da faixa que dá título ao EP, um samba-enredo composto com o intuito de ser utilizado em desfile da escola de samba carioca Unidos da Tijuca, o que infelizmente não ocorreu. O pique contagiante é ressaltado por violão sete cordas, percussão e coral acrescentados aqui.

Como Lima Barreto é um belo acréscimo à obra de Taiguara, um cantor de voz doce e compositor de algumas das mais expressivas e apaixonantes canções da nossa música durante as décadas de 1960 e 1970. Seu nome merece ser reverenciado, ainda mais em tempos tão obscuros e inseguros como os que vivemos na atualidade. Viva Taiguara!

Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores/Voz do Leste (ao vivo)- Taiguara:

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