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Zé Guilherme faz show em SP com clássicos de Orlando Silva

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Por Fabian Chacur

Em 2015, quando celebramos o centenário do nascimento do icônico cantor carioca Orlando Silva (1915-1978), o cantor e compositor cearense radicado em São Paulo Zé Guilherme lançou o excelente Abre a Janela- Zé Guilherme Canta Orlando Silva. Como seria de se esperar, este CD se tornou clássico, e, quatro anos depois, ele não se furta a fazer shows com este repertório delicioso. Um deles ocorrerá nesta quinta-feira (27) às 21h no Bar do Nelson (rua Canuto do Val, nº 83- Santa Cecília- fone 0xx11-3224-0586), com ingressos a R$ 30,00.

O legal deste álbum delicioso é que Zé Guilherme não tentou imitar o vozeirão de Orlando Silva, e releu as canções de forma brejeira e personalizada. O resultado não poderia ter sido melhor, com 18 canções da considerada melhor fase do Cantor das Multidões, entre 1935 e 1942. Temos grandes sucessos e também canções não tão conhecidas, mas tão boas quanto os hits. Abre a Janela, A Jardineira, Dama do Cabaré, Lábios Que Beijei e Curare estão no elenco.

Zé Guilherme será acompanhado por Cezinha Oliveira (direção musical, violão e vocais, o mesmo do CD), Adriano Busko (percussão), Maik Oliveira (cavaquinho) e Pratinha Saraiva (flautas). Recentemente, o artista lançou um novo e excelente álbum, Alumia, o quarto de sua discografia, desta vez dedicado a repertório autoral (leia mais sobre esse trabalho aqui).

Ouça Abre a Janela- Zé Guilherme Canta Orlando Silva em streaming:

Marcos Lessa apresenta a sua elegância e classe em belo CD

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Por Fabian Chacur

Em 2013, Marcos Lessa ficou conhecido nacionalmente ao ser semifinalista do programa global The Voice Brasil. Não venceu a competição, mas deixou claro que não se tratava de um desses artistas que aparecem e somem como se não houvessem surgido. Tinha mais coisa ali. E a prova concreta é o seu CD Entre o Mar e o Sertão, no qual mescla material autoral e de outros compositores com uma classe digna de veterano.

Natural de Fortaleza, Ceará, Lessa tem apenas 25 anos, mas já nos apresenta um currículo repleto de apresentações ao vivo, parcerias e gravações. Ou seja, quando apareceu na telinha da Globo, já estava devidamente batizado e lapidado pelas dificuldades reservadas aos jovens talentos nesse país continental. Essa maturidade transborda nas 13 faixas deste álbum, um desses que você ouve, ouve de novo, ouve mais uma vez e não se enjoa de forma alguma.

Começa pelo delicioso timbre de barítono de Lessa, que o aproxima bastante do saudoso Emilio Santiago, sem em momento algum soar como clone, cópia ou coisa que o valha. A influência está ali, mas devidamente digerida. O intérprete sabe se valer da potência e da beleza de sua voz, sem cair em exageros ou virtuosismos que frequentemente matam inúmeros novatos talentosos. Ele valoriza as melodias que interpreta, e joga a favor delas.

Inteligente, o artista cearense soube pinçar canções bacanas de outros autores, inéditas ou não, e as somou às suas ótimas composições, criando assim um repertório consistente, diversificado e de uma riqueza típica de quem sabe sentir o espírito de cada canção, tirando delas o melhor. Nenhuma das faixas de Entre o Mar e o Sertão soa como “enchedora de linguiça”. Todas são importantes e tem função nesse roteiro musical de rara qualidade.

Como forma de tornar a coisa ainda melhor, os arranjos musicais e vocais são de uma classe e bom-gosto absurdos, sem excessos nem vazios, tudo na medida certa para Marcos Lessa deslizar sua voz mágica. Versátil, ele investe em samba, sambossa, ritmos nordestinos, baladas, pop e até jazz, saindo-se bem em todos esses rumos. Dois belos duetos são as ameixas neste delicioso manjar musical: Fagner em Contrassenso e Flavia Wenceslau em Andaluzia.

Se não fosse o bastante, o compositor se equivale ao cantor, com direito a belas canções autorais como Poesia Flor, Trilha de Cinema e Andaluzia (esta em parceria com Flavia Wenceslau). A balada O Que Eu Queria (David Duarte) consegue a façanha de ter apelo comercial e grande qualidade artística. E tem também O Último Pau de Arara, Último Trem e Eu Quero Botar Meu Bloco na Rua, esta última com uma surpreendente citação de trecho melódico de Don’t Let Me Be Misunderstood, aquela gravada pelo grupo disco Santa Esmeralda.

Entre o Mar e o Sertão investe em uma concepção musical de certa forma conservadora, centrada nas sonoridades oriundas da MPB dos anos 1970 e 1980. No entanto, essas fontes de inspiração são aproveitadas de forma muito inspirada e criativa, especialmente nas sutilezas. O resultado é um CD brilhante, repleto de belos versos e melodias interpretadas por uma voz que é tudo isso e muito mais. Esse cara veio para ficar!

O Que Eu Queria (clipe)- Marcos Lessa:

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