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Mud Slide Slim And The Blue Horizon (Warner-1970), o álbum que consagrou James Taylor

james taylor mud slide slim capa

Por Fabian Chacur

Em 1º de março de 1971, a revista americana Time, uma das mais importantes e influentes do mundo, estampou em sua capa um músico, algo não muito comum. O personagem em questão era James Taylor, que com seu álbum Sweet Baby James (1970, leia sobre o mesmo aqui) tornou-se o nome de ponta de um novo estilo musical rotulado por alguns como bittersweet rock (rock agridoce). O título dava bem o tom de como o cantor, compositor e musico era encarado naquele momento: “The Face Of New Rock”.

Logo a seguir, no dia 16 do mesmo mês, Taylor concorreu pela primeira vez ao Grammy, o Oscar da música, e logo em duas categorias, Record Of The Year e Album Of The Year, respectivamente com Fire And Rain e Sweet Baby James, perdendo em ambas para Simon & Garfunkel e seu Bridge Over Trouble Water (single e álbum). Como a dupla havia se separado há pouco, era como se fosse um prêmio de despedida para eles, pois no ano seguinte, seria a vez do perdedor dessa ocasião levar os louros.

Era em torno de uma grande expectativa, portanto, que o mundo musical aguardava pelo 3º álbum de James Taylor. Conseguiria ele confirmar toda essa badalação em torno de suas belas canções de tom melancólico, confessional e ao mesmo tempo encantadoras? Ou estaríamos mais uma vez diante de um artista com pouco fôlego para dar sequência a um sucesso tão contundente nos EUA e no resto do mundo?

A resposta começou a ser dada em abril, quando chegou às lojas Mud Slide Slim And The Blue Horizon. Trata-se de um trabalho que percorre basicamente os mesmos caminhos musicais do anterior, mas investindo em sutilezas, consolidação das sonoridades e uma inspiração no mesmo alto padrão de Sweet Baby James. Há fatores que auxiliaram nesse amadurecimento musical, nessa verdadeira lapidação do diamante que Taylor aparentava ser desde suas primeiras gravações, em 1966-67.

Tudo começa com o elenco de músicos escalados para este disco. Além do velho amigo Danny Kortchmar na guitarra e do extremamente consistente Russel Kunkel na bateria, e também da amiga Carole King no piano e vocais, foi acrescido ao time o baixista Lelank Sklar, que com suas linhas de baixo flutuantes e elegantes deu ao time a peça que lhe faltava. O entrosamento deles deu à voz deliciosa, às composições impecáveis e ao violão dedilhado de forma marcante de Taylor um acompanhamento simplesmente perfeito, sem excessos ou buracos.

Com essa roupagem, as 13 canções incluídas no álbum foram apresentadas ao público da maneira mais atrativa possível. E os fãs que compraram o trabalho anterior passaram imediatamente a consumir com avidez este novo, especialmente impulsionados por um single que é curiosamente uma das únicas duas faixas a não levar a assinatura de Taylor, You’ve Got a Friend, uma das obras-primas dessa incrível e icônica Carole King.

Atraído por essa música logo na primeira vez que a ouviu, ele pediu autorização à amiga para gravá-la também, já que Carole também a havia separado para seu próximo trabalho. Generosa, a moça não criou obstáculos, e obviamente se deu bem, pois deve ganhar uma boa grana até hoje com os direitos autorais provenientes da versão de Taylor. Uma curiosidade: ele toca na gravação dela, mas ela não participa da dele, que não inclui teclados.

Essa bela ode à amizade é um oásis de positividade em um universo de canções que evocam amores não concretizados, paixões sendo encerradas com dor e a constatação de que o mundo do sucesso não é esse doce todo que muitos pensam ser. As melodias encantadores mascaram versos que, por vezes, invocam ironia, amargura e uma nostalgia curiosa para alguém que completou apenas 23 anos no dia 12 de março daquele 1971.

O álbum abre com a incisiva Love Has Brought Me Around, na qual o autor dá a entender que não aguenta mais a pessoa com quem está tendo um relacionamento afetivo e resolve que chegou a hora de o amor o levar para algum outro lugar. Há uma curiosidade em torno dessa canção, pois ela parece uma mensagem quase direta à cantora canadense Joni Mitchell, com quem ele tinha tido um tórrido caso de amor que à época do lançamento deste álbum já havia se desfeito, e de forma não muito agradável, gerando uma inimizade que durou uma década, até que os dois voltassem a ser bons amigos.

Ele, inclusive, refere-se à personagem da canção como “Miss November”, e Mitchell nasceu nesse mês, no dia 7. No entanto, ela participa desta faixa, fazendo vocais de apoio. Será que Taylor seria indelicado a ponto de convidar a musa dessa verdadeira canção de “passa, moleca!” para marcar presença na mesma? Fica o ponto de interrogação. Outro destaque fica por conta da participação do Memphis Horns, uma das mais quentes sessões de metais de todos os tempos, capitaneada por Wayne Jackson e Andrew Love.

You’ve Got a Friend, também com Mitchell nos vocais de apoio, vem a seguir para amainar um pouco o clima, com seu arranjo acústico calcado em violões (Taylor e Kortchmar), percussão e baixo. Uma delícia sonora!

Com Taylor curiosamente no piano, Places In My Past relembra de forma evocativa antigas paixões que, se não geraram uma esposa (como ele mesmo diz na letra), deixaram marcas que às vezes até geram lágrimas pelas saudades geradas pelos dias preguiçosos com aquelas belas garotas, naqueles “lugares do meu passado”.

Riding On A Railroad é a primeira profissão de fé deste álbum na missão estradeira de um cantor e compositor, levando as canções de cidade a cidade, dia após dia. O clima é de puro country, com destaque para o acompanhamento de fiddle (rabeca) de Richard Greene.

Soldiers registra momentos que Taylor presenciou quando era criança-adolescente, vendo o retorno de soldados (da Guerra da Coreia ou do Vietnã), vários deles feridos, comentando que de um destacamento de 20, por volta de 11 não retornaram, “com 11 tristes histórias a serem contadas”.

Mud Slide Slim (a música tem nome reduzido em relação ao título do álbum) soa como uma curiosa visão do mundo, que ele encara como se fosse uma espécie de cowboy, um “Magrelo Enlameado e Escorregadio”, tendo como pano de fundo uma sonoridade com dna latino e dando mais espaços para os músicos mostrarem suas habilidades, sem no entanto cair em improvisações excessivas ou coisa que o valha. A curiosidade fica por conta dos vocais de apoio de sua irmã Kate, que anos depois lançaria um álbum produzido por ele.

Hey Mister That’s Me Up On The Jukebox, uma vigorosa balada rock, reveste-se de fina ironia e equivale ao uso de metalinguagem, pois fala do próprio ato de cantar para ganhar a vida. “Ei, senhor, sou eu quem você ouve cantando lá naquela jukebox, sou eu quem está cantando essa canção triste, vou chorar toda vez que você colocar outra moeda na máquina”. Certamente Fire And Rain

Valendo-se só de sua voz e violão, Taylor nos oferece uma bela canção de despedida, You Can Close Your Eyes, na qual ele afirma que “não conheço mais canções de amor, e não posso mais cantar blues, mas posso cantar esta canção, e você pode cantar essa canção quando eu for”. Um belo ode a um momento que ficará na memória, um tempo que não será tirado do casal, e durará para sempre na memória. Poesia pura!

Machine Gun Kelly, a outra canção do disco não escrita por Taylor (é de Danny Kortchmar), é um country rock vigoroso (dentro do contexto dele, obviamente) que novamente flerta com o espírito do velho oeste, seus bandoleiros e seus tristes destinos. Aqui, temos vocais de apoio do grande Peter Asher, produtor do álbum e figura decisiva na carreira de James Taylor, sem o qual provavelmente não teríamos o sucesso de nosso trovador pop.

Long Ago And Far Away é outra daquelas canções que casais brasileiros seriam tentados a dançar juntos, coladinhos, tal a beleza de sua melodia. Se soubessem o conteúdo de sua letra, no entanto, talvez pensassem melhor. Outra música de despedida, com versos cortantes como “porque seus arco-íris dourados acabam, porque essa canção que eu canto é tão triste?” E, ironia suprema, adivinhe quem faz vocais de apoio (belíssimos, por sinal) nesta maravilha? Ela, Joni Mitchell.

O momento soul-blues do álbum fica por conta de Let Me Ride, que traz ecos de canções do disco de estreia de Taylor, com direito a vocais de apoio de Kate Taylor e os matadores Memphis Horns. Mais uma profissão de fé na estrada como a grande necessidade dele. E logo a seguir vem outra canção com esta temática, Highway Song, com Kate e Peter Asher nos vocais. Mas as contradições ditam seus versos.

Se por um lado James se diz fascinado e de certa forma hipnotizado pela estrada, ao mesmo tempo deixa no ar uma vontade de que “um dia essa canção da estrada perca o encanto para mim”. E o álbum fecha com a curta, quase vinheta, Isn’t It Nice To Be Home Again, na qual não fica claro se o lar a que ele se refere é de fato um lar ou apenas mais um quarto de hotel da vida. Um fim aberto, como só poderia ser para alguém com tantas dúvidas e carências naquela época como esse genial James Taylor.

Com o apoio dos shows e também das execuções das músicas em rádios e TVs, o single You’ve Got a Friend atingiu o 1º lugar na parada americana, enquanto Mud Slide Slim And The Blue Horizonchegou ao 2º lugar. E aí entrar uma grande ironia: o LP não conseguiu atingir o topo por causa do estouro do álbum lançado na mesma época pela “sua” pianista. Tapestry, de Carole King, esteve durante 15 longas semanas no 1º lugar nos EUA, enquanto seu single It’s Too LateI Feel The Earth Move liderou entre os singles por 5 semanas.

Na edição do Grammy referente a 1971 cujos prêmios foram entregues em março de 1972, Taylor venceu na categoria melhor performance pop vocal com You’ve Got a Friend, enquanto Carole King faturou outros quatro. Curiosidade: a eleita como artista revelação foi Carly Simon, que há alguns meses havia iniciado uma relação afetiva com James Taylor. Eles se casaram naquele mesmo ano, tiveram dois filhos e se separaram em 1983.

Duas curiosidades finais: o elo entre James Taylor e Carole King foi Danny Kortchmar, que após ter integrado o primeiro grupo de James Taylor, o Flying Machine, criou com a cantora e compositora a banda The City, que também contava com o baixista Charles Larkey, então marido dela. Eles lançaram um álbum em 1968, o ótimo Now That Everything’s Been Said, com pouca repercussão, e em seguida Carole resolveu seguir carreira-solo, mas com os dois a acompanhando.

E, não, James e Carole nunca foram namorados. Eles desde sempre foram grande amigos, sendo que, nessa época decisiva de sua vida (1970 a 1971), King foi uma espécie de confidente dele, ajudando-o a superar suas dificuldades emocionais. E, não também, You’ve Got a Friend não foi composta para ele.

Na entrevista coletiva concedida por Carole King em 1990 em São Paulo quando esteve por aqui para fazer shows, um reporter desinformado perguntou a ela sobre seu “casamento” com James Taylor, e ela, bem-humorada, disse que “Carly Simon chegou primeiro”.

Ouça Mud Slide Slim And The Blue Horizon em streaming:

Carole King conta sua bela história em Natural Woman

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Por Fabian Chacur

Em uma época na qual a participação feminina no mundo da música parece aumentar e ser mais valorizado, nada melhor do que relembrar a trajetória de uma pioneira no setor. Carole King é o tema do excelente documentário Natural Woman (2016), integrante da série American Masters, já lançado em DVD no exterior. O filme, com aproximadamente 60 minutos de duração, será exibido pelo Canal Bis nesta terça (22) às 13h30 e nesta quarta (23) às 10h na faixa Arquivo Musical, além de já estar disponível na plataforma de streaming pago do canal, a Bis Play.

Nascida em Nova York em 9 de fevereiro de 1942, Carole King começou a tocar piano ainda criança, e não demorou a dominar o instrumento. Ainda adolescente, já compunha, e em 1959 não só arrumou um parceiro para composições, o letrista Gerry Goffin, como ganhou de quebra um marido, pois eles se casaram naquele ano. O documentário registra bem esse período, no qual ela e Goffin escreviam músicas para outros artistas, emplacando hits clássicos como Up On The Roof, The Loco-Motion, One Fine Day, Chains, Will You Love Me Tomorrow, Take a Giant Step, Going Back e (You Make Me Feel Like a) Natural Woman, só para citar alguns dos mais bem-sucedidos.

Com uma mescla de entrevistas feitas em épocas diferentes (incluindo uma realizada especialmente para Natural Woman), a cantora, compositora e pianista relembra com franqueza a dolorosa separação de Goffin, o início de sua carreira como cantora, a parceria musical com James Taylor e o estouro do álbum Tapestry (1971), que vendeu milhões de cópias e a consagrou de uma vez por todas. Os problemas com os outros maridos, a dificuldade de fazer shows e ter de ficar semanas longe das filhas são outros temas muito bem abordados.

Foram aproveitadas imagens de vários momentos da vida de Carole, incluindo fofíssimas cenas de quando ela era criança e começava a tocar piano. Temos também deliciosos depoimentos de amigos e cúmplices do mundo da música como James Taylor, o guitarrista fantástico Danny Kortchmar, o produtor Peter Asher, o casal de compositores Barry Mann e Cynthia Weil, a letrista Toni Stern (parceria dela em hits como It’s Too Late), o produtor Lou Adler e outros.

Natural Woman aproveita muito bem o curto espaço de tempo para abranger uma brilhante carreira que beira 60 anos e equivale a um belíssimo cartão de apresentações para quem não tem muita ideia de quem seja essa tal de Carole King. Duvido que, após ver esse documentário, você não se disponha a ouvir mais, ver mais e saber mais sobre a obra dessa incrível artista, que além de ter uma obra incrível no pop-rock ainda arruma tempo para um ativismo civil muito importante. Temos até ela recebendo o importante prêmio Guershwin das mãos do então presidente americano Barack Obama em 2013.

Veja o trailer do documentário Natural Woman:

Carole King: 75 anos de ótima e brilhante trajetória musical

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Por Fabian Chacur

A primeira vez que ouvi a voz de Carole King na vida foi provavelmente quando It’s Too Late tocou muito nas rádios brasileiras, lá pelos idos de 1971. Mas o contato mais próximo ocorreu em 1973, quando meu saudoso irmão Victor comprou um compacto simples dela, trazendo as músicas Corazón de um lado e Believe in Humanity do outro. Pronto. Não parava mais de tocar aquele raio daquele disco. Ela ganhava mais um fã, entre os seus milhares (milhões?) em todo o mundo.

Miss King chega aos 75 anos nesta quinta-feira (9) como um dos grandes marcos da presença feminina na história do rock e da música pop. Essa cantora, compositora e pianista americana nasceu no dia 9 de fevereiro de 1942, e iniciou sua trajetória musical ainda adolescente. Nessa época, era amiga de dois jovens e ainda desconhecidos músicos, Paul Simon e Neil Sedaka. Este último não só teve um namorico com ela, como também compôs o hit Oh! Carol em sua homenagem.

Nessa época (fim dos anos 1950), era bastante comum o que se denominou de “canções-resposta”, ou seja, uma música respondendo à temática de outra, e Carole King gravou sua estreia como intérprete em 1959, com Oh! Neil. Na mesma época, conheceu o letrista Gerry Goffin, que se tornou não só seu parceiro de composições como de vida, mesmo. Eles ficaram casados entre 1959 e 1968.

Em termos musicais, Goffin & King virou uma verdadeira grife pop, assinando hits como Up On The Roof, The Loco-Motion, Chains, Will You Love Me Tomorrow, One Fine Day, Going Back, Pleasant Valley Sunday e (You Make Me Feel Like) A Natural Woman, gravadas por artistas do porte de Aretha Franklin, Beatles, The Drifters, The Monkees, The Byrds e inúmeros outros. De tanto ouvir elogios à sua voz nas demos que enviava aos artistas que gravavam suas composições, a moça resolveu dar a cara para bater e assumir uma carreira como intérprete.

Em 1968, seu casamento com Gerry Goffin se acabou, e ela criou ao lado dos músicos Charles Larkey (com que se casou a seguir) e Danny Kortchmar a banda The City, que lançou em 1968 um excelente e pouco ouvido álbum, Now That Everything’s Been Said. Em 1970, saía o ótimo Writer, 1º álbum solo, do qual participou um amigo recente que se tornou outro parceiro bacana, ninguém menos do que James Taylor.

Em 1971m essa parceria renderia belos frutos aos dois músicos. James Taylor se tornaria o verdadeiro astro maior do chamado bittersweet rock com o estouro do álbum Mud Slide Slim And The Blue Horizon, cuja faixa de maior sucesso, You’ve Got a Friend, é uma composição de Carole King, que participa do álbum. Por sua vez, a descendente de judeus enfim conseguiu um sucesso à altura de seu imenso talento, com o estouro de Tapestry.

Considerado um dos melhores discos de todos os tempos independente de gênero musical, Tapestry é uma verdadeira aula de música pop, com fortes doses de soul music, rock, folk, latinidade e country, com direito a belas melodias, letras confessionais e uma voz simplesmente deliciosa. Empurrado pelo incrível single It’s Too Late, dolorido retrato de uma separação entre um casal, o disco chegou ao topo da parada americana.

A partir daí, a carreira-solo de Carole King se tornou imensa, com direito a mais dois álbuns no topo da parada americana (Music, no mesmo 1971, e Wrap Around Joy, em 1974) e hits deliciosos como Jazzman, Corazón, Believe in Humanity e inúmeros outros.

A partir da década de 1980, sua produção discográfica tornou-se um pouco mais esparsa e sem o sucesso comercial de antes, mas a qualidade não caiu, vide os ótimos City Streets (1988) e Colour Of Your Dreams (1993), este último com direito a participação especial de Slash, do Guns N’ Roses, e o hit Now And Forever.

Em 1990, por sinal, Carole King esteve no Brasil pela primeira e por enquanto única vez para shows, tendo se apresentado em São Paulo no extinto Olympia. Não estive no show, mas participei da entrevista coletiva com ela, que se mostrou de uma simpatia impressionante. A ponto de ter tido uma reação bem-humorada a um jornalista desinformado que lhe perguntou sobre o seu “casamento” com James Taylor. “A Carly Simon chegou antes”, brincou.

Na ativa de forma tranquila desde então, ela voltou ao topo das paradas em 2010, quando lançou um histórico álbum gravado ao vivo com James Taylor, Live At The Troubadour (também disponível em DVD), que chegou ao quarto lugar na parada americana e os mostrou de volta ao histórico palco do Troubador, em Los Angeles, onde tocaram no início dos anos 70, pouco antes de estourarem.

Sem exageros ou radicalismos, Carole King teve presença atuante e decisiva na abertura de maiores espaços para as mulheres no universo do rock, abrindo as portas para inúmeras colegas que vieram depois. As belas canções que compôs fazem parte do songbook da música pop, que será relido eternamente. Afinal, o que é bom, é para sempre!!!

Corazón- Carole King:

Morre Gerry Goffin, 75 anos, grande letrista do pop rock

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Por Fabian Chacur

Foi anunciada nesta quarta-feira (19) a morte de Gerry Goffin, um dos melhores e mais bem-sucedidos letristas da história do rock e da música pop. Ele tinha 75 anos, e morreu de causas naturais em sua casa em Los Angeles, segundo divulgou sua esposa, Michelle. Sua parceira mais conhecida foi Carole King, com quem esteve casado entre 1959 e 1968.

Nascido no Brooklin (Nova York) em 11 de fevereiro de 1939, Gerry Goffin tornou-se conhecido inicialmente no mundo da música como um dos compositores do chamado Brill Building, prédio situado em Nova York que concentrava pequenas salas nas quais compositores profissionais compunham músicas para as mais diversas editoras musicais e artistas entre os anos 50 e 60.

A parceria de Gerry com a esposa Carole King se tornou uma das mais bem-sucedidas daquele cenário, com direito a hits marcantes. The Loco-Motion, por exemplo, ocupou os primeiros lugares nas paradas de sucesso em três décadas seguidas: anos 60 com The Shirelles, anos 70 com o Grand Funk Railroad e anos 80 com a australiana Kylie Minogue.

Os Monkees gravaram três músicas marcantes do casal, as maravilhosas Take a Giant Step, Porpoise Song e Pleasant Valley Sunday. Os Beatles incluíram Chains logo em seu álbum de estreia (Please Please Me), enquanto os Byrds gravaram com categoria e originalidade as psicodélicas Going Back e I Wasn’t Born To Follow.

Up On The Roof, lançada pelo grupo vocal The Drifters, também fez bastante sucesso nas releituras de Laura Nyro, James Taylor e da própria Carole King, que, mesmo separada de Gerry Goffin em 1968, continuou a gravar músicas feitas pelos dois. Aliás, vale ressaltar que Goffin também tem várias músicas de sucesso com outros parceiros.

Gladys Knight And The Pips, por exemplo, fizeram bastante sucesso com duas músicas assinadas por Gerry Goffin, as belíssima So Sad The Songs (escrita com Michael Masser) e I’ve Got To Use My Imagination (com Barry Goldberg). Goldberg é também coautor de It’s Not The Spotlight, que visitou as paradas nas vozes de Rod Stewart e Kim Carnes.

Outra canção que poucos associam a Gerry Goffin é a balada Nothing’s Gonna Change My Love For You, parceria com Michael Masser gravada originalmente por George Benson e tornada um grande sucesso em proporções mundiais em 1990 na releitura feita pelo cantor pop Glenn Medeiros. Até o trio vocal SNZ (das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil) gravou versão em português desta canção.

Gerry Goffin é um dos últimos compositores da era de ouro do pop rock a nos deixar, e sua classe e sutileza na hora de escrever certamente fará muita falta. Só nos resta, como de praxe, matar a saudade ouvindo as inúmeras gravações feitas de suas belas canções, sete delas atingindo o número 1 nos EUA, sendo um total de 59 ocupando o Top 10 por lá.

I Wasn’t Born To Follow – The Byrds:

Take a Giant Step– The Monkees:

Chains – The Beatles:

Will You Still Love Me Tomorrow– Carole King:

Morre fotógrafo de Tapestry, de Carole King

Por Fabian Chacur

Maldito espaço de título. Por restrições de número de caracteres, tive de produzir esse título besta acima para poder noticiar a morte do fotógrafo Jim McCrary, que nos deixou aos 72 anos.

McCrary morreu no dia 29 de abril, mas seu falecimento só foi anunciado agora, pelo jornal americano LA Times. Ele sofria de uma doença que afetava seu sistema nervoso, e estava na cidade de Palo Alto, na California.

Durante sua carreira profissional, Jim prestou serviços durante muitos anos para a gravadora A&M Records. Em 1971, ficou a seu cargo fazer a foto que acabou na capa de Tapestry, de Carole King, um dos melhores álbuns de todos os tempos em qualquer estilo musical e contendo faixas tocantes como It’s Too Late e I Feel The Earth Move.

Lou Adler, produtor daquele álbum e parceiro de McClary na A&M declarou ao LA Times que seu colega tinha a rara capacidade de entender perfeitamente o que os artistas desejavam para ilustrar seus LPs/CDs. “Vide a capa de Tapestry, na qual o gato de Carole King acabou entrando e dando um clima perfeito para a cena”, disse.

Capas de álbuns de artistas importantes como Joe Cocker e os grupos The Carpenters e Flying Burrito Brothers tiveram fotos de Jim McCrary.

Ouça It’s Too Late, com Carole King e James Taylor, ao vivo:

Filme mostra o berço dos singer-songwriters

Por Fabian Chacur

Há casas de shows que entram para a história pelos espaços importantes que abriram para artistas que posteriormente se tornaram ídolos e ícones da música.

Criada em 1957 em Hollywood, California, na lendária Santa Monica Boulevard (eternizada na letra da música All I Wanna Do, de Sheryl Crow), a Troubadour é uma das mais exemplares e icônicas.

Embora tenha proporcionado espaço para diversos estilos musicais e bandas e artistas iniciantes como Guns N’ Roses, Motley Crue, Radiohead, Franz Ferdinand e inúmeros outros, esse espaço é um dos principais marcos de uma praia específica, a dos singer/songwriters.

Inspirados na folk music, country e rock e tendo em Bob Dylan uma espécie de padrinho improvável, essa geração do rock apareceu no finalzinho dos anos 60, e teve em James Taylor e Carole King suas figuras de ponta.

Afinal, foi graças aos discos Sweet Baby James (1970) e Mud Slide Slim And The Blue Horizon (1971), de Taylor, e Tapestry, de Carole, que o também chamado bittersweet rock alçou voo rumo à estratosfera em termos artísticos e comerciais.

E o Troubaudor, clube criado pelo empresário e músico Doug Weston, serviu como base de lançamento de muitos astros associados a esse estilo, como Taylor, Carole, Linda Ronstadt, The Eagles e Elton John, que no início da carreira era bittersweet total e que fez lá, no dia 25 de agosto de 1970, seu primeiro show em território americano.

Pois acaba de ser lançado lá fora em DVD (em parceria dos selos Concord Music Group, Hear Music, Rhino Music e Warner) o documentário Troubadours – The Rise of The Singer-Songwriter,  que conta a história do movimento tendo o clube como gancho e mote.

Trazendo cenas da época misturadas a entrevistas feitas para o projeto com Taylor, Carole, Jackson Browne, David Crosby, Bonnie Raitt, Elton John e outros, trata-se de uma deliciosa viagem pelo surgimento e desenvolvimento de uma das mais interessantes vertentes da música pop.

Outro mote para o vídeo foi o show realizado em 2007 e registrado em DVD/CD reunindo James Taylor e Carole King para comemorar os 50 anos do clube, o fantástico Live At The Troubadour, que obteve a façanha de atingir o segundo lugar na parada americana, algo raro nos dias de hoje para astros de sua geração.

Os depoimentos são ótimos. Elton John, por exemplo, responde, ao ser questionado sobre uma possível mágoa de Doug Weston (morto em 1999) pelo fato de ele não ter mais tocado lá, após estourar mundialmente.

“Foi ótimo tocar no Troubadour, mas o que ele queria, que eu ficasse tocando lá para sempre?”.

Como brinde, temos um CD com dez músicas representativas da fase áurea do bittersweet rock dos anos 70.

Eis a seleção:

Sweet Baby James – James Taylor

Desperado – Linda Ronstadt

Dixie Chicken – Little Feat

Take Me To The Pilot– Elton John

Ol’ 55 – Tom Waits

Love Has No Pride – Bonnie Raitt

Sail Away – Randy Newman

Why Me – Kirs Kristofferson

It’s Too Late – Carole King

Obs.: o único problema do DVD é não ter legendas em inglês. Até que me dei bem ao ouvir as entrevistas, mas entender o que David Crosby fala, por exemplo, não é exatamente uma tarefa das mais simples…

Carole King e James Taylor brilham em reencontro emocionante no Troubadour

Por Fabian Chacur

O Troubadour é um pequeno clube situado na célebre Santa Monica Boulevard, em Los Angeles. Fundado em 1967, deu espaço para que vários nomes hoje mitológicos da música pop se apresentassem pela primeira vez com visibilidade de público e imprensa. Carole King e James Taylor estão entre eles.

Eles tocaram juntos lá em novembro de 1970. Na época, Carole já era conhecida como compositora, mas ainda dava seus primeiros passos para se tornar uma cantora de sucesso, enquanto Taylor acabava de lançar seu segundo álbum, Sweet Baby James.

No ano seguinte, a cantora, compositora e tecladista alcançaria o estrelato com Tapestry, uma das grandes obras-primas do rock da década de 70, com a dupla tocando por lá novamente.

Para celebrar aqueles anos importantes e intensos, os dois astros tocaram no Troubadour novamente em 2007, durante a celebração dos 40 anos do local, no qual também brilharam The Eagles, Linda Ronstadt, Daryl Hall & John Oates e Elton John.

Para alegria de quem não esteve por lá, a Universal Music acaba de lançar por aqui Live At The Troubadour, dobradinha DVD/CD que traz as 15 músicas tocadas por Carole King e James Taylor, todas extraídas de seus seminais Sweet Baby James e Tapestry.

Além da dupla, o show também conta com a participação dos músicos que os acompanhavam naquela época, os ótimos Danny Kortchmar (guitarra), Leland Sklar (baixo) e Russel Kunkel (bateria).

O show é emocionante em todos os sentidos. A execução das músicas respeita quase sempre os arranjos originais, com as vozes dos dois intérpretes ainda afiadas e afinadas, além de extremamente entrosadas. Os músicos dão um banho de swing e refinamento.

O repertório inclui alguns dos momentos mais brilhantes do chamado bittersweet rock (ou rock agridoce), entre os quais So Far Away, Carolina In My Mind, It’s Too Late, Something In The Way She Moves, Fire And Rain, Country Road, I Feel The Earth Move e Will You Love Me Tomorrow.

São canções de beleza perene, que continuam e continuarão a embalar corações e a tocar as emoções de seres humanos nos quatro cantos do mundo. Para quem curte ouvir músicos brilhantes no auge da forma, aprecie com atenção o sublime solo de Danny Kortchmar em It’s Too Late, só para citar um dos momentos marcantes do DVD/CD nesse setor.

O DVD é particularmente lindo, especialmente nos momentos em que Carole e Taylor trocam olhares de cumplicidade. Vale a lembrança de que eles nunca namoraram ou foram um casal romântico, mas sua afinidade musical sempre foi impecável.

Live At The Troubadour entrou na parada americana direto no segundo lugar, prova de que, sim, há lugar para música de qualidade no cenário atual do pop, independente de ser feita em 1970, hoje ou em qualquer outro momento. Música boa é para sempre.

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