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Licorice Pizza, filme com uma das trilhas mais interessantes do ano

licorice pizza capa trilha

Por Fabian Chacur

Programado para estrear nos cinemas nos EUA no final de dezembro, Licorice Pizza foi escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, e tem a sua trama situada no início dos anos 1970 em San Fernando Valley, Califórnia (EUA). O centro das atenções é o romance entre dois adolescentes feiosos, papeis vividos por Alana Haim e Cooper Hoffman. Sean Penn, Tom Waits, Bradley Cooper e Bennie Safdie também marcam presença no elenco. E a trilha sonora, já disponível nas plataformas digitais, chama e muito a atenção dos mais atentos.

De cara, o trailer divulgado (veja aqui) cativa e emociona por ter como música de fundo nada menos do que Life On Mars, um dos grandes clássicos do repertório de David Bowie. E a trilha nos oferece grandes canções das décadas de 1940 aos 1970 (com ênfase nesta última), de nomes como Paul McCartney & Wings, Seals & Crofts, The Doors, Chuck Berry, Bing Crosby & The Andrew Sisters, Donovan e Nina Simone, em um total de 20 faixas.

Além desses clássicos todos, o tema principal do filme, também intitulado Licorice Pizza, é de autoria de Jonny Greewood, do grupo Radiohead, uma belíssima e delicada faixa instrumental das mais sedutoras. Outro item interessante é o fato de o filme homenagear uma famosa loja de discos californiana, o que acrescenta um elemento a mais aos fãs dos discos de vinil. A grande Ana Maria Bahiana já viu e fez bons elogios ao filme. Fiquemos na espectativa.

Eis as faixas da trilha sonora de Licorice Pizza:

1-July Tree- Nina Simone

2-Stumblin’ In-Chris Norman & Suzi Quatro

3- Sometimes I’m Happy- Johnny Guarnieri

4- Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive (Single Version) [feat. Vic Schoen & His Orchestra]-Bing Crosby & The Andrews Sisters

5-Blue Sands [feat. Buddy Collette]- Chico Hamilton Quintet

6-But You’re Mine- Sonny & Cher

7- My Ding-A-Ling (Live At Fillmore Auditorium, San Francisco, CA/1967) [feat. Steve Miller Band]- Chuck Berry

8- Peace Frog- The Doors

9-Let Me Roll It- Paul McCartney And Wings

10- Life On Mars? David Bowie

11- Slip Away- Clarence Carter

12- Diamond Girl (Album Version)- Seals and Crofts

13- Greensleeves- Mason Williams

14- Barabajagal- Donovan

15- Softly Whispering I Love You- The Congregation

16- Licorice Pizza- Jonny Greenwood

17- If You Could Read My Mind- Gordon Lightfoot

18- Walk Away- The James Gang

19- Lisa, Listen To Me- Blood Sweat & Tears

20- Tomorrow May Not Be Your Day- Taj Mahal

Licorice Pizza- Jonny Greenwood:

Peter Frampton lança clipe com bela homenagem a David Bowie

peter frampton capa 2021

Por Fabian Chacur

David Bowie e Peter Frampton se conheceram ainda muito jovens, quando o saudoso astro britânico foi aluno do pai do autor de Baby I Love Your Way, Owen Frampton. Ele homenageia o amigo no álbum que irá lançar no dia 23 de abril, Frampton Forgets The Words, no qual ele e sua banda de apoio releem 10 faixas de outros compositores de forma instrumental, incluindo Loving The Allien, lançada por Bowie em 1984 no seu álbum Tonight.

Loving The Allien está sendo divulgada com um belo clipe que mescla cenas registradas de forma remota com Frampton e seus músicos e fotos e filmagens dos dois amigos, sendo que uma delas traz os Framptons pai e filho e Bowie. Os registros foram feitos na época em que os músicos trabalharam no álbum Never Let Me Down (1987) e na turnê que divulgou esse trabalho do autor de Heroes, a Glass Spider. Uma das cenas mostra Bowie apresentando o guitarrista em um dos shows feitos por eles nesse período.

Além da composição de Bowie, o álbum instrumental nos oferece clássicos do porte de Avalon, faixa-título do último álbum do Roxy Music lançado em 1982, e Are You Gonna Go My Way, que deu nome ao álbum de 1993 de Lenny Kravitz. Peter Frampton também lançou, em outubro de 2020, uma autobiografia, intitulada Do You Feel Like We Do?: A Memoir.

Loving The Allien (clipe)- Peter Frampton Band:

David Bowie terá dois álbuns ao vivo lançados em streaming

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Por Fabian Chacur

Os lançamentos póstumos envolvendo David Bowie não param. Em agosto, serão mais dois. Nesta sexta (7), teremos nas plataformas digitais em áudio e vídeo Drive-In Saturday (Live At The Elysée Montmartre Paris 14th October 1999). No dia 14 (sexta), será a vez de Something In The Air (Live Paris 99), exclusivamente em áudio. Ambos flagram o saudoso astro do rock em show na França em 1999.

Nesta época, Bowie estava lançando o álbum hours…, e o repertório dos shows trazia diversas faixas deste trabalho, como Something In The Air, Seven e The Pretty Things Are Going To Hell, somadas a outras de fases diversas de sua fantástica carreira, incluindo duas bem raras em seus set lists ao vivo, as excelentes Can’t Help Thinking About Me (lançada por ele em 1966) e Word On a Wing (do álbum Station To Station, de 1976).

Das gravações incluídas em Something In The Air, três foram lançadas originalmente como lados B de singles extraídos de hours…, sendo as outras 12 inéditas. Algumas horas antes de realizar este show, Bowie foi agraciado com o Commandeurs Of The Ordre des Artists et des Lettres, a maior honraria oferecida a um artista na França.

As faixas de Something In The Air (Live Paris 99):

Life On Mars? (David Bowie)
Thursday’s Child (David Bowie/Reeves Gabrels)
Something In The Air (David Bowie/Reeves Gabrels)
Word On A Wing (David Bowie)
Can’t Help Thinking About Me (David Bowie)
China Girl (David Bowie/Iggy Pop)
Always Crashing In The Same Car (David Bowie)
Survive (David Bowie/Reeves Gabrels)
Drive-In Saturday (David Bowie)
Changes (David Bowie)
Seven (David Bowie/Reeves Gabrels)
Repetition (David Bowie)
I Can’t Read (David Bowie/Reeves Gabrels)
The Pretty Things Are Going To Hell (David Bowie/Reeves Gabrels)
Rebel Rebel (David Bowie)

Can’t Help Thinking About Me (live 99)- David Bowie:

David Bowie ao vivo em 1995 nos EUA em um novo álbum digital

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Por Fabian Chacur

No próximo dia 3 de julho (que será uma sexta-feira), chegará às plataformas digitais através da Warner Music um novo álbum de David Bowie. Trata-se de Ouvrez Le Chien (Live Dallas ’95), gravado ao vivo no dia 13 de outubro de 1995 em show realizado no Starplex Amphitheatre em Dallas, Texas (EUA), durante a turnê que divulgou o seu álbum Outside (1995). Uma amostra já está disponível, a faixa Teenage Wildlife.

O repertório do show mescla canções de Outside com alguns clássicos de seu repertório. Como bônus, foram incluídas Moonage Daydream e Under Pressure, gravadas ao vivo em 13 de dezembro de 1995 no National Exhibition Centre em Birmingham e lançadas anteriormente no CD single Hallo Spaceboy.

A frase ouvrez le chien (abra o cão, em francês) foi utilizada por Bowie em sua música All The Madmen, do álbum The Man Who Sold The World (1970), e depois em uma das faixas do álbum Buddha Of Suburbia (1993). A foto da capa foi feita pela esposa do saudoso roqueiro, Iman.

Nos shows, Bowie teve a seu lado uma banda afiadíssima integrada por ele próprio (vocais e saxofone), Carlos Alomar (guitarra base), Reeves Gabrels (guitarra-solo e vocais), Gail Ann Dorsey (baixo e vocais), Zachary Alford (bateria), Peter Schwartz (teclados e sintetizadores), George Simms (vocais) e Mike Garson (piano e teclados).

Eis as faixas de Ouvrez Le Chien:

– Look Back In Anger (David Bowie/Brian Eno)
– The Hearts Filthy Lesson (David Bowie/Brian Eno/Michael Garson/Sterling Campbell/Erdal Kizilcay/Reeves Gabrels)
– The Voyeur Of Utter Destruction (As Beauty) (David Bowie/Brian Eno/Reeves Gabrels)
– I Have Not Been To Oxford Town (David Bowie/Brian Eno)
– Outside (David Bowie/Kevin Armstrong)
– Andy Warhol (David Bowie)
– Breaking Glass (David Bowie/George Murray/Dennis Davis)
– The Man Who Sold The World (David Bowie)
– We Prick You (David Bowie/Brian Eno)
– I’m Deranged (David Bowie/Brian Eno)
– Joe The Lion (David Bowie)
– Nite Flights (Scott Engel)
– Under Pressure (David Bowie/Freddie Mercury/Roger Taylor/John Deacon/Brian May)
– Teenage Wildlife (David Bowie)
– Moonage Daydream* (David Bowie)
– Under Pressure (David Bowie/Freddie Mercury/Roger Taylor/John Deacon/Brian May)

Teenage Wildlife (Life Dallas ’95)– David Bowie:

David Bowie em disco ao vivo digital da sua turnê de 1997

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Por Fabian Chacur

Mais um álbum ao vivo de David Bowie está disponível nas plataformas digitais via Warner Music, dando prosseguimento a uma série de lançamentos nesse formato com material registrado em diversas fases da carreira do saudoso artista britânico. LIVEANDWELL.COM saiu originalmente em tiragem limitada em 2000 e disponibilizado apenas aos assinantes da Bowienet. São 12 faixas gravadas ao vivo em Nova York, Rio de Janeiro, Amsterdam e Reino Unido em 1997 durante a turnê de lançamento do álbum Earthling (1997).

Os registros flagram o autor de Space Oddity no auge de sua fase eletrônica, incluindo cinco músicas do álbum Earthling e cinco do trabalho anterior, Outside (1995). Duas faixas saíram antes em um maxi-single de 12 polegadas e creditadas ao The Tao Jones Index, nome com o qual Bowie e sua banda se apresentaram de surpresa em tendas dedicadas à dance music em festivais. São elas Pallas Athena (do álbum Black Tie White Noise, de 1993) e V-2 Schneider (do álbum Heroes, de 1977, única música não lançada nos anos 1990).

Aqui está a escalação do timaço que interpreta com vigor e categoria (e com excelente qualidade de áudio) as 12 faixas deste excelente álbum ao vivo: David Bowie (vocais, guitarra, saxofone), Zachary Alford (bateria), Gail Ann Dorsey (baixo, vocais, teclados), Reeves Gabrels (guitarras, sintetizadores, vocais) e Mike Garson (piano, teclados, sintetizadores).

Eis as faixas de LIVEANDWELL.Com :

1 – I’m Afraid Of Americans (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
2 – The Hearts Filthy Lesson (Long Marston, Phoenix Festival, 18th July, 1997) x
3 – I’m Deranged (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) x
4 – Hallo Spaceboy (Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997) x
5 – Telling Lies (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) *
6 – The Motel (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) x
7 – The Voyeur Of Utter Destruction (As Beauty) (Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997) x
8 – Battle for Britain (The Letter) (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
9 – Seven Years In Tibet (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
10 – Little Wonder (Radio City Music Hall New York, 15th October, 1997) *
11 – Pallas Athena (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) y
12 – V-2 Schneider (Amsterdam, Paradiso, 10th June, 1997) z

* versões de estúdio são do álbum Earthling (1997)
x versões de estúdio são do álbum Outside (1995)
y versão de estúdio é do álbum Black Tie White Noise (1993)
z versão de estúdio é do álbum Heroes (1977)

Hallo Spaceboy (Live from Rio de Janeiro, Metropolitan, 2nd November, 1997)

Changesnowbowie é o novo lançamento digital do Bowie

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Por Fabian Chacur

No dia 8 de janeiro de 1997, como forma de celebrar os 50 anos completados naquela data por David Bowie, a BBC de Londres transmitiu um programa especial. Nesta atração, o astro do rock foi entrevistado por Mary Anne Hobbs, e também tivemos mensagens celebrando a data e questões formuladas por Scott Walker, Damon Albarn, Bono e Robert Smith. O conteúdo musical dessa atração agora está disponível, via Warner Music, nas plataformas digitais, com o título Changesowbowie, sem versão física prevista por enquanto.

As nove faixas tocadas naquela atração da BBC foram gravadas e mixadas previamente, em novembro de 1996, em Nova York, mais precisamente no Looking Glass Studio. Nelas, Bowie é acompanhado por Gail Ann Dorsey (baixo e vocais), Reeves Gabrels (guitarra e voz) e Mark Plati (teclados e programações). Esta seria a banda, acrescida de outros músicos, que o acompanharia em 1997 em bem-sucedida turnê que passou pelo Brasil.

O repertório investe em clássicos de seu repertório como Aladdin Sane e The Man Who Sold The World, o célebre cover de White Light / White Heat (do Velvet Underground) incluído em seus shows desde os anos 1970, e duas surpresas. São elas Shopping For Girls, do álbum Tin Machine II (1991), da banda alternativa de Bowie, a Tin Machine, e Repetition (do álbum Lodger, de 1979), que ganhou uma nova versão e um novo clipe em 1997.

Eis as faixas de Changesnowbowie:

-The Man Who Sold The World
-Aladdin Sane
-White Light / White Heat
-Shopping For Girls
-Lady Stardust
-The Supermen
-Repetition
-Andy Warhol
-Quicksand

Repetition ’97 (clipe)- David Bowie:

Earl Slick e Bernard Fowler em documentário sobre os sidemen

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Por Fabian Chacur

Sideman é o termo criado para designar os músicos de apoio, profissionais cuja função básica é dar a base artística suficiente para que seus patrões, sejam eles quem forem (cantores solo, duplas, grupos etc) brilhem. Até por isso mesmo, frequentemente são pouco conhecidos do grande público. O documentário Rock ‘N’ Roll Guns For Hire- The Story Of Sidemen (2017), de Francis Whately (o mesmo diretor de The Last Five Years, de David Bowie), que está sendo exibido pelo Canal Bis e disponível em sua plataforma de streaming (bisplay), enfoca alguns dos grandes craques dessa área.

Com o selo de qualidade da BBC, o documentário tem como narrador e principal personagem o guitarrista americano Earl Slick, que atuou ao lado de David Bowie de 1974 a 2016, entre idas e vindas, e também gravou com John Lennon e com o trio Phantom, Rocker & Slick. Carismático, ele interage com outro craque do setor, o cantor americano Bernard Fowler, que há 30 anos faz parte com destaque da banda de apoio dos Rolling Stones.

Durante os 90 minutos de duração do filme, temos a oportunidade de conhecer as experiências dos dois protagonistas e também de músicos de currículos importantes do porte de Wendy Melvoin & Lisa Coleman (da banda Revolution, que acompanhou Prince em Purple Rain e outros discos de sucesso), Steve Cropper (lendário compositor e guitarrista que trabalhou com Otis Redding) e Crystal Taliefero (tocou com Billy Joel).

O termo sideman é mais usado para o músico que integra bandas de shows, mas em diversos casos esses profissionais também atuam como músicos de estúdio também, e a razão é simples: sobrevivência. Afinal de contas, eles são realmente “pistoleiros de aluguel” (tradução do título do documentário), que só ganham enquanto estão em uma turnê ou em uma sessão de gravação. E sempre dependem do humor ou da mudança de rota de seus patrões.

Um dos diversos pontos positivos do filme fica por conta de vários depoimentos de alguns desses chefões famosos, entre eles Mick Jagger, Keith Richards e Billy Joel. Fica claro que os sidemen (e sidewomen) vivem o tempo todo na corda bamba, pois não podem aparecer mais do que os astros para os quais trabalham, mas ao mesmo tempo precisam acrescentar o suficiente nos shows e gravações para serem considerados úteis.

Vários episódios interessantes ocorridos nessa área são revividos por eles. Slick, por exemplo, lembra que em algumas ocasiões era demitido por Bowie e, não muito tempo depois, readmitido para entrar no lugar de quem o havia substituído. “E é assim que as coisas funcionam, não tem jeito”, relembra o músico, que mostra no filme uma tentativa que fez para ganhar algum dinheiro fora da música, customizando jaquetas de couro.

Rock ‘N’ Roll Guns For Hire é uma bela amostra da difícil vida fácil de pessoas extremamente talentosas que, no entanto, não tiveram cacife suficiente para atingir o estrelato por conta própria. Uns se frustram um pouco com isso, como admite Wendy Melvoin. Outros, pelo contrário, como garante Steve Cropper, satisfeito em deixar os holofotes para os patrões e se divertindo ao tocar, produzir e compor para eles.

No final do doc, Slick e Fowler se unem, montam uma banda e fazem um show no qual tocam basicamente hits de Bowie, fechando com chave de ouro um belo retrato desses caras geniais sem os quais muitos pop stars não passariam de meros vagalumes no meio do mato. É como no futebol: o que seria dos artilheiros e meio-campistas se não tivessem os zagueiros, volantes e goleiros para garantir as coisas para eles?

Veja o documentário sem legendas:

D.A. Pennebaker eternizou cenas de grandes nomes da música pop

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Por Fabian Chacur

As décadas de 1960, 1970 e 1980 foram palco de grandes momentos da história da música pop mundial. Se por ventura você ainda não era vivo ou não tinha idade suficiente para ter presenciado in loco o que de melhor ocorreu nessas épocas, a única saída é recorrer a documentários. E um dos profissionais que melhor trabalhou no ofício de eternizar performances sublimes em filmes foi o diretor americano D.A. Pennebaker, que infelizmente nos deixou aos 94 anos de idade no último dia 1º (quinta), sendo que sua morte só foi divulgada no último sábado (3). Seu currículo na área musical é simplesmente arrasador.

Don Alan Pennebaker nasceu em Evanston, Illinois (EUA) em 15 de julho de 1925, filho de um fotógrafo. Ele se formou em engenharia, mas acabou se embrenhando pelo cinema. Seu primeiro curta-metragem envolvendo música saiu em 1953, Daybreak Express, no qual cenas registradas em estação de metrô de Nova York ao som da música de mesmo título, de Duke Ellington. Em 1960, ganhou os holofotes com Primary, na qual registrou a disputa das primárias do Partido Democrata que nomearam como candidato John F. Kennedy.

O método com o qual Pennebaker fazia seu trabalho partia de um princípio básico: ser uma espécie de espectador neutro dentro de um contexto, ou “fly on the wall” (mosca na parede), como ficou conhecido esse tipo de abordagem. Em uma entrevista concedida à revista Film Comment, ele delineou seu método de trabalho:”observe. Apenas observe. Não interprete, não explique”.

O pulo do gato em termos de projeção na área musical ocorreu quando foi convidado a registrar a turnê realizada por Bob Dylan na Inglaterra em 1965. O filme resultante desta experiência, Dont Look Back (1967) flagra toda a polêmica passagem do artista de sua fase acústica para uma abordagem mais roqueira, atraindo reações agressivas por parte dos fãs mais puristas, que desejavam ver seu ídolo eternamente atrelado ao folk acústico.

Mama Cass de queixo caído

Em 1967, lá estava Pennebaker registrando o seminal Monterey Pop, festival que se tornou um marco da música pop e do rock em particular, atraindo um público muito maior do que se esperava e escancarando a importância roqueira no universo cultural naqueles anos efervescentes e criativos.

A cena em que ele mostra a cantora Mama Cass, do The Mamas And The Papas, com o queixo caído ao presenciar na platéia uma performance demencial da então ainda desconhecida Janis Joplin na música Ball And Chain é um dos pontos altos do simplesmente espetacular Monterey Pop (1968).

Posteriormente, seriam lançados outros dois filmes com material inédito registrado durante aquele festival, Jimmy Plays Monterey (1986) e Shake! Otis At Monterey (1987), centradas nos shows incríveis realizados por Jimmy Hendrix e Otis Redding naquele evento mitológico.

Plastic Ono Band no Canadá

Em 1969, John Lennon montou um grupo com a esposa, Yoko Ono, e os amigos Eric Clapton (guitarra), Klaus Woorman (baixo) e o então desconhecido Allan White (bateria, tocaria depois com o Yes) e participou de um festival de música em Toronto, no Canadá, evento do qual também participaram os pioneiros do rock Bo Diddley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard.

O show, uma das raras performances ao vivo de John Lennon sem os Beatles, virou filme graças às lentes de Pennebaker, gerando o documentário Sweet Toronto (1971), que embora traga performances dos outros roqueiros, é centrada na performance completa de Lennon e seus asseclas, a mesma que gerou o álbum ao vivo Live Peace In Toronto (1969), o “álbum da nuvem”, creditado à Plastic Ono Band.

Em 1973, chega a vez de Pennebaker filmar o último show da turnê de David Bowie encarnando o personagem Ziggy Stardust, realizado em 3 de julho daquele ano no Hammersmith Odeon, em Londres. Um registro cru e direto de um show no qual Bowie vive um dos vários momentos icônicos de sua trajetória, ao lado da banda Spiders From Mars.

O filme propriamente dito, Ziggy Stardust And The Spiders From Mars- The Motion Picture, só sairia em 1979, e sua impactante trilha sonora, em 1983.

Uma curiosidade sobre esse documentário: o lendário guitarrista Jeff Beck participou do show em sua parte final, no pot-pourry The Jean Genie/Love Me Do e em Round And Round. Essa performance, no entanto, só foi exibida em um especial na TV americana que foi ao ar em 1974, e não aparece nem no filme, nem na trilha sonora. As razões pela qual o guitarrista pediu para que a sua participação fosse tirada do filme nunca foram devidamente esclarecidas.

Chris Hegedus, Depeche Mode etc

Em 1976, Pennebaker ganha uma assistente ao trabalhar pela primeira vez com Chris Hegedus, então com apenas 25 anos. Eles se casaram em 1982, e ela se mostrou uma talentosa documentarista, trazendo nova energia para o trabalho do veterano cineasta. A chamada união do útil com o agradável.

O fruto dessa renovação se mostrou em toda a sua intensidade no genial 101 (1989), que documentou o exato momento em que a banda britânica Depeche Mode deixou de ser mais uma das inúmeras bandas de tecnopop aspirando ao estrelato e entrou com tudo no primeiro escalão da música pop. Isso ocorreu durante a turnê americana do grupo realizada em 1988.

A grande sacada de 101 é mostrar a banda de Dave Gahan e Martin L. Gore sendo acompanhada por um grupo de fãs devotados e carismáticos, algo que seria imitado posteriormente por emissoras de TV como a MTV, por exemplo. Pennebaker e Hegedus afirmaram em entrevistas ter sido este o seu trabalho favorito, na seara musical.

Se boa parte das incursões musicais de D.A. Pennebaker registrou fatos que estavam acontece naquele exato momento, um de seus filmes mais bacanas equivale a um verdadeiro resgate, embora tenha como mote a realização de um show. Trata-se de Only The Strong Survive (2002), que reúne craques da soul music como Isaac Hayes, Jerry Butler, The Chi-lites, Sam Moore (da dupla Sam & Dave), Wilson Pickett, Mary Wilson e Rufus e Carla Thomas, entre outros.

Este documentário chegou a ser considerado uma espécie de Buena Vista Social Club do soul, por reunir artistas seminais daquela vertente musical deixados de lado pela grande mídia. Depoimentos emocionantes, como Sam Moore lembrando dos tempos em que atuou como traficante, Jerry Butler virando político ou o medo de Carla Thomas em arrumar os dentes e eventualmente perder seu estilo vocal, são cerejas de um bolo no qual performances arrasadoras são o mote. Saiu em DVD no Brasil, procurem que vale a pena.

Veja o trailer de Only The Strong Survive:

Hunky Dory, Ziggy Stardust e Heroes relançados no Brasil

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Por Fabian Chacur

A discografia de David Bowie é uma das mais importantes da história do rock. Portanto, nada melhor do que ter acesso a esses títulos tão bacanas, ainda mais se for em formato físico. A Warner Music está disponibilizando no Brasil em CD três joias desse acervo maravilhoso, em versões remasterizadas. São todos da década de 1970: Hunky Dory (1971), The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) e Heroes (1977), em versões devidamente remasterizadas.

Uma ressalva fica por conta de esses títulos seguirem o padrão das reedições imediatamente anteriores, feitas pela EMI há 20 anos, que retirou as faixas-bônus incluídas na fantástica série de relançamentos promovida pelo selo americano Rykodisc no início da década de 1990 (quem comprou, comprou…), cujo acervo, curiosamente, hoje pertence à própria Warner Music.

Hunky Dory tem vários pontos importantes, entre os quais ser o primeiro LP do astro britânico a incluir os músicos que integraram sua lendária banda de apoio, a Spiders From Mars. São eles Mick Ronson (guitarra), Trevor Bolder (baixo) e Mick Woodmansey (bateria). O convidado especial, tocando teclados, é ninguém menos do que Rick Wakeman. Três grandes hits, todos baladas empolgantes, estão aqui: Changes, Life On Mars? e Oh! You Pretty Things. A deliciosa Kooks, a ardida Queen Bitch e a divertida Andy Warhol são outros destaques.

Responsável por sua explosão em termos de popularidade no Reino Unido, The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars marcou o surgimento do glam rock enquanto fenômeno musical e de popularidade entre o público rocker, alucinando a garotada com petardos como Ziggy Stardust, Sufraggette City, Hang On To Yourself e baladas como Starman e Rock And Roll Suicide. Um dos discos mais “rock na veia” do Camaleão.

Heroes é o irmãos siamês de Low (1977), e traz como marca sua mistura de rock e música eletrônica, com direito a elementos de música vanguardista, krautrock e por aí vai. E vai bem! Não faltam faixas antológicas, entre as quais vale lembrar da envolvente e nervosa Beauty And The Beast e da icônica música que deu título a este CD, um verdadeiro hino rocker. As presenças de Brian Eno e Carlos Alomar são marcantes nessa fase do saudoso astro britânico.

Saiba as faixas contidas em cada CD:

Hunky Dory:

Changes (2015 Remaster) 03:37
Oh! You Pretty Things (2015 Remaster) 03:13
Eight Line Poem (2015 Remaster) 02:55
Life On Mars? (2015 Remaster) 03:55
Kooks (2015 Remaster) 02:53
Quicksand (2015 Remaster) 05:06
Fill Your Heart (2015 Remaster) 03:10
Andy Warhol (2015 Remaster) 03:54
Song For Bob Dylan (2015 Remaster) 04:13
Queen Bitch (2015 Remaster) 03:20
The Bewlay Brothers (2015 Remaster) 05:29

The Rise and Fall od Ziggy Stardust and the Spiders from Mars:

Five Years (2012 Remastered Version
Soul Love (2012 Remastered Version)
Moonage Daydream (2012 Remastered Version)
Starman (2012 Remastered Version)
It Ain’t Easy (2012 Remastered Version)
Lady Stardust (2012 Remastered Version)
Star (2012 Remastered Version)
Hang On To Yourself (2012 Remastered Version)
Ziggy Stardust (2012 Remastered Version)
Suffragette City (2012 Remastered Version)
Rock ’N’ Roll Suicide (2012 Remastered Version)

Heroes:

Beauty And The Beast (2017 Remastered Version
Joe The Lion (2017 Remastered Version)
Heroes (2017 Remastered Version)
Sons Of The Silent Age (2017 Remastered Version)
Blackout (2017 Remastered Version)
V-2 Schneider (2017 Remastered Version)
Sense Of Doubt (2017 Remastered Version)
Moss Garden (2017 Remastered Version)
Neuköln (2017 Remastered Version)
The Secret Life Of Arabia (2017 Remastered Version)

Ouça Hunky Dory em streaming:

David Bowie terá caixa de singles em vinil com 9 gravações raras

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Por Fabian Chacur

As redes sociais dedicadas a divulgar o trabalho do saudoso David Bowie anunciaram uma bela novidade para seus fãs, especialmente para os colecionadores mais ávidos por raridades. Será lançada em breve, infelizmente só no exterior, Spying Through a Keyhole-Demos And Unreleased Songs. Trata-se de uma caixa contendo singles de 7 polegadas, os antigos compactos simples de vinil, contendo nove gravações inéditas em formato físico registradas pelo genial cantor, compositor e músico britânico nos idos de 1967 e 1968.

Lançada pelo selo Parlophone (hoje distribuído pela Warner Music), a caixa traz canções inéditas como Love All Around (de onde foram extraídos os versos que deram nome ao trabalho) e versões demo de In The Heat Of The Morning, por exemplo, ótima canção da fase inicial do astro britânico que possui trechos que posteriormente inspirariam um hit massivo dele, Ziggy Stardust.

O principal gancho para este projeto foram os 50 anos do lançamento de Space Oddity, que aparece em duas versões diferentes, uma demo que parecer ser a primeira gravação feita deste clássico, e outra na qual Bowie a interpreta junto com John Hutch Hutchinson, que integrou o trio Feathers ao lado do astro inglês e também tocou com ele nos anos 1970. A qualidade técnica das gravações, segundo informes da própria gravadora, não é perfeita, mas vale pela raridade.

Eis o repertório completo: Mother Gray, In The Heat Of The Morning, Goodbye 3D (Threepennny Joe), Love All Around, London Bye, Ta-Ta, Angel, Angel Grubby Face- Version 1, Angel, Angel Grubby Face- Version 2, Space Oddity- demo excerpt e Space Oddity-demo+alternative lyric (com John Hutch Hutchinson).

Essas canções foram disponibilizadas por um curto período de tempo em dezembro de 2018 nas plataformas digitais. A gravadora afirma que essas canções serão lançadas futuramente em outros formatos, mas não especificou quais e quando esses lançamentos ocorrerão.

In The Heat Of The Morning (BBC Sessions)- David Bowie:

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