Mondo Pop

O pop de ontem, hoje, e amanhã...

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Leila Maria mostra Ubuntu com um único show em São Paulo

Leila Maria @Catarina Ribeiro-400x

Por Fabian Chacur

Desde que lançou seu álbum de estreia (Da Cabeça aos Pés) em 1997, Leila Maria pavimentou uma trajetória impecável como uma cantora de voz poderosa e envolvente, transitando com desenvoltura entre a música brasileira e o jazz. Ela acaba de lançar um novo álbum pela gravadora Biscoito Fino, Ubuntu, totalmente dedicado a composições do grande Djavan. Aquele tipo de disco que já nasce clássico.

Ela apresentará o repertório desse novo trabalho com um show único em São Paulo neste sábado (18) às 22h na Casa Musical Natura (rua Artur de Azevedo, nº 2.134- Pinheiros), com ingressos custando de R$ 45,00 a R$ 120,00 (mais informações aqui).

A banda que a acompanhará no show é formada por Guilherme Kastrup (direção musical, bateria e percussão), François Muleka (violão e baixo), Zola Star (violões, guitarra e baixo) e Rodrigo Braga (teclados, violão e percussão), com direção e desenho de luz de Gilberto Gouma e roteiro a cargo de Caê Rodrigues e da própria Leila Maria.

O repertório inclui clássicos da obra de Djavan como Seca, cujo clipe acaba de ser lançado e conta com a participação especial de Maria Bethânia recitando versos no início e no final. Outras canções que marcarão presença são Oceano, Flor de Lis, Asa, Meu Bem Querer e Faltando um Pedaço.

Seca (clipe)- Leila Maria:

Max Viana lança novo álbum no Brasil e também no Japão

Max Viana 2018 @MarcosHermes-16 2-400x

Por Fabian Chacur

Em 1998, com 25 anos de idade, o guitarrista Max Viana começou sua carreira de músico profissional integrando a banda de seu pai, ninguém menos do que Djavan. Era o princípio de uma trajetória repleta de conquistas. A mais recente é seu quarto álbum solo, Outro Sol, que está sendo lançado simultaneamente no formato digital no Brasil e Japão. Ele fala sobre este trabalho e sobre a carreira em entrevista concedida a Mondo Pop.

Mondo Pop- A sua carreira como músico profissional começou há 20 anos, como guitarrista da banda do seu pai. Quando sua trajetória como artista solo se iniciou? Como foi esse processo?
Max Viana
– Na verdade, o início foi também em 1998, na mesma época em que entrei na banda do meu pai. Eu comecei a gravar as minhas composições para ver como elas ficariam na minha voz, visava mais a validação das minhas músicas. Aí, eu gostei do que ouvi e iniciei um longo processo que retomei em 2001 e que teve como consequência o meu primeiro disco solo, lançado em 2003.

Mondo Pop- Como você compara esse seu primeiro disco solo, No Calçadão, com Outro Sol?
Max Viana
– Vejo coisas no meu novo álbum que tem a ver com as músicas de No Calçadão. A junção entre a black music e a MPB, por exemplo. Tem Linha de Frente, que é mais samba rock, tem O Amor Não Acabou, que é um samba. Sempre investi na diversidade, de não seguir um único caminho. Para mim, a MPB ganhou todo esse espaço no mundo graças a essa versatilidade, essas várias tendências e estilos diferentes.

Mondo Pop- Você lançou quatro álbuns solo nesses 20 anos de carreira, um número relativamente pequeno. Qual é a explicação para isso? Perfeccionismo, os problemas do mercado musical?
Max Viana
– É uma soma de várias coisas, incluindo esses problemas do mercado discográfico. Meu pai é bem mais perfeccionista do que eu, o disco para mim é legal no sentido de ser a fotografia de um momento. Fiquei dez anos trabalhando com o meu pai, produzi discos do Dudu Falcão, da Luiza Possi, de artistas de Angola, fiz a trilha para uma peça teatral da Heloísa Périssé, gravei com a Claudia Leitte, compus com o Guilherme Arantes, trabalhei em vários projetos diferentes.

Mondo Pop- Caramba, você fez muitas coisas nesse tempo todo de carreira…
Max Viana
– Ter uma aptidão para a música e não explorá-la ao máximo não é legal. Por isso, procuro sempre estar aberto aos mais diversos tipos de trabalho, sem me dedicar apenas a uma dessas vertentes.

Mondo Pop- Como foi que surgiu a oportunidade de lançar Outro Sol no Japão?
Max Viana
– O Renato é um brasileiro que atua no Japão, ele fez o contato, e foi a Universal Music Japan quem na verdade me convidou para gravar por lá. Mas ficou claro que seria um desperdício não lançar no Brasil, também, e é por isso que o álbum está saindo aqui e lá. No Japão, também sairá no formato físico no segundo semestre. Não mudei a minha concepção musical em função do disco sair no Japão, pois o público japonês gosta dessa diversidade da música brasileira, a música dita “de exportação” dá ao músico uma liberdade maior.

Mondo Pop- Você regravou nesse álbum Samurai, um dos maiores sucessos do Djavan. Como surgiu a ideia dessa releitura?
Max Viana
– Eu gravei parcerias minhas com o meu pai nos meus dois primeiros discos solo, mas nunca havia relido um sucesso dele. Quem teve a ideia foram os japoneses, pois Samurai fez muito sucesso lá nos anos 1980, regravá-la seria uma espécie de fecho de um ciclo. Ficou uma versão renovada, turbinada, bem 2018.

Mondo Pop- A música que você faz é bastante sofisticada, mas possui melodias e letras que fogem do hermético, tanto que Canções de Rei e Prazer e Luz (ambas de No Calçadão, de 2003) integraram trilhas de novela. Como você se autoavalia, musicalmente, e porque seu estilo musical aparece pouco atualmente na grande mídia?
Max Viana
– Acho o meu trabalho muito acessível em termos de melodias e letras. Tenho uma veia popular, mas um pouco mais sofisticada do que o que toca hoje em rádios e na TV. Nada contra, cada um vai buscar o que gosta, o que é preciso acontecer é mais democratização nos veículos de massa, abrindo espaços para estilos musicais além dos que estão na moda.

Mondo Pop- Como foi para você ter decidido trabalhar com música sendo filho de um dos nomes mais importantes da história da MPB?
Max Viana
– Para mim, sempre foi tranquilo a coisa de ser filho do Djavan. Uns são mais rigorosos comigo, outros, mais acessíveis, você se acostuma com a vida que você tem. Em outras profissões, isso é encarado com mais naturalidade, tipo medicina, direito, um filho seguir os passos do pai nessas áreas, enquanto na música encaram de forma um pouco pejorativa. Tem o lado bom e o lado ruim. A vida é sábia, não tem de ter só o lado bom, é preciso do equilíbrio.

Mondo Pop- Você compôs várias músicas com o Dudu Falcão, que também é parceiro de Lenine e Danilo Caymmi e foi gravado por muita gente. Como é seu trabalho com ele?
Max Viana
– Já fizemos parcerias de todas as formas, com ele fazendo letra e eu música, os dois fazendo as duas coisas etc. Ele é muito rápido, intenso, natural, aprendo muito com ele, A gente compõe sempre, independente de trabalho, de ter um disco para lançar ou coisa assim. Eu produzi o disco dele, não se trata “apenas” de um letrista.

Canções de Rei (clipe)- Max Viana:

Hananza mostra seu 1º CD em show no Solar do Botafogo-RJ

hananza cantora-400x

Por Fabian Chacur

Hananza está lançando seu primeiro CD, Bem-vindo Ao Mundo Daqui. Formada em filosofia, ela não demorou a descobrir o caminho da música, por onde trafega desde então. Vocalista do bloco do carnaval carioca Empolga às 9, ela agora mostra sua faceta solo. O show que apresentará o álbum ao público carioca será realizado neste sábado (6) às 21h no Solar do Botafogo (rua General Polidoro, nº 180- Botafogo-RJ- fone 0xx21-2543-5411), com ingressos de R$ 20,00 a R$ 40,00.

Bem-vindo ao Mundo Daqui é um álbum que traz 10 faixas, sendo oito delas de autoria da própria cantora (sozinha ou com vários parceiros) e duas alheias, sendo uma delas Nuvem Negra, de Djavan. Aliás, essa não é a única conexão com o genial astro alagoano no álbum. Max Viana, filho do autor de Meu Bem Querer, marca presença na ótima Aval.

Com uma voz doce e encorpada, Hananza se mostra à vontade em uma sonoridade que mescla soul e pop com pitadas de jazz e MPB. O CD esbanja uma classe refinada, com direito a melodias acessíveis, letras bem sacadas e acompanhamento instrumental preciso. A produção é de Marcus Kenyatta, que também se incumbiu das guitarras.

O show no Solar do Botafogo terá acompanhando a cantora uma banda formada por Affonso Velasquez (baixo), Marcus Kenyatta (guitarra), Jonathan Ferr (teclados),Jr Trakinas (saxofone), Ygor Helbourn (bateria) e os vocalistas de apoio Di Candido, Rick e Well. A cantora e compositora já fez shows pela Inglaterra, França, Suécia e Estônia.

Meninice (clipe)- Hananza:

Ser Sensível (clipe)- Hananza:

Onde Mora o Amor (lyric video)- Hananza:

Djavan lança DVD/CD em SP com shows no Citibank Hall

Por Fabian Chacur

Djavan vive grande fase em sua consagradora carreira. Após lançar o ótimo CD Rua dos Amores (2012-leia entrevista sobre esse álbum aqui), o cantor, compositor e músico alagoano saiu em turnê pelo Brasil. Ele acaba de lançar o registro dessa tour, o DVD/CD Rua dos Amores Ao Vivo (leia resenha aqui). Em São Paulo, teremos dois shows para marcar o acréscimo desses novos itens em sua discografia/videografia.

As apresentações ocorrem nesta sexta-feira (6) e sábado (7), sempre às 22h, com ingressos custando de R$ 35,00 a R$ 240,00 , no Citibank Hall (avenida das Nações Unidas, 17.955- fone 4003-5588 – www.t4f.com.br). O músico terá a seu lado uma banda integrada por Marcelo Mariano (baixo), Carlos Bala (bateria), Torcuato Mariano (guitarra e violão), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Jessé Sadoc (flugelhorn, trompete e vocal), Glauton Campello (teclados, piano e vocal) e Paulo Calasans (teclados pião e vocal), além do próprio Djavan nos vocais, violão e guitarra.

Além de canções de Rua dos Amores como Já Não Somos Dois, Pecado e Bangalô, o show traz músicas de diversas fases da carreira de Djavan, entre elas Asa, Meu Bem Querer, Flor de Liz, Se e Samurai. A novidade deve ficar por conta da inédita Maledeto, faixa bônus gravada em estúdio e incluída apenas na versão em CD de Rua dos Amores Ao Vivo.

Asa (ao vivo), do DVD Rua dos Amores Ao Vivo:

Djavan esbanja classe em DVD ao vivo

Por Fabian Chacur

Aos 65 anos de idade, Djavan vive certamente uma das melhores fases de sua carreira. Após lançar o excelente álbum Rua dos Amores (2012), saiu em turnê para divulgá-lo (leia entrevista com ele falando sobre esse CD aqui). Agora, é a vez deste DVD e CD, Rua dos Amores Ao Vivo, gravados ao vivo em shows no HSBC-SP nos dias 8 e 9 de novembro de 2013. Outro golaço em sua trajetória musical.

Hugo Prata, responsável pela direção do DVD, classifica o trabalho do cantor, compositor e músico alagoano como elegante. Eis uma definição muito pertinente. O som concebido pelo autor de Oceano mistura elementos de samba, funk de verdade, jazz, soul, bossa nova e MPB em geral com tanta inspiração e capricho que acabaram gerando um híbrido, o “Djavan sound”, imitado por tantos, igualado por rigorosamente ninguém. Nessa praia, o cara é rei.

Novamente acompanhado por músicos que havia tocado com ele por volta de uma década e dos quais estava separado há muito tempo, Djavan nos oferece um show delicioso, repleto de swing, belas melodias, interpretações vocais maduras e envolventes e a sensação de quem está se divertindo muito no palco, sem exageros ou histrionismos que pudessem atrapalhar.

Ele passa as quase duas horas de show se dividindo entre violão, guitarra e momentos nos quais se dedica exclusivamente a cantar, aproveitando a deixa para dançar de forma solta e sóbria. Perfeccionista, proporciona aos fãs seis músicas de Rua dos Amores (além da faixa título, usada como vinheta de abertura do show) e canções de todas as fases de sua carreira, todas com arranjos compatíveis com sua fase musical atual.

Os veteranos Marcelo Mariano (baixo e vocal), Carlos Bala (bateria), Torcuato Mariano (guitarra), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Glauton Campello (teclados, piano e vocal) e Paulo Calasans (teclados, piano e vocal), além do novato na banda Jessé Sadoc (flugelhorn, trompete e vocal) são um verdadeiro dream team, dando ao patrão uma moldura sonora versátil e envolvente.

Difícil citar momentos marcantes do show, pois na verdade todos os são, mas a recente e maravilhosa Já Não Somos Dois, os clássicos Oceano, Se e Acelerou e o lado B Doidice merecem ser reverenciados. Em alguns momentos, o público não resiste e canta junto, para nítida felicidade do anfitrião, que em vários desses instantes não disfarça a emoção por ser acarinhado de forma tão sincera.

Nos extras do DVD, temos um excelente documentário intitulado Um Olhar Íntimo.Doc, no qual temos entrevistas com Djavan, seus músicos e os envolvidos no projeto, com direito a uma bela visita a Alagoas, onde o artista relembra momentos bacanas de sua trajetória por lá. Um dos melhores making ofs de DVDs musicais nacionais já feitos. Coisa de profissional.

O DVD traz 24 músicas (incluindo a vinheta Rua dos Amores), enquanto o CD nos traz uma seleção de 15 faixas do espetáculo e também uma canção inédita registrada em estúdio, a ótima Maledeto, que poderia perfeitamente tocar em rádios. Elegante demais, musical demais, classudo demais, eis o Djavan 2014, um artista cada vez mais refinado e bom de se ver e ouvir.

Já Não Somos Dois (ao vivo), com Djavan:

Djavan divulga datas de novos shows em SP

Por Fabian Chacur

Djavan lançou no final de 2012 Rua dos Amores, seu novo CD de inéditas, uma parceria de seu selo Luanda Records com a Universal Music (responsável pela distribuição do álbum). Em entrevista a Mondo Pop, ele falou sobre o trabalho e previu que em breve estaria em São Paulo para novos shows.

Pois as datas acabam de ser divulgadas. O cantor, compositor e músico alagoano apresentará o novo show na capital paulista nos dias 15 e 16 de março (sexta e sábado), sempre às 22h. O local será o Credicard Hall (av. das Nações Unidas, 17.955-fone 4033-5588 – www.ticketsforfun.com.br). Os ingressos custam entre R$ 35 e R$ 250 .

O espetáculo terá cenário e direção de arte a cargo de Suzane Queiróz, figurinos assinados por Roberto Stamato e lightning design (iluminação) de Binho Schaeffer. Uma grande atração é o retorno da banda de apoio com a qual ele não se apresentava há 15 anos.

Integram o time Carlos Bala (bateria), Glauton Campello (teclados e vocal), Jessé Sadoc (sopros), Marcelo Mariano (baixo e vocais), Paulo Calasans (teclados) e Torcuato Mariano (guitarra). O repertório inclui músicas do novo CD, como Já Não Somos Dois, Bangalô, Pecado e Ares Sutis, e também hits como Flor de Lis, Meu Bem Querer e Samurai.

Veja o clipe de Já Não Somos Dois:

Djavan volta às canções próprias em novo CD

Por Fabian Chacur

Após lançar seu primeiro álbum dedicado apenas a canções de outros autores, Ária (2010),e a fazer uma bem-sucedida turnê que gerou o DVD/CD Ária Ao Vivo (2011), Djavan está de volta aos trabalhos como autor de seu próprio repertório musical.

Rua dos Amores, lançamento do seu selo Luanda Records com distribuição a cargo da Universal Music, traz 13 músicas com a sua assinatura marcante. O álbum marca o retorno da banda com a qual tocava nos anos 80/90, e com quem não trabalhava há 15 anos.

Em entrevista exclusiva a Mondo Pop, o cantor, compositor e músico alagoano fala sobre o novo trabalho, seus projetos e outros temas ligados à música e à vida. Sobre o amor, tema básico das novas canções, ele não tem dúvidas ao defini-lo: “O amor é o sentimento mais nobre”.

Mondo Pop – Antes de falar do novo CD, gostaria que você fizesse um balanço de Ária, no qual foram gravadas apenas músicas de outros autores, algo inédito em sua vitoriosa trajetória artística.
DJAVAN – O Ária foi a realização de um projeto antigo, reeditando o início da minha carreira, quando eu era crooner. Para isso, eu tive de ficar sem compor nada nesse período. Não tinha um repertório pré-escolhido, ouvi muita coisa da riqueza incomensurável que é a MPB. Ficar sem compor é algo muito difícil para mim. Queria fazer um projeto como esse há pelo menos 10 anos.

Mondo Pop – E como rolou o retorno do Djavan compositor?
DJAVAN – A composição é a minha onda, minha forma de exteriorizar sensações. Inicialmente, achei que teria dificuldades para compor de novo, após quase cinco anos sem escrever nada, mas veio fácil. A canção Vive foi a primeira que escrevi nessa nova fase, fiz para a Bethânia e é única que não fiz especialmente para meu novo CD.

Mondo Pop – Como funciona o seu método de compor?
DJAVAN – Gosto de compor especialmente para cada novo disco. Comecei a compor esse repertório entre setembro e novembro de 2011. Comecei a gravar com cinco músicas prontas, e compus as outras durante as gravações. Gosto de gravar as músicas enquanto ainda estão quentes, quando não faz muito tempo que as escrevi.

Mondo Pop – Neste CD, você voltou a trabalhar com músicos como o Paulo Calasans, o Carlos Bala e o Torcuato Mariano, com quem você não tocava há anos. Como foi essa volta?
DJAVAN– Trazer esses músicos de volta foi um acerto incrível. Toquei durante dez anos com eles, só o Jessé Sadoc (trompete) nunca havia tocado comigo. Foi uma diversão, oito meses rindo pra caramba. Todos cresceram muito como músicos durante esses anos, viraram produtores. Pude criar pra caramba com eles, que captaram bem as minhas ideias.

Mondo Pop- Você é um artista solo, mas sempre foi conhecido por trabalhar com ótimas bandas de apoio. Como é a sua interação com os seus músicos?
DJAVAN– Quero sempre que os músicos se sintam incluídos no trabalho, prezo muito a inclusão dos músicos, que eles se identifiquem com o projeto, sintam como se fosse um projeto deles. Não engesso os músicos nas gravações e costumo levar quem grava comigo para a estrada, para as turnês.

Mondo Pop- Você aceita opiniões deles?
DJAVAN – Sim, claro. Cada um precisa entender o que está gravando, haver uma integração entre nós, que eles gostem do que estão tocando. Com esse grupo mudei raríssimas vezes as ideias que tive, e absorvi as ideias deles. Procuro incentivá-los a trazer coisas novas para o trabalho. A diversão é o que mantém o interesse nas gravações, deixa os músicos à vontade.

Mondo Pop- Rua dos Amores inclui basicamente canções que falam de amor, tema bastante usado na música popular. Como você fez para não cair no banal?
DJAVAN – Parece até um disco temático sobre o amor, mas não surgiu assim. Procurei não me censurar, fiz o que vinha. As sensações geradas pelo amor, o amor adolescente, a incompatibilidade, o amor platônico etc. É um tema que move o mundo, não há um ser humano que não lide com o amor, o amor é o sentimento mais nobre, está sempre ali. Há quem tenha medo de abordá-lo por medo de cair no lado piegas. Adoro um desafio. Qualquer autor fala de amor desde o começo do mundo, é o centro da vida. Até bandas grunge falaram de amor em seus discos.

Mondo Pop – O CD Rua dos Amores é do seu próprio selo, a Luanda Records, mas desta vez é distribuído por uma gravadora multinacional, a Universal Music. Como rolou essa parceria?
DJAVAN– Desde o começo, venho gerindo a minha vida para ser independente. Criei a Luanda em 2001 em um momento difícil da indústria fonográfica. Muita gente na época achou que eu estava ficando doido. Procuro fazer tudo, arranjos, produção etc para que tudo saia do meu jeito. Gravadora, estúdio, tudo surgiu com esse objetivo. Adoro mergulhar o escuro, buscar o novo. Se eu morasse em um país menor, a distribuição seria fácil.

Mondo Pop – Você tentou distribuir seus discos na Luanda Music por conta própria. Como avalia essa experiência?
DJAVAN – Fiz dois ou três projetos com distribuição própria, e não foi tão bom. Em 2011, fiz uma parceria com a Biscoito Fino, mas não abrangeu o que eu precisava, pois sou um artista popular há muitos anos. Fiz contrato de distribuição com a Universal por um disco. Eles tem distribuição em todo o país. Não quero ninguém mandando em mim, sou eu quem banco os meus discos e gasto muito para fazer o que eu quero. E acho que está dando certo, sou amigo do Éboli (executivo da Universal Music) desde os tempos em que trabalhamos na Sony.

Mondo Pop – Luz, o álbum mais vendido de sua carreira e que marcou sua ascensão rumo ao estrelato, completou 30 anos em 2012. Como você avalia hoje aquele álbum, e também aquela fase em que você foi idolatrado no Brasil todo?
DJAVAN– Foi uma fase determinante para mim, fiquei popular em todo o país, e isso ajudou a impulsionar a minha carreira internacional, abriu esse mercado para mim. Desde então, faço turnês internacionais todo ano. O Lilás, que foi meu disco seguinte, levou-me a investir nos teclados, que ainda estavam chegando no Brasil. Levei muitas porradas da crítica, mas várias músicas ficaram, como Lilás, Esquinas. Vendeu bem. Quando escuto esses discos, vejo que eram ousados para aquela época.

Mondo Pop – Como será o repertório dos shows de divulgação de Rua dos Amores, e quando terá início essa nova turnê?
DJAVAN– Criar o roteiro para um novo show é muito difícil, ainda mais para quem tem uma carreira longa como a minha, com várias canções de sucesso. É preciso conciliar os clássicos, os lados B, Alegre Menina, dos anos 70 e que voltou com o remake de Gabriela… Vou colocar algumas músicas do novo CD, mas não todas. O pessoal gosta de cantar junto as músicas que conhecem, não tem jeito. A turnê começa em novembro pelo interior de São Paulo. Depois, Rio, Nordeste. Os meses de jaaneiro e fevereiro serão dedicados à América Latina, e em março de 2013, chegarei a São Paulo e Rio, às capitais.

Djavan faz parceria com a Universal Music

Por Fabian Chacur

Djavan acaba de assinar um contrato de parceria entre o seu selo, a Luanda Records, e a gravadora Universal Music, que passará a distribuir os seus álbuns a partir de agora no mercado fonográfico nacional.

O compromisso será inaugurado no início de setembro com o lançamento de um novo álbum de inéditas do cantor, compositor e violonista alagoano. Será o sucessor de Ária (2011), disco no qual o astro pela primeira vez na carreira investiu apenas em releituras de obras alheias e que divulgou com uma turnê nacional.

Com 13 faixas compostas, arranjadas, produzidas e interpretadas pelo próprio Djavan, trata-se do primeiro disco composto apenas por composições inéditas que o autor de Meu Bem Querer disponibiliza ao público em cinco anos.

Na foto que ilustra este post, tirada no dia da assinatura do contrato, temos (da esquerda para a direita) Márcia Santos (diretora de market ing da Universal Music), Djavan e José Éboli (presidente da Universal Music).

Com 62 anos de idade, Djavan tornou-se conhecido nacionalmente a partir da metade dos anos 70. Desde então, lançou 22 álbuns e vendeu mais de seis milhões de cópias dos mesmos, firmando-se como um dos grandes nomes da MPB, graças a hits como Meu Bem Querer, Álibi, Flor de Lis, Você Bem Sabe, Oceano e Samurai.

Ouça Você Bem Sabe, com Djavan:

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