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Rubinho Barsotti, do Zimbo Trio e um grande craque da bateria

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Por Fabian Chacur

Em 1964/65, só um grupo conseguia competir com os Beatles nas paradas de sucesso no Brasil. E, acredite se quiser, fazendo música instrumental. Era o Zimbo Trio. Rubinho Barsotti, o exímio baterista desse grupo que marcou época na história da nossa música, nos deixou na madrugada desta quarta-feira (15), vítima de complicações oriundas de uma operação que teve de fazer no fêmur após uma queda em casa.

Nascido em São Paulo em 16 de junho de 1932, Rubinho foi um autodidata, e consolidou sua técnica e estilo próprios de tocar acompanhando músicos como Pedrinho Mattar, Rudy Wharton, Walter Wanderley e a orquestra do maestro Enrico Simonetti. O Zimbo Trio surgiu em março de 1964, e em seu primeiro show, acompanhou a cantora e atriz Norma Bengell. A seguir, iniciou sua carreira própria, que logo de cara rendeu muito sucesso.

Em 1965, tornou-se a banda residente do programa O Fino da Bossa, da TV Record, no qual acompanhou Elis Regina e Jair Rodrigues. A parceria rendeu discos e shows de muito sucesso. Neles, o grupo mostrou que o samba e outros ritmos brasileiros podiam ser tocados com elementos de jazz e muito refinamento, sem no entanto perder o encantamento rítmico da nossa música.

Em 1973, Rubinho e seus colegas de banda, Amilton Godoy (piano) e Luis Chaves (baixo), criaram o CLAM (Centro Livre de Aprendizado Musical), escola de música sediada em São Paulo que ajudou a formar inúmeros músicos de muito talento. O grupo se manteve ativo com sua formação original até 2007, quando Luis Chaves nos deixou. Rubinho permaneceria no time até 2010, quando problemas de saúde o levaram a se aposentar.

Ouça um álbum clássico do Zimbo Trio em streaming:

Elis Regina, 75 anos, uma utopia: o sonho mais lindo iremos sonhar

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Por Fabian Chacur

Nesta terça-feira (17), Elis Regina completará 75 anos. Três quartos de século, quem diria! Afinal de contas, ninguém se esquece do susto que o Brasil tomou naquele 19 de janeiro de 1982, quando a grande cantora foi internada às pressas, ficando em estado de coma durante diversas dolorosas semanas. Parecia o ponto final para alguém que, então, tinha apenas 36 anos. Mas não foi isso o que aconteceu. Tivemos um verdadeiro renascimento.

Tudo bem que a recuperação total da mãe de João Marcello, Maria Rita e Pedro demorou um período significativo, gerando insegurança por parte dos fãs, especialmente por ter se criado um mistério em torno das razões que levaram a artista gaúcha a quase nos deixar de forma tão prematura. Uns bons anos depois, foi revelado o fato de ela ter sido vítima de uma overdose, da qual escapou por um verdadeiro milagre, e pelo empenho dos médicos que a trataram.

Portanto, seu retorno aos palcos, ocorrido em 1985, poucos meses após ter completado 40 anos de idade, tornou-se rapidamente um dos grandes momentos daquele conturbado ano, no qual Tancredo Neves nos deixou antes mesmo de assumir a presidência da República. E surpreendeu a todos, pois foi um espetáculo totalmente intimista, no qual ela foi acompanhada apenas pelo piano de Ivan Lins e pelo violão de João Bosco, dois dos compositores que ajudou a lançar e de quem gravou canções antológicas.

Muito elogiados, aqueles shows geraram um álbum ao vivo, Os Sonhos Mais Lindos- Ao Vivo (1986), e deram início a uma nova fase na trajetória artística da nossa amada Pimentinha. Com a voz intacta e controlada de forma primorosa, Elis se mostrou mais disposta do que nunca a dar a volta por cima, e a partir daquele momento, a música voltou a predominar em sua agenda.

Desde então, a intérprete nos proporcionou momentos muito bacanas em termos artísticos. A ansiedade de lançamentos constantes a deixou, e cada nova turnê e disco de inéditas (ou projetos especiais) de Elis Regina tornava-se um evento, atraindo as atenções da mídia e do grande público.

Citada como influência pela maioria das novas cantoras, ela no entanto não se importou mais em ser uma campeã de vendas ou de ocupar os holofotes da fama o tempo todo, mantendo-se reservada e com entrevistas eventuais e sempre concedidas a jornalistas e apresentadores em que confiava bastante.

Desde sempre, Milton Nascimento diz que compõe suas canções pensando na voz de Elis Regina. Logo, pode-se dizer que até demorou o lançamento de Nada Será Como Antes (1995), álbum que reuniu composições inéditas do Bituca interpretadas pelos dois. Tipo do álbum que já saiu clássico, e que gerou uma série de shows pelo Brasil e também com inúmeras datas no exterior.

Embora tenha continuado fiel a compositores que gravou desde os anos 1960 e 1970, como o próprio Milton, Ivan Lins, João Bosco, Belchior e Tomas Roth, a estrela gaúcha também soube escolher canções oriundas de autores de gerações posteriores à sua, entre eles Lenine, possivelmente seu favorito. Afinal, em 1999 ela dedicou um álbum inteiro a suas composições, o brilhante Normal Só Tem Você e Eu, cujo título foi extraído de versos de sua melhor faixa, Acredite Ou Não, que contou com a participação do autor em dobradinha fantástica.

Elis também se mostrou muito feliz ao ver o envolvimento dos filhos com a música, todos bem-sucedidos e com sucesso comercial e de crítica. Lógico que também se criou a expectativa de algum trabalho que os reunisse, mas isso só ocorreu em 2015, quando a intérprete fez o show Como Nossos Pais e Filhos, depois registrado em CD e DVD no qual o clima entre ela, Maria Rita, João Marcello (que também se incumbiu da produção) e Pedro no palco foi simplesmente delicioso, com direito a uma surpreendente releitura de Pais e Filhos, da Legião Urbana como momento mais emocionante.

Desde o fim daquela consagradora turnê, que durou quase dois anos e se encerrou em 2017, Elis deu sua habitual saída de cena. Não há informações sobre algum evento (show, álbum ou coisa que o valha) para celebrar seus 75 anos, e quem sabe ela, desta vez, prefira soprar as velinhas ao lado dos filhos e dos netos, além dos amigos, discos e livros, e nada mais.

Casa no Campo (ao vivo)- Pedro Mariano e Elis Regina:

Pedro Mariano faz show de sua turnê DNA no Rio de Janeiro

photo by Dani Gurgel | Da Pa Virada

Por Fabian Chacur

Em 2018, Pedro Mariano lançou o DVD/CD DNA (Nau/Lab 344), gravado ao vivo com orquestra no Teatro Alfa, em São Paulo. Desde então, o cantor divulga este trabalho com uma turnê que já passou por diversas capitais brasileiras, com ou sem o acompanhamento orquestral. Desta vez, ele retorna ao Rio de Janeiro para uma apresentação com sua banda neste sábado (2/11) às 21h no Teatro VillageMall (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- Barra da Tijuca- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos custando de R$ 100,00 a R$ 180,00.

DNA traz quatro músicas inéditas, releituras de canções alheias e também hits dos mais de 20 anos de carreira do filho de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano. No show, ele também acrescenta outros sucessos que ficaram de fora deste lançamento. Ele será acompanhado por seus fiéis escudeiros musicais: Conrado Goys (violões e guitarras), Thiago Gomes (bateria), Leandro Matsumoto (baixo) e Marcelo Elias (teclados e direção musical).

Leia entrevista com Pedro Mariano falando sobre DNA e outros temas aqui .

DNA (clipe ao vivo)- Pedro Mariano:

Maria Rita faz dois shows voz e piano no Theatro Net em SP

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Por Fabian Chacur

Maria Rita lançou o seu primeiro álbum em 2003, quando já tinha 26 anos de idade. Desde então, mergulhou de cabeça na carreira musical e conseguiu se consolidar como uma das cantoras de maior sucesso no Brasil neste século, no segmento MPB. Ela volta a São Paulo para dois shows que serão realizados nos dias 17 e 18 de novembro (sexta e sábado), às 21h, no Theatro Net São Paulo (Shopping Vila Olímpia- 5º andar- rua Olimpíadas, nº 360- Vila Olímpia- fone 4003-1212), com ingressos que custam de R$ 120,00 a R$ 240,00.

Inquieta e batalhadora, a filha de Elis Regina procurou evoluir a cada novo trabalho. De um início no qual mesclava MPB com jazz e música pop, aos poucos ela foi abraçando de forma mais intensa o samba, opção que provou ser bastante acertada. Em 2012, lançou Redescobrir, CD/DVD gravado ao vivo no qual releu de forma competente e emocionada alguns dos grandes sucessos da saudosa Pimentinha.

Após o sucesso do DVD/CD O Samba Em Mim- Ao Vivo Na Lapa (2016) e da sua apresentação em setembro no Rock in Rio, Maria Rita mostra novamente ao público paulistano Voz e Piano, espetáculo no qual, como o título entrega logo de cara, ela investe no intimismo, tendo a seu lado, no palco, apenas o pianista Rannieri Oliveira. No repertório, canções como Pagu, Cara Valente, Vida de Bailarina e Over The Rainbow, entre outras, com figurino assinado pelo badalado Fause Haten.

Grito de Alerta (ao vivo)- Maria Rita:

Site oficial de Elis Regina será posto no ar dia 17 de março

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Por Fabian Chacur

Boa notícia para os fãs de Elis Regina. No próximo dia 17 de março, data na qual a saudosa Pimentinha completaria 70 anos de vida, será posto no ar seu site oficial, repleto de novidades e conteúdo exclusivo para celebrar a carreira desta verdadeira lenda da nossa música brasileira, reverenciada em todo o planeta Terra.

Além de trazer todo o conteúdo apresentado na exposição Viva Elis, apresentada em algumas cidades brasileiras em 2013, o site (www.elisregina.com.br) trará uma grande quantidade de material inédito. Por exemplo, teremos mais de 500 fotos, vídeos desconhecidos do grande público e áudios exclusivos com raridades da intérprete de O Bêbado e a Equilibrista.

Uma bela novidade será a oportunidade de se baixar gratuitamente o livro Viva Elis, biografia artística centrada na carreira musical da estrela gaúcha e escrita por Allen Guimarães. O internauta também terá acesso à discografia completa de Elis e muita informação. Nada mal, em um ano no qual a cantora foi tema do desfile vencedor da Vai-Vai, por exemplo.

“Decidimos criar o site com o objetivo de alimentar a memória de Elis, a obra e a pessoa, através de seus discos, apresentações ao vivo, entrevistas, fotos, reportagens e depoimentos. O lançamento será no dia 17 de março, seu aniversário, é um presente dos filhos. E um movimento de gratidão aos fãs, aqueles que a mantém tão presente” – disse João Marcello Bôscoli, produtor musical e filho da cantora.

Vídeo teaser sobre o site de Elis Regina:

Caxangá– Elis Regina e Milton Nascimento em 1976:

Elis Regina é tema de coleção da Folha

Por Fabian Chacur

A Folha de S.Paulo lançará no próximo domingo (23) a coleção Folha O Melhor de Elis Regina. A compilação reúne 25 livros-CD com boa parte da discografia daquela que ainda hoje, 32 anos após a sua morte prematura, é considerada a melhor cantora da história da nossa música popular. Quem comprar o primeiro volume ganhará o segundo gratuitamente, ao preço de R$ 16,90 (SP,RJ,MG e PR), Saiba mais sobre preços e condições de pagamento dessa obra aqui.

A coleção abrange títulos hoje pertencentes ao acervo da gravadora Universal Music, que possui a maior parte do catálogo da saudosa Pimentinha, e também Elis (1980), único álbum de carreira lançada por ela na gravadora EMI-Odeon. Ficaram de fora os ótimos Essa Mulher (1979) e Saudade do Brasil (1980), lançados pela Warner, e também alguns títulos póstumos dispensáveis, se comparados com os outros contidos aqui, além dos fracos discos iniciais lançados por ela por Continental e CBS.

Fazem parte de Folha O Melhor de Elis Regina maravilhas do naipe de Falso Brilhante (1976), Elis (1972), Elis (1974), Elis & Tom (1974), Elis & Toots (1982) e Ela (1971), só para citar alguns. Cada volume traz textos sobre os discos assinados por críticos como Carlos Calado (editor da coleção), Tarik de Souza, Lauro Lisboa Garcia e Mauro Ferreira, além da seção Memória, resgatando críticas de discos e show entrevistas e reportagens da época.

Além de 21 álbuns que se dividem entre de carreira, ao vivo ou alguns póstumos, a coleção também traz quatro coletâneas com material que não entrou originalmente nesses álbuns e saiu em compactos, álbuns coletivos ou outros tipos de lançamento. O material traz curiosidades como as duas parcerias gravadas por Elis com ninguém menos do que Pelé, as quase bizarras e curiosas Perdão Não Tem e Vexamão.

A única curiosidade fica pela não inclusão de Dois na Bossa (1965), gravado ao vivo em dupla com Jair Rodrigues, levando-se em conta que os volumes 2 e 3 da parceria entre esses dois grandes intérpretes e amigos fazem parte desta coleção. Teria sido algum problema na liberação de músicas ou outro rolo técnico do gênero? Mas isso não invalida essa bela compilação da obra de uma artista inigualável, muito imitada e nunca superada.

Eis os 25 títulos incluídos na coleção Folha O Melhor de Elis Regina:

1Elis (1974)
2Samba Eu Canto Assim (1965)
3Falso Brilhante (1976)
4Elis (1973)
5Dois Na Bossa nº2 (1966)
6Elis (1980)
7Ela (1971)
8Elis (1972)
9Elis (1977)
10Elis & Toots (1982)
11Transversal do Tempo (1978)
12Dois Na Bossa Nº3 (1967)
13Em Pleno Verão (1970)
14O Fino do Fino (1965)
15Show Elis/Miele (1969)
16Elis Especial (1979)
17Elis- Como & Porque (1969)
18Elis (1966)
19Elis Especial (1968)
20Elis Regina In London (1982)
21Elis & Tom (1974)
22Pérolas Raras (2006-coletânea de raridades)
23Esse Mundo é Meu (2012-coletânea de raridades)
24No Céu da Vibração 1 (2012-coletânea de raridades)
25No Céu da Vibração 2 (2012- coletânea de raridades)

Ouça na íntegra em streaming Elis (1980):

Quando um belo Trem Azul vira jingle banal

Por Fabian Chacur

Faz tempo que tenho vontade de escrever um texto sobre esse assunto (músicas populares que se tornam jingles publicitários), mas sempre achei um tema controverso e repleto de prós e contras envolvidos. Mas não resisti, e irei dar agora uma “viajada na maionese” levando em conta esse assunto polêmico.

Nas últimas semanas, entrou no ar campanha publicitária de uma operadora de telefonia celular usando como jingle os primeiros versos e a melodia de Trem Azul (Lô Borges-Ronaldo Bastos), música que muitos conheceram na voz inesquecível e maravilhosa de Elis Regina.

De clássico da MPB, essa belíssima canção agora vira um mero jinglezinho para tentar vender produtos, e ainda em uma regravação pavorosa, soando como uma banda ruim tentando soar como outra banda diluidora, o Jota Quest. Bobeou, é o próprio. O horror!

Certamente os autores autorizaram essa utilização e estão recebendo uma boa remuneração por ela, via uma editora de músicas. Até aí, nada de mais. Cada um faz o que quer com aquilo que é de sua propriedade autoral e intelectual. Mas é triste ver uma canção tão bela ser desvirtuada de forma tão sem imaginação.

Isso acontece toda hora, e com outras músicas igualmente incríveis.Já ocorreu com Revolution e Come Together, dos Beatles, por exemplo. Acaba de ocorrer com The Message, clássico do rap de Grandmaster Flash & The Furious Five (felizmente, usaram só a introdução instrumental, mas usaram a gravação original, pode?). Lacoste e rap, tudo a ver? Sei não…

Não nego que, em alguns casos, essa utilização de músicas conhecidas em comerciais dá super certo, e em outros até torna populares faixas que muita gente não conhecia. Mas no geral os publicitários sempre se valem de canções bem manjadas, sendo que algumas mais de uma vez.

Quando moleque, lembro-me de gênios como Zé Rodrix, Renato Teixeira e Archimedes Messina se valendo de seus talentos para criar jingles sob medida para produtos, com tanto talento que aquilo nascido só para vender produtos entrava em nossas memórias afetivas para sempre. Bons tempos. “Só tem amor quem tem amor prá dar”!

Será que aquela frase de Guerra de Gigantes, de Humberto Gessinger e gravada pelos Engenheiros do Hawaii (“juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes”) acabou se tornando a melhor definição para essa exploração de músicas famosas em publicidade?

Talvez eu seja muito idealista. Quero que as grandes canções sejam minhas e dos fãs de música, e não quero dividi-las com as grandes corporações. Quero ouvir Trem Azul e pensar em Elis Regina, Tom Jobim, Milton Nascimento, em situações bacanas vividas tendo essa maravilhosa canção como tema. E não em planos de utilização de telefonia celular. O sol na cabeça, sim, o celular na cabeça, não!

O Trem Azul, com Elis Regina:

Maria Rita relê repertório da mãe com classe

Por Fabian Chacur

Desde que resolveu encarar a carreira de cantora, há dez anos, Maria Rita sabia que teria de lidar com o fato de ser filha de uma das maiores divas da história da MPB, a saudosa Elis Regina (1945-1982). Um legado maravilhoso, sem dúvidas, mas extremamente difícil de se carregar, pela inevitável e quase cruel comparação entre o trabalho das duas intérpretes.

Nessa primeira década de carreira, a paulistana nascida em 9 de agosto de 1977 conseguiu se consolidar como uma intérprete de grande sucesso comercial, além de ganhar um fã-clube fiel e composto por inúmeros admiradores da Pimentinha, o que não deixa de ser um ponto favorável. O timbre semelhante de voz também a ajudou bastante.

Em 2012, quando a morte precoce de Elis (aos 36 anos) completa 30 anos, Maria Rita a homenageia com o projeto Redescobrir, que a Universal Music acaba de lançar em DVD e CD duplo. Uma viagem pelo repertório de uma das grandes estilistas da história da MPB, incluindo 28 de seus maiores sucessos.

Lógico que a comparação entre as interpretações das duas cantoras precisa ser feita, mas com cuidado. Os timbres vocais são semelhantes, mas ninguém consegue ou conseguirá cantar esse repertório com a paixão, a assinatura própria e a divisão vocal que Elis Regina imprimia às canções que escolhia. Ninguém. Nem mesmo sua filha. Simples assim.

Aparentemente, Maria Rita entrou no projeto consciente disso, e se mostra despojada e à vontade, mesmo nos momentos em que fica nítida demais a desproporção entre o talento da mãe e da filha, tipo em Como Nossos Pais, Saudosa Maloca, Fascinação, O Bêbado e a Equilibrista e Águas de Março, só para citar os exemplos mais contundentes desse desnível.

A opção por arranjos enxutos e bem concebidos e pelo acompanhamento de uma banda coesa e minimalista formada por Tiago Costa (teclados), Sylvinho Mazzucca (baixo), Davi Moraes (guitarra) e Cuca Teixeira (bateria) consegue criar um clima gostoso e que ajuda Maria Rita a encarar com eficiência essa sequência de grandes canções de grandes autores.

Alguns momentos são particularmente elogiáveis e acima da média geral, como Agora Tá (Tunai e Sérgio Natureza), Zazueira (Jorge Ben, com direito a brilhante citação de Brazilian Rhyme Interlude 1, do Earth, Wind & Fire), Doce de Pimenta (Rita Lee e Roberto de Carvalho) e Aprendendo a Jogar (Guilherme Arantes).

Claro que no geral é melhor ouvir esse songbook na voz de Elis Regina, mas esse fato não invalida o projeto Redescobrir, que certamente permitirá a muitos jovens a descoberta de canções maravilhosas, aqui interpretadas com respeito, dignidade e despretensão. Certamente um peso está saindo das costas de Maria Rita com este lançamento. Missão cumprida!

Veja o show Redescobrir, de Maria Rita:

Maria Rita lança single Me Deixas Louca

Por Fabian Chacur

Considerado um dos lançamentos mais aguardados do ano, Redescobrir, novo CD(duplo)/DVD/Blu-ray está previsto para chegar às lojas no mês de novembro. Trata-se do álbum gravado ao vivo no qual a jovem cantora relê canções marcantes e provenientes do vasto e rico repertório de sua mãe, Elis Regina, que morreu há 30 anos.

Como forma de promover o novo trabalho, que leva a marca da Universal Music e o patrocínio da marca de cosméticos femininos Nívea, está sendo lançado para divulgação nas rádios o primeiro single do projeto. Trata-se de Me Deixas Louca, que, curiosamente, foi o último single lançado em vida pela Pimentinha, em 1981, no formato compacto simples de vinil e comercializado na época pela Som Livre.

Me Deixas Louca já está escalada para integrar a trilha sonora da nova novela global do horário das 21h, Salve Jorge, de Glória Perez. A canção irá embalar o romance entre os personagens que serão vividos por Cléo Pires e Domingos Montagner. Redescobrir certamente será divulgado por uma nova turnê pelo Brasil, o que ainda não está confirmado.

Veja um dos shows da turnê Redescobrir, de Maria Rita, na íntegra:

Conheça o genial músico Arthur Verocai

Por Fabian Chacur

Arthur Verocai tem um daqueles currículos invejáveis. O cantor, compositor, músico, maestro e arranjador carioca já trabalhou com nomes do naipe de Ivan Lins, Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, Gal Costa, Célia, MPB-4, Marcos Valle, Marlene e inúmeros outros.

Nascido no Rio em 17 de junho de 1945, Verocai iniciou sua trajetória musical em meados dos anos 1960, e teve a honra de ver uma de suas composições, Um Novo Rumo, defendida em um festival universitário por ninguém menos do que Elis Regina no ano de 1968.

Em 1972, ele lançou seu primeiro álbum solo, autointitulado. Na época, o disco, que oferecia uma belíssima e original fusão de MPB, soul, jazz e muito mais, obteve pouquíssima repercussão, o que levou Verocai a aos poucos deixar o cenário da música popular, dedicando-se aos jingles publicitários.

No início dos anos 90, no entanto, o público internacional, especialmente o europeu e o japonês, descobriu essa verdadeira relíquia, que não só virou um dos discos mais valiosos da MPB como também foi sampleado por artistas como o astro do rhythm and blues americano Ludacris em seu hit Do The Right Thang, de 2006.

A repercussão de Arthur Verocai, o álbum, também lhe valeu o convite para um concerto realizado nos EUA em 2009 no qual apresentou as faixas do disco e outras, em esquema luxuoso com direito a 30 músicos e gravação em DVD.

Graças à iniciativa do ex-titã Charles Gavin, enfim esse trabalho mitológico volta ao mercado fonográfico, nos formatos CD e vinil e disponível apenas nas lojas da Livraria Cultura, que bancou o projeto com exclusividade.

Nesta entrevista feita por e-mail por Mondo Pop, Verocai nos fala um pouco sobre sua carreira, projetos etc.

Mondo Pop – Como foi que a música entrou na sua vida? Sua família tem tradição musical? E quais artistas você ouvia em sua infância/adolescência? Qual a origem do seu sobrenome?
Arthur Verocai – Meu bisavô, Aniceto Verocai, imigrou da Itália(mais precisamente de Cortina d’Ampezo) para o Brasil em 1881. Minha casa sempre tinha música e instrumentos como violão, gaita cavaco e flautas caseiras. Ouvia muitos discos de vários estilos e também a Rádio Nacional, sendo que depois veio a TV.

Mondo Pop- Você teve a música Um Novo Rumo defendida por Elis Regina em um festival no Rio em 1968. Como foi esse contato com ela, e como você avalia a importância da Pimentinha, que nos deixou há 30 anos?
Arthur Verocai – Elis foi “apenas” a maior intérprete da música brasileira de todos os tempos. Foi uma honra e muita felicidade ter uma canção interpretada por ela. O festival foi realizado pela TV Tupi, que na época tinha Elis como sua contratada. Deram as quatro músicas mais votadas na fase de seleção para ela escolher e tive a sorte de ela ter optado por Um Novo Rumo.

Mondo Pop – Você participou de forma decisiva dos primeiros discos de Ivan Lins, tendo feito arranjos, tocado e até composto em parceria com ele. Como e quando você conheceu o Ivan, e qual a importância dessa parceria para a sua carreira?
Arthur Verocai – Naquele tempo havia um encontro da galera musical, gerando um intercâmbio muito bom. Já estava fazendo arranjos na gravadora Philips do Brasil (n.da r.:hoje, Universal Music) quando eu e o produtor e meu parceiro musical Paulinho Tapajós chamamos o Ivan para fazer seu primeiro disco, o Agora (1970).

Mondo Pop – Quando surgiu o convite para a gravação do seu primeiro disco solo, você já era uma espécie de jovem veterano aos 27 anos, pois já havia trabalhado com muita gente do primeiríssimo escalão da MPB. Já havia ocorrido algum convite anterior para gravar um trabalho seu ou esse foi o primeiro?
Arthur Verocai: A gravadora Continental (n.da.r: hoje seu acervo faz parte da gravadora Warner Music) foi quem fez o primeiro convite.

Mondo Pop – Oito das dez músicas de Arthur Verocai (o disco) foram escritas por você em parceria com Vitor Martins. A Célia já havia gravado músicas de vocês. Como e quando vocês se conheceram, quantas músicas vocês escreveram juntos e qual a importância dessa parceria para a sua carreira? É verdade que você apresentou o Vitor ao Ivan Lins?
Arthur Verocai – A Minha parceria com o Vitor Martins é anterior à dele com o Ivan. Quando fomos gravar o disco Modo Livre (1974), que marcou a estreia do Ivan na RCA (n.da r.: cujo acervo hoje pertence à Sony Music), o Vitor era diretor artístico daquela gravadora e dei a maior força para a nova parceria, que começou justamente naquele disco com a música Abre Alas.

Mondo Pop – O LP Arthur Verocai contou com a participação de inúmeros músicos do primeiro escalão. Deve ter sido um disco caro em termos de produção. A gravadora topou essa estrutura para gravar o álbum logo de cara? E como foi a seleção desses músicos? Pergunto isso pelo fato de você ter dado espaços generosos para os músicos que participaram do seu trabalho, sem apontar todos os holofotes para si próprio.
Arthur Verocai – Quando recebi o convite da Continental, minha única exigência foi a de ter liberdade total para gravar o meu disco do jeito que eu quisesse. Eles toparam logo de cara, e aí escolhi os músicos que poderiam se encaixar naquele trabalho.

Mondo Pop – Quando o disco saiu, como foi o esforço da então Continental para divulgar o trabalho? Você fez shows para divulga-lo, deu entrevistas, saiu alguma crítica em jornais e revistas?
Arthur Verocai – A gravadora não fez nenhum esforço e não fiz nenhum show para divulgá-lo. Houve uma crítica publicada no JB (Jornal do Brasil) assinada pelo Júlio Hungria.

Mondo Pop – Como você ficou visto no meio musical após o lançamento deste álbum? Diminuiram os convites para participar de outros trabalhos como músico, arranjador etc? Rolou algum tipo de preconceito por não ter sido um disco campeão de vendagens?
Arthur Verocai – Fiquei um pouco de mãos atadas para escrever novas canções e arranjos, uma vez que o que gostava de fazer não se enquadrava no mercado fonográfico da época.

Mondo Pop – Gostaria que você falasse um pouco de como foi o seu trabalho no mercado de jingles publicitários e de como foi que você entrou nessa área. Como avalia essa experiência, quais foram os mais conhecidos, se esse trabalho te proporcionou sobreviver dignamente.
Arthur Verocai – Cofrinho da Delfim (divulgando a caderneta de poupança da hoje instinta instituição bancária Delfim), Fanta Laranja, dois jingles para a Petrobrás das copas do mundo de futebol de 1990 e 1994 etc. Criei meus filhos com a música que fiz para a publicidade muito bem, obrigado.

Mondo Pop – Quando e como você descobriu pela primeira vez que o seu primeiro disco solo estava sendo alvo de um culto no exterior? Isso te surpreendeu?
Arthur Verocai – Foi na década de 1990, e fiquei surpreso.

Mondo Pop – Quando foi lançado, o álbum Clube da Esquina também foi inicialmente rejeitado por público e crítica. Alguns anos depois, o próprio Milton Nascimento afirmou que esse disco tinha ido “de porcaria a antológico” (palavras dele) na opinião da crítica, sem negar o seu ressentimento em relação a essa reação negativa inicial. Como você encarou a pouca repercussão de seu primeiro disco? Imaginava que um dia esse quadro se alteraria, como de fato se alterou?
Arthur Verocai – Não poderia imaginar.

Mondo Pop – Antes de ser relançado no Brasil, seu disco de estreia foi lançado no exterior, e trechos de suas músicas foram sampleados por artistas como Ludacris. Você recebe royalties por isso?
Arthur Verocai – ——- (n.da.r: uma forma delicada de dizer que certamente ele não recebeu nada…)

Mondo Pop – Onde foi feita a foto da belíssima capa de seu disco de estreia, em 1972?
Arthur Verocai – Esta casa ficava pertinho da minha casa aqui no Humaitá, no Rio. Era uma gráfica do tempo do Império, e estava abandonada naquela época. Foi o fotógrafo Fernando Bergamaschi quem me levou até lá e fez a foto.

Mondo Pop -Fale sobre os seus próximos projetos-shows, discos, DVDs etc
Arthur Verocai – Pretendo realizar um concerto para violão e orquestra já escrito por mim, além de gravar um novo album DVD.

Ouça Presente Grego, com Arthur Verocai:

Ouça Caboclo,com Arthur Verocai:

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