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The Beatles and India, doc e álbum, para encantar os fãs

George & Patti with garlands 2 - Colin Harrison Avico Ltd

Por Fabian Chacur

The Beatles continuam em pauta como de praxe, mas de forma ainda mais intensa nas últimas semanas. Além do filme Get Back, temos também um outro documentário em cena. Trata-se de The Beatles and India, produzido pelo empresário britânico-indiano Reynold D’Silva e dirigido em parceria por Ajoy Bose e Pete Compton. O filme ganhou os prêmios de melhor filme pelo público e melhor música no UK Usian Film Festival, e está sendo exibido com sucesso em festivais de cinema na Grécia, Bélgica e Espanha.

Baseado no livro Across The Universe- The Beatles in India, de Ajoy Bose, o doc conta a relação de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr com a cultura indiana, com ênfase em sua histórica passagem pela India em Rishikesh, no ashram do polêmico guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. Temos cenas de arquivo e fotos, algumas raras e/ou inéditas, e também depoimentos de pessoas que presenciaram essa viagem histórica em 1968.

Como produto derivado do filme, está previsto para ser lançado no próximo dia 29 de outubro o álbum Songs Inspired By The Film The Beatles and India, que traz releituras de canções dos Beatles inspiradas e/ou escritas na Índia e interpretadas por artistas indianos contemporâneos como Karsh Kale, Benny Dayal, Kiss Nuka e Anoushka Shankar, esta última filha do grande músico Ravi Shankar (1920-2012), a rigor quem introduziu George Harrison no mundo da cultura da Índia e um de seus melhores amigos.

Eis as faixas de Songs Inspired By The Film The Beatles And India:

1. Tomorrow Never Knows (ouça aqui ) – Kiss Nuka
2. Mother Nature’s Son – Karsh Kale / Benny Dayal (ouça aqui)
3. Gimme Some Truth – Soulmate
4. Across The Universe – Tejas / Maalavika Manoj
5. Everybody’s Got Something To Hide (Except Me And My Monkey) – Rohan Rajadhyaksha / Warren Mendonsa
6. I Will – Shibani Dandekar / Neil Mukherjee
7. Julia – Dhruv Ghanekar
8. Child Of Nature – Anupam Roy
9. The Inner Light – Anoushka Shankar / Karsh Kale
10. The Continuing Story Of Bungalow Bill – Raaga Trippin
11. Back In The USSR – Karsh Kale / Farhan Ahktar
12. I’m So Tired – Lisa Mishra / Warren Mendonsa
13. Sexy Sadie – Siddharth Basrur / Neil Mukherjee
14. Martha My Dear – Nikhil D’Souza
15. Norwegian Wood (This Bird Has Flown) – Parekh & Singh
16. Revolution – Vishal Dadlani / Warren Mendonsa
17. Love You To – Dhruv Ghanekar
18. Dear Prudence – Karsh Kale / Monica Dogra
19. India, India (ouça aqui) – Nikhil D’Souza

Veja o trailer de The Beatles and India:

Lizzie Bravo, 70 anos, cantou com os Beatles e outros fenômenos

lizzie bravo

Por Fabian Chacur

Pode uma garota brasileira de 15 anos de idade desembarcar sozinha em fevereiro de 1967 na efervescente Londres daqueles anos psicodélicos e em alguns meses se tornar uma verdadeira testemunha ocular de um dos momento mais importantes da carreira de ninguém menos do que os Beatles? Mais: participar de uma gravação dos Fab Four? Essa foi a cereja no bolo da trajetória de Lizzie Bravo, que, no entanto, fez muitas outras coisas relevantes, como ser musa de um grande clássico da nossa música. Ela infelizmente nos deixou nesta segunda (4) aos 70 anos, vítima de problemas cardíacos.

Elizabeth Villas Boas Bravo nasceu em 29 de maio de 1951, e foi uma das primeiras brasileiras a mergulhar de cabeça no som dos Beatles, ao ouvir o álbum Meet The Beatles (1964) que seu pai trouxe dos EUA. Nascia ali uma paixão pelo grupo e, em particular, por John Lennon. E a amiga Denise Werneck teve uma ideia, logo encampada por Lizzie (cujo apelido ela tirou da música Dizzy Miss Lizzy, clássico do rock de autoria de Larry Williams e regravada pelo grupo no seu álbum Help!, de 1965): pedir aos pais de presente uma viagem a Londres.

Lizzie desembarcou em Londres em fevereiro de 1967, e logo se tornou uma frequentadora da porta dos estúdios Abbey Road, onde os Beatles gravavam seus discos, e também da casa de alguns deles. Naquela época, especialmente em Londres, os astros do rock eram muito mais acessíveis do que se tornariam não muito tempo depois, e a adolescente carioca conseguiu aos poucos se tornar uma quase amiga de John, Paul, George e Ringo.

No seu excelente livro Do Rio a Abbey Road (2015), ela relata como foi esse período no qual, afora trabalhos para conseguir se manter melhor na capital inglesa, suas tarefas básicas eram se manter atualizada sobre os lançamentos e novos rumos do grupo e também conseguir autógrafos, fotos e algumas conversas com os músicos. Na base da simpatia e da paciência, foi absolutamente vitoriosa no seu intuito, como provam as belas fotos contidas no livro.

Vale registrar que, nesse período, os Beatles viviam uma fase particularmente iluminada de sua brilhante trajetória, gravando Sgt. Peppers, Magical Mystery Tour e Abbey Road e consolidando de uma vez por todas a sua presença no panteão da música popular.

Lizzie permaneceu em Londres em dois períodos: de fevereiro de 1967 a abril de 1968, e de outubro de 1968 a outubro de 1969. Por lá, fez amizades com outros fãs e tirou a sorte grande em 4 de fevereiro de 1968, um domingo, quando Paul McCartney perguntou às garotas que estavam próximas ao estúdio Abbey Road se alguma delas conseguiria sustentar notas agudas. A nossa conterrânea afirmou positivamente, e depois levou outra amiga, a inglesa Gayleen Pease, para auxiliá-la. Dessa forma, participaram da versão original de Across The Universe.

A belíssima canção, assinada por Lennon e McCartney mas na verdade de total autoria do primeiro, acabou deixada de lado como um possível single do grupo. Em dezembro de 1969, no entanto, foi lançada como parte da coletânea inglesa No One’s Gonna Change Our World- The Stars Sing For The World Wide Fund, ao lado de gravações de dez outros artistas de ponta, entre os quais Bee Gees, The Hollies e Cilla Black.

Across The Universe entrou no repertório do álbum Let It Be (1970), mas em uma versão alterada que retirou os vocais de Bravo e Pease. Rara durante uns bons anos, a única gravação dos Beatles a incluir alguém do Brasil só voltaria a ser acessível ao entrar no repertório das duas versões do álbum Rarities (1980) e no volume 2 da coletânea Past Masters (1988).

Nem é preciso dizer que essa gravação tornou Lizzie Bravo uma figura sempre relembrada pelos fãs-clubes dos Beatles nas décadas seguintes, algo que se ampliou ainda mais com o advento da internet. Posteriormente, ela teve a oportunidade de rever Paul McCartney (em uma entrevista coletiva, em 1990, na qual o ex-beatle a reconheceu), George Harrison e Ringo Starr. Lennon, o seu favorito, infelizmente nos deixou antes de que ela pudesse reencontrá-lo.

Para quem acha que a história de Elizabeth parou por aqui, recupere o fôlego, pois vem mais coisas boas por aí. Em 1970, ao voltar ao Brasil, conheceu o cantor, compositor e músico Zé Rodrix, com o qual foi casada por dois anos. Em parceria com Tavito, ele compôs, inspirado nela, o clássico da MPB Casa no Campo, cuja gravação definitiva é a de Elis Regina. Em sua letra, a música fala de uma “esperança de óculos” (Lizzie) e o sonho de ter um “filho de cuca legal”, que veio na forma de Marya, nascida em outubro de 1971 e hoje cantora e atriz.

No decorrer de sua trajetória profissional, Lizzie foi vocalista de apoio de artistas do gabarito de Milton Nascimento, Joyce Moreno, Zé Ramalho, Ivan Lins, Djavan, Egberto Gismonti, Toninho Horta e Geraldo Azevedo, entre outros, participando de discos e shows deles. Também atuou como fotógrafa para artistas e gravadoras, e morou em Nova York de 1984 a 1994, atuando na área cultural.

O projeto de seu livro teve início em 1980, mas foi interrompido devido à trágica morte de John Lennon. Ela o retomou em 1984, novamente sem o levar adiante. Só em 2015 essa belíssima obra se concretizou, com uma tiragem inicial que se esgotou em 2017 (comprei um dos últimos exemplares, em julho de 2017. Ela preparava uma nova fornada de livros, assim como uma edição em inglês, que provavelmente serão viabilizadas por Marya.

Across The Universe (original version)- The Beatles:

All Things Must Pass será relançado em versões luxuosas

all things must pass capa 400x

Por Fabian Chacur

Como forma de celebrar os 50 anos de All Things Must Pass, um dos álbuns mais importantes e mais bem-sucedidos em termos comerciais da carreira de George Harrison, a Universal Music lançará no dia 6 de agosto novas versões deste trabalho, com produção executiva e coordenação da remasterização a cargo do filho do ex-beatle, Dhani Harrison. Serão disponibilizados diversos formatos físicos e digitais (conheça todos aqui). Também temos um vídeo informativo (veja aqui).

De todos os formatos, o mais completo é intitulado Uber Deluxe Edition, que traz todo o conteúdo, com direito a 5 CDs, 8 LPs de vinil 180 gramas, um livreto com 96 páginas e outro com 44 páginas repletos de fotos, textos e informações detalhadas sobre as gravações e também memorabilia. São 70 faixas no total, sendo 42 delas nunca antes lançadas, entre demos, versões alternativas e quetais. Essa versão tem uma caixa de madeira como embalagem e também traz um blu-ray de áudio com mixagem em surround Atmos hi-res.

Em comunicado enviado à imprensa, Dhani fala sobre essa versão do álbum:

“Trazer maior clareza sonora a este álbum sempre foi um dos desejos do meu pai, e era algo em que estávamos trabalhando juntos até ele falecer, em 2001. Agora, 20 anos depois, com a ajuda de novas tecnologias e o extenso trabalho de mixagem de Paul Hicks, realizamos esse desejo e apresentamos a vocês este lançamento muito especial do 50º aniversário de talvez sua maior obra de arte. Todos os desejos foram atendidos”.

Eis as faixas da versão em 5 CDs de All Things Must Passs:

Disc 1 (Main Album)
1. I’d Have You Anytime
2. My Sweet Lord
3. Wah-Wah
4. Isn’t It A Pity (Version One)
5. What Is Life
6. If Not For You
7. Behind That Locked Door
8. Let It Down
9. Run Of The Mill

Disc 2 (Main Album)
1. Beware Of Darkness
2. Apple Scruffs
3. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)
4. Awaiting On You All
5. All Things Must Pass
6. I Dig Love
7. Art Of Dying
8. Isn’t It A Pity (Version Two)
9. Hear Me Lord
10. Out Of The Blue *
11. It’s Johnny’s Birthday *
12. Plug Me In *
13. I Remember Jeep *
14. Thanks For The Pepperoni *

* Newly Remastered/Original Mix

Disc 3 (Day 1 Demos – Tuesday 26 May 1970)
1. All Things Must Pass (Take 1) †
2. Behind That Locked Door (Take 2)
3. I Live For You (Take 1)
4. Apple Scruffs (Take 1)
5. What Is Life (Take 3)
6. Awaiting On You All (Take 1) †
7. Isn’t It A Pity (Take 2)
8. I’d Have You Anytime (Take 1)
9. I Dig Love (Take 1)
10. Going Down To Golders Green (Take 1)
11. Dehra Dun (Take 2)
12. Om Hare Om (Gopala Krishna) (Take 1)
13. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll) (Take 2)
14. My Sweet Lord (Take 1) †
15. Sour Milk Sea (Take 1)

Disc 4 (Day 2 Demos – Wednesday 27 May 1970)
1. Run Of The Mill (Take 1) †
2. Art Of Dying (Take 1)
3. Everybody/Nobody (Take 1)
4. Wah-Wah (Take 1)
5. Window Window (Take 1)
6. Beautiful Girl (Take 1)
7. Beware Of Darkness (Take 1)
8. Let It Down (Take 1)
9. Tell Me What Has Happened To You (Take 1)
10. Hear Me Lord (Take 1)
11. Nowhere To Go (Take 1)
12. Cosmic Empire (Take 1)
13. Mother Divine (Take 1)
14. I Don’t Want To Do It (Take 1)
15. If Not For You (Take 1)

† Previously Released

Disc 5 (Session Outtakes and Jams)
1. Isn’t It A Pity (Take 14)
2. Wah-Wah (Take 1)
3. I’d Have You Anytime (Take 5)
4. Art Of Dying (Take 1)
5. Isn’t It A Pity (Take 27)
6. If Not For You (Take 2)
7. Wedding Bells (Are Breaking Up That Old Gang Of Mine) (Take 1)
8. What Is Life (Take 1)
9. Beware Of Darkness (Take 8)
10. Hear Me Lord (Take 5)
11. Let It Down (Take 1)
12. Run Of The Mill (Take 36)
13. Down To the River (Rocking Chair Jam) (Take 1)
14. Get Back (Take 1)
15. Almost 12 Bar Honky Tonk (Take 1)
16. It’s Johnny’s Birthday (Take 1)
17. Woman Don’t You Cry For Me (Take 5)

Run Of The Mill (Take 36) (clipe)- George Harrison:

George Harrison aos 70: doce, filosófico, genial

Por Fabian Chacur

No dia 24 de fevereiro de 1943, nasceu em Liverpool, Inglaterra, um dos mais importantes nomes da história do rock e da música em geral. Se estivesse vivo, George Harrison teria completado 70 anos. Infelizmente, ele nos deixou em 2001, com apenas 58 primaveras. Quanta coisa boa ele ainda teria nos proporcionado!

Mas não vale a pena lamentar. Afinal de contas, o cantor, compositor e guitarrista britânico nos deixou um legado que irá durar muito mais do que o mais forte corpo humano suportaria. Sua herança musical traz belas canções, letras profundas, acordes caprichados, solos de guitarra elaborados, voz doce…

Se sua participação na maior banda de todos os tempos, os Beatles, já bastaria para lhe garantir a eternidade, a belíssima carreira solo que construiu depois do fim dos Fab Four também teria lhe valido essa difícil vitória, tamanha a qualidade do que compôs e gravou sem John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr. Genial só ou bem acompanhado.

Como homenagem às sete décadas decorridas desde seu nascimento, selecionei sete canções de sua carreira solo, fugindo das mais óbvias e apostando em profundidade, memória afetiva, pura beleza e intensidade. Ouçam cada uma delas e reflitam se dá para dizer que George Harrison está morto. Que nada! Sua música é imortal!

Don’t Let Me Wait Too Long -(Living In The Material World -1973)

A capacidade de George em criar melodias pop envolventes era incrível, e esta canção é uma boa prova disso. Ritmo delicioso, melodia marcante e uma letra de simplicidade elaborada que me conquistaram ainda moleque, com 12 aninhos.

Any Road (Brainwashed -2002)

O álbum lançado de forma póstuma em 2002 (excelente, por sinal) traz essa canção fantástica, com letra incrível e uma das frases mais profundas que já ouvi na vida: “se você não sabe para onde vai, qualquer estrada pode te levar até lá.

That’s The Way It Goes (Gone Troppo-1982):

Mesmo em trabalhos não tão inspirados como Gone Troppo George sempre nos reservava ao menos umas duas canções realmente estelares. Essa balada aqui, com direito a sua inigualável slide guitar, é bom exemplo desse dom do “beatle quieto”.

Crackerbox Palace (Thirty Three & 1/3 – 1976):

No álbum mais funky/soul da carreira de Harrison, esta música particularmente me emociona, e nem sei explicar bem o porque, além de sua óbvia beleza. Acho que tem a ver com a associação que faço dela com a saudade da infância e dos sonhos de criança, e da crença de que Deus está dentro de todos nós.

Beware Of Darkness (All Things Must Pass – 1970):

Em um álbum repleto de clássicos como esse, escolhi esta canção de tom sombrio, que nos adverte a ter cuidado com as coisas ruins que nos cercam e que podem, se vacilarmos, acabar com tudo o que sonhamos e tentamos preservar de bom. Uma advertência melódica e inspirada, só para variar.

Blow Away (George Harrison– 1978):

Até me arrepia lembrar da primeira vez que eu ouvi essa maravilha tocar no rádio, lá pelos idos de 1978, quando tinha 17 anos. Balada pop certeira, com letra positiva e um daqueles arranjos que só mesmo o autor de Something sabia nos oferecer. Fico arrepiado ao ouvi-la até hoje, e ficarei sempre, pelo visto.

Blood From a Clone (Somewhere In England-1981):

Reza a lenda que a gravadora Warner queria que George fizesse uma canção que tivesse sonoridade próxima do que a new wave e/ou a disco music ofereciam, naquela época. Harrison nos proporcionou esse petardo, com guitarras nervosas, ritmo sofisticado e ágil e forte apelo pop dançante. Nunca desafie um craque da canção…

Ravi Shankar foi o guru de George Harrison

Por Fabian Chacur

Uma das marcas da música dos Beatles foi a sua abertura no sentido de incorporar outras sonoridades além do rock and roll. Uma delas, a oriental, entrou no universo da banda de forma mais clara graças ao músico indiano Ravi Shankar, que morreu nesta terça-feira (11) aos 92 anos. Ele foi o guru de George Harrison.

Consta que o citarista conheceu George Harrison e Paul McCartney em 1966, em Londres. Não por acaso, foi naquele mesmo ano, no mitológico disco Revolver, que o “beatle quieto” lançou a música Love You To, com forte influência da música indiana.

Esse tipo de som se mostraria presente em outros momentos de Harrison com os Beatles, entre as quais Within You Without You e The Inner Light. Esta última, por sinal, é bem curiosa, pois soa como um mix de música indiana com a célebre Asa Branca, de Luiz Gonzaga, fato que levou o célebre agitador cultural brasileiro Carlos Imperial a espalhar o boato de que os Beatles gravariam o clássico do Rei do Baião. E o povo na época acreditou!

Shankar influenciou também o ex-beatle em termos pessoais, levando o músico a investir em meditação e em um temperamento ainda mais introspectivo e reflexivo. Em 1971, Shankar incentivou Harrison a promover o primeiro grande show beneficente da história do rock, para Bangladesh, com a participação de Bob Dylan, Eric Clapton e outros astros do rock.

A amizade entre Ravi Shankar e George Harrison se manteve firme e sólida até a morte do ex-beatle, em 2001. O autor de Something disse, certa vez, que Shankar foi a primeira pessoa que realmente o impressinou em toda a sua vida. E olha que ele conheceu muita gente do primeiro escalação da música…

Aliás, Shankar se mostrou figura importante em dois festivais de música que ajudaram o rock a se expandir em termos de público e importância cultural, os festivais de Monterey (1967) e de Woodstock (1969). Ele tocou em ambos, ajudando a tornar a musica indiana mais conhecida no resto do mundo.

O citarista indiano nos deixou duas filhas cantoras, Anoushka Shankar e a popularíssima Norah Jones, que teve em relacionamento fora do casamento e com quem não mantinha contato habitual. Mesmo assim, Norah acabou cancelando os shows que faria esta semana no Brasil em Porto Alegre, Rio e São Paulo para ir se despedir do pai.

Veja Ravi Shankar e George Harrison tocando juntos:

Ouça Prabhujee, com George Harrison e Ravi Shankar:

CD exibe alma musical de George Harrison

Por Fabian Chacur

O maravilhoso documentário George Harrison: Living In The Material World foi recentemente exibido por aqui (e comentado por Mondo Pop), e já está disponível em luxuoso pacote importado incluindo DVD duplo, Blu-ray, livro e CD.

Felizmente, o CD é o primeiro desses ítens já disponível individualmente em nossas lojas e a um preço acessível. Trata-se de Early Takes Volume 1. Em formato digipack, o álbum traz 10 faixas, com pouco mais de 30 minutos de duração, e é bem diferente da maior parte desse tipo de compilação.

Para começo de conversa, todas as gravações tem excelente qualidade de áudio, e seguem uma sequência que torna a audição tão deliciosa como a de um álbum normal, o que nem sempre ocorre em reuniões de outtakes e sobras de estúdio do gênero.

A voz do ex-beatle está particularmente bela, podendo ser apreciada em todos os seus nuances e suavidades. O mesmo pode ser dito do acompanhamento instrumental, que em alguns casos se resume a um violão tocado com maestria pelo astro.

Belíssimo trabalho de Giles Martin (filho do lendário George Martin, produtor dos Beatles), a quem coube a tarefa de ajudar na seleção das gravações e dar a elas o arremate sonoro final.

Temos aqui seis músicas que entrariam em suas versões finais no álbum All Things Must Pass(1970; uma é de Living In The Material World(1973), outra, de Thirty Three & 1/3 (1976), e dois covers entram pela primeira vez em um álbum do autor de Something.

O único ponto realmente negativo em Early Takes Volume 1 é o fato de não termos nenhuma informação acerca de quando as gravações foram feitas, e quem toca nelas, com apenas dois textos curtos assinados por Giles Martins e o Dr. Warren Zanes na capa interna.

Quanto à duração, convenhamos: melhor 30 minutos excelentes do que duas horas de material mal editado e com qualidade discutível de áudio. E que venham os próximos volumes!

Vamos a uma análise individual de cada uma delas:

1My Sweet Lord (demo) – A melodia e os versos estão praticamente terminados, mas a levada rítmica segue um encaminhamento mais funkeado do que a da versão final, mais básica e contagiante. É a faixa que soa mais inacabada, entre todas. De All Things Must Pass .

2Run Of The Mill (demo)- George se acompanha ao violão, e a música soa pronta, precisando apenas dos penduricalhos proporcionados pelos arranjos da versão conhecida. Soa até melhor do que a versão lançada originalmente. De All Things Must Pass.

3I’d Have You Any Time (early take)- Versão muito próxima da original, com direito a slide guitar, violão, bateria e uma interpretação vocal belíssima. Acho que muita gente a achará ainda melhor do que a gravação lançada oficialmente. Estupenda parceria de George e Bob Dylan. De All Things Must Pass.

4Mama You’ve Been On My Mind (demo) – A canção que Bob Dylan deixou de fora de Another Side Of Bob Dylan (1964) foi gravada por Joan Baez, Johnny Cash e Rod Stewart, entre outros. George a interpreta no melhor estilo voz e violão, arrancando arrepios do ouvinte tanto nos vocais como no instrumento. Ele nunca havia a lançado antes em um de seus álbuns.

5Let It Be Me (demo) – Essa canção de Gilbert Becaud fez sucesso em inglês com os Everly Brothers em 1960 e é simplesmente belíssima. George a interpretou com rara inspiração, em versão que conta com slide guitar e poderia perfeitamente ter sido lançada de forma oficial. É a outra inédita em discos do ex-beatle contida aqui.

6Woman Don’t You Cry For Me (early take) – Lançada em versão funkeada e faixa de abertura de Thirty Three & 1/3, essa música aparece aqui de forma completamente diferente, só voz e violão e em arranjo folk/blues simplesmente arrasador. Prova de que uma mesma música pode ganhar roupagens totalmente distintas e continuar ótima. Na verdade, essa música começou a ser composta em 1968 e poderia ter entrado em All Things Must Pass, conforme o próprio George revelou anos depois. De Thirty Three & 1/3.

7Awaiting On You All (early take) – Gravação com banda e ênfase em guitarras levemente distorcidas, sem os metais da versão definitiva e gravada de forma descompromissada. No entanto, temos aqui os dois versos polêmicos que ficaram de fora da versão final, incluindo o célebre “O Papa tem 51% das ações da General Motors”. De All Things Must Pass.

8 Behind That Locked Door (demo) – Embora despida de vocais de apoio e outros penduricalhos (mas já com a slide guitar), esta versão demo de Behind That Locked Door soa tão boa como a lançada em 1970. A voz de George está mais cristalina do que nunca, capaz de emocionar até o mais cético com sua doçura. De All Things Must Pass.

9All Things Must Pass (demo) – Embora sem o arranjo definitivo que incluia slide guitar, esta versão da faixa título do álbum lançado por George Harrison em 1970 já traz o andamento e a letra que conheceríamos na versão definitiva, além da levada rítmica de bateria. Despida, ressalta a belíssima letra. De All Things Must Pass.

10The Light That Has Lighted The World (demo) – A delicada balada lançada originalmente em 1973 aparece aqui em um tom abaixo do da gravação original, o que a faz soar mais intimista, sem perder nada da maravilhosa melodia da versão que todos conhecemos. Um belo encerramento para este CD. De Living In The Material World.

Ouça a nova versão de Awaiting On You All, com George Harrison:

Scorsese mergulha na alma de George Harrison

Por Fabian Chacur

A 16ª edição do Cultura Inglesa Festival pode ser considerada histórica por pelo menos três razões: trouxe novamente o excelente grupo Franz Ferdinand ao Brasil, resgatou o filme Rutles: All You Need Is Cash (1978), de Eric Idle e Gary Weis, a melhor paródia aos Beatles, e apresentou aos brasileiros George Harrison: Living In The Material World, documentário de Martin Scorsese sobre o “beatle quieto”.

Além de grande cineasta, Scorsese se mostrou em sua carreira um excelente documentarista de rock, vide os ótimos trabalhos que fez com The Band, Bob Dylan e Rolling Stones. Sua nova incursão na área é um mergulho em busca da essência de George Harrison, não só o músico, mas também o ser humano.

Durante suas 3 horas e 28 minutos de duração, George Harrison: Living In The Material World nos apresenta material de altíssima qualidade oriundo dos arquivos da viúva do roqueiro (Olivia Trinidad Harrison) e também entrevistas feitas especialmente para a ocasião, além de muita informação de primeira.

Boa parte desse tempo é dedicado à carreira de Harrison nos Beatles, com várias relevações muito interessantes, como Paul McCartney admitindo que o marcante riff de And I Love Her é na verdade de autoria do guitarrista e também de como o Macca recusou riffs que George criou para Hey Jude, algo que ajudou a distanciar os dois.

Aliás, um dos méritos de Scorsese é não tentar pintar o beatle místico como um santo. Suas falhas aparecem várias vezes, como nos registros de sua catastrófica turnê solo de 1974 (ele tocando What Is Life em ritmo de reggae cantando de forma horrível, ao vivo, é um dos momentos mais constrangedores da história do rock!) ou da viúva Olívia admitindo, cheia de dedos, que o maridão deu várias puladas de cerca em seus 25 anos juntos.

Os depoimentos são suculentos, especialmente os de Eric Clapton, que fala bastante sobre a célebre disputa dele com o amigo por Patty Harrison, que inspirou o clássico do rock Layla e depois se tornaria mulher de Clapton, sem que a amizade entre os dois grandes músicos se encerrasse. Aliás, a própria Patty conta o seu lado nessa história mitológica.

Um dos grandes momentos fica por conta de um encontro entre McCartney e Harrison nos anos 90, quando o segundo solta uma frase que sintetiza seu sarcástico senso de humor: “nossa, que belo casaco de couro vegetariano!”. Provavelmente, nem Paul tinha notado o quanto era absurdo ele, um vegetariano militante, vestir um casaco feito de couro animal…

A emoção de Ringo Starr ao se lembrar da última vez em que viu o amigo, Tom Petty (colega de George no supergrupo Travelling Wylburys) recordando do dia em que ganhou quatro ukeleles do autor de Something, ou mesmo do diretor do filme A Vida de Brian, ao recordar como Harrison investiu quatro milhões de dólares naquele filme apenas porque “queria vê-lo; foi o ingresso mais caro já pago por alguém para ver um filme!”.

Lógico que dá para fazer algumas restrições ao documentário, se você por acaso é detalhista demais. Ele praticamente ignora dois momentos importantes da carreira solo de George, os álbuns Living In The Material World (1973- caramba, é o disco que deu o título ao documentário!) e Cloud Nine (1988, que marcou o retorno do músico ao topo das paradas após uns bons anos), assim como a música All Those Years Ago, feita em homenagem à John Lennon, mas fazer o quê? Não caberia tudo em um só documentário, mesmo um tão longo como esse.

Um fato emerge nas entrelinhas do filme: que o fim dos Beatles na verdade teve um forte incentivador nas brigas entre George e Paul, que provavelmente foram muito mais sérias do que se pensou durante décadas. E também que o beatle que meditava também sabia ser agressivo e briguento, além de em alguns momentos da vida ter mergulhado fundo nas drogas.

George Harrison: Living In The Material World equivale a um excelente e profundo registro referente à vida de um dos mais importantes nomes da história do rock e da música como um todo. Como dificilmente será exibido por aqui em circuito comercial, vale ficar atento ao lançamento em DVD/Blu-ray no Brasil (já saiu lá fora), pois se trata de um ítem indispensável para quem gosta de rock.

Veja o trailer de George Harrison: Living In The Material World:

Dez anos sem George Harrison, o beatle quieto

Por Fabian Chacur

Fiquei sabendo da morte de George Harrison (1943-2001) através de meu grande amigo Raul Bianchi, outro beatlemaníaco alucinado como eu. Foi uma tristeza do tamanho do mundo. Como perder um familiar, um irmão.

Ele tinha apenas 58 anos, e estava mais ativo do que nunca.

Dos quatro integrantes dos Beatles, George sempre foi o mais tranquilo, o mais quieto, o mais discreto. Em termos musicais, seus solos sempre concisos e irresistíveis influenciaram incontáveis músicos ao redor do planeta, incluindo um certo Lulu Santos.

Ótimo compositor, ele também tinha a seu favor uma voz doce e de timbre inconfundível, mais do que perfeitas para suas letras que falavam de amor, de fé, das mazelas do “mundo material”.

Nos Beatles, teve um papel fundamental, não só como músico como também com algumas músicas marcantes, entre as quais Something, Here Comes The Sun e While My Guitar Gently Weeps.

Na carreira solo, proporcionou aos fãs maravilhas como Give Me Love (Give Me Peace On Earth), Bangladesh, My Sweet Lord, Learning How To Love You, Love Comes To Everyone… Ficaria durante dias citando grandes momentos de sua carreira individual.

Além disso, ainda arrumou tempo para organizar o primeiro festival de rock beneficente de todos os tempos, o Concerto Para Bangladesh, e integrou um supergrupo inesquecível, os Traveling Wylburys, ao lado de Bob Dylan, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne.

Melhor do que escrever mais linhas aqui, é oferecer a vocês cinco dessas músicas maravilhosas, entre as inúmeras que gravou após o fim dos Beatles. Prova de que sua musicalidade permanecerá para sempre! E é como diz seu hit póstumo (lançado em 2002): “se você não sabe para onde está indo, qualquer estrada te levará para lá!”

Blow Away (1978) – George Harrison:

I Got My Mind Set On You (1988) – George Harrison:

Love Comes To Everyone (1978) – George Harrison:

Living In The Material World (1973)- George Harrison:

Any Road (2002) – George Harrison:

Sai trailer de documentário sobre ex-beatle

Por Fabian Chacur

Living In The Material World: George Harrison, documentário de Martin Scorsese sobre a vida e obra do saudoso ex-beatle, estreará nos dias 5 e 6 de outubro (dividido em duas partes) na emissora a cabo americana HBO.

O trailer dessa ambiciosa e aguardada atração já está disponível na net, e mostra trechos de entrevistas com o autor de Something e também de amigos como Paul McCartney, Eric Clapton e Tom Petty.

O documentário deverá ser exibido posteriormente nos cinemas e também ser lançado em DVD e Blu-ray.

Para quem não se lembra, Martin Scorsese já fez documentários sobre o The Band e os Rolling Stones, e era amigo de George.

Bem, chega de papo: veja o trailer e se emocione:

Documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison estreia em outubro

Por Fabian Chacur

Segundo informações do site da revista Billboard, Living In The Material World, documentário sobre George Harrison feito por Martin Scorsese, irá ser exibido nos EUA pelo canal a cabo HBO.

O filme estreará na TV americana e será exibido em duas partes, nos dias 5 e 6 de outubro. A exibição irá coincidir com o lançamento do livro George Harrison: Living In The Material World, de sua viúva Olivia Trinidad Harrison.

Scorsese fez o documentário em cooperação com Olivia, e mistura fotos e cenas inéditas de filmes caseiras com entrevistas feitas para o projeto com Eric Clapton, Terry Gillian, Eric Idle, George Martin, Paul McCartney, Yoko Ono, Tom Petty e Ringo Starr, entre outros.

Living In The Material World (título de um dos melhores álbuns do ex-beatle, lançado em 1973) tem o objetivo de dar uma geral na trajetória de Harrison, abordando infância, Beatles, sua carreira solo e também sua atuação como filantropista e produtor de cinema.

O livro de Olivia, por sua vez, traz fotos, cartas, diários e memorabilia de Harrison, com muito material inédito. Ela é mãe de Dhani, único filho do ex-beatle e também músico.

Vale lembrar que duas efemérides importantes ligadas ao autor de Something completam datas redondas este ano: 40 anos do histórico Concert For The People Of Bangladesh, que reuniu Bob Dylan, Eric Clapton e outros grandes nomes da música em 1971, e 10 anos de sua morte, ocorrida em 29 de novembro de 2001.

Ainda não se sabe quando o documentário Living In The Material World estreará nos cinemas e TVs de outros países, Brasil incluso.

Blow Away, sucesso de George Harrison em 1979:

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