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Saudades de Gonzaguinha parte 1

Por Fabian Chacur

Gosto de muita coisa em termos de música popular brasileira, mas existem algumas obras pelas quais sou apaixonado, de forma passional mesmo, embora obviamente tenha espírito crítico para analisá-las.

Uma dessas paixões é o trabalho de Gonzaguinha (1945-1991), um dos nomes mais importantes e expressivos da história dessa música tão rica e tão repleta de gente talentosa que é a nossa.

Foi dele o primeiro show que assisti in loco, no já longínquo ano de 1979, no teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, durante a turnê de divulgação do excelente álbum Gonzaguinha da Vida.

Show maravilhoso, por sinal, que eu vi em um teatro lotado, lá atrás, e durante o qual o cantor teve um pequeno desentendimento com a plateia ao elogiar cantores das antigas tipo Angela Maria e ser vaiado por alguns.

“Vocês precisam aprender a respeitar esses artistas”, disse ele mais para a frente, entre uma música e outra.

Como jornalista, entrevistei pela primeira vez o autor de Recado, O Que É, O Que É e tantos outros clássicos em 1987.

O papo rolou em um hotel no centro de São Paulo (Bristol, se não me falha a memória), e tive como colega na mesa o saudoso jornalista Dilson Osuji, que atuou em várias publicações de ponta em sua carreira.

Em boa parte da conversa, tivemos como marca uma guerrinha velada entre o músico e Osuji, com ironias de parte a parte e eu com uma bandeira branca no meio, sem ter nada a ver com aquilo.

Ao final, peguei o seu então álbum mais recente, o gravado ao vivo em estúdio Geral (inédito até hoje em CD, por sinal), e pedi um autógrafo, que ele me concedeu, colocando na dedicatória votos gentis de saúde.

Anos depois, descobri, na biografia dele e do pai Gonzagão escrita por Regina Echeverria, que ele não era muito fã de dar autógrafos, e que volta e meia os recusava.

Escapei de boa, heim? Já imaginou se um de meus grandes ídolos tivesse me recusado um autógrafo? Ainda bem que isso não ocorreu, e o disco está aqui, comigo, até hoje, como boa recordação desse ídolo.

Ouça O Que É, O Que É?, clássico de Gonzaguinha, ao vivo:

Gonzaguinha e a trilha da novela Vale Tudo

Por Fabian Chacur

Um dos grandes momentos da teledramaturgia brasileira foi a novela Vale Tudo.

Exibida originalmente de maio de 1988 a janeiro de 1989, refletiu o clima político da época, com direito a descrédito, institucionalização da corrupçao e o início de uma nova era democrática no país.

A reprise desse clássico na TV a cabo têm obtido grande audiência e levado a uma reapreciação do contexto no qual aquela atração foi parida.

A trilha sonora nacional da atração global incluiu 14 músicas, sendo que Brasil, de Cazuza e na interpretação de Gal Costa, serviu como abertura de cada novo capítulo.

O ex-cantor do Barão Vermelho comparece ele próprio com a sua belíssima bossa nova Faz Parte do Meu Show, enquanto sua ex-banda consegue grande sucesso com a agressiva e sacudida Pense e Dance.

O momento mais expressivo nessa trilha tão marcante, no entanto, foi mesmo a brilhante É, último grande sucesso nacional da carreira de Gonzaguinha.

Claro retrato de como as pessoas mais conscientes se sentiam na época, É tem a famosa frase “a gente não tem cara de babaca”, entre outras certeiras e sem papas na língua, estilo habitual do cantor e compositor carioca.

Na época (1988), tive a honra de entrevistar Gonzaguinha pela segunda vez, e um dos principais temas da conversa foi exatamente a utilização dessa música em Vale Tudo.

Ele comemorou o fato de É ser utilizada com frequência, e em alguns momentos, serem criados verdadeiros videoclipes para ela com cenas da atração global.

Vale Tudo Nacional foi lançada em CD em 2001 e atualmente está fora de catálogo, embora possa ser encontrada em algumas lojas por quem tiver um pouco de paciência.

  1. Brasil – Gal Costa
  2. Tá Combinado – Maria Bethânia
  3. Terra Dourada – João Bosco
  4. Pense e Dance – Barão Vermelho
  5. Pontos Cardeais – Ivan Lins
  6. A Sombra da Partida – Ritchie
  7. Todo Sentimento – Verônica Sabino
  8. É – Gonzaguinha
  9. Penso Nisso Amanhã – Nico Rezende
  10. Isto Aqui O Que É – Caetano Veloso
  11. Faz Parte do Meu Show – Cazuza
  12. Bésame – Jane Duboc
  13. Um Mundo Só Pra Nós (Eye In The Sky) – Gás
  14. Sem Destino – Léo Gandelman

Veja Gonzaguinha cantando É ao vivo na TV Cultura:

DVD traz registro de Gonzaguinha em especial de 1981

gonzaguinha dvd emiPor Fabian Chacur

Gonzaguinha (1945-1991) aproveitou bem os breves anos em que esteve entre nós. Lançou ótimos discos, compôs dezenas de grandes clássicos da MPB, fez shows inesquecíveis. Seus discos, maravilhas como Recado (1978  http://www.mondopop.net/?p=683 ), podem ser encontrados nas lojas e reavaliados pelas novas gerações. Os shows, no entanto, seguem aquela velha máxima: quem viu, viu, quem não viu… Como o que tive a honra de conferir em 1979, no Teatro Procópio Ferreira, por sinal o primeiro da minha vida. Felizmente, existem alguns registrados para a eternidade, e esses, todos podem compartilhar. O primeiro DVD do artista, Ensaio (2007), trouxe show gravado em estúdio especialmente para o programa Ensaio, da TV Cultura, em 1990. Apresentação maravilhosa, e minimalista, com voz e violão e, em algumas músicas, percussão. Agora, chega ao mercado, em parceria EMI /Globo Marcas Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior – Série Grandes Nomes TV Globo. De novo feito especialmente para a televisão, mas, desta vez, gravado em teatro, e com platéia. A exibição original ocorreu em 1981, em uma série histórica de especiais com astros como Elis Regina, Jorge Ben Jor e outros. Gonzaguinha vivia, então, o auge de sua popularidade, e canta com uma banda trazendo músicos que o acompanharam durante anos, como Jota Moraes (teclados), Pascoal Meirelles (bateria) e Ary Pissarolo (guitarra), além do convidado especial Wagner Tiso. Rebelde e inquisidor, ele bota o dedo na ferida o tempo todo com sutileza e contundência, denunciando a violência da Ditadura Militar, a miséria e o desrespeito com o ser humano. Também sabia como poucos ser romântico sem cair no brega. O repertório do show nos proporciona maravilhas como Explode Coração, Sangrando, E Vamos à Luta, Começaria Tudo Outra Vez, Questão de Fé, Ponto de Interrogação e Galope. O sambista Roberto Ribeiro marca presença em Fala Brasil e E Vamos à Luta. Por sua vez, o pai famoso Gonzagão surge em uma raríssima aparição sem chapéu e sanfona, interpretando com o filho a contagiante A Vida do Viajante. Também participaram desse especial Simone e As Frenéticas, mas suas performances ficaram de fora do DVD por alguma razão não esclarecida. Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior é presenciado, na platéia, por celebridades do naipe de Raul Cortez, Chico Anysio e Mário Lago, devidamente focalizados. O DVD consegue aliar caráter histórico a qualidade artística e técnica. Mais uma forma de manter viva a obra desse verdadeiro gênio da MPB, que nos deixou uma saudade imensa. Sorte que sua música irá viver para sempre.

Confira Gonzaguinha cantando ao vivo Ponto de Interrogação:

http://www.youtube.com/watch?v=oFTrk-rrsOY

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