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Tag: jazz anos 2000

Lady Gaga e Tony Bennet lançam clipe e versão física de seu álbum

lady gaga e tony bennett album capa 400x

Por Fabian Chacur

O público brasileiro já tem à sua disposição a versão em CD, lançada pela Universal Music, de Love For Sale, o segundo álbum a reunir dois grandes astros da música de gerações bem diferentes. São eles Tonny Bennett, de 95 anos, e Lady Gaga, de 35 anos. O trabalho, também disponível nas gloriosas plataformas digitais, mostra a dupla interpretando, em parceria ou de forma solo, grandes standards da música americana, entre os quais Night And Day, cujo clipe foi lançado há pouco e é delicioso.

A parceria entre Gaga e Bennett teve início em 2011, quando a estrela pop participou do álbum Duets II do mestre do jazz. Em 2014, foi a vez de gravarem um álbum completo, Cheek To Cheek (que também gerou um DVD), e agora, este Love For Sale, que chegou ao 8º lugar na parada pop da Billboard. A nota triste é o fato de o cantor estar se aposentando dos palcos, devido a sofrer com o mal de Alzheimer, embora esteja com a doença de certa forma controlada.

No próximo dia 28 (domingo), a rede de TV americana CBS exibirá o especial One Last Time- An Evening With Tony Bennett and Lady Gaga, filmado em agosto durante os dois shows feitos por eles em Nova York, no icônico Radio City Music Hall. Fica a torcida para que tal apresentação gere um DVD ou coisa que o valha, pois é certamente o registro de uma despedida histórica de um dos grandes intérpretes da história do jazz e da música popular norte-americana.

Night And Day (clipe)- Lady Gaga e Tony Bennett:

Jazzmeia Horn divulga 2º single de seu álbum com orquestra

Jazzmeia Horn - Let Us (Take Our Time) 5 (1)

Por Fabian Chacur

A cantora, compositora e arranjadora americana Jazzmeia Horn parece ser aquele tipo de talento raro que se dá o direito de ir se desenvolvendo aos poucos, sem pressa, com total foco na excelência. Após lançar dois álbuns elogiados pelos críticos e que lhe valeram duas indicações ao Grammy, A Social Call (2017) e Love & Liberation (2019), essa belíssima afro-americana de voz suave e sensual nos oferece duas amostras do que será Dear Love, seu 3º trabalho, a ser lançado ainda este ano.

Além das indicações ao Grammy, Jazzmeia faturou os importantes prêmios Sarah Vaughan International Jazz Competition, Thelonious Monk Institute International Jazz Competition, NAACP Image Award e quatro da icônica revista Downbeat. O seu trabalho mescla releituras de standards do jazz com composições próprias, e elementos de r&b e hip hop aparecem aqui e ali.

A principal novidade estampada no novo álbum é o fato de ela ser acompanhada por uma big band, intitulada Jazzmeia Horn And Her Noble Force, sendo que os arranjos e produção ficaram a cargo dela própria. Em press release enviado à imprensa, a nativa de Dallas, Texas, nascida em 16 de abril de 1991 e radicada em Nova York desde 2009 dá as dimensões desse seu novo disco:

Dear Love é um álbum inteiro de poemas e músicas que são canções de amor para todos os aspectos amorosos na minha vida, e esta em particular se dirige ao meu amor e amante. Digo para ele ‘vamos manter o ritmo com o que sabemos sobre o passado, não precisamos ir muito rápido’. Isso significa ‘vamos construir algo espetacular baseado no que sabemos da nossa história e o que os nossos antepassados nos deixaram. Devagar e sempre levam à vitória”.

Lover Come Back To Me (ouça aqui) equivale a um tema de jazz delicioso, com direito a scat singing e tudo. Por sua vez, (Let Us) Take Our Time investe em sensualidade sofisticada, que Jazzmeia define de forma bem-humorada como “música para fazer bebês”. O clipe, gravado em uma estação de metrô (dentro e fora de um trêm) é perfeito para ilustrar toda essa sensualidade musical. Se o álbum for todo nesse alto nível, vem clássico por ai.

Let Us (Take Our Time)– Jazzmeia Horn:

Amy Winehouse partiu há 10 anos e deixou uma bela herança

amy winehouse

Por Fabian Chacur

Quando trabalhei no canal de música do portal R7, entre julho de 2009 e junho de 2011, lembro muito bem que uma de nossas principais fontes de notícias era uma certa Amy Winehouse. Eu brincava comigo mesmo de que tínhamos por volta de umas cinco ocorrências diárias envolvendo essa cantora, compositora e musicista britânica. Quando ela fez shows no Brasil, no início de 2011, isso aumentou ainda mais. Parece irônico pensar que meu fim naquela empresa ocorreria tão próximo ao da vida dela. Dia 1º de julho, adeus R7. No dia 23 de julho, Amy se foi. Triste, nos dois casos, pelas circunstâncias. Vamos às da cantora de Rehab, que é o que interessa aqui.

Sejamos francos logo de cara: a morte prematura de uma das grandes estrelas da música mundial não surpreendeu a ninguém. Chocou, emocionou, tocou, mas não surpreendeu. Afinal de contas, estava claro que o sucesso e o assédio de público e principalmente de mídia não eram devidamente administrados por ela. Parece óbvio que, se pudesse escolher, Amy teria preferido cantar em bares, para poucos sortudos, sem se expor. Mas como seria isso possível, com tanto talento e carisma? E tem aquela coisa da “artista certa na hora certa”.

Quando Amy Winehouse estourou mundialmente com seu segundo álbum, Back To Black (2006), ela deu um verdadeiro chega pra lá nas cantoras pop mais certinhas e de eventual rebeldia fabricada, mergulhando fundo em uma sonoridade resgatada dos anos 1960 de grupos vocais como The Shangri-las, Shirelles e no qual era preciso saber cantar, como bem sabia Ronnie Spector, uma de suas principais influências.

O coquetel soul-jazz-pop proposto por Winehouse não tinha ninguém da nova geração com acesso às grandes gravadoras passível de competir com ela. Graças ao apoio que encontrou nos produtores Mark Ronson e Salaam Remi, pôs para fora um trabalho impactante que conseguia ser acessível ao grande público e também ao mais sofisticado. Frank (2003) equivaleu a uma boa estreia, mas Back to Black foi muito além, entupindo a artista de prêmios, milhões de cópias vendidas mundo afora e do holofote da mídia.

Não por acaso, Amy Winehouse nos deixou aos 27 anos, mesma idade de saída de cena de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain, só para citar alguns integrantes notórios desse clube macabro. Qual seria a explicação? Vale lembrar que existem vários livros sobre o tema, e uma das explicações defendidas é a do fato de esses artistas serem expostos de forma muito intensa ao trinômio sexo-drogas-rock ‘n roll acrescido de muito dinheiro também, o que os afastou de uma vida minimamente regrada que fosse.

Muitos artistas expostos a esses excessos que eram cotados como possíveis vítimas precoces ultrapassaram de longe essa idade fatal, como Keith Richards, Mick Jagger, Lou Reed, David Bowie e tantos outros. Cada um sabe onde dói o seu calo, como diriam os antigos. Mas o fato é que tanta adulação e tanto abuso de limites impõem preços que podem ser cobrados muito antes do que seria de se esperar. Especialmente se as suas companhias não forem das melhores…

Amy Winehouse nos deixou uma obra pequena, que tem mais itens póstumos do que os lançados enquanto ela ainda estava entre nós. No entanto, esse trabalho dificilmente será esquecido, embora seja difícil imaginar o surgimento de uma continuadora. Fica a lição de o quanto a vida pode ser breve e de o quanto precisamos nos cuidar para podermos viver mais e melhor. Mas o que vale mais, viver 27 anos no limite ou 80 de forma bovina e pastosa? Melhor não julgar ninguém, e curtir o legado de uma artista realmente maravilhosa.

Back To Black (live)- Amy Winehouse:

Norah Jones aparece de peruca loira no clipe de Flame Twin

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Por Fabian Chacur

Em seu novo clipe, feito para divulgar o single Flame Twin, Norah Jones aparentemente resolveu ver como ficaria loira. A morena que ficou famosa inicialmente com cabelos longos e que, há uns dez anos, passou a variar entre cortes mais curtos e médios, usa em seu novo vídeo uma longa peruca loira que a deixa com um visual bastante diferente. Com sua beleza, no entanto, a moça pode fazer o que quiser em termos capilares, pois o resultado sempre será bom. Ou quase sempre, obviamente, pois errar é humano…

Flame Twin é uma balada introspectiva, com belos timbres de teclados, ótima melodia e uma interpretação envolvente por parte da estrela americana, que se incumbe dos vocais e também do piano.

O consagrado baixista John Patitucci, que gravou mais de 10 discos-solo e já tocou com gente do naipe de Wayne Shorter, Chick Corea, Al Di Meola e Dave Gruisin, é o destaque dos músicos que a acompanham aqui, com o time também incluindo Brian Blade (bateria) e Pete Remm (guitarra, sintetizador e órgão).

No clipe, a filha do saudoso músico indiano Ravi Shankar (com quem ela nunca se deu bem, por sinal) aparece contracenando com ela própria graças a efeitos especiais, em meio à natureza, com um clima bem compatível com a atmosfera intimista e meio soturna dessa bela canção.

Lançado em junho pelo selo Capitol (hoje parte do conglomerado Universal Music), o álbum que inclui este single, Pick Me Up Off The Floor está indo mal nas paradas de sucesso, tendo atingido até o momento o 87º lugar nos EUA e o 47º lugar no Reino Unido. Seria efeito da pandemia do novo coronavírus? Vale dizer que a imprensa em geral está elogiando bastante este trabalho, centrado em composições da própria Norah.

Flame Twin (clipe)- Norah Jones:

Gregory Porter disponibiliza single e lançará álbum em abril

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Por Fabian Chacur

O ano de 2020 mal começou e já temos uma grande canção inédita para celebrar. Trata-se da deliciosa e impactante Revival, do cantor, compositor e ator americano Gregory Porter. Com forte influência de gospel e jazz, a faixa é a primeira a ser divulgada do que será o sexto álbum de estúdio desse incrível artista, All Rise. A Blue Note Records, célebre selo hoje vinculado à Universal Music, promete lançá-lo no dia 17 de abril.

Revival tem um belo clipe dirigido por Douglas Bernardt que mostra um garoto que se sente oprimido e com medo do realmente assustador mundo atual. No entanto, ele descobre uma forma de superar essa pressão toda e dar a volta por cima: a dança e o canto. O resultado em termos visuais se mostra perfeito para ilustrar uma canção que nasce com clima de clássico.

Nascido em Sacramento, Califórnia, em 4 de novembro de 1971, Gregory Porter lançou dois álbuns independentes (Water, em 2010, e Be Good, em 2012) que tiveram boa repercussão e atraíram as atenções da Blue Note. Desde então, cativa fãs nos quatro cantos do mundo com sua voz deliciosa. Sua fama é maior no Reino Unido, onde emplacou três álbuns no Top 10 dos charts de lá.

Vencedor de dois troféus Grammy, o Oscar da música, Porter também tem no currículo dois álbuns ao vivo e gravações ao lado de nomes importantes da música, entre os quais Buddy Guy, Jools Holland, Dianne Reeves, Till Bronner, Jamie Cullum e Renée Fleming. Além de ótimo compositor, ele também sabe reler com classe canções alheias, como prova seu álbum Nat King Cole & Me (2017), que traz clássicos do repertório do célebre astro americano.

Revival (clipe)- Gregory Porter:

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