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Private Eyes (1981/RCA), o auge de Daryl Hall & John Oates

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Por Fabian Chacur

Daryl Hall e John Oates se conheceram quase que por acaso, em 1967. Eles participavam de um concurso de bandas em sua cidade natal, Filadélfia (EUA), e, ao fugirem de um quebra-pau generalizado entre gangues presentes, foram parar em um elevador. Do agradável papo informal entre eles, surgiria uma sólida amizade que os levou a criar a dupla, anos depois. Em 1972, saiu o seu primeiro álbum, Whole Oats.

Sempre ativos e inquietos, eles mergulharam a partir dali em uma trajetória recheada de altos e baixos, sem medo de experimentar e também de pagar em termos comerciais por tal ousadia. Em 1977, emplacaram seu primeiro single no 1º lugar da parada americana, Rich Girl, e passaram a tocar em grandes espaços, com sua mistura de rock, soul, pop e folk. Trabalharam com vários produtores, entre os quais os seminais Arif Mardin e Todd Rundgren.

Após gravarem com o então iniciante David Foster os álbuns Along The Red Edge (1978) e X-Static (1980), eles foram aconselhados pelo produtor (depois consagrado por seus trabalhos com Earth, Wind & Fire, Céline Dion e Michael Bublé, entre outros) a encarar o desafio da autoprodução. E os caras resolveram tentar, para ver no que dava.

Para não darem um pulo no escuro, convidaram o britânico Neil Kernon, que tinha no currículo gravações como engenheiro de som e mixador para artistas como David Bowie, Elton John, Supertramp, Marc Bolan, Neil Sedaka, The Mahavishnu Orchestra e Yes, para ser o seu braço direito na realização do álbum Voices (1980). E deu super certo!

Voices atingiu o 17º lugar na parada americana, seu melhor resultado com um álbum até aquele momento, e de quebra lhes proporcionou o seu segundo single no nº 1 nos EUA, Kiss On My List. Essa faixa chegou ao topo da parada ianque em junho de 1981, exatamente quando Hall & Oates estavam em meio às gravações do sucessor de Voices.

Com Kernon promovido à condição de coprodutor, eles também centraram esforços no sentido de contar com músicos que integravam a sua banda de apoio nas gravações, entre os quais o guitarrista G.E. Smith e o saxofonista Charlie De Chant, atitude que lhes ajudou a criar um som realmente de banda, muito mais coeso e com assinatura própria.

O estouro de Kiss On My List durante as gravações gerou consequências. Deve ter ficado claro para o duo que eles precisariam ter outra música nesta mesma direção no novo trabalho. E, desta forma, surgiu Private Eyes, que não existia quando o repertório inicial foi selecionado. E aí, vale destacar duas importantes auxiliares no trabalho da dupla.

Sara Allen, namorada durante mais de 20 anos de Daryl Hall e a musa inspiradora do maravilhoso hit Sara Smile (de 1975), não demorou a se tornar uma parceira constante nas composições da dupla, ajudando nas letras. E, junto com ela, trouxe a irmã, a também compositora Janna (1957-1993), que passou a colaborar em termos musicais. E foi exatamente ela quem trouxe o material que gerou essa nova canção.

Segundo depoimento de Hall no livreto da caixa Do What You Want Be What You Are (2009), tal música foi praticamente feita por completo por Janna, sendo que ele, Sara e Warren Pash deram os retoques finais. E que golaço! Private Eyes não só ficou com a mesma vibração e linha musical de Kiss On My List (e sem soar como mera cópia) como foi ainda melhor.

Essa música virou a faixa-título do álbum, que naquela altura do campeonato estava cotado para levar o nome de outra faixa bacana, Head Above Water. Mais: no formato single, deu à dupla a sua 3ª canção nº 1 nos EUA, liderando os charts de lá durante duas semanas no mês de novembro de 1981, divulgada por um clipe simples e divertido no qual a dupla e seus músicos usam sobretudos típicos de detetives particulares (veja o clipe aqui).

Curiosamente, o outro grande hit deste álbum, I Can’t Go For That (No Can Do), também surgiu de forma inesperada. Após uma longa sessão de gravações, com os músicos já devidamente dispensados, Daryl ficou brincando com uma nova bateria eletrônica que havia adquirido há pouco, a Roland CompuRhythm. Ao curtir uma determinada levada rítmica, começou a fazer uns riffs com um teclado. E gostou do que ouviu.

Ele teve duas reações imediatas. Uma foi pedir para Neil Kernon se preparar para gravar o que ele estava fazendo, e outra foi chamar correndo John Oates, que já estava colocando a guitarra no estojo, para lhe dar uma força. E foi dessa forma que saiu a gravação dessa música, que depois ganhou um marcante e icônico solo de sax de Charlie De Chant.

Com sua batida hipnótica e sonoridade minimalista e inovadora, I Can’t Go For That (No Can Do) (veja o clipe aqui) se tornou o 4º single nº1 da dupla, atingindo essa posição em 30 de janeiro de 1982. Curiosamente, essa música conseguiu tirar do topo dos charts americanos Physical, o mega-hit de Olivia Newton-John, que se manteve por 10 semanas consecutivas nessa posição, cujo posto por sua vez tomou justamente de Private Eyes!

Private Eyes, gerou mais dois hit singles. O pop rock no melhor estilo new wave Did It in a Minute atingiu a posição de nº9 nos charts americanos em maio de 1982, enquanto o delicioso rock balançado Your Imagination, com outra participação matadora de Charlie De Chant no sax, chegou ao 33º lugar em agosto daquele mesmo ano. Mas o álbum também tem coisas ótimas entre as músicas restantes.

Em todo álbum da dupla, John Oates sempre ficava com uma ou duas músicas nas quais era o vocalista principal. Neste aqui, tivemos duas bem legais. Mano a Mano, com uma letra que prega o companheirismo e a solidariedade entre as pessoas, é um rock com levada meio latina que não faria feio em um disco de Carlos Santana. Já Friday Let Me Down segue a linha new wave, com pique bem rapidinho e dançante.

Uma das grandes e assumidas influências de Daryl Hall foram os Temptations. Tanto que o primeiro grupo dele se chamava The Temptones, e inclusive chegaram a abrir shows para eles. Como forma de homenageá-los, ele escreveu Looking For a Good Sign, encantadora canção no melhor estilo Motown dos anos 1960, e que no encarte do álbum é dedicada aos cinco integrantes da formação clássica daquele grupo.

Head Above Water perdeu a honra de ser a faixa-título do álbum e nem single virou, mas é um rockão energético dos melhores. Uma curiosidade: quando se imaginava a capa do álbum com essa música como título, surgiu a sugestão de se escrever Head Above H20. E o LP seguinte de Daryl Hall & John Oates foi intitulado…. H20 (1982)!

Com batida midtempo e belas intervenções de guitarra de G.E. Smith, Unguarded Minute foi o lado B do compacto I Can’t Go For That (No Can Do), e soa como uma espécie de hit que não foi, de tão boa. Tell Me What You Want também segue a levada new wave, enquanto Some Man encerra o álbum com uma sonoridade pop mais experimental e das mais interessantes.

Este álbum atingiu o maior posto de um LP/CD na carreira da banda nos EUA, o 5º lugar, conquistando o 8º posto no Reino Unido. Private Eyes é a prova cabal de como é possível fazer um trabalho ao mesmo tempo criativo, com assinatura própria e também capaz de vender milhões de discos. Eis a magia no trabalho de Hall & Oates, que sempre trabalharam duro e conseguiram realizar os seus objetivos.

Ficha técnica do álbum Private Eyes:

Lançado em 1º de setembro de 1981 pela RCA.

Produzido por Daryl Hall & John Oates, coprodução de Neil Kernon

Músicos participantes:

Daryl Hall (vocal, teclados, sintetizadores, guitarra, mandar, mandola, mandocella, timbales e cumpurythm; John Oates (vocal, guitarra, mandar, teclados); G.E. Smith (guitarra solo e solos de vandaloo); Jerry Marotta (bateria); John Siegler (baixo); Charlie De Chant (sax); Larry Fast (sintetizadores, programações eletrônicas); Mickey Curry (bateria nas faixas 1,2,4 e 6); Chuck Burgi (bateria na faixa 10); Jeff Southworth (solo de guitarra na faixa 9); Ray Gomez (solo de guitarra na faixa 3); Jimmy Maelen (percussão); John Jarrett (vocais de apoio na faixa 4).

Faixas:

1- Private Eyes (Sara Allen- Janna Allen- Daryl Hall- Warren Pash)

2- Looking For a Good Sign (Daryl Hall)

3- I Can’t Go For That (No Can Do) (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

4- Mano a Mano (John Oates)

5- Did It In a Minute (Daryl Hall- Janna Allen- Sara Allen)

6- Head Above Water (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

7- Tell Me What You Want (Daryl Hall- Sara Allen)

8- Friday Let Me Down (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

9- Unguarded Minute (Daryl Hall- John Oates- Sara Allen)

10- Your Imagination (Daryl Hall)

11- Some Man (Daryl Hall)

Private Eyes- ouça em streaming o álbum completo:

Daryl Hall celebra 75 anos como um dos grandes nomes do pop

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Por Fabian Chacur

Se há uma coisa que me irrita profundamente, como bom libriano que sou, é injustiça. E se há um cara injustiçado no meio da música pop e do rock, ele atende pelo nome de Daryl Hall. Esse cantor, compositor e músico americano (também libriano, por sinal) que, nesta segunda-feira (11) celebra 75 anos de vida, é um dos sujeitos mais talentosos e criativos da cena pop mundial há cinco décadas. E poucos cri-críticos celebram essa obra incrível. Aqui em Mondo Pop, faço isso o tempo todo (leia mais matérias sobre ele aqui).

E qual seria a razão para que não se dê o devido valor ao integrante de uma das duplas mais bem-sucedidas em termos comerciais e artísticos da música pop, Daryl Hall & John Oates? Uma delas é possivelmente esse fator, a popularidade que ele e seu parceiro conquistaram desde que lançaram seu álbum de estreia, Whole Oates (1972). Eles lutaram muito para chegar onde chegaram, e conquistaram esse fã-clube imenso com garra, persistência e criatividade.

A química entre Hall, um fanático por soul music, e Oates, adepto do som folk, mostrou-se simplesmente imbatível. Ao misturar soul, folk, rock e pop com muita habilidade, eles nos proporcionaram maravilhas do porte de Rich Girl, She’s Gone, Kiss On My List, Private Eyes, I Can’t Go For That (No Can Do), Out Of Touch, One On One e dezenas de outras, pérolas pop escritas e gravadas com muita personalidade e jogo de cintura.

Daryl Hall tem uma das vozes mais belas e facilmente reconhecíveis da música, com forte influência soul e sendo muito respeitado nessa área, algo que não muitos intérpretes brancos conseguem. Além disso, ele e seu parceiro de meio século possuem forte presença de palco, cativando plateias nos quatro cantos do mundo com seus shows diretos e repletos de musicalidade e carisma.

Além da trajetória com a dupla, Hall também possui uma carreira-solo das mais respeitáveis, que inclui discos bacanas como o experimental Sacred Songs (1980), produzido por Robert Fripp (do grupo King Crimson). Ele também é o apresentador do programa Live From Daryl’s House, que o reuniu a grandes nomes da música de várias eras, sempre em apresentações ao vivo repletas de energia e muito alto astral.

A carreira de Daryl Hall é uma prova cabal de que, sim, é possível fazer música acessível e com forte potencial comercial sem cair na vala comum das repetições e modismos banais. Em seus melhores momentos, ele, com ou sem John Oates, consegue nos oferecer aquele prazer auditivo que só os craques da música tem o dom de nos proporcionar.

Private Eyes (clipe)- Daryl Hall & John Oates:

Daryl Hall & John Oates: sucesso comercial e qualidade artística

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Por Fabian Chacur

Parece mentira, mas 46 anos após lançarem seu primeiro álbum, Whole Oats (1972), e posteriormente conquistarem as paradas de sucesso de todo o planeta, enfim Daryl Hall & John Oates virão ao Brasil pela primeira vez. Antes tarde do que nunca, já dizia aquela célebre frase. Até o momento, apenas uma apresentação está confirmada, e será em São Paulo, no dia 11 de junho (terça-feira) às 21h30 no Espaço das Américas (rua Tagipuru, nª 795- Barra Funda- fone 0xx11-3829-4899), com ingressos de R$ 115,00 a R$ 420,00. Uma dupla que merecia muito mais reconhecimento por parte da crítica especializada.

Sim, eles não são mais moleques- Daryl tem 72 anos, enquanto John ostenta 70. No entanto, permanecem na ativa, fazendo turnês e trabalhando bastante. Sua original mistura de soul, rock e pop soa mais cativante e original do que nunca, fórmula própria que lhes rendeu mais de 40 milhões de cópias vendidas e o título de dupla mais bem-sucedida em termos comerciais da história da música pop, superando até mesmo Simon & Garfunkel, Tears For Fears e The Everly Brothers, só para citar outros concorrentes de peso.

Já escrevi bastante em Mondo Pop sobre esses caras, por gostar muito do trabalho da dupla e também achar uma tremenda injustiça a forma como seu trabalho é ignorado pelos “çábios” da crítica especializada nacional e internacional. O que eles fazem é algo extremamente difícil de se fazer, que é música com alma, qualidade artística e forte apelo comercial, tudo junto e misturado. I Can’t Go For That (No Can Do), Out Of Touch, Kiss On My List, Private Eyes, One on One, é muita música boa junta. Garantia de shows efervescentes!

Para quem desejar ler mais sobre o trabalho deles, com direito a muitos detalhes, resenhas, links para canções etc, é só entrar aqui e se divertir.

Veja o clipe de I Can’t Go For That (No Can Do):

Daryl Hall & John Oates em show quase acústico

Por Fabian Chacur

A única coisa mentirosa deste Live At The Troubadour é o subtítulo, unplugged (acústico). Não se trata de uma gravação totalmente acústica. Embora os violões fiquem à frente, temos também teclados e baixo elétricos.

De resto, o novo lançamento da dupla Daryl Hall & John Oates que chega às lojas nacionais pelo selo Coqueiro Verde é uma verdadeira maravilha. Pena que inclua um dos últimos registros do genial baixista e arranjador T-Bone Wolk, cuja morte eu noticiei em post anterior aqui em Mondo Pop.

Gravado em 2008, trata-se de um registro histórico da volta da dupla ao primeiro lugar no qual eles se apresentaram na cidade de Los Angeles, no distante 1973. Esse mesmo lugar, por sinal, marcou a estreia de Elton John em solo americano.

O DVD inclui 19 músicas, enquanto o CD ficou com 13 (enfatizando os maiores sucessos e deixando de lado músicas menos conhecidas). Os novos arranjos das músicas da dupla são no mínimo interessantes.

Algumas canções se encaixaram feito luva no formato violões à frente, como Everything Your Heart Desires e Sara Smile. A maravilhosa When The Morning Comes, então (do primeiro CD deles, Whole Oats), foi feita para esse estilo de arranjo.

Da ala menos conhecida, mas não menos legal, temos também canções como It’s Uncanny e Abandoned Luncheonette, e até mesmo uma da carreira solo de Daryl Hall, Cab Driver.

Do caminhão de hits gravados por eles em seus quase 40 anos de estrada, temos também One On One, Say It Isn’t So, Private Eyes, Kiss On My List e Rich Girl, entre outras.

A voz de Daryl Hall continua quente e negroide, acompanhada com habilidade pela de John Oates, que dá um banho no violão. A banda é afiadíssima, com direito até ao saxofonista que gravou os solos nos maiores hits da dupla, o mítico Charlie De Chant

O clima intimista do Troubadour ajuda a criar uma interação forte entre a dupla e a plateia, o que tornou o registro em CD e DVD ainda melhor. Recomendo com entusiasmo, ainda mais pelo preço do exemplar brasileiro de CD e DVD estar sendo vendido a preço bem acessível, em torno de R$ 15 (CD) e R$ 25 (DVD).

Mais um pouco de Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

Já que ninguém escreve muita coisa sobre Daryl Hall & John Oates aqui no Brasil, vou aproveitar o gancho do lançamento da caixa Do What You Want Be What You Are- The Music Of Daryl Hall & John Oates que eu resenhei no post anterior e esticar a conversa em pequenos tópicos.

A Voz de Daryl Hall– Este cantor, compositor e músico americano é o típico caso de branco com alma negra. Sua voz é forte, intensa e sabe ir da potência à sutileza em questão de segundos. Pouca gente canta tão bem no universo da música pop como ele.

A importância de John Oates-1 – Em duplas de sucesso, sempre existe o mito de que “um carrega o outro nas costas”. Conversa mole. A carreira solo de Hall é bacana, mas não se compara ao que ele fez com Oates. Prova simples de que o trabalho em dupla é de fato onde ele rende melhor.

A importância de John Oates-2– O ex-bigodudo compõe bem, toca uma guitarra respeitável, sabe cantar (embora não tão bem como o parceiro) e consegue ser a combinação perfeita para a voz de Daryl Hall. Ou seja, os caras se completam musicalmente de forma perfeita.

Bandas sempre ótimas– Hall & Oates sempre tocaram com músicos fantásticos. Destaco alguns deles: G. E. Smith (guitarra), Charles DeChant (sax, teclados), Kenny Passarelli (baixo), Caleb Quaye (guitarra), T-Bone Wolk (baixo), Mickey Curry (bateria), Jerry Marotta (bateria) e Larry Fast (sintetizadores). Nunca os vi tocando com bandas toscas. Nunca.

Everytime You Go Away-1 –A música é de autoria de Daryl Hall e foi gravada originalmente pela dupla no CD Voices, o mesmo que inclui Kiss On My List. Na época, passou meio batida, fazendo sucesso só no Japão. Em 1985, o britânico Paul Young fez uma bela regravação da canção e estourou em todo o planeta com ela. Aliás, não confundir este Paul Young com o que integrou o Mike & The Mechanics de Mike Rutherford (do Genesis) e o grupo Sad Cafe. E que, infelizmente, já foi dessa para a melhor.

Everytime You Go Away-2– A dupla deve ter se sentido desafiada pelo novato e resolveu fazer uma releitura à altura da dele. Conseguiram no sublime álbum ao vivo Live At The Apollo With David Ruffin & Eddie Kendrick (1985) no qual Daryl Hall dá à canção a interpretação que ela merecia e que na versão de estúdio deles não ficou tão ótima.

Marigold Sky (1997)– Este álbum, inexplicavelmente ignorado na caixa, marcou a volta da dupla após sete anos sem gravar, e é bem bacana, um de seus melhores trabalhos. Acredite se quiser: a versão nacional deste CD inclui três faixas-bônus em relação ao americano! Mas não se anime, pois está fora de catálogo há séculos. A faixa-título, Romeo Is Bleeding, The Sky Is Falling, Out Of The Blue e Time Won’t Pass Me By são os destaques.

Daryl Hall flertou com a vanguarda– No final dos anos 70, Daryl Hall fez trabalhos ao lado de Robert Fripp, guitarrista da banda King Crimson e um rei da experimentação no rock. Ele produziu Sacred Song, primeiro disco solo de Hall, enquanto o cantor marcou presença em Exposure, de Fripp. Ambos foram gravados em 1979.

Livetime– Inédito em CD, Livetime é o primeiro disco ao vivo de Daryl Hall & John Oates. Excelente, ele traz pelo menos dois momentos antológicos: uma inspiradíssima versão ao vivo de Sara Smile, com oito minutos de duração, e uma releitura ainda mais acelerada do rockão Room To Breathe, o que de mais rocker eles já gravaram na carreira.

Extended Versions- The Encore Collection (2004)- Esta coletânea de embalagem simples e nenhuma informação na capa é na verdade um tesouro, pois reúne 10 faixas extraídas dos ao vivo Livetime e Live At The Apollo, ambos raridades até em vinil. As faixas que citei acima estão presentes na mesma, que vale cada centavo que você pagar nela. Quem lançou foi a BMG no exterior. Não saiu por aqui.

Um mergulho no som de Daryl Hall & John Oates

Por Fabian Chacur

Pouca gente consegue se manter por muito tempo com sucesso no meio musical. Fazendo trabalhos relevantes e em boa forma, então, chega a ser quase impossível, tantos são os obstáculos a serem vencidos para tal.

Daryl Hall & John Oates fazem parte desse restrito time que superou todas as encrencas e dificuldades em mais de 40 anos de estrada, conseguindo se consolidar como a dupla mais bem-sucedida em termos comerciais de todos os tempos.

Como forma de comemorar trajetória tão bem-sucedida em termos artísticos e comerciais, saiu no finalzinho de 2009 a caixa Do What You Want Be What You Are – The Music Of Daryl Hall & John Oates (selo Legacy).

São quatro CDs com 74 faixas. Dezesseis delas são inéditas, sendo quatro canções de estúdio nunca antes lançadas e 12 versões ao vivo de músicas de seu repertório de shows. Todos os sucessos estão aqui.

A viagem ao universo musical de Hall & Oates é bem abrangente, começando com duas faixas dos The Temptones, primeiro grupo de Hall, e uma do The Masters, que marcou a estreia do parceiro cuja antiga marca era um bigode hoje posto de lado.

Essas primeiras gravações mostram músicos talentosos mas ainda iniciantes, com fortes influências de doo-wop e Motown e dispostos a criar uma sonoridade própria.

Oriundos da Filadélfia, ele viram nascer o império de Kenny Gamble e Leon Huff, e também foram influenciados pelo som deles. Foram amigos durante alguns anos, até resolverem encarar juntos a carreira profissional.

A dupla se iniciou de fato em 1972, com o lançamento de seu primeiro álbum, Whole Oats.

A partir daí, eles foram criando uma sonoridade própria, que mistura soul, funk, rock, pop e folk, sempre com criatividade.

Todas as 22 canções que alcançaram o Top 20 americano estão aqui, assim como faixas importantes dos álbuns, releituras ao vivo importantes de canções desses mesmos álbuns e covers bacanas.

Ouvir os quatro CDs de uma vez só deixará o ouvinte surpreso. Como eles conseguiram gravar tantas coisas legais e diferentes entre si, nesses anos todos? Eles nunca se acomodaram em uma só direção.

Compare a balada folk Lilly (Are You Happy), a canção pop balançada a la Elton John Fall In Philadelphia, a balada soul Sara’s Smile, a popíssima e alto astral Rich Girl, a sacudida Private Eyes e o rockão Head Above Water, por exemplo.

São canções bem diferentes entre si, mas todas tem uma assinatura própria, que fica por conta dos vocais marcantes de Daryl e John, do requinte dos ótimos músicos que sempre os acompanharam, e da falta de medo de errar.

E esta compilação tem muito mais. Tipo I Can’t Go For That (No Can Do), que eu ouso definir como a melhor música pop  gravada nos anos 80, com seu minimalismo e balanço irresistível.

Out Of Touch, She’s Gone, Maneater, Head Above Water, Everything Your Heart Desires, One On One, Wait For Me, Do It For Love, How Does It Feel To Be Back…. É muita música boa junta!

E agora irei chocar alguns: acreditem, faltaram muitas músicas legais! Natural, para quem lançou mais de 20 álbuns, entre trabalhos de estúdio, ao vivo etc.  Mas esta caixa é uma amostra de luxo dessa obra tão boa.

A caixa, cuja embalagem é bem bacana, traz um livreto repleto de fotos e informações detalhadas sobre cada faixa.

Todas as gravações inéditas são boas, ou seja, o colecionador ficará satisfeito, mesmo tendo bastante material repetido.E quem não tem nada dos caras certamente tem tudo para ficar viciado.

Únicas queixas: poderiam ter sido colocados mais faixas dos discos ao vivo oficiais, e não entendo porque nada do ótimo Marigold Sky, de 1997, entrou aqui. De resto, nota dez, cem mil!

Do What You Want Be What You Are é o melhor presente que dei a mim mesmo em anos, e isso não é pouco para quem é tão fanático por boa música como eu. Aliás, a música que dá título à compilação é uma balada blues sensacional… E chega, senão, eu não paro mais de escrever!

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