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Os Incríveis mostram seus hits em show no Teatro Eva Wilma (SP)

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Por Fabian Chacur

O meio artístico foi um dos mais prejudicados pela pandemia do novo coronavírus, especialmente pela paralisação dos shows presenciais. Embora ainda em meio a muitas dúvidas e insegurança por parte de público e autoridades sanitárias, aos poucos vemos tímidas tentativas de retomada no setor. Uma delas ocorre no dia 7 de agosto (sábado) às 22h em São Paulo e terá como protagonista o grupo Os Incríveis. O local será o Teatro Eva Wilma (rua Antonio de Lucena, nº 146- Tatuapé- whatsApp (0xx11)93238-6758), com ingressos a R$ 60,00 (meia) e R$ 120,00 (meia).

A produção do evento promete seguir todos os protocolos sanitários exigidos, como a exigência do uso de máscaras por todos, a medição de temperatura antes da entrada no teatro e também a disponibilização do álcool em gel. Os ingressos só serão vendidos online, e não ocorrerá o tradicional encontro entre o grupo e os fãs após o final da apresentação, que deve durar em torno de 1h30.

A cautela se faz necessária, como bem sabe o único integrante da formação original da banda, o baterista Netinho, que nos últimos anos tem a seu lado o filho Sandro Haick (guitarra), Leandro Weingaertner (baixo e vocal) e Rubinho Ribeiro (guitarra e vocal). Em depoimento enviado à imprensa, ele comenta sobre o fato de ter contraído essa terrível doença: “Não só é muito emocionante voltar aos palcos após esse ano e meio de confinamento, mas principalmente pela grande benção recebida de Deus por ter me recuperado totalmente do grave quadro de Covid que passei em julho do ano passado”.

Na estrada desde a década de 1960, Os Incríveis se consagraram perante o grande público graças ao talento de seus músicos e da versatilidade musical, tendo sempre o rock como a base de tudo. No repertório deste show, eles farão uma viagem por esses anos todos, com direito a hits como Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones, O Vendedor de Bananas, O Milionário e Marcas do Que Se Foi, entre outros.

Vendedor de Bananas (ao vivo)- Os Incríveis:

Roberto Carlos: 80 anos e muito mais do que um milhão de amigos

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Por Fabian Chacur

Em 1974, em seu delicioso hit Eu Quero Apenas, Roberto Carlos nos disse que “eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”. Como dizem por aí, cuidado com o que você deseja. Pois o artista, que completa nesta segunda (19) 80 anos de idade, possui muito, mas muito mais do que isso. Fãs incondicionais que se consideram seus amigos, e que certamente desejam tudo de bom e um pouco mais para o seu Rei. E alguém em sã consciência é capaz de dizer que ele não merece tanta idolatria?

Como jornalista especializado em música, tive a oportunidade de participar de três entrevista coletivas com o cantor, compositor e músico natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES), todas realizadas na cidade de São Paulo: em 1988, no hotel Maksoud Plaza e em 1995 e 1996 no hotel Transamérica. Nas três, ficou claro para mim algumas de suas marcas: a simpatia, o imenso carisma e a forma sempre conciliadora de responder mesmo as perguntas mais ácidas.

Em uma delas (se não me falha a memória, na de 1988), questionei-o sobre o porque seu álbum de estreia, Louco Por Você (1961), nunca foi relançado oficialmente, e se isso ocorria devido ao seu veto. Ele, cheio de sorrisos e de dedos, disse que um dia a gravadora faria esse relançamento, e que ele não tinha impedido nada. No entanto, o disco completará 60 anos neste 2021, e continua disponível só em versões piratas, uma delas no formato CD repleta de faixas-bônus lançadas no início de sua carreira.

E já que o tema é efemérides, temos algumas bacanas em 2021, além dos 80 anos de idade e 60 anos do lançamento do álbum de estreia. Roberto Carlos (1971) considerado por muitos o seu melhor álbum e aquele que inclui sua canção mais citada, a maravilhosa Detalhes, celebrará 50 aninhos, enquanto Acústico MTV festeja 20 primaveras sem nunca ter sido exibido na emissora musical.

Poucos artistas conseguem chegar a uma idade como essa ainda relevante e cultuado por milhões de pessoas, ainda mais no Brasil, e o autor de Amada Amante e tantos outros sucessos pode se gabar dessa façanha. Se não lança mais discos com canções inéditas como fazia até meados dos anos 1990, mantém-se gravando projetos especiais (geralmente gravados ao vivo) e fazendo shows sempre lotados, alguns deles até em cruzeiros marítimos.

Há quem tente condená-lo por sua postura conservadora e as poucas opiniões sobre política. Ele só apoiou explicitamente uma candidatura, a de Antonio Ermírio de Moraes ao governo de São Paulo em 1986, embora já tenha dito, em uma entrevista ao extinto jornal O Pasquim, ser de direita. Também se mostrou irritado com a exibição no Brasil de filmes como Je Vous Salue Marie (1985), de Jean-Luc Goddard e A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, ambos com abordagens polêmicas sobre temas caros aos católicos.

Como ele nunca foi agressivo nesses posicionamentos e não está escrito em nenhuma lei que um artista seja obrigado a ter posições políticas públicas e a defendê-las, vale deixar essa sua faceta de lado. Mas dá para se lamentar sua luta contra o excelente livro Roberto Carlos em Detalhes (2006), de Paulo César de Araújo, com direito à destruição de inúmeros exemplares. Enfim. ninguém é perfeito, e é melhor falar de música.

Nesses mais de 60 anos de música, Roberto enveredou por vários estilos. Do flerte inicial com a bossa nova, mergulhou no rock and roll, que lhe valeu a Jovem Guarda e a primeira fase de grande sucesso, com direito a programa na TV ao lado do parceiro Erasmo Carlos e de Wanderléa. Mesmo nessa época, já mostrava a versatilidade, cantando baladas, música latina, valsa e até charleston ou coisa que o valha.

No fim dos anos 1960, investiu com categoria na soul music e aos poucos foi se tornando mais romântico ainda e mais pop, consolidando sua popularidade de uma vez por todas durante a década de 1970, com álbuns sempre esperados com avidez pelo grande público que emplacavam uma quantidade incrível de hits.

Os sucessos se mantiveram firmes e fortes durante a década de 1980, embora a crítica especializada adorasse detonar cada um desses álbuns. Mas, em sã consciência, dá para dizer que músicas como Fera Ferida, Emoções, Meus Amores da Televisão, Amazônia e Amor Perfeito, alguns dos grandes hits dessa era do Rei, são de fato músicas ruins?

Certa vez, um crítico disse que Roberto Carlos é o mais popular que um fã de música sofisticada consegue ouvir e o mais sofisticado que um fã de música brega consegue chegar. É uma opinião contra a qual podemos até por alguns reparos, mas que faz todo o sentido do mundo. Difícil encontrar alguém que não goste de rigorosamente nada do repertório de Roberto Carlos.

E tem duas vertentes marcantes da sua obra. A ecológica, quando poucos tocavam nesse tema no Brasil, que gerou O Progresso, O Ano Passado, As Baleias e tantas outras, e a de cunho religiosa, que gerou Jesus Cristo, Nossa Senhora e diversas outras. Lógico que também temos as canções temáticas femininas do tipo Coisa Bonita, Mulher Pequena e Mulher de Quarenta, ou a do caminnhoneiro, a do taxista etc. Mas até essas são bem divertidas.

Das composições da dupla Roberto e Erasmo até as canções de outros autores muito bem escolhidas, Roberto Carlos Braga nos proporcionou um verdadeiro tsunami de músicas boas de se ouvir. Sempre bom cantor, ele conseguiu não perder a voz nessas décadas todas, agora se valendo de interpretações mais doces e contidas que tem tudo a ver com sua paixão pela bossa nova, e que culminou com o belo álbum que gravou em parceria com Caetano Veloso em 2008 só com músicas do repertório do grande Tom Jobim, Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim.

É Proibido Fumar, Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, Rosita, Noite de Terror, Por Isso Estou Aqui, Não Vou Ficar, Todos Estão Surdos, Além do Horizonte, Amor Sem Limites… Acho que ficaria horas citando músicas do repertório do Rei de que gosto, e isso mostra o tamanho da obra desse cara. Parabéns pelos 80 anos, de um de seus milhões de amigos!

Amada Amante– Roberto Carlos:

Vanusa, 73 anos, a cantora talentosa de personalidade forte

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Por Fabian Chacur

No início dos anos 2000, estava em uma loja de CDs e vi, em um balcão de ofertas, a coletânea Grandes Sucessos, de Vanusa, lançada em 1998 pela gravadora BMG. Quando peguei o disco em minhas mãos e conferi o repertório, lembrei-me de que não tinha um único álbum dela em minha coleção, mesmo amando a sua voz. Nem é preciso dizer que comprei rapidamente esta compilação. Acho que isso ilustra como as polêmicas em torno dela ofuscaram o que ela teve de maior, que era o talento como cantora e compositora. Ela infelizmente nos deixou neste domingo (8), aos 73 anos.

Vanusa Flores Santos nasceu em Cruzeiro (SP) em 22 de setembro de 1947, e foi criada em Uberaba (MG). Sua carreira como cantora teve início com o apoio de Eduardo Araújo e Carlos Imperial, não por acaso os autores do primeiro sucesso da moça, a deliciosa Pra Nunca Mais Chorar, lançada em 1967, nos estertores da Jovem Guarda. Embora tenha tido outros hits pouco depois, o melhor mesmo viria nos anos 1970.

O auge de Vanusa teve o pontapé inicial em 1973 com o sucesso da maravilhosa Manhãs de Setembro, composição dela em parceria com o músico e produtor musical Mario Campanha, o eterno produtor das Irmãs Galvão. Em 1975, fez a gravação definitiva de Paralelas, de Belchior, estouro ao ser incluída na trilha sonora da novela global Duas Vidas.

Com uma voz potente e muito bem colocada, ela logo emplacou outras canções nas paradas de sucesso, como Amigos Novos e Antigos (João Bosco e Aldir Blanc, da trilha de Anjo Mau) e Estado de Fotografia (Malim e Sérgio Sá, da trilha de O Astro), além de uma gravação irresistível de Congênito, de Luiz Melodia. Ela até estrelou uma novela, Cinderela 77, tendo Ronnie Von como o seu par romântico.

Mulher de personalidade forte e de opiniões diretas e sem rodeios, Vanusa foi casada com dois nomes importantes da cena cultural brasileira, o cantor e compositor Antônio Marcos, nos anos 1970, e o diretor e ator Augusto César Vannucci. Curiosamente, ambos morreram no mesmo ano, 1992, e ela nos deixa no exato dia em que seria comemorado o 75º aniversário de Antônio Marcos. E Vanucci nos deixou também no mês de novembro, no dia 30.

A partir dos anos 1980, a artista infelizmente deu uma bela sumida das paradas de sucesso, voltando à mídia apenas por entrevistas apimentadas e problemas particulares. A coisa piorou muito a partir de 2009, quando ela se enrolou toda ao interpretar o Hino Nacional Brasileiro durante uma cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em plena era da internet, o vídeo com o registro desse momento triste viralizou, e as pessoas e a imprensa exploraram esse momento infeliz da cantora de forma cruel.

A única notícia positiva e ligada à música nesses últimos 11 anos ocorreu em 2015, quando a cantora, com o apoio de Zeca Baleiro, lançou o que viria a ser seu último álbum de estúdio, Vanusa Flores Santos. Nos últimos dois anos, Vanusa morou em uma casa de repouso em Santos, e foi vítima de problemas respiratórios. Ela deixa os filhos Amanda, Aretha e Rafael.

Paralelas- Vanusa:

Renato Barros, grande guitarrista compositor e autor de versões

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Por Fabian Chacur

Renato Barros prestou grandes serviços ao rock brasileiro. Guitarrista, compositor, autor de versões, vocalista, esse artista carioca foi um dos nomes mais produtivos e importantes para a consolidação desse estilo musical no Brasil, especialmente nos anos da Jovem Guarda. Ele infelizmente nos deixou nesta terça-feira (28) aos 76 anos de idade. Ele estava internado desde o dia 17 na UTI do Hospital das Clínicas no bairro carioca de Jacarepaguá, onde teve de ser operado do coração, e problemas pulmonares o vitimaram.

Nascido no Rio de Janeiro no dia 27 de setembro de 1943, Renato criou um grupo musical com os irmãos Ed Wilson e Paulo Cesar Barros em 1959, inicialmente com o nome Os Bacaninhas do Rock da Piedade, em homenagem ao bairro no qual moravam. Algum tempo depois, foram batizados como Renato e Seus Blue Caps, inspirados na banda que acompanhava um dos grandes astros da era inicial do rock, Gene Vincent, do hit Be Bop a Lula.

Ed Wilson saiu da banda logo em sua fase inicial para investir em uma carreira-solo. Em 1963, o autointitulado segundo álbum da banda trazia como vocalista e guitarrista-base ninguém menos do que o então ainda desconhecido Erasmo Carlos, que logo saiu fora. As coisas começaram a andar para a banda quando assinaram com a gravadora CBS. Lá, não só participaram de discos de artistas como Roberto Carlos como passaram a lançar seus próprios trabalhos.

Uma das marcas registradas do grupo carioca foi o fato de gravarem inúmeras versões de músicas dos Beatles, então invadindo as paradas de sucesso de todo o mundo. Algumas delas fizeram mais sucesso no Brasil com eles do que com os Fab Four, entre as quais Menina Linda (I Should Have Known Better) e Feche os Olhos (All My Loving), estas com letras em português de autoria de Renato. Lilian Knapp e Rossini Pinto assinaram outras versões gravadas pela banda.

Um dos grandes méritos de Renato e Seus Blue Caps era a qualidade técnica de suas gravações, podendo ser considerados um dos primeiros grupos de rock no Brasil a conseguir um som à altura dos americanos e ingleses, e a guitarra personalizada de Renato era marcante nesse coquetel sonoro.

O talento de Renato Barros como compositor também era dos melhores. Roberto Carlos gravou composições dele como Você Não Serve Pra Mim, O Feio (em parceria com Getúlio Côrtes), Não Há Dinheiro Que Pague, Maior Que o Meu Amor e Você Não Sabe o Que Vai Perder.

Em parceria com a amiga Lilian Knapp, ele escreveu Devolva-me, grande sucesso nos anos 1960 com Leno & Lilian e, décadas depois, na inspirada releitura de Adriana Calcanhoto. Outros artistas que gravaram composições de Renato foram Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Wanderléa e Erasmo Carlos.

Os discos de Renato e Seus Blue Caps marcaram época e anos depois continuaram sendo valorizados entre os apreciadores de rock. Não só os brasileiros, por sinal. O jornalista, crítico e pesquisador musical Ayrton Mugnaini Jr., por exemplo, disse que vários colecionadores internacionais iam atrás desses LPs, sendo que eles definiam a banda, de forma muito feliz, por sinal, como “folk rock from Brazil”, na linha dos americanos Byrds.

Além das músicas dos Beatles, Renato e Seus Blue Caps também investiram em versões em português para hits de outros artistas, como The Mamas And The Papas (California Dreamin’Não Te Esquecerei) e Gerry And The Pacemakers (It’s Gonna Be All RightVocê Não Soube Amar). Eles também gravaram composições de um certo Raulzito, antes de ele estourar como Raul Seixas.

A partir dos anos 1970, o sucesso comercial da banda teve uma queda, embora vez por outra emplacassem hits como Será Mentira ou Será Verdade? (versão de Será Mentira O Será Verdad, de Salvador Bellone), de 1972. Renato também atuou como produtor de artistas populares do cast de sua gravadora.

Em 1981, Renato e Seus Blue Caps lançam seu último álbum de carreira pela CBS. A partir desse momento, passaram a lançar discos de forma muito mais esparsa, mas nunca saíram da estrada, fazendo shows pelos quatro cantos do país, com variáveis formações, mas sempre com o líder Renato em cena. Curiosidade: ele lançou em 1972 um disco como Richard Brown And His Orquestra, cantando hits alheios em inglês.

Até o Fim (You Won’t See Me)– Renato e Seus Blue Caps:

Luiz Ayrão revisita seus hits e clássicos alheios em São Paulo

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Por Fabian Chacur

Luiz Ayrão é um artista cujo currículo é dos mais responsáveis. Começou a ser conhecido no cenário musical como compositor, e nos anos 1970 tornou-se um dos grandes nomes da nossa música popular. Ele será a atração nesta sexta-feira (14) às 21h30 em São Paulo no Sesc Belenzinho- Comedoria (rua Padre Adelino, nª 1.000- Belenzinho- fone 0xx11-2076-9700), com ingressos de R$ 6,00 a R$ 20,00. Ele será acompanhado pela banda Catedral do Samba, composta por seis músicos.

Nascido no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1942, este cantor, compositor e músico tirou a sorte grande ao ter músicas como Nossa Canção e Ciúme de Você gravadas por ninguém menos do que Roberto Carlos, quando o Rei vivia o seu auge na era da Jovem Guarda, na segunda metade dos anos 1960. Tendo como marca o romantismo, ele passou a fazer sucesso com sua própria (e ótima, por sinal) voz nos anos 1970, graças a hits marcantes como Porta Aberta, Bola Dividida, Lencinho e Os Amantes, canções que provam ser ele um legítimo precursor do pagode romântico dos anos 1990.

No show em São Paulo, Ayrão dará uma geral em seus principais sucessos, e também abrirá espaços para composições alheias de nomes acima de quaisquer suspeitas em termos de qualidade, entre os quais Tim Maia, Ataulfo Alves, Noel Rosa e Dorival Caymmi. Entre uma canção e outra, ele, com sua simpatia e carisma, relembrará de passagens de sua extensa carreira envolvendo grandes nomes da MPB, episódios que descreveu em seu livro Meus Ídolos e Eu.

Bola Dividida– Luiz Ayrão:

Renato e Seus Blue Caps e seu repertório matador em show

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Por Fabian Chacur

Quando o assunto é folk rock brasileiro, provavelmente alguns apressados deixarão de lado Renato e Seus Blue Caps, por associa-los apenas à Jovem Guarda. No entanto, essa banda com mais de 60 anos contínuos de estrada são dos pioneiros do gênero por aqui. Eles tocam no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (23) às 21h30 no Teatro Bradesco Rio (avenida das Américas, nº 3.900- loja 160 do Shopping VillageMall- fone 0xx21-3431-0100), com ingressos de R$ 40,00 a R$ 160,00.

O grupo carioca surgiu em 1960, e ainda mantém de sua formação clássica Renato Barros (guitarra, vocal e composições) e Cid Chaves (vocal e sax). O time atual também inclui Darci Velasco (teclados, há 23 anos na banda), Amadeu Signorelli (baixo, há 21 anos na banda) e Gelsinho Moraes (bateria, o mais recente da turma). Integraram o grupo nomes como Paulo Cesar Barros, Erasmo Carlos (que gravou um álbum com eles) e Michael Sullivan, entre outros.

Estourando em plena Jovem Guarda, essa banda trouxe como marca registrada versões matadoras de músicas dos Beatles, entre as quais Menina Linda (I Should Have Known Better), Até o Fim (You Won’t See Me) e Tudo o Que Sonhei (If I Fell), entre outras, sempre com aqueles timbres de guitarra deliciosos e típicos dos primórdios do folk rock.

De quebra, Renato e Seus Bluecaps apresentavam vocalizações bem bacanas e composições de Renato Barros, que é o autor de alguns clássicos daqueles anos, entre os quais Devolva-me e A Primeira Lágrima.

Se a partir dos anos 1980 eles não mais conseguiram emplacar novos hits, continuaram na ativa, fazendo bons shows e gravando discos respeitáveis. Seus discos são procurados até no exterior, por colecionadores de rock dos anos 1960.

Um Embalo Com Renato E Seus Blue Caps-1966-álbum em streaming:

Jerry Adriani: um ser humano adorável e um grande artista

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Por Fabian Chacur

Conheci Jerry Adriani pessoalmente lá pelos idos de 1986, quando iniciava a minha carreira como jornalista e crítico especializado em música. Foi em uma entrevista coletiva na antiga gravadora Polygram (hoje, parte do conglomerado Universal Music), na qual o cantor paulistano divulgava seu então recém-lançado LP Outra Vez Coração. Tenho até foto desse encontro. Nascia ali uma grande admiração pelo ser humano por trás do artista já tão famoso naquela época.

Jerry infelizmente nos deixou neste domingo (23) às 15h30, conforme divulgação feita por seus familiares. Ele combatia um câncer e também esteve internado devido a uma trombose sofrida em uma de suas pernas. Os últimos registros fotográficos divulgados o mostravam muito abaixo do seu peso habitual, e com uma aparência abatida. Uma pena.

Após aquele primeiro contato com Jerry, tive a oportunidade de entrevista-lo em diversas outras ocasiões. Suas marcas registradas: simpático, bonachão, bem-humorado e sempre com boas histórias para contar. Nunca vou me esquecer de uma dessas ocasiões, ocorrida em um barzinho, em São Paulo, na região dos Jardins.

Já no fim do bate-papo, surgiu do nada um gato por ali. Jerry não disfarçou o seu incômodo pelo bichano estar nas cercanias de onde estávamos sentados, e deu a genial e divertida justificativa: “sabe como é, meu nome artístico é Jerry, que é um rato…”. A capacidade de soltar essas pérolas era infindável. Tive a oportunidade de entrevista-lo até no apartamento que mantinha em São Paulo, e assinei o press-release que acompanhou o álbum Rádio Rock Romance, que ele lançou em 1996.

Jair Alves de Souza, seu nome de batismo, nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, em 29 de janeiro de 1947. Seu primeiro álbum, Italianíssimo (1964), só com músicas em italiano, marcou o início de sua carreira discográfica, que renderia inúmeros fruto. Seu estouro coincidiu com o da era da Jovem Guarda, e mesclou rocks românticos, baladas e canções pop, sempre tendo sua belíssima e bem colocada voz como ponto de destaque.

No fim dos anos 1960, ele foi o responsável pela mudança de um então ainda desconhecido Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Jerry o havia conhecido em Salvador, pois havia sido acompanhado em shows por lá pelo grupo que o roqueiro mantinha na época, Raulzito e os Panteras. Raul não só produziria alguns de seus discos na gravadora CBS (hoje, Sony Music) como também comporia alguns sucessos para o cara, como Doce Doce Amor, Tudo o Que é Bom Dura Pouco e Tarde Demais.

Ao contrário de outros artistas da era da Jovem Guarda, Jerry conseguiu se manter sempre em evidência, graças ao profissionalismo, à capacidade de renovar o repertório e também ao espírito positivo. Em 1985, por exemplo, a banda Legião Urbana estourou com a música Será, e muitos comparavam a voz de seu cantor, Renato Russo, com a de Jerry. Ele curtiu a comparação, elogiou o colega e, em 1999, gravaria o álbum Forza Sempre, com releituras de músicas da Legião com a participação de músicos que haviam tocado com Renato.

Versátil, Jerry apresentou programas e trabalhou como ator em filmes, novelas e séries de TV, sempre com um desempenho elogiado. Em 1990, ele gravou um álbum incrível, Elvis Vive, interpretando versões em português para alguns dos grandes hits de Elvis Presley. Seu mais recente trabalho, Outro (2016), gravado ao vivo e feito em parceria com o Canal Brasil, mostrava o cantor investindo em um repertório mais sofisticado. Aguardem em breve resenha deste trabalho por aqui.

Georgia On My Mind (ao vivo)- Jerry Adriani:

Renato e seus Blue Caps: hits e muita nostalgia em SP e Rio

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Por Fabian Chacur

Para quem é fã das famosas “jovens tardes de domingo”, ocorridas nos mitológicos anos 1960, uma boa notícia. A banda Renato e seus Blue Caps, uma das mais significativas daquela era e ainda na ativa, fará shows nas duas maiores capitais do Brasil. No Rio, a festa de arromba é nesta quinta (16) às 21h no Teatro Bradesco Rio (av. das Américas, nº 3.900- loja 160 Shopping VillageMall), e em São Paulo, no dia 22 (quarta), às 21h, no Teatro Bradesco (rua Palestra Itália, nº 500- 3º piso). Os ingressos para ambos custam de R$ 80,00 a R$ 280,00, e o fone para informações- call center é o mesmo, 4003-1212.

O grupo carioca surgiu em 1959, fundado pelos irmãos Renato, Ed Wilson e Paulo Cesar Barros. Da fase áurea dos anos 1960, ficaram o guitarrista e cantor Renato Barros e o cantor e “mestre de cerimônias” Cid Chaves. Completam a escalação atual Darci Velasco (teclados, no time há 23 anos), Amadeu Signorelli (baixo, há 21 anos com eles) e Gelsinho Morais (bateria, o mais novo integrante do grupo).

Antes de estourar, a banda gravou um álbum no qual tinha como vocalista o então ainda desconhecido Erasmo Carlos, e também atuou como banda de apoio de Roberto Carlos na gravadora CBS. A coisa pegou no breu para eles ao participar do programa Jovem Guarda, comandado pelo Rei, Erasmo e Wanderlea, e ao gravar de forma impecável e original versões bem bacanas de músicas do grupo mais bem-sucedido daquele momento, os Beatles.

Entre outras, eles fizeram muito sucesso com Menina Linda (I Should Have Known Better), Até o Fim (You Won’t See Me), Meu Primeiro Amor (You’re Gonna Lose That Girl) e Tudo o Que Eu Sonhei (If I Fell), e também com composições próprias de Renato. Sua sonoridade na melhor linha folk rock também lhes rendeu muitos fãs no exterior, incluindo matérias em revistas estrangeiras especializadas em rock.

Seus shows são sempre um verdadeiro convite à dança, com set lists repleto de músicas dançantes e conhecidas e a simpatia e o carisma de Renato, como músico, e de Cid, que além de ótimo cantor também sabe como animar uma plateia, contando histórias e cativando com sua simpatia. Vale lembrar que outro nome conhecido integrou por algum tempo a banda nos anos 1970, o cantor e compositor Michael Sullivan, que depois estouraria com seu trabalho com Paulo Massadas.

Renato e seus Blue Caps ao vivo em 2016:

Os Incríveis celebram 50 anos de estrada gravando um DVD

Por Fabian Chacur

Os Incríveis, uma das melhores e mais importantes bandas da história do rock brasileiro, está comemorando 50 anos de carreira. Como forma de celebrar essa impecável trajetória, eles irão gravar ao vivo um DVD nesta quarta-feira (28) às 21h no Teatro Bradesco (rua Turiassu, nº 2.100- 3º piso do Bourbon Shopping- fone 4003-1212), com ingressos custando de R$ 50 a R$ 70.

Mantendo apenas o baterista Netinho de sua formação original, o grupo teve origem na banda de rock instrumental The Clevers, fez parte do programa Jovem Guarda de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa e depois teve sua própria atração de TV. Lançou até filme, Os Incríveis Nesse Mundo Louco, e marcou época no rock brasileiro por várias razões.

Entre elas, o fato de mesclar temas instrumentais com canções, algo nada comum no rock de então, possuir músicos de alto calibre técnico e versatilidade impressionante. Sua formação clássica incluiu Netinho (bateria), Manito (sax e outros instrumentos), Nenê (baixo), Mingo (vocal) e Risonho (guitarra), uma verdadeira seleção do rock and roll à brasileira.

Entre seus inúmeros sucessos, temos Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones (revivida anos depois pelos Engenheiros do Hawaii), Vendedor de Bananas, O Milionário e a célebre Eu Te Amo Meu Brasil. A escalação do time hoje inclui, além de Netinho, seu filho Sandro Haick (guitarra), Leandro Weingaertner (baixo e vocal), Wilson Teixeira (sax), Rubinho Ribeiro (vocal e guitarra) e o convidado Bruno Cardoso (teclados).

Em entrevista exclusiva concedida por e-mail a Mondo Pop, Netinho dá dicas de como será o show e o DVD e também relembra momentos decisivos na carreira dos Incríveis.

MONDO POP- Como você avalia os 50 anos de estrada dos Incríveis? Você concorda que sua banda é uma das pioneiras do que podemos chamar de “rock brasileiro”, pelo fato de sempre terem misturado o rock com elementos da música brasileira, sem copiar o que se fazia lá fora?
NETINHO– Nos anos 60, nasciam as primeiras bandas de rock com baixo e guitarra elétrica, e assim aconteceu também The Clevers, com músicos mais experientes em orquestras e conhecimento musical teórico. E assim fomos muito felizes, tudo dava certo, onde tocávamos arrasávamos, até no exterior, porque misturávamos vários estilos e inclusive humor.

Como será o repertório do show? Teremos alguma música inédita? Como rolou a seleção das músicas, e qual critério foi seguido por vocês para fazer isso?
NETINHO– O repertório foi escolhido no sentido de homenagear a história da banda, mesclando os sucessos vocais com os instrumentais de sax e guitarra e também alguns hits dos anos 60 e 70.

Uma das marcas dos Incríveis nos anos 60 e 70 era a qualidade e versatilidade de seus músicos. Vocês acham que são os responsáveis por elevar o nível técnico do nosso rock?
NETINHO– Bem, nos anos 60 existiam bandas fantásticas de jazz e MPB, e nos espelhávamos neles também. Por isso, talvez essa vantagem no rock, no qual as bandas eram mais simples e a maioria vindas das garagens.

Como será a homenagem aos ex-integrantes do grupo, especialmente àqueles que infelizmente nos deixaram?
NETINHO– Sim, no meio do show faremos uma pequena homenagem aos três integrantes que já nos deixaram, Mingo, Manito e Nenê com imagens deles e da banda num telão de Led de 11 x 3,5 mts.

Os Incríveis tiveram várias formações durante sua trajetória. Gostaria que você falasse um pouco da clássica, dos anos 60, e da atual.
NETINHO– No início The Clevers e Os Incríveis com Mingo, Manito, Neno, Risonho e Netinho. Em 65, entrou o Nenê no lugar do Neno e em 70 o Aroldo no lugar do Risonho. Mas alguns músicos participaram nas vezes em que alguém tinha que se ausentar, geralmente por doença, como foi o caso do Pique Riverti, que diversas vezes substituiu o Manito, e o Tinho no vocal e baixo em 90, quando voltamos com o Sandro na guitarra.

Com Vendedor de Bananas, vocês ajudaram na criação do que hoje é chamado de samba rock ou swing. Como surgiu a ideia de gravar essa música (do Jorge Ben), e o que você acha desse estilo musical, que tem toda uma cultura em torno dele?
NETINHO– Estávamos gravando no estúdio da RCA na rua Dona Veridiana quando apareceu o Jorge Ben. Papo vai e vem, ele resolveu mostrar uma nova música que tinha acabado de compor. Não deu outra, gostamos tanto que na mesma hora resolvemos gravar, e foi de prima.

Como é tocar ao lado do Sandro Haick, um dos melhores guitarristas brasileiros e também seu filho?
NETINHO-Meu Deus! (risos). É ao mesmo tempo simples, porque desde os 8 anos que o Sandro me acompanha nos ensaios e também no palco principalmente nos carnavais, que desde 67 eu costumava reunir músicos feras e montar uma grande banda pra tocar nas quatro noites de Carnaval de clubes. E ao mesmo tempo uma benção de Deus ter colocado o Sandro ao meu lado. Acredito que ele seja um dos principais motivos de eu continuar tocando e evoluindo.

Quando vocês pretendem lançar esse novo DVD, quem irá lançar (selo próprio, alguma gravadora etc) e como será a divulgação do mesmo (se vai rolar uma turnê, quando irá começar etc)?
NETINHO– Não sabemos ainda a data de lançamento, mas com certeza será em breve. Após o show, vamos pro estúdio refazer os erros, depois mixar, masterizar, preparar fotos e arte da capa e entregar para a gravadora Eldorado pra ser lançado. Estamos ansiosos pela qualidade que imaginamos ter, pois será o primeiro DVD da banda Os Incríveis, que é pioneira em ter seu próprio programa de TV, primeira a fazer filme longa metragem (primeiro filme brasileiro a cores filmado na Europa- Os Incríveis Neste Mundo Louco) e agora o primeiro DVD.

Uma das marcas dos Incríveis é a divisão entre músicas com vocais e músicas instrumentais. Como surgiu essa ideia, levando-se em conta que, na época (a década de 1960), geralmente os grupos iam ou por um caminho ou pelo outro, nunca juntando os dois?
NETINHO– Por termos músicos bons, optamos no início pelo instrumental e aos poucos e também por influencia da gravadora começamos a cantar. Até eu gravei cantando uma homenagem ao Jimi Hendrix, Adeus Amigo Vagabundo (que tocaremos no show).

Eu Te Amo Meu Brasil foi provavelmente o maior sucesso comercial da carreira de vocês. Analisada friamente hoje, trata-se de uma música muito boa, e gravada de forma esplêndida por vocês, mas ficou com aquela conotação de ‘apoiando a Ditadura Militar’. Como você avalia isso tudo hoje? Continuam tocando Eu Te Amo Meu Brasil nos shows? Vão regravá-la no DVD?
NETINHO– Sim, vamos regravá-la, da mesma maneira como a gravamos em 70 em homenagem à Copa. Essa foi a nossa única intenção, não tinha nada a ver com política.

De todos os discos que os Incríveis gravaram, qual é o melhor, na sua opinião, e porquê?
NETINHO– Gravamos muita coisa boa assim como também gravamos muito lixo por imposição da gravadora, mas gosto bastante do disco que tem a música Que Coisa Linda (Os Incríveis, lançado em 1969).

Netinho, você é um guerreiro, que superou muitas dificuldades para chegar onde chegou, inclusive em termos de saúde. Qual o conselho que dá a quem por ventura esteja em uma fase difícil da vida no momento?
NETINHO– Três coisas: nunca desistir, se você ama a música. Nunca pensar somente no sucesso e no dinheiro. E estudar, praticar e assistir/ouvir bons músicos.

Última pergunta: como você avalia a música brasileira no momento, e o rock brasileiro, em especial? Você gosta de algum artista atual? Quem?
NETINHO– Pergunta difícil! Acho que sempre existiu a música brega e a música ruim fazendo sucesso rápido e logo caindo, só que hoje parece que todos preferem ganhar rápido e tudo logo é descartado. A vida voa, então acontece isso que se ouve no rádio e na TV = cocô (desculpe, mas não achei palavra melhor). Foi isso que eu ouvi de um dos maiores empresários ao apresentar nosso CD autoral inédito em 2012. Ele me disse: “é muito bom, não dá para eu comprar! Faz merda que eu compro!” É de chorar, né? Como diz o Sandro; Não existe música tão ruim, existe música mal tocada.

Ouça na íntegra em streaming Os Incríveis, LP de 1970:

Vendedor de Bananas, com Os Incríveis:

Morre o genial Marcio Antonucci, dos Vips

Por Fabian Chacur

Morreu nesta segunda-feira (20) o cantor, compositor e produtor musical Márcio Antonucci, que se tornou conhecido nacionalmente como integrante da dupla Os Vips (à esquerda na foto ao lado), ao lado do irmão Ronald. Ele tinha 68 anos de idade, e foi vítima de infecção generalizada, após vários dias internado em Angra dos Reis (RJ) devido a uma pneumonia. Ele deve ser velado e enterrado no Rio nesta quarta-feira (22).

Tive a honra de entrevistar o simpático e talentoso Márcio “Vip” Antonucci em 1995, quando foi lançada a caixa de cinco CDs 30 Anos de Jovem Guarda. Nunca vou me esquecer de uma declaração genial que ele me deu, relacionada ao fato de Roberto Carlos não ter participado da coletânea e da inclusão da música Quero Que Vá Tudo Pro Inferno na mesma.

“Enquanto negociamos para que o Roberto participasse do projeto, eu admiti deixar Quero Que Vá Tudo Pro Inferno fora do projeto, pelo fato de ele ter pegado bronca dessa música. Quando finalmente ele recusou o convite, não tive dúvida e não só incluí a música na coletânea, como coloquei o elenco inteiro do projeto para cantá-la”, disse. Simpático, passou a mim o número do telefone de sua casa e se ofereceu para qualquer tipo de consulta musical que eu precisasse. Um gentleman.

A carreira dos Vips teve início na primeira metade dos anos 60, influenciada por duplas como os Everly Brothers e pelos Beatles, de quem os irmãos Antonucci gravaram algumas versões. Suas vocalizações deliciosas ajudaram a emplacar hits certeiros como Faça Alguma Coisa Pelo Nosso Amor e a fenomenal A Volta, de Roberto Carlos, provavelmente o maior sucesso pop de 1966 no Brasil e relida nos anos 2000 com muita categoria pelo Rei.

Após o fim da Jovem Guarda, período em que fizeram muito sucesso, os Vips continuaram fortes durante os anos 70, o que provam sucessos do naipe de Cada Segundo (de Antônio Carlos & Jocafi e parte da trilha da novela global O Primeiro Amor) e Só Até Sábado, sempre apostando em vocais caprichados e letras românticas e bem-humoradas.

Com o tempo, Márcio ampliou seus horizontes profissionais, e se tornou produtor de programas de TV e também diretor musical na Rede Globo, Record e SBT. De forma despretensiosa, gravou um disco ao vivo com os Vips em 1991, intitulado A Volta e lançado pela gravadora global Som Livre. O álbum, no entanto, surpreendeu e estourou, retomando com tudo o sucesso da dupla com o irmão camarada Ronald.

Sempre atencioso e ajudando os colegas de Jovem Guarda, Márcio foi o nome por trás do lançamento de 30 Anos de Jovem Guarda, caixa com cinco CDs que trouxe regravações respeitando os arranjos originais dos grandes sucessos daquelas “jovens tardes de domingo” e ajudou vários de seus colegas a conseguirem gravar novamente em uma grande gravadora, no caso a Polygram (hoje Universal Music).

A compilação vendeu muito, e acabou abrindo as portas para o lançamento em 1999 de outro projeto na mesma linha, A Discoteca do Chacrinha, outra produção de Márcio desta vez focada em hits populares dos anos 70 relidos por nomes como Odair José, Amado Batista, Peninha, Wando, Fernando Mendes, Waldick Soriano, Genival Lacerda, Paulo Diniz, Jerry Adriani e Claudia Telles, entre outros.

Entre os pontos altos da trajetória dos Vips está o fato de eles terem gravado em 1968 a primeira versão de É Preciso Saber Viver, que depois voltaria às paradas de sucesso na releitura do autor, Roberto Carlos, e com os Titãs, nos anos 90. Márcio Antonucci deixou três filhos, entre os quais Bruno, que anunciou a morte do pai via Facebook. Eis uma perda daquelas enormes para a música brasileira. Descanse em paz, Márcio!

Cada Segundo– Os Vips:

A Volta – Os Vips:

Só Até Sábado – Os Vips:

Faça Alguma Coisa Pelo Nosso Amor – Os Vips:

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